07/03/12

CRISE? QUAL CRISE?


Decididamente, não necessito de qualquer electrocardiograma. Percebi-o esta noite, durante da segunda parte, e em particular no momento daquele remate cruzado já nos instantes finais (mas ainda antes do 2-0), que me deixou sem fala. Se resisti a isto, é porque a máquina está aqui para as curvas.

Mesmo não tendo o Zenit criado qualquer oportunidade de golo, a importância da ocasião, o trauma causado pelos últimos resultados, e a incerteza que prevaleceu até ao minuto 92, fizeram deste jogo um desafio à capacidade de sofrimento de atletas e adeptos. Um golo russo teria alterado tudo, mas a forma como o Benfica segurou a vantagem que Maxi Pereira conseguiu à beira do intervalo, foi evitando todos os males. Terá sido o jogo em que o Benfica melhor defendeu ao longo de toda a temporada.

Há um nome a destacar: Axel Witsel, que esteve em todo o lado, com um pulmão inesgotável, e uma inspiração fora do comum. Tudo lhe saiu bem, encheu o campo, e realizou uma das melhores exibições individuais que me recordo de ver fazer a um jogador do Benfica de há uns bons tempos para cá.

A primeira parte trouxe aquilo que se esperava. Um Zenit acantonado no seu meio-campo, a tentar fazer andar o relógio tão depressa quanto possível; e um Benfica paciente, lutador e sempre à espreita da oportunidade para ser feliz. O golo surgiu num bom momento, alterando as premissas da partida. A partir daí, a equipa russa teria de se mostrar bastante mais, caso quisesse recuperar a vantagem que trazia da primeira-mão.

Aguardava-se um Zenit acutilante, rápido e perigoso. Não foi bem isso que se viu. É difícil estabelecer a fronteira onde acaba a boa prestação defensiva dos encarnados (sempre extremamente compactos e solidários), e começa a incapacidade dos homens de Spalletti para criar oportunidades de golo (é notória a falta que faz Danny a esta equipa). O que é certo é que o tempo ia passando, sem que as coisas sofressem alteração. O perigo vinha mais da situação do marcador, do que propriamente do que se passava no relvado.

O Zenit parecia, a dada altura, uma equipa de Andebol. Mantinha a bola, trocava-a de lado para lado, procurava um buraco por onde entrar na teia montada por Jorge Jesus. Esse buraco nunca surgiu. A entrada de Matic revelou-se importante para suster o ímpeto final do conjunto russo, ficando no ar a dúvida sobre o que teria acontecido se o técnico encarnado tivesse tomado a mesma opção quando ganhava 2-1 ao FC Porto, na passada sexta-feira.

O tal remate, que me provocou palpitações, foi o último lance em que o Zenit ameaçou a baliza de Artur. Pouco depois, o também entrado Nelson Oliveira respondeu a um passe de Bruno César (outra excelente exibição), e pôs uma pedra sobre o assunto. O Benfica estava mesmo nos quartos-de-final da maior prova de clubes do mundo.
Esta vitória, além do prestígio, além do dinheiro, além do orgulho, é também um senhor pontapé na crise de resultados e de confiança que alastrava na Luz. Aconteça o que acontecer no Campeonato, o balão europeu vai continuar cheio por mais algumas semanas, fazendo sonhar seis milhões de almas benfiquistas. O apoio que brotou das bancadas foi a prova de que o adepto entendeu o que se passou na sexta-feira, e não perdeu a sua fé. A grande alegria final, foi sentida como merecida e justa.

Agora é tempo de a saborear, e do benfiquista se deliciar com os restantes jogos dos oitavos-de-final. Adversários? Ainda estão em prova, com hipóteses de passagem, Apoel, Basileia, Marselha, Nápoles e Lyon. Perante estes nomes, e nada sendo fácil, tudo me parece ser possível.

Howard Webb cometeu erros (julgo ter existido um penálti sobre Cardozo), mas soube impor a sua experiência, e passar ao lado do indesejável protagonismo.

