30/10/09
CASO PARA DESCONFIAR...
29/10/09
28/10/09
CLASSIFICAÇÃO REAL
Esta terá sido, provavelmente, a jornada com mais decisões polémicas, desde que se iniciou a Liga.
Em todos os jogos se verificaram vários erros graves, ainda que em termos de pontos só uma partida (a de Vila do Conde) origine correcções.Etiquetas: real 09-10
LEÃO SEM JUBA
Apesar de toda a cortina depressiva que se estende em redor da equipa, a verdade é que Sporting não está a fazer em 2009-10 muito pior do que fez nas últimas épocas.
Faz agora um ano (estávamos pois em 2008-09), os leões acabavam de perder em casa com o Leixões, e tinham, à 8ª jornada, somente mais um ponto do que têm agora – e os mesmos que somavam em 2005-06. Há duas épocas (2007-08) tinham perdido 9 pontos nos primeiros oito jogos, o que também está longe de ser um registo empolgante. Em 2006-07 fizeram um pouco melhor, cedendo ainda assim 7 pontos.
Com a excepção de 2006-07 (em que estava por esta altura a apenas 2 pontos da liderança), a regra deste período tem-nos mostrado o Sporting a atrasar-se logo na alvorada do campeonato, ficando rapidamente para trás no comboio de um título que não vence desde 2002. Tudo foi sempre tolerado, tudo foi sempre entendido. Só esta época a contestação se generalizou.
O que mudou agora?
A resposta é clara: o que mudou, e muito, foi o…Benfica.
A relação do Sporting com o Benfica tem algo de doentio, e está muito para além da rivalidade natural entre dois grandes clubes. Trata-se no fundo de uma relação de dependência, ou, sendo um pouco mais duro, de subalternidade.
Na verdade, o Sporting não sobrevive sem o Benfica (sua verdadeira razão de ser), e os seus adeptos, mais do que com as vitórias próprias, satisfazem-se com os fracassos do vizinho - algo que não se vê, na mesma medida, no FC Porto, cujas glórias internacionais permitiram libertar para uma espécie de auto-suficiência desportiva.
Essa atitude paroquiana do mundo sportinguista é a principal responsável pelas ilusões em que o clube embarcou nos últimos anos: a de que discutia verdadeiramente os títulos com o FC Porto, a de que tinha crescido competitivamente face ao passado, e a de que tinha deixado o Benfica irremediavelmente para trás.
Já aqui demonstrei que, ao contrário do que as classificações finais possam indiciar (e do que em Alvalade se apregoa), foi o Benfica, e não o Sporting, a dar alguma luta à hegemonia FC Porto nestes anos: já depois dos dois segundos lugares de Camacho, do título de Trappatoni, e da Liga dos Campeões de 2005-06, foi o Benfica de Fernando Santos que a sete jornadas do fim discutiu a liderança com o FC Porto na Luz (1-1), foi o Benfica de Quique que comandou a classificação durante dois meses e foi campeão de Inverno, e até Camacho, quando se demitiu, mantinha o 2º lugar com 6 pontos de avanço sobre o Sporting. Só a total desmobilização encarnada sempre que se viu afastado do primeiro lugar foi permitindo ao Sporting (fortemente motivado pela perspectiva de ultrapassar o rival) chegar ao segundo. Em termos internacionais, outro equívoco: nas últimas quatro épocas o Benfica participou em tantas edições da Liga dos Campeões como o Sporting, chegando numa delas aos quartos-de-final, algo que o Sporting não conseguiu.
Desde 2005 – quando, com Peseiro, jogava um excelente futebol, mas ficou, pela última vez, atrás do Benfica – o Sporting não melhorou em nada. Limitou-se a aproveitar os problemas do rival para, com segundos lugares fortuitos, satisfazer adeptos pouco exigentes. O estado actual do clube de Alvalade não significa mais do que o esbarrar com a realidade que a crise benfiquista foi escondendo.
Culpas de Paulo Bento? Não creio. Olhando para o onze apresentado esta noite em Guimarães, vemos no Sporting um grande jogador (Liedson), um bom jogador (João Moutinho), três jogadores razoáveis (Miguel Veloso, Vukcevic e Matias Fernandez), e tudo o resto é mediocridade.
