COUCEIRADOS !


Não fosse o sortilégio das classificações dos restantes grupos e Portugal teria sido ontem eliminado do Mundial de sub-20.
Se atendermos àquilo que a selecção nacional fez nos seus primeiros dois jogos, talvez essa hipotética situação se revestisse de alguma injustiça. Mas há que dizer que pelo que realizou ontem, a equipa de Couceiro não merecia de facto ir mais longe.
A exibição portuguesa foi efectivamente má demais, sobretudo na segunda parte, deixando-a ficar por completo à mercê de um adversário desde cedo reduzido a dez unidades e apenas assente na sua forte capacidade física, que diga-se, chegou e sobrou para um Portugal completamente descaracterizado e desunido.
As responsabilidades deste resultado e desta exibição devem ser endereçadas em primeiro lugar ao técnico José Couceiro, que supreendentemente alterou e adulterou toda a equipa numa lógica de incompreensível poupança (??) quando a qualificação ainda não estava matematicamente atingida, e os riscos de apanhar um adversário bem mais forte nos oitavos-de-final deveria estar bem presentes no espírito de todos. Lamentavelmente o tiro saiu pela culatra, e a equipa portuguesa ficou provavelmente privada de André Marques e Bruno Gama para o resto da prova, o que para quem pretendia resguardar jogadores não deixa de ser amargamente irónico.
A desorganização táctica da selecção nacional foi mais que evidente, demonstrando uma vez mais as enormes debilidades e insuficiências de um técnico que, embora bem falante, por vezes dá a sensação de perceber tanto ou tão pouco de futebol como qualquer um de nós que, amadoramente, discute os jogos neste e noutros espaços.
Nada me move contra José Couceiro. E obviamente que desejo ardentemente o seu sucesso nesta missão, que será o sucesso de Portugal e dos portugueses. Mas é bom que a FPF reflicta sobre as contratações que faz (agora é também Paulo Sousa, ex grande jogador mas…) para os seus quadros técnicos, pois Scolaris não há muitos, mas existem bons treinadores de formação em Portugal, capazes de levar a cabo um trabalho sólido e seguro no sentido daquilo que foi o passado cada vez menos recente de Queiroz e Vingada, com os frutos que se viram.
Quis o destino que a carambola de resultados dos vários grupos atirasse Portugal para os braços do Chile (de Nicolas Medina), que não sendo pêra doce, também não é propriamente a Espanha, campeã europeia e séria candidata ao título – curiosamente os espanhóis, que ganharam o seu grupo, vão ter pela frente o Brasil…
Veremos até que ponto a equipa lusa sabe aproveitar a oportunidade que a sorte lhe está a dar. Mas a avaliar pelo que se viu ontem em Montreal, as expectativas de um fracasso total parecem bem mais consistentes do que a de um êxito que nos colocasse na senda do historial que Portugal tem nesta prova, onde conquistou dois títulos (com Fernando Couto, Paulo Sousa e João Pinto, e depois com Figo, Rui Costa e Jorge Costa), e um terceiro lugar (com Quim, Beto, Nuno Gomes e Dani).
Vamos pois esperar um milagre.
Eis os jogos dos oitavos-de-final:
Quarta,11 AUSTRIA-GAMBIA ; E.U.A – URUGUAI ; ESPANHA-BRASIL ; JAPÃO-REP.CHECA
Quinta, 12 ZAMBIA-NIGÉRIA ; ARGENTINA-POLÓNIA ; MÉXICO-CONGO ; PORTUGAL-CHILE (às 22.45 com transmissão na RTP1)Se Portugal passar aos quartos-de-final, defrontará o vencedor do duelo africano entre Zmabia e Nigéria.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

ADRIAN LOPEZ (Espanha) Confesso que não tinha reparado muito nele nos primeiros jogos, mas o hat-trick frente à Jordânia transporta-o para o galarim dos notáveis.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20




ALTIDORE (Estados Unidos) Mais um craque da super-equipa americana. Altidore é um ponta-de-lança genuíno, e embora seja dos mais jovens da sua equipa, está entre os mais cotados. Já marcou 3 golos na prova.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

NICOLAS MEDINA (Chile) À atenção de Portugal. Este avançado chileno é a estrela da sua equipa.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20
DANNY SZETELA (Estados Unidos) Outra das estrelas da selecção americana, este goleador já marcou 3 golos nesta competição.

BOLA QUADRADA - Especial Copa América





Falta só o México. Eis três imagens dos anos 20, de equipa que então venceram a Copa América e agora estão de novo nas meias-finais desta edição.
Em cima Argentina de 1929
No meio Brasil de 1922
Em baixo Uruguai de 1924

