09/10/18

RONALDO? ME NOT

A minha admiração por Cristiano Ronaldo sempre foi meramente futebolística. Acho-o (quem não acha?) um dos melhores jogadores de todos os tempos, e sinto-me privilegiado por ter podido vê-lo jogar muitas vezes – ao contrário de Pelé, Di Stefano ou Eusébio. Agradeço-lhe, também, tudo o que tem feito na Selecção Nacional, onde construiu um palmarés único. As opiniões de quem com ele já trabalhou convergem em tratar-se de um excelente profissional, empenhado e determinado.
Como figura pública (pessoalmente não o conheço) nunca morri de amores por ele. Não esqueço o Benfica-Manchester United de 2005, e também não gosto de ver alguém exibir 14 automóveis num documentário sobre si próprio. Acho-o superficial, materialista, imaturo e pouco polido para alguém com a sua experiência de vida. As origens não explicam tudo, sobretudo para quem leva mais de uma década a viver em diferentes países, a conviver com as mais altas figuras, e a frequentar os locais mais requintados. Gostava de lhe ver, por exemplo, uma maior preocupação social. Gostava de lhe ouvir qualquer coisa quando fala. Gostava que assumisse a condição de grande figura nacional que inegavelmente é – há pouco tempo estive na Índia, e mesmo sem se tratar de um país de futebol, era o único português que conheciam. Enfim, acho-o demasiado “pop-star” para quem tem o seu estatuto, para quem carrega todo um país às suas costas, para quem tem tanta responsabilidade social, até pelo exemplo que dá a crianças e jovens do mundo inteiro.
Esta menor simpatia, digamos assim, deixa-me à vontade para o apoiar nesta manobra mediática e oportunista de que está a ser vítima.
Antes de mais, porque entendo que comparar violações como as de Telheiras há uns anos atrás (infelizmente, o que não falta são outros exemplos) a esta ocorrência, será como comparar um homicídio a uma bofetada. E comparar as situações acaba por relativizar as que, a meu ver, são manifestamente mais graves, absolutamente intoleráveis, e que devem ser impiedosamente punidas.
O movimento “#Me Too” enquadra-se num puritanismo radical que está a tomar conta da sociedade norte-americana, e, por arrasto, do mundo ocidental (e em Portugal, paradoxalmente, encontra eco numa certa elite "bairro-altista"). Tenho muitas dúvidas sobre tudo o que lhe deu origem, e acho que o feminismo tem hoje muito trabalho a fazer, mas em países como a Arábia Saudita, o Irão, o Afeganistão, a própria Índia, ou, por exemplo, no seio da comunidade cigana, e não em sociedades onde as mulheres já têm todos os seus direitos e ainda alguns privilégios (como o de um sistema de ensino que até as favorece, e que com elas enche as universidades).
Sempre respeitei (em muitos dos casos com admiração e afecto), e respeitarei, todas as mulheres que familiar, profissional ou pessoalmente se cruzaram comigo ao longo da vida. Tenho uma filha. Mas entendo que muito do feminismo dos dias de hoje não pretende igualdade de direitos, mas sim igualdade de comportamentos. Pretende homogeneizar homens e mulheres, e diluí-los numa amálgama hermafrodita que tende a acabar com a sedução e com o sexo. E para isso não estou virado.
Não me comovo com mulheres que aproveitaram várias camas para subir na vida, e agora, do alto da sua fortuna, se vingam daqueles de quem se serviram. Creio ser o caso de algumas das actrizes de Hollywood envolvidas no dito movimento. E acho espantoso que a mesma sociedade americana que demonstra uma total indiferença face às desigualdades sociais ou aos problemas ambientais, quer nos EUA, quer no resto do mundo, se curve tanto perante estes assuntos de... vagina.
O caso Cristiano Ronaldo encaixa nesta conjuntura e neste movimento, capaz de crucificar como perigoso criminoso alguém que em 1988, com 16 ou 17 anos, no fim de uma noite de copos apalpou o rabo de uma senhora, e capaz de arrasar figuras como Kevin Spacey ou Woody Allen.
Se Ronaldo vai ter problemas, vai. Se merece, não creio.
Não estava no quarto daquele hotel, nem há, felizmente, vídeos sobre o acontecimento. Mas uma senhora que se despe e se mete na cama com um indivíduo, não tendo obviamente que se sujeitar a todos os seus caprichos, deverá estar preparada para gostar, ou não gostar, do que se venha a passar a seguir. Lamentavelmente (como toda a gente sabe) nem todas as relações sexuais são igualmente gratificantes.  A avaliar pelos relatos do "Der Spiegel", CR7 terá sido inconveniente, terá sido inábil, terá sido bruto, terá sido... uma besta. Mas não me parece que seja um criminoso. Se a senhora não gostou, paciência, não repita, procure alguém que a saiba tratar mais a seu gosto. Tendo diante de si uma oportunidade de explorar o caso, terá aproveitado para exigir dinheiro, muito dinheiro, pelo seu silêncio. Ronaldo, talvez até para evitar o escândalo, pagou.
Agora, empurrada pelo impacto do referido movimento, e por um advogado oportunista, achou que podia cobrar mais. Também não me comove.
Neste caso, estou a 100% com Ronaldo.

