DEPOIS DA TEMPESTADE, A BONANÇA

Entalada no meio da eliminatória europeia, esta jornada não podia ter melhor adversário: a equipa mais fraca da Liga.
Isso permitiu um autêntico passeio ao Benfica. Deu para rodar a equipa, deu para resolver cedo e poupar energias.
Deu também para mais um penálti por assinalar. Mas se o VAR do jogo com o Alverca teve nota muito satisfatória, o sinal está dado. Com este CA, dificilmente alguma vez o Benfica poderá ser campeão. 
Nota também para a estreia a titular de mais um campeão do.mundo de sub 17, José Neto. Para o regresso de Bah, e logo a marcar. Também para o grande golo de Rafa, e a excelente exibição de Schjelderup - a assinar a titularidade no(s) próximo(s) jogo(s).
Agora...Bernabéu.

ONZE PARA O AVS

Por mim seria Prestianni e mais dez. Como o jovem argentino está castigado...Trubin, Banjaqui, António, Otamendi, Dahl, Barreiro, Enzo, Lukebakio, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

NÂO ME INFANTINEM


Duas fotos que dispensariam qualquer comentário. Em cima, uma publicação do presidente dos EUA (!?! parece impossível, mas é), ilustrando um dos seus antecessores e a esposa como macacos. Em baixo, o diligente líder da mafiosa FIFA,  tirando uma sorridente selfie com o autor da dita publicação. 
Este mesmo dirigente que se apressou agora a lançar bitaites sobre algo que não presenciou. Aliás, nem sei se ele vê futebol, ou apenas se move por paraísos fiscais.
Crucificar um miúdo de 20 anos por ter tentado, mal ou bem, proteger o seu clube e os seus adeptos das miseráveis provocações de um imbecil com um vasto currículo de "fair-play", ou "respect", ou lá o que querem colocar nas camisolas. E ao mesmo tempo bajular um poderoso líder mundial que, não só chama, como ilustra um ex presidente como macaco - só por ter a pele mais escura que a dele.
São estes os critérios que temos, num mundo de pernas para o ar.
A mim não me vão infantinar. Força Prestianni!

