PONTO DE SITUAÇÃO

No próximo fim-de-semana disputam-se quatro Taças de Portugal: Futsal e Hoquei, masculino e feminino. O Benfica estará em todas, com ambições de ganhar.
No Andebol masculino disputará mais tarde a final com o Sporting. No feminino discutirá a meia-final com o Madeira.
No Voleibol masculino perdeu a final de forma dramática com o Sporting. No feminino foi eliminado pelo Braga.
No Baasquetebol masculino também foi eliminado pelo Braga. No feminino venceu a Taça numa final contra o GDESSA.
No Futebol masculino foi eliminado no Dragão. No feminino estará no Jamor, também frente ao FC Porto, naquele que será o primeiro "Clássico" feminino da história.
As equipas de Hóquei masculina e feminina discutirão ainda os títulos europeus, final-8 e final-4 respectivamernte, em Coimbra, nas primeiras semanas de Maio.

SÉRIES A BATER

O Benfica leva 45 jogos consecutivos sem conhecer o sabor da derrota. Esta é a segunda maior série de invencibilidade da história do clube. A primeira é a de John Mortimore, com 56 partidas, e percorreu três temporadas (76-77, 77-78 e 78-79). Na primeira época foi campeão, na segunda terminou sem derrotas em segundo lugar com o mesmo número de pontos do FC Porto (se os golos fora contassem no desempate, com 0-0 na Luz e 1-1 nas Antas, o campeão era o Benfica), e na terceira perdeu, precisamente nas Antas, logo à segunda jornada. A maior série do futebol português é já desta década, do FC Porto, de Sérgio Conceição, com 58 jogos consecutivos entre 2020 e 2022.
Recordemos os jogos de invencibilidade de Mortimore:

Se terminar esta época sem perder, e também não perder nas dez primeiras rondas de 2026-27, o Benfica baterá o record.

GOLOS EM DÉRBIS

Com o golo obtido em Alvalade, Rafa Silva entrou no top 20 de marcadores do Benfica em jogos com o Sporting.

QUE PENA...

É penoso lembrar agora os pontos perdidos com equipas do fim da tabela. Foi nesses jogos, foram esses pontos, que deixaram o Benfica fora da luta pelo título. O que ficou uma vez mais demonstrado é que esta equipa podia ter sido mais feliz - e também podia ter feito mais. Isso sim, custa a engolir.
Se na Europa o Benfica tanto perdeu com o Qarabag como ganhou ao Real Madrid, no campeonato não perdeu nenhum jogo, realizou boas exibições nos "Clássicos",  mas Casa Pia, Santa Clara, Rio Ave e Tondela tiraram-lhe dez pontos que foram, e são, determinantes. Alguns deles, a maioria deles, indesculpáveis.
Esta irregularidade competitiva tem de ser revista. E estou em crer que em muitas ocasiões teve a ver com questões mentais. Se os níveis de concentração fossem sempre os de hoje, creio que este Benfica, com estes jogadores, com este treinador, estaria agora em primeiro lugar, ou muito perto dele. Isso trabalha-se, e se existe alguém capaz de o fazer é José Mourinho. 
O "Dérbi" foi excelente. As duas equipas precisavam de ganhar e isso tornou o espectáculo vivo e intenso.
Penálti falhado, penálti convertido, deram uma vantagem que o Benfica foi sabendo segurar.  Houve oportunidades de ambos os lados, mas o resultado foi-se mantendo. 
Confesso que temi o pior aquando do golo do empate, na altura em que aconteceu - num momento em que o desespero começava a fazer-se sentir na equipa da casa.
O tempo foi correndo, e depois tivemos um carrossel de emoções do tempo de descontos. Golo anulado ao Sporting e, quando já não se esperava, Rafa mostrou uma vez mais a sua propensão para os grandes momentos, e deu a vitória aos encarnados.Um triunfo muito saboroso. Veremos se útil. 
Destaque individual para Aursnes, Schjelderup (enquanto durou) e para as entradas de Lukebakio e Rafa, que se revelaram determinantes.Trubin defendeu o penálti, mas fiquei com a sensação que podia ter feito mais no golo sofrido.
A arbitragem foi digna do melhor árbitro português. O único com alguma categoria. 

ONZE PARA ALVALADE

 Trubin, Dedic, A.Silva, Otamendi, Dahl, Aursnes, Barreiro, Rios, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.

