SÉRIES A BATER
GOLOS EM DÉRBIS
Com o golo obtido em Alvalade, Rafa Silva entrou no top 20 de marcadores do Benfica em jogos com o Sporting.
QUE PENA...
ONZE PARA ALVALADE
Trubin, Dedic, A.Silva, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Rios, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.
INGLÓRIO
Infelizmente, a sorte não esteve com os jovens encarnados, que desperdiçaram as inúmeras ocasiões de golo que criaram, e viram o Clube Brugge aproveitar com eficácia as que lhe concederam. O Benfica ficou assim pelas meias-finais, não podendo repetir o título conquistado em 2022.
Os belgas pareceram-me mais possantes e mais organizados. No Seixal há jogadores muito talentosos, mas as utilizações intercaladas da maioria deles por equipa A, equipa B, Sub 23 e Sub 19, terá retirado harmonia ao colectivo.
É preciso dizer também que não tenho gostado nada das últimas exibições de Banjaqui e Anísio, designadamente desde que Mourinho os fez estrear na equipa principal, ao que se seguiu uma renovação de contrato. Pode ser impressão minha, mas ambos parecem acomodados e com alguns tiques de vedetismo que não auguram nada de bom. Têm de perceber que chegar à equipa A é o princípio e não o fim.
Não faltam exemplos de estrelas nas camadas jovens que esbarram no contexto profissional. Lembro-me de Pepa, Nélson Oliveira, Roderick, Zé Gomes, Tiago Dantas, Martim Neto e Henrique Araújo, isto apenas no Benfica. Em sentido oposto, jogadores discretos que explodem na equipa principal, como António Silva ou João Neves. Depende muito da mentalidade. Sempre foi assim - recordemos que Fernando Couto era suplente de Pedro Valido e Paulo Sousa suplente de Tozé, nas selecções campeãs com Carlos Queiroz.
ELE ERA PERIGOSO!
E ENTÃO, BERNARDO?
Partindo do princípio de que não quererá arrastar-se pelos relvados, como tem feito um colega seu de Selecção, eu diria que terá mais dois ou três anos a alto nível enquanto futebolista profissional. Ou seja, um contrato.
Não duvido do benfiquismo de Bernardo Silva. Mas acho que esta é a hora de demonstrá-lo. Fez a sua carreira internacional, está rico e disponível. Se quer vir para o Benfica, se quer terminar a carreira no clube de coração, é agora. Quando tiver 40 anos, o Benfica já não precisará dele.
Tenho a certeza que Mourinho e Rui Costa o quererão de volta. Espero que lhe apresentem uma proposta dentro do tecto salarial do plantel encarnado. Cabe a Bernardo Silva aceitar receber muito menos do que em Manchester, do que noutro grande clube europeu que eventualmente o queira, ou do que num qualquer país do médio oriente. Não lhe peço para fazer como Rui Costa em 2006, o qual, contado na primeira pessoa por Luís Filipe Vieira, apenas exigiu a camisola 10 e um valor contratual em branco paa o Benfica decidir quanto lhe pagar. Mas peço-lhe que aceite um valor igual ao do jogador mais bem pago do plantel, e a camisola que quiser.
Eu gostava de ter Bernardo Silva no Benfica. Agora (já para 2026-27). Mais tarde poderá ser tarde demais.
CASA CHEIA
Apesar dos maus resultados, oo Estádio da Luz continua a encher. O verdadeiro benfiquista nunca deixa de acreditar, e em 2025-26 regista-se a maior média de assistência desde que o estádio foi construído, quase 59 mil pessoas por jogo. Vejamos qual a média, ano a ano:
OS 100 MILHÕES
Com as contratações de futebolistas passa-se o mesmo. Quem diria que Jonas, dispensado pelo Valencia, já trintão, se tornaria (na minha opinião) o melhor jogador do Benfica deste século? Em sentido contrário, sei que nomes como Djuricic e Ola John eram referenciados por grandes cllubes europeus e não se afirmaram na Luz (nem em lado nenhum). Se andarmos mais para trás, os exemplos são imensos, no Benfica e em todos os clubes.