CARTA ABERTA A PRESTIANNI

Caro Gianluca,
Não te conheço pessoalmente, mas sei que és um jovem com idade para ser meu filho. Tenho até um filho um pouco mais velho do que tu.
Admiro muito o teu talento. Acho que és um prodígio de técnica, que apenas precisa de afinar o remate à baliza (e trabalhares muito) para te tornares um craque de dimensão mundial. Já o escrevi aqui, e não só aqui.
Abomino qualquer tipo de racismo. E sou, com imenso orgulho, sócio e adepto de um clube cuja maior lenda, com direito a estátua á porta do estádio, como tu sabes, é um negro: o grande Eusébio da Silva Ferreira. E cuja segunda maior figura talvez seja outro negro: o grande capitão e líder Mário Esteves Coluna.
Tenho a certeza que tu também não és um racista. Tenho a certeza que, no balneário, respeitas e és respeitado por gente de vários países, de diferentes etnias, e cujo estatuto é definido, não pela cor da pele, mas pela experiência, pela atitude e pelo talento. Na maior parte dos casos é assim o futebol. Felizmente.
Não ouvi o que disseste no relvado. Ninguém ouviu, excepto tu e aquele indivíduo a quem tenho dificuldade em chamar jogador profissional. Outros dizem que ouviram, mas as imagens disponíveis indicam que estão simplesmente a mentir. Para te prejudicar. Para branquear o comportamento miserável do alegado destinatário das tuas palavras.
Estás a ser crucificado por um mundo repleto de hipocrisia. Estás a ser atacado por pessoas que nem sequer estavam no estádio. Algumas nem sequer viram as imagens. Simplesmente, lança-se para o ar a palavra racismo, há um preto e um branco, e a partir daí já não interessa quem tem razão. Um é desde logo culpado e é para decapitar. Outro é desde logo inocente e deve ser beatificado. Mas a vida nunca é a preto e branco. É a cores. Com muitas cores. Como o vermelho da camisola que vestes (e essas são as únicas cores que me interessam). Com muita gente boa e má, sejam brancos, pretos, amarelos ou às riscas.
Podes até ter-te excedido nas palavras. Se aconteceu, vais aprender com o erro, e perceber o meio em que te movimentas, no qual um passo em falso tem efeito exacerbado e por vezes planetário. Eu, quando tinha a tua idade, não teria maturidade para lidar com uma situação deste tipo. Mas tu talvez já a tenhas, e tens o apoio e a protecção do clube, bem como de seis milhões de adeptos que, por boas ou más razões, acabaste de unir em torno de ti.
O que fizeste tu afinal? Tentaste, da forma que, mal ou bem, naquele momento entendeste ser a mais apropriada, defender o clube que representas. Em campo, interpretaste a indignação e o ultraje que adeptos como eu sentiam na bancada, ao ver atitudes nojentas de uma "super-estrela" mimada que - sendo bastante mais velho do que tu, ganhando bastante mais dinheiro do que tu, tendo muito mais responsabilidade do que tu - não tem carácter, nem merecia estar ali a jogar a Champions, ou a representar um clube como o Real Madrid. Em Espanha conhecem-no bem. E mesmo no seu clube, diz-se que há quem esteja farto dele. O problema não é a cor da pele. O problema é mesmo o cérebro, onde existirá pouca coisa. Já leva 21 episódios desta natureza. 21 !!!. Há milhares de futebolistas negros, e só ele (um dos mais ricos, um dos mais privilegiados) é que é sempre a "pobre vítima". Agora até no estádio de um clube que tem um negro como símbolo maior - coisa que ele provavelmente nem sabe, coisa que muita gente que fala do assunto também não sabe. 
Tu, Gianluca, tens o meu apoio total e absoluto. Como, estou certo, tens o apoio total e absoluto do clube, do plantel e dos adeptos.
És um miúdo. Desculpa dizer-te isto, mas vejo-te ainda, tal como a alguns dos teus colegas, como uma criança. Tens a vida pela frente, tens um talento incrível que tens de saber aproveitar. Com o tempo e com a maturidade, talvez não te deixes cair em ratoeiras como a que te foi, e está a ser, montada. À semelhanca, por exemplo, do que sucede com o teu companheiro Otamendi, com o teu ex-companheiro Di Maria, ambos campeões do mundo pelo teu país. É neles que tens de pôr os olhos, é o exemplo deles, desde logo de profissionalismo, trabalho e humildade, que tens de seguir. Também de "esperteza", para não cederes a provocações. Para seres tu a ditar as leis. Para defenderes, com tudo, a tua equipa e os teus colegas. Para saberes sair por cima.
Jogas num grande clube. Estamos contigo. Trabalha muito, treina arduamente, joga bem, marca golos, e tenho a certeza de que o mundo acabará por te fazer justiça.
Força Prestianni!
Aceita um Abraço de um grande admirador do teu talento.
LF

QUE DESILUSÃO, LUISÃO...

Um jogador que eu defendi quando empurrou um árbitro e foi castigado durante neses, que eu defendi quando foi apanhado a conduzir alcoolizado a altas horas da noite, que eu defendi quando fez videos a treinar sozinho quando não era convocado, que eu defendi quando entrou em violenta discussão com um colega de equipa em pleno relvado, que eu defendi quando andava aos abraços com Pedro Proença depois deste prejudicar gravemente o Benfica, que eu defendi quando ano após ano mostrava vontade de sair do clube só para lhe ser aumentado o ordenado.
Que ingratidão. Que desilusão. Que pena.
A prova provada de que ídolos são apenas aqueles que, em cada momento, vestem a camisola do clube. Como Prestianni e os outros 14 que ontem me fizeram sofrer e vibrar durante noventa minutos. A verdadeira paixão está na camisola do Benfica. Aqueles que a vestem não passam de circunstâncias mais ou menos prolongadas. A de Luisão talvez tenha sido demasiado prolongada.

