UM SENHOR

Não há desporto sem adversários. E se existe exemplo de adversário forte mas leal, diabo dentro do campo cavalheiro fora dele, espelho de uma paixão que não se faz só de um lado, esse exemplo podia ser personificado por Manuel Fernandes (como, mais a norte, por Fernando Gomes). 
Marcou vários golos ao Benfica. Fez-me sofrer a bom sofrer. Mas se Bento, Chalana ou Nené eram os "meus", o goleador de Sarilhos era "os outros", e todos eles constituiam o olimpo dos deuses da minha infância. Por isso, mesmo do outro lado do campo, Manuel Fernandes também alimentou a minha paixão pelo futebol. 
Fica a minha vénia e o meu profundo respeito por uma figura maior do futebol português. Paz à sua alma! 

TÍTULOS 2023-24 - atualização

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BALANÇO:
Masculinos SLB 19 SCP 17 FCP 8
Femininos: SLB 33 SCP 1 FCP 1
Total SLB 57 SCP 18 FCP 9

BONS SINAIS

GOSENS: o lateral esquerdo de qualidade de que a equipa precisava, com experiência e robustez.

LEANDRO BARREIRO: pode ser o médio de combate que há tanto tempo faltava ao plantel.

PAVLIDIS: acredito que vai ser o grande goleador da equipa.
 

Concretizando estas três aquisições (Barreiro é certo, Pavlidis depende de pormenores, e Gosens está a ser negociado), o Benfica faz o mercado que eu esperava e que se exigis. Ao contrário da época passada, estas parecem ser apostas cirúrgicas. Só o futuro dirá se certeiras. Mas dificilmente seria possível encontrar melhor, dentro das limitações orçamentais do futebol português.
Acrescento: se os principais jogadores se mantiverem (excepto, naturalmente, Rafa), penso que não é preciso mais nada. As lacunas do plantel eram exactamente estas. E nem Gosens é Jurasek, nem Pavlidis é Arthur Cabral.

PELO CAMINHO DAS PEDRAS

 

Em 2016 Portugal ficou em terceiro lugar do seu grupo sem vencer um único jogo. Teria ficado em segundo não fosse um golo da Islândia à Áustria, numa outra partida, no tempo de descontos. Como terceiro classificado, num golpe de sorte irrepetível, apanhou Croácia, Polónia e País de Gales, até chegar à final de Paris.
Em 2024 já garantiu o primeiro lugar no grupo e, mesmo passando os oitavos (com Hungria ou Eslovénia), a equipa das quinas terá pela frente, previsivelmente, França, nos quartos, Alemanha ou Espanha, nas meias, Inglaterra ou Itália, na final. 
Ou Roberto Martinez dá largas a todo o potencial do seu talentoso plantel, ou só com tanta sorte nos jogos como Fernando Santos teve nos adversários, Portugal poderá almejar a alguma coisa de relevante neste Europeu.

MAIS PORTUGAL

Com uma exibição mais atraente,  e também alguma sorte (sobretudo, fruto dos erroa alheios) a selecção nacional venceu a Turquia e carimbou o passaporte para os oitavos.
Viu-se mais do que na partida anterior, embora o adversário também fosse diferente e muito maia exposto do que o autocarro checo.
Agora, frente à Geórgia, há que dar.minutos aos menos utilizados e preparar a fase seguinte - na qual, para Portugal, o Europeu vai realmente começar. 

LINHAS VERMELHAS

Antecipando desde já a discussão em torno dos estatutos (por agora, apenas foi aprovada a metodologia), deixo aqui os pontos que me parecem de acautelar numa eventual revisão:
-Naturalmente as cores, os símbolos e todas essas coisas que penso serem unânimes;
-A maioria do capital da SAD manter-se na posse do clube;
-Manter-se a segmentação quanto ao número de votos, sendo que a antiguidade é um garante de benfiquismo a que todos podem almejar;
Podem acabar com os votos das Casas do Benfica, e quanto à limitação de mandatos não tenho opinião fechada (se um presidente se revelar fantástico, tirá-lo só porque sim, não me parece adequado, embora perceba que a limitação pode evitar alguns vícios).

VOLTANDO AO BENFICA

"As estimativas, mais a olho, mais a intuição ou mais a partir de sondagens e inquéritos, dizem-nos que existem espalhados pelo Mundo seis milhões de benfiquistas.
Os números estimados nas duas assembleias gerais que decorreram na Luz — primeiro no pavilhão, depois no estádio, com ida intermédia ao pavilhão para se votar o orçamento — dizem-nos que estes eventos mobilizaram entre quatro e cinco mil sócios durante longuíssimas horas" ALEXANDRE PEREIRA em "A BOLA"

Eu acrescentaria, predominantemente lisboetas (ou de perto), predominantemente jovens (digamos, sub 40), e predominantemente oposicionistas (quase todos os que falaram).
É dos livros que quem está contra se mobiliza mais facilmente, seja para o que for. Quem é jovem também tem, em princípio, mais tempo e energia. Quem é de Lisboa...é de Lisboa. E depois há as redes sociais, que é onde toda essa malta vive se encontra. Sem falar das claques ou afins, que gritam muito alto que o Benfica é deles.
Parece fácil de ver que há uma certa clivagem. 
De um lado, quem apoia o Benfica Rui Costa, quem pretende serenidade em torno do clube e das suas equipas, quem acha que os mandatos são avaliados no fim, quem olha para os números na globalidade e não para o instante, quem percebe que o presidente não pode mudar tudo de uma vez, tendo de se suportar em quem já lá estava para aspectos que não domina, quem reconhece a obra feita e os títulos alcançados no período de Luís Filipe Vieira (independentemente do triste fim que teve), quem, em suma, já viveu o suficiente para perceber que estas ondas são mesmo assim e não podemos mergulhar em todas elas. 
Do outro lado, quem não sofreu com o "Vietname", quem mitifica tudo o que ficou para trás de Vieira (não sabendo relativizar ou contextualizar períodos), quem confunde futebol moderno com Benfica moderno (achando que este pode, de alguma forma, por magia, sair daquele), quem acha que despindo na praça pública todos os problemas internos (por mais complexos que sejam) o clube sairá reforçado (como se não houvesse rivais, como se não houvesse comunicação social), quem parece por vezes mais interessado em derrubar uma direcção do que em ver a sua equipa ganhar.
Não tenho dúvidas nenhumas onde se situa a maioria do universo benfiquista espalhado pelo país e pelo mundo. Também não tenho dúvidas que há boa vontade e benfiquismo nos dois lados da barricada. 
Os mais antigos não têm talvez tanta informação digerível, mas têm mais sabedoria e prudência. Os mais novos e impacientes, estão porventura mais informados, mas têm menos equilíbrio, sensatez, pragmatismo, tolerância e sentido analítico, desconhecendo que a busca pela perfeição é quase sempre inútil.  Depois, para além destes, há também os que queriam tachos e não os tiveram ou perderam-nos e ficaram ressabiados, os que queriam poder e não o têm, os que queriam sentar-se à mesa das decisões, mas não se sentam, e também alguns que só querem protagonismo pessoal.
É no meio de tudo isto que está o Benfica. 
Resta esperar que no dia 10 de Agosto haja alguma paz, para que não sejam os próprios sócios (ou alguns deles, pois a mim não me pesa a consciência) a impedir a equipa de trabalhar com serenidade e começar bem o campeonato.

HOJE SOUBE-ME A POUCO

Se Roberto Martinez tiver a sorte de Fernando Santos, seremos campeões da Europa. Nós, a França, a Alemanha, a Albânia ou a Eslováquia. Qualquer equipa, com os deuses da fortuna tão bem alinhados como em 2016, pode ganhar qualquer prova, a qualquer momento, em qualquer lugar.
Meter em campo dois jogadores aos noventa minutos, um deles fazer o golo da vitória com assistência do outro, cheira a Fernando Santos. E se assim for, vamos no bom caminho.
Mas a sorte não dura sempre, nem bafeja todos em igual medida. E a exibição de Portugal diante da República Checa (não vejo motivo para deixar de a chamar assim) foi pobre e parca de ideias.
A espaços, parecia uma partida de Andebol, mas sem limite para jogo passivo. A equipa portuguesa trocava a bola, e não conseguia entrar no ferrolho checo. O único que por vezes o fazia, Rafael Leão, acabou substituído (enfim, tinha cartão amarelo...).
Confesso que também não entendi a missão atribuída a João Cancelo, nem porque motivo foi adaptado Nuno Mendes a central (ou algo parecido com isso), com António Silva e Gonçalo Inácio no banco. Sobre Pepe e Ronaldo não vou dizer mais nada.
Enfim, Portugal ganhou e isso é o que mais interessa. E em condições normais tem ainda dois jogos para afinar a estratégia. Depois, espero que jogue bem melhor, pois tem plantel para isso. Desde 2016  desperdiçámos demasiadas competições com uma geração brilhante de jogadores. Espero que esta não seja mais uma.