Outro problema de fundo do clube reside, por paradoxal que pareça, na aposta na formação. Jogadores como Daniel Carriço, Adrien Silva, Yannick Djaló, Carlos Saleiro, André Marques, Bruno Pereirinha ou mesmo Rui Patrício, no Benfica ou no FC Porto estariam seguramente emprestados (ou dispensados), enquanto no Sporting – para além das necessidades decorrentes de uma situação financeira débil - parece haver sempre quem espere deles novos Cristianos Ronaldos, Simãos ou Nanis (que, verdade se diga, há muito deixaram de aparecer em Alcochete). A estratégia de privilegiar a formação é bonita, simpática, pode até ser interessante em termos económicos, mas não dá títulos. E esse balanço está por fazer em Alvalade.
Ao treinador será lícito argumentar com as debilidades orçamentais. Já quanto aos dirigentes tal não faz o menor sentido, pois é a eles, e a mais ninguém, que cabe a tarefa de encontrar formas de eliminar essa limitação. Embora Paulo Bento pareça cada vez mais impotente para reverter uma situação que, nos termos actuais, é de facto irreversível, seria apropriado ver José Bettencourt assumir também algumas responsabilidades. Ou então, pelo menos, dizer a verdade aos sócios e adeptos: o Sporting está de tanga, tem uma equipa miserável, e assim não pode ser candidato a coisa nenhuma, tendo de encetar um longo caminho (porventura de alguns anos) até recuperar o seu estatuto histórico no futebol português. Nada que o Benfica não tenha feito desde 2001, ao que parece, com sucesso. 27/10/09
JESUS NO BANCO, DEUSES NA RELVA E UMA EQUIPA DOS DIABOS
Já não há qualquer dúvida: aconteça o que acontecer em Braga, este Benfica de Jorge Jesus é uma super-equipa, que nos últimos vinte anos do futebol português só encontra termo de comparação no também soberbo FC Porto de José Mourinho.
É verdade que aquele confirmou com títulos a sua qualidade futebolística. Não sabemos ainda se o Benfica terá a mesma dose de sorte, se será capaz de manter os mesmos índices de confiança, se, enfim, materializará no fim da época todo este terramoto de bom futebol e golos que tem feito tremer o país desportivo, e que tem deleitado os seus, cada vez mais fiéis, adeptos. Além de que em 2003-04 o FC Porto não jogava sozinho, e o Benfica, como hoje se percebeu na actuação do fiscal-de-linha do lado dos balneários, tem ainda muitos adversários com que se confrontar dentro e fora do campo.
Não falo pois de resultados – esses só mais tarde poderão ser devidamente ponderados. Falo de futebol jogado, e nesse particular a comparação feita acima é a única que me ocorre.
Pelos mesmos motivos, não adiantará recordar que também na época passada, com Quique Flores, os encarnados mantiveram a liderança da Liga durante várias jornadas, lutando pelo título até à entrada do último terço da prova. Quem vê esta equipa e viu aquela, percebe bem as diferenças. Independentemente das classificações, mais do que o dobro, com Jesus joga-se o triplo ou o quádruplo do futebol que se jogava.
Muitos ainda esperam que o Benfica venha a ceder ao desgaste físico, e, mais cedo ou mais tarde, acabe por ver quebrado seu ritmo competitivo. Não excluindo tal eventualidade, diga-se todavia que a principal força deste Benfica não está no seu fulgor atlético, mas antes na superior classe dos seus jogadores, e numa organização táctica e estratégica que a sabe potenciar. O modelo de jogo do Benfica exige concentração e agressividade, mas nem sequer obriga os jogadores a correr em demasia: a maior parte das recuperações de bola é feita no meio-campo adversário, cabendo à arte dos criativos a tarefa de desequilibrar, e aos avançados a de finalizar. Será assim difícil que, depois de descoberto o segredo do cofre, este conjunto regrida o suficiente para pôr em causa a sua capacidade global enquanto candidato ao título. Em condições normais, teremos pois um Benfica fortíssimo até final da temporada, com todos os predicados exigíveis ao grande campeão em que ameaça vir a tornar-se.
A crónica ao jogo de hoje quase poderia ser decalcada da anterior, e da maioria dos 25 jogos (entre particulares e oficiais) já feitos nesta temporada. Um luxo, uma delícia, um regalo, um primor, são já palavras gastas. A continuar este estado de coisas, ao cronista não restará outra alternativa que não abandonar a prosa e enveredar pelo verso, mais de acordo, aliás, com aquilo que se vai passando no relvado da Luz. 23/10/09
UMA DELÍCIA !