A FESTA DO GOLO
Após uma última jornada da fase de grupos bastante parca termos de qualidade e concretização, os quartos-de-final da Copa América voltaram a trazer-nos um verdadeiro festival de golos – 22 golos em 4 jogos !!
Pena foi que o equilíbrio não tivesse imperado, e fossem as equipas vencedoras a monopolizar os festejos alcançando todas elas goleadas de todo inesperadas nesta fase da prova.
Se do Brasil e da Argentina era de esperar alguma superioridade relativamente a Chile e Peru, já a esmagadora vitória do México face ao Paraguai, e a forma clara como o Uruguai se impôs à anfitriã Venezuela não podem deixar de causar alguma estranheza, não pelos resultados em si, mas pelos números que os mesmos atingiram (6-0 e 4-1 respectivamente).
O Paraguai de Óscar Cardozo foi uma profunda desilusão, não conseguindo ultrapassar a infelicidade que logo nos primeiros minutos se abateu sobre a equipa, com um penálti e expulsão do seu guarda-redes. O novo reforço do Benfica (que assim chegará mais cedo…) foi dos poucos que se salvou, realizando uma exibição dentro do razoável. Ao México, sob a batuta de Castillo, tudo correu bem, mostrando-se um sério candidato à conquista do troféu.
Na véspera os Uruguaios, com Diego Forlán em bom plano, entraram decididos a mostrar uma nova cara relativamente ao início desta competição (recorde-se que começaram com uma clara derrota por 0-3 diante do Peru), e acabaram por se superiorizar na segunda parte a uma Venezuela com muito coração mas a quem falta claramente talento para almejar a algo mais.
As goleadas de Brasil e Argentina não tiveram história, sobretudo a dos brasileiros que à meia hora de jogo já venciam por 3-0. Destaque para Robinho com mais dois golos, e para Messi e Tevez numa Argentina que só na segunda parte encontrou o caminho da baliza peruana..
Nas meias-finais de terça e quarta jogarão:
BRASIL-URUGUAI – Um apetitoso clássico do futebol sul-americano e mundial.
ARGENTINA-MÉXICO – Frente a frente talvez as duas mais fortes equipas da prova até ao momento.
A avaliar pela força dos resultados que os quatro semi-finalistas alcançaram este fim-de-semana, prevêem-se dois jogos de grande nível entre as melhores selecções do continente.

TUDO EM ABERTO

Apesar da derrota frente ao México, a selecção nacional mantém de pé todas as suas possibilidades de apuramento para os oitavos-de-final do Mundial de sub 20 a decorrer no Canadá. Bastará um empate no domingo frente à Gambia para a equipa de José Couceiro garantir o segundo lugar do grupo e assim seguir em frente.
Não há por isso que dramatizar um resultado que, tendo em conta a qualidade do adversário (esta sim, uma excelente equipa) não pode deixar de ser considerado natural. Recorde-se que a base da selecção mexicana foi campeão do mundo de sub-17, e conta com jogadores do topo da hierarquia mundial da sua faixa etária, como são os casos de Vela e sobretudo Giovanni Dos Santos, com lugar marcado no principal palntel do Barcelona para a próxima época.
Mesmo assim, Portugal fez um jogo bastante razoável, e o resultado mais justo talvez tivesse sido o empate. Até porque o penálti que abriu o marcador para os aztecas não pareceu muito claro.
Até ao intervalo, a haver um vencedor esse só poderia ser Portugal, e mau grado alguma quebra no início da segunda parte – traduzida sobretudo em falhas defensivas e golos -, a selecção nacional partiu para uns últimos minutos de bom nível, criando oportunidades em série, e acabando lamentavelmente por apenas reduzir distâncias quando o tempo que restava já era pouco. Pode-se pois Couceiro queixar da sorte, e pode também - desta vez com razão - lamentar que um erro de arbitragem tenha condicionado fortemente o resultado. Diga-se também que o grau de entrega e de organização desta equipa se tem mostrado num nivel francamente superior ao dos sub 21 na Holanda.
Em termos individuais as estrelas do primeiro dia (Gama e Coentrão) estiveram desta feita mais intermitentes – o novo reforço do Benfica fez-se notar também por um absurdo cartão amarelo que o vai impedir de jogar o último e decisivo jogo do grupo, coisas da idade… -, e o protagonismo foi para o autor do golo, Antunes, mas também para a entrada do avançado Guedes, que fez mais em 20 minutos do que Zequinha havia feito em mais de jogo e meio. Cá mais atrás há muito que corrigir, pois foram de novo os erros e as hesitações defensivas que comprometeram a equipa.
Domingo às 22.15, com transmissão pela RTP e pela Eurosport, Portugal decide então com a Gambia o seu futuro na prova.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

MULENGA (Zambia) Chama-se Mulenga mas quem o vê jogar fica impressionado com a sua velocidade e criatividade. Mostra ainda muita incipiência no momento de definir os lances, mas o talento está lá.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

EZEKIEL BALA (Nigéria) Dois golos e mais uma exibição de nível elevado frente à Escócia fazem dele o porta-estandarte da selecção nigeriana, equipa com altas e legítimas aspirações nesta competição.

ARRIVERDECI !

