FESTAS FELIZES

Em virtude do período festivo, este espaço estará ausente do convívio dos leitores durante alguns dias. Voltaremos a encontrar-nos a 10 de Janeiro, por altura do regresso do campeonato. Até lá, ficam os votos de um feliz Natal a todos, e de um ano de 2011 cheio de alegrias, sobretudo para os benfiquistas.
Como prenda, deixo aqui também uma pequena mensagem do Ruben Amorim aos leitores do VEDETA DA BOLA:

COPO MEIO CHEIO

Olhando friamente para os resultados, a sequência das últimas dez partidas do Benfica na Liga é digna de campeão. Retirando a derrota do Dragão, sobram nove vitórias noutros tantos jogos, e mais pontos que o FC Porto nesta parcela de calendário. Não é de estranhar pois que os encarnados tenham, neste momento, apenas menos três pontos do que em idêntica jornada da época transacta.
Justamente na época passada, por esta altura, o Benfica tinha-se apurado para os dezasseis-avos-de-final da Liga Europa, onde ia defrontar um dos últimos classificados da Bundesliga (tal como agora), mas estava já eliminado da Taça de Portugal, após perder em casa com o Vitória de Guimarães - desta vez venceu o Sp.Braga, e mantém-se em prova.

Trocando três pontos na Liga por uma eliminatória da Taça, a equipa de Jesus está, grosso modo, em termos absolutos, na mesma situação da temporada passada. A diferença classificativa verifica-se sobretudo na relação com o desempenho do FC Porto (que soma mais nove pontos esta época), e na forma como este tem sido empurrado para as vitórias.
Há, na verdade, três aspectos que marcam a época benfiquista:
- As arbitragens que condicionaram o início da época, retiraram pontos e confiança a uns, na mesma medida que os acrescentaram a outros;
- A goleada sofrida no Dragão, num jogo em que os jogadores portistas pareciam correr tanto como o Ben Johnson;
- Uma Liga dos Campeões verdadeiramente decepcionante, onde, aí sim, o Benfica tem de se queixar de si próprio, e de uma postura, a meu ver, demasiado romântica para a morfologia da competição.
São estes três itens (um por culpas alheias, outro por responsabilidades próprias, com um ponto de interrogação pelo meio) que, justa ou injustamente, têm deitado abaixo uma equipa que, afinal, mesmo com pouco brilhantismo e alguma irregularidade, até tem cumprido grande parte das suas obrigações.

CLASSIFICAÇÃO REAL

A jornada 14 da Liga Portuguesa trouxe-nos mais do mesmo: penáltis mal marcados a favor do FC Porto, e penáltis por marcar a favor do Benfica.
Até quando isto vai durar? Julgo que até consagrar o FC Porto como campeão, objectivo de demasiada gente dentro do futebol.
Tal como se passa com o país, as pessoas vão aceitando com resignação tudo o que lhes põem pela frente. Até um dia.
Desde 1976 que vejo futebol, e não me recordo de um campeonato, português, europeu ou mundial, tão subvertido pelas arbitragens como este. Um verdadeiro escândalo, desde a primeira jornada até agora. Um autêntico andor para a equipa que a Liga, o seu presidente, o seu CA, o seu CD, a APAF, o sec-estado e a FPF querem ver campeã, custe o que custar. Muita gente importante, que pesa bem mais do que os milhões de adeptos que, nas bancadas, vão sendo enganados (e aqui bem me apetecia utilizar outra palavra). E que quando se queixam, ainda são acusados de querer iludir as más exibições da sua equipa, como se uma coisa tivesse a ver com a outra.

BENFICA-RIO AVE
Embora a expressão ampla do resultado não deixe dúvidas, a arbitragem de Hugo Miguel na Luz foi absolutamente desastrosa.
Um penálti por assinalar sobre Fábio Coentrão (o décimo !!! por marcar a favor do Benfica nesta temporada), um penálti mal assinalado a favor do Rio Ave, e um golo mal validado ao Benfica, foram erros demasiados para um jogo relativamente simples de arbitrar. Devo contudo dizer, em nome da verdade, que nestes dois últimos lances só a televisão me esclareceu totalmente.
Quanto ao fora-de-jogo que antecede o lance do penálti, sendo um problema digno de figurar num teste para novos árbitros, creio que a decisão de deixar jogar foi correcta. Foi pena que o juiz tenha depois confundido um corte com a barriga com uma mão na bola…
Resultado Real: 5-1

PAÇOS DE FERREIRA-FC PORTO
Mais uma arbitragem desastrada, numa jornada para esquecer.
O primeiro golo do FC Porto nasce de um livre inexistente. O segundo de um penálti fantasma, e só o terceiro poderá ser considerado puro. É verdade que também existe um penálti por assinalar sobre Hulk. Mas, o que seria deste jogo com o 0-0 a prolongar-se até meio da segunda-parte?
Resultado Real: 0-2

V.SETÚBAL-SPORTING
Não vi o jogo, e pelo resumo não me apercebi de qualquer caso digno de nota.
Devo confessar que o resultado até me agradou, pois como benfiquista, a permanência de Paulo Sérgio, Costinha e Bettencourt ao leme do futebol do Sporting deixa-me bastante tranquilo. E se perdessem em Setúbal…
Resultado Real: 0-3

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 37
FC Porto 32
Sporting 21

TOP ERRO
1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3
2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º FC PORTO-V.SETÚBAL (13ª jornada) Falcão mergulha para a relva no interior da área, e o diligente Elmano Santos aponta para a marca de penálti, a um minuto do intervalo. Resultado na altura: 0-0 Resultado final: 1-0

TARDE DE TANGO

Em vésperas da quadra festiva, a equipa do Benfica presenteou os seus sócios e adeptos com uma das melhores exibições da época, goleando o Rio Ave, e mantendo de pé a esperança numa perseguição ao primeiro lugar do campeonato.
Com uma entrada em campo de rompante, aos oito minutos de jogo já os encarnados venciam por 2-0, tendo ainda visto o árbitro anular um golo por fora-de-jogo de Saviola. E até à meia-hora, a perfeição do futebol praticado pelo conjunto de Jorge Jesus fez lembrar alguns dos melhores momentos da temporada passada, quando muitos adversários tremiam só de pisar o relvado da Luz.
Foi, de resto, este mesmo adversário que o Benfica teve pela frente no dia da sua consagração como campeão de 2009-2010. Então, como agora, uma atitude bastante afirmativa desde os instantes iniciais retirou quaisquer veleidades aos vila-condenses, desenhando muito cedo o destino do jogo.
Na ponta final da primeira parte o Benfica afrouxou ligeiramente o seu ritmo, permitindo ao Rio Ave chegar ao golo. Entre a possibilidade de ver o jogo resolvido ao intervalo, e a eventualidade de ter uma segunda parte de sofrimento pela frente, esse golo de João Tomás (depois de muitos anos, novamente a bisar na Luz) deixou um certo sabor a frustração na saída para os balneários.
Mas não foi preciso esperar muito mais tempo para se perceber que a tarde seria mesmo pintada de vermelho vivo. Após uma bela iniciativa de Salvio, o seu compatriota Saviola voltou a marcar, bisando na partida, e devolvendo a tranquilidade às bem compostas bancadas da Luz. Era a melhor forma de iniciar um segundo período que nos voltaria a trazer bom futebol e ocasiões de golo junto das duas balizas – sobretudo na que estava à guarda de Paulo Santos.

