FESTAS FELIZES

"O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso !" BILL SHANKLY

Trocando três pontos na Liga por uma eliminatória da Taça, a equipa de Jesus está, grosso modo, em termos absolutos, na mesma situação da temporada passada. A diferença classificativa verifica-se sobretudo na relação com o desempenho do FC Porto (que soma mais nove pontos esta época), e na forma como este tem sido empurrado para as vitórias. Há, na verdade, três aspectos que marcam a época benfiquista: - As arbitragens que condicionaram o início da época, retiraram pontos e confiança a uns, na mesma medida que os acrescentaram a outros; - A goleada sofrida no Dragão, num jogo em que os jogadores portistas pareciam correr tanto como o Ben Johnson; - Uma Liga dos Campeões verdadeiramente decepcionante, onde, aí sim, o Benfica tem de se queixar de si próprio, e de uma postura, a meu ver, demasiado romântica para a morfologia da competição. São estes três itens (um por culpas alheias, outro por responsabilidades próprias, com um ponto de interrogação pelo meio) que, justa ou injustamente, têm deitado abaixo uma equipa que, afinal, mesmo com pouco brilhantismo e alguma irregularidade, até tem cumprido grande parte das suas obrigações.
A jornada 14 da Liga Portuguesa trouxe-nos mais do mesmo: penáltis mal marcados a favor do FC Porto, e penáltis por marcar a favor do Benfica.
Até quando isto vai durar? Julgo que até consagrar o FC Porto como campeão, objectivo de demasiada gente dentro do futebol.
Tal como se passa com o país, as pessoas vão aceitando com resignação tudo o que lhes põem pela frente. Até um dia.
Desde 1976 que vejo futebol, e não me recordo de um campeonato, português, europeu ou mundial, tão subvertido pelas arbitragens como este. Um verdadeiro escândalo, desde a primeira jornada até agora. Um autêntico andor para a equipa que a Liga, o seu presidente, o seu CA, o seu CD, a APAF, o sec-estado e a FPF querem ver campeã, custe o que custar. Muita gente importante, que pesa bem mais do que os milhões de adeptos que, nas bancadas, vão sendo enganados (e aqui bem me apetecia utilizar outra palavra). E que quando se queixam, ainda são acusados de querer iludir as más exibições da sua equipa, como se uma coisa tivesse a ver com a outra.
BENFICA-RIO AVE
Embora a expressão ampla do resultado não deixe dúvidas, a arbitragem de Hugo Miguel na Luz foi absolutamente desastrosa.
Um penálti por assinalar sobre Fábio Coentrão (o décimo !!! por marcar a favor do Benfica nesta temporada), um penálti mal assinalado a favor do Rio Ave, e um golo mal validado ao Benfica, foram erros demasiados para um jogo relativamente simples de arbitrar. Devo contudo dizer, em nome da verdade, que nestes dois últimos lances só a televisão me esclareceu totalmente.
Quanto ao fora-de-jogo que antecede o lance do penálti, sendo um problema digno de figurar num teste para novos árbitros, creio que a decisão de deixar jogar foi correcta. Foi pena que o juiz tenha depois confundido um corte com a barriga com uma mão na bola…
Resultado Real: 5-1
PAÇOS DE FERREIRA-FC PORTO
Mais uma arbitragem desastrada, numa jornada para esquecer.
O primeiro golo do FC Porto nasce de um livre inexistente. O segundo de um penálti fantasma, e só o terceiro poderá ser considerado puro. É verdade que também existe um penálti por assinalar sobre Hulk. Mas, o que seria deste jogo com o 0-0 a prolongar-se até meio da segunda-parte?
Resultado Real: 0-2
V.SETÚBAL-SPORTING
Não vi o jogo, e pelo resumo não me apercebi de qualquer caso digno de nota.
Devo confessar que o resultado até me agradou, pois como benfiquista, a permanência de Paulo Sérgio, Costinha e Bettencourt ao leme do futebol do Sporting deixa-me bastante tranquilo. E se perdessem em Setúbal…
Resultado Real: 0-3
CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 37
FC Porto 32
Sporting 21
Etiquetas: real 10-11
Em vésperas da quadra festiva, a equipa do Benfica presenteou os seus sócios e adeptos com uma das melhores exibições da época, goleando o Rio Ave, e mantendo de pé a esperança numa perseguição ao primeiro lugar do campeonato.