UM SANTO, COMO É ÓBVIO

Os casos são recorrentes: acontece racismo sempre que apetece ao menino. 
Provoca espectadores e adversários (neste caso, de forma completamente gratuita), e depois, coitadinho, vitimiza-se, fazendo valer a cor da sua pele - contando para isso com um caldo cultural que favorece a presunção de culpabilidade neste tipo de situações, e com a dimensão planetária do clube que representa. Até Infantino, que tem passado os últimos meses a lamber as botas de Donald Trump (um exemplo de valores, de virtude e de humanismo, como sabemos) para proteger o seu negócio, veio pronunciar-se. Fosse a alegada vítima Barreiro ou Lukebakio, e gostava de saber o que toda esta gente diria, se é que diriam alguma coisa.
Quando acontecia em quase todos os estádios de Espanha, era lá com eles, embora os anos que levo disto me façam perceber que, se os episódios envolvem sempre o mesmo protagonista, por algum motivo é.
Desta vez foi à minha frente. Vi, indignado, ultrajado, Vinicius a gesticular, a deitar a língua de fora, a provocar ostensivamente os adeptos do Benfica, a rir-se deles, sem que antes estes lhe tenham dirigido qualquer tipo de comunicação verbal ou não verbal. Não me recordo de outro futebolista profissional fazer algo sequer semelhante, nem na Luz, nem em nenhum outro estádio.
Não sei o que disse Prestianni, que, mal ou bem, com maior ou menor voluntarismo, saiu em defesa da honra e da dignidade da casa. Sei o que fez Vinicius. E o que fez Vinicius é de alguem que não tem dimensão mental, nem moral, nem ética, para estar no desporto de alta competição. É próprio de um arruaceiro, de um imbecil, de um crápula. Um monte de qualquer coisa, que não passa além do nível dos pés. Que não sabe onde está, nem o que representa. Provavelmente acabará a carreira sem nunca o saber, porque a inteligência não lhe dá para mais.
Quanto vale a palavra de um homem destes? Zero, como é evidente. Tanto, já agora, quanto a do presidente da mafiosa FIFA - esse com inteligência a mais.

RECORD DA LUZ

66387 espectadores estiveram esta terça-feira na Luz. O número constitui record do estádio inaugurado em 2003, e ligeiramente aumentado em 2025.
O top dez de assistências consta do quadro que se segue:
Já o antigo Estádio da Luz (e consequentemente o país, suponho que também a península ibérica) registou a sua maior enchente no dia 4 de Janeiro de 1987, numa partida com o FC Porto que o Benfica venceu por 3-1, com hat-trick de Rui Águas. Esse FC Porto, orientado por Artur Jorge, com Madjer, Gomes e Futre no ataque, viria a sagrar-se campeão europeu. Já o Benfica, de John Mortimore, faria a "dobradinha" doméstica.
O jogo, no qual estive presente (foi a última vez que fui ao estádio com o meu pai) aconteceu 21 dias após os 7-1 de Alvalade. Segundo notícias da altura, com bancadas, escadas e corredores de acesso apinhados, marcaram presença cerca de 140 mil pessoas. Antes, a "exigência" era assim: perdia-se 7-1 com o Sporting, e batia-se o record de assistência logo a seguir.
Já agora, diga-se que o record europeu ter-se-á registado num Escócia-Inglaterra, no Hampden Park, em 1937, com quase 150 mil espectadores. O record mundial supõe-se ter ocorrido no Brasil-Uruguai de 1950, com cerca de 175 mil a encherem o Maracanã.

A ANTIGA BÍBLIA E O NOVO TESTAMENTO

Uma pérola do director de "A Bola":

(...) a acusação sobre o argentino é grave e real, Mbappé afirmou ainda que o alegado insulto foi repetido cinco vezes, e a suspeita aumenta por um gesto de ocultação que se tornou comum nos relvados. À falta de prova concreta, a «verdade» será vista consoante a cor pela qual se torce (...) 

O artigo era sobre os tempos de cavalheirismo entre Eusébio e Di Stéfano. Mas esta citação podia ser sobre "A Bola" de Vítor Santos, Aurélio Márcio, Alfredo Farinha e Cruz dos Santos e a caricatura dela própria que vemos hoje.
É uma pena que a comunicação social tradicional se perca, também por tiros no pé - como o de escolher este indivíduo para dirigir um jornal ao qual, em tempos, se chamava a "Bíblia" do desporto.