Salvio, com uma estupenda exibição, aumentaria a vantagem, após lance primoroso de Gaitán, e nem um penálti duvidoso – que voltaria a reduzir distâncias – encolheu o Benfica, que continuou sempre em ritmo elevado, e em busca de mais golos.
Faria apenas mais um, novamente por Salvio, dispondo contudo de várias oportunidades para tornar a goleada ainda mais expressiva.
Foi pois uma tarde de tango, com os argentinos em plano de grande destaque. Salvio com dois golos e uma assistência foi o homem do dia, mas Saviola também com dois golos – e cinco nos últimos cinco jogos -, Aimar com um, e Gaitán com uma assistência e mais alguns lances de grande classe, brilharam também a grande altura.
O árbitro Hugo Miguel esteve mal ao não assinalar uma grande penalidade sobre Fábio Coentrão na primeira parte, e voltou a estar mal quando sancionou um corte do mesmo jogador dentro da área benfiquista. Devo confessar todavia que, no estádio, fiquei com a ideia que esta grande penalidade tinha sido bem assinalada. Mas tal como diz Jesus (e qualquer pessoa de boa fé) o critério dos penáltis neste campeonato tem sido absolutamente obtuso, e tem prejudicado sistematicamente o Benfica, beneficiando o FC Porto.

O MEU ONZE PARA A JORNADA

ANDOU À RODA NA EUROPA

Para o Benfica, o sorteio da Liga Europa podia ter sido bem pior.
A negra tradição alemã não ajuda, mas o Estugarda (de Boulahrouz, Camoranesi e Pogrebnyak) não vive um bom momento, e entre os cabeças-de-série a escolha não era muita. Quanto ao alinhamento para os oitavos-de-final, dificilmente se poderia esperar melhor sorte, embora o Paris St-Germain não seja propriamente uma pêra doce.
Alguma sorte teve também o Sp.Braga, que vai encontrar pela frente uma das surpresas desta competição. Não são favas contadas, mas creio tratar-se de um adversário acessível aos minhotos. Todavia, caso passe, na fase seguinte encontrará muito provavelmente o Liverpool, o que não é animador.
Já o FC Porto, ao contrário do que tem acontecido com a Taça de Portugal, não foi nada feliz. Sevilha e, depois, possivelmente o CSKA Moscovo, são adversários que irão pôr à prova a equipa de Villas-Boas.
O Sporting também não terá vida fácil, pois o Glasgow Rangers tem dominado o futebol escocês, tem história, tem experiência, e será certamente um rival complicado. No entanto os leões são favoritos. A seguir, podem ter pela frente o PSV.
Confira aqui o resultado do sorteio, e o alinhamento seguinte.

CRITÉRIOS

Diz-se, conta-se, escreve-se, que Paulo Sérgio, após o jogo de Sófia, fez declarações bombásticas, trucidando os seus jogadores.
Gostava de ouvir, mas, infelizmente, nenhum serviço noticioso as mostrou.
Em frente da televisão, saltitei de canal em canal, mas, ou tive muito azar, ou ...nada. Após as imagens do jogo falava-se do sorteio, ou melhor, de quem era ou não era cabeça-de-série.
Gostava de saber qual seria o critério se as declarações fossem de Jorge Jesus, e a derrota fosse do Benfica.
Por outro lado, confesso que, enquanto benfiquista, aprecio bastante a tolerância que tem sido concedida a este técnico leonino, e espero que o deixem continuar todas as suas macabras experiências por tanto tempo quanto possível. Espero também que a "Juve Leo" continue a protegê-lo, ao contrário do que fez com José Mourinho (que não deixou sequer entrar no clube), e com Paulo Bento (que não descansou enquanto não pôs na rua).

SORTE? AZAR? (2)

Está quase tudo definido quanto aos possíveis adversários do Benfica nos dezasseis-avos-de-final da Liga Europa.
Havendo poucas hipóteses de o Metalist ganhar por 0-3 em Eindhoven (e assumir o 1º lugar desse grupo), a única verdadeira dúvida prende-se com a eventualidade de Lech Poznan e Manchester City, ambos apurados, trocarem de lugar nesta última jornada (sendo para isso necessário aos polacos triunfar em Salzburgo, e esperar que os ingleses percam em Turim com a Juventus). Curiosamente, seriam adversários totalmente diferentes quanto ao respectivo grau de dificuldade.
Deixo aqui a minha ordem de preferência para o sorteio de amanhã, considerando, para já, essas duas equipas: 1º L.Poznan 2º PSG 3º Twente 4º PSV 5º Ajax 6º D.Kiev 7º Estugarda 8º Leverkusen 9º Spartak 10º CSKA 11º Zenit 12º Liverpool 13º M.City 14º Villarreal.

SORTE? AZAR?

Depois de, na época passada, ter disputado a final com o Desportivo de Chaves, a caminhada do FC Porto nesta edição da Taça de Portugal é de levar às lágrimas: Limianos, Moreirense, Juventude de Évora e agora Pinhalnovense, são as etapas de um passeio até às meias-finais.
Para o Benfica, o terceiro adversário consecutivo do escalão principal, e desta vez fora de casa. Se não há bolas quentes e bolas frias nos sorteios da FPF, pelo menos parece. E daquela gente (FPF e FCP) eu espero sempre tudo.

VOTOS PARA A JORNADA EUROPEIA

O que está em causa são basicamente duas coisas: tornar o lote de possíveis adversários do Benfica mais acessível, e cimentar a posição de Portugal no ranking da UEFA.
Se desejo que FC Porto e Sporting ganhem os seus jogos? Sim. Até porque, com as respectivas posições já definidas, estes pontos serão, digamos, de borla.

APURADOS:

O sorteio é na próxima quinta-feira.

EM FRENTE

Num fim-de-semana totalmente dedicado à Taça de Portugal, e ainda a digerir a viagem ao Porto, lá estava eu já na Luz para o jogo grande da ronda.
Com um cutelo sobre o seu pescoço, o Benfica ganhou com inteira justiça, realizando uma exibição agradável e dissipando, por agora, as nuvens que se adensavam no seu horizonte. Nem tudo saiu bem, mas a atitude competitiva da equipa foi absolutamente irrepreensível, dando sinais de que as coisas podem efectivamente melhorar.
É preciso dizer que o Sp.Braga partiu para esta partida extremamente desfalcado (assim de cabeça, faltavam, pelo menos, Miguel Garcia, Moisés, Vandinho, Mossoró, Matheus e Lima), o que não terá deixado de se fazer sentir no rendimento da equipa. Efectivamente, só perto do final a equipa minhota levou perigo até à baliza de Júlio César.
Até lá, e sobretudo depois de se verem em vantagem, os campeões nacionais tiveram sempre as rédeas do jogo nas mãos, ficando a dever a si próprios mais um ou dois momentos de festa.
Saviola voltou a marcar, mostrando estar de volta à eficácia que acompanhou a sua primeira época na Luz. Mas o homem da noite foi Pablo Aimar, não só pelo golo que assinou, como, sobretudo, pela forma como jogou e fez jogar a equipa à sua volta. Não foi a melhor exibição do mago argentino, mas foi mais uma excelente exibição, confirmando tratar-se do jogador encarnado cujo rendimento menos oscilou de 2009-10 para 2010-11.
O árbitro perdoou duas expulsões, uma para cada lado. Sílvio e Maxi Pereira (curiosamente os dois laterais direitos) poderiam ter ido tomar banho mais cedo, mas globalmente Carlos Xistra não esteve num dos seus piores dias, sobretudo se levarmos em conta que os jogadores em nada o ajudaram (incrível a violência e a hostilidade que esta equipa de Domingos sempre revela diante do Benfica).
Segue-se o Olhanense.