7 Comments:

Blogger No.Worries said...

a questão é muito simples: sem proenças (e sem xistras, sem hugos, etc) a história é outra. Ganham os melhores, e não os mais beneficiados.
O Witsel foi mesmo super, um jogador completo, quer a atacar, quer a defender.
Agora venha quem vier temos a certeza que se perdermos é porque o adversário foi melhor. E porquê? Porque temos a certeza que o àrbitro não será português...

7.3.12  
Blogger Meias said...

Sinceramente a diferença que vejo no árbitro é a forma como impõe o seu respeito, porque houve ali uns lances bastante duvidosos...para nao dizer mais.

7.3.12  
Blogger Meias said...

Sinceramente a diferença que vejo neste árbitro éa forma como se impõe, porque houve ali uns lances bastante duvidosos...para nao dizer mais.Mas aquilo que nos encheu a todos de orgulho foi a garra do nosso Benfica, ganhamos quase todos os ressaltos e disputas de bola.

7.3.12  
Blogger Meias said...

Sinceramente a diferença que vejo no árbitro é a forma como impõe o seu respeito, porque houve ali uns lances bastante duvidosos...para nao dizer mais.

7.3.12  
Blogger Manuel said...

Toda a equipa jogou bem. E posso dizer sem qualquer facciosismo ou demagogia que com este árbitro tínhamos ganho ao Porto a brincar. Todas as simulações que os andrades fizeram nesse jogo, e foram muitas, eram todas para deixar passar.

Para além disso, deixo uma nota sobre o Emerson, um jogador que na minha opinião tem sido injustiçado e tem servido de bode expiatório para todas as frustrações de alguns adeptos benfiquistas, que não sabem ser adeptos. Penso que ele ontem deu uma resposta cabal a todos esses "chico-experts", e razão ao JJ. Foi dos melhores.

Deixo outro apontamento sobre o Jardel, ontem um dos melhores, a quem tentaram queimar durante vários meses criticando-o e crucificando-o, como têm vindo a fazer ao Emerson, dizendo que não era jogador para o Benfica. O Jardel é um grande jogador e vai mostrá-lo cada vez mais.

E se o Roberto tem cometido o erro que o Artur cometeu ontem e que ia dando golo, eu gostava de ver o que diziam esses "chico-experts". Agora estão calados, o que eu acho muito bem.

"Melhor estar calado e passar por tolo, do que falar e desfazer essa dúvida". Abraham Lincoln.

7.3.12  
Blogger jfk said...

Witsel, sim, mas é inteiramente justo destacar também Maxi (que pulmão) e Luisão, que terá feito um jogo perfeito. Esteve sempre onde tinha que estar e no momento em que tinha que ser. Cortou tudo o que havia a cortar.

E as 3 entradas, Nolito, Matic e Nelson, acabaram com o jogo.

Deu até para rir cada vez que o assassino tocava na bola, aliás, já havia nas bancadas quem dissesse: deêm a bola ao bruno alves...

Dos russos só se aproveitou a claque.

Parabéns Benfica.

7.3.12  
Anonymous Vitória do Benfica said...

A primeira a dizer de ontem é que o Howard Webb não é o Porto Proença por isso o Benfica iria mostrar a sua classe. Isto foi o que senti quando tive conhecimento daquela nomeação.
Depois o Benfica foi muito bom, mostrando que dentro de si há muito bom futebol. Como disse JJ o jogo na sext perdeu-se por contigências que nada tiveram a ver com o jogo dentro das quatro linhas.

O Benfica precisa de se acautelar psicológicamente. Gostei muito da recepção ao Bruno Alves. Este devia ser o ensaio geral para o jogo com os outros no dia 21 de Março. è assim sem medo e com segurança.
O witsel fez um jogo maravilhoso. Um amigo meu dizia-me que o Witsel sem Aimar iria ser completamente diferente. Javi e Luisão no melhor. Rodrigo ainda não está bem e por vezes quem está no banco entra e marca porque tem uma leitura de jogo menos emotiva e mais racional, foi isso que aconteceu com Nelson Oliveira.

Muito boa a coluna de José António Saraiva no Record. Aliás eu parece-me que estou a gostar mais do Record do que da Bola e não era assim.

Obrigado Benfica. Nada na vida supera um bom jogo do Benfica dizia-me o meu ao e o meu pai e a eles estou grata

8.3.12  

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