APENAS SIMPÁTICO
Roberto Martinez despertou-me sentimentos ambivalentes. Por um lado, pareceu sempre uma pessoa estimável, bastante educada e afável, que dava vontade de apreciar. Por outro, quando via a equipa jogar, desconfiava bastante da sua competência técnico-táctica. Sobre este último aspecto, o Mundial tirou todas as dúvidas: era treinador de menos para aquele plantel.
Scolari também não era um mago da táctica, mas soube, não só construir um grupo à prova de bala e cativar o povo português em seu redor, como também aproveitar inteligentemente o trabalho de terceiros, designadamente quando percebeu que o FC Porto de Mourinho, campeão europeu em 2004 com bastantes portugueses no onze titular, tinha obviamente que ser a base da selecção nacional. Não venceu, mas ficou lá perto.
Scolari também não era um mago da táctica, mas soube, não só construir um grupo à prova de bala e cativar o povo português em seu redor, como também aproveitar inteligentemente o trabalho de terceiros, designadamente quando percebeu que o FC Porto de Mourinho, campeão europeu em 2004 com bastantes portugueses no onze titular, tinha obviamente que ser a base da selecção nacional. Não venceu, mas ficou lá perto.
Com Martinez no banco, Portugal precisava, pelo menos, da sorte que Fernando Santos (outro homem estimável, outro treinador mediano) teve em 2016, tanto nos jogos, como no emparelhamento das equipas até à final. Acontece que tamanha fortuna só cai do céu uma vez na vida, e a nossa selecção esgotou todo o seu plafond nessa competição - ao longo da qual, lembremo-nos, apenas venceu uma das sete partidas dentro dos 90 minutos e acabou campeão.
O técnico espanhol sempre foi difícil de decifrar. As suas convocatórias foram por vezes estranhas, e não esqueço que, para Bola de Ouro, uma vez votou em...Brozovic (!?!). Vendo a equipa jogar mal, ainda pensei, num benefício da dúvida que levei até onde pude, que a estivesse a preparar para grandes confrontos de "mata-mata", em que era preciso especular, defender, arrastar o jogo e procurar o erro contrário. A realidade mostrou que o erro não era contrário, e estava em todo o lado, que a equipa defendia mal, não se mexia, não evidenciava qualquer tipo de organização, e apostava apenas no factor sorte. E era preciso muita.
E chegamos a Cristiano Ronaldo. Depois de Fernando Santos o ter colocado no banco, em 2022, e, acto contínuo, ser despedido, a primeira coisa que Martinez fez quando foi contratado foi visitar CR7 na Arábia Saudita - decerto para lhe dizer que a selecção ia ser ele e mais dez, fazendo também a vontade a uma FPF que tem lucrado milhões com a imagem do antigo Bola de Ouro. Não sei, e talvez nunca venhamos a saber, se o espanhol foi de algum modo coagido a utilizar Ronaldo (em nome das receitas comerciais), ou se tinha mesmo a convicção da sua utilizade no onze titular. O que é certo é que, não só insistiu até à náusea num avançado que já não consegue correr nem saltar, como resistiu sempre a tirá-lo de campo, que mais não fosse para lhe poupar algumas energias na ponta final de certas partidas - contra tudo aquilo que era óbvio para quem visse os jogos. E se a presença de Ronaldo na selecção ainda divide os portugueses, para além dele próprio, da mãe e das irmãs, não haverá mais ninguém que ache que, aos 41 anos, deva realizar todos os minutos de todos os jogos. Por dever, ou por falta de coragem, Martinez seguiu pelo caminho mais fácil, o de agradar ao dono disto tudo, e assim comprar uma paz de balneário que, desconfio, seja mais podre do que aparenta. Caiu com estrondo.
Roberto Martinez não deixa, pois, quaisquer saudades. Deixa sim uma interrogação: porque motivo foi contratado?
Venha o senhor que se segue. Toda a gente que visita este espaço sabe o que penso de Jorge Jesus: um extraordinário treinador, que põe equipas a jogar e a ganhar. Isso aconteceu em quase todos os clubes por onde passou. Não tenho a certeza que o papel de seleccionador lhe assente assim tão bem. Sem tempo para treinar, com jogos de tempos a tempos, tem pela frente um desafio muito diferente de qualquer outro que teve até agora. Não terá, certamente, a diplomacia de Martinez ou Fernando Santos, coisa que não é despicienda num cargo como este. Enfim, vamos esperar para ver.
