22/02/11

GUIÃO ANUNCIADO

Com um resultado natural, e uma diferença de capacidades eloquentemente expressa ao longo dos noventa minutos, pode dizer-se que o dérbi de Alvalade seguiu à risca o guião previamente anunciado.
Não foi necessário que o Benfica realizasse uma grande performance artística para que ficasse bem demonstrada a sua gritante superioridade sobre o velho rival, coisa que aconteceu, quer enquanto as equipas estiveram numericamente equilibradas, quer após a injusta expulsão de Sidnei.
Como eu tinha dito na antevisão ao jogo, o grande adversário do Benfica nesta partida estava no interior de si mesmo, que é como quem diz, na cabeça dos seus jogadores. Triunfalismo, excesso de confiança, ou sobranceria, poderiam ser factores suficientes para alterar a correlação de forças, e trair a melhor equipa. Desde cedo ficou patente que isso não iria acontecer, vendo-se um Benfica humilde e empenhado em sair desta jornada com o sonho do título ainda vivo.
Poucas vezes na história do futebol português se terá estado perante um diferencial de poderes e capacidades tão profundo entre estes dois clubes como o que se assiste neste momento. Mas é preciso também dizer que o Sporting não teve a sorte do seu lado, nem pôde preparar este jogo da forma que certamente gostaria. Vendo-se, por diferentes razões, sem Valdés, sem Carriço, sem Evaldo, e sem Vukcevic (já nem falo em Izmailov, e muito menos em Liedson), não dispondo da voz de comando do seu treinador desde o banco, a equipa leonina dificilmente teria argumentos para se bater com o melhor Benfica da temporada. Foram de facto azares a mais para quem já vive no sobressalto de uma crise directiva sem precedentes, e na angústia de um presente muito pouco promissor. Também por tudo isso, a vitória do Benfica não surpreendeu ninguém - nem terá feito os benfiquistas rejubilar de alegria (ao fim ao cabo, a equipa encarnada quase se limitou a cumprir a sua obrigação), e muito menos deverá ter humilhado qualquer sportinguista, pois poucos acreditariam num destino diferente, e alguns até talvez temessem números mais expressivos.Não se viu, como disse, uma grande exibição do Benfica. A equipa teve apontamentos de classe, mostrou-se eficaz no processo defensivo e nas transições ofensivas, mas a espaços evidenciou algumas dificuldades nas transições defensivas (aqueles dois contra-ataques após pontapés de canto a favor, e já em vantagem no marcador, não se poderão repetir, por exemplo, na Alemanha). É impossível especular sobre que segunda parte teríamos visto se estivessem em campo os onze jogadores encarnados. A que se viu mostrou um bloco mais retraído, e suficientemente eficaz face a um adversário que não tinha argumentos técnicos nem físicos para importunar a baliza de Roberto. Este Sporting é totalmente inexistente no jogo aéreo, e grande parte dos seus jogadores executa de forma lenta e denunciada, o que favorece qualquer linha defensiva. Frente ao Estugarda o Benfica terá outro tipo de problemas pela frente. Esperemos que lhes saiba dar, também, diferentes respostas.
Em termos individuais há que destacar a grande exibição de Nico Gaitán (um caso sério de talento, como sempre tenho defendido), mas também do quarteto defensivo (quer com Sidnei, quer com Jardel). No Sporting, só Djaló e João Pereira tentaram remar contra a maré.
A arbitragem esteve perfeita no plano técnico. Já quanto ao aspecto disciplinar, abusou dos cartões, equivocou-se nos critérios, e quase estragou um jogo correcto e leal.
Na próxima semana haverá novo dérbi. E se o Benfica souber respeitar o seu rival como o fez na partida desta noite, haverá seguramente nova vitória daquela que é, incontestavelmente, a melhor das duas equipas.

4 Comments:

Blogger Jotas said...

Julgo que foi claro para todos, que foi um derby com uma vitória incontestável do Benfica, sempre superior ao seu adversário com 11 e mesmo com 10 jogadores em campo, ficando nitidamente provada a superioridade actual de uma equipa perante a outra.
A equipa mostrou úma capacidade incrível de reagir às mais variadas adversidades do jogo, um mérito dos jogadores claro, mas muito do seu treinador, que mais uma vez demonstrou que sabe ler como ninguém um jogo a partir do banco.

22.2.11  
Blogger dezazucr said...

"Na próxima semana haverá novo dérbi. E se o Benfica souber respeitar o seu rival como o fez na partida desta noite, haverá seguramente nova vitória daquela que é, incontestavelmente, a melhor das duas equipas."

Espero bem que sim, pois o da próxima semana vale uma final.

22.2.11  
Anonymous Peter said...

Uma vitória importante para acimentar o bom momento que o Benfica atravessa, concordo com a leitura do LF em quase todos os aspectos mas devo acrescentar que o soares dias trazia a lição bem estudada para dar o título já neste jogo ao fcp. A dualidade de critérios na disciplina (para o Sidnei ser expulso o p.mendes devia ter sido expulso 1º)e o carregar de amarelos para limitar os jogadores não só naquele jogo como nos futuros jogos da liga, e claramente para cansar os jogadores para o jogo de 5ª na liga europa, pq o fcp tem medo que o Benfica na europa faça melhor figura que eles, aliás os 6minutos de descontos dizem tudo, eu sei que houve uma paragem grande devido ao choque do Jardel com o cristiano, mas mesmo assim 6m foi demais,querem apostar que se fosse o scp que estivesse a ganhar 2-0 ele não dava 6m de descontos?Este nunca me enganou e quem sabe de futebol português sabe bem de que família este vem.

22.2.11  
Anonymous Anónimo said...

e depois nos é qjue temos complexos de inferioridade? foi um sporting benfica e mesmo assim falam do fcp

23.2.11  

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