Agora é fácil dizer que a SAD encarnada se equivocou nas contratações do último mercado de Verão. Enfim, mesmo dando de barato que nenhum deles vai explodir no futuro e surpreender-nos como outros nomes que não se fixaram de imediato (assim de repente, nas últimas décadas, lembro-me de Di Maria, Luisão, Enzo Perez, Matic, David Luiz e do próprio Cardozo), a verdade é que seria possível construir, hoje, o melhor onze do Benfica desta temporada sem nenhuma das contratações (excepto, porventura, Dedic). Ou seja, gastando muito menos, a qualidade da equipa estaria quase igual. Conclusão: gastou-se mal.
Mas isso é aquilo que agora conseguimos perceber. No Verão passado, olhando para os nomes e curriculos contratados, estaríamos longe de achar que o Benfica estava a fazer um mau mercado. Quem achava que se acuse. Centremo-nos nos quatro jogadores mais caros, e que somam quase os 100 milhões de que tanto se falou e fala: Rios, Lukebakio, Sudakov e Ivanovic.
DODY LUKEBAKIO 20M ex Sevilha: Com 27 anos e 30 internacionalizações A pela Bélgica, Lukebakio vinha substituir Akturkoglu (que entrara por 10 e saiu por 20, satisfazendo a sua própria vontade de regressar a casa). Olhando para um e para outro, não seria de supor uma perda desportiva acentuada. Com formação no Anderlecht, passagem pela Bundesliga, e depois pelo Sevilha (39 jogos e 11 golos na temporada anterior), o belga parecia, também ele, ser valor seguro. Deu um ar da sua graça nos primeiros jogos. Depois lesionou-se e não voltou a ser o mesmo. A afirmação de Prestianni na posição tornou-o algo redundante. Veremos se o Mundial ajuda a vendê-lo.
GEORGIY SUDAKOV 27M ex Shakhtar: Gorada a contratação de João Félix, por pouco mais de metade do valor, o Benfica trouxe um jovem ucraniano muito talentoso e prometedor. Chegou com apenas 22 anos e leva 34 jogos na selecção A da Ucrânia. Vinha do Shakhtar onde marcara 15 golos em 37 jogos, e era pretendido por outros clubes de primeira linha. Chegou num contexto pessoal muito complicado, com a mulher grávida e a casa da família bombardeada - algo cujas consequências psicológicas não consigo sequer imaginar. Está longe de ser um caso perdido, mas a verdade é que ainda não justificou, em campo, o elevado investimento. Mesmo um Rafa em sub-rendimento tirou-lhe a titularidade. A ausência do seu país no Mundial não ajudará a rentabilizá-lo. Enfim, vamos esperar para ver o que acontece, sendo que, quando chegou, trazia com ele a esperança de se tratar de uma grande contratação.
FRANJO IVANOVIC 23M ex St.Gilloise: Com apenas 21 anos foi um dos melhores marcadores da liga belga. Levando 9 jogos na selecção A da Croácia, veio para ser alternativa a Pavlidis. Começou razoavelmente, marcando golos quando era chamado. Fez um grande jogo com o Nápoles, mas a boa forma do grego (de facto, muito mais completo) até ao Natal, impediu a sua afirmação como titular. Ter-se-á desmotivado, o que fez com que quase deixasse de ser opção - passou a ser o jovem Anísio a somar alguns minutos e... alguns golos. Reapareceu num ou noutro momento (por exemplo no "Clássico" da Luz), mas ainda não justificou os 23M que custou. Nem com a quebra de rendimento de Pavlidis. Os pontas-de-lança são muito caros, e ele é muito jovem. Não o dou como perdido, e não há como negar que, à partida, parecia uma boa aposta.
ASSIM NÃO!
Mas uma coisa é associar a marca Benfica a marcas que signifiquem receitas importantes para as finanças do clube. Outra coisa é misturar essa vertente comercial com o grito apaixonado dos adeptos.
Não é dessa forma sinuosa que uma marca se promove. Pelo contrário. E jamais poderá ser essa a forma de qualquer marca se dirigir aos adeptos do Benfica em pleno estádio. É abusivo. É intrusivo. É repugnante.
O que se passou na Luz é inaceitável. E merecia, pelo menos, um pedido de desculpas.
DOIS PENSOS NA FERIDA
O ONZE QUE EU ESCOLHIA
Trubin, Banjaqui, António, Otamendi, Neto, Manu, Rios, Prestianni, Gonçalo Moreira, Schjelderup e Pavlidis.