INGLÓRIO

Com uma base de jogadores campeões da Europa e do Mundo por Portugal, alguns deles já utilizados na equipa principal, e depois de um percurso quase imaculado, confesso que tinha grande esperança no Benfica para esta edição da Youth League.
Infelizmente, a sorte não esteve com os jovens encarnados, que desperdiçaram as inúmeras ocasiões de golo que criaram, e viram o Clube Brugge aproveitar com eficácia as que lhe concederam. O Benfica ficou assim pelas meias-finais, não podendo repetir o título conquistado em 2022.
Os belgas pareceram-me mais possantes e mais organizados. No Seixal há jogadores muito talentosos, mas as utilizações intercaladas da maioria deles por equipa A, equipa B, Sub 23 e Sub 19, terá retirado harmonia ao colectivo.
É preciso dizer também que não tenho gostado nada das últimas exibições de Banjaqui e Anísio, designadamente desde que Mourinho os fez estrear na equipa principal, ao que se seguiu uma renovação de contrato. Pode ser impressão minha, mas ambos parecem acomodados e com alguns tiques de vedetismo que não auguram nada de bom. Têm de perceber que chegar à equipa A é o princípio e não o fim.
Não faltam exemplos de estrelas nas camadas jovens que esbarram no contexto profissional. Lembro-me de Pepa, Nélson Oliveira, Roderick, Zé Gomes, Tiago Dantas, Martim Neto e Henrique Araújo, isto apenas no Benfica. Em sentido oposto, jogadores discretos que explodem na equipa principal, como António Silva ou João Neves. Depende muito da mentalidade. Sempre foi assim - recordemos que Fernando Couto era suplente de Pedro Valido e Paulo Sousa suplente de Tozé, nas selecções campeãs com Carlos Queiroz.
Veremos quantos destes jovens demonstram qualidades físicas e mentais para singrar no futebol ao mais alto nível. Talento não lhes falta. O resto depende deles.

ELE ERA PERIGOSO!


Eusébio, José Águas, Nené, Torres, Arsénio, Rogério Pipi, Julinho e José Augusto.
Oito grandes lendas do Sport Lisboa e Benfica. Oito goleadores eternos. 
O que têm em comum para além disso? Só eles marcaram mais golos de águia ao peito do que o paraguaio Óscar Tacuara Cardozo - melhor goleador estrangeiro da história do clube, e que anunciou por estes dias o fim de uma carreira brilhante.
Passou por outros clubes, mas foi no Benfica que viveu os seus melhores anos. 293 jogos, 172 golos, 2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 5 Taças da Liga, 2 finais europeias, 35 golos nas provas internacionais (só atrás de Eusébio), 13 golos ao Sporting, 7 golos ao FC Porto, 2 Bolas de Prata. Marcou uma era, justamente aquela em que o clube se afirmou como ganhador, depois dos negros tempos do chamado "vietname" e dos anos de recuperação que se lhes seguiram.
Tive oportunidade de o conhecer pessoalmente e de falar com ele mais do que uma vez. Pude aferir a sua humildade - uma espécie de simplicidade que só os mesmo grandes conseguem ter e cultivar. 
Lamento não ter sido possível juntar Cardozo e Jonas na mesma equipa. Um chegou quando o outro saíu (porventura cedo demais), sendo que, dadas as características de cada um deles, tenho a certeza de que formariam uma dupla demolidora.
Até se afirmar, chegou a ser assobiado - por adeptos que certamente não percebiam muito de futebol. Eu sempre aqui o defendi em todos os momentos, desde o primeiro momento. 
Carlos Daniel, jornalista que respeito e admiro, disse um dia uma frase sem sentido, da qual discordei firmemente,, mas que, paradoxalmente, dizia muito do que era Óscar Cardozo: "não é um grande jogador porque só sabe marcar golos". 
Quem me dera ter hoje na equipa alguém que "só soubesse marcar golos"...

E ENTÃO, BERNARDO?

