15/05/07

ROCHEMBACK ? NÃO OBRIGADO !

Embora o salário de Fábio Rochemback se apresente proibitivo para qualquer clube português, nos últimos dias o jogador do Middlesbrough tem sido insistentemente dado como próximo do Benfica.
Seria esta contratação, a concretizar-se, uma boa notícia para os encarnados ? Não creio.
Rochemback, não pondo em causa as suas capacidades, é o tipo de jogador que está na antítese daquilo que o Benfica necessita para inverter o ciclo derrotista que parece ter tomado de novo conta do clube. Se Derlei foi um fiasco - e tratava-se de um jogador com um passado imaculado no F.C.Porto, onde sempre primou pela disciplina, pelo profissionalismo e, talvez por isso, também pela regularidade competitiva - que esperar de um jogador caríssimo, aburguesado, pouco disposto a grandes sacrifícios, amante da noite, capaz de insultar o próprio treinador perante as câmaras de televisão e propício a potenciar algum mal estar no balneário ?
O Benfica, este Benfica, precisa urgentemente de jogadores jovens e ambiciosos, com a carreira pela frente, que possam constituir mais valias para o clube depois de (pelo menos) dois ou três anos de utilização, e que contribuam para uma equipa coesa, combativa, capaz de deixar a pele em campo na luta por cada lance. Foi com uma base constituida por jogadores assim que o Benfica conquistou o seu título de há dois anos (já sairam Manuel Fernandes, Miguel, Ricardo Rocha, entre outros; continuam Petit, Luisão e Simão). Era essa a filosofia que parecia ter vindo para ficar, mas que depressa se desvaneceu, enveredando-se por um caminho de contratações avulso, sem critério, para agradar aos mais desprevenidos, e sobretudo aos intermediários que com elas lucram milhões.
O plantel actual do Benfica já tem demasiados jogadores com rendimento competitivo insuficiente - uns por questões físicas, outros não se sabe bem porquê. Tem demasiados jogadores demasiadamente bem pagos, aspecto que pode muito bem estar relacionado com o anterior. Estrelas da imprensa que por vezes pouco brilham nos relvados - que diriam os jornais desportivos de Adriano, se este jogasse no Benfica ? .
O Benfica precisa, como de pão para a boca, de humildade, ambição, raça, combatividade, empenho, luta. É dessa massa que se fazem os campeões, sobretudo quando não se tem dinheiro para comprar Cristianos Ronaldos, Kakás ou Messis. Rochemback tem talento, tem experiência, mas faltam-lhe muitos dos aspectos que acima referi. Além de que contratações como esta acarretam danos colaterais na morfologia competitiva de todo um plantel. Significam um caminho profundamente errado. Depois há também algo que faz pensar: para um jogador cujo salário se diz rondar os 270 mil euros /mês, o que ganhou ele na sua carreira ? que títulos ganhou no Sporting ? e no Middlesbrough ?
Não é pois Rochemback que vai fazer a diferença no Benfica, nem é com Rochembacks que o Benfica poderá alguma vez sair do mar de equívocos em que parece cada vez mais navegar. Aliás, enquanto Rochemback se diz negociar com o Benfica, e enquanto os mercados nórdico e de leste parecem ter sido totalmente abandonados, Ruben Amorim e Rolando têm um pré-acordo com o F.C.Porto, Andrés Madrid e Filipe Teixeira possivelmente também, Dady está a caminho do Bétis, Tiago Gomes está esquecido na Reboleira, e muitos outros jovens de qualidade do nosso campeonato vão passando ao lado do interesse de um clube ao qual tanto jeito fariam. Não proporcionavam era seguramente comissões tão chorudas como os negócios tipo-Rochemback...

8 Comments:

Blogger André Garcia said...

