09/12/14

TRANSPARÊNCIA...OU BOAS-FÉS?


Defendo, há muito, a impossibilidade de clubes do mesmo escalão partilharem direitos sobre um mesmo jogador – seja a título de empréstimo, seja mediante qualquer outro enquadramento contratual.

Todavia, a regulamentação em vigor (ainda) não aponta nesse sentido, privilegiando os interesses dos atletas, e acreditando que a boa-fé proteja, por ela própria, o interesse do adepto pagante e a verdade desportiva.

Neste contexto, parece-me mais razoável que um ou outro jogador, num ou noutro jogo, se vejam impedidos de defrontar clubes com os quais têm ligação, do que fazê-lo, e, então sim, abrir espaço a todas as suspeitas – sobretudo se o seu desempenho não for o mais feliz.

Vivemos no país do Apito Dourado. Vivemos num país em que uma partida decisiva para a atribuição do título teve frente a frente aqueles que viriam a sagrar-se campeões, e o seu futuro treinador e alguns dos seus futuros jogadores. Vivemos num país em que certas exibições, de certos defesas ou guarda-redes, deixaram no ar um certo sentimento de estranheza, sempre que enfrentavam clubes com os quais se viriam a vincular pouco depois. Ainda me recordo, também, do caso Cadorin, e, mais remotamente, de um auto-golo de Manaca. Tudo isso deixou-me um irreversível sentimento de desconfiança no futebol português, e na grande maioria dos seus agentes. Por isso, quando se trata de futebol português, a boa-fé é uma treta.

O Benfica-Belenenses foi um jogo transparente. Não que, com a presença de M.Rosa e Deyverson, deixasse de o ser. Mas, nestas coisas, além de ser, é importante parecer. Quer se trate de um Benfica-Belenenses, de um P.Ferreira-FC Porto, de um Leixões-FC Porto, ou de um V.Guimarães-Sporting.

PS: No domingo a liderança estará em jogo. Não sendo uma partida decisiva trata-se, porém, de um momento importante para o futuro do campeonato. Espero que tudo decorra dentro da normalidade, e que não haja qualquer interferência externa ao normal desempenho dos jogadores. Assim, o Benfica ficará mais perto da vitória.