Bernardo Silva termina o contrato com o Manchester City, e já se está a despedir do cllube. Fará 32 anos em Agosto.
Partindo do princípio de que não quererá arrastar-se pelos relvados, como tem feito um colega seu de Selecção, eu diria que terá mais dois ou três anos a alto nível enquanto futebolista profissional. Ou seja, um contrato.
Não duvido do benfiquismo de Bernardo Silva. Mas acho que esta é a hora de demonstrá-lo. Fez a sua carreira internacional, está rico e disponível. Se quer vir para o Benfica, se quer terminar a carreira no clube de coração, é agora. Quando tiver 40 anos, o Benfica já não precisará dele.
Tenho a certeza que Mourinho e Rui Costa o quererão de volta. Espero que lhe apresentem uma proposta dentro do tecto salarial do plantel encarnado. Cabe a Bernardo Silva aceitar receber muito menos do que em Manchester, do que noutro grande clube europeu que eventualmente o queira, ou do que num qualquer país do médio oriente. Não lhe peço para fazer como Rui Costa em 2006, o qual, contado na primeira pessoa por Luís Filipe Vieira, apenas exigiu a camisola 10 e um valor contratual em branco paa o Benfica decidir quanto lhe pagar. Mas peço-lhe que aceite um valor igual ao do jogador mais bem pago do plantel, e a camisola que quiser.
Eu gostava de ter Bernardo Silva no Benfica. Agora (já para 2026-27). Mais tarde poderá ser tarde demais.

CASA CHEIA

Apesar dos maus resultados, oo Estádio da Luz continua a encher. O verdadeiro benfiquista nunca deixa de acreditar, e em 2025-26 regista-se a maior média de assistência desde que o estádio foi construído, quase 59 mil pessoas por jogo. Vejamos qual a média, ano a ano:


Recordemos também o top 5 de jogos com maior assistência:

OS 100 MILHÕES

Depois de abrir uma melancia, é fácil dizer se é boa ou má. Quando se está a comprá-la, nem sempre a aparência corresponde à qualidade.
Com as contratações de futebolistas passa-se o mesmo. Quem diria que Jonas, dispensado pelo Valencia, já trintão, se tornaria (na minha opinião) o melhor jogador do Benfica deste século? Em sentido contrário, sei que nomes como Djuricic e Ola John eram referenciados por grandes cllubes europeus e não se afirmaram na Luz (nem em lado nenhum). Se andarmos mais para trás, os exemplos são imensos, no Benfica e em todos os clubes.
Agora é fácil dizer que a SAD encarnada se equivocou nas contratações do último mercado de Verão. Enfim, mesmo dando de barato que nenhum deles vai explodir no futuro e surpreender-nos como outros nomes que não se fixaram de imediato (assim de repente, nas últimas décadas, lembro-me de Di Maria, Luisão, Enzo Perez, Matic, David Luiz e do próprio Cardozo), a verdade é que seria possível construir, hoje, o melhor onze do Benfica desta temporada sem nenhuma das contratações (excepto, porventura, Dedic). Ou seja, gastando muito menos, a qualidade da equipa estaria quase igual. Conclusão: gastou-se mal.
Mas isso é aquilo que agora conseguimos perceber. No Verão passado, olhando para os nomes e curriculos contratados, estaríamos longe de achar que o Benfica estava a fazer um mau mercado. Quem achava que se acuse. Centremo-nos nos quatro jogadores mais caros, e que somam quase os 100 milhões de que tanto se falou e fala: Rios, Lukebakio, Sudakov e Ivanovic.

