07/11/07

OS ENCARNADOS UM A UM

LUÍS FILIPE (2) É um lutador, sua a camisola, e merece ser mais feliz do que tem sido até agora. Mas nesta noite deixou uma vez mais a imagem da intranquilidade. Muita insegurança nas transições ofensivas, muitas deficiências de posicionamento quando tinha de defender, grandes dificuldades no um para um. Vai melhorar.
EDCARLOS (2) O brasileiro, mesmo com um parceiro como Luisão, tarda em evidenciar predicados no centro da defesa benfiquista. Não é suficientemente rápido para cortar lances de descompensação, não tem suficiente jogo de cabeça para afastar a pressão, não tem um critério seguro de movimentação de modo a evitar a abertura de espaços. Com tanta insuficiência, tem até tido alguma sorte em não ter ainda ficado directamente ligado a golos sofridos, o que o vai mantendo, discretamente, como titular. Julgo que David Luíz não terá dificuldade em recuperar o posto.
LUISÃO (3) Está a subir de rendimento, embora ainda longe dos patamares que, noutras ocasiões, foi capaz de evidenciar. Salvou muitos lances de perigo, quer pelo ar, quer pelo chão. Faltou-lhe maior confiança nos inúmeros lances de bola parada de que o Benfica desfrutou, para lá na frente poder fazer a diferença. Exibição globalmente positiva, apesar da infelicidade de ter ficado ligado ao único golo do jogo.
LÉO (3) Tal como Luisão, o pequeno lateral esquerdo é outro dos elementos de grande categoria na defesa do Benfica, não se percebendo as reticências que se diz que Camacho coloca à sua continuidade. Neste jogo esteve bem a fechar o corredor, embora sem deslumbrar muito nas acções ofensivas. Mas é um jogador que dá todas as garantias para os grandes momentos.
BINYA (3) Decididamente tem de refrear a forma como disputa alguns lances, sob pena de começar a acumular expulsões – ainda mais agora que começa a ganhar fama. Enquanto esteve em campo fez o seu trabalho, com qualidade, mas sem brilho. Tem uma forma de jogar exuberante, mas ainda tem muito a aprender quanto à sua movimentação em campo, designadamente no fecho dos espaços na cabeça da área.
MAXI PEREIRA (3) A nota positiva é mais pelo que fez nos momentos iniciais, em que esteve em grande destaque, sobretudo pela forma como correu o campo todo, quase cansando só de ver. Ao longo do tempo foi-se afundando na mediania, terminando substituído, ainda que talvez pelo facto de estar já amarelado (em condições normais seria muito provavelmente Luís Filipe a sair).
KATSOURANIS (4) Grande exibição do grego, que foi um dos mais constantes ao longo dos noventa minutos. No período inicial deslumbrou, quer na conquista da bola, quer no critério de passe. Na segunda parte esteve mais discreto, mas sempre sem perder uma enorme influência em toda a manobra da equipa. Um dos melhores e mais completos jogadores do Benfica na actualidade.
RUI COSTA (4) Enquanto esteve em campo foi igual a si próprio. Significa isto que derreteu classe a partir das suas botas, lançou o pânico na defensiva contrária com os seus passes de ruptura e as suas deambulações desequilibradoras. Quando saiu, o Benfica…morreu.
RODRIGUEZ (2) Esperava-se muito do tecnicista extremo uruguaio, mas tem que se dizer que decepcionou. Terá feito um dos jogos menos conseguidos com a camisola do Benfica.
CARDOZO (3) Não marcou, é certo, mas em duas das quatro ocasiões de que dispôs, não o fez por mérito absoluto das espantosas defesas do guardião do Celtic. Foi estranhamente substituído, quando deixava a sensação de ser o único a poder marcar um golo a qualquer momento. Não é um grande ponta-de-lança à escala mundial como Drogba ou Ibrahimovic (cujos passes valerão quatro ou cinco vezes mais), mas é um bom avançado, que alguma infelicidade não lhe tem permitido brilhar a outro nível. Tem de melhorar o pé direito e o jogo de cabeça (salta sempre muito encolhido), e os golos hão de aparecer.
DI MARIA (1) Pouco fez de relevo. O seu rendimento parece em queda livre depois de umas muito promissoras primeiras impressões.
BERGESSIO (0) Só me lembro dele a entrar em campo. Não o vi mais.
NUNO GOMES (1) Uma bola conquistada, um ou dois passes, e a certeza de se encontrar ainda longe da melhor forma.