7 Comments:

Blogger Unknown said...

É uma questão de "anestesia". A outra "anestesia" só tinha 9 anos de validade e agora quer um "reforço" na dosagem porque ainda está "dorida".

9.10.18  
Blogger Bruno said...

A porra toda é o SJW (Social Justice Warrior ) que está destruir tudo nos EUA , e mudar historia de tudo , vejam o que fizeram a Guerra das Estrelas , vejam os filmes e agora como se troca uma boa historia para lançar uma mensagem politica , vejam que fizeram em jogos como Call of Duty , ou o que pensam sobre GTA , vejam o que fizeram as comics da Marvel e o que querem fazer ao Super Homem. Vejam a Serena Williams e o arbitro portugues , isto está num puro radicalismo de supremacia , fingindo-se ou escondendo-se atras de uma capa que é quererem direitos iguals , SJW nao quer os direitos iguais ,usam esse argumento para conseguir os direitos de supremacia, vejam videos de Ben Shappiro , que sao bem elucidativos dos direitos igualdade que esses grupos SJW querem implantar

9.10.18  
Anonymous Escumalha humana said...

100% de acordo com o texto.
O movimento “#Me Too” enquadra-se num puritanismo radical que é a versão feminina ou feminista da campanha vergonhosa que foi a perseguição chamada Macarthismo nos anos 50 no mesmo país.
Campanhas oportunistas que revelam dos sentimentos mais baixos dos seres humanos. Campanhas que revelam mais os vícios de quem acusa do que de quem é acusado.

Ronaldo está inocente até ser provado tudo aquilo de que é acusado.
Do mesmo modo, o Benfica está inocente de tudo aquilo de que é acusado até que se prove em tribunal aquilo de que é acusado. O que na minha opinião não irá acontecer.

9.10.18  
Anonymous Anónimo said...

desculpa lá, mas tens sequer consciência que esta situação surgiu novamente por causa de um artigo num jornal alemão, a partir dos football leaks?
A gaja vê o seu nome na rua, tal como o Ronaldo. O acordo de confidencialidade era válido para ambos.
querem rever as vossas opiniões sobre ela, pelo menos?

9.10.18  
Blogger Rfa said...

Estou com o anónimo. O CR7 soube que se portou mal, e pagou para que ela se calasse. O justiceiro Rui Pinto, que não deve morrer de amores pelo CR7, vai e põe tudo cá para fora. A rapariga vê os parentes na lama - provavelmente até seriam os alunos a apontar-lhe o dedo-. A partir daí eu faria como ela: Ora Sr. CR7 paga-me como deve ser, à la "vida que levas" ou vais preso!

10.10.18  
Blogger Tiago said...

Bom artigo LF, com o qual concordo na sua grande maioria. Bom senso precisa-se a vários níveis.
Tiago

10.10.18  
Blogger Unknown said...

thankyou for information, Nice Article :)

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14.10.18  

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