EU E O EUROPEU

É inegável que o futebol de selecções já viveu melhores dias. Não falo de um ponto de vista comercial (Ronaldo e a selecção portuguesa, por exemplo, são poderosas máquinas de facturar). Falo do ponto de vista desportivo, que entronca com a globalização, a Lei-Bosman, e a consequente acumulação de talento em multinacionais de ponta e de orçamento quase ilimitado - que fizeram da milionária Champions League o palco que a estrelas escolhem para brilhar.
A forma como se vive o futebol é hoje muito diferente. Ainda me lembro de tempos em que a generalidade dos jogadores actuava nos seus países, os principais clubes eram espelho das respectivas selecções, e era nos Europeus e nos Mundias que se viam os melhor es jogos, que apareciam as inovações tácticas, e se revelavam os novos talentos. Diria mesmo que era quando se viam jogos, tout court, pois a televisão portuguesa não transmitia o campeonato nacional, mas tão somente finais europeias, finais de taça e uma ou outra partida da selecção, fazendo dos Europeus e Mundiais a verdadeira festa do futebol televisivo. Se durante toda uma temporada se viam cinco ou seis jogos na TV, durante o mês do Mundial ou do Europeu viam-se dezenas. Isso, por si só, tinha um efeito mágico.
As provas de selecções das décadas de oitenta, e princípio de noventa, pré-Lei Bosman, pré-televisões privadas em Portugal, apanhando a minha infância e adolescência, foram verdadeiros sonhos de Verão, mesmo sem que a “Equipa das Quinas” participasse na maioria delas. Era um regalo, durante um mês, ter futebol diariamente, colecionar os cromos, ler e reler os guias (não havia Internet, e os dados apenas estavam disponíveis nessas autênticas bíblias), e viver momentos que só quem os partilhou poderá entender.
Não consigo estabelecer com exactidão a fronteira entre aquilo que é do âmbito meramente pessoal (próprio da infância, adolescência e juventude mais precoce), e o que tem a ver com um tempo e um mundo em que a imaginação era muito mais estimulada, sem as doses massivas de futebol e informação futebolística que existem hoje. O que é facto é que, pelo menos para mim, os Europeus e Mundiais foram progressivamente perdendo o seu fascínio. Houve daí para cá fases intermédias, já na idade adulta, em que quase me obrigava a ver os jogos numa espécie de respeito pelo meu próprio passado (o Euro 2004 tem de ser colocado numa prateleira à parte, e fez-me, por exemplo, andar de estádio em estádio a longo de uma semana de férias), até aos dias de hoje em que nem sequer me apetecia que o Europeu tivesse começado.
O ponto mais baixo terá sido o Mundial 2022, que nem devia ter ocorrido naquele local e naquela altura. Mesmo assim, ao fim de uns dias, acabei por entrar na onda e vibrar com alguns jogos.
E eis que aqui chegámos. Ao Euro 2024, cujo principal aliciante é ver a equipa portuguesa com o melhor plantel de que me recordo, e ser claramente - talvez pela primeira vez na história - uma das mais fortes candidatas ao título.
As próximas semanas dirão o que vai ser este Europeu, e o que ele significará para mim e para os portugueses. Será, com certeza, algo muito diferente do passado mais remoto. Mas poderá ser uma história bonita de se seguir.

A MINHA SELECÇÃO

 

O ESTADO EM QUE ESTÁ O BENFICA...

SLB últimos 15 anos:
7 Campeonatos
2 Taças de Portugal
6 Taças da Liga
5 Supertaças
2 finais europeias
1 meias finais europeias
7 quartos de final europeus
161 títulos nas principais modalidades
148 títulos nas principais modalidades femininas
18 títulos no futebol formação
47 títulos nas modalidades formação

SLB 15 anos anteriores:
1 Campeonato
2 Taças de Portugal
1 Taça da Liga
1 Supertaça
0 Finais Europeias
0 meias finais europeias
4 quartos de final europeus
50 títulos nas principais modalidades
15 títulos nas principais modalidades femininas
7 títulos no futebol formação
15 títulos nas modalidades formação

SEJA BEM APARECIDO

A notas positivas da AG foram a aprovação dos documentos em causa e a presença de João Noronha Lopes.
Ao contrário do que alguns possam pensar, o que me move não são os dirigentes do Benfica (quando me fizeram benfiquista, nem sabia quem era o presidente), mas sim a estabilidade do clube que amo e pelo qual tantas vezes já chorei de tristeza e de alegria.
Não devo nada a Rui Costa. Nem a nenhum dirigente do Benfica. De uns gosto mais, de outros menos. Mas acho absolutamente fantasmagórica a campanha que alguns sectores, julgando-se uma vanguarda iluminada, têm feito contra ele, confundindo uma série de coisas, misturando outras, sempre com uma gritaria insuportável e inconsequente, a fazer lembrar outros clubes e outras situações - do desporto e não só. 
O Benfica está bem, e se tivesse contratado Gyokeres em vez de Arthur Cabral era campeão e não havia contestação nenhuma. 
Não sendo campeão de futebol, mesmo estando financeiramente sólido, mesmo tendo as melhores estruturas e infraestruturas do país, mesmo sendo ganhador nas modalidades, no desporto feminino e de formação, mesmo tendo estado por três anos seguidos nos quartos de final das provas europeias, a arruaça faz-se sentir, muito fruto do efeito das redes sociais - sobretudo em gerações onde há muito mais informação, mas não mais inteligência para a filtrar e evitar que se torne apenas ruído. 
Neste sentido, acho positivo que, pelo menos, apareça alguém capaz de polarizar e personificar esse descontentamento. 
Noronha Lopes é da minha terra. Nunca falei com ele, mas temos amigos em comum. Sei que se trata de uma pessoa honesta e de um fervoroso benfiquista. O mesmo que penso de Rui Costa. A diferença é que que um está no futebol desde os 9 anos de idade, e o outro nunca esteve. Mas, acima de tudo, um apresentou-se às últimas eleições e o outro não.
Aparecer novamente não deixa de ser motivo da minha saudação e de alguma tranquilidade. Se uns quantos querem destruir tudo, pelo menos haverá alguém para apanhar os cacos - coisa que não era evidente há 48 horas atrás.
Há outro aspecto que queria salientar: este modelo de AG devia ser repensado. Não agora, que a arruaça não permite. Mas serenamente, num futuro próximo.
Estas AG não oferecem nada a não ser  barulho e protagonismos pessoais. São manipuláveis por pequenos grupelhos organizados e com grande capacidade de mobilização na grande Lisboa, e prestam-se mais à avidez mediática do que ao esclarecimento e debate sereno.
Se me perguntarem como resolver isto sem perder o cariz democrático do clube, pois não sei. Sei é que os quase 300 mil sócios espalhados pelo país e pelo mundo não são, nem podem ser, representados por 70 ou 80 que, juntos e com voz grossa, se filmam a gritar "demissão" para um presidente a meio do seu mandato, que foi eleito de forma legítima com uma maioria expressiva, tem títulos conquistados, e não é suspeito de nenhum crime.
A parte boa é que uma nova época vai começar, e se, como espero, o Benfica entrar a ganhar, a barulheira passa, e todos estaremos no estádio a gritar, sim, mas golos. 

AO QUE ISTO CHEGOU...




Que a esrupidez não tem clube, todos sabemos. Mas com o mal dos outros podemos bem. Na nossa casa custa a aceitar que exista gente assim.

Enfim. Sinal dos tempos. 

Cosme Damião deve estar a dar voltas no túmulo. 

PRESO POR TER CÃO, PRESO POR NÃO TER

Revelada a auditoria aos negócios do Benfica podemos ter uma de duas posições: saudar a transparência de colocar tudo aos olhos dos sócios (e não só) mesmo sabendo que há (como em todos os clubes) negócios difíceis de explicar, ou achar que este striptease era evitável.
Tendo a optar pela segunda hipótese. O que não se pode é querer que fosse tudo publicado e ao mesmo tempo condenar quem decidiu publicá-lo.

NÃO SEI

Vejo e leio tantas opiniões definitivas sobre a demissão de Luís Mendes, que quase não resta nada para acrescentar. Até porque...não sei.
O meu sentido de responsabilidade enquanto benfiquista impede-me de dar aqui palpites, ou de fazer julgamentos precipitados sobre factos que não conheço com exactidão. Nesta e noutras situações.
Até prova em contrário, apoio sempre todos os que representam o clube aos mais diversos níveis (no campo, no banco, nos gabinetes). Se isso é confundido com outra coisa, o problema será de quem confunde. Eu vou continuar a apoiar os meus, os do Benfica, chamem-se eles como se chamarem.
Há porém algo que não posso deixar de referir. O timing para esta demissão é estranho. Pode ser coincidência, pode não ser. Mas era dispensável abrir uma crise desta natureza, com todo o folclore mediático que ela fatalmente traz, em vésperas de uma importante Assembleia Geral.
Não conheço Luís Mendes. Recordo-me apenas de uma entrevista, que não foi, digamos, espectacular. Se queria cortar custos de funcionamento, provavelmente até tem razão. Não creio que seja só essa a razão da demissão e do alegado conflito com outros membros dos órgãos sociais, nem provavelmente a principal.
Desses, dos alegados "vieiristas", lembro-me de serem ferozes críticos de Vieira durante muito tempo, e até participaram em listas de oposição, antes de serem integrados pelo ex-presidente. Estou a falar, por exemplo, e de acordo com o que diz a imprensa, de Jaime Antunes e Fernando Tavares. Independentemente da opinião que se tenha sobre eles, há duas certezas: são benfiquistas, e não são, nem foram, os maiores "vieiristas" do mundo.
Já o disse aqui, e isso parece-me inelutável: ainda há muita coisa a mudar no Benfica. Percebo que Rui Costa tenha começado pelo futebol, e nas outras áreas tenha optado por manter o suporte de pessoas que as conheciam melhor do que ele - não fazendo revoluções, nem abrindo guerras que não conseguiria vencer. 
Neste momento, talvez já o possa fazer. Talvez já possa, e deva, mudar algo mais, em áreas que ficaram paradas no tempo, que se acomodaram. Se quer ou não quer, não sei. Mas que não há nenhum nome credível como alternativa ao seu, isso é óbvio. E a ser assim, se é para desestabilizar só por desestabilizar, se é para descredibilizar só por descredibilizar, se é para protestar só por protestar, não contem comigo. Sei que isso está na moda, no desporto e na política. Num e noutro caso, não traz nada de bom.
Já agora, se ser "vieirista" é entender que o Benfica melhorou imensamente desde 2003, então eu também sou. Se é defender um regresso do LFV ao clube, não creio que subsistam muitos "vieiristas". Aliás, foi o próprio LFV, com um terrível último mandato, com a forma obtusa como saiu, e com o que disse e escreveu depois, que se auto afastou de qualquer futuro no Benfica. Tendo o ex-presidente, para o bem e para o mal, o seu lugar na história, esqueçamos pois o "vieirismo", pois ele já não existe.