Com uma entrada em campo de rompante, aos oito minutos de jogo já os encarnados venciam por 2-0, tendo ainda visto o árbitro anular um golo por fora-de-jogo de Saviola. E até à meia-hora, a perfeição do futebol praticado pelo conjunto de Jorge Jesus fez lembrar alguns dos melhores momentos da temporada passada, quando muitos adversários tremiam só de pisar o relvado da Luz.
Foi, de resto, este mesmo adversário que o Benfica teve pela frente no dia da sua consagração como campeão de 2009-2010. Então, como agora, uma atitude bastante afirmativa desde os instantes iniciais retirou quaisquer veleidades aos vila-condenses, desenhando muito cedo o destino do jogo.
Na ponta final da primeira parte o Benfica afrouxou ligeiramente o seu ritmo, permitindo ao Rio Ave chegar ao golo. Entre a possibilidade de ver o jogo resolvido ao intervalo, e a eventualidade de ter uma segunda parte de sofrimento pela frente, esse golo de João Tomás (depois de muitos anos, novamente a bisar na Luz) deixou um certo sabor a frustração na saída para os balneários.
Mas não foi preciso esperar muito mais tempo para se perceber que a tarde seria mesmo pintada de vermelho vivo. Após uma bela iniciativa de Salvio, o seu compatriota Saviola voltou a marcar, bisando na partida, e devolvendo a tranquilidade às bem compostas bancadas da Luz. Era a melhor forma de iniciar um segundo período que nos voltaria a trazer bom futebol e ocasiões de golo junto das duas balizas – sobretudo na que estava à guarda de Paulo Santos.
Salvio, com uma estupenda exibição, aumentaria a vantagem, após lance primoroso de Gaitán, e nem um penálti duvidoso – que voltaria a reduzir distâncias – encolheu o Benfica, que continuou sempre em ritmo elevado, e em busca de mais golos. Faria apenas mais um, novamente por Salvio, dispondo contudo de várias oportunidades para tornar a goleada ainda mais expressiva. Foi pois uma tarde de tango, com os argentinos em plano de grande destaque. Salvio com dois golos e uma assistência foi o homem do dia, mas Saviola também com dois golos – e cinco nos últimos cinco jogos -, Aimar com um, e Gaitán com uma assistência e mais alguns lances de grande classe, brilharam também a grande altura. O árbitro Hugo Miguel esteve mal ao não assinalar uma grande penalidade sobre Fábio Coentrão na primeira parte, e voltou a estar mal quando sancionou um corte do mesmo jogador dentro da área benfiquista. Devo confessar todavia que, no estádio, fiquei com a ideia que esta grande penalidade tinha sido bem assinalada. Mas tal como diz Jesus (e qualquer pessoa de boa fé) o critério dos penáltis neste campeonato tem sido absolutamente obtuso, e tem prejudicado sistematicamente o Benfica, beneficiando o FC Porto.
Para o Benfica, o sorteio da Liga Europa podia ter sido bem pior.
A negra tradição alemã não ajuda, mas o Estugarda (de Boulahrouz, Camoranesi e Pogrebnyak) não vive um bom momento, e entre os cabeças-de-série a escolha não era muita. Quanto ao alinhamento para os oitavos-de-final, dificilmente se poderia esperar melhor sorte, embora o Paris St-Germain não seja propriamente uma pêra doce.
Alguma sorte teve também o Sp.Braga, que vai encontrar pela frente uma das surpresas desta competição. Não são favas contadas, mas creio tratar-se de um adversário acessível aos minhotos. Todavia, caso passe, na fase seguinte encontrará muito provavelmente o Liverpool, o que não é animador.
Já o FC Porto, ao contrário do que tem acontecido com a Taça de Portugal, não foi nada feliz. Sevilha e, depois, possivelmente o CSKA Moscovo, são adversários que irão pôr à prova a equipa de Villas-Boas.
O Sporting também não terá vida fácil, pois o Glasgow Rangers tem dominado o futebol escocês, tem história, tem experiência, e será certamente um rival complicado. No entanto os leões são favoritos. A seguir, podem ter pela frente o PSV.
Está quase tudo definido quanto aos possíveis adversários do Benfica nos dezasseis-avos-de-final da Liga Europa.
Num fim-de-semana totalmente dedicado à Taça de Portugal, e ainda a digerir a viagem ao Porto, lá estava eu já na Luz para o jogo grande da ronda.
Com um cutelo sobre o seu pescoço, o Benfica ganhou com inteira justiça, realizando uma exibição agradável e dissipando, por agora, as nuvens que se adensavam no seu horizonte. Nem tudo saiu bem, mas a atitude competitiva da equipa foi absolutamente irrepreensível, dando sinais de que as coisas podem efectivamente melhorar.