RETRATOS DO DRAGÃO

DE CABEÇA ERGUIDA

Estive no Estádio do Dragão a apoiar o clube da minha terra (Juventude de Évora) neste seu cruzamento com a história.
Não se pode dizer que tenha saído satisfeito (sonhos à parte, uma derrota por 2-0, ou 3-1, seria certamente mais reconfortante), mas tendo em conta que se tratava de um embate entre uma equipa da 2ª divisão e o líder o campeonato principal, os números finais não envergonham ninguém.
O FC Porto entrou praticamente na máxima força, e jogou sem contemplações. Se isso valorizou o Juventude, também não deixa de ser verdade que lhe retirou rapidamente quaisquer hipóteses de lutar pelo resultado. O golo aos 10 minutos fez temer o pior, mas com o tempo a equipa eborense foi-se tranquilizando, e evitou a humilhação que vivera há 13 anos atrás – quando, noutra deslocação ao Porto, perdeu por 9-1.
Na segunda parte o Juventude chegou mesmo a gizar alguns lances de qualidade, sem que, todavia, tenha chegado a causar perigo junto da baliza portista. Foi pena ter sofrido o quarto golo já nos minutos finais, quando o 3-0 parecia satisfazer o FC Porto, e não tinha ainda a cor de uma goleada. Os jogadores alentejanos quiseram marcar no Dragão, e a equipa acabou traída por esse desejo sofrendo um evitável golo de contra-ataque.
Nunca o Juventude fez qualquer tipo de anti-jogo. Nunca defendeu de forma muito diferente daquilo que faz no seu campeonato. Com isso valorizou o espectáculo, e soube merecer os elogios de André Villas-Boas, Luís Freitas Lobo, entre outros.
Em termos individuais, destacaria o guarda-redes Tiago Martins, e também o médio Cau. Mas todos lutaram como puderam, e as falhas cometidas são absolutamente desculpáveis em quem está habituado a ritmos completamente diferentes.
A Taça passou, um dia diferente também, e agora faço votos para que o Juventude consiga continuar a mostrar as suas qualidades na 2ª divisão. Se jogar, domingo a domingo, com o empenho com que abordou este jogo, certamente acabará o campeonato nos primeiros lugares.
O árbitro esteve bem. Já quanto ao fiscal-de-linha… Enfim, num jogo com estas características, não havia necessidade de interferir no resultado, mas o 3º golo é claramente em fora-de-jogo. Hábitos da casa.

MAIS TAÇA DO QUE NUNCA

Este não vai ser, para mim, um fim-de-semana normal de Taça. Será sim uma jornada futebolística muito especial, na qual terei, pela primeira vez em muitos anos, os meus dois clubes no topo da agenda mediática.
Se, por um lado, o Benfica tem uma eliminatória difícil, diante do vice-campeão nacional, por outro, o Juventude da minha terra desloca-se ao Estádio do Dragão para um jogo histórico.
Lamento profundamente que este jogo histórico não seja contra o Benfica. Mas sorteio é sorteio, e a equipa eborense lá estará para fazer o melhor que puder, sabendo que, pelo menos, tem garantida uma boa receita (que contempla, inclusivamente, a transmissão televisiva pela Sport Tv).
Não tenho, como é óbvio, quaisquer ilusões quanto ao desfecho da eliminatória. A bonita caminhada juventudista na Taça de Portugal terminará este sábado.
Creio contudo que a equipa eborense, até pelo excelente campeonato que tem realizado (recordo que subiu este ano à 2ª divisão, e tem andado sempre pelos lugares da frente, sendo, porventura, a melhor equipa do Juventude dos últimos 10/12 anos), tem condições para fazer um bom jogo, deixar uma boa imagem, retardar o primeiro golo do FC Porto, e até, com um pouco de sorte, dificultar-lhe a vida. Mais tarde ou mais cedo as coisas seguirão o seu rumo natural, mas se o Juventude voltar do Dragão com uma derrota por dois ou três golos de diferença, julgo que já se poderá considerar um vencedor.

A equipa eborense vale pelo conjunto, e tem revelado uma eficácia defensiva notável. O treinador, Migue Ângelo, é um homem da casa, mantendo-se no comando técnico há já seis temporadas consecutivas, depois de ter sido adjunto, treinador dos juniores, além de jogador e capitão de equipa durante muitos anos. O plantel é bastante equilibrado, sendo seguramente uma das equipas melhor organizadas do seu escalão. Dispõe de jogadores como o ex júnior portista Viúla; o ex V.Setúbal Nelson Silva; André Xavier, irmão de Abel Xavier; o senegalês Cissé; e o experiente avançado Nuno Gaio (na foto, ao lado do guarda-redes), ex júnior do Benfica, e que já ganhou no Dragão, com o Atlético. O guarda-redes suplente é Nuno Laurentino, irmão de Hugo Laurentino, guarda-redes de Andebol do FC Porto. Mas a grande estrela é o jovem goleador luso-francês Sebastien (na foto, o primeiro em baixo a contar da esquerda), que anda a ser pretendido pelo União de Leiria e pelo Olhanense.
Este não é o primeiro confronto entre os dois clubes. Também para a Taça de Portugal, o Juventude já se deslocou ao Porto por duas vezes: na primeira perdeu 4-0 (em 1993), na segunda (em 1998) a coisa correu pior, saindo derrotado por 9-1, num jogo em que Jardel marcou 7 golos (entre os quais aquele que ele próprio considerou o melhor da sua carreira). Lamentavelmente nunca jogou contra o Benfica (nem contra o Sporting), até porque nunca atingiu a 1ª divisão - apesar de, no final dos anos setenta, e no início dos anos oitenta, ter estado muito próximo de o conseguir (por três vezes, 77-78, 78-79 e 80-81 ficou a uma simples vitória). Na Taça de Portugal chegou duas vezes aos quartos-de-final, a última das quais em 1982.
Se o leitor quiser saber um pouco mais sobre a história do clube eborense, recomendo um espaço que lhe dediquei aqui ao lado, com fotos novas e antigas, com toda a carreira na Taça de Portugal e nos campeonatos nacionais, com o plantel, e até com a razão de ser do meu juventudismo (que, embora vestindo de azul-e-branco, tem uma águia no seu emblema).
Ficam também os onzes que eu escalaria para este fim-de-semana. Do Benfica, e…claro, do Juventude de Évora.

VIDA DIFÍCIL

Se aquele livre de David Luíz, já em tempo de descontos, tivesse entrado na baliza do Schalke, a vida do Benfica na Liga Europa estaria agora muito mais simplificada.
Bastaria esse golo (e o consequente empate) para que os encarnados terminassem a Champions como um dos melhores terceiros classificados, e entrassem no sorteio da próxima semana como cabeças-de-série, à semelhança do que acontece com FC Porto, Sporting e Sp.Braga. Infelizmente, assim não foi.
O primeiro efeito prático desta situação é que o Benfica (ao contrário dos restantes clubes portugueses) terá de jogar a segunda mão dos dezasseis-avos-de-final fora de casa. Pior que isso é a substancial diferença entre o lote de equipas que poderia ter pela frente, e aquele que efectivamente terá.
Falta ainda uma jornada da Liga Europa, mas é já possível antever a maior parte dos clubes primeiros classificados dos respectivos grupos, e como tal, possíveis adversários da equipa da Luz. Eles são então os seguintes:
Liverpool e Manchester City (INGLATERRA), Zenit São Petersburgo, CSKA Moscovo e Spartak Moscovo (RÚSSIA), Bayer Leverkusen e Estugarda (ALEMANHA), Ajax Amesterdão, PSV Eindhoven e Twente (HOLANDA), Villarreal (ESPANHA), Paris St-Germain (FRANÇA) e Dínamo Kiev (UCRANIA).
Se a derradeira ronda da fase de grupos for muito favorável, é possível que o Benfica se livre de Manchester City (por troca com o Lech Poznan), e do Villarreal (por troca com o Paok Salónica, ou com o Dínamo Zagreb). Quanto aos outros, embora subsistam ténues hipóteses matemáticas (nomeadamente nos casos PSV, PSG e D.Kiev), a verdade é que dificilmente fugirão a este lote.
FC Porto, Sporting e Sp.Braga serão cabeças-de-série, e como tal poderão ter pela frente pérolas como o Young Boys, o Metalist, ou Bate Borisov, tendo apenas, eventualmente, o Sevilha (ainda não qualificado) como adversário a evitar.
Recorde-se que não pode, para já, haver encontros entre clubes do mesmo país.

