02/11/17

UM MAL QUE VEM DE LONGE


Se atendermos a todos os jogos do Benfica no ano civil de 2017, e se nos lembrarmos deles um por um, chegaremos à conclusão que, com excepção das cinco partidas frente ao Vitória de Guimarães (ex clube de Rui Vitória), todas elas bem conseguidas, o resto foi muito, muito pobre, em termos exibicionais.
Antes da época em curso - bem fresca na memória -, poderia recordar o duplo confronto com o Estoril (campeonato e taça), a recepção ao Boavista, e as deslocações a Moreira de Cónegos, Dortmund, Paços de Ferreia, Santa Maria da Feira, Braga, Taça da Liga no Algarve, Setúbal (quase todas, portanto), como exemplos de jogos medíocres, ou mesmo muito maus, do Benfica na temporada passada.
Preocupante é também a desvalorização de jogadores como Jardel, Lisandro, Eliseu, Samaris, Cervi, Zivkovic, Rafa, João Carvalho e Jimenez. Todos eles estão piores e valem menos agora do que há um ano atrás. Inclusivamente André Almeida, Grimaldo, Pizzi ou Fejsa, mantendo de algum modo a cotação, têm-se mostrado, igualmente, bastante aquém da melhor forma (em alguns casos de forma gritante e continuada). Uma história simples: quando todo o plantel joga menos e rende pouco, o que concluir?
De destacar ainda os 18 golos de Mitroglou de Janeiro a Maio, confirmando-se que foi esta, quanto a mim, a maior e menos justificável perda do Benfica no mercado de verão. Pelo que marcava, pela frieza diante da baliza, pelas bolas que conquistava e mantinha no meio campo adversário, e pelos espaços que abria para os colegas. Hoje o Benfica não tem ninguém que jogue dentro da área, juntando quatro avançados com características quase idênticas.
Outra preocupação: nenhuma das aquisições se afirmou como indiscutível (veremos Svilar), e a maior parte nem merece convocatória. Seferovic, que, apesar dos golos, nunca me impressionou, também já vai sendo um caso estranho de sub-rendimento face ao início da época. Krovinovic não passa de um bom suplente. Douglas e Gabriel foram erros de casting absolutamente desnecessários. Chrien e Willock andam pela B. Arango, Milos e Agra nem aqueceram lugar. Olhando para nomes como Ederson, Nélson Semedo, Lindelof, Mitroglou, ou mesmo Carrillo e André Horta, vemos a diferença.
Estão nestes parágrafos as razões para a má temporada que os encarnados estão a realizar. Resumindo, ausência de jogo colectivo que já vem de trás, sub-rendimento de grande parte do plantel, falta de um ponta de lança de área (um golo em quatro jogos da Champions) e aquisições falhadas ou inúteis. Duas primeiras assacáveis ao treinador, duas últimas à direcção, se bem que nesta repartição de culpas haja que realçar que, mesmo com o plantel formado por Vieira, este Benfica teria obrigação de render muito mais. De jogar o dobro, como alguém dizia há uns anos.

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

o que me mete impressao e isso vai se delapidar o plantel mais uma vez para se tornar um plantel mais fraco para fazer uma ma liga dos campeoes que infelizmente ta a contecer e a liga dos campeoes é so a competiçao que da mais dinheiro e se o benfica for terceiro ou quarto nem a liga dos campeoes vai tanto jeito po negocio pra isso

2.11.17  
Blogger LF said...

É verdade.
Mas só uma venda como a de Nélson Semedo, por exemplo, proporciona uma mais valia superior a uma época normal de Champions.


Este plantel, mesmo fragilizado, nunca poderia levar 5-0 do Basileia. Nem perder em casa com o CSKA.
Uma vitória nesse primeiro jogo virava a classificação de pernas para o ar, e o SLB teria todas as condições de garantir o 2º lugar do grupo.

3.11.17  
Blogger Monte_SLB said...

Acho que realmente a nova época não foi bem preparada. Eu pelo menos estava tranquilo em relação aos laterais. Se o Grimaldo ficou 6 meses só a treinar-se para explodir na época seguinte, eu achava que aconteceria o mesmo com o Pedro Pereira e o Hermes. Afinal foi o que se viu. Depois teve também a trapalhada dos guarda-redes, com a (não) vinda do André Moreira, etc. Enfim, muita coisa errada. Na zona central, por exemplo, era para começarmos com um Jardel renovado, enquanto os miúdos Kalaica e Rúben Dias iam ganhando músculo. Afinal não tivemos Jardel, nem Lisandro, e o Rúben Dias teve de entrar mais cedo que o previsto, a ponto de ser hoje quase um titular indiscutível. Nesse ponto, há males que vêm por bem. Ganhamos um grande central! É menos um problema. Acredito que aos poucos o Rui Vitória vai ajustar a equipa, como em outras situações. Não podemos achar que seria fácil substituir 3 grandes jogadores da defesa como Ederson, Semedo e Lindelof sem uns abanões na estrutura.

3.11.17  
Blogger Manuel said...

Não estou de acordo.
As dificuldades que todos ou quase todos os vencedores das ligas na maioria dos países (excepção Alemanha) sentem para ganhar este ano não pode ser coincidência. Ou será? Desaprenderam todos de jogar? Os treinadores e os jogadores deixarem de ser competentes?

Na minha opinião tudo não passa de conjunturas que ocorrem recorrentemente quando existem tentativas de mudanças de paradigma em rivais.
Em Portugal a conjuntura é agravada pela existência de uma ultrajante campanha de difamação e de mentira contra o Benfica, inédita em qualquer outro país.
Conjuntura que irá passar, como todas as conjunturas.

5.11.17  

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