É preciso dizer que o Sp.Braga partiu para esta partida extremamente desfalcado (assim de cabeça, faltavam, pelo menos, Miguel Garcia, Moisés, Vandinho, Mossoró, Matheus e Lima), o que não terá deixado de se fazer sentir no rendimento da equipa. Efectivamente, só perto do final a equipa minhota levou perigo até à baliza de Júlio César.
Até lá, e sobretudo depois de se verem em vantagem, os campeões nacionais tiveram sempre as rédeas do jogo nas mãos, ficando a dever a si próprios mais um ou dois momentos de festa.
Saviola voltou a marcar, mostrando estar de volta à eficácia que acompanhou a sua primeira época na Luz. Mas o homem da noite foi Pablo Aimar, não só pelo golo que assinou, como, sobretudo, pela forma como jogou e fez jogar a equipa à sua volta. Não foi a melhor exibição do mago argentino, mas foi mais uma excelente exibição, confirmando tratar-se do jogador encarnado cujo rendimento menos oscilou de 2009-10 para 2010-11.
O árbitro perdoou duas expulsões, uma para cada lado. Sílvio e Maxi Pereira (curiosamente os dois laterais direitos) poderiam ter ido tomar banho mais cedo, mas globalmente Carlos Xistra não esteve num dos seus piores dias, sobretudo se levarmos em conta que os jogadores em nada o ajudaram (incrível a violência e a hostilidade que esta equipa de Domingos sempre revela diante do Benfica).
Segue-se o Olhanense.
A equipa eborense vale pelo conjunto, e tem revelado uma eficácia defensiva notável. O treinador, Migue Ângelo, é um homem da casa, mantendo-se no comando técnico há já seis temporadas consecutivas, depois de ter sido adjunto, treinador dos juniores, além de jogador e capitão de equipa durante muitos anos. O plantel é bastante equilibrado, sendo seguramente uma das equipas melhor organizadas do seu escalão. Dispõe de jogadores como o ex júnior portista Viúla; o ex V.Setúbal Nelson Silva; André Xavier, irmão de Abel Xavier; o senegalês Cissé; e o experiente avançado Nuno Gaio (na foto, ao lado do guarda-redes), ex júnior do Benfica, e que já ganhou no Dragão, com o Atlético. O guarda-redes suplente é Nuno Laurentino, irmão de Hugo Laurentino, guarda-redes de Andebol do FC Porto. Mas a grande estrela é o jovem goleador luso-francês Sebastien (na foto, o primeiro em baixo a contar da esquerda), que anda a ser pretendido pelo União de Leiria e pelo Olhanense.
Este não é o primeiro confronto entre os dois clubes. Também para a Taça de Portugal, o Juventude já se deslocou ao Porto por duas vezes: na primeira perdeu 4-0 (em 1993), na segunda (em 1998) a coisa correu pior, saindo derrotado por 9-1, num jogo em que Jardel marcou 7 golos (entre os quais aquele que ele próprio considerou o melhor da sua carreira). Lamentavelmente nunca jogou contra o Benfica (nem contra o Sporting), até porque nunca atingiu a 1ª divisão - apesar de, no final dos anos setenta, e no início dos anos oitenta, ter estado muito próximo de o conseguir (por três vezes, 77-78, 78-79 e 80-81 ficou a uma simples vitória). Na Taça de Portugal chegou duas vezes aos quartos-de-final, a última das quais em 1982.
Se o leitor quiser saber um pouco mais sobre a história do clube eborense, recomendo um espaço que lhe dediquei aqui ao lado, com fotos novas e antigas, com toda a carreira na Taça de Portugal e nos campeonatos nacionais, com o plantel, e até com a razão de ser do meu juventudismo (que, embora vestindo de azul-e-branco, tem uma águia no seu emblema).
Ficam também os onzes que eu escalaria para este fim-de-semana. Do Benfica, e…claro, do Juventude de Évora.
Se aquele livre de David Luíz, já em tempo de descontos, tivesse entrado na baliza do Schalke, a vida do Benfica na Liga Europa estaria agora muito mais simplificada.
Bastaria esse golo (e o consequente empate) para que os encarnados terminassem a Champions como um dos melhores terceiros classificados, e entrassem no sorteio da próxima semana como cabeças-de-série, à semelhança do que acontece com FC Porto, Sporting e Sp.Braga. Infelizmente, assim não foi.
O primeiro efeito prático desta situação é que o Benfica (ao contrário dos restantes clubes portugueses) terá de jogar a segunda mão dos dezasseis-avos-de-final fora de casa. Pior que isso é a substancial diferença entre o lote de equipas que poderia ter pela frente, e aquele que efectivamente terá.
