20/01/12

MUNDIALITO 80 - Uma recordação

Num zapping fortuito pelos canais de desporto, fui dar, há dias, com um documentário da ESPN Classic sobre o Mundialito de 1980, realizado no Uruguai.


Confesso que já pouco me lembrava daquele evento. Mas ao ver o programa, a minha memória transportou-me para fabulosas recordações de infância, dos tempos em que por vezes apenas sabia os resultados no dia seguinte, pelo Diário de Notícias que o meu pai religiosamente comprava.


Na altura, passou-me totalmente despercebida a envolvência política do acontecimento, num contexto de ditadura militar, tão comum na América Latina daqueles tempos. Tinha 10 anos, e só me interessavam Maradona, Zico e Rummenigge, estrelas de então, naquilo que foi a antecâmara para o fantástico Mundial 1982 – o melhor de todos os do meu tempo.


O documentário mostra como a competição foi instrumentalizada pelo poder político e militar, e como as contas lhe saíram furadas, tendo a vitória uruguaia sido antes uma oportunidade para o povo se manifestar nas ruas. Nas cadeias, guardas e presos políticos comemoraram em conjunto os golos de Valdemar Victorino, e o triunfo sobre o Brasil.Tenho a ideia daquilo ter sido vivido como um verdadeiro Mundial (e, pelo menos para os uruguaios foi-o), só que sem televisão em directo (ao contrário do que acontecera, por exemplo, no Argentina 78). Além das notícias de jornal, recordo-me vagamente de ter ouvido uma parte do relato da grande Final, já noite dentro, numa estação de rádio espanhola que se apanhava no Alentejo.


Foi nesta prova que nasceu o lendário Brasil de Telé Santana (goleou a campeã europeia Alemanha por 4-1), que encantaria o mundo nos anos seguintes. Foi também esta a primeira grande competição internacional de Maradona, e de Sócrates, recentemente falecido.


Um documentário delicioso, que aconselho vivamente aos que se lembram, e aos que não se lembram, que um dia houve um Mundialito, ou Copa de Ouro (nome oficial dado pela FIFA).

2 Comments:

Anonymous Júri Faustino said...

Em 82 tinha 4 anos e lembro-me muito vagamento do... topo gigio!

Mas esse mundial poderá ter sido melhor que o de 86?

Pergunto unicamente porque acho o de 86 o melhor dos que tive oportunidade de ver...

27.1.12  
Blogger LF said...

Júri,

O Mundial de 86, também foi muito bom, mas foi um Mundial de uma estrela só. Maradona secou tudo em seu redor, e ganhou o Mundial sozinho.
Houve grandes jogos, mas a dada altura percebeu-se que ninguém iria parar aquele homem.
Além de que Portugal teve uma participação desastrada, o que, confesso, condicionou um pouco o estado de espírito com que vi o resto dos jogos.

O de 82, além de vários jogos inesquecíveis (Brasil-Itália, Brasil-URSS, França-Alemanha etc), de equipas que ficaram na história (como um dos melhores Brasis de sempre), teve o condão de juntar uma geração de grandes craques, que coabitaram como talvez em nenhuma outra oportunidade.
Em 82 estiveram, entre outros, Maradona (também), Zico, Sócrates, Falcão, Rummenigge, Keegan, Lato, Boniek, Blokhine, Dassaev, Paolo Rossi, Bruno Conti, Dino Zoff, Hrubesch, Breitner, Santillana, Shilton, Stielike, Platini, Giresse, Tigana, Schumacher, Juanito, Junior, Cerezzo, Cabrini, Scirea, Kempes, Passarella, Prohaska, Scifo, Ceullemans, Roger Milla, Souness, Susic, Cubillas, Panenka, Madjer etc, para referir aqueles que me lembro de cabeça.

Foi um mundial onde ficaram bem vincados os estilos de cada tipo de futebol, com a força da Alemanha, a técnica maravilhosa do Brasil, o cinismo da Itália.
Muitas das principais selecções estavam no top naquela altura.
Foi aqui ao lado. Enfim, foi absolutamente mítico.

O primeiro Mundial que recordo foi o de 1978, mas dos nove que já vivi, o de 82 foi o que mais me marcou.

Dizem que o de 70 foi ainda melhor (com Pelé, Muller, Rivelino, Beckembauer, etc). Mas isso já não posso confirmar.


Se não tivesse visto o de 82, talvez escolhesse também o de 86, pelo que compreendo o teu ponto de vista
Daí em diante nunca mais se fizeram mundiais como antigamente...Foi talvez, por esses anos, o fim do romantismo futebolístico.

27.1.12  

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