MOURINHO? SIM! AMORIM? NÃO!
José Mourinho já não é o "Special One" das duas Champions que venceu (se o fosse, não estava em Portugal), mas é um treinador extremamente experiente, respeitado, hábil e liderante, que no futebol português, e no Benfica em particular, pode fazer a diferença - assim possa preparar ele a temporada, e ter alguma autonomia na gestão do plantel. Já não sendo o melhor treinador do mundo (as suas inovações foram copiadas por quase todos), é, neste momento, o melhor treinador que o Benfica pode ter.
Ruben Amorim teve grande sucesso no Sporting. Mas o sucesso do Sporting continou sem ele, mostrando, no meu ponto de vista, que era assente noutros planos que não o técnico-táctico. Essa ideia acentuou-se ao verificar o redondo fracasso de Amorim em Manchester - num clube que, após a sua saída, foi trepando até ao terceiro lugar da Premier League.
Passar de Mourinho para Amorim era, pois, passar de cavalo para burro. Além de que seria voltar à estaca zero, uma vez que Mourinho já sabe mais ou menos com o que conta, e o ex-treinador do Sporting teria de começar todo o processo de novo.
Se ninguém accionar cláusulas de excepção, Mourinho tem contrato por mais uma temporada. Deve cumprí-lo. E fazê-lo com a maior autonomia possível sobre o futebol do Benfica.
Não fiquei convencido de que o despedimento de Bruno Lage tenha sido certeiro. Ficaria ainda menos se, agora, sem sequer ter oportunidade de planear uma época, o Benfica deitasse para o lixo o privilégio de ter ao seu serviço um treinador com esta experiência e com este estatuto. Há que acreditar em alguém. Há que dar espaço e tempo a alguém. Se não confiamos em José Mourinho, vamos confiar em quem?
Como dizia o próprio Lage na garagem da Luz, se não se der tempo, vem outro, e depois vem outro, e depois vem outro, e esta m#%?& continua igual, ca$#%&?#!
RECONSTRUÇÃO
Vieram jogadores talentosos mas pouco intensos (Lukebakio, Sudakov), vieram jogadores fisicamente fortes mas pouco formatados para o futebol europeu (Rios), vieram avançados esforçados mas pouco eficazes (Ivanovic), vieram jogadores que talvez não tenham qualidade suficiente para o Benfica (Sidny, Barrenechea). Sobra Dedic, que, ainda assim, tem na mesma posição Bah e Banjaqui. A época foi mal preparada (com as agravantes do mundial de clubes, ausência de férias, pré-eliminatórias etc), e agora é preciso corrigir erros e encontrar a rota do sucesso.
Este é naturalmente um exercício limitado, de quem está de fora, não vê treinos, nem conhece personalidades. Mas estamos aqui para isso: dizer aquilo que nos parece.
O lote de jogadores apresentados é demasiado extenso, e entre os jovens mencionados haverá certamente empréstimos, ou manutenção na equipa B, conforme o estado de evolução física, técnica e mental de cada um deles. José Mourinho é o homem certo para fazer toda essa análise, e tomar as decisões que entender. Sendo que Banjaqui, Neto, Gonçalo Moreira e Anísio, parecem-me à prova de bala para o plantel principal.
Jovens à parte, julgo que seria de vender Enzo, Rios, Sidny, Sudakov, Lukebakio e Ivanovic, assumindo algum prejuízo, mas obtendo ainda assim alguns milhões (Sudakov e Ivanovic, até pela idade, por serem internacionais, terão certamente mercado na Europa, Rios e Enzo poderão tê-lo na América do Sul). E com as verbas disponíveis contratar cinco jogadores. Investir num central para substituír Otamendi (não renovando com o argentino, mas sim com António), num médio centro, num médio ofensivo, num extremo que faça as duas alas (basta um) e num ponta-de-lança alto e bom cabeceador - que bem pode ser Weghorst, do qual a imprensa tem falado.
DEGRADAÇÃO COMPETITIVA
O número total de golos dos reforços do Benfica desta época é de apenas 20 (Ivanovic 6, Rios 5, Sudakov 4, Enzo 2, Dedic, Lukebakio e Sidny 1). Contas de merceeiro, perderam-se 50 golos.