Os três golos marcados nos primeiros sete minutos do segundo período resolveram o jogo, e transportaram o Benfica para uma dimensão superior. Uma dimensão de onde voltou a tocar nas estrelas, como reiteradamente tem feito nesta temporada. É verdade que, como diz a máxima, uma equipa joga o que a outra deixa – e o Everton, a perder 4-0, foi ao tapete. Mas foi o Benfica, o talento dos seus inspiradíssimos jogadores, a força do seu futebol, que atropelou e esquartejou a equipa inglesa. Foram Saviola, Cardozo, Aimar e Di Maria (sobretudo este quarteto), que transformaram um jogo difícil numa noite para recordar.
É quase criminoso individualizar alguém numa noite como esta, mas Saviola justifica amplamente esse destaque. O avançado argentino realizou a sua melhor exibição desde que está no Benfica, e provavelmente também dos últimos anos da sua carreira. Encheu o campo com a classe de um príncipe e marcou dois golos com a eficácia de um vilão. Como numa banda desenhada, El Conejo pincelou a noite com traços de magia, abriu tesouros, derreteu resistências. Escreveu com os seus aveludados pés o final feliz de uma história de encantar. E vão 11 golos com a camisola do Benfica.
Seis árbitros ? Não vi nenhum.
22/10/09
21/10/09
UM BREVE BALANÇO EUROPEU


2000/01 UEFA
R1: Halmstads BK (SWE), 1-2* & 2-2
2003/04 CAMPEÕES
Q3: Lazio Roma (ITA), 1-3* & 0-1 UEFA
R1: RAA La Louviere (BEL), 1-1* & 1-0
R2: Molde FK (NOR), 3-1 & 2-0*
R3: Rosenborg Trondheim (NOR), 1-0 & 1-2*
R4: Internazionale Milano (ITA), 0-0 & 3-4*
2004/05 CAMPEÕES
Q3: Anderlecht Brussels (BEL), 1-0 & 0-3*UEFA20/10/09
ROTATIVIDADE SIM, AFROUXAMENTO NÃO !
CONFIRMAR QUALIDADES
Dentro do ciclo que agora se inicia, as próximas duas semanas são particularmente difíceis, e deverão deixar já sinais claros sobre a verdadeira força do conjunto de Jesus. Na próxima quinta-feira os encarnados recebem o Everton, quatro dias depois recebem o Nacional, no sábado seguinte vão a Braga, para se deslocarem a Liverpool cinco dias depois, recebendo por fim a Naval. Cinco jogos que não deixarão margem para dúvidas, caso o Benfica deles se saia bem.
E o que será sair-se bem? Ganhar todos eles?
Não necessariamente. Um empate em Braga não será um mau resultado, e quatro pontos no duplo confronto com os ingleses serão suficientes para abordar as últimas duas jornadas do grupo com total confiança face ao apuramento. Ora, isto significa que os próximos dois jogos em casa (Everton e Nacional) são extraordinariamente importantes, e que as respectivas vitórias são, elas sim, imprescindíveis para não deixar esfumar a onda de euforia e apoio que tem envolvido a equipa desde a pré-época. Mais importante do que vencer em Braga ou em Liverpool, onde um eventual percalço será decerto bem compreendido, importa não esbanjar pontos em casa, nem permitir que, com isso, se instale de novo a descrença e a intranquilidade que tem marcado os últimos anos do clube, e que será rapidamente aproveitada pelos rivais para o tentar desestabilizar.
A MINHA CONVOCATÓRIA
19/10/09
VENHA A BÓSNIA !
Voltando ao futebol, diga-se que a grande força da Bósnia está no seu ataque, onde dispõe jogadores como Misimovic, Ibisevic e, sobretudo, Dzeko, o grande goleador da equipa e estrela maior do Wolfsburgo, vencedor da Bundesliga na última temporada. Os números globais mostram-nos um dos melhores ataques da fase de grupos, mas também uma defesa permeável, algo que Portugal terá de saber explorar. O apuramento para este play-off concretizou-se fundamentalmente com base nas seis vitórias em seis jogos diante de Bélgica, Arménia e Estónia – a Bósnia não ganhou nenhum jogo à Espanha nem à Turquia, as mais cotadas equipas do seu grupo (ver quadro acima).
Seria preferível decidir a eliminatória na Luz, aspecto em que o sorteio não nos bafejou. O segundo jogo vai ser fora, provavelmente em Zenica, cidade industrial a 70 kms de Sarajevo, onde a selecção bósnia realizou todas as partidas desta qualificação. É um estádio pequeno, e o clima de Novembro não deve ser nada favorável. Imagina-se que os bósnios - pelo seu passado guerreiro, e pelo seu sangue meio balcânico, meio muçulmano - não sejam flores que se cheirem, sendo de esperar um ambiente tremendamente hostil.A FESTA DO GOLO

16/10/09
UMA FINAL RIMA SEMPRE COM CAPITAL
15/10/09
É SÓ ESCOLHER...