Tem toda a razão neste artigo. Receio bem que estejamos a voltar ao tempo de Manuel Damásio, em que comprávamos e vendíamos jogadores a metro - veja-se o caso de Manduca... espero bem que esteja enganado, mas não estou pouco crente para a próxima época... a meu ver, o Benfica necessita de: um director desportivo com experiência e conhecimentos - Paulo Futre seria uma boa opção - ; apostar nos jogadores saídos das camadas jovens, como por exemplo, Rui Nereu, Hélio Roque, etc., e "introduzi-los" a pouco e pouco na equipa principal ; e definir uma política de contratações coerente, isto é, apostar em bons valores que se revelem no campeonato português - os nomes que referiu são um bom exemplo - e, no caso de virem do estrangeiro, que tenham experiência nas selecções do seu país. São estas as linhas de acção que gostaria de ver aplicadas no Benfica...

16.5.07  
Blogger LF said...

Concordo excepto quanto a Futre e Hélio Roque.
Para director desportivo preferia Humberto Coelho. Futre foi um grande jogador, mas não me parece ter perfil para ser um grande dirigente.
Quanto a Hélio Roque, tenho acompanhado a sua carreira e nem sequer é titular no Olivais e Moscavide.

16.5.07  
Blogger André Garcia said...

Só referi o nome de Hélio Roque como um exemplo entre outros que poderia dar, já agora aproveito para acrescentar que, na minha opinião, só deveria haver jogadores emprestados pelo clube caso tivessem saído das equipas de formação do clube, porque comprar jogadores para depois emprestar parece-me um desperdício de dinheiro... Em relação ao Paulo Futre, baseio-me na sua experiência como director desportivo no Atlético de Madrid, que considero bem sucedida, recordo que, na altura o Atlético tinha acabado de subir à 1ª Liga, e Futre, com os seus conhecimentos conseguiu bons jogadores de grandes equipas europeias ( Milan sobretudo) e a equipa lutou pela Champions até ele ter abandonado o clube.
Humberto Coelho é um grande benfiquista e líder, mas não sei se seria a melhor opção em termos 'pesquisa no mercado'...

17.5.07  
Anonymous catn said...

LF

Também estou de acordo com o André Garcia, mas tal como o LF, estou em desacordo com o Futre

Isto do Director desportivo, tem muito que se lhe diga, para que serve na realidade um Director desportivo:

-Para fazer o trabalho administrativo ?

-Para pensar todo o futebol do clube ?

-Para pensar uma politica de reforços e contratar novos jogadores, de acordo com as ideias dele ou do treinador ?

Na minha opinião, deveria ser o Presidente do clube, a delinear a orientação do futebol, deveria ser ele a dizer, como quer que seja feita a transição dos novos jogadores vindos da formação

O Director desportivo, serviria só para fazer cumprir, no terreno, as ideias do Presidente

Agora, há o problema das contratações, nenhum treinador gosta de treinar, com jogadores, que não sejam escolhas suas e voltamos ao mesmo, sempre que venha um treinador novo, há modificações no plantel, alguns jogadores serão emprestados, outros serão adquiridos de acordo com as ideias do novo treinador, por isso não percebo muito bem o papel do Director desportivo

Agora penso, que a formação do Benfica, deveria ser mais competitiva, formar jogadores com maiores qualidades e poderem ficar no plantel, não como segundas escolhas, mas sim como titulares, portanto a formação é que deveria ser repensada

O caso do Hélio Roque é incrivel, como um jogador que fez parte do plantel do Benfica, não tem lugar no Olivais e Moscavide, qual quer coisa se passa com a formação do Benfica, ensinam-lhe a técnica e táctica, mas não lhe ensinam a parte psicologica e a humildade necessaria para se ser bom jogador, o Benfica tem entre outros, dois exemplos de humildade, que deveriam ser seguidos pelos mais novos e apontados como exemplos, o Eusébio e o Rui Costa

Em relação ao Rochemback, não sou a favor da sua vinda para o Benfica, penso que só vem trazer problémas e mau ambiente para o balneario, preferia um jogador mais novo e com "ganas" de ganhar, para além disso temos o Diego Souza, que está a fazer uma grande época no Brasil e que no Benfica ainda não teve oportunidade de poder demonstrar o seu valor

17.5.07  
Blogger LF said...

Catn,

No futebol actual um director desportivo é absolutamente imprescindível.