CONTABILIDADE

Segue actualização do número total de títulos dos três principais clubes portugueses, em todas as modalidades e todos os escalões:

BASTANTE VERMELHO

A pedido de várias famílias, cá vai o quadro provisório de títulos, temporada 2023-24.
Atenções focadas, para já, no Hóquei em Patins masculino, cujo favorito não consigo prever. As restantes competições que ainda estão em aberto têm favoritismo demasiado claro (Sporting no Futsal, no Ténis de Mesa e no Atletismo feminino, FC Porto no Bilhar, Benfica no Hóquei feminino e no Atletismo masculino). 
Por agora, Benfica 43 (eventualmente 45), Sporting 10 (eventualmente 13) e FC Porto 6 (eventualmente 7).

VENDER

Parece-me inacreditável que, em pleno 2024, ainda existam adeptos/sócios do Benfica, ou de outros clubes, a criticar violentamente direcções/presidentes por venderem os seus principais jogadores.
Amigos, quer queiramos quer não, o futebol é um negócio. Os clubes transformaram-se em SAD (na altura, diga-se, por pressão do poder político), e como qualquer empresa ou organização, precisam de financiamento.
Há que pagar milhões de euros em salários. E num campeonato totalmente periférico como o português, não é com receitas correntes que isso se consegue. 
A única forma de manter alguma competitividade na Europa passa por conseguir receitas extraordinárias, quer das participações na Champions, quer da venda, ano após ano, dos principais activos.
Por outro lado, e como não estamos no "Football Manager", os próprios jogadores (que são pessoas, com ambições), as suas famílias e seus empresários, fazem enorme pressão para sair. Batam com a mão no emblema ou não, todos querem, sobretudo, ganhar o máximo de dinheiro possível numa carreira que é curta e incerta. E o Benfica não pode pagar o que se paga nos principais campeonatos europeus.
As coisas são o que são. Não o que gostaríamos que fossem.
Neste contexto, pedir a Rui Costa, ou a outro qualquer, que não venda os melhores jogadores é como pedir para acabar com o calor, com o frio ou com a chuva. 
João Neves vai sair. António Silva vai sair. E se não for agora, será em Janeiro ou no próximo ano. Isto se as coisas correrem bem. Pois se correrem mal, se não saírem, é porque algum deles se lesionou gravemente, ou baixou muito de rendimento, ficando sem mercado - o que seria o pior dos dois mundos.
Neste contexto, o importante é pois vender o mais caro possível (Félix, Ruben, Enzo, Ramos etc), e reinvestir o dinheiro comprando barato e bom, além, naturalmente, da formação. Na última parte (compras) admito que existam críticas - e eu próprio as fiz (Jurasek, Arthur, etc). Quanto à primeira (vender), só por ingenuidade (infantilidade), estupidez, ou má fé, se poderá condenar qualquer presidente de qualquer clube português.

A EFICÁCIA

Eficácia junto das balizas adversárias. Solidez na defesa das nossas. No fim do dia, o desporto, os seus resultados e classificações, resumem-se a números. No futebol, os números são golos.
O Benfica, não só no futebol, nem sempre tem sabido lidar com isso. Enchem-se os plantéis de artistas de perfil aveludado, constroem-se equipas macias, capazes de dar espectáculo nos melhores dias, demasiadas vezes incapazes de ser eficazes perto das duas balizas do campo - sobretudo se perante adversários fechados e cínicos.
É um problema que vem de longe, e ao qual os adeptos não são alheios. É toda uma cultura de clube, que nasceu, justificadamente, nos anos sessenta (com o brilhantismo de uma das melhores equipas do mundo da altura), mas da qual o Benfica não soube libertar-se nunca mais - não mais tendo, infelizmente, as estrelas de então. Na verdade, não soube regressar às suas origens mais profundas, quando ex-casapianos jogavam de fato macaco e em campos emprestados, quando depois se bateu de forma aguerrida com os "Cinco Violinos", e conseguiu chegar ao topo da Europa com uma equipa predominantemente operária e ainda sem Eusébio.
Lembrei-me disto várias vezes ao longo da última época. Tenho-me lembrado também ao ver os mais recentes jogos de Hóquei e Futsal - em que as equipas encarnadas criaram imensas oportunidades de marcar, batendo repetidamente em paredes defensivas (no Hóquei valeram os penáltis, o Futsal acabou em absoluto fracasso).
É importante que na construção dos novos plantéis - à cabeça dos quais o de Futebol - este aspecto seja bem ponderado. Entre outros factores que não são aqui chamados, o FC Porto venceu anos a fio, muito devido a linhas defensivas de ferro e meios-campos musculados, combativos e agressivos (desprezando notas artísticas inúteis). O Sporting conquistou o último título graças a um ponta-de-lança extraordinariamente robusto e eficaz.
Espero que Leandro Barreiro (confesso que conheço mal, mas parece fisicamente forte) e, se vier, Pavlidis, contribuam para a resolução de um problema que contratações como Schjelderup, Prestianni, Carreras ou Rollheiser apenas acentuaram. 
Mas é preciso também que os próprios benfiquistas percebam que as suas equipas não precisam de pesos pluma, nem de toques de calcanhar, verónicas ou chicuelinas. Precisam "apenas" de marcar golos e evitar sofrê-los. Lembro-me de Óscar Cardozo ser assobiado porque "só sabia marcar golos", ao passo que um jogador como Pablo Aimar (com todo o respeito, bastante dado a lesões, de rendimento irregular e inexistente sem bola) sempre foi idolatrado como artista - que de facto era - mas com muitíssimo menor rendimento desportivo que o paraguaio e outros maus da fita.
Não me lembro quem afirmou pela primeira vez que as equipas se constroem de trás para a frente. É verdade. Há que ter uma linha defensiva sólida, um meio-campo robusto e laborioso, e um ataque eficaz. Artistas? Talvez um, para criar desequilíbrios com bola. Sem ela, é preciso força, rigor e organização. Talvez o efeito não seja tão esplendoroso, mas certamente os resultados vão ser compensadores, além de se gastar muito menos dinheiro, pois na maioria das posições do campo, o músculo fica bem mais barato do que o suave talento.
Também não me lembro quem disse que "ganhar não é o mais importante, é a única coisa!". Quem quer que tenha sido, tinha toda a razão.

PAVLIDIS? SIM!

Se um ponta de lança se mede por números, o grego do Alkmaar parece uma boa opção. Marcou até mais do que Gimenez na Eredivisie - e o mexicano teria sido a "minha" aposta no verão passado.
O Benfica precisa de alguém com crédito firmado e que traga rendimento imediato. Para o futuro já há Marcos Leonardo. 
Uma olhadela pela lista de marcadores das principais ligas periféricas não mostra muito mais hipóteses de escolha. O avançado togolês do Cercle Brugge, Denkey, tem também excelentes números, mas tendo eu visto o derbi da cidade na semana passada, e que também decidiu o título belga, confesso que não gostei assim tanto da mobilidade, ou falta dela, do goleador africano.
Única nota de preocupação: Pavlidis não foi titular nas últimas partidas da selecção grega, em detrimento de... Ioannidis (que parece estar a chegar ao Sporting).
Mas, volto a dizer, não vejo muito melhor que estes gregos para o alcance das bolsas portuguesas.
Ou seja, voto a favor. 

SABEM ONDE PODEM FICAR

Rafa e Di Maria. Por motivos diferentes viram alterados os seus planos para o futuro próximo.
Juntamente com João Neves, formam o trio de melhores jogadores do Benfica da última época. 
Fosse eu a decidir, e faria tudo para que se mantivessem em casa, onde foram e são felizes.

NA CHAMPIONS!

O que a Atalanta tirou, a Atalanta devolveu. Por portas e travessas, o Benfica está na fase de grupos da Liga dos Campeões. Muito importante para planear calendários e orçamentos. Tempo para a contestação amenizar, e entrarmos na próxima temporada unidos e em força.

MAS...ALGUÉM TEM DÚVIDAS?