Falta ainda uma jornada da Liga Europa, mas é já possível antever a maior parte dos clubes primeiros classificados dos respectivos grupos, e como tal, possíveis adversários da equipa da Luz. Eles são então os seguintes:
Liverpool e Manchester City (INGLATERRA), Zenit São Petersburgo, CSKA Moscovo e Spartak Moscovo (RÚSSIA), Bayer Leverkusen e Estugarda (ALEMANHA), Ajax Amesterdão, PSV Eindhoven e Twente (HOLANDA), Villarreal (ESPANHA), Paris St-Germain (FRANÇA) e Dínamo Kiev (UCRANIA).
Se a derradeira ronda da fase de grupos for muito favorável, é possível que o Benfica se livre de Manchester City (por troca com o Lech Poznan), e do Villarreal (por troca com o Paok Salónica, ou com o Dínamo Zagreb). Quanto aos outros, embora subsistam ténues hipóteses matemáticas (nomeadamente nos casos PSV, PSG e D.Kiev), a verdade é que dificilmente fugirão a este lote.
FC Porto, Sporting e Sp.Braga serão cabeças-de-série, e como tal poderão ter pela frente pérolas como o Young Boys, o Metalist, ou Bate Borisov, tendo apenas, eventualmente, o Sevilha (ainda não qualificado) como adversário a evitar.
Recorde-se que não pode, para já, haver encontros entre clubes do mesmo país.
Existem poucas palavras que possam descrever o meu estado de espírito quando ontem, após o 2º golo do Schalke, e com nove minutos por jogar, abandonei a Luz em passo apressado.
O Benfica estava afastado da Europa do futebol, e não fosse um golo milagroso do Lyon (que ouvi já no carro com alívio), seria esse o seu destino. Seria, direi mesmo, um destino merecido.
A participação do Benfica nesta edição da Champions League foi um fracasso total. Se para a carreira errática no campeonato ainda existem algumas atenuantes, para o desempenho europeu não encontro qualquer explicação convincente - e bem precisava delas. À excepção de 70 minutos na Luz com o Lyon, tudo o resto foi desastroso, e este jogo com o Schalke espelhou bem esse desastre.
Ironicamente acabou por ser Lisandro Lopez, com um golo e uma assistência, a salvar o Benfica, permitindo-lhe entrar, ainda que pela porta dos fundos (será a única equipa portuguesa a não ser cabeça-de-série) na Liga Europa.
Continuo sem perceber o total apagamento de Saviola, que depois de dois jogos assim-assim, voltou à nulidade que tem acompanhado quase toda a sua temporada. David Luiz é outro caso inexplicável. Mas a forma indolente como toda a equipa entrou em campo (numa partida decisiva) – coisa que se tem repetido jogo após jogo – é, para mim, o maior mistério. Poderia eventualmente falar de questões físicas, mas o período menos mau do Benfica ocorreu justamente na ponta final, o que nos afasta dessa equação. Haverá quem não tenha vontade de ganhar? Só lá dentro se saberá. De fora, é o que parece.
Quem não tem muita vontade de acompanhar a equipa são os seus adeptos. O tempo não ajudou, mas, caramba, era um jogo da Champions League, decisivo para permanecer na Europa. Aqueles que ficaram em casa não mereciam pois muito mais do que aquilo que o Benfica lhes deu. Os poucos que lá foram, esses sim, têm razões para dar largas à revolta.
Howard Webb é dos melhores árbitros do mundo. É pena que os auxiliares não estejam à sua altura.
O treinador adjunto do FC Porto tem razão: é de facto massacrante ver o FC Porto receber dois pontos que não merecia, sobretudo se oferecidos por uma arbitragem desastrosa.
Mais massacrante ainda é verificar que, nas 13 jornadas já disputadas, em 7 delas (Figueira da Foz, Vila do Conde, Guimarães e Choupana, fora; Beira-Mar, Sp.Braga e V.Setúbal, em casa) o FC Porto foi directamente beneficiado com lances verdadeiramente caricatos. Se juntarmos ao que se passou em muitos dos jogos do Benfica, quase teríamos matéria para escrever um livro: “O Livro Negro da Liga 2010-11”.
É também curioso observar os momentos em que todos estes episódios ocorreram. Justamente nas primeiras jornadas (quando ainda se sentia o temor de um novo super-Benfica), e agora, que a equipa portista dá sinais de pronunciada quebra. Ou seja, quando é preciso.
