UM DIA SABEREMOS

A verdade é como o azeite. E tal como as piratarias do FC Porto em 2018, que a PJ acabaria por desmantelar (infelizmente, não sem consequências),  outras serão um dia desmascaradas.
Campo, clínica, bastidores, arbitragem e imprensa. Ou como se ganham campeonatos em Portugal. Estejamos atentos.

O VERDADEIRO MINI MESSI

Não sei se se recordam de um escocês chamado Ryan Gauld, que vi pela última vez, faz tempo, no banco de suplentes do Farense.
Uns anos antes chegou ao Sporting, ainda muito jovem. Alguém perspicaz lhe chamou Mini Messi. Como rapidamente soubemos, era falso alarme.
Mas ao ver Gianluca Prestianni jogar, não posso deixar de me lembrar, não do pobre e inocente escocês, mas do nome que lhe puseram.
O argentino do Benfica está um craque da cabeça aos pés. Está, com golos e assistências, a ser aquilo que o seu talento anunciava. É neste momento, Pavlidis que me perdoe, o melhor jogador do Benfica. E só o episódio Vinicius o pode manter por cá mais tempo do que os joões neves das últimas décadas. 
Em Moreira de Cónegos, em mais um terreno lavrado - este dentro de uma caixa de fósforos - foi outra vez de Prestianni a maior nota de destaque. O Benfica venceu, goleou, e ficou a dever a si próprio (e ao guarda-redes contrário) mais um bom par de golos.
A equipa de Marco Silva mostra uma boa dinâmica ofensiva, e chega a encantar. Aconteceu o que iria fatalmente ter de acontecer: a entrada no onze de Schjelderup no lugar de Sudakov. E como Prestianni joga bem em todo o lado, o conjunto fica claramente a ganhar.
Falta, porém, um verdadeiro teste à capacidade defensiva da equipa. Sem menosprezar o Gil Vicente, Milão e Dragão podem dar uma resposta mais cabal sobre o que vale efectivamente este Benfica. Mostrar, enfim, se estamos perante uma equipa que é forte com os fracos e fraca com os fortes, ou se consegue fazer ao FC Porto de Farioli o que, por exemplo, Mourinho fez há um ano atrás: bloqueá-lo e deixá-lo sem soluções. Banjaqui, pelo que se viu esta noite, ainda não "é" Bah. Veremos de Karouani é mais do que Dahl.
A nota de preocupação fica para a arbitragem, que ao longo da primeira parte, enquanto o Benfica não conseguiu desatar o nó, se mostrou claramente tendenciosa. E percebeu-se que Fábio Veríssimo não tinha vontadinha nenhuma de assinalar aquele óbvio penálti- como não assinalara um anterior. Depois, à medida que o resultado se foi avolumando, a arbitragem saiu de cena - desta vez incapaz de condicionar jogadores, sobretudo um jogador, que respira(m) confiança. 

ONZE

Trubin, Banjaqui, T. Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Barreiro, Rafa, Prestianni, Schjelderup e Pavlidis.

VENHAM MAIS CINCO

Para igualar o record nacional, são necessários mais cinco jogos sem perder. Esse record (58 jogos) é do FC Porto de Sérgio Conceição, e registou-se entre 2020 e 2022. Por sua vez, o Benfica de John Mortimore, entre 1976 e 1978, conseguiu 56 partidas consecutivas sem conhecer o sabor da derrota. O registo corrente é já o terceiro melhor da história do futebol português. Vale o que vale, mas, como diria La Palisse, é melhor não perder do que perder. Até porque nesta sequência estão os últimos três jogos com o FC Porto, os últimos três jogos com o Sporting e os últimos três jogos com o Braga.

AGOSTO DE 2024

"Mas a grande surpresa foi a exibição de Prestianni. Que tinha bom toque de bola, já toda a gente suspeitava. O que se viu esta noite não foi propriamente um "brinca na areia" (como eu temia), mas um verdadeiro jogador de futebol, com técnica, garra, velocidade e critério no passe. É claro que tem muito para crescer, e não sei se na sombra de Di Maria terá espaço para o fazer. Mas que está ali uma pérola, parece ser um facto. Que tenha juízo e humildade, pois talento não lhe falta. Começo a achar-lhe graça. Muita graça."