SORRISO AMARELO

Existem poucas palavras que possam descrever o meu estado de espírito quando ontem, após o 2º golo do Schalke, e com nove minutos por jogar, abandonei a Luz em passo apressado.
O Benfica estava afastado da Europa do futebol, e não fosse um golo milagroso do Lyon (que ouvi já no carro com alívio), seria esse o seu destino. Seria, direi mesmo, um destino merecido.
A participação do Benfica nesta edição da Champions League foi um fracasso total. Se para a carreira errática no campeonato ainda existem algumas atenuantes, para o desempenho europeu não encontro qualquer explicação convincente - e bem precisava delas. À excepção de 70 minutos na Luz com o Lyon, tudo o resto foi desastroso, e este jogo com o Schalke espelhou bem esse desastre.
Ironicamente acabou por ser Lisandro Lopez, com um golo e uma assistência, a salvar o Benfica, permitindo-lhe entrar, ainda que pela porta dos fundos (será a única equipa portuguesa a não ser cabeça-de-série) na Liga Europa.
Continuo sem perceber o total apagamento de Saviola, que depois de dois jogos assim-assim, voltou à nulidade que tem acompanhado quase toda a sua temporada. David Luiz é outro caso inexplicável. Mas a forma indolente como toda a equipa entrou em campo (numa partida decisiva) – coisa que se tem repetido jogo após jogo – é, para mim, o maior mistério. Poderia eventualmente falar de questões físicas, mas o período menos mau do Benfica ocorreu justamente na ponta final, o que nos afasta dessa equação. Haverá quem não tenha vontade de ganhar? Só lá dentro se saberá. De fora, é o que parece.
Quem não tem muita vontade de acompanhar a equipa são os seus adeptos. O tempo não ajudou, mas, caramba, era um jogo da Champions League, decisivo para permanecer na Europa. Aqueles que ficaram em casa não mereciam pois muito mais do que aquilo que o Benfica lhes deu. Os poucos que lá foram, esses sim, têm razões para dar largas à revolta.
Howard Webb é dos melhores árbitros do mundo. É pena que os auxiliares não estejam à sua altura.

A VERDADEIRA ESTATÍSTICA

O Benfica despede-se esta noite da Liga dos Campeões, prova onde escreveu as mais brilhantes páginas da sua história.
Se os Elmanos Santos deste país deixarem, no próximo ano poderá estar de regresso. Para já fica a esperança num brilharete na Liga Europa.
Fica também o quadro da verdadeira elite do futebol europeu: o ranking histórico da principal prova internacional de clubes, na qual o Benfica mantém um prestigiante oitavo lugar, que em princípio irá manter, a menos que perca este jogo e o Ajax (também já eliminado) ganhe em Milão.

CLASSIFICAÇÃO REAL

O treinador adjunto do FC Porto tem razão: é de facto massacrante ver o FC Porto receber dois pontos que não merecia, sobretudo se oferecidos por uma arbitragem desastrosa.
Mais massacrante ainda é verificar que, nas 13 jornadas já disputadas, em 7 delas (Figueira da Foz, Vila do Conde, Guimarães e Choupana, fora; Beira-Mar, Sp.Braga e V.Setúbal, em casa) o FC Porto foi directamente beneficiado com lances verdadeiramente caricatos. Se juntarmos ao que se passou em muitos dos jogos do Benfica, quase teríamos matéria para escrever um livro: “O Livro Negro da Liga 2010-11”.
É também curioso observar os momentos em que todos estes episódios ocorreram. Justamente nas primeiras jornadas (quando ainda se sentia o temor de um novo super-Benfica), e agora, que a equipa portista dá sinais de pronunciada quebra. Ou seja, quando é preciso.
Vamos ao balanço da jornada:

BENFICA-OLHANENSE
O golo anulado ao Olhanense não oferece dúvidas. Terei de dizer, contudo, que o lance protagonizado por David Luiz dentro da área me parece passível de grande penalidade, sendo todavia bastante difícil de analisar.
De resto, uma arbitragem sem categoria, cheia de pequenos equívocos, e muitas indecisões.
Resultado Real: 2-1

U.LEIRIA-SP.BRAGA
Foi o próprio presidente do Sp.Braga que veio a terreiro defender o árbitro. Fez bem, pois tem ainda a agradecer-lhe os três penáltis com que, na época passada, venceu o V.Guimarães, num momento importante do campeonato.
Neste jogo, admito que a segunda grande penalidade possa ser duvidosa, aceitando todavia o critério seguido. A expulsão de Matheus foi também um pouco forçada.
Resultado Real: 2-1

PORTIMONENSE-SPORTING
O 3º golo do Sporting é irregular, pois Maniche desvia a bola com a mão, movimento decisivo para a trajectória que ela seguiu rumo à baliza.
Em poucos dias, é a segunda vez que jogadores do Sporting utilizam as mãos para marcar golos. Com o Lille assistíramos a um verdadeiro lance de voleibol, que, incrivelmente, nem uma dezena olhos (dos cinco árbitros) conseguiu ver.
Lembrei-me, nesse momento, das palavras de Paulo Bento há uns anos atrás: Futebol, pé, Voleibol e Andebol, mão.
Resultado Real: 1-2

FC PORTO-V.SETÚBAL
Mais um jogo do FC Porto marcado pelo escândalo. É uma situação que se tem repetido, e que lança uma densa mancha sobre a credibilidade desta edição da Liga.
Não é com boicotes, nem comunicados que isto se resolve. O Benfica tem de actuar no terreno, nos bastidores, onde for necessário, e tem de saber usar a sua força para impedir que isto continue a acontecer.
O penálti assinalado a um minuto do intervalo, e que condicionou todo o jogo, não se vê em nenhum estádio da Europa. A farsa da repetição do penálti a favor do V.Setúbal (assinalado pelo assistente) vai ficar por explicar. A expulsão poupada a Fucile foi a cereja do topo de um bolo demasiado rançoso para ser digerido.
Na pior exibição da época, uma mãozinha amiga a proteger o FC Porto. Como sempre.
Resultado Real: 0-0

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 34
FC Porto 29
V.Guimarães 20
Sporting 18
Sp.Braga 16

TOP-ERRO
Estou a ponderar passar este top 3 para um top 5, ou top 10, tantos vão sendo os casos dignos de aqui figurar. Esta semana terei de introduzir o penálti a favor do FC Porto no Dragão, que me fez lembrar um lance de há uns anos atrás, na Luz, protagonizado por Jardel, então ao serviço do Sporting.
1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3
2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º FC PORTO-V.SETÚBAL (13ª jornada) Falcão mergulha para a relva no interior da área, e o diligente Elmano Santos aponta para a marca de penálti, a um minuto do intervalo. Resultado na altura: 0-0 Resultado final: 1-0