...que se o Benfica tivesse contratado o Gyokeres, e o Sporting o Arthur Cabral, éramos campeões com 15 pontos de vantagem?
Basta fazer esse (triste) exercício de imaginação, para deixarmos de inventar problemas onde eles não existem.
Ao Benfica faltou "apenas" acertar nas contratações, e sobretudo na contratação de um goleador. 

A ENTREVISTA

 O que gostei mais:
- desde logo a disponibilidade para responder, de forma aberta, a perguntas de todos os órgãos de comunicação social, mesmo de jornalistas manifestamente hostis ao clube;
- o assumir que os problemas do Benfica 2023-24 não foram essencialmente de treinador, mas sim de plantel, decorrentes de contratações falhadas - como eu sempre aqui disse, desde a pré-época;
- o detalhe com que tal foi concretizado, apontando especificamente as laterais e o ponta-de-lança  (Jurasek não se adaptou e Arthur Cabral não rendeu);
- a convicção de que, identificados os erros, a próxima temporada correrá melhor;
- a ideia, que também aqui expressei, de que a substituição de treinador neste momento seria um risco maior do que a manutenção deste, no caso das primeiras jornadas do próximo campeonato não correrem bem.
O que gostei menos:
- podia ter sido ainda mais claro a identificar o mentor, ou os mentores, das referidas contratações, não para crucificar alguém, mas sobretudo para ilibar quem não tem culpas (embora tenha ficado com a ideia de que Schmidt foi mais vítima do que culpado nessa questão):
- se Schmidt era para manter, também não ficou claro porque motivo foi deixado tão sozinho nos momentos mais difíceis da época, sem sequer um comunicado de apoio e confiança. 

NOTA: Os casos judiciais não me interessam nada. Tenho Rui Costa por uma pessoa honesta, que não precisa do Benfica. Admito que, em mais de quinze anos, possa um dia ter assinado algum papel que não devia, mas se o fez tenho a certeza absoluta que não foi por má fé. A justiça portuguesa, de braço dado com o folclore mediático e com o populismo político, já deu provas substantivas da sua ineficiência (para não dizer pior), e merece-me menos confiança do que o presidente do Benfica.

PERDER, MESMO SEM JOGAR

Esta temporada parece, de facto, assombrada. Até num jogo em que o Benfica não participou, mas cujo resultado era importante para a sua entrada directa na nova Champions League, uma equipa que não perdera qualquer partida em toda a época foi estrepitosamente derrotada por 3-0, por uma surpreendente Atalanta - nas mãos de quem restam agora as últimas esperanças benfiquistas.
Para o Benfica ter entrada directa na liga (ainda mais) milionária, precisa então que o conjunto de Bergamo termine a Série A nos quatro primeiros lugares. E só depende de si para tal acontecer, tendo dois jogos em casa que, com duas vitórias, garantirão matematicamente uma dessas posições.
Os jogos que mais interessam ao Benfica são pois:
Domingo, dia 26, 17.00h: Atalanta-Torino
Domingo, dia 2, 17.00h: Atalanta-Fiorentina
Pode ser suficiente vencer apenas um deles, mas só se Juventus ou Bolonha também perderem pontos (têm um jogo por fazer). Se a Vecchia Signora perder ou empatar em casa com o Monza, ou o Bolonha perder em Génova, bastará à Atalanta somar três pontos para garantir o 4º lugar. 
Se Juve e Bolonha perderem ambos (muito pouco provável...), então a Atalanta até poderia chegar ao 4º lugar com dois empates nas suas duas partidas.
O Génova-Bolonha realiza-se Sexta-feira às 19.45h. O Juventus-Monza é no Sábado às 17.00h.
Quando a equipa de Gasperini entrar em campo já saberá todos os outros resultados. Espera-se que já curada da ressaca dos festejos. Aliás, a Fiorentina também pode ir a Bergamo em festa, caso quatro dias antes conquiste a Liga Conferência em Atenas.
Resta pois alguma esperança ao Benfica, embora o conjunto de azares ocorrido nesta temporada nos deixe a todos de pé atrás. Até porque, tanto Atalanta, como Juventus e Bolonha, têm apuramento garantido, e a dúvida é entre Benfica e... Roma. Espero bem que a seriedade competitiva impere, e não haja um complô na Série A para colocar mais uma equipa italiana na Champions.

OS ESTATUTOS

Genericamente parece-me boa. Apenas alterava um detalhe: não me parece lógico que as Casas do Benfica, enquanto instituições, tenham direito a votos. 


AOS "EXIGENTINHOS"

A história do Benfica é gloriosa. E continua a escrever-se, apesar de os saudosistas (saudosos de um passado que não viveram, nem conheceram) acharem que só antes é que o Benfica era bom e agora caminha para o abismo.
Estão aí mais alguns números para desmentir essa ideia, eu diria, estúpida: segmentando os campeonatos por décadas, e considerando a média de pontos perdidos por jogo, verificamos que a corrente década é a quarta melhor de sempre, e que a anterior (segunda deste século) é mesmo a melhor de sempre, acima dos anos sessenta e setenta. 
Ou seja, desde 2010, o Benfica perdeu, em média, menos pontos nos campeonatos do que alguma vez perdera antes. Só quando não se conhece a história, só quando não se viveu um passado que, por ignorância, se hiperboliza, é que se acha que está tudo mal.
Não vivi os anos sessenta, nem Eusébio (anos extra e sem paralelo no resto da história do clube). Quando, também é preciso lembrar, não "havia" FC Porto. Mas vivi as décadas seguintes, e sei que o mito do velho "Terceiro Anel" sempre a abarrotar, com uma equipa a deslumbrar no relvado é uma fantasia. O Benfica jogava umas vezes melhor, outras pior, tal como agora. O estádio enchia nos grandes jogos (os que hoje vemos nos vídeos), mas semanalmente não era bem assim. Também havia crises, derrotas e contestação. Não havia era claques, nem redes sociais. Conversava-se nos cafés entre amigos, e o ruído não atingia a equipa. No século XX, o Benfica venceu 30 campeonatos, mas perdeu 36 (com Schmidt ganhou um e perdeu outro). Enfim, não era tudo rosa como alguns, por ignorância, supõem ou querem fazer crer. 
Pior do que isso: há quem pense (ou pelo menos diga, e não é bem a mesma coisa) que foi precisamente em 2003 que o Benfica entrou em decadência. Meu Deus... perdoa-lhes pois não sabem o que dizem. Só quem não se recordar do chamado "Vietname" poderá afirmar tal barbaridade. Não está em causa o presidente A, B ou C. Vieira faz parte do passado e ninguém o quer de volta. Cometeu erros que condicionam, hoje, uma análise global ao seu legado. Mas o Benfica, de 2003 para diante, é não apenas melhor, mas muitíssimo melhor que o da década que o antecedeu, em todos os aspectos (desportivo, financeiro, estrutural, ecléctico, social). Com muitos avanços e poucos recuos, o clube tem caminhado de braço dado com a modernidade, ganhando títulos (ainda não há um ano que festejámos o último), e fazendo o que pode e o que não pode numa Europa que se tornou exclusiva para as principais ligas.
Não se confunda a história do Benfica com a história do próprio futebol - que se mercantilizou em todas as suas dimensões, e que concentrou recursos nos clubes mais ricos, reduzindo a competitividade das ligas periféricas como a portuguesa. 
Por tudo isto, o nível de contestação a que se tem assistido nas últimas semanas é surreal. 
O plantel foi mal estruturado. Arthur Cabral não vale 20 milhões. Trubin é pior que Vlachodimos. Schmidt faz substituições irritantes. Mas, caramba, eu lembro-me do Benfica recusar o regresso de Jordão, e perder o "Tetra", em 1978, por causa disso. Lembro-me de Fernando Martins ser Bi-Campeão, vender Chalana e Stromberg, não comprar ninguém e perder os dois campeonatos seguintes. Em 1993 o clube nem sequer pagava ordenados e Paulo Sousa, Pacheco e João Pinto rescindiram unilateralmente os contratos para assinarem pelo Sporting (JVP ainda seria resgatado). Nem sequer vou trazer aqui o que se passou entre 1994 e 2001. Erros de gestão desportiva sempre houve em todos os clubes, e perder uma temporada não é nenhuma tragédia.
Dos últimos quinze campeonatos o Benfica ganhou sete. Neste período, ninguém ganhou mais.
Será unânime que o Benfica é também o clube financeiramente mais sólido e preparado para enfrentar o futuro.
O que é necessário é que a família benfiquista se una em torno dos seus, para que a próxima temporada seja melhor. 
Esta correu mal, aos jogadores, ao treinador, ao presidente, e...aos adeptos - que demasiadas vezes não estiveram à altura das suas responsabilidades como benfiquistas, nem da história do clube. Diria que não foram exigentes consigo próprios, criando ruído e desestabilização nociva para a equipa, com efeitos óbvios em alguns resultados.
Consola-me saber que há uma maioria, mais ou menos silenciosa, que ama verdadeiramente o Benfica, sente carinho pelo clube, e respeita quem o representa. 
Como infelizmente se tem visto, é apenas com essa que o Benfica tem de contar.

PARA NOS CORAR DE VERGONHA


Os adeptos do Liverpool esperando o autocarro no último jogo da equipa e de Klopp, mesmo tendo ficado em 3º lugar no campeonato. Um exemplo do que são verdadeiros adeptos, e do que é um verdadeiro apoio à sua equipa. Para nos fazer corar de vergonha. Ou, sendo justo, para fazer alguns corar de vergonha.