In aqui mesmo

3 GOLOS, 3 PONTOS

Um terreno agrícola, um adversário encarniçado, uma arbitragem permissiva e tendenciosa. Eis a miserável liguinha portuguesa. Eis aquilo que o Benfica vai encontrar muitas vezes daqui em diante.
O jogo foi, por tudo isso, bastante difícil - pelo menos até ao segundo golo de Barreiro, o qual serenou a equipa...e também a arbitragem.  Até aí temia-se o pior (um golo fortuito,  uma falha de marcação,  enfim, aquilo que tantas vezes tem acontecido nas últimas épocas). A partir daí o Marítimo baixou os braços e os pontos ficaram entregues.
Tudo acabou bem, havendo que realçar algumas grandes exibições individuais. Barreiro, Palhinha e Prestianni estiveram em plano bastante elevado. Schjelderup entrou bem. E a surpresa Kaminski, na ala direita, deixou uma nota de dúvida a confirmar em próximas partidas, o que já representa um upgrade face às paupérrimas exibições que tinha realizado na sua posição original.
Nota negativa para a lesão de Bah, e para Sudakov (ainda não foi desta...). Também não fiquei impressionado com Circati, embora tenha sido forçado a tarefas fora do seu habitat natural.
Segue-se mais um jogo fora de casa, na caixa de fósforos de uma aldeia minhota.

ONZE PARA A MADEIRA

 Samu, Bah, T.Araújo, Lenglet, Dahl, Palhinha, Aursnes, Barreiro, Rafa, Pavlidis e Prestianni.

FACTOS

PLANTEL DO BENFICA: 20 internacionais A

PLANTEL DO FC PORTO: 17 internacionais A

PLANTEL DO SPPORTING: 10 internacionais A

OPINIÃO

Nos dois posts anteriores mencionei factos. Seguem-se opinões.
Grosso modo, acho que este mercado talvez não tenha sido tão mau como o de há um ano (era difícil...), sobretudo porque houve a capacidade de manter alguns jogadores nucleares como Pavlidis ou Schjelderup, enquanto as contratações de Palhinha e, de algum modo também a de Lenglet, parecem de acordo com aquilo que a equipa necessitava. 
O que eu faria diferente?
No eixo da defesa mantinha António Silva, dispensando talvez a contratação de Circati - o qual não sei ainda o que vale (custou 18M), mas António era um valor seguro. Na esquerda, em vez do marroquino, trazia a custo zero o desempregado Raphael Guerreiro, experiente, internacional português e benfiquista de gema.
No meio-campo, gostei da contratação de Palhinha e também de ver segurar Leandro Barreiro - um grande atleta, um grande profissional, com força, atitude e polivalência.
Tal como 99,9% dos benfiquistas, pouparia os 17 milhões dados por Kaminski (ainda que seja jogador da selecção polaca, e talvez não tão fraco como demonstrou nos primeiros jogos). E também não sou fã do perfil de Durán. Echeverri também não sei se acrescentará alguma coisa (falhou no ano passado, vem por empréstimo, se correr mal sai, se correr bem...também sai). Lukebakio era vendável.
Em suma, trocava Circati, Karouani, Kaminski, Echeverria, Durán e Lukebakio, por António Silva, Raphael Guerreiro, Tiago Gouveia e um "pinheiro" com 2 metros de altura para a frente de ataque (estilo Weghorst). Poupava dinheiro e construia um grupo, porventura, mais coeso.

BALANÇO

Este ano, pelo menos, espero que ninguém diga que o Benfica é uma equipa de milhões - como aconteceu no ano passado, depois de vender Carreras, Florentino, Kokçu, Akturkoglu e ficar sem Di Maria.

SOFRIMENTO DESNECESSÁRIO

Tivesse o Benfiica convertido metade das oportunidades que criou, e teríamos visto mais uma vitória gorda. A grande exibição do guarda-redes do Estoril foi evitando alguns golos, e o resultado manteve-se em aberto. Quando os canarinhos reduziram, a dez minutos do fim, os fantasmas caíram sobre o Estádio da Luz. Desta vez sem consequências, mas mais uma vez obrigando a riscos desnecessários. Mais uma vez facilitando e confiando na sorte, sem saber como trancar o jogo e a vitória. 
Com Palhinha, o regresso de Aursnes ao onze e uma eventual subida de forma de Schjelderup (que o coloque na equipa em vez de Sudakov), parece-me que o Benfica tem meio-campo e ataque. Na defesa continuo com dúvidas. Falta agressividade e rigor. Se chegam com o tempo, veremos.