NÃO É MACACO, É PORCO

Um clube como o Benfica, que tem à porta do seu estádio uma estátua do grande Eusébio, não aceita lições sobre racismo de ninguém. Nem de um treinador mediano como Arbeloa, nem de um grande jogador como Mbappé - que devia jogar mais e falar menos.
Eu estava na Luz, e numa posição privilegiada para ver o que se passou. Vinicius marcou um golaço e, do nada, sem insultos nem sequer assobios, em vez de festejar com os colegas, decidiu fazer gestos para as bancadas e provocar os adeptos do Benfica. 
O que Prestianni disse, se é que disse, só duas ou três pessoas ouviram, ou dizem que ouviram. O que Vinicius fez foi testemunhado por milhares em todo o estádio, e provavelmente por milhões em todo o mundo, através da televisão. E não foi bonito.
Como afirmou Mourinho, há centenas de jogos na Europa, com milhares de jogadores, e estes incidentes acontecem sempre com o mesmo. Ninguém se lembraria de chamar, fosse o que fosse, a Camavinga, Tchouameni ou Rudiger. Nem a Barreiro,  Sidny ou Lukebakio. A "vítima" é sempre a mesma. E por isso talvez seja ele,  Vinicius, que, independentemente do seu inegável talento, não mereça jogar esta competição.  Talvez seja ele, e não outro, que está a mais no futebol.
Até aos cinquenta minutos viu-se um grande jogo, interpretado por duas grandes equipas (e que bom ver o Benfica a jogar de igual para igual com uma das melhores equipas do mundo...). A partir daí acabou o espectáculo. Porventura com alguns culpados menores, mas sem dúvida com um culpado maior: Vinicius Júnior, que não precisava "daquilo" para nada.
De resto, em relação à partida de há três semanas, tivemos, como se esperava, um Real Madrid diferente, mais fechado, mais concentrado e mais combativo. Tivemos também, e era igualmente de esperar, um árbitro diferente - daqueles tipicamente UEFA, com boa forma física,  inglês fluente, e capacidade de manipular resultados sem dar muito nas vistas. Mas com o que temos visto em Portugal, até parece mal criticar esta arbitragem. 
O Benfica foi menos eficaz (nas aproximações à área), e, sobretudo, menos feliz. Mas deixou tudo em campo, e se jogasse sempre assim no campeonato português, onde não há reais madrids,  não estaria certamente em terceiro lugar.
Fica um resultado obviamente negativo,  mas que ainda permite sonhar durante uma semana. Não se tratasse do Real Madrid, nem do Bernabéu, e estaríamos perante a mera necessidade de ganhar um jogo de futebol. E com um empate na Luz, ou mesmo uma vitória tangencial, as esperanças de seguir em frente não seriam muito maiores. Mas é a Champions, é o Real Madrid, e é o Bernabéu. Há que ser Benfica, e acreditar em mais um milagre. Ou, pelo menos, fazer uma boa exibição e sair com dignidade de uma prova onde já ganhámos o nosso dinheiro e já tivemos o nosso momento.

ONZE PARA O REAL

Trubin, Tomás,  António,  Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

PONTO DE SITUAÇÃO

Este é o ponto de situação dos campeonatos das principais modalidades. De notar que em Futebol, Hóquei e Futsal, tanto em masculinos, como em femininos, o Benfica ainda não averbou qualquer derrota.

VALE TUDO

Não sei quantos penáltis houve neste jogo. Um? Dois? Mais? Enfim, dependeria de um critério mais largo ou mais apertado. Como não houve nenhuma rasteira com a cabeça, António Nobre nada viu, nada assinalou.
A própria nomeação deste árbitro para este jogo, com Manuel Oliveira no VAR, prova a total falta de pudor deste Conselho de Arbitragem - que está a fazer o campeonato português regressar aos anos noventa, eventualmente com outras cores. E não é por ganhar que estas situações devem passar em claro.
Pode dizer-se que a vitória do Benfica foi demasiado sofrida. Mas, caramba, a equipa de José Mourinho não tem a obrigação de criar sempre sete ou oito ocasiões. Marcou dois golos, e foi-lhe sonegada a possibilidade de marcar mais. Já sabemos o que são estes jogos em vésperas de Champions, e ainda pior se o relvado não ajuda - e esse, os estádios miseráveis, é outro dos problemas do futebol português. 
Desta vez também Trubin não ajudou, oferecendo um golo que recolocou o Santa Clara no jogo, e podia ter tido consequências dramáticas.
No meio de tanta contrariedade, salvaram-se os pontos, que permitem continuar a sonhar. Infelizmente, Luciano Gonçalves e o seu gangue não vão deixar o Benfica ganhar muitas vezes. Hoje não conseguiram o que queriam. Em ocasiões passadas, e muito provavelmente também futuras, vão conseguir. Pode ganhar-se um jogo contra 12, 13 ou 14. Dificilmente se ganha um campeonato. 