SÓ TIRAVA O OTÁVIO E O RONALDO

Um porque não tem perfil ético para representar a selecção portuguesa. Outro porque é um jogador acabado, cuja presença vai condicionar os colegas e as movimentações colectivas da equipa.
De resto, aceito todas as opções de Martinez.

Por curiosidade, e para se perceber até que ponto vai a qualidade e profundidade do plantel português, que tal estes 40 (!!!) que ficaram de fora: 
Anthony Lopes, Rui Silva e Bruno Varela / João Mário, Cédric Soares, Eduardo Quaresma, Domingos Duarte, José Fonte, Diogo Leite, Tomás Araújo, Toti Gomes, Nuno Santos, Raphael Guerreiro, Nuno Tavares e Mário Rui / Florentino Luís, William Carvalho, Daniel Bragança, João Moutinho, Renato Sanches, Pizzi, João Mário, Matheus Nunes, Pedro Gonçalves, Ronny Lopes, André Gomes, Fábio Vieira e Sérgio Oliveira / Ricardo Horta, Rafa, Francisco Trincão, Paulinho, Jota Silva, Gonçalo Guedes, Danny Mota, Fábio Silva, Fábio Carvalho, Jota, André Silva e Bruma.

NÚMEROS A CONSIDERAR

 


CHAMPIONS DIRECTA SE:

- Leverkusen vencer a Liga Europa;
ou
- Atalanta, vencendo Liga Europa, terminar a Série A nos quatro primeiros, para o que necessita apenas de ganhar os dois jogos que lhe restam, ambos em casa, com Torino (dia 26) e Fiorentina (dia 2).

Portanto, meu amigos, há que torcer pelo Bayer de Grimaldo na final de Dublin, e, se a coisa correr mal, torcer fervorosamente pela Atalanta no campeonato italiano.

NOTA: Aos 76 minutos o Bolonha vencia a Juventus por 3-0. Infelizmente a "Vecchia Signora" ainda chegou ao empate (3-3). Com a vitória bolonhesa, ao Atalanta bastaria um empate e uma vitória para garantir o 4º lugar. Assim, caso Bolonha e Juve ganhem os seus jogos, a equipa de Bergamo necessita mesmo de dois triunfos.


QUATRO EM QUATRO

Quatro títulos em 2023-24. Quatro campeonatos em quatro anos. Quartos-de-final da Champions. Melhor época de sempre de uma equipa feminina em Portugal. Parabéns miúdas! São o orgulho do Benfica.
 

A QUEM ANDA O BENFICA A DAR BILHETES?

Na Luz, determinado tipo de protestos é assobiado por uma larga maioria. Nos jogos fora, para onde o sócio comum, mesmo com Red Pass, não consegue arranjar bilhete, quem vemos? A mesma tropa de sempre, que enche o clube de multas, o envergonha no estrangeiro, o coloca em risco de jogos à porta fechada, e há meses não faz outra coisa que não desestabilizar.
Além do problema de eficácia  diante das balizas, o Benfica tem também um problema na gestão da venda/cedência de bilhetes. Espero que sem a dimensão que se vê noutro clube mais a norte, mas também para resolver, com urgência e com coragem.

LAGE - MUITO POR ESCLARECER

Confesso que aguardava com grande expectativa uma entrevista de Burno Lage, quatro anos depois de deixar o Benfica. 
Interessava-me, sobretudo, perceber o que aconteceu entre Fevereiro e Junho de 2020, mais precisamente entre o dia em que - após uma impressionante sequência de 36 vitórias em 38 jogos de campeonato repartidos por duas temporadas - a equipa encarnada entrou no Estádio do Dragão com sete pontos de vantagem (e possibilidade de os aumentar para dez) e o dia do despedimento do técnico setubalense, no consumar da série de resultados subsequente: apenas duas vitórias em treze partidas.
Uma quebra tão súbita não é normal, não é aceitável, e carece de explicações profundas, que nunca chegaram. Ficaram sempre a faltar peças para reconstruir o puzzle desse período. 
Recordo quais foram os jogos em causa, sendo que entre Março e Junho não houve futebol devido à pandemia:

Estes jogos mostraram então erros defensivos inusitados numa equipa que, nas primeiras dezoito jornadas daquele campeonato, apenas sofrera seis golos (desafiando registos históricos). Mostraram igualmente vários penáltis falhados, dois deles creio que disparados ao lado da baliza (executados por Pizzi), e recuperações defensivas que chegaram a ser objecto de memes nas redes sociais, com as de André Almeida nos jogos contra Santa Clara e Marítimo. Para além de apagamentos de forma drásticos de vários jogadores. Erros que custaram naturalmente o Campeonato, bem como uma eliminação na Liga Europa.
Disse-se então que Pizzi, André Almeida e outros elementos do plantel (Rafa? Grimaldo? Chiquinho?) queriam deliberadamente forçar a substituição do treinador. Algo que já foi desmentido pelo próprio, e também por alguns dos jogadores em causa.

Lida a entrevista, fiquei quase na mesma. 
Bruno Lage queixa-se de falta de reforços para esse plantel (nomeadamente um lateral-direito e alguém que fizesse a posição de João Félix), mas os jogadores que tinha foram os mesmos que conseguiram a tal série de dezoito jogos, e a tal vantagem de sete pontos. Isto para além de ele próprio assumir responsabilidades nas contratações de Weigl e Dyego Souza, completamente falhadas, como se sabe, e ter sancionado a saída do central Conti - que não sendo um craque, era então a única alternativa a Ferro, com Jardel lesionado.
Queixa-se também de uma intervenção demasiado dura de Luís Filipe Vieira no balneário, após o empate a zero com o Tondela. E lamenta o apedrejamento do autocarro nessa mesma noite, o que naturalmente desestabilizou ainda mais a equipa, e aí estou com ele.
Mas isso passou-se na metade final da dita sequência de maus resultados, já após um registo de uma só vitória em nove jogos. Podia condicionar os quatro jogos seguintes, não os nove anteriores.
Recordo que, ao contrário do que foi assumido publicamente por outros clubes, o Benfica manteve, tanto quanto se sabe, a integralidade dos salários durante a pausa da Covid. Terão faltado prémios, nomeadamente do título da época anterior? Como caiu no balneário uma contratação de 20 milhões como a de Weigl? Terá havido alguma espécie de sabotagem? De quem e porquê?
Faltam esclarecimentos, que seriam muito importantes para perceber o que então se passou, e porventura para, a partir daí, entendermos também outras crises, anteriores e posteriores a essa.
Resta-nos talvez esperar que os jogadores terminem as suas carreiras, que Tiago Pinto ou Bruno Lage escrevam as suas memórias, ou o próprio Rui Costa um dia decida falar sobre o assunto.
Esses meses fascinam-me pela negativa. E acho que, como sócio, merecia uma explicação - que nunca foi dada.
Vou continuar à espera. Nem que seja sentado.

MUDAR POR MUDAR? NÃO!

Não advogo precipitações em nenhum aspecto da vida. Nem experiências de risco perante situações desconhecidas. Mudar, no meu ponto de vista, pressupõe saber muito bem para onde ir. 
Era bom que a multidão de benfiquistas que defende a substituição da equipa técnica (sim, reconheço que a maioria quer ver Roger Schmidt pelas costas), soubesse bem qual o caminho a seguir depois, e ponderasse se pretende uma mudança de paradigma futebolístico (eu tenderia a concordar com um maior investimento em músculo que em talento, capaz de transformar um grupo de bailarinos num carro de combate; e privilegiar uma defesa rigorosa em vez de um ataque empolgante, mas não me parece que seja esta a opinião maioritária entre os sócios), ou simplesmente mudar a pessoa - se for para isso, não me parece que valha a pena, até porque a contestação de que tem sido alvo Schmidt, foi a mesma que, nos últimos anos, liquidou Rui Vitória, Bruno Lage e Jorge Jesus, todos eles campeões de águia ao peito, todos eles empurrados por circunstâncias que, a não serem sanadas, voltarão a repetir-se. E esse é um aspecto sobre o qual importa reflectir.
Vejamos o quadro resumo de Roger Schmidt nas suas duas temporadas na Luz:

Ou seja, Schmidt venceu duas competições, foi afastado de outras três no desempate por penáltis, de uma por erros de arbitragem e de uma outra sem perder qualquer jogo. Chegou sempre aos quartos-de-final das provas europeias. Além disso apostou em António Silva e João Neves, resgatou Florentino das catacumbas dos empréstimos, tem vindo a lançar Tiago Gouveia e Tomás Araújo, e já colocou também em campo Samuel Soares, Gustavo Marques, Diogo Spencer e João Rêgo. Foi com Roger Schmidt que jogadores como Grimaldo, João Mário ou Rafa tiveram o seu melhor rendimento. Valorizou Enzo Fernandez e Gonçalo Ramos até níveis elevadíssimos. O balanço global não me parece nada mau.
Vejamos agora outros dados estatísticos de relevo. Por exemplo, Schmidt é o 2º treinador do Benfica com maior percentagem de vitórias no campeonato, só atrás de Jimmy Hagan (dados desde 1970):

Notável. 
O técnico alemão é também o 3º de sempre com maior número de vitórias nas competições europeias, só atrás de Jorge Jesus e Sven Goran Eriksson, e 5º de sempre com maior número de vitórias na Liga dos Campeões::