RICHARD RIOS 27M ex Palmeiras: Com 25 anos e 30 internacionalizações A pela Colombia, depois de um Mundial de clubes em que deu nas vistas, elemento estruturante no onze de Abel Ferreira, Rios parecia uma aquisição à prova de bala. Recordo-me de muitos comentadores afirmarem que o Benfica tinha conseguido trazer um grande jogador (que estaria também nos planos do FC Porto), o qual vinha dar ao meio-campo encarnado o músculo que Florentino e Kokçu não garantiam. O perfil, as estatísticas, as impressões eram de um craque. Infelizmente, isso só se tem visto a espaços, carecendo da regularidade que se exigia. É preciso notar também que o colombiano não desfruta da complacência de Hjullmand diante dos árbitros portugueses - factor que também tem comprometido a sua adaptação ao futebol europeu. Soma faltas e cartões com uma facilidade que não se vê, em situações semelhantes, no dinamarquês do Sporting.
DODY LUKEBAKIO 20M ex Sevilha: Com 27 anos e 30 internacionalizações A pela Bélgica, Lukebakio vinha substituir Akturkoglu (que entrara por 10 e saiu por 20, satisfazendo a sua própria vontade de regressar a casa). Olhando para um e para outro, não seria de supor uma perda desportiva acentuada. Com formação no Anderlecht, passagem pela Bundesliga, e depois pelo Sevilha (39 jogos e 11 golos na temporada anterior), o belga parecia, também ele, ser valor seguro. Deu um ar da sua graça nos primeiros jogos. Depois lesionou-se e não voltou a ser o mesmo. A afirmação de Prestianni na posição tornou-o algo redundante. Veremos se o Mundial ajuda a vendê-lo.
GEORGIY SUDAKOV 27M ex Shakhtar: Gorada a contratação de João Félix, por pouco mais de metade do valor, o Benfica trouxe um jovem ucraniano muito talentoso e prometedor. Chegou com apenas 22 anos e leva 34 jogos na selecção A da Ucrânia. Vinha do Shakhtar onde marcara 15 golos em 37 jogos, e era pretendido por outros clubes de primeira linha. Chegou num contexto pessoal muito complicado, com a mulher grávida e a casa da família bombardeada - algo cujas consequências psicológicas não consigo sequer imaginar. Está longe de ser um caso perdido, mas a verdade é que ainda não justificou, em campo, o elevado investimento. Mesmo um Rafa em sub-rendimento tirou-lhe a titularidade. A ausência do seu país no Mundial não ajudará a rentabilizá-lo. Enfim, vamos esperar para ver o que acontece, sendo que, quando chegou, trazia com ele a esperança de se tratar de uma grande contratação.
FRANJO IVANOVIC 23M ex St.Gilloise: Com apenas 21 anos foi um dos melhores marcadores da liga belga. Levando 9 jogos na selecção A da Croácia, veio para ser alternativa a Pavlidis. Começou razoavelmente, marcando golos quando era chamado. Fez um grande jogo com o Nápoles, mas a boa forma do grego (de facto, muito mais completo) até ao Natal, impediu a sua afirmação como titular. Ter-se-á desmotivado, o que fez com que quase deixasse de ser opção  - passou a ser o jovem Anísio a somar alguns minutos e... alguns golos. Reapareceu num ou noutro momento (por exemplo no "Clássico" da Luz), mas ainda não justificou os 23M que custou. Nem com a quebra de rendimento de Pavlidis. Os pontas-de-lança são muito caros, e ele é muito jovem. Não o dou como perdido, e não há como negar que, à partida, parecia uma boa aposta. 

Há várias semelhanças entre os quatro casos. Todos eles eram internacionais A por selecções de qualidade, todos eles vinham de realizar boas temporadas nos anteriores clubes. À excepção do ucraniano, todos eles apresentavam boa planta física. É fácil criticar depois. Agora são mais ou menos dispensáveis. Mas era muito difícil dizer, em Julho ou Agosto, que estes quatro nomes não eram reforços a sério, que não vinham tornar a equipa mais forte. 
E até tenho a leve sensação que qualquer um deles, no Sporting de Varandas, brilharia a alto nível. 

ASSIM NÃO!

Percebo que a componente comercial é muito importante para o clube. Percebo a publicidade no estádio. Percebo a publicidade nas camisolas. Percebo os acordos com o cartão de sócio. Percebo os eventos do Corporate. Percebo convites para patrocinadores relevantes. Até perceberia o naming do estádio.
Mas uma coisa é associar a marca Benfica a marcas que signifiquem receitas importantes para as finanças do clube. Outra coisa é misturar essa vertente comercial com o grito apaixonado dos adeptos.
Não é dessa forma sinuosa que uma marca se promove. Pelo contrário. E jamais poderá ser essa a forma de qualquer marca se dirigir aos adeptos do Benfica em pleno estádio. É abusivo. É intrusivo. É repugnante.
O que se passou na Luz é inaceitável. E merecia, pelo menos, um pedido de desculpas.
NOTA: confundir a onda dos adeptos com um grito publicitário indevido não faz qualquer sentido. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