O MEU ONZE

A IMPORTÂNCIA DE UMA VITÓRIA

O Benfica está, como se sabe, afastado da Liga dos Campeões.
O jogo com o Schalke deve ser assim encarado quase como uma pré-eliminatória da Liga Europa, com a vantagem de permitir entrar directamente para os dezasseis-avos-de-final. Após o hino inicial, é pois para a Liga Europa que se jogará na Luz.
Para permanecer nas competições europeias, o Benfica até pode perder, desde que o Hapoel não vença em Lyon. Mas se os israelitas conseguirem surpreender o mundo com um triunfo histórico, a equipa de Jesus terá então mesmo de ganhar o seu jogo para garantir o acesso. A vitória é pois o único resultado que não deixa as coisas dependentes de terceiros.
Mas, partamos do (perigoso) princípio que o Lyon cumpre a sua obrigação (até porque quer, naturalmente, sem primeiro do grupo). Deixará a vitória sobre o Schalke de ter importância? Nem pouco mais ou menos.
Atente neste lote de equipas: Manchester City, Zenit S.Petersburgo, Liverpool, Estugarda, Villarreal, CSKA Moscovo, Glasgow Rangers, Bayer Leverkusen, PSV Eindhoven, Spartak Moscovo ou Dínamo de Kiev.
Agora repare neste outro lote: Lech Poznan, Bate Borisov, Basileia, Young Boys, Metalist, Steaua de Bucareste, Sparta de Praga, AEK de Atenas, Dínamo de Zagreb ou Aris Salónica.
A diferença entre ter uns ou outros pela frente na próxima eliminatória da Liga Europa pode passar por vencer o Schalke, e garantir nove pontos no grupo – creio que os suficientes para ficar entre os quatro melhores terceiros classificados da Champions.
Caso contrário, o Benfica terá vida difícil no seu regresso á Liga Europa, além de passar pela humilhação de ver FC Porto, Sporting e Sp.Braga como cabeças-de-série, e ser o único clube português a figurar na fila dos fracos.

OLHA QUE DOIS

Mesmo com uma nota artística bastante baixa, mesmo com algum sofrimento, o Benfica lá conseguiu aquilo que mais lhe interessava: alcançar a oitava vitória em nove jogos, e colocar alguma pressão sobre o líder do campeonato.
Tal como em diversas outras ocasiões nesta temporada, a equipa encarada revelou, desde o apito inicial, um problema de velocidade, ou, se preferirmos, de intensidade de jogo. Entrou em campo a passo, quase não fazendo pressão - o que permitiu ao adversário criar alguns problemas junto da sua linha defensiva -, e sem a imaginação suficiente para criar oportunidades de golo que se vissem. Pareceu, no fundo, acreditar que, mais tarde ou mais cedo, o golo iria cair do céu.
A verdade é que caiu mesmo. Não propriamente do céu, mas das mãos de Moretto, que teve um regresso à Luz totalmente desastrado, dando razão a todos aqueles que não o queriam ver por lá.
Até esse momento, a história da primeira parte fora uma história de embalar, tal a forma sonolenta como as equipas se foram passeando pelo campo, cabendo aqui, obviamente, muito maiores responsabilidades ao Benfica.
No segundo período, e já em vantagem, a equipa da Luz mostrou um pouco mais de entusiasmo. Nunca chegou a um nível elevado, mas teve, pelo menos, o condão de não deixar que as imediações da sua área sofressem qualquer tipo de ameaça.
Sabendo como são estas coisas, os adeptos foram todavia sentindo, à medida que o tempo passava, e o resultado permanecia tangencial, o perigo de um final pouco feliz. O golo de Saviola descansou o estádio, e colocou um ponto final numa noite fria, dentro e fora do rectângulo de jogo.
Destaque individual para a dupla de avançados, que fez aquilo que normalmente se lhes pede, ou seja, golos. Saviola, em particular, revelou uma vivacidade que nos últimos tempos se lhe não vira com frequência. Desconheço o que se terá passado com ele em Israel, mas o que quer que tenha sido, teve o condão de nos trazer um Saviola (de felicidade ou de raiva) muito mais próximo daquilo que se espera de um craque como ele.
A arbitragem foi fraquinha, mas não teve qualquer interferência no resultado.

O MEU ONZE

...para a oitava vitória em nove jogos do campeonato.

SIM...OU SOPAS?


...sopas!

É na Rússia, tal como grande parte dos observadores (e a lógica) apontavam.

DESLUMBRANTE!

Entre Real e Barca, as minhas simpatias sempre penderam para os da capital. Ainda mais agora que contam com os serviços de vários portugueses, para além de um ex-benfiquista.
Essas simpatias são, no entanto, apenas isso mesmo: meras e indolores simpatias. Assim sendo, não deixei pois de me regalar com o magnífico espectáculo proporcionado pelo conjunto de Guardiola, que realizou uma das melhores exibições que me recordo de ver a uma qualquer equipa no mundo. Foram cinco, poderiam ter sido oito ou nove, tal a superioridade esmagadora evidenciada pelos catalães, que tiveram quase 70% de posse de bola, e criaram onze ocasiões de golo.
Um jogo não são jogos, pelo que o Real de Mourinho continua a ser um sério candidato ao título. Não esqueçamos que se trata de uma equipa praticamente nova, ao contrário do Barcelona, cuja maioria dos jogadores actuam juntos há já várias temporadas. Logo, a tendência será para as coisas se reequilibrarem.
O Real perdeu com o grande rival por 5-0. O Benfica perdeu com o grande rival por 5-0. O Real está a dois pontos da liderança. O Benfica está a oito pontos da liderança. Tivesse o Real Madrid sido prejudicado pelas arbitragens em seis pontos no início da temporada, e teríamos uma curiosa similitude entre as duas Ligas.

ESTE CLÁSSICO É QUE EU NÃO PERCO!

20.00h, Sport Tv

CLASSIFICAÇÃO REAL

Pela primeira vez, em doze jornadas, o FC Porto foi prejudicado num lance capital. É caso para gritar “aleluia!”.

FC PORTO-SPORTING
Como já sabem, não vi o jogo. O golo do Sporting, como já disse, é irregular (responsabilidade do fiscal-de-linha). Maicon parece-me bem expulso. No resumo a que tive acesso não foi mostrada mais nenhuma situação polémica.
Resultado Real: 0-1

BEIRA MAR-BENFICA
Um penálti claríssimo por assinalar, com o resultado ainda em branco, contrasta com o festival de apito que Bruno Paixão voltou a protagonizar – à semelhança daquilo que, desde há muito, nos vem habituando. A grande penalidade sancionada é, também ela, evidente.
Resultado Real: 1-4

SP.BRAGA-NACIONAL
O penálti que abriu caminho à equipa de Domingos é absolutamente ridículo. A sua conversão é ilegal, pois quando é feito o primeiro remate, já o jogador que faz a recarga está uns bons metros dentro da área. Lance duplamente irregular, a manchar o trabalho do árbitro, e a empurrar os bracarenses para a vitória.
Resultado Real: 1-0 (mas sem aquele primeiro golo…)

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 31
FC Porto 28
V.Guimarães 20
Sp.Braga 16
Sporting 15

TOP-ERRO
1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3
2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º NACIONAL-FC PORTO (5ª jornada) Murro de Rolando na bola dentro da área, que Bruno Paixão não quis ver. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2

VIVOS!