Vamos ao balanço da jornada:
BENFICA-OLHANENSE
O golo anulado ao Olhanense não oferece dúvidas. Terei de dizer, contudo, que o lance protagonizado por David Luiz dentro da área me parece passível de grande penalidade, sendo todavia bastante difícil de analisar.
De resto, uma arbitragem sem categoria, cheia de pequenos equívocos, e muitas indecisões.
Resultado Real: 2-1
U.LEIRIA-SP.BRAGA
Foi o próprio presidente do Sp.Braga que veio a terreiro defender o árbitro. Fez bem, pois tem ainda a agradecer-lhe os três penáltis com que, na época passada, venceu o V.Guimarães, num momento importante do campeonato.
Neste jogo, admito que a segunda grande penalidade possa ser duvidosa, aceitando todavia o critério seguido. A expulsão de Matheus foi também um pouco forçada.
Resultado Real: 2-1
PORTIMONENSE-SPORTING
O 3º golo do Sporting é irregular, pois Maniche desvia a bola com a mão, movimento decisivo para a trajectória que ela seguiu rumo à baliza.
Em poucos dias, é a segunda vez que jogadores do Sporting utilizam as mãos para marcar golos. Com o Lille assistíramos a um verdadeiro lance de voleibol, que, incrivelmente, nem uma dezena olhos (dos cinco árbitros) conseguiu ver.
Lembrei-me, nesse momento, das palavras de Paulo Bento há uns anos atrás: Futebol, pé, Voleibol e Andebol, mão.
Resultado Real: 1-2
FC PORTO-V.SETÚBAL
Mais um jogo do FC Porto marcado pelo escândalo. É uma situação que se tem repetido, e que lança uma densa mancha sobre a credibilidade desta edição da Liga.
Não é com boicotes, nem comunicados que isto se resolve. O Benfica tem de actuar no terreno, nos bastidores, onde for necessário, e tem de saber usar a sua força para impedir que isto continue a acontecer.
O penálti assinalado a um minuto do intervalo, e que condicionou todo o jogo, não se vê em nenhum estádio da Europa. A farsa da repetição do penálti a favor do V.Setúbal (assinalado pelo assistente) vai ficar por explicar. A expulsão poupada a Fucile foi a cereja do topo de um bolo demasiado rançoso para ser digerido. Etiquetas: real 10-11
Mesmo com uma nota artística bastante baixa, mesmo com algum sofrimento, o Benfica lá conseguiu aquilo que mais lhe interessava: alcançar a oitava vitória em nove jogos, e colocar alguma pressão sobre o líder do campeonato.
Tal como em diversas outras ocasiões nesta temporada, a equipa encarada revelou, desde o apito inicial, um problema de velocidade, ou, se preferirmos, de intensidade de jogo. Entrou em campo a passo, quase não fazendo pressão - o que permitiu ao adversário criar alguns problemas junto da sua linha defensiva -, e sem a imaginação suficiente para criar oportunidades de golo que se vissem. Pareceu, no fundo, acreditar que, mais tarde ou mais cedo, o golo iria cair do céu.
A verdade é que caiu mesmo. Não propriamente do céu, mas das mãos de Moretto, que teve um regresso à Luz totalmente desastrado, dando razão a todos aqueles que não o queriam ver por lá.
Até esse momento, a história da primeira parte fora uma história de embalar, tal a forma sonolenta como as equipas se foram passeando pelo campo, cabendo aqui, obviamente, muito maiores responsabilidades ao Benfica.
No segundo período, e já em vantagem, a equipa da Luz mostrou um pouco mais de entusiasmo. Nunca chegou a um nível elevado, mas teve, pelo menos, o condão de não deixar que as imediações da sua área sofressem qualquer tipo de ameaça.
Sabendo como são estas coisas, os adeptos foram todavia sentindo, à medida que o tempo passava, e o resultado permanecia tangencial, o perigo de um final pouco feliz. O golo de Saviola descansou o estádio, e colocou um ponto final numa noite fria, dentro e fora do rectângulo de jogo.
Destaque individual para a dupla de avançados, que fez aquilo que normalmente se lhes pede, ou seja, golos. Saviola, em particular, revelou uma vivacidade que nos últimos tempos se lhe não vira com frequência. Desconheço o que se terá passado com ele em Israel, mas o que quer que tenha sido, teve o condão de nos trazer um Saviola (de felicidade ou de raiva) muito mais próximo daquilo que se espera de um craque como ele.
A arbitragem foi fraquinha, mas não teve qualquer interferência no resultado.