É igualmente o 3º de sempre com maior percentagem de vitórias nas competições europeias, só atrás de Guttmann e Eriksson, e mantém o 3º lugar se considerarmos apenas a Liga dos Campeões (nestes parâmetros o facto de actualmente haver mais jogos fica dissipado):

Lembremos agora todas as derrotas e empates de Schmidt no Benfica, nestas duas temporadas:

Partindo do pressuposto que na Europa qualquer resultado é possível, e que, nesse plano, ninguém pode acusar Schmidt de incumprir expectativas, vamos pois resumir os dados às competições domésticas:
Vemos que, em casa, em dois anos, o alemão só perdeu um jogo doméstico (com o FC Porto), e empatou quatro (dois deles com o Sporting). Fora de casa, para as provas nacionais, perdeu com FC Porto, Sporting duas vezes, Braga, e também com...Chaves, Boavista e Famalicão.
Em termos nacionais, os resultados verdadeiramente maus, além da derrota por 5-0 no Dragão (mais pelos números do que pela derrota em si, infelizmente tantas vezes repetida no passado), foram somente os desaires de Chaves, Bessa e Famalicão, e os empates caseiros com Casa Pia e Farense (um na temporada passada, quatro na corrente). Cinco resultados, portanto. Tudo o resto poderá considerar-se minimamente aceitável, sendo que, quanto a exibições, houve de tudo.
É de notar que as partidas com o Boavista e o Farense foram marcadas por grande infelicidade. No Bessa os encarnados cedo se viram em inferioridade numérica, e sofreram o golo decisivo no último lance do jogo; com o Farense criaram inúmeras oportunidades e não conseguiram vencer. Já em Chaves, na temporada anterior, além do golo da derrota surgir igualmente no derradeiro lance da partida, o mesmo foi antecedido de uma grande penalidade por assinalar sobre Otamendi. É preciso ter memória, e lembrarmo-nos como as coisas foram acontecendo, para não sermos injustos.
Note-se que, nesta época, mesmo se tivesse vencido em Famalicão, bem como os jogos da Luz com Casa Pia e Farense, a pontuação não chegaria, ainda assim, para alcançar o título. Há que entender os números, e perceber a força relativa dos adversários (e o Sporting fez um campeonato absolutamente extraordinário).
Perante tudo isto, mudar de treinador? Talvez sim, desde que seja José Mourinho ou melhor, e essa mudança configure uma alteração do paradigma de futebol do clube - como referi acima. 
Mudar por mudar (ou só pelas substituições, ou só pelas conferências de imprensa) não me parece boa ideia. E além de Mourinho, não vejo outro técnico que dê algumas garantias e esteja ao alcance do Benfica.
Quem defende uma mudança, devia pois dizer desde logo o que quer depois, e porquê. Caso contrário estamos a cair num folclore populista que tem tudo para correr mal.
E se Schmidt ficar e os resultados não aparecerem no início da próxima época? A contestação tornar-se-ia insuportável, provavelmente exigiria uma "chicotada psicológica", e podia comprometer a época. Pergunto eu: e se as coisas também correrem mal ao novo treinador? Faz-se o quê? Despede-se o novo também? E depois, contrata-se quem? Deita-se o clube abaixo?
Enfim, tudo isto somado a 20 milhões de euros deixa-me muitas dúvidas. Mais dúvidas do que certezas. 
Precisava de saber, por exemplo, quem indicou Jurasek, Kokçu e Arthur Cabral (só aqui estão 60M) para opinar com algum rigor, pois penso que dessas apostas resultaram grande parte dos problemas do Benfica na temporada (sobretudo no caso do lateral-esquerdo e do ponta-de-lança, posições que ficaram basicamente a descoberto, e obrigaram a constantes reinvenções tácticas). Precisava também de saber se o balneário está com o treinador ou não. Precisava ainda de conhecer melhor os motivos que levaram às abruptas quebras de rendimento do futebol benfiquista com Rui Vitória, Bruno Lage e Jorge Jesus - sobretudo na estranhíssima segunda volta da temporada de 2019-20, quando a uma sequência de 36 vitórias em 38 jogos, com a mesma equipa e o mesmo treinador, se seguiu um ciclo de apenas duas vitórias em dez jogos, que meteu penáltis falhados, exibições estranhas e até apedrejamento de autocarros, série que custou um título que parecia mais ou menos assegurado. Embora não me tenha cansado de escrever sobre o assunto, nunca ficou claro o que efectivamente se passou.
Sem esses dados não posso, em consciência, exprimir uma opinião definitiva sobre Roger Schmidt. Vítima ou culpado? Pois não sei.
Que não é um treinador perfeito, isso é óbvio. Mas...quem são os treinadores perfeitos? Guardiola? Ancelotti? Podem vir para o Benfica? Se pudessem, eu próprio ia recebê-los ao aeroporto com flores. Infelizmente o futebol português navega noutros mercados.
A verdade é que em dois anos Schmidt ganhou um campeonato. Tomara todos os treinadores do Benfica, e não só, ganharem metade dos campeonatos que disputam.
Se deve ficar ou não, cabe a Rui Costa decidir. Se ficar, será o meu treinador. Se vier outro, que seja para melhor. Espero, sobretudo, que a decisão não seja tomada em função do ruído exterior.
Os adeptos podem, e devem, ter opiniões, mas não servem para escolher treinadores. Escolhem presidentes, e fazem a sua avaliação no fim dos mandatos.

UMA DESPEDIDA E PÊRAS

Foi uma despedida em grande, confirmando o estatuto de melhor marcador e assistente deste Benfica. Rafa encheu o campo, e tivesse ele aceitado marcar os penáltis, podia mesmo ter alcançado um póquer histórico.
De resto tratou-se de um jogo típico entre duas equipas com a classificação definida. Embora tenha de se saudar o profissionalismo dos jogadores benfiquistas, ainda assim capazes de protagonizar bons momentos de futebol.
Infelizmente, o destaque vai uma vez mais para o que se passou fora do campo. Um grupo minoritário e nada representativo dos seis milhões de benfiquistas, entende que pode decidir unilateralmente o destino do clube, e impor o que quiser. Orgulho na resposta da maioria do estádio, assobiando firmemente comportamentos que apenas perturbam o clube e os seus profissionais.
Roger Schmidt podia ser simpático, bater no emblema, ir para as redes sociais declarar amor eterno ao Benfica. Opta por dizer a verdade e aquilo que pensa. E se não concordo com muitas das suas opções dentro do campo, saúdo sem hesitações aquilo que tem dito à imprensa, e que devia fazer reflectir os benfiquistas - pelo menos aqueles que tenham cérebro para tal.
Ainda bem que a temporada está a terminar.

PARA QUE SERVEM AS CRÍTICAS?

Criticar de forma constante e violenta aqueles que é suposto apoiar é algo que escapa a qualquer racionalidade.
A crítica é legítima. Mas o que se passa no Benfica de há uns tempos para cá é apenas estúpido.
A continuar assim, vai ser difícil a qualquer treinador e a qualquer jogador alcançar sucessos. 
Se alguém pensa que é a chicote que se trabalha melhor, é porque vive no século XVIII.
Infelizmente parece ser para aí que muitos querem voltar. No futebol e não só.
Eu? Vou continuar a amar o meu clube e a defender quem o representa. Mesmo que isso se transforme numa excentricidade - num país e num mundo a ficar cada vez mais de pernas para o ar. 

O ADEUS DE UMA LENDA

8 épocas de águia ao peito
325 jogos (22º da história do SLB com mais jogos)
93 golos (24º da história do SLB com mais golos)
8 títulos (3 campeonatos, 1 taça e 4 supertaças)
48 jogos na Champions (10º da história do SLB com mais jogos na prova)
13 golos na Champions (6º da história do SLB com mais golos na prova, só atrás de Eusébio, José Augusto, José Águas, José Torres e Nené).
Melhor marcador dos três actuais plantéis em "Clássicos" e "Dérbis" (7 golos)
Marcador dos golos das duas últimas vitórias do SLB no Dragão (que valeram os dois últimos campeonatos)
Marcador do decisivo golo frente ao Braga no último título do SLB
Melhor marcador do SLB neste campeonato (12 golos)
Melhor marcador do SLB nesta temporada (20 golos)
Mais assistências pelo SLB neste campeonato (11 assistências, 2º da competição)
Mais assistências pelo SLB nesta temporada (14 assistências)
Campeão europeu em 2016
Como disse Jurgen Klopp: "Rafa? Uau!!!" Como disse Mircea Lucescu: "Como é possível Rafa ainda jogar em Portugal?"
Os números são impressionantes. O estilo faz lembrar Chalana. Querido de todos no balneário. Titular absoluto com todos os treinadores. Um dos melhores jogadores do Benfica neste século.
Perante tudo isto, perante uma verdadeira lenda (que nunca me cansei de elogiar), o que se estranha é a indiferença de tantos benfiquistas, ao longo dos anos, face a Rafa Silva. Talvez não saiba vender a imagem como outros. E a verdade é que o empresário também não ajuda. Mas... 
Por um lado, queixam-se do futebol moderno, e dos jogadores relâmpago que saem ao primeiro aceno (Félix, Sanches, Enzo, Darwin). Por outro, não valorizam quem fica tantos anos no clube, sempre com números espantosos, sempre com elevado profissionalismo, sempre um dos melhores da equipa.
Rafa merece todos os aplausos. Merece todas as vénias.
Como outros antes dele, só depois de sair será devidamente valorizado.
Lamento profundamente que parta. E não antevejo fácil a substituição.

