UM BANDO DE EXCURSIONISTAS

Tal como eu aqui havia escrito, o jogo da Dinamarca não foi o passeio que alguma imprensa antevia, e muito menos a formalização de um apuramento que, para já, escapou à equipa de Paulo Bento.

Ficou demonstrado que Portugal não tem a selecção que muitos julgam ter. Tem dois ou três grandes jogadores, mas está longe de formar uma grande equipa. Isso percebe-se de forma ainda mais nítida quando, por lesão ou qualquer outra circunstância, nos vemos privados do contributo de elementos fundamentais (e, por diferentes motivos, só para este jogo, estavam indisponíveis Bosingwa, Ricardo Carvalho, Pepe, Fábio Coentrão, Sílvio, Danny, Manuel Fernandes e Hugo Almeida, já sem falar em Tiago, Paulo Ferreira, Deco, Liedson, Miguel ou Simão).

O onze que entrou em campo para defrontar a Dinamarca (ela sim, uma verdadeira equipa, mesmo sem grandes individualidades) englobava jogadores que não estão ao nível de uma selecção com aspirações. Toda a linha defensiva era medíocre (lá está, faltavam os verdadeiros titulares), e o ponta-de-lança pouco mais que ridículo (sendo verdade que não há muita escolha para o lugar). Com metade do conjunto ao nível de uma Áustria, de uma Geórgia ou de uma Lituânia, não podemos exigir nada para além de uma luta brava pelo apuramento. Mas nem isso (luta brava) se viu, pois a equipa portuguesa não foi mais do que uma manta de retalhos, formada, em parte por jogadores sem categoria, na outra parte por “primas-donas” sem motivação, nem sentido colectivo.

Os calendários competitivos não ajudam, e selecções como a portuguesa (desequilibradas, e a depender de algumas estrelas), sofrem a dobrar. É difícil, também para os adeptos, encontrar o estado de espírito adequado a enfrentar este tipo de jogos - que sendo absolutamente decisivos, aparecem entalados entre importantes compromissos dos clubes. Noutro contexto (o de uma fase final, por exemplo), teríamos certamente uma equipa mais completa, mais motivada, e mais confiante. Ser-nos-ia mais fácil vencer uma qualquer Dinamarca que surgisse ao caminho.

Este (o da motivação, o da concentração, o do sentido colectivo e de responsabilidade) é um dos problemas que tradicionalmente enfrentamos nas fases de qualificação. Tem também a ver com a nossa genética enquanto povo, mas talvez se disfarçasse com lideranças fortes, dentro e fora do campo. Ora, em campo não se vê ninguém capaz de desempenhar esse papel (o capitão simboliza precisamente a falta de entusiasmo generalizada), e fora dele temos uma Federação anémica, ausente, incompetente e amadora, que viveu durante anos à custa do talento de uma geração dourada de jogadores, não fez nada pelo futebol português, e na hora da derrota apenas se preocupa em salvar a própria pele, para manter tudo como sempre esteve. No meio está Paulo Bento, que herdou um fardo pesado, e, não estando isento de erros (os Betos, os Serenos, os Castros, a gestão dos casos Bosingwa e Ricardo Carvalho, a subserviência a alguns clubes nacionais e estrangeiros, etc) não teve tempo nem espaço para mudar muita coisa.

Agora segue-se um play-off, e é bom que seja encarado de forma bem diferente da que agora se viu. Os adversários parecem acessíveis, mas são, todos eles, equipas fortemente motivadas e empenhadas em chegar ao Euro. Um Portugal com os índices de concentração e motivação em part-time, terá grandes dificuldades em vencer, e depois cá estaremos novamente a carpir mágoas, e a lamentar o triste fado.

Já agora, convém termos também alguma sorte, e a Estónia, de preferência jogando primeiro fora de casa, vinha mesmo a calhar.

15 comentários:

Jotas disse...

Os jogadores nacionais foram desplicentes, alguns deles revelaram mesmo uma enorme falta de categoria, aliás, há que ser realista e esta minha análise não é apenas por este jogo, Portugal é hoje em dia uma selecção em termos qualitativos bem mais distante das potenciais europeias, está a cavar um fosso para equipas como a Alemanha, Espanha, Holanda, Itália e Inglaterra e neste momento quer se queira quer não, está ao nível de uma Croácia, Dinamarca, Grécia e outras deste nível e com tendência para piorar.

Anónimo disse...

É preciso mesmo um fanatismo doentio para vir falar de Betos, Serenos e Castros!!

Já agora...Castro foi chamado para um amigável, e depois?? Não servem para isso esses jogos?? Para testar?!? Queria que testasse quem?? O Matic?? O Enzo Perez?? O Nolito?? O Rinaudo?? O Schaars??

Sereno, com a razia de centrais, queria q convocasse quem?? Jardel?? Garay?? Roderick?? Onyewu??

Então a do Beto tá demais!! Qual a diferença entre o Beto e o Eduardo??

É q o Beto é titular do seu clube, e o Edu é suplente! E TÁ LÁ NA MESMA!!

Cura-te pá!! A azia de 2010/2011 dura e dura..............

LF disse...

Castro foi chamado para um amigável, justamente no momento em que o FCPorto o queria tentar vender.
Já o Moutinho, por exemplo, foi riscado da convocatória justamente no momento em que o FCPorto o queria comprar.
É assim que se põe a Selecção ao serviço dos clubes. E é por isso que ainda ontem o Pinto da Costa lá estava a apoiar, no estádio.