Se a derrota sofrida em Israel havia deixado algumas interrogações no ar, e lançado muita inquietação para cima da família benfiquista, ter-se-á também de dizer, em nome da verdade, que a vitória de Aveiro forneceu abundantes e agradáveis respostas a quase todas essas dúvidas.
Desde logo acerca da união da equipa, e da sua vontade de ultrapassar o momento menos bom pelo qual tem passado. Percebeu-se isso na efusiva e emocionada comemoração dos golos, nos abraços finais de alguns jogadores ao técnico Jorge Jesus (como foi, por exemplo, o caso de David Luíz), mas, sobretudo, no sentido de solidariedade que se foi observando ao longo dos noventa minutos, em cada disputa de bola, em cada centímetro do relvado, e que contribuiu de forma determinante para que o Benfica tenha conseguido uma das melhores exibições da temporada - senão no sentido plástico do termo, certamente quanto à raça com que se decidiu a abordar o jogo, e a vencê-lo.
Não podemos desligar esta vitória de dois nomes que, por razões imponderáveis, haviam estado afastados da equipa ao longo de várias semanas. Olhando para a ficha do jogo, Óscar Cardozo será uma referência óbvia. Mas também Ruben Amorim teve papel fundamental na tarde-noite aveirense.
O paraguaio, com um penálti sofrido e superiormente convertido a fechar a primeira parte, com um golo de bandeira ainda na fase inicial da segunda, e uma assistência primorosa para Saviola marcar pouco depois (para além de mais um ou dois lances definidores da sua capacidade enquanto jogador de área), mostrou que é absolutamente imprescindível no ataque benfiquista, não dispondo de substitutos à altura – nem no plantel, nem, provavelmente, no mercado, ou pelo menos nos mercados onde o Benfica tem condições de se movimentar.
O médio português não fez uma exibição de encher o olho, mas a sua simples presença permitiu, por um lado, libertar Maxi Pereira para uma maior interacção nos lances ofensivos, e, por outro, resguardar Javi Garcia, dotando o meio-campo encarnado de uma consistência e de uma capacidade de pressão que nos últimos tempos pareciam perdidas. Preenchendo o flanco direito, possibilitou ainda o deslocamento de Carlos Martins para a sua verdadeira posição, onde, sobretudo durante a primeira parte, foi dos elementos mais em foco. Tratando-se do substituto natural de Ramires durante a época do título, Ruben Amorim era pois a peça que faltava para cumprir o papel anteriormente destinado ao internacional brasileiro (que chegou até, nalgumas ocasiões, a remeter para o banco de suplentes), coisa que, desafortunadamente, ainda não tinha sido possível comprovar de forma tão clara.
Com estes dois importantes regressos – Ruben não ocupava o seu lugar no meio-campo desde Agosto, e Tacuára não era titular desde Setembro – o Benfica mostrou, enfim, muito maiores semelhanças com aquilo que era a sua fisionomia normal na temporada passada. Só agora foi assim possível reproduzir tacticamente alguns dos aspectos colectivos que definiram a equipa campeã, o que, aliado a uma atitude competitiva feroz e determinada, foi suficiente para ultrapassar as circunstâncias adversas do jogo, entre as quais um penálti claro que ficou por assinalar quando o resultado estava ainda em branco. A equipa funcionou como um bloco, e mostrou capacidade física, táctica e mental para dar a volta aos receios que naturalmente sentiria, depois da amargura de uma derrota concludente e inesperada. E quando o colectivo funciona como tal, as estrelas emergem, resgatando o seu brilho natural. Foi o caso de Saviola, que finalmente se aproximou do altíssimo nível a que nos havia habituado durante a época anterior, mostrando uma vontade férrea de pôr fim ao cinzentismo que, inegavelmente, marcara as suas últimas prestações.
Com um colectivo mais equilibrado, e com muita vontade de vencer, não houve ansiedade que impedisse o Benfica de somar a sua sétima vitória em oito jogos do campeonato, e aproveitar o empate do FC Porto em Alvalade para se reaproximar do topo da tabela classificativa. Tendo o nosso adversário de se deslocar ainda à Luz, bem como, por exemplo, a Braga e ao Funchal, ainda resta algum espaço para o sonho. Sobretudo se, semana a semana, formos vendo a atitude competitiva que o Benfica demonstrou em Aveiro, com a qual não será fácil perder mais jogos nesta edição da Liga.
PS: A imbecilidade do repórter da TVI na flash-interview teve de Jorge Jesus uma resposta à altura. Já a entrevista a Saviola tinha sido recheada de tentativas de - talvez aproveitando o fraco domínio da língua portuguesa do argentino - causar dano no balneário encarnado. Depois seguiu-se a insistência perante o técnico. Mas o pior ainda estava para vir, com uma alusão disparatada às conferências de imprensa da Benfica TV, que fez cair a máscara ao personagem.

FUTSAL EM GRANDE

Sendo este um espaço sobre futebol, não deixo todavia de notar o feito que Benfica (detentor do título europeu) e Sporting (campeão nacional) conseguiram no Futsal internacional, qualificando-se ambos para a “final four” da principal competição europeia de clubes. Montesilvano, da Itália, e Kairat Almaty, do Azerbaijão, são os restantes apurados.
Espera-se que este duplo apuramento luso permita trazer de novo essa mesma “final-four”para o nosso país (Pavilhão Atlântico) e assim proporcionar ao público português mais um evento verdadeiramente espectacular – e sei do que falo, pois estive lá em Abril passado.
Esta modalidade, com equipas deste calibre, com pavilhões constantemente cheios de entusiasmo e vibração, começa a ser claramente a segunda nas preferências dos portugueses. E estranho bastante que o FC Porto continue a ignorá-la, não percebendo a força que tem, e adiando uma participação que, mais tarde ou mais cedo, terá certamente de equacionar.

CLÁSSICO EMPATADO

Por motivos pessoais não pude ver praticamente nada do Sporting-FC Porto. Vi um resumo com os golos, e li algumas coisas sobre o jogo, o que não é suficiente para manifestar uma opinião clara sobre o que se passou em campo.
Direi apenas que o resultado me agradou, e não me surpreendeu, sobretudo sabendo que o FC Porto jogou largos minutos com menos um elemento.
O golo do Sporting foi irregular, mas isso ficará para a rubrica habitual sobre arbitragem.