ONZE PARA OS AÇORES

Trubin, Banjaqui, António, Otamendi, Dahl, Enzo, Barreiro, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis. 

PORMENOR ESTATÍSTICO

Naturalmente não passa de um pormenor estatístico, que vale pouco ou nada, mas o Benfica está sem perder, para o campeonato, há mais de um ano, sendo a equipa de entre as dez principais ligas europeias que há mais tempo não é batida. O Fenerbahce também ainda não tem derrotas nesta época, mas perdeu no penúltimo jogo da época passada. Curiosamente, também não lidera o seu campeonato (segue em segundo, atrás do Galatasaray).
A última derrota do Benfica aconteceu em Janeiro de 2025, em Rio Maior, diante do Casa Pia. Foi o jogo que originou depois uma discussão quente no parque de estacionamento da Luz, entre Bruno Lage e alguns adeptos.
Esta é já a quinta série de invencibilidade mais longa da história do futebol português. FC Porto entre 2000 e 2002 (58 jogos), Benfica entre 1976 e 1978 (56), FC Porto entre 2012 e 2013 (53) e Benfica entre 1971 e 1973 (42), são as quatro melhores.
Nos últimos 48 anos, só em 2013 os encarnados chegaram à 21ª jornada sem conhecer o sabor amargo da derrota. Seriam batidos na 29ª (com o maldito golo do Kelvin aos 92 minutos), e perderam, nesse jogo, o campeonato.
Há 49 anos, sob o comando de John Mortimore, fizeram todo um campeonato sem derrotas. Também aí não foram campeões (foi o FC Porto de Pedroto, com uma derrota). Em 1973, com Jimmy Hagan, então sim: sem derrotas e com título.
Recordemos toda a série do Benfica, que ainda está em curso:

ESTÃO BEM UM PARA O OUTRO

O ambiente criado em torno deste FC Porto-Sporting remete-nos para memórias de outros tempos. Recordo que os jogadores do Benfica chegaram a ter de se equipar nos corredores, devido ao cheiro de produtos tóxicos no balneário, que o autocarro do Benfica foi diversas vezes apedrejado, que foram arremessadas bolas de golfe para o relvado, que houve agressões a seguranças em túneis, lançado fogo de artifício à porta do hotel durante a noite, provocações constantes de todos os jogadores (lembram-se de Paulinho Santos?), até um estranho contágio generalizado de covid 19 após um "Clássico" no Dragão, que deixou muitas dúvidas, sem falar em mails pirateados entre outras pérolas de desportivismo. Há que dizer que, comparado com tudo isso, o que aconteceu agora (cartazes, toalhas roubadas etc) não passa de uma brincadeira de crianças. Mas o meu ponto não é esse.
A verdade é que, se ao longo dos anos o FC Porto nos habituou a esse tipo de comportamento, dentro e fora dos campos (primeiro com Pedroto, depois com Pinto da Costa, e agora com Villas Boas numa versão, diria, mais soft-core), o Sporting tem seguido o mesmo manual de instruções. De forma disparatada com Bruno de Carvalho. De forma cínica, mas mais eficaz, com Frederico Varandas.

Mais de uma vez falei aqui de Ruben Amorim como impulsionador de um certo modo de estar em campo - mais visível nos estádios do que na TV -, segundo o qual valia tudo para ganhar. Afinal talvez a culpa não fosse dele. Nem dos comportamentos...nem das vitórias. A verdade é que com Rui Borges no banco - que parece um paz de alma -, todo esse jogo sujo continuou. Vidros partidos nas tribunas e nas portas dos balneários, agressões a apanha-bolas, constantes provocações de personagens como Pote ou Maxi Araujo (Nem vou a Matheus Reis, que foi embora, ou a Nuno Santos que está a voltar), pressão sobre árbitros e adversários, um manancial de anti-jogo assinalável, com muitos "nervinhos" à mistura, para além de pontas finais de jogos em modo Formula E e beijinhos para a bancada contrária.
Mal vai o futebol português se esse tipo de comportamento é premiado com vitórias. Se se entende que, para ganhar, é preciso ser arruaceiro, ordinário e provocador. Olhamos para a Premier League, e está nos antípodas. A verdade é que, em Portugal, é o que temos, e ao que parece vai valendo títulos.
Nem tanto ao mar nem tanto à terra, também me parece que o Benfica, este Benfica, é por vezes demasiado angelical. Talvez por ser uma equipa muito jovem, como diz Mourinho, morde pouco. Talvez por não tomar as vitaminas certas, não apresenta a mesma agressividade física e mental. Daí estar em terceiro lugar, e ter perdido demasiados campeonatos.
O que está certo e o que está errado? Quero acreditar que devem ser os comportamentos negativos a ser denunciados, e não o contrário. Mas neste particular, uma coisa é óbvia: este FC Porto e este Sporting estãao bem um para o outro. O Benfica, por bons ou maus motivos, corre noutra pista.

