TEORIA DA RELATIVIDADE

PONTOS À 31ª J
Olhando para os últimos doze campeonatos e para a pontuação à 31ª jornada (em 2013-14 eram apenas 16 equipas e 30 jornadas), salta à vista desde logo que o Benfica somou mais pontos que os rivais. Se considerarmos só os últimos cinco anos, também acontece. Mas vemos, sobretudo, que a pontuação actual, 75 pontos, não anda longe daquilo que é razoável para um candidato ao título. Com 75 pontos nesta mesma altura, o Benfica foi campeão em 2017 e o Sporting foi campeão na época passada. Com apenas mais um ponto (76), o FC Porto  conquistou o título de 2020. 
É interessante notar que os 82 pontos em 31 jogos do FC Porto neste campeonato, não foram ultrapassados por nenhuma equipa em doze anos. E só o próprio FC Porto igualou essa marca em 2022. Ou seja, perante um adversário que faz 82 pontos em 31 jogos é muito difícil ser-se campeão, mesmo sem ter averbado qualquer derrota. Seria necessário bater um record.
Segue-se o quadro com as pontuações dos três grandes neste período:

Os 75 pontos são precisamente o valor da mediana dos três clubes para as 31 jornadas nestes doze anos. E a média é até mais baixa: 73,5.
O Benfica não tem feito um campeonato brilhante. Mas os números mostram que está longe de fazer um campeonato catastrófico. Tem sido apenas razoável, mediano, e isso até podia chegar para ser campeão (em 2005 Trappatoni foi campeão com sete derrotas e tinha 61 pontos à 31ª jornada, menos 14 que a equipa de Mourinho), mas para bater a pontuação fulminante deste FC Porto seria necessário bater records. Isso, como sabemos, não aconteceu.
Para o adepto nada disto interessa, pois a frustração é a mesma. Para quem toma decisões, não pode deixar de pesar. Há coisas a rever, mas não é preciso nenhuma revolução. Aliás, o maior erro na preparação desta temporada terá sido mexer demais numa equipa que havia perdido o título por uma bola ao poste, e a Taça por um pisão na cabeça.

5 comentários:

Anónimo disse...

Conclusão:

com rui costa ao leme do clube as barras são sempre pequeninas e inferiores aos seus oponentes !
Brilhante. rui costa 4ever

Anónimo disse...

"Há coisas a rever, mas não é preciso nenhuma revolução."

https://vedetadabola.blogspot.com/2026/04/reconstrucao.html

Bom, como as coisas mudam em 20 dias...

Anónimo disse...

Temos os mesmos pontos do Sporting?

Anónimo disse...

Que respeito pelo Tondela!

Anónimo disse...

O campeonato português nas últimas décadas é decidido por detalhes. Analisar à 31 jornada introduz o problema das diferenças de calendário, e prefiro não o fazer.

Raramente alguém é campeão sem fazer pelo menos 80 pontos e normalmente é preciso andar nos 85-90. O Benfica pode ainda chegar aos 84 pontos, o que ultimamente seria uma performance para ficar no 1º ou no 2º lugar, mas tendencialmente em 2º.

Concordando com a análise do Luís Fialho, o que está aí em falta é pensar no impacto do número de vitórias na tabela e na percepção dos adeptos. É que o Benfica tem a possibilidade de chegar apenas às 25 vitórias em 34 jogos, e nos últimos 20 anos é raro ser-se campeão com esse registo.

Outra coisa que falta na análise do Luís Fialho, e que escapa à frieza dos números, que é o teste do olho. É que a equipa joga mal. A malta não estava insatisfeita com o Lage por causa dos resultados, mas porque tinha a impressão que a equipa jogava pouco e não dava mais do que aquilo.

O que frustra os adeptos é em 25 jornadas contra adversários mais fracos terem visto a equipa falhar em 5 jogos. Não é muito, mas são 20% dos jogos. Juntando os jogos com os grandes a equipa não ganhou em 30% dos jogos, e isto sem uma grande campanha europeia.
Ter perto de 10 empates dava para ser campeão na década de 80. No século XXI já não dá, e desabituámo-nos desses registos.

Finalmente, o que frustra os adeptos também é o efeito de várias épocas que, não sendo más na pontuação, ficam sempre aquém do objectivo.
Desde o ano do campeonato da covid só por uma vez se conseguiu atingir o patamar pontual que permite ser campeão.