INACEITÁVEL!
A primeira parte não foi digna de uma equipa com aspirações ao título. A forma como sofreu o golo do empate, também não. E quando são os nossos a mostrar total incapacidade, por vezes mesmo desnorte, nem adianta alimentar o discurso sobre as arbitragens - também ele errático, como aqui já referi.
Há três jogos consecutivos que o Benfica não consegue ganhar ao Casa Pia. Basta olhar para as classificações para perceber o impacto desses resultados no campeonato anterior e neste. E como é possível jogar três vezes com o Casa Pia e não vencer nenhuma, depois de estar em vantagem em todas elas? Pois eu adorava saber.
É futebol? Não, não é. Em futebol podem acontecer surpresas. Não podem estabelecer-se padrões desta natureza - como aquele de sofrer três golos nos descontos, em casa, em jogos quase sucessivos.
O título teve esta noite o canto do cisne (ou tivera no Dragão as melhoras da morte, como se queira). O segundo lugar ficou agora dependente de terceiros. A época futebolística praticamente terminou.
O que há a fazer é ignorar os próximos resultados, e preparar desde já 2026-27. E há ali muita gente que não cabe num plantel ambicioso. Basta rever os jogos frente a este maldito adversário.
Há muito para reflectir. Há muito para mudar. E a margem de erro acabou.
Tenho defendido o clube como posso. Tenho tentado, na minha humilde intervenção, unir e agregar os adeptos. Temo já não o conseguir fazer com o mesmo entusiasmo. São demasiados dissabores, demasiadas desilusões, e no momento em que se abria uma pequena janela de esperança, foi a própria equipa, com a sua passividade, com a sua total incompetência, a fechá-la bruscamente. A dar um valente murro no estômago de quem tanto a tem defendido. Assim não dá.
ONZE PARA RIO MAIOR
Trubin, Dedic, Tomás, Otamendi, Dahl, Enzo, Rios, Lukebakio, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.
NÃO É AZUL, NEM CINZENTA. É VERDE!
Independentemente do lance do Zaidu, a tendência já não é azul e branca, como foi durante décadas. É verde, bastante verde, muitíssimo verde, como disse o treinador do Porto, como já disse Mourinho, e como devia dizer, também, a comunicação do Benfica.
Meter tudo ao molho torna as queixas ineficazes. E se voltarem a oferecer uma dobradinha ao #varandasout, será tarde para perceber que, neste contexto, Benfica e Porto não deviam ficar a discutir um com o outro - enquanto o Sporting é levado num andor a caminho de mais títulos.
OS DONOS DISTO TUDO
A arbitragem tem dono, sim. E para mim é muito claro quem é. Só não vê quem não quer.
Quem é que desmaiou desta vez?
PS: Coitado do Santa Clara. Nos últimos quatro jogos que fez com o Sporting, foi roubado, violado, espancado e esquartejado, humilhado. Talvez para pagar a ousadia de ter ganhado em Alvalade no tempo de João Pereira.
PS2: No próximo ano temos Rafael Nel na luta pela Bota de Ouro.
OBVIAMENTE, MENTIRA
O post anterior era, naturalmente, uma brincadeira de 1 de Abril. Mas, mais do que isso, uma evocação de tempos idos, em que os jornais desportivos também pregavam as suas mentiretas mais ou menos bem elaboradas... E eu acreditava...
Não sei o que mudou mais, se eu, se o mundo. A verdade é que já acredito em pouca coisa. Por exemplo, em candidatos a presidentes, do Benfica e não só, que dizem ter no bolso soluções mágicas para todos os problemas.
Vou mais pela postura de Sócrates, o grego claro, que depois de tanta reflexão concluiu, sabiamente, que nada sabia.
Este post dedico-o, pelo contrário, àqueles que tudo sabem. Ou julgam saber.
ADEUS
Atendendo a que Rui Costa não está a colocar o Benfica no caminho das vitórias, atendendo aos sucessivos fracassos de todas as equipas do Benfica, atendendo à situação crítica do clube, tendo eu expressado o meu apoio ao actual presidente, estando profundamente arrependido, e como forma de penitência, decidi não esperar pelo fim do mandato, e encerrar o blogue já no dia de hoje, dia 1 de Abril.