DOIS PENSOS NA FERIDA

Quinze minutos bastaram para vencer. Não tanto para convencer.
A equipa entrou com a urgência que Mourinho pediu, e, sobretudo pela vivacidade de Prestianni,  Schjelderup e Rafa, construiu quinze minutos de excelente futebol. Marcou dois golos, e ameaçou o terceiro.
Depois tivemos aquilo que tem sido imagem de marca desta equipa - alterna momentos muito bons com momentos de apagamento total, quer de um jogo para outro, quer dentro do mesmo jogo.
A partida foi caindo numa perigosa letargia. Foi essa mesma letargia que levou os encarnados a desperdiçar dez pontos frente a adversários que, como o Nacional, lutam para não descer. Foi, pois, essa letargia que tirou o Benfica da luta pelo título. É essa letargia que tem de acabar: os jogos duram 90 minutos, e os campeonatos duram 34 jornadas. Cada minuto de cada jornada tem de ser jogado à Benfica.
A oportunidade de fechar o resultado surgiu através de um penálti, que um Pavlidis completamente fora de forma falhou.
As substituições puseram alguma ordem no jogo. Deram frescura a uma equipa que também me parece cansada (em toda a Europa, só o Sporting nunca se cansa). E nos minutos finais o Benfica voltou a estar perto do golo.
Ficou 2-0. Desta vez os três pontos ficaram na Luz. Se para mais nada servirem, que sirvam para serenar os ânimos e preparar o dérbi com tranquilidade. O título é uma miragem, mas uma vitória em Alvalade poderá acender a luta pela Champions.
É o que resta. É aquilo porque é preciso lutar.

O ONZE QUE EU ESCOLHIA

Trubin, Banjaqui, António, Otamendi, Neto, Manu, Rios, Prestianni, Gonçalo Moreira, Schjelderup e Pavlidis.

MOURINHO? SIM! AMORIM? NÃO!

Espero que as notícias sobre um alegado interesse do Benfica em substituír José Mourinho por Ruben Amorim não passem de boatos.
José Mourinho já não é o "Special One" das duas Champions que venceu (se o fosse, não estava em Portugal), mas é um treinador extremamente experiente, respeitado, hábil e liderante, que no futebol português, e no Benfica em particular, pode fazer a diferença - assim possa preparar ele a temporada, e ter alguma autonomia na gestão do plantel. Já não sendo o melhor treinador do mundo (as suas inovações foram copiadas por quase todos), é, neste momento, o melhor treinador que o Benfica pode ter.
Ruben Amorim teve grande sucesso no Sporting. Mas o sucesso do Sporting continou sem ele, mostrando, no meu ponto de vista, que era assente noutros planos que não o técnico-táctico. Essa ideia acentuou-se ao verificar o redondo fracasso de Amorim em Manchester - num clube que, após a sua saída, foi trepando até ao terceiro lugar da Premier League.
Passar de Mourinho para Amorim era, pois, passar de cavalo para burro. Além de que seria voltar à estaca zero, uma vez que Mourinho já sabe mais ou menos com o que conta, e o ex-treinador do Sporting teria de começar todo o processo de novo.
Se ninguém accionar cláusulas de excepção, Mourinho tem contrato por mais uma temporada. Deve cumprí-lo. E fazê-lo com a maior autonomia possível sobre o futebol do Benfica. 
Não fiquei convencido de que o despedimento de Bruno Lage tenha sido certeiro. Ficaria ainda menos se, agora, sem sequer ter oportunidade de planear uma época, o Benfica deitasse para o lixo o privilégio de ter ao seu serviço um treinador com esta experiência e com este estatuto. Há que acreditar em alguém. Há que dar espaço e tempo a alguém. Se não confiamos em José Mourinho, vamos confiar em quem?
Como dizia o próprio Lage na garagem da Luz, se não se der tempo, vem outro, e depois vem outro, e depois vem outro, e esta m#%?& continua igual, ca$#%&?#!
NOTA: Gostei tão pouco da atitude de Ruben Amorim quando jogou na Luz como rival como tinha gostado da de Mourinho quando o fizera pelo FC Porto. Acontece que 2004 foi há 22 anos. Do teatro e do jogo baixo do Sporting de Amorim ainda tenho a memória bem fresca.