Segundo as últimas notícias provenientes de Itália, parece definitivamente consumada a saída de Fabrizio Miccoli do Benfica. Os adeptos do clube da Luz choram agora um dos jogadores que mais empatia criou com as bancadas nos últimos anos. A equipa perde um elemento de inegável classe.
Mas fará assim tanta falta ao Benfica um jogador com o perfil do “Pequeno Bombardeiro” ? Talvez não.
Miccoli chegou ao Benfica nos últimos dias do mercado de transferências de Agosto de 2005. Estreou-se em Alvalade, onde exibiu bons pormenores, e dias depois frente ao Lille para a Liga dos Campeões arrancou uma exibição portentosa – talvez a melhor que efectuou em Portugal – que desde logo cativou as simpatias do Terceiro Anel. Após mais um ou dois jogos mais discretos, acabou por se lesionar, uma, duas, três vezes, e pouco mais de significativo fez nessa temporada, à excepção do golo em Anfield Road onde, aliás, saíra do banco já na segunda parte.
Na primeira época na Luz, o avançado italiano fez apenas 19 jogos a titular, dos 44 que a equipa disputou entre Campeonato e Champions, ou seja, bem menos de metade das partidas. Mesmo nos jogos que realizou, Miccoli apenas brilhou em não mais de uns sete ou oito, passando discretamente pelos relvados nos restantes, onde muitas vezes se arrastou com manifesto excesso de peso, ou se perdeu em individualismos estéreis.
Até perto do final da sua segunda época na Luz o panorama não se alterou, o que inclusivamente originou uma tomada de posição pública por parte de Fernando Santos sobre o caso, afirmando, e bem, ser de exigir muito mais ao talentoso avançado.
Quando faltavam cinco jornadas para terminar a Liga Portuguesa, Miccoli tinha jogado como titular em apenas 18 dos 35 jogos que o Benfica efectuara nas duas principais competições em que participou em 2006-2007, tendo nas mesmas marcado 7 golos (em 2005-2006 apontara 6). Estimo que nestas 18 participações, o transalpino tenha sido determinante em não mais de uma meia dúzia, o que pode ser confirmado consultando por exemplo a pontuação que lhe foi atribuída pelo jornal “A Bola”, disponível nos arquivos da sua edição electrónica.
Portanto, antes deste seu assomo final de meia dúzia de jogos a facturar e a brilhar, Fabrizio Miccoli tinha realizado 37 das 79 partidas do Benfica para Campeoanto e Champions - o que representa cerca de 47 % do total da equipa - nas quais terá tido um desempenho acima da média apenas em cerca de, vá lá, 15 jogos. Resumindo, o grande Miccoli, idolatrado pelos adeptos, capaz de fazer coisas mágicas e imprevisíveis, foi visto em apenas um de cada cinco jogos do Benfica, o que significa que em quatro deles, ou não jogou, ou foi pouco produtivo.
Pode parecer um pouco injusta esta avaliação, até porque o jogador foi bastante martirizado por lesões musculares. Mas os números são o que são, e a verdade é que, se friamente analisados, ficam longe, bem longe, de confirmar um estatuto competitivo correspondente à idolatria que os adeptos lhe foram devotando. Se compararmos estes números com os de Simão, por exemplo, perceber-se-á a diferença entre um jogador absolutamente fundamental, e um bom jogador - sem dúvida -, muito talentoso, capaz de tirar da cartola coelhos de magia, mas longe de uma preponderância significativa no desempenho global da equipa. Se se trata de alguém que ganha um ordenado na casa dos 200 mil euros por mês (e a ser contratado definitivamente pelo Benfica, não viria certamente receber muito menos que isso), a relação custo/benefício torna-se devastadora. Nada me move contra Miccoli. Pelo contrário. Além da sua calorosa simpatia, também delirei algumas vezes na Luz com os seus números de grande qualidade artística. Apreciava sobretudo a sua espontaneidade de remate – tão pouco vista para os lados da Luz nos últimos anos. Particularmente nestes últimos jogos da época (que deixei de fora da análise numérica acima), Miccoli mostrou ser capaz de muitíssimo mais do que fez nos dois anos que passou de águia ao peito.
Todavia, ninguém garante que o Miccoli da(s) próxima(s) épocas fosse aquele que apenas apareceu nesses jogos. Poderia muito bem vir a ser o jogador pesado, aburguesado, individualista e a denotar falta de trabalho de casa (entenda-se treino) que foi na maioria das suas aparições nos relvados portugueses. E esse Miccoli não faz efectivamente muita falta – embora pontualmente pudesse fazer algum jeito - a uma equipa que se quer ganhadora como a do Benfica.
O futebol é um jogo colectivo. Em particular o futebol de alta competição exige um rendimento equilibrado nos planos técnico, táctico e físico. Não direi que trocava vinte Ronaldinhos Gaúchos por um Katsouranis (como disse Fernando Santos), mas também não sou demasiado sensível a malabarismos inconsequentes, e a jogadores cuja irregularidade impede de contar com eles nos momentos mais aflitivos, ainda que a sua habilidade (único aspecto tido em conta por muitos dos adeptos) possa por vezes impressionar pela genialidade.
Noutros clubes e noutros jogos, aprecio os individualismos, os pormenores, as intermitências. No meu, quero sobretudo jogadores ganhadores, de força física e mental à prova de bala, e capazes de interpretar o jogo na sua vertente colectiva. Miccoli, não se enquadra nesse perfil, tendo outras características. Como será o seu substituto ?

