A derrota do Sporting deu matéria para desviar, nem que fosse por um dia, o foco da comunicação social no Benfica. Ainda assim, o tema Mourinho continua a seguir o seu caminho, entre a especulação e as certezas absolutas de quem sabe sempre a chave do totobola às segundas-feiras.
A verdade é que não me recordo de uma situação como esta acontecer no Benfica, ou mesmo noutro clube português. E quem disser que tem uma solução mágica para a resolver que se chegue à frente.
Renovasse o Benfica contrato com José Mourinho em Março, em Abril ou no Natal do ano passado, e aparecendo um Real Madrid pela frente, era óbvio que o treinador não hesitava - como nenhum treinador hesita entre permanecer na modesta liguinha portuguesa ou ir para o maior clube do mundo tentar vencer mais uma Champions. E Florentino Perez, querendo determinado treinador, não se afligirá certamente de pagar 3, 7, 15 ou 30 milhões. Essa é pois uma falsa questão: a partir do momento em que o Real entrou em campo, Mourinho "saíu" da Luz, e sairia sempre, qualquer que fosse o momento contratual.
A verdadeira questão é o que deve fazer o Benfica perante uma situação inesperada e inusitada (agravada pelo aparecimento de mais um candidato às eleicções madrilenas), que não podia evitar. Pagar a cláusula de 7 milhões e contratar Marco Silva amanhã? Esperar duas semanas pelas eleicções em Madrid e, em vez de pagar, receber 10 ou 15 milhões? Pesando parte desportiva e financeira, nenhuma das soluções é boa. Mas só quem não tem de as tomar não percebe que, na maioria dos casos, não se decide entre o bem e o mal (para isso chegava talvez um computador), mas entre dois bens, ou, porventura na maioria dos casos, entre dois males.
Fosse eu a decidir e esperava pelas eleicções do Real Madrid. Mourinho tem contrato com o Benfica, e se o rescindir nesse momento, esgotada a cláusula, será ele, ou Florentino Perez, a pagar a conta final. Perde-se Marco Silva? Paciência. Como já aqui escrevi, não me parece que o ainda treinador do Fulham seja a última bolacha do pacote, e outras opções haverá. Atrasa-se a preparação da época? É verdade, mas não será por duas semanas, para mais num ano em que só o pós-Mundial abrirá verdadeiramente os mercados, que o Benfica comprometerá a construção do seu plantel e os resultados da nova época.
Se entretanto houver um acordo entre as partes, excelente! A não haver, eu esperariaa.
Como já aqui disse, qualquer que seja a decisão do presidente do Benfica, a única certeza que tenho é que será criticado por ela. Aliás, já o está a ser, sem que ninguém diga, objectivamente, o que faria na sua posição. Falar e escrever é fácil. Decidir, nem sempre. E depois de as coisas acontecerem, todos conseguimos com facilidade ter razão ("não era óbvio?"). É como indentificar problemas: todos o fazem, no futebol e não só. Apontar soluções credíveis? Isso são outros quinhentos, ou outros mil, ou, neste caso, uns quantos milhões de euros.
PS: Claro que não faz qualquer sentido Rui Costa falar aos benfiquistas sem esta questão ficar resolvida. Quem quer apenas chicana pode desejar que tal aconteça. Quem quer verdadeiro esclarecimento, está disposto a esperar por definições que irão determinar o futuro próximo do futebol benfiquista, e que só depois poderão ser explicadas e assumidas em toda a sua magnitude.