SIMPLES

Infelizmente, parte substancial das opiniões expressas em nome do benfiquismo nas redes socias, em sites, fóruns ou blogues (enfim, tudo o que permita o anonimato), são falsas. Há espaços onde isso é manifesto (Serbenfiquista, Geração Benfica etc), e basta um pouco de atenção para o perceber. O nosso VdB, por ser pequeno e ter menos visualizações, não fica tão exposto ao fenómeno - que, diga-se, está longe de se esgotar no futebol. 
Todo esse ruído faz muito barulho, mas tem pouca credibilidade. Quem ainda não se habituou a ignorá-lo, com o tempo aprenderá forçosamente a fazê-lo. No futebol e não só.
Além da multiplicidade de perfis de falsos "benfiquistas" que pululam pela internet procurando desestabilizar e manipular mentes mais desatentas (e de uma comunicação social ávida de sangue), há também a claque. E para esta eu utilizaria a velha máxima segundo a qual o raciocínio de uma multidão em fúria é equivalente ao da pessoa mais estúpida que lá estiver. 
Não é especificidade do Benfica. Basta lembrarmo-nos de Alcochete 2018, de como a Juve Leo impediu a entrada de José Mourinho no Sporting em 2001, ou da última AG do FC Porto, para percebermos o efeito de um grupo de delinquentes quando lhe é dada demasiada importância. Esta época o Benfica já teve a sua dose, e se ninguém lhes entregasse bilhetes, talvez episódios como os de Faro, de Milão ou de San Sebastian pudessem ter sido evitados.
Deste modo, as opiniões que contam, aquelas que interessam, são das dezenas de milhares de sócios que enchem as bancadas do estádio jornada a jornada; que se deslocam à Luz dos mais variados pontos do país, realizando despesas que vão muito para além do preço do bilhete ou Red Pass, chegando a casa tarde mesmo tendo de trabalhar no dia seguinte; também daqueles que, espalhados pelo mundo, nem sequer podem vir a Lisboa; ou ainda de outros que nem sócios podem ser por não terem dinheiro para quotas. Se acendem luzinhas ou não, pouco me interessa: são eles o Benfica. Somos nós o Benfica. Sempre o fomos. Sempre o seremos. Com paixão pelo clube, e respeito por quem o representa.
Quando falo de benfiquistas, ou dos benfiquistas, é destes que falo. Os "outros", ou nem o são, ou são inúteis ou mesmo nocivos.
Dito isto, e mau grado todos termos direito a opinar, entendo que cabe ao presidente do clube escolher o treinador, decidir se ele se mantém, ou se deve ser substituído. Só ele tem os dados completos para tomar decisões dessa natureza. Os adeptos não assistem aos treinos, não conhecem as dinâmicas de balneário, não sabem como flui o relacionamento entre jogadores, nem entre estes e o treinador, e não percebem grande parte do conteúdo técnico da função (eu não percebo nada de fisiologia, e muito pouco de tácticas, tenho a humildade de o reconhecer).
Tomando as decisões, ao presidente cabe também assumir as responsabilidades. E no final do mandato, então sim, os sócios serão chamados a decidir se deve continuar, ou deve dar lugar a outro que se proponha ao cargo.
Tudo isto é muito simples. Por vezes não parece.

TRISTE FIM

O campeonato ficou decidido em Alvalade, quando Neres falhou o 1-2 numa baliza, e Catamo marcou na outra, no último minuto, o 2-1. Daí em diante, só algo muito estranho podia tirar o título ao Sporting - que, digo-o desde já, foi um justo campeão.
Eliminado de todas as outras provas, e com o segundo lugar assegurado, exigia-se ao Benfica um fim de campeonato digno, que o deixasse mais perto do rival, e adiasse a decisão para tão tarde quanto possível.
Infelizmente, nem isso aconteceu.
O jogo de Famalicão é, de resto, um retrato fiel da temporada: uma equipa ineficaz diante da baliza adversária, e permeável na sua, vítima dos seus próprios equívocos, e com opções tacticamente incompreensíveis.
Se Schmidt tem culpa? Tem. Se tem condições para continuar? Depois deste jogo, creio que não. Mas nem ele é o único culpado, nem a sua demissão resolverá todos os problemas do Benfica.
Haverá tempo para dissertar sobre os erros passados e o que se pretende para o futuro.  Há problemas de competitividade, e até de mentalidade - aos quais, nem os adeptos são alheios. Isso fica para mais tarde.
Este Benfica 2023-24 começou a falhar em Julho, no mercado de transferências, quando alguém (Schmidt? Rui Costa? Braz? Scout?) pensou que Jurasek podia substituir Grimaldo, e Arthur Cabral podia substituir Gonçalo Ramos - custando o mesmo que um tal Gyokeres. Depois foi a brincadeira da baliza, da qual resultou a saída de um guarda-redes apenas razoável, mas experiente e seguro, trocado por uma promessa ainda verde, e que cometeu mais erros numa época que o seu antecessor em seis (aqui, todos sabemos, a responsabilidade foi do técnico alemão). Já Kokçu foi a contratação mais cara de sempre do futebol português, e como tal esperava-se que fizesse a diferença. Vê-se que foi um logro, mas já na altura me parecia inútil gastar 30 milhões numa posição onde o Benfica tinha aquele que é, provavelmente, o melhor jogador do plantel. No meio de tudo isto, dos 32 campeões nacionais, apenas permaneceram no plantel 12 elementos. Provavelmente também a folha salarial foi subvertida, com diferenças que podem ter gerado focos de insatisfação. Saíram jogadores importantes na rotação e, eventualmente, também no balneário, como Chiquinho, Guedes, Gilberto, e depois Musa.
De agosto em diante, o Benfica travou uma luta constante contra si próprio, e contra todos estes equívocos. O caso do ponta-de-lança é manifesto, com Schmidt a trocar, uma, duas, três, inúmeras vezes, e sem nunca acertar, por um simples motivo; nenhum servia para o Benfica, nem para o estilo de jogo da equipa que meses antes se sagrara campeã.
A tantos erros próprios se juntou um campeonato estratosférico do Sporting - que também é preciso considerar. O Benfica podia e devia ter sido muito melhor, mas talvez nem isso fosse suficiente para ganhar este título. Reconhecer mérito a quem venceu é o melhor ponto de partida para uma análise honesta a toda a temporada benfiquista - equipa que, diga-se também, conquistou a Supertaça, foi eliminada da Taça da Liga e da Liga Europa nos penáltis, e saiu da Taça de Portugal empurrada pela arbitragem.

ONZE PARA FAMALICÃO

Adiar as festividades do rival ao máximo. Reduzir a distância para o rival ao mínimo. Ganhar os três jogos!
 

ESPERO QUE SEJA PARA RIR


 Vou querer rir-me disto no domingo à noite.

LUTAR ATÉ AO FIM

Só a matemática impede, por agora, a atribuição do título. E embora já tenha visto de tudo no futebol europeu e mundial, seria preciso um optimismo muito além do razoável para alimentar qualquer tipo de esperança do Benfica quanto ao título. O destino ficou traçado em Alvalade, quando a equipa de Schmidt desperdiçou várias oportunidades para fazer o 1-2, e acabou sofrendo o golo da derrota no último minuto. Aí, confesso, deixei de acreditar. Deixou de fazer sentido acreditar.
Cabe, ainda assim, aos encarnados, retardar ao máximo a sua rendição, e reduzir ao mínimo as distâncias para o mais que provável novo campeão. Terminar afundado em más exibições, em (ainda) mais pontos perdidos, e a uma distância humilhante do primeiro lugar não é certamente o mesmo que concluir o campeonato com nove vitórias nos últimos dez jogos, e deixar uma impressão final de bom futebol - que permita olhar para o fim desta e, sobretudo, para o início da próxima temporada com a serenidade necessária à tomada das melhores decisões.
Foi esse o espírito que a equipa mostrou em Faro. Foi esse o espírito que voltou a mostrar diante do Braga, sobretudo na segunda parte. É esse o espírito que terá de mostrar em Famalicão, e assim garantir que não haja campeão na próxima semana.
Do jogo com os bracarenses, fica a sensação que Marcos Leonardo não terá sido devidamente aproveitado noutros momentos da época. Como sempre aqui sublinhei, era o único ponta-de-lança do Benfica a quem dava o benefício da dúvida, e se não parecia uma certeza do presente, deixava a sensação de ser uma possibilidade de futuro. Entrou, marcou dois golos, soma sete no campeonato com pouquíssimos minutos de utilização. Se não tem outras coisas, "golo" não lhe falta.
Gostei também do apoio que chegou das bancadas. Mesmo sabendo que havia centenas, ou mesmo milhares, de lenços brancos nos bolsos, a verdade é que a Luz mostrou que é mais, muito mais, do que quinze ou vinte arruaceiros. E que a insatisfação, natural e compreensível, não pode dar lugar a atitudes de violência ou hostilidade para quem nos representa em campo, no banco, ou na tribuna. Infelizmente, houve um sector do estádio a protestar de forma menos ajustada (e, de algum modo, a enfiar a carapuça de Faro), e a assobiadela que ouviu - à qual me associo - foi a resposta dos verdadeiros benfiquistas, daqueles que vivem o clube e o futebol com paixão, aos que se servem do clube e do futebol para, de forma negativa e autodestrutiva, exorcizar frustrações pessoais ou sociais. A paixão não tem limites. Os comportamentos têm.
Enfim,  Benfica ganhou. Pode ainda chegar aos 85 pontos, que dariam para vencer vários campeonatos. Está, porém, a cinco pontos de um super-Sporting. Não olhemos apenas para o umbigo: este Sporting dificilmente seria ultrapassável, tem mais pontos à 31ª jornada que o Benfica alguma vez teve, e merece ser campeão. Mas quanto mais tarde o for, melhor.