RECONSTRUÇÃO

Há que assumir: as contratações para a temporada 2025-26 foram genericamente falhadas. 
Vieram jogadores talentosos mas pouco intensos (Lukebakio, Sudakov), vieram jogadores fisicamente fortes mas pouco formatados para o futebol europeu (Rios), vieram avançados esforçados mas pouco eficazes (Ivanovic), vieram jogadores que talvez não tenham qualidade suficiente para o Benfica (Sidny, Barrenechea). Sobra Dedic, que, ainda assim, tem na mesma posição Bah e Banjaqui. A época foi mal preparada (com as agravantes do mundial de clubes, ausência de férias, pré-eliminatórias etc), e agora é preciso corrigir erros e encontrar a rota do sucesso.
Este é naturalmente um exercício limitado, de quem está de fora, não vê treinos, nem conhece personalidades. Mas estamos aqui para isso: dizer aquilo que nos parece.
O lote de jogadores apresentados é demasiado extenso, e entre os jovens mencionados haverá certamente empréstimos, ou manutenção na equipa B, conforme o estado de evolução física, técnica e mental de cada um deles. José Mourinho é o homem certo para fazer toda essa análise, e tomar as decisões que entender. Sendo que Banjaqui, Neto, Gonçalo Moreira e Anísio, parecem-me à prova de bala para o plantel principal.
Jovens à parte, julgo que seria de vender Enzo, Rios, Sidny, Sudakov, Lukebakio e Ivanovic, assumindo algum prejuízo, mas obtendo ainda assim alguns milhões (Sudakov e Ivanovic, até pela idade, por serem internacionais, terão certamente mercado na Europa, Rios e Enzo poderão tê-lo na América do Sul). E com as verbas disponíveis contratar cinco jogadores. Investir num central para substituír Otamendi (não renovando com o argentino, mas sim com António), num médio centro, num médio ofensivo, num extremo que faça as duas alas (basta um) e num ponta-de-lança alto e bom cabeceador - que bem pode ser Weghorst, do qual a imprensa tem falado.
Acertando em quatro destas contratações, com uma pré-temporada limpa de eliminatórias europeias e supertaças, com Mourinho a comandar desde o início (desde já), penso que o Benfica terá condições para ombrear com os rivais, e fazer uma época 2026-27 muito diferente da que, infelizmente, está prestes a terminar. Assim as vicissitudes do mercado o permitam.
A margem de erro é agora nula: o Benfica tem imperiosamente de ser ganhador na próxima temporada.

DEGRADAÇÃO COMPETITIVA

Do top cinco de goleadores do Benfica em 2024-25, saíram 2º, 3º, 4º e 5º. Acrescente-se ainda que Arthur Cabral (7º melhor) marcou 7, Carreras e Belotti 4 cada, e Florentino 2. 
70 golos no total, anotados por jogadores que saíram do plantel. E também muitas assistências.
O número total de golos dos reforços do Benfica desta época é de apenas 20 (Ivanovic 6, Rios 5, Sudakov 4, Enzo 2, Dedic, Lukebakio e Sidny 1). Contas de merceeiro, perderam-se 50 golos.
Carreras, Florentino, Kokçu, Di Maria e Akturkoglu eram titulares indiscutíveis. De todos os reforços do Benfica para esta época, nenhum é titular indiscutível (enfim, talvez possamos considerar Dedic). Só em Sudakov, Ivanovic, Enzo, Sidny e Rios, o clube investiu quase 90 milhões de euros, e quanto a mim nenhum deles tem lugar no melhor onze deste plantel. Lukebakio (20M) tem dias e Obrador (5M) nem terminou a temporada. O Rafa (5M) que voltou está a léguas daquele que partiu.
Muito para reflectir. Muito para inflectir.
Por vezes é preciso dar um passo atrás para depois dar dois à frente. Sem Champions, com tantos reforços fracassados e com uma academia brilhante, talvez seja este o momento. Não é possível atirar mais 100 milhões para cima dos problemas.

INACEITÁVEL!

