12/06/12

QUEREMOS MAIS!

Globalmente, não achei a exibição de Portugal frente à Alemanha tão luxuosa como alguns jornais quiseram demonstrar, nem tão sofrível como agora certos comentadores, ou ex-qualquer coisa, pretendem fazer crer.
No meio está a virtude. Já aqui disse que Portugal fez mais ou menos aquilo que tinha de fazer para conseguir um bom resultado. Anulou muitas das armas alemãs, e manteve o nulo até perto do fim do jogo. Outra estratégia traria necessariamente outros dados de análise, e, com maior risco, com a ousadia que muitos advogam, em vez de 1-0, ninguém me garante que não perdêssemos 4-1. Era quase o mesmo, mas certamente não ficaríamos tão perto de um eventual e saboroso empate. Não esqueçamos que do outro lado estava uma selecção que, entre Europeus e Mundiais, leva já 13 finais e 6 títulos.
O que eu acho verdadeiramente digno de reparo é mais uma exibição infeliz de Cristiano Ronaldo com a camisola das quinas. E a esse aspecto, estranhamente, acabei por ver e ouvir poucas referências. Afinal de contas, um jogador que marcou quase 50 golos na Liga Espanhola, não molha a sopa pela equipa nacional há quatro partidas consecutivos. Assim, fica complicado ganharmos.
Sem ser muito original, escrevi aqui, tanto antes do último Campeonato do Mundo, como mais recentemente a propósito deste Europeu, que as esperanças portuguesas dependiam em larga medida do desempenho do seu melhor jogador. A história do Futebol ensinou-nos que as grandes estrelas – e Ronaldo é uma grande estrela – estiveram sempre na primeira linha dos grandes momentos das suas selecções. Foi assim com Pelé em 1958 e 1970, com Eusébio e Bobby Charlton em 1966, com Beckenbauer e Cruyff em 1974, com Platini em 1984, com Maradona em 1986, com Romário em 1994, com Zidane em 1998 e com Ronaldo “fenómeno” em 2002.
Portugal não tem, manifestamente, capacidade colectiva para ambicionar o título (falta-lhe, por exemplo, um trinco como…Javi Garcia, um "dez" como...Pablo Aimar, e um ponta-de-lança como…Óscar Cardozo). Mas tem um jogador que pode, por si só, fazer a diferença, e carregar a equipa às costas para um bom Campeonato. Eusébio fez isso em 1966. Jogou, marcou, e empurrou os colegas para um magnífico terceiro lugar. Era lícito esperar que Ronaldo o fizesse agora. O que é certo é que, a avaliar por este primeiro jogo, começo a temer que o madeirense acabe por passar novamente ao lado de um grande torneio.
Ainda está a tempo. O futuro começa amanhã. É a hora de Ronaldo mostrar que, para ser o melhor do mundo (ou, em rigor, um dos dois melhores), tem de o ser aqui, e agora. É contra as Alemanhas, as Dinamarcas e as Holandas, e não contra os Racingues de Santander ou os Sportingues de Gijon, que se separa o trigo do joio, e se escreve a história. É aqui que se distinguem aqueles que marcam uma década – os quais, por muito ricos que fiquem, acabam mais tarde por cair no esquecimento -, daqueles que marcam um século, e entram para as galerias da eternidade.
Eu ainda acredito que Cristiano Ronaldo seja jogador para marcar um século. Mas preciso cada vez mais que ele me ajude nessa crença. Para começar, podia ser com um simples golo. Nem que fosse de penálti.

3 Comments:

Blogger entrebifanas said...

concordo que se formos longe é necessário um ronaldo à imagem dos exemplos dados... mas reparaste que terminaram em 2002? o que deixou de fora o euro de 2004 (ganho pela grécia), mundial de 2006 (ganho pela itália) , euro de 08 e mundial de 10 (ganhos pela espanha) todos eles ganhos à custa de "equipas" ou melhor, de várias individualidades, e não de apenas um jogador a levar
às costas... e não me parece que seja devido a não haver jogadores com capacidade para isso, porque claramente existem! a questão é que o futebol está diferente (talvez mais táctico) isso ao certo não sei...
Essencialmente concordo que só com um jogador super inspirado é que poderemos levar avante as equipas, e aqui reforço a palavra equipas, que se seguem... E se há alguma jogador capaz disso presente neste Europeu é o Cristiano!

Existe ainda uma pequena possibilidade que seria o evidenciar de vários jogadores portugueses em cada jogo, por exemplo Nelson neste jogo, Coentrão no próximo, Nani e Cristiano nos seguintes!

12.6.12  
Blogger moleculasdeamor said...

Srá que do outro lado estavam onze gaijos a quererem ganhar...

12.6.12  
Anonymous Johnny Rook said...

Eu acho grande piada a este tipo de comentários sobre o Ronaldo!

1º Não é, nunca foi, nem será um Eusébio, um Pélé ou um Maradona. Os eternos são aqueles jogadores que sózinhos ganham jogos, levam tudo atrás deles.

Cristiano Ronaldo, Messi, Zidane, Ronaldinho ou o Ronaldo brasileiro, nunca o fizeram e alguma vez o farão (aqueles que ainda jogam).

É isto que marca a diferença entre um enorme jogador e um fora de serie.

2º Se nem Messi alguma vez levou a Argentina às costas, porque carga d'água tem CR essa obrigação?

CR e Messi jogam mais (muito mais) do que os outros quando integrados em grandes equipas de futebol (Man United, Real Madrid ou Barcelona) e a selecção da FPF está a anos luz de ser uma grande equipa.

Não é possível rebocar coxos (João V Pinto bem tentou no SLB e não conseguiu) e com excepção de Pepe e Nani a selecção FPF só tem jogadores medianos (ou abaixo disso) que ainda por cima interiorizaram que o CR é que tem de resolver jogos e é bola para o Ronaldo e depois ficar à espera para ver o que ele faz ou ter fé em Deus.

Muito sinceramente. Eu se fosse o CR, se este Europeu for igual ao anterior e ao Mundial da Africa do Sul (que é o mais certo) decidia não jogar mais na selecção da FPF.

Por outro lado, é muito bem feito o que está a acontecer à selecção, a sua degradação acelerada por falta de organização e competência técnica. Não é nada que não se advinhasse logo que acabasse a geração de ouro. Nada foi feito para garantir um contínuo fluxo de jogadores novos para alimentarem a selecção. Pelo contrário o que foi bom foi naturalizar brasileiros.

Digo-o desde o Mundial da Alemanha que o futuro da selecção da FPF vai ser o da Hungria (anos 50) e da Bélgica (anos 70 e 80) que em tempos foram países com grandes selecções e que desapareceram para todo o sempre do panorama internacional.

Em face de todo a mentira que é o futebol português, dou pulos de alegria ao ver isto acontecer. É que atrás disto tudo vem o acabar de tachos e tachinhos, passeatas e festas à conta. Muitos destes vadios que pululam à volta do futebol tuga (nomeadamente jornalistas avençados, ignorantes e incompetentes) vai para o desemprego.
É bem feita, todos vão ter o que merecem.

13.6.12  

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