19/06/06

ERA DE UM MÁGICO QUE ESTÁVAMOS A PRECISAR...

Depois de uma primeira jornada pouco convincente, Portugal apresentou-se frente ao Irão já muito mais próximo do seu melhor e daquilo que fez, quer no Euro 2004, quer na fase de qualificação para este Mundial.
As razões da diferença exibicional de um para outro jogo são bastante fáceis de identificar.
Desde a segunda jornada do Europeu realizado no nosso país há dois anos, num jogo com a Rússia que marcou a arrancada para uma excelente prova culminada com a presença na final, que o onze de Scolari se mantinha basicamente com a mesma configuração, sendo alterado apenas por motivos de lesão ou castigo de algum dos eleitos. Esse onze assentava no fortíssimo meio campo do F.C.Porto de José Mourinho, que venceu brilhantemente a Liga dos Campeões em 2004, entretanto totalmente desmantelado.
Não podendo contar com Deco por lesão, e vendo Costinha com pouco ritmo competitivo, Scolari optou frente a Angola por uma solução radicalmente diferente. A lógica era: já que não se pode contar com os automatismos e o entrosamento do trio habitual, então que joguem os que se encontram melhor. Foi assim que Petit, Tiago e Simão assumiram naturalmente a titularidade nesse jogo.
Acontece que uma equipa não se constrói de um dia para outro, e a verdade é que os jogadores que entraram em campo no primeiro jogo deste Mundial nunca antes tinham jogado juntos, o que se reflectiu, e de que maneira, na prestação global da equipa. Petit não é pior jogador que Costinha, e Tiago será neste momento até um jogador bem mais valioso que Maniche, só que no modelo que Scolari tem vindo a trabalhar desde que chegou ao nosso país, os ex-portistas encaixam-se melhor, conhecem-se melhor e garantem, com as suas movimentações articuladas, um maior equilíbrio à equipa. Por muita simpatia que tenha por Petit e Tiago, não me custa reconhecer que este é o onze que dá maiores garantias de sucesso a Portugal.
Mas se as substituições de Petit e Tiago por Costinha e Maniche contribuíram para um maior entrosamento da equipa nacional, a entrada de Deco deu-lhe o toque de classe e brilhantismo que, Figo à parte, havia andado arredado do encontro com Angola. Se há jogador insubstituível na selecção portuguesa, esse jogador é indiscutivelmente o luso-brasileiro. Neste modelo de jogo, com um triângulo no meio campo no qual o seu vértice mais adiantado tem por missão ser o primeiro dos defesas quando a equipa perde a bola, além de garantir o dinamismo e a versatilidade atacante capaz de surpreender as linhas defensivas adversárias, Deco cai como uma luva e, com a indisponibilidade de Rui Costa, não tem rival no futebol português (o que não deixa de ser uma situação algo preocupante, diga-se). O “Mágico” fez um jogo de grande qualidade, acabando por ser ele a abrir com chave de ouro a porta para a vitória e a qualificação.
Logo na fase inicial do jogo se notou que a equipa das quinas se apresentava com outra velocidade e outra confiança, resultante justamente do maior equilíbrio do onze apresentado. As triangulações do meio campo resultavam mais fluentes, e a equipa iraniana foi rapidamente asfixiada na sua zona defensiva, de onde só ocasionalmente conseguiu sair. Até Ronaldo parecia mais disponível e mais inspirado. Contudo, apesar de várias oportunidades, o golo não surgia.
Foi já a meio do segundo tempo que o “Mágico” resolveu tirar com mestria da cartola o coelho da vitória, que logo se sentiu já não fugir aos portugueses. Daí em diante, vendo-se obrigado a uma maior audácia, o irão foi abrindo sucessivamente mais espaços nas suas linhas recuadas, que foram permitindo a criação sucessiva de ocasiões de golo, muito embora só por uma vez, num justíssimo penálti, Portugal tenha logrado marcar.
Portugal entra assim nos oitavos de final com a mesma tranquilidade com que se apurou para este Campeonato do Mundo, restando-lhe apenas cumprir calendário no último jogo frente ao México e, já agora, esperar que a combinação de resultados entre os dois grupos não o obrigue a defrontar de imediato a super-Argentina (o que não significa que da Holanda se possam esperar facilidades), inquestionavelmente a melhor equipa destas duas primeira jornadas da competição. Apesar do jogo com o México nada decidir para as nossas cores, tal não quer dizer que não deva ser encarado com toda a seriedade, até porque as probabilidades de enfrentar a Argentina se reduzem caso Portugal vença o seu grupo. Na minha perspectiva, essa seriedade passa por colocar em campo jogadores motivados (empenhados em mostrar serviço) e sem qualquer pressão em termos de cartões amarelos, pelo que me parece óbvio efectuar algumas alterações na equipa. Deixo assim a minha sugestão: Ricardo, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Fernando Meira, Marco Caneira, Petit, Maniche, Tiago, Simão Sabrosa, Nuno Gomes e Luís Boa Morte.
É importante também que os portugueses interiorizem que a obrigação da selecção nacional neste Mundial está cumprida. Se tivemos alguma sorte no grupo inicial, também se tem que dizer que tivemos bastante azar no alinhamento para os oitavos de final, pelo que o que vier daqui em diante será ganho.
Até me arrepio quando oiço falar em trazer a taça e outros disparates do género (essencialmente no meio publicitário, mas também entre pessoas que deviam ter alguma responsabilidade), como se Portugal jogasse sozinho, e tivesse um grande palmarés nesta prova.
Com Luiz Felipe Scolari a equipa de todos nós (será mesmo de todos ?) já conseguiu a proeza de consecutivamente efectuar o melhor Europeu de sempre e, para já, o melhor Mundial dos últimos quarenta anos (segundo melhor de sempre), seguido aliás da mais fácil qualificação de que há memória.
Noutras ocasiões enfrentamos grupos tão ou mais acessíveis que este, dispusemos de jogadores tão bons como estes, e os resultados pouco variaram.
Agora, muitos passos à frente, jogando bem ou mal, bonito ou feio, ninguém facilita e ganha-se. Não chega ?

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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12.8.06  
Anonymous Anónimo said...

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17.8.06  

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