DIA DA LIBERDADE

A homenagem de VDB ao benfiquista Salgueiro Maia, e aos outros heróis que, com ele, fizeram o 25 de Abril, e abriram espaço à democracia em Portugal. 

HÁ VIDA PARA ALÉM DAS SUBSTITUIÇÕES

Que a maioria dos adeptos tem a pretensão de perceber mais de futebol do que alguns protagonistas, já todos sabemos. Eu, muitas vezes, também caio nesse logro: olhar para uma superfície sem perceber o que está por baixo, e ter a ousadia de opinar sobre o assunto. Isto não tinha piada se assim não fosse. Mas gosto de, pelo menos, ter a humildade de o reconhecer. Aqui o faço desde já.
O que sabe o adepto do trabalho do treinador? Naturalmente, apenas aquilo que vê, e que é o onze escalado para cada jogo, as substituições, as exibições da equipa, e, sobretudo, o resultado final.
Sem assistir aos treinos, sem conhecer os índices físicos e biológicos dos jogadores, nem a sua personalidade, sem ter, na maioria dos casos, qualquer experiência de liderança, nem conhecimentos de psicologia de grupo, o adepto, sendo quem paga tudo, tem ainda assim naturalmente direito à sua opinião. Volto a dizer, aqui o faço. 
Mas o adepto não pode achar que sabe tudo, nem, faltando-lhe dados, ter a certeza absoluta das suas razões. E muito menos querer impô-las aos outros. Menos ainda através da violência, como aconteceu em Faro, onde a ignorância e estupidez de 15 ou 20 indivíduos se transformou em bestialidade.
É, pois, preciso colocar alguma racionalidade nisto, mau grado estarmos na presença de um fenómeno com contornos totalmente irracionais - como o da paixão clubista.
Independentemente de Schmidt ficar ou não. Independentemente de se defender, ou não, a sua saída (e, confesso, não tenho opinião fechada sobre isso), um treinador, qualquer que ele seja, não pode, antes de mais, ser julgado com base em circunstancialismos. Há um ano atrás, o mesmo Schmidt era um herói, mas a memória do adepto tem a duração aproximada de uma semana. E um treinador também não deve ser avaliado apenas com base no onze que utiliza ou nas substituições que faz.
O aspecto das substituições chega a ser divertido, pois na bancada entende-se que basta tirar fulano e meter sicrano para a equipa ganhar, e se o treinador não o faz é porque é burro. O raciocínio, para não ir mais abaixo, é o do Football Manager, em que os jogadores são bonecos animados, o treinador somos nós, e quando se perde reinicia-se o jogo, sem que alguém nos mostre lenços brancos a partir do ecrã. A seguir vamos jantar e fica tudo bem.
A realidade do futebol profissional não é essa. Quando vejo um jogador sair do campo, posso opinar razoavelmente sobre a sua prestação (na verdade, vi-a), mas não sei mais nada sobre ele, nomeadamente se está mais cansado que outros, se treinou bem durante a semana, se teve algum comportamento desajustado, se fez ou não exactamente o que o treinador lhe pediu (que, de resto, também não sei o que foi). Mesmo a própria prestação no jogo, tem muito que se lhe diga. Depois de Faro, ouvi afirmar algo como isto: "com Carreras no banco, Schmidt foi burro por andar a adaptar Aursnes". Ora o que eu vi foi um jovem com bons pés e um bom golo, mas a ser ultrapassado frequentemente por mau posicionamento, por má utilização dos apoios, e a cometer erros que, com um qualquer Toulouse da vida, representariam oportunidades claras para o adversário. Ou seja, o adepto, e talvez ainda mais o benfiquista, avalia normalmente o jogador com base num único critério: a habilidade com a bola no pé. Ora um jogador de futebol está muto para além disso. Futebol não é Circo.
Volto às substituições. Há de facto treinadores que usam as substituições para alterar tacticamente o rumo de um jogo, e conseguem-no (Jesus, por exemplo, que também, como quase todos, viu lenços brancos na Luz). Outros servem-se delas apenas para refrescar a equipa. Outros ainda (e aqui enquadraria Schmidt) entendem que certos jogadores necessitam de muitos minutos para adquirir um ritmo alto e para o manter. Lamento, mas nem eu, nem certamente a maioria dos leitores e adeptos terá conhecimentos profundos de performance física e atlética (e muito menos da fisiologia específica de Di Maria ou João Mário) para desmentir ou confirmar a tese.
Há vários elementos de análise numa substituição, que não têm apenas a ver com a equipa estar a jogar mal ou bem. Além de ser preciso saber se quem está no banco oferece condições de melhorar o jogo. Futebol também não é Xadrez. 
Seja como for, as substituições são apenas, talvez, uns 10% do trabalho de um treinador. E a escolha do onze, diria que de 30% a 40%. Tudo o resto é preparação física, construção de dinâmicas e automatismos de jogo, liderança, motivação, agregação, enfim, factores que, em conjunto, conduzem às vitórias. Caso contrário até seria fácil, e não era necessário pagar cinco milhões a ninguém para o fazer. Eu próprio, aos fins de semana, o faria de borla.
Roger Schmidt não é um mago da táctica, mas, como uma vez disse Graeme Souness "football is not about tactics". Acrescentaria talvez um "only" à frase, mas há muitos outros critérios importantes, e seguramente mais importantes, para definir um treinador, do que o onze e as substituições. Em alguns deles (por exemplo a preparação física) Schmidt é fortíssimo. Recordo que praticamente não houve lesões musculares neste Benfica, que jogadores como Di Maria, mesmo aos 36 anos, têm apresentado uma performance física assinalável, e que em quase todos os jogos, mesmo aqueles em que perdeu, o Benfica acabou fisicamente por cima dos adversários - o que foi bastante notório em Marselha, como já o havia sido também nos confrontos com o Sporting. Outro aspecto a sublinhar é a aposta em jovens como António Silva ou João Neves - que o comum do adepto não conhecia de todo quando foram lançados - mas também em Florentino (recuperado das catacumbas dos empréstimos) e Gonçalo Ramos, valorizado até aos 65 milhões. Com Schmidt vimos também Grimaldo, Rafa e João Mário realizarem as suas melhores épocas de sempre ao serviço do Benfica. Sem falar de Enzo Fernandez que veio por 20 e seis meses depois valia 120.
Enfim, como disse atrás, tudo pesa. As virtudes e os defeitos que sempre coabitam num ser humano e, por maioria de razão, num profissional. O que mais pesa, claro, são os resultados. Em duas épocas no Benfica, Schmidt foi campeão numa delas. Se o Benfica ganhasse metade dos títulos nacionais já estaria, digo eu, a cumprir o seu destino.
Vi com os meus olhos Jorge Jesus ser insultado e cuspido no Jamor, depois de quase ganhar tudo em 2013. Contra a vontade de uma larga maioria (não a minha), ficou no clube. Depois, passou de quase ganhar tudo a ganhar quase tudo - e entre uma coisa e outra, como se viu, era apenas um pequeno saltinho, ou seja uma bola a entrar em vez de bater num poste.
Não tenho a certeza que, ficando, Schmidt não possa voltar a ganhar, em 2024-25, o que ganhou em 2022-23. Nem do contrário. Fazendo ou não as substituições de que os adeptos gostam.
Como disse, Schmidt para mim não é um assunto fechado. Vejo-lhe virtudes. Vejo-lhe defeitos. Se fosse para trocar com Guardiola ou Klopp, obviamente assinava já. Mas...seria para trocar por quem? Mourinho? Talvez. De resto, treinadores portugueses e/ou que estejam dentro do padrão orçamental do Benfica, não encontro muitos que, embora porventura mais simpáticos, possam dar garantias de fazer melhor (um campeonato e um 2º lugar, uma supertaça, uns quartos-de-final da Champions, uns quartos-de-final da Liga Europa em duas temporadas). E mudar por mudar não me parece boa política.
Volto ao início. Há quem perceba mais disto do que eu. E muitíssimo mais do que os imbecis de Faro. Rui Costa é presidente do Benfica, tem uma vasta experiência de futebol profissional. Cabe-lhe a ele fazer uma análise rigorosa do que foram estes dois anos, e do que pode ser o próximo. Tenho a certeza que decidirá de acordo com o que entende ser melhor. A responsabilidade será sempre dele. Deixemos que a decisão também seja.

VALE O QUE VALE (2)

Treinadores do Benfica com mais vitórias em jogos de competições europeias:

 ...e com mais vitórias apenas na Taça/Liga dos Campeões:
Atente-se que, de todos os nomes listados, Roger Schmidt é quem tem menos temporadas no clube. Como se sabe, apenas duas.