22/06/06

OS NOSSOS UM A UM

RICARDO (4) Foi marcante na vitória portuguesa ao efectuar um par de excelentes defesas, mostrando pelo tempo fora sempre grande segurança quer entre os postes quer fora deles. No lance do golo mexicano fica todavia a sensação de que, pelo menos, se poderia ter lançado à bola. Ainda assim uma excelente prestação.
MIGUEL (3) Começou muito bem e foi ao longo da primeira parte o mesmo Miguel dos jogos anteriores, nos quais esteve entre os melhores da “equipa de todos nós”. No segundo período, no pouco tempo que esteve ainda em campo, acabou por comprometer a sua exibição com um penálti em que terá sido, no mínimo, pouco cuidadoso, lance no qual se conseguiu miraculosamente salvar do segundo amarelo que o retiraria dos oitavos-de-final. Ainda assim terá sido o menos infeliz dos defesas nacionais.
FERNANDO MEIRA (2) Também começou bem, mas cedo deu os mesmos sinais de intranquilidade que se lhe viram nos encontros anteriores. É preciso dizer que Fernando Meira é um extraordinário defesa-central, e que os problemas que o centro da linha defensiva portuguesa possa evidenciar neste momento se devem mais a aspectos de entrosamento e articulação do que a falta de qualidade dos interpretes. Meira precisa de apoio e de tranquilidade.
RICARDO CARVALHO (2) Está longe, muito longe do seu melhor. O jogo aéreo nunca foi o seu forte, pelo que um avançado do estilo de Fonseca lhe traz naturalmente alguns problemas. Felizmente que a Holanda não dispõe de um ponta-de-lança com características de cabeceador o que, esperemos, possa servir para Ricardo realizar no domingo a exibição que volte a revelar todo o seu grande potencial.
MARCO CANEIRA (2) Não contribuiu em nada para a segurança defensiva da equipa. Não entrou bem no jogo e nunca se conseguiu libertar do peso da ocasião. Sabe-se que vale muito mais do que demonstrou nesta partida, mas ontem o seu flanco foi uma autêntica passadeira para os mexicanos, mormente durante alguns períodos da segunda parte. Em termos ofensivos nunca se aventurou muito, algo que lhe é natural, não fosse ele um central de raiz.
PETIT (3) Como já disse aquando dos jogos anteriores, Petit não é Costinha. Não é pior nem melhor, é diferente, e talvez até fizessem uma boa dupla, particularmente contra adversários como um Brasil ou uma Argentina. Ao ter de realizar o trabalho que Costinha habitualmente faz nesta equipa (consubstanciado em tarefas eminentemente posicionais e de compensação), perde naturalmente algumas das suas principais virtudes, deixando praticamente de participar no processo ofensivo, aplicar a sua meia distância ou correr o campo a “morder nos calcanhares” dos adversários. De qualquer modo não esteve mal.
MANICHE (4) Foi dos melhores da equipa, começando logo por marcar um belo golo, em lance que ele próprio iniciou, arrancando depois para uma exibição muito consistente até a frescura física o abandonar. Em forma é titular indiscutível desta selecção.
TIAGO (2) Tal como a Petit, a Tiago Scolari tem também pedido coisas que não fazem parte da sua genealogia futebolística. É um fantástico jogador numa equipa de duplo-pivot, actuando preferencialmente como médio de transição (o chamado número “oito”). Procurar que substitua Deco (fazendo de “dez”) acaba por baralhar o seu talento e desnortear a sua capacidade defensiva, que também é muito razoável. Deste modo Tiago tem-se sacrificado em prol das necessidades da equipa, mas a verdade é que não tem tido um desempenho brilhante. Muitas bolas perdidas, alguns maus passes e erros de posicionamento acabam por comprometer a sua prestação, ainda que a sua prodigiosa técnica individual resulte plasticamente bastante agradável à vista.
FIGO (3) Não brilhou como nos outros dois jogos. Entende-se que procurasse preservar a sua condição física para a fase seguinte da competição, ele que é um elemento intocável no “onze” português, não se entende é porque é que Scolari o manteve tanto tempo em campo. Apesar de tudo foi, durante o melhor período de Portugal, um elemento sempre em destaque nas transições ofensivas. A sua experiência permite-lhe uma leitura de jogo admirável, uma temporização do passe e da retenção de bola impressionante, de onde resulta sempre a melhor solução para cada lance. Apesar de algum apagamento pelo tempo fora, ficou reforçada a ideia de que temos Figo para este Mundial.
HÉLDER POSTIGA (1) Apesar de esforçado, praticamente passou ao lado do jogo. Salva-se um remate na primeira parte que o guarda-redes mexicano defendeu para a frente, e daí em diante...nada. É possível que seja uma boa alternativa para quando exista a necessidade de jogar com dois pontas-de-lança, mas sozinho no ataque está muito longe de ser opção a Pauleta.
PAULO FERREIRA (2) Cumpriu o seu papel, e pelo seu lado não houve grandes sobressaltos. A excepção foi quando cometeu uma grande penalidade perto da linha de fundo, que o árbitro felizmente não conseguiu ver.
NUNO GOMES (1) Depois de uma lesão que o afastou dos relvados por três meses, não se lhe poderia exigir que voltasse em grande forma. Procurou lutar e quase ia marcando um golo. No entanto percebeu-se claramente porque não foi titular. Ainda irá a tempo de deixar a sua marca no Mundial, tal como ele tem declarado ?
BOA MORTE (1) Muito complicativo no pouco tempo que esteve em campo. Terá sentido a pressão de ter de mostrar serviço, e não se chegou a libertar dela. Com Figo, Ronaldo e Simão, não deverá ter mais oportunidades para brilhar.