Di Maria, Ramires, David Luiz, Coentrão, Witsel, Javi, Matic, Oblak,
Garay, Siqueira, Markovic, André Gomes, Rodrigo e Cardozo. Estes são os jogadores
que o Benfica foi perdendo desde 2010, com os quais terá encaixado uma verba
global próxima dos 250 milhões de euros (na maioria dos casos, fruto de uma valorização
exponencial). Ao longo deste período, houve que refazer a equipa - ora parcial,
ora quase totalmente, como neste último verão.
Os resultados foram: 2 Campeonatos, 1 Taça, 4 Taças da Liga, 1
Supertaça, 2 finais europeias, 5º lugar no ranking da UEFA, 4 apuramentos
directos para a Champions, e apenas 3 derrotas nos últimos 70 jogos da Liga.
Não fora um auxiliar de Proença em 2012, e uma profunda falta de sorte em 2013,
e o Benfica seria tri-campeão. É “apenas” campeão, mas desde os anos 80 que não
evidenciava tamanha competitividade em épocas sucessivas. E sem 6 titulares do
“Triplete”, aí estamos nós, novamente na liderança, com 4 pontos de vantagem.
A estes números, podemos acrescentar um futebol exuberante, ofensivo e
goleador, capaz de empolgar as exigentes bancadas da Luz.
Olhamos para o Benfica de Jorge Jesus, e para o Benfica anterior, e a
diferença é abissal. Se Vieira trouxe a revolução institucional que resgatou o
Benfica dos seus piores anos, Jesus somou a componente desportiva de que o
nosso futebol carecia.
Pode mascar pastilhas elásticas, e dar pontapés na gramática. Pode até
ser indelicado para alguns jornalistas mal habituados. Mas poucos no mundo
perceberão de futebol como ele.
Segue as suas convicções, e não as pressões que pedem A por ser
português, B por ser da formação, ou C por ter olhos azuis. Diz as verdades,
mesmo quando nos custa ouvir que a Champions não pode ser objectivo imediato. E,
mantendo uma equipa disciplinada, determinada e confiante, ganha jogos. Muitos
jogos.
“Forever” é palavra perigosa. Mas, enquanto benfiquista, dormiria
descansado com a garantia de que a dupla Vieira-Jesus se mantinha no Benfica,
pelo menos, mais uma década.