MISSÃO CUMPRIDA, SONHO VIVO
Não seria de esperar outra coisa. Portugal aproveitou, como lhe competia, as circunstâncias que uma feliz carambola de resultados lhe havia proporcionado no último sábado, e qualificou-se para o Play-Off de acesso ao Mundial.
É como que um voltar à estaca zero, depois ultrapassar momentos em que tudo se afigurava perdido. Não é um feito – num grupo como este Portugal teria de ser considerado favorito ao apuramento directo -, mas antes um alívio. É uma nova vida para uma selecção que, nestas últimas partidas, voltou a reencontrar a sua identidade, e, de certa forma, recuperou a paixão do povo.
O jogo teve pouca história. O guião estava escrito à partida, e a dúvida residia apenas em saber a que minuto Portugal marcaria o primeiro golo.
Queiroz surpreendeu ao retirar Bruno Alves para fazer entrar Pepe (mantendo desse modo Pedro Mendes no onze), rendendo-se também à evidência de ter de trocar o sofrível Duda por Miguel Veloso (o lateral-esquerdo do Sporting e da Selecção para muitos anos, caso ele queira sê-lo).
Toda a primeira parte foi de grande pressão da Selecção Nacional, que mostrou não querer brincar com a situação favorável que se lhe apresentava por diante. Foi essa atitude – que terá faltado, por exemplo, no jogo de Braga com a Albânia – que tornou as coisas fáceis. O segundo golo, a fechar a primeira parte, seguido de um terceiro, á abrir a segunda, foram golpes demasiado profundos numa simpática Malta que nada tinha a perder nem a ganhar. O jogo acabou aí.
Queiroz pôde então poupar os amarelados, e a equipa limitou-se a aguardar pelo apito final, certa que estava da concretização do seu objectivo. O quarto golo apenas serviu para abrilhantar a noite, e agraciar o fantástico público de Guimarães, que tal como o da Luz no passado sábado, respondeu à chamada com fervor, patriotismo e esperança.
Segue-se um dramático Play-Off. Qualquer das equipas que nos pode calhar em sorte é superior à Hungria, e incomparavelmente mais forte que esta modesta Malta. Talvez a Eslovénia fosse o adversário ideal, mau grado a sua capacidade defensiva. A Irlanda, do nosso bem conhecido Giovanni Trappatoni, também poderá ser um bom adversário. Ucrânia (de Milevsky, Timoschuk e Shevchenko) e Bósnia-Herzegovina (de Ibisevic, Misimovic e Dzeko) serão de evitar.
Com a Selecção no seu melhor, os portugueses terão uma alegria. Veremos contudo como se encontram os jogadores nucleares da equipa portuguesa dentro de um mês, a começar por Cristiano Ronaldo.
14/10/09
QUEREMOS MAIS...
OPORTUNIDADE DE OURO
Queiroz cometeu o erro crasso de querer alterar de forma abrupta todo o legado que Scolari havia deixado. Perdeu pontos, foi criticado, expôs-se, e expôs Portugal a uma profunda desilusão. Mas deve reconhecer-se que, a dado passo, inflectiu o seu caminho, e nas últimas convocatórias pouco há a apontar-lhe. Tem hoje o seu grupo mais ou menos definido, dispondo agora de todas condições para cumprir o objectivo básico de chegar ao Mundial. Certamente ele próprio estará arrependido de algumas das opções que tomou e de algumas frases que proferiu.
Também por este motivo, não creio que faça muito sentido que alguns sectores da opinião pública (em que, de resto, me incluo), que não viram com bons olhos o seu regresso à selecção, e menos ainda a sua entrada de elefante em loja de porcelanas (entre afirmações bombásticas e convocatórias ridículas), insistam agora nas críticas mais veementes e numa antipatia pessoal que não é muito diferente da que outros dispensaram a Scolari durante vários anos. Nem a convocação de Liedson (com a qual não concordo) será argumento, pois foi justamente com Felipão que os naturalizados tiveram entrada na equipa.