ONZE PARA LAMBER FERIDAS

UMA ANEDOTA, UM DESTINO

Confesso que me é extremamente difícil escrever sobre o que se passou esta noite em Israel.
Em primeiro lugar porque a dor é muito profunda. Mais profunda que a causada pela goleada do Dragão – ainda assim frente a um opositor forte e inspirado, e numa prova com trinta jornadas - ou por qualquer outra das muitas derrotas já sofridas nesta época.
Em segundo lugar porque, sinceramente, não tenho conhecimento concreto do que se passa com a equipa, nem dos motivos que levaram ao total destroçar físico, táctico e anímico do grande Benfica da temporada passada. Sem fazer parte do grupo de trabalho, sem assistir a treinos, sem conhecer o balneário por dentro, tudo o que pudesse dizer não passaria pois de mera especulação, e o meu benfiquismo, tal como o respeito pelos leitores, impedem-me de entrar por aí.
Os factos estão à vista: saída da Liga dos Campeões sem um único golo marcado fora, com dez golos sofridos em cinco jogos, e com o próprio terceiro lugar fortemente posto em causa. Enfim, uma vergonhosa realidade, sobretudo para um clube que - certamente no entusiasmo de um título nacional muito esperado - se anunciava como candidato a chegar longe na competição europeia onde escreveu as mais belas páginas do seu historial.
No momento em que não podia falhar, o Benfica tombou estrondosamente, quase anedoticamente, soltando uma atmosfera de dúvidas e inquietação a seu respeito, da qual será difícil ver-se livre a breve trecho. Na Liga dos Campeões não houve arbitragens hostis, nem frangos de Roberto. Houve sim uma equipa sem estofo, que, por tudo o que não fez, não merecia outro desfecho que não esta eliminação sumária e implacável.
Pode parecer presunção, mas decorriam os primeiros dez minutos de jogo, e, mesmo com os comentadores da Sport Tv a cantarem loas à atitude inicial do Benfica, percebi que as coisas iriam, provavelmente, correr mal. O Benfica mostrava então que jogava ao ataque, e fá-lo-ia durante todo o jogo (como atestam os mais de vinte cantos conquistados). Acontece que atacar não é, por si só, sinónimo de jogar bem, e o Benfica atacou sempre, mas atacou sempre mal, sem rasgo, sem velocidade, sem agressividade, sem inspiração, sem eficácia. Criou algumas ocasiões, mas mais por via das fragilidades do adversário, do que pelos méritos de um futebol bem arquitectado. Na verdade, a atitude da equipa foi, desde o primeiro instante, e independentemente dos espaços que percorreu no relvado (mais ou menos próximos da baliza adversária), marcada por uma estranha passividade, cuja origem desconheço (sobranceria? esgotamento físico? factores anímicos?), mas que não foi, infelizmente, caso virgem. Muitos dos problemas evidenciados nesta partida já tinham sido patentes em Gelsenkirchen, em Lyon, e até no Dragão, pois em todas essas ocasiões havíamos visto um onze demasiado aberto, demasiado macio, a querer mostrar uma arrogância que a sua condição actual não lhe permite, acabando invariavelmente perdido nos seus próprios equívocos.
Não sendo episódica, esta noite merece pois uma reflexão profunda, até porque não pode ser normal o Benfica perder 3-0 perante um adversário que nunca havia ganho qualquer jogo na Champions League. Importa perceber, por exemplo, porque razão Saviola – uma das principais figuras da época passada – quase deixou de jogar, arrastando-se penosamente em campo, sem lhe sair um passe, um drible, um remate. Importa também entender a quebra de Javi Garcia, sistematicamente desposicionado e displicente, ou a total indolência de David Luíz, que parecia, uma vez mais, estar a divertir-se uma partidinha de praia entre amigos.
Há muito pois para analisar internamente, mas importa perceber, neste difícil momento, que a época não acabou aqui. O Benfica tem de encontrar rapidamente motivação e arreganho para ganhar ao Schalke, e seguir para a Liga Europa, pois caso contrário a situação passará a ser trágica. E por muito optimismo que me possa esforçar por manter, creio bem que – a avaliar pelo que se tem visto - existem razões para temer o pior dos cenários.
Cumprem-se hoje precisamente onze anos sobre os 7-0 de Vigo. Isso faz-me também pensar que nos últimos 15 anos, só por uma vez (com uma dramática vitória sobre o Manchester United) o Benfica passou da fase de grupos da Liga dos Campeões. Eis outro tema para reflexão.

UMA NOITE À BENFICA!

Não há como vacilar. O jogo é mesmo para ganhar, sendo também a oportunidade, quem sabe derradeira, para ainda fazer desta uma temporada de sucesso.
Espero um grande Benfica. Um Benfica como aquele que encantava há poucos meses atrás. Um Benfica ganhador. Um Benfica campeão.
A hora é de campeões, e é para campeões. É a hora do Benfica.

O DITO POR NÃO DITO

Não estou muito interessado no Sporting-FC Porto, que provavelmente, por imperativos pessoais, nem sequer poderei ver.
Mas não deixo ainda assim de notar a espantosa declaração de José Bettencourt acerca de João Moutinho, que deita por terra a não menos espantosa teoria da "maçã podre", justamente nas vésperas de receber o FC Porto.
Além de revelar um sentido de oportunidade verdadeiramente canhestro, o presidente do Sporting volta a evidenciar um rumo zigzagueante, sem critério nem visão, que cola bem com o percurso da equipa de futebol em quase toda a sua vigência.
Não acredito que o Benfica chegue ao título. Mas também não acredito que o Sporting chegue ao segundo lugar. Assim, sem grandes preocupações classificativas, desejo, por uma questão de princípio, que o FC Porto perca o jogo (este, e todos). Só que, com este Sporting, com os exemplos que partem de cima, não acredito minimamente que tal aconteça.

PONTO DE SITUAÇÃO - Grupos E, F, G e H

CARA LAVADA

Na época passada estranhei muitas vezes o facto de Matheus não ser titular indiscutível no Sp.Braga. Os seis golos que leva já na Liga dos Campeões (incluindo as pré-eliminatórias) estão a dar-me razão: o brasileiro é, simplesmente, o melhor jogador da equipa de Domingos, e não creio que se mantenha lá por muito tempo.
Foi ele o rosto da surpreendente, mas justa, vitória bracarense sobre o Arsenal. É verdade que a equipa londrina se apresentou bastante desfalcada, e que, durante o jogo, ainda se viu privada de mais duas peças importantes por lesão. Ainda assim, esta vitória (a terceira consecutiva) não deixa de constituir um feito para a história do emblema minhoto, pois não é todos os dias que se bate um nome tão sonante no futebol internacional.
O apuramento é ainda matematicamente possível, mas só por milagre poderá concretizar-se. Resumindo: seria necessário que o Braga vencesse por quatro golos na Ucrânia (situação altamente improvável), ou que, em alternativa, o Arsenal perdesse pontos em casa com o modesto Partizan (o que também não é previsível).
Depois das goleadas iniciais, estas vitórias deixam o Sp.Braga de cara lavada na Europa, e ajudam Portugal a manter uma posição no ranking - que, em princípio, permitirá, dentro de duas épocas, voltar a apurar três equipas para a Champions.

PONTO DE VIRAGEM?

É em Israel, terra prometida a muita gente, que o Benfica vai decidir grande parte do seu futuro europeu na presente temporada.
É imprescindível ganhar, pois se o Schalke vencer o Lyon, só uma vitória permitirá ao Benfica acalentar fundadas esperanças para a última jornada. Há combinações de resultados que abrem espaço a um empate, ou mesmo a uma derrota, mas sendo ambas as partidas disputadas em simultâneo, não se conhecendo de antemão o desfecho de Gelsenkirchen, a atitude da equipa não pode apontar em mais nenhum sentido que não o do triunfo.
Não será fácil. Trata-se de um adversário aguerrido, que joga num ambiente extremamente adverso para quem o visita. Mas é justamente esta a oportunidade para o Benfica mostrar a sua força, força essa amplamente exibida na temporada passada, e ultimamente escondida atrás de muita intranquilidade. Este pode pois ser o ponto de viragem, não só neste grupo de apuramento, como em toda a época encarnada.
Equipa provável: Roberto, Maxi Pereira, Luisão, David Luíz, Fábio Coentrão, Javi Garcia, Ruben Amorim, Aimar, Carlos Martins, Saviola e Cardozo
Recordemos o ponto de situação face ao apuramento, olhando para os dois jogos que faltam disputar ao Benfica:

A SORTE PROTEGE OS...GRANDES

Enquanto se aguarda o sorteio da Taça de Portugal (quinta-feira), decorreu hoje o relativo à fase de grupos da Taça da Liga.
Com o alinhamento dos cabeças-de-série e dos restantes potes conhecido de antemão, a margem para surpresas era pouca. Benfica e FC Porto foram, ainda assim, bafejados com a sorte de jogar as meias-finais em casa.
São estes os grupos:

SEM SURPRESAS

Numa eliminatória sem surpresas, o destaque aqui da casa vai, com merecimento, para o grande Juventude da minha terra, que ultrapassou mais uma eliminatória (a quarta), com um dos resultados mais expressivos da ronda.
O clube eborense está assim entre os 16 melhores da competição, o que representa, para já, a sua terceira melhor carreira de sempre (chegou, por duas vezes, aos quartos-de-final, a última das quais em 1982). Nesta edição leva 4 jogos, 4 vitórias, e um impressionante 8-0 em golos. E agora que se siga um Juventude-Benfica, jogo que habita os meus sonhos desde a infância (as duas equipas nunca se encontraram em jogos oficiais de futebol sénior).
Nos outros jogos, há que mencionar a forma canhestra como o FC Porto ultrapassou o Moreirense, num jogo em que houve dois golos quase iguais (um para cada lado), mas só um deles contou.
Para já, estão apuradas as seguintes equipas: FC Porto, Sporting, V.Guimarães, V.Setúbal, Académica, Olhanense, Rio Ave, Leixões, Atlético, Torreense, Juventude de Évora, Pinhalnovense e Merelinense.
Faltam disputar três jogos, entre os quais o Benfica-Sp.Braga.

PREPARAR O FUTURO

A pouco mais de um mês da reabertura do mercado, a SAD encarnada tem o dever de olhar para o que resta da época, mas também, e desde já, para 2001-2012 - onde certamente não irá contar com David Luíz e Fábio Coentrão.
Deste modo, torna-se pertinente contratar, no imediato, um defesa-central e um lateral-esquerdo, esperando que o regresso de Urreta, e um devidamente adaptado Gaitán, possam, dentro de um ano, garantir a fluência do lado canhoto do ataque (esta temporada ainda resguardado pelo internacional vila-condense). Falta também um médio-direito capaz de fazer esquecer Ramires, cuja substituição não foi ainda, manifestamente, conseguida.
No que diz respeito a saídas, os jovens Roderick e Felipe Menezes necessitam jogar com mais frequência, pelo que a sua cedência já peca por tardia. A Luís Filipe e Weldon resta pouco espaço no plantel, podendo, também eles, ser emprestados até fim da época.
Quanto aos nomes a contratar, creio que o Benfica não deve ter grandes pruridos em investir (embora as escolhas tenham de ser certeiras). David Luíz e Fábio Coentrão valerão sempre, em conjunto, mais de 40 milhões de euros, e é na base dessas receitas previsionais que o Benfica pode, e deve, preparar atempadamente o seu futuro próximo. Isto se quiser mesmo voltar a suplantar o super FC Porto que se tem visto no presente campeonato.
No fundo trata-se de preparar o plantel com antecedência, de modo a que as inevitáveis vendas não destapem a competitividade da equipa. Afinal, aquilo que o FC Porto fez relativamente a Meireles e Bruno Alves (e não só), com os resultados que estão à vista.

A UTILIDADE DA NATO

Afinal a NATO ainda serve para alguma coisa: em vésperas de um jogo de vida ou de morte em pleno médio-oriente, tudo o que o Benfica não precisava era de uma eliminatória da Taça, contra um adversário difícil e hostil. Aliás, o Sp.Braga também não deve estar muito preocupado com o adiamento do jogo, pois espera a visita do outro Arsenal (o verdadeiro) já na próxima terça-feira.
Esta é assim uma jornada de Taça que fica manca do seu principal aliciante. Para mim, pessoalmente, as atenções estarão focadas no Juventude de Évora-Santa Maria, que, espero, represente o consumar da oportunidade para o clube eborense chegar ainda mais longe na prova, alimentando o meu sonho de o ver defrontar o Benfica.
De resto, poderemos também entreter-nos com as ligas estrangeiras (sobretudo a espanhola e a inglesa), onde as coisas andam cada vez mais quentes. Só este sábado, veremos desfilar pelos canais da Sport Tv: Arsenal, Manchester, Chelsea, Liverpool, Bayern, Real Madrid, Barcelona, Roma e Milan. Uma verdadeira parada de estrelas, numa longa maratona televisiva, mesmo a calhar com os constrangimentos da cimeira.

FALSAS QUESTÕES, FALSAS INTENÇÕES

Kardec marca um golo, e é criticado numa estação de rádio por não comemorar efusivamente.
No mesmo jogo, Nuno Gomes marca um golo, que aproveita para dedicar ao falecido pai, e mesmo assim estala a polémica pela forma efusiva como comemorou.
Em que ficamos?
Quando se pretende atingir a estabilidade de uma equipa, vale tudo. Desde a sobrancelha de Jorge Jesus, ao abraço entre dois ou três jogadores. Até parece anedota.
A verdade é que, desde há vários anos, não existe um único problema no balneário benfiquista. E se existe, é resolvido lá dentro, sem escapar um cabelo para a praça pública – e aqui reside o maior dos méritos do director-desportivo Rui Costa.
Nuno Gomes é um profissional exemplar, que mesmo remetido para uma menor utilização, nem por um momento expressou publicamente qualquer tipo de descontentamento – a menos que marcar golos, e festejá-los, possa ser entendido como tal.
Jorge Jesus é um técnico que não se perde em privilégios, amiguismos ou emotividades na hora de escolher a equipa, e tal como fez em relação a Mantorras, também não hesita em deixar o capitão de fora se entende que há jogadores em melhor condição física. Ainda bem que assim é.
Qual o problema então?
É simples: trata-se de aproveitar a ressaca da goleada do Dragão, para tentar minar o ambiente da Luz com insinuações rasteiras. Apenas isso.

FESTIVAL

Tinha aqui alertado para a dificuldade dos jogos de selecção motivarem o público, quando entalados no meio da acesa competição clubista. As 30 mil cadeiras vazias do Estádio da Luz deram-me razão.
Foi pena, pois esses 30 mil, entre os quais penitentemente me incluo, acabaram certamente arrependidos pela sua ausência ante um espectáculo que ficará para a história do futebol luso. Portugal cilindrou a campeã europeia e mundial, realizando a sua mais espantosa exibição dos últimos ano, e pincelando-a com momentos de arte só ao nível dos grandes intérpretes. Nem nos seus melhores sonhos Paulo Bento imaginaria coisa igual.
Não fosse a gula de Nani, e a desatenção de um fiscal-de-linha, e o resultado ainda podia ter sido mais amplo, não deixando de espelhar na perfeição aquilo que se viu no relvado, onde onze portugueses endiabrados fizeram gato-sapato da um conjunto espanhol a passear em cima da cadeira da sua consagração internacional.
A aposta no ex-técnico do Sporting está a ser um êxito total. Não esperava outra coisa de alguém que fez milagres com plantéis eivados de mediocridade, e agora tem à sua disposição grandes estrelas do futebol mundial. Bastou escolher os melhores, e, sem inventar, colocá-los nas suas posições. Até parece simples, mas não é para todos. A alegria desta selecção é incomparável com a equipa tristonha de Carlos Queiroz, sendo interessante observar que seis dos titulares desta noite nem sequer estiveram na África do Sul.
João Moutinho, Carlos Martins, Hélder Postiga (três dos que ficaram de fora do Mundial) e Cristiano Ronaldo foram as figuras em maior evidência, mas todos os que estiveram em campo foram brilhantes.
A produzir um futebol deste quilate, a equipa das quinas voltará rapidamente a aquecer o país, regressando às boas memórias de um passado recente que nos levou a uma final de um Europeu, e a umas meias-finais de um Mundial. As contas do Euro 2012 ainda estão complicadas, mas esta exibição escancara as portas da esperança.