O presidente do clube tem que gerir aspectos patrimoniais, financeiros, comerciais e administrativos. Tem que ser sobretudo um gestor de empresas, que até pode (não deve, mas pode) perceber pouco de futebol, como aliás tem sucedido com os presidentes do Sporting.
As múltiplas exigências de um clube como o Benfica (cuja SAD agora até vai ser cotada em bolsa), não deixam à sua administração tempo para se ocupar também do futebol e das questões de balneário. É impossível.

O director desportivo é um profissional encarregado da área do futebol, que de acordo com as disponibilidades financeiras, e correspondentes ambições emanadas do presidente, tem por missão contruir o plantel (para o que necessita de estabelecer uma metodologia de trabalho com uma forte equipa de observadores), assegurar que nada lhe falte, cultivar a união do mesmo em torno do treinador (que apenas se deve preocupar com as tácticas e os aspectos de preparação física e anímica dos seus jogadores) acompanhá-lo e defendê-lo perante o exterior.
Deve ser responsável, juntamente coma sua equipa de acessores (secretário técnico, juristas etc) pelas contratações, mas também por outros aspectos em volta das mesmas (por exemplo arranjar casas para os jogadores, colégios para os filhos etc), pelas questões relacionadas com as organizações dos jogos (marcar hotéis etc), entre muitas coisas que agora não me ocorrem, e outras até que desconheço.
Quanto a mim o Director Desportivo deve também ter responsabilidades na formação e no departamento médico, não obviamente a nível clínico, mas na supervisão do relacionamento entre este e a equipa técnica.

Humberto Coelho é um homem experiente, inteligente, muito bem relacionado, e que conhece muito bem o futebol, não tivesse sido, e com sucesso, seleccionador nacional. Além de tudo isto é benfiquista e faz parte da história do clube.
Não conhecerá o mercado como Veiga ? É verdade, mas talvez até leve vantagem noutros aspectos.


Hélio Roque: o seu problema é antes de mais físico. É muito frágil.
Depois não sei se haverá mais alguma coisa em termos psicológicos.


Diego Souza: Ainda ontem o vi jogar pelo Grémio contra o Defensor do Uruguai na Copa Libertadores.
Percebi claramente porque não se afirmou no Benfica. É extremamente lento, quando perde a bola alheia-se do lance, enfim... tipicamente sul-americano.
Precisava de evoluir muito em termos de agressividade competitiva para fazer face às exigências do futebol europeu.
Talvez não o tenha conseguido fazer.

Rochembach é um caso muito diferente. Tem todas as condições técnicas e atléticas para ser um jogador de topo em qualquer sítio, mas parece não estar para se chatear muito com isso. Ainda por cima já está rico...

17.5.07  
Blogger LF said...

André Garcia,

De facto Futre fez um bom trabalho em Madrid.
Mas olhando para o perfil pessoal de Futre (por quem tenho o maior respeito, diga-se, sobretudo enquanto jogador de classe mundial), e o de Humberto Coelho, não tenho dúvidas em escolher o antigo seleccionador.
Até por uma questão de mística benfiquista...

17.5.07  
Anonymous Anónimo said...

Se o Helio roque é fraco fisicamente, entao o Robinho nao é? nao é por isso que não está no Real.

17.5.07  
Blogger LF said...

O Hélio Roque é fisicamente mais frágil que o Robinho.

Quando digo frágil não quero dizer necessariamente leve (mas neste caso também é mais leve).
Falo, além do peso e da altura, também da cacidade de choque, da energia, da morfologia muscular etc.

17.5.07  

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