A Selecção Nacional é, sempre foi, e continuará a ser a equipa de todos nós, quer o seleccionador tenha bigodes, quer não tenha, e quaisquer que sejam os jogadores que conjunturalmente a representem. É esse o espírito de pacificação a que estes últimos resultados abriram espaço, e é essa a porta por onde os verdadeiros adeptos do futebol português podem e devem agora entrar, no sentido de recuperar a alma que nos levou a uma final de um Europeu, e a umas meias-finais de um Mundial.
Eu já entrei por essa porta. Viva Portugal !PS: Será já com a qualificação para o play-off garantida, que espero ver um palpitante e decisivo Uruguai-Argentina. De um lado Maxi Pereira, Álvaro Pereira, Fucile e Cristian Rodriguez (e Forlán). Do outro, Aimar e Di Maria (e Messsi). Uma repetição da final do primeiro Mundial (em 1930), um duelo apaixonante entre vizinhos e rivais, que poderá deixar uma das selecções de fora do África do Sul-2010. Por vários motivos, seria uma pena que fosse a Argentina...
13/10/09
INÉDITO
12/10/09
PORREIRO, PÁ !
Depois de muitas voltas e reviravoltas, a Selecção Nacional lá acabou por conseguir colocar-se numa situação privilegiada para aceder ao Mundial 2010.
Bastará agora ganhar à simpática Malta, e depois ultrapassar Bósnia, Irlanda, Eslováquia ou Ucrânia, o que não sendo favas contadas (principalmente no caso desta última), não pode deixar de despertar o optimismo dos portugueses, sobretudo levando em conta que há bem pouco tempo atrás tudo parecia irremediavelmente perdido.
Mas este passo em frente não pode ser dissociado do que aconteceu em Copenhaga, local onde verdadeiramente se jogava o nosso destino. Foi o golo de Poulsen frente à Suécia que abriu caminho à equipa de Queiroz, e foi ele que evitou que a partida da Luz se tornasse num verdadeiro funeral à nossa selecção e, sobretudo, ao seleccionador.
O mérito português é pois bastante relativo, quer na conjugação de factores que abriu a porta à classificação actual, quer também, diga-se, nos contornos da própria vitória portuguesa sobre a Hungria, obtida com uma exibição sofrida, intranquila e despida de classe, que resultou bem sucedida mais por via de fraquezas adversárias do que por virtudes próprias.
Durante 75 minutos a Selecção Nacional não foi capaz de impor o seu jogo de forma clara, deixando sempre a sensação que as coisas poderiam acabar por correr mal, tal como tinha sucedido há um ano atrás em Alvalade diante da Dinamarca. Só no último quarto de hora Portugal foi efectivamente capaz de fazer descansar os 50 mil que quase enchiam as bancadas, e enfim encostar uma selecção húngara fraca, rendida às suas insuficiências e que só por acidente chegou a esta altura com esperanças numa qualificação.
É verdade que há problemas insanáveis na equipa portuguesa - Duda, por exemplo, é o lateral-esquerdo que se pode arranjar, estando todavia longe, muito longe, da classe exigível a uma selecção com ambições. Mas o principal problema é a dinâmica de jogo, e, arriscaria a dizê-lo, a auto-confiança (ou falta dela) com que aborda os desafios que lhe são colocados por diante. Vê-se algum talento avulso, vê-se profissionalismo e entrega, vê-se até ambição, mas falta aquela dose de confiança e de segurança que faz a diferença entre as grandes selecções e as que se ficam pelas vitórias morais.
Não faz sentido hoje, às portas de 2010, voltar a falar de Scolari. Mas não deixa de ser estranho que aquilo que sempre foi a grande arma do brasileiro – o aspecto psicológico – continue a ser, tanto tempo depois, a principal fragilidade da selecção de Queiroz. Passam por aí grande parte dos problemas da equipa, e passa também por aí algum do divórcio dos adeptos face a ela, sentido claramente ao longo destes últimos meses. Diga-se no entanto a este respeito que, na noite de sábado, quer pelo número de espectadores presentes (surpreendente pela positiva), quer pelo ambiente vivido no estádio, quer pelo cheiro a sucesso que esta jornada despertou, a animosidade de muitos portugueses para com esta selecção pode ter ficado, em larga medida, dissipada, havendo espaço para o ressurgimento de uma onda de apoio aproximada à de há uns tempos atrás.
Também por isso não haverá, a partir de agora, desculpas para Portugal ficar do lado de fora do Mundial. Depois, na África do Sul - como se espera e deseja -, talvez já não possa haver muito para esperar desta equipa. Mas essa análise virá a seu tempo. 