NÃO ME SAI DA CABEÇA

2+2+2+2=oito pontos perdidos contra 14º, 15º, 16º e 17º da classificação, seis deles em casa com golos sofridos no tempo extra, desperdiçando vantagens. Com esses pontos, ganhando a essas equipas, três delas na Luz (não era pedir muito), o Benfica estaria agora na frente. São coisas que podem acontecer na temporada ...uma vez...vá lá duas. Assim, fica difícil. Como tudo podia ter sido diferente...

ANÍSIO CONTRA O MUNDO

Não é por ganhar o jogo que a arbitragem, mais concretamente a vídeo arbitragem, pode passar incólume. O que se viu na Luz foi um assalto, que tem de ser denunciado. 
Vai sendo habitual. É assim há um ano, desde que Luciano Gonçalves tomou o CA. A cada semana que passa a situação vai ficando também ela, cada vez mais repugnante. Até quando? Até onde?
Valeu Anísio, depois de 85 minutos em que o Benfica podia, e devia, ter marcado mais golos, e ter obtido uma vitória mais tranquila.
Pavlidis atravessa uma acentuada crise de confiança, e não há mais quem meta a bola na baliza. Ou não havia, no onze inicial.
Até à área, os encarnados fizeram quase tudo bem. Dentro da área, corre sempre alguma coisa mal. E também isso tem sido frequente ao longo da temporada. 
A vitória foi saborosa e extremamente importante - sobretudo na véspera de uma partida que vai tirar pontos a pelo menos um dos dois primeiros.
A última e principal nota de destaque vai obviamente para Anísio. Este menino tem golo, tem chama e tem um enorme futuro pela frente. Assim entenda o que lhe está a acontecer como um princípio e não como um fim.

ONZE PARA O ALVERCA

Trubin, Banjaqui, António Silva,  Otamendi,  Dahl, Aursnes, Barreiro, Prestianni, Rafa, Schjelderup e Pavlidis.

OS JOGOS DO SÉCULO

Escolher vinte jogos do século XXI não é tarefa fácil. Cinco ou seis são óbvios (como o da semana passada, por exemplo). Mas outros há em que o critério se torna mais difuso. Valeram títulos? Foram os mais bem jogados? Resultaram em goleadas? O adversário era forte? Estive no estádio? Era contra rivais? Enfim, há muitas variáveis.
Para aligeirar a escolha ignorei algumas finais e jogos de título, em caso do motivo ser apenas esse. Se assim não fosse teria de colocar as finais perdidas da Liga Europa (numa delas até estive no estádio), os jogos que valeram os oito campeonatos conquistados neste século, as finais de Taça de Portugal, Supertaças e Taças da Liga (algumas ganhas aos rivais), e não ficava espaço para mais nada. Considerei os mais relevantes. Ignorei também algumas vitórias no terreno dos principais rivais, cingindo-me às que mais me marcaram.
Eis a minha escolha:

MERCADOS 2022-2026


Francamente, ainda não sei bem o que valem Berrenechea, Rios, Ivanovic e Sudakov. Chegaram há poucos meses, e se nos lembrarmos dos primeiros meses de Di Maria, Cardozo, Enzo Perez, Luisão e outros, saberemos ser prudentes e não fazer crucificações precipitadas. É assim difícil qualificar o mercado de 2025, apesar de, quanto a mim, e independentemente da valia dos jogadores citados, se ter mexido demasiado numa equipa que ficou a uma bola ao poste e um pisão na cabeça de ganhar todas as competições nacionais.
Do que está para trás, sim, é possível fazer um balanço.
Diria que o pior mercado foi o do Verão de 2023. A equipa tinha sido campeã, não precisava de tantas mexidas. E pensar que Jurasek (14M) ia substituir Grimaldo, e Arthur Cabral (20M) ia substituir Gonçalo Ramos, foram erros de análise crassos, que eu próprio aqui denunciei em tempo próprio. Kokçu (25M) também não fazia falta nenhuma pois tinha emergido João Neves, e as saídas dos laterais suplentes, Gilberto e Ristic, acabaram por pesar ao longo da temporada (Aursnes que o diga). Foi um mercado muito caro e muito mau, que obrigou a correr atrás do prejuízo para recompor aquilo que havia sido estragado.
Nos restantes mercados houve apostas acertadas e outras nem tanto - como é normal em qualquer clube.
O melhor foi claramente o do Verão de 2022 (que, não por acaso, valeu o último título). 
Houve, nos últimos anos, contratações falhadas (destacaria Jurasek e Arthur Cabral, pelo preço e pelo contexto). Houve também acertos (Enzo Fernandez, Aursnes, Trubin, Di Maria, Carreras, Akturkoglu, Pavlidis, Prestianni, e alguns ainda por definir). Apesar de tudo julgo que o Benfica tem evoluido para um plantel mais jovem (demasiado jovem?) e também um pouco mais barato (Di Maria, Kokçu, Belotti, Neres, Kerem, Arthur Cabral, João Mário etc, teriam salários certamente bastante elevados, para não ir aos Weigls, Vertonghens, Seferovics ou Taarabts).
Tanto na época passada (azar e arbitragens), como nesta (Mundial, pré-eliminatórias, lesões e outra vez arbitragens), há atenuantes fortes para os resultados desportivos do Benfica, designadamente no campeonato nacional. Gostaria de ver a base desta equipa manter-se com Mourinho na próxima temporada. Mesmo com arbitragens hostis (Luciano Gonçalves vai manter-se mais três longos anos...), acredito que exista uma base de campeões, que pode ser potenciada. O futuro dirá.

FICOU ASSIM

Parece-me que, sem lesionados, com toda a gente em boa forma, este plantel não seria assim tão fraco, e daria bem para ganhar um campeonato. Ou não?

UMA QUESTÃO CENTRAL

2024-25 - jogadores com mais de cinco golos em todas as competições:


2025-26 - jogadores com mais de cinco golos em todas as competições:


SÓ PARA ALGUNS

Umas equipas aparecem com impressionante frescura física nos últimos minutos de todos os jogos. Outras...têm de substituir algumas das principais peças - com o desgaste natural de uma semana de Champions - e vão, humanamente, perdendo gás à medida que os minutos avançam, e que as coisas teimam em não acontecer.
Por outro lado, o protocolo do VAR que nos foi apresentado previa que não houvesse intervenção em lances não evidentes. O protocolo que está a ser aplicado é outro: se a decisão favorecer o Benfica, é revertida, e vice-versa.
Ora assim é difícil. 
A equipa luta, corre, tenta por todos os meios, mas no futebol português há fenómenos que condicionam os resultados, e que estão para lá da compreensão humana. Pelo menos da minha.
Também houve, é certo, culpas próprias. As entradas de Sidny, Rafa e Bruma não trouxeram absolutamente nada. E Pavlidis está no pior momento de forma desde que chegou à Luz. Sem ele, não há quem meta a bola na baliza. Não sei porque não foi utilizado Ivanovic. É verdade que o jovem Anísio fez o que pôde para agitar a área,  mas se o croata não serve, talvez o centro do ataque precise de uma alternativa válida, com peso e estatura, para este tipo de jogos.
O campeonato já estava perdido, e agora o segundo lugar depende de terceiros. Teremos sempre o momento Trubin. Temos ainda uma eliminatória para prestigiar o clube na Europa. Em termos internos, é a altura e o contexto para preparar a próxima época. 
Mas se algumas coisas não mudarem,  pode mudar-se de treinador, de jogadores, de presidente,  que tudo será igual.
Seria preciso mudar, isso sim, o Conselho de Arbitragem. E, para além de um ponta de lança,  eventualmente contratar um médico.