24/04/06

CRÓNICA DE UM TÍTULO ANUNCIADO

Conforme se esperava, o F.C.Porto carimbou o seu título nacional no sábado passado em Penafiel. Diga-se desde já que se trata de um justo campeão.
Normalmente não há campeões injustos, pois qualquer equipa que seja capaz de obter mais pontos que os adversários em trinta e quatro jogos, merece sempre um título que é, acima de tudo, uma prova de regularidade.
Terá sido o F.C.Porto um campeão brilhante ? Talvez não, como o Benfica também o não tinha sido na época passada, como o Boavista também o não foi no seu ano, e como muitos outros vencedores o dispensam ser (na última década somente o Porto de Mourinho terá selado com brilho a conquista dos seus títulos). Isso nada tem que ver com justiça, nem diminui o peso das vitórias.
O F.C.Porto foi a equipa que teve menos períodos baixos, e os que teve foram menos intensos e duradouros que os dos principais adversários. Além disso teve alguns jogadores em elevadíssimo plano, destacando-se em diferentes fases da temporada, Ricardo Quaresma, Lucho Gonzalez, Pepe e Paulo Assunção. Não vacilou no momento decisivo que enfrentou em Alvalade, realizando aí, talvez, a melhor exibição da época.
Neste momento toda a gente, portistas ou não, aparece unanimemente a colocar Co Adriaanse nos píncaros, mesmo aqueles que o vilipendiaram ao longo de toda a temporada. É assim o futebol, ou como dizia Koeman, a história do boi preto e do boi branco.
Como pessoa, simpatizo muito com Adriaanse. É um indivíduo extremamente educado, nunca ataca ninguém, e reagiu com enorme civilidade e elevação a todos os problemas por que passou, e lhe foram colocados sobretudo pelos próprios adeptos (?) do clube. Trata-se de um cavalheiro, a fazer de certa forma recordar Eriksson.
Penso também que nalguns aspectos de jogo, as suas ideias por vezes teimosas, acabaram por vingar. Fez de Quaresma um jogador melhor, transformou Pepe, Assunção e Raul Meireles em importantes activos do clube, e acabou por conseguir um espírito muito positivo dentro do grupo, mau grado todas as transformações que empreendeu. Apreendeu com inteligência todas as vicissitudes do futebol luso, adaptando-se bem a ele.
Todavia, não retirando mérito ao técnico holandês, continuo convencido que com Vítor Baía, Jorge Costa, Nuno Valente, Diego, Postiga, e um sistema de jogo mais tradicional o F.C.Porto teria possivelmente chegado mais longe na prova europeia, e teria certamente, com as baldas que Benfica e Sporting foram dando, conquistado o título de igual modo. É uma opinião que a próxima temporada vai seguramente confirmar ou desmentir.
Por ora resta-me, através deste espaço, de endereçar os meus parabéns a todos os portistas pelo 21º título do seu clube, que deixando-o ainda longe dos trinta e um do Benfica, o cimenta no segundo posto do ranking nacional de sempre, cada vez mais distante dos dezoito títulos do Sporting e dos singulares troféus alcançados por Boavista e Belenenses.