Não sei se se recordam de um escocês chamado Ryan Gauld, que vi pela última vez, faz tempo, no banco de suplentes do Farense.
Uns anos antes chegou ao Sporting, ainda muito jovem. Alguém perspicaz lhe chamou Mini Messi. Como rapidamente soubemos, era falso alarme.
Mas ao ver Gianluca Prestianni jogar, não posso deixar de me lembrar, não do pobre e inocente escocês, mas do nome que lhe puseram.
O argentino do Benfica está um craque da cabeça aos pés. Está, com golos e assistências, a ser aquilo que o seu talento anunciava. É neste momento, Pavlidis que me perdoe, o melhor jogador do Benfica. E só o episódio Vinicius o pode manter por cá mais tempo do que os joões neves das últimas décadas.
Em Moreira de Cónegos, em mais um terreno lavrado - este dentro de uma caixa de fósforos - foi outra vez de Prestianni a maior nota de destaque. O Benfica venceu, goleou, e ficou a dever a si próprio (e ao guarda-redes contrário) mais um bom par de golos.
A equipa de Marco Silva mostra uma boa dinâmica ofensiva, e chega a encantar. Aconteceu o que iria fatalmente ter de acontecer: a entrada no onze de Schjelderup no lugar de Sudakov. E como Prestianni joga bem em todo o lado, o conjunto fica claramente a ganhar.
Falta, porém, um verdadeiro teste à capacidade defensiva da equipa. Sem menosprezar o Gil Vicente, Milão e Dragão podem dar uma resposta mais cabal sobre o que vale efectivamente este Benfica. Mostrar, enfim, se estamos perante uma equipa que é forte com os fracos e fraca com os fortes, ou se consegue fazer ao FC Porto de Farioli o que, por exemplo, Mourinho fez há um ano atrás: bloqueá-lo e deixá-lo sem soluções. Banjaqui, pelo que se viu esta noite, ainda não "é" Bah. Veremos de Karouani é mais do que Dahl.
A nota de preocupação fica para a arbitragem, que ao longo da primeira parte, enquanto o Benfica não conseguiu desatar o nó, se mostrou claramente tendenciosa. E percebeu-se que Fábio Veríssimo não tinha vontadinha nenhuma de assinalar aquele óbvio penálti- como não assinalara um anterior. Depois, à medida que o resultado se foi avolumando, a arbitragem saiu de cena - desta vez incapaz de condicionar jogadores, sobretudo um jogador, que respira(m) confiança.