A curiosidade maior, o elefante na sala, é perceber se Cristiano Ronaldo se mantém na equipa, e se a continua a bloquear com a sua omnipresença. Se CR7 tivesse decidido abandonar a selecção, pelo seu pé, há quatro anos atrás, seria digno do meu aplauso. Se a abandonar agora, apenas merece o meu registo e o meu alívio. Se não tomar essa decisão, veremos que força será dada a Jorge Jesus para ser ele a fazê-lo.
Há jogos já em Setembro. Não temos de esperar muito para saber.
O técnico espanhol sempre foi difícil de decifrar. As suas convocatórias foram por vezes estranhas, e não esqueço que, para Bola de Ouro, uma vez votou em...Brozovic (!?!). Vendo a equipa jogar mal, ainda pensei, num benefício da dúvida que levei até onde pude, que a estivesse a preparar para grandes confrontos de "mata-mata", em que era preciso especular, defender, arrastar o jogo e procurar o erro contrário. A realidade mostrou que o erro não era contrário, e estava em todo o lado, que a equipa defendia mal, não se mexia, não evidenciava qualquer tipo de organização, e apostava apenas no factor sorte. E era preciso muita.
E chegamos a Cristiano Ronaldo. Depois de Fernando Santos o ter colocado no banco, em 2022, e, acto contínuo, ser despedido, a primeira coisa que Martinez fez quando foi contratado foi visitar CR7 na Arábia Saudita - decerto para lhe dizer que a selecção ia ser ele e mais dez, fazendo também a vontade a uma FPF que tem lucrado milhões com a imagem do antigo Bola de Ouro. Não sei, e talvez nunca venhamos a saber, se o espanhol foi de algum modo coagido a utilizar Ronaldo (em nome das receitas comerciais), ou se tinha mesmo a convicção da sua utilizade no onze titular. O que é certo é que, não só insistiu até à náusea num avançado que já não consegue correr nem saltar, como resistiu sempre a tirá-lo de campo, que mais não fosse para lhe poupar algumas energias na ponta final de certas partidas - contra tudo aquilo que era óbvio para quem visse os jogos. E se a presença de Ronaldo na selecção ainda divide os portugueses, para além dele próprio, da mãe e das irmãs, não haverá mais ninguém que ache que, aos 41 anos, deva realizar todos os minutos de todos os jogos. Por dever, ou por falta de coragem, Martinez seguiu pelo caminho mais fácil, o de agradar ao dono disto tudo, e assim comprar uma paz de balneário que, desconfio, seja mais podre do que aparenta. Caiu com estrondo.
Roberto Martinez não deixa, pois, quaisquer saudades. Deixa sim uma interrogação: porque motivo foi contratado?
Venha o senhor que se segue. Toda a gente que visita este espaço sabe o que penso de Jorge Jesus: um extraordinário treinador, que põe equipas a jogar e a ganhar. Isso aconteceu em quase todos os clubes por onde passou. Não tenho a certeza que o papel de seleccionador lhe assente assim tão bem. Sem tempo para treinar, com jogos de tempos a tempos, tem pela frente um desafio muito diferente de qualquer outro que teve até agora. Não terá, certamente, a diplomacia de Martinez ou Fernando Santos, coisa que não é despicienda num cargo como este. Enfim, vamos esperar para ver.
A curiosidade maior, o elefante na sala, é perceber se Cristiano Ronaldo se mantém na equipa, e se a continua a bloquear com a sua omnipresença. Se CR7 tivesse decidido abandonar a selecção, pelo seu pé, há quatro anos atrás, seria digno do meu aplauso. Se a abandonar agora, apenas merece o meu registo e o meu alívio. Se não tomar essa decisão, veremos que força será dada a Jorge Jesus para ser ele a fazê-lo.
Há jogos já em Setembro. Não temos de esperar muito para saber.
Quanto a Roberto Martinez, que seja feliz.
1 comentário:
Dá vontade de bater nele por ser tão parvo mas vamos lá ser sinceros. Se me fosse proposto um contrato de 5 ou 6 milhões de euros para treinar a seleção e a única obrigação dosse por o Ronaldo a jogar, eu aceitava sem pestanejar. E ainda punha a titular a Georgina, o filho, a mãe coragem e as badalhocas das irmãs.
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