Uma grande equipa pode perder pontos em jogos determinantes frente a outras grandes equipas. Pode perder pontos com equipas menores em jogos não determinantes (e esta época isso aconteceu demasiadas vezes, o que tornou desde cedo a situação extremamente difícil). Jamais pode perder pontos com equipas menores em jogos determinantes. Depois do inesperado empate do FC Porto, a partida de Rio Maior era determinante para a migalha de esperança que se oferecia ao Benfica. Não o vencendo, a equipa de Mourinho mostrou que não merece grande coisa. Para não dizer que não merece nada.
A primeira parte não foi digna de uma equipa com aspirações ao título. A forma como sofreu o golo do empate, também não. E quando são os nossos a mostrar total incapacidade, por vezes mesmo desnorte, nem adianta alimentar o discurso sobre as arbitragens - também ele errático,  como aqui já referi. 
Há três jogos consecutivos que o Benfica não consegue ganhar ao Casa Pia. Basta olhar para as classificações para perceber o impacto desses resultados no campeonato anterior e neste. E como é possível jogar três vezes com o Casa Pia e não vencer nenhuma, depois de estar em vantagem em todas elas? Pois eu adorava saber.
É futebol? Não, não é. Em futebol podem acontecer surpresas. Não podem estabelecer-se padrões desta natureza - como aquele de sofrer três golos nos descontos, em casa, em jogos quase sucessivos. 
O título teve esta noite o canto do cisne (ou tivera no Dragão as melhoras da morte, como se queira). O segundo lugar ficou agora dependente de terceiros. A época futebolística praticamente terminou.
O que há a fazer é ignorar os próximos resultados, e preparar desde já 2026-27. E há ali muita gente que não cabe num plantel ambicioso. Basta rever os jogos frente a este maldito adversário.
Há muito para reflectir. Há muito para mudar. E a margem de erro acabou.
Tenho defendido o clube como posso.  Tenho tentado, na minha humilde intervenção, unir e agregar os adeptos. Temo já não o conseguir fazer com o mesmo entusiasmo. São demasiados dissabores, demasiadas desilusões,  e no momento em que se abria uma pequena janela de esperança,  foi a própria equipa, com a sua passividade, com a sua total incompetência,  a fechá-la bruscamente. A dar um valente murro no estômago de quem tanto a tem defendido. Assim não dá. 

ONZE PARA RIO MAIOR

Trubin, Dedic, Tomás, Otamendi, Dahl, Enzo, Rios, Lukebakio, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis. 

NÃO É AZUL, NEM CINZENTA. É VERDE!

Num momento em que até a comunicação social de outros países dá destaque ao esgoto em que se tornou a arbitragem em Portugal, e em que é manifesto o benefício reiterado e despudorado do Sporting - que, aliás,  se estende a outras modalidades - parece-me totalmente inoportuno desviar o foco dessa realidade e tentar meter o FC Porto num saco onde já esteve, mas agora não está. 
Independentemente do lance do Zaidu, a tendência já não é azul e branca, como foi durante décadas. É verde, bastante verde, muitíssimo verde, como disse o treinador do Porto, como já disse Mourinho, e como devia dizer, também, a comunicação do Benfica.
Meter tudo ao molho torna as queixas ineficazes. E se voltarem a oferecer uma dobradinha ao #varandasout, será tarde para perceber que, neste contexto, Benfica e Porto não deviam ficar a discutir um com o outro - enquanto o Sporting é levado num andor a caminho de mais títulos.

OS DONOS DISTO TUDO

A arbitragem tem dono, sim. E para mim é muito claro quem é. Só não vê quem não quer.

Quem é que desmaiou desta vez?

PS: Coitado do Santa Clara. Nos últimos quatro jogos que fez com o Sporting, foi roubado, violado, espancado e esquartejado, humilhado. Talvez para pagar a ousadia de ter ganhado em Alvalade no tempo de João Pereira. 

PS2: No próximo ano temos Rafael Nel na luta pela Bota de Ouro.

OBVIAMENTE, MENTIRA

Não. Ainda não vou fechar o blogue. E até o fechar, o Benfica voltará a ser campeão. Fica escrito!
O post anterior era, naturalmente, uma brincadeira de 1 de Abril. Mas, mais do que isso, uma evocação de tempos idos, em que os jornais desportivos também pregavam as suas mentiretas mais ou menos bem elaboradas... E eu acreditava...
Não sei o que mudou mais, se eu, se o mundo. A verdade é que já acredito em pouca coisa. Por exemplo, em candidatos a presidentes, do Benfica e não só, que dizem ter no bolso soluções mágicas para todos os problemas.
Vou mais pela postura de Sócrates, o grego claro, que depois de tanta reflexão concluiu, sabiamente, que nada sabia.
Este post dedico-o, pelo contrário, àqueles que tudo sabem. Ou julgam saber.

ADEUS

Atendendo a que Rui Costa não está a colocar o Benfica no caminho das vitórias, atendendo aos sucessivos fracassos de todas as equipas do Benfica, atendendo à situação crítica do clube, tendo eu expressado o meu apoio ao actual presidente, estando profundamente arrependido, e como forma de penitência, decidi não esperar pelo fim do mandato, e encerrar o blogue já no dia de hoje, dia 1 de Abril.