Que saudades do Scolari... Com ele não havia esquemas. Eram sempre os mesmos, e assim fomos, em três competições, a uma final, umas meias-finais e uns quartos-de-final.

Anónimo disse...

patriarca disse:

Não foi por mero acaso que o Pinto da Bosta foi com a selecção, pensem e depois digam algo.
Será ele agora o INSPECTOR das Selecções nacionais que nem admite a bandeira portuguesa nos festejos do SEU Clube???!!!!
Onde isto chegou.

Anónimo disse...

Pois, tivemos esses resultados com Scolari...depois de andar a meter nojo 2 anos a preparar o Euro-2004 com uma equipa de compadres e compadrios...levou logo 2-0 na Estreia do Euro com a Grécia...e depois sim...ai Jesus...q é preciso recorrer aos jogadores do FCP Campeão Europeu (Carvalho, Deco, Costinha, Valente, Maniche...) e aí sim, os resultados apareceram!

Johnny Rook disse...

O Jotas tem toda a razão, bem como o LF.

Eu vou um pouco mais longe (é algo que antevejo desde o Mundial de 2010): Portugal ao nível das selecções vai tornar-se a Hungria dos anos 60 e a Bélgica dos anos 90, ou seja estes dois países, que eram dos melhores a nível europeu, a partir daquelas décadas desapareceram abruptamente do panorama internacional de selecções (e de clubes).

A selecção da FPF vai pelo mesmo caminho e será praticamente irreversível. Note-se que nós já passámos de país exportador de talentos nacionais (e o quanto beneficiamos com isso !) para país exportador de talentos estrangeiros ! Ou seja, a FPF demitiu-se de realizar a prospecção estruturada de novos talentos nos diversos escalões (não me venham com o vice-campeonato do Mundo dos juniores porque foi obtido em circunstâncias muitos especiais - grande espírito de sacrifício e de luta e uma rara capacidade táctica.

Basta comparar o trabalho de prospecção realizado para as gerações de 89 e 91 (e até ao Mundial de Sub-20 de 1995 na Austrália)e os posteriores; comparar os títulos europeus e mundiais daquelas gerações e as seguintes, para perceber que o resultado final a médio prazo só podia ser este que agora, muitos (leia-se avençados), começam a vislumbrar.

O futuro é muito negro para a selecção de futebol profissional da FPF. Creio mesmo que ao Mundial do Brasil já não iremos.

Entretanto mais jogadores irão, brevemente, pedir escusa e o processo de degradação será acelerado.Será de derrota em derrota, até à derrota final. A toda esta cambada de trafulhas que tem gerido o nosso futebol nos últimos 30 anos ficamos a dever este feito!

Vitória do Benfica disse...

O problema principal disto tudo é a resposta do Luis ao Anónimo. A subserviência da Selecção ao clube do norte é nisto que dá. A Dinamarca joga como uma equipa porque na Dinamarca não há dirigentes como o Presidente do FCP. O problema principal é que o futebol português é o reflexo do País. Ou seja não é o mérito mas sim os interesses que se premeia, por isso também eu tenho muita saudade de Scolari e considero que o actual selecionador nacional é mais um filho querido do Norte e como tal também está ao serviço de lá. Vamos ver!!

Alberto disse...

Todos nos lembramos das declarações infelizes proferidas pelo Rubem Amorim, quando foi seleccionado pelo Paulo Bento e que me dispenso de reproduzir. O rapaz agora deve ter tempo para meditar, é que na selecção é tão suplente como no Benfica. Afinal o Jesus...

xirico disse...

Não estava apenas o PdaCosta,estava lá a troika.Realmente o actual sargentão afinal é apenas 1ºcabo e dobra a espinha de tal maneira que mais parece um invertebrado(uma lesma,por exemplo).E a coisa funciona como a Vedeta da Bola e o LF diz no seu comentário.

Hugo disse...

"Castro foi chamado para um amigável, justamente no momento em que o FCPorto o queria tentar vender"

Falso. O Porto queria empresta-lo como acabou por acontecer tendo ido para o anterior clube,Sporting de Gijon. E não estou a ver o que a convocatória para um amigável possa ter ajudado nisso
A vossa obcessão com PC e o Porto não vos deixa pensar direito.
Quanto ao resto da crónica de acordo

LF disse...

Li notícias, no Verão, que davam conta do interesse do FC Porto em vender Castro.
E claro que sendo convocado para a selecção, qualquer jogador se valoriza imediatamente.

Eu quando não conheço um jogador estrengeiro, a primeira coisa que faço é ver se ele vai à sua selecção. Acho isto óbvio.

LF disse...

O Ruben não disse nada de especial.
Perguntaram-lhe se não achava estranho ir à selecção não sendo titular no seu clube, e ele respondeu, bem disposto, aquilo que lhe veio à cabeça, e que seria natural num país sem três diários desportivos, e vários debates televisivos sobre futebol.
Há uma necessidade de criar polémica que raia o absurdo.

Peter disse...

Com todo o respeito pelos comentários de todos para mim o maior culpado é o P.Bento inventou o problema R.Carvalho e não convoca o Bosingwa.

Peter disse...

Com todo o respeito pelos comentários de todos para mim o maior culpado é o P.Bento inventou o problema R.Carvalho e não convoca o Bosingwa.

Nós Sébio disse...

A selecção do Miguel Veloso, do Rolando, do Danny, do Eliseu, do Postiga? Do Martins-Moutinho-Meireles? Acabaram-se os tempos áureos. E, mesmo nesses, não ganhámos NADA!