COPA DE CONTRASTES

Não há volta a dar. Quando chega a hora das grandes decisões, a qualidade do futebol fica posta de lado.
A Copa América havia começado em grande estilo, com espectáculo e golos em todos os jogos, mas a última jornada está a trazer o calculismo e o resultadismo de volta, e com eles, os zero a zeros e os espectáculos monótonos e sonolentos - ainda por cima vistos na Europa pela madrugada dentro.
Nos três últimos jogos, apenas um golo, e de penálti. O Venezuela-Uruguai e o Chile-México foram dois jogos verdadeiramente fantasmagóricos, com as equipas - todas já apuradas fruto de um desenho competitivo mal formulado - a trocarem a bola a maior parte do tempo no seu meio-campo, à espera que o tempo decorresse e o árbitro por fim apitasse. O Brasil-Equador, dado o adiantado da hora, ainda não vi (hoje passa em diferido na Sport Tv pelas 20.10). Mas suspeito que, sobretudo a partir do momento em que os brasileiros fizeram o golo, pouca espectacularidade tenha tido. Temo também que a fase eliminatória siga o mesmo caminho, embora o alinhamento das equipas faça ter esperança no contrário. Veremos.
Os jogos dos quartos, a realizar no fim-de-semana, são os seguintes:
SÁBADO,
23.00 Venezuela - Uruguai
01.50 Brasil - Chile
DOMINGO
21.00 Argentina ou Paraguai - México
23.50 Argentina ou Paraguai - Perú
Logo mais, pela 01.50 h Argentina e Paraguai (de Cardozo) discutem o primeiro lugar no grupo, e assim quem evita o México nos quartos.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

FREDDY ADU (Estados Unidos) Sem dúvida o jogador que mais impressionou nestas primeiras jornadas. Ouço falar dele desde os seus 14 anos, mas nunca o havia visto jogar. A sua exibição frente à Polónia (jogo em que marcou 4 golos) foi verdadeiramente maradoniana.
Um fenómeno a seguir com muita, muita atenção.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

AGUERO (Argentina) É já titular do Atlético de Madrid, e um dos jogadores com mais cartel na competição. No jogo que vi frente à República Checa, não tendo realizado uma exibição por aí além, denotou pormenores de enorme classe.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

CAVANI (Uruguai) Um ponta de lança à antiga, com um sentido de oportunidade notável, e uma movimentação perfeita. Marcou frente à Espanha e vai jogar no futebol italiano na próxima temporada.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

FÁBIO COENTRÃO (Portugal) Já falei dele. Tem um pé esquerdo fabuloso e tudo para uma grande carreira. Hoje teremos nova oportunidade de o ver em acção.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

DOS SANTOS (México) Vai jogar hoje diante de Portugal. É uma das grandes promessas do futebol mundial, estando já contratado pelo Barcelona.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

ALEXANDRE PATO (Brasil) É a maior estrela da selecção brasileira, e já havia dado nas vistas no mundial de clubes em Tóquio. Não engana, vai ser mesmo craque, e já está na mira do Chelsea.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

CAPEL (Espanha) Extremo esquerdo de enorme qualidade técnica. É ele a alma do jogo ofensivo espanhol. Marcou o golo do empate frente ao Uruguai.

VEDETAS DO MUNDIAL SUB 20

BRUNO GAMA (Portugal) O capitão português marcou dois golos na primeira jornada e exibiu um futebol adulto e talentoso.

ESTÁDIOS PARA TODOS OS GOSTOS

Veja fotos dos mais belos estádios da Europa, por dentro e por fora, em:

INTERROGAÇÃO

Embora "elas contem é lá dentro", não fico totalmente indiferente aos aspectos plásticos do futebol.
Recordo na infância, o tempo e a atenção que dispensava a observar pormenores como os atacadores das botas dos jogadores, os anúncios dos estádios, ou a desenhar os emblemas dos clubes, e isso ficou-me como elemento integrante da beleza que encontro nesta paixão que nutro pelo jogo. Ainda hoje me preocupo, por exemplo, com a forma como o relvado está tratado e cortado quando assisto a jogos, quer no estádio, quer, sejam onde forem, pela televisão.
Vem isto a propósito do novo e polémico equipamento alternativo do Benfica.
Eu pessoalmente, devo dizer que até gosto do mesmo, tal como gostava do da época passada (o tal da cor de burro...). Pelo contrário, não gostava mesmo nada daquele com que o Benfica disputou a gloriosa epopeia de Anfield Road (um cinzento escuro azulado medonho), sem que obviamente esse aspecto, eu diria, marginal, beliscasse por pouco que fosse a estrondosa alegria que essa jornada me proporcionou.
Segundo se diz o cor-de-rosa até está na moda embora os conceitos de moda, pela sua volatilidade, sejam difícies ( impossíveis ?) de integrar numa lógica estética, ou não fosse, na moda, o belo de hoje o horrivel amanhã e vice-versa, o que causa transtornos insanáveis a qualquer análise objectiva que se pretenda fazer sobre o tema.
Mas deixando a filosofia para outra ocasião, importa dizer que, goste eu ou não da nova indumentária, a mesma está a ser muito mal aceite pela generalidade dos benfiquistas que tenho lido e ouvido, e tenho a sensação que a Adidas se poderá em breve arrepender desta opção. A menos que o público feminino (exponencialmente crescente na Luz, em particular desde o Euro 2004) desate a comprar equipamentos em série, o que também não me parece que seja fácil de acontecer, até porque os exorbitantes preços a isso não convidam - e sabe-se como as mulheres normalmente precisam do dinheiro para outras roupagens e adereços...
Talvez a prestigiadíssima marca alemã não tenha ainda percebido cabalmente as especificidades do povo benfiquista, um povo clubisticamente conservador, extremamente fiel e zeloso da sua tradição (ou não fosse o seu passado a maior alma da clube) e pouco dado a arrojos deste tipo. De contrário, como entender esta opção ?
Apesar da multinacional ter afirmado ser o Benfica o 4º clube com mais camisolas vendidas de todos os que equipa no mundo, gostava de vir um dia a conhecer os números específicos da venda deste e de outros equipamentos, nomeadamente o alternativo do ano do centenário (branquinho, como era tradição), e com eles perceber se o que está por detrás destas iniciativas é um estudo cabal sobre a cultura de cada clube ou a mera aplicação de um conceito de marketing standardizado e globalizado.
Não que me preocupe muito com isso. Mera curiosidade.

PS: O que o departamento de marketing do Benfica deveria equacionar era a forma como um horrendo logotipo da PT desvirtua qualquer equipamento que se pretenda apresentar.
Porque não apresentar a logotipo apenas a branco como há anos o Sporting (então a preto) ostentava ?

LEÃO MOSTRA GARRAS

Depois de Benfica e F.C.Porto, hoje é a vez do Sporting regressar ao trabalho.
Com a questão de Caneira por resolver, e com Maxi Lopez preso por detalhes, o plantel leonino apresenta-se amplamente modificado, ou não fossem as saidas de Miguel Garcia, Rodrigo Tello, Custódio, Nani, Carlos Martins, João Alves, Alecsandro e Carlos Bueno, para além do já referido Caneira, cujas possibilidades de permanecer ainda subsistem.
Como reforços, os leões apresentaram até agora Izmailov, Derlei, Gladstone e Vukcevic, todos jogadores com créditos firmados, o que revela também uma aposta na experiência sobretudo se tivermos em atenção que sairam quatro jogadores formados no clube (aos quais se poderá acrescentar Caneira, se bem que neste caso se trate de um jogador bem mais experiente).
Vejamos então como está o plantel do Sporting:

GUARDA-REDES - Ricardo, Tiago e Rui Patrício
DEFESAS - Abel, Gladstone (ex Cruzeiro), Anderson Polga, Marco Caneira (?), Tonel, Paulo Renato (ex Junior), André Marques (ex O.Moscavide) e Ronny
MÉDIOS - Miguel Veloso, João Moutinho, Romagnoli, Pereirinha, Izmailov (ex L.Moscovo), Vukcevic (ex Saturn), Paredes, Farnerud, e Adrien Silva (ex Junior)
AVANÇADOS - Liedson, Yannick Djaló, Derlei (ex Benfica), Maxi Lopez (ex Maiorca) e Yannick Pupo (ex Junior).

EIS A PEÇA QUE FALTAVA A PAULO BENTO

Esteve para ser contratado pelo Benfica ao River Plate há dois anos. Seguiu para Barcelona onde raramente foi utilizado - mas chegou a marcar um golo ao Chelsea na Champions League - e estava agora emprestado ao Maiorca.
É um avançado tipo "tractor", com um poder físico e uma combatividade notáveis, mas sem grandes requintes técnicos. Ainda é jovem (23 anos), e deverá vir por empréstimo.
Poderá fazer furor na frente de ataque dos leões ao lado de Liedson.
Com esta contratação o plantel dos leões fica praticamente fechado (falta apenas resolver o assunto Caneira). Confirma-se também a tendência para a sul-americanização da Liga Portuguesa.

CAMPEÕES APRESENTAM-SE

Por entre as notícias e desmentidos da saida de Ricardo Quaresma para o Atlético de Madrid (será esta a novela do verão?), o F.C.Porto apresentou-se esta manhã no Olival.
Confira o plantel com que, para já, os azuis e brancos se propõem a atacar o tri:
GUARDA-REDES - Helton, Nuno (ex Aves) e Paulo Ribeiro (?)
DEFESAS - Bosingwa, Pepe, Bruno Alves, Fucile, Pedro Emanuel, João Paulo e Marek Cech
MÉDIOS - Bolatti (ex Belgrano), Lucho Gonzalez, Leandro Lima (ex S.Caetano), Paulo Assunção (?) , Raul Meireles, Kazmierczak (ex Boavista), Lino (ex Académica) e Luís Aguiar (ex Liv.Uruguai)
AVANÇADOS - Ricardo Quaresma (?), Hélder Postiga (?), Lisandro Lopez, Adriano, Renteria (?) e Edgar (ex Beira Mar).

ENFIM, "TACUARA" !

Não vi ainda o Argentina-Colômbia (logo pela hora do jantar será transmitido em diferido), pelo que o destaque da jornada da Copa América vai inteiramente para o jogo Paraguai-Estados Unidos no qual os paraguaios asseguraram a passagem aos quartos-de-final, e ao longo do qual o novo reforço do Benfica, Óscar "Tacuara" Cardozo, deu enfim sinais da sua classe marcando um golo, assistindo para outro e sendo inclusivamente eleito o “Homem do Jogo”.
Depois de duas partidas, uma fraquíssima e esta bastante bem conseguida, talvez seja já possível traçar o perfil do avançado pelo qual o Benfica pagou quase 10 milhões de euros.
Não sendo um jogador muito refinado tecnicamente, tem todavia características que podem fazer dele um elemento de grande utilidade na Liga Portuguesa, sobretudo se olharmos para a sua compleição física. No jogo aéreo e na batalha com os centrais, o seu 1,93m vai-se certamente revelar de extrema importância (ao contrário por exemplo do português Hugo Almeida, que sendo bastante alto tem um jogo de cabeça demasiado insípido), mormente face a linhas defensivas fechadas, e num modelo de jogo que privilegie a posse de bola e o processo ofensivo. É um avançado com facilidade de remate, sobretudo com o pé esquerdo, e que nunca vira a cara à luta. Peca por alguma (demasiada ?) lentidão, o que em jogos nos quais o Benfica tenha de recuar as suas linhas e apostar no contra-ataque – estou-me a lembrar por exemplo da Liga dos Campeões – lhe irá retirar espaço para brilhar, e talvez o possa até atirar pontualmente para o banco, tal como o gigante Peter Crouch no Liverpool.
Não me admiro de não vir a ser um jogador totalmente consensual, pois não têm um estilo muito dado a preciosismos técnicos como por exemplo tinha Miccoli. Se os golos não aparecerem logo (o que passa também muito pelos sortilégios da aleatoriedade), talvez venha até a ser questionada a verba dispendida na sua aquisição. Todavia um jogador como este, com esta morfologia e capacidade no jogo aéreo, permite ao técnico uma nova abordagem ao jogo, cumprindo uma missão de desgaste - nem sempre visível, mas de grande importância - e libertando outros avançados para o remate. Nuno Gomes pode beneficiar com isso, mas…que bom seria ver Miccoli a seu lado.
O seu primeiro jogo terá deixado muitos benfiquistas preocupados .Mas há que entender que o modelo de jogo do Paraguai nada tem que ver com o do Benfica, sendo que este favorece mais um avançado com as características de Cardozo (mais ofensivo, mais posse de bola, mais pressão sobre a defesa), e lembrar também que um avançado de 10 milhões de euros, tendo por obrigação ser um elemento útil, não tem de ser, de todo, uma grande estrela internacional - essas custam bem mais, como se viu com Anderson e Nani, que nem são pontas-de-lança.
Em suma, Cardozo será certamente muito útil à equipa do Benfica, mas não se espere que seja um “Maradona” capaz de vencer jogos sozinho. Também será necessário dar-lhe algum tempo de adaptação, até porque praticamente não vai ter férias, e vem de um futebol muito diferente do nosso.
À margem de Cardozo e do Paraguai, fica uma nota de realce para a magnífica Copa América a que temos vindo a assistir. A média de golos por jogo está nos 3,8, o que nos dias que correm é um verdadeiro luxo. Os estádios são bons e estão sempre cheios, os jogos são abertos e disputados, e os craques estão a aparecer. Assim continue.

BONS SINAIS

O adversário era acessível, mas mesmo tendo em conta esse aspecto, a exibição da selecção nacional de sub-20 foi bastante agradável e deve deixar os adeptos satisfeitos e confiantes numa boa participação.
Ao contrário do que acontecera com os sub-21, os mais jovens entraram na competição a todo o gás, e só por manifesta infelicidade chegaram já perto do intervalo com o resultado ainda em branco. Foi precisamente no último minuto da primeira parte que Bruno Gama converteu com grande categoria um livre directo, inaugurando o marcador e colocando alguma justiça num jogo até então de sentido único.
Na segunda parte o panorama não se alterou substancialmente, voltando o jovem portista a marcar, desta vez na transformação de uma grande penalidade cometida sobre Zequinha, após mais algumas oportunidades desperdiçadas pelos jovens portugueses.
Nos últimos minutos a selecção nacional desacelerou o seu jogo, permitindo aos neo-zelandeses algumas ocasiões de perigo junto das redes de Rui Patrício, mas sem que frutificassem em golos. Ainda assim, a vitória portuguesa acabou por pecar apenas por defeito, dado aquilo que foi fazendo durante cerca de 75 minutos.
A equipa de Couceiro apresentou um notável grau de organização táctica, atitude competitiva e frescura física. Foi pincelada também pelo talento de dois artistas, justamente os dois alas (sina do futebol luso…). Se Bruno Gama marcou os dois golos, e construiu mais um ou outro lance de grande perigo, Fábio Coentrão revelou-se um talento extraordinário, exibindo um repertório técnico muitíssimo acima da média.
Nunca tinha visto jogar o ex-vilacondense, e devo dizer que me surpreendeu em larga medida. Esperava apenas mais um jovem promissor e apareceu-me diante dos olhos um verdadeiro craque, com um pé esquerdo fabuloso, e com tudo para se tornar um caso sério no futebol português assim saiba colocar a sua capacidade mais ao serviço do colectivo, o que de certo a idade e a experiência lhe irão permitir. Veremos se nos próximos jogos confirma as belíssimas indicações que deixou ontem.
Na quinta-feira às 00.45 h Portugal joga frente ao México, e em caso de vitória terá a passagem aos oitavos de final praticamente garantida.

APREENSÃO !

As notas dominantes do primeiro dia de trabalho do plantel benfiquista no Seixal foram a apresentação das novas camisolas – sobretudo a alternativa cor-de-rosa, que parece uma aposta de marketing bem interessante -, e a praticamente certa saída de Karagounis, que vai obrigar o clube da Luz a procurar mais um médio para então fechar o plantel.
Deixando de lado o acessório (os equipamentos, bem bonitos por sinal, não fosse o azulado logotipo da PT estragar mais uma vez a tonalidade), centremo-nos no essencial (o plantel) para dizer que a saída de Karagounis é uma baixa importante, e na actual conjuntura (momento, disponibilidade financeira etc) não se vê como possa ser colmatada a curto prazo sem alguma perda de qualidade, isto numa altura em que a permanência de Manuel Fernandes ainda não é totalmente garantida – sendo que, mesmo com Manelelé, as opções são poucas.
Aliás, nos últimos dias as más notícias sucederam-se: Anderson quer sair (com o estranhíssimo argumento de não jogar na sua posição…) e parece estar em vias de ver satisfeito esse propósito, Miccoli afinal está muito perto do…Palermo, Cardozo levantou muitas interrogações com uma paupérrima exibição na primeira jornada da Copa América, e agora o médio grego, uma das unidades de maior rendimento na temporada transacta, abandona o clube (eventualmente a custo zero). Verdadeiros buracos na construção do plantel.
De um lote de jogadores fortíssimo, muito naturalmente capaz de se assumir como principal candidato ao título, o Benfica perde num fim-de-semana três potenciais titulares, vendo o lote de alternativas reduzido até níveis próximos dos que na época passada impediram a conquista de qualquer troféu, com a agravante de não ver um cêntimo com essas saidas.
É óbvio que a nova temporada ainda é uma criança, e até ao fim de Agosto ainda há possibilidade de inscrever jogadores. Mas se por um lado a compra de Cardozo terá deixado os cofres da Luz demasiado leves para qualquer aventura, o tão almejado desejo de Fernando Santos de contar com todo o plantel para o início da pré-época esvai-se por entre um desejo grego, uma quimera italiana e a imprudente planificação de uma equipa directiva demasiado ausente. Aliás, se descontarmos os dispensados (mesmo os que ainda não têm clube), a confirmarem-se estas saidas o Benfica tem hoje, por agora, um plantel ainda mais curto que o anoréctico grupo de trabalho que na época passada tanto desiludiu, com a agravante de manter ainda um elevado número de jogadores com credenciais inteiramente por confirmar – como são os casos de Dabao, Romeu Ribeiro, Sretenovic, Coentrão etc.
Lembremos o plantel benfiquista, considerando as saídas de Karagounis e Anderson:
GUARDA-REDES- Quim, Moreira e Moretto (?)
DEFESAS – Nelson, Luisão, David Luiz, Léo, Zoro, Sretenovic e Miguelito
MÉDIOS – Petit, Katsouranis, Manuel Fernandes (?), Rui Costa, Nuno Assis e Romeu Ribeiro
AVANÇADOS – Cardozo, Bergessio, Nuno Gomes, Simão, Mantorras, Dabao (?) e Coentrão
Para além da falta que a criatividade de Miccoli pode fazer no ataque, a defesa e o meio-campo parecem claramente deficitários de alternativas de qualidade. E caso não sejam ainda reforçadas poderão ser elas, mais uma vez, as tábuas de um caixão de desilusão.
Não é com equipamentos cor-de-rosa, com posições em estatísticas irrelevantes ou todo o foguetório habitual sempre que cada época começa (em especial desde que os títulos começaram a escassear na Luz), que devemos esquecer aquilo que é verdadeiramente importante.
Os benfiquistas esperam não ver cometidos mais uma vez, item por item, todos os erros que na época passada tiveram os resultados que se conhecem.
É nestes momentos – e nestes pormenores - que se formam as equipas campeãs.
Exige-se pois cuidado. Muito cuidado.

SAMBA DE UMA NOTA SÓ

Enquanto no Canadá o Mundial sub 20 dá os primeiros pontapés, na Venezuela a Copa América começa a entrar na fase das decisões.
Quando está a finalizar a segunda ronda da fase de grupos, o México garantiu já o passaporte para os quartos-de-final (à custa de um extremamente infeliz Equador), e a anfitriã Venezuela posicionou-se muito bem face ao mesmo desiderato. O Brasil por seu turno, depois da derrota inicial, recompôs ontem as suas aspirações ao bater claramente o Chile por 3-0.
Um resultado tão amplo poderia muito bem significar um domínio completo e uma exibição de alto nível. Não foi isso que se passou. O “Escrete” viveu quase exclusivamente da inspiração de Robinho – a mais cintilante estrela da equipa de Dunga nesta competição -, e só perto do final da partida logrou os segundo e terceiro golos que lhe permitiram a tranquilidade que até ai o Chile lhe havia negado. Pelo que se viu até agora de Argentina, México e Paraguai, os brasileiros terão de fazer muito mais se pretenderem conquistar o título. Além de jogadores em manifesta má forma na frente- como Vagner Love, Diego ou Anderson - a equipa brasileira apresenta também algumas carências em termos defensivos, bem evidenciadas num lance em que Suazo brincou autenticamente com a linha recuada canarinha, acabando por falhar a oportunidade de forma clamorosa rematando contra o corpo de Juan.
Recorde-se que além de Ronaldinho e Kaká, o Brasil surge estranhamente amputado também de Lúcio, talvez o melhor central brasileiro dos últimos tempos (sem falar da lesão de Luisão). Roberto Carlos e Cafú pertencem naturalmente ao passado e certamente não voltarão a vestir a camisola amarela da sua selecção.
Hoje teremos novamente Óscar Cardozo em acção frente aos Estados Unidos (e esperemos que faça bem mais do que no primeiro jogo), e mais tarde a super-equipa argentina diante da Colômbia.

OPERAÇÃO CANADÁ

Longe vão os tempos de Figo, Fernando Couto, Paulo Sousa, João Pinto e Rui Costa, e dos memoráveis campeonatos de 1989 e 1991. Hoje o Mundial de Sub-20 já não oferece aos portugueses a mesma carga emotiva que então era proporcionada por uma equipa de luxo, formada por Carlos Queiroz, e crónica candidata a todos os títulos de futebol juvenil durante quase uma década.
Da selecção presente no Canadá apenas Bruno Pereirinha, Fábio Coentrão, André Marques, Rui Patrício e Pedro Correia são de algum modo conhecidos do grande público, e mesmo assim, qualquer um deles está longe de ser, para já, figura de primeiro plano do futebol nacional.
Por isso, e também pela enorme diferença entre as equipas técnicas de então e de agora, não parece haver motivos para grande optimismo nesta participação. Título ? Nem pensar !, Meias-finais ? Um sonho ! Passar a primeira fase ? Um objectivo ! Poderia ser assim resumida a escala de expectativas de uma equipa portuguesa sem grandes individualidades, e com uma força colectiva por demonstrar.

Para já temos a quase desconhecida Nova Zelândia por diante, e se a abordagem ao jogo for semelhante à dos Sub-21 na sua estreia holandesa, então poderemos desde já esperar pelo pior. Uma vitória sobre uma das equipas mais fracas da prova poderá, pelo contrário, transmitir a motivação necessária para uma caminhada positiva. Veremos.
Nos jogos já realizados, o destaque vai para a surpreendente derrota do Brasil de David Luiz e Leandro Lima ante a Polónia, bem como para o nulo alcançado pela República Checa face à Argentina. Como destaque individual – e tanto quanto a sobreposição de jogos da Copa América e deste Mundial Sub-20 tem permitido acompanhar a prova – realçaria o argentino do Atlético de Madrid Aguero, que mesmo sem que a sua equipa vencesse, exibiu pormenores que fazem dele uma das mais seguras promessas presentes no Canadá.

SIMÃO ELEITO O MELHOR

Está terminada a votação para melhor jogador da Liga 2006-2007.
Simão Sabrosa do Benfica foi o escolhido dos leitores com 119 nomeações, seguido do portista Ricardo Quaresma com 49 e do sportinguista João Moutinho com 41. Mais atrás ficaram Miccoli e Liedson.
A todos os que participaram nesta eleição, VEDETA DA BOLA agradece. Ao Simão endereça as maiores felicitações, e o desejo de que continue a encantar os relvados portugueses por mais alguns anos.

PODERIA PICASSO ESCREVER UMA SONATA ?

A edição de hoje do “Record” levanta a possibilidade da estrela do futsal Ricardinho poder passar a trabalhar com o plantel de futebol do Benfica às ordens de Fernando Santos.
Mesmo descontando o facto de o referido diário desportivo estar normalmente melhor informado do que se passa em Alvalade do que propriamente na Luz, a questão é pertinente e justifica alguma atenção.
Conheço muito bem Ricardinho, que já vi jogar variadíssimas vezes ao vivo e na televisão, e com quem inclusivamente já tive oportunidade de trocar umas breves palavras, embora não sobre esta questão. Acompanho com frequência outras modalidades – normalmente nos dois pavilhões da Luz -, e o futsal, depois de uma desconfiança inicial (fruto de alguma aversão a novidades), ganhou definitivamente a minha admiração desde há uns dois ou três anos, facto que não será também alheio à extraordinária equipa que o Benfica tem vindo a formar – falando-se de ataque ao título europeu já na próxima temporada.
Ricardinho é um fora-de-série, e talvez possa dizer que, à excepção de Maradona, e mais recentemente, Cristiano Ronaldo, não me recordo assim de repente de ver alguém fazer com uma bola o que este pequeno génio faz. Tem uma capacidade de drible impressionante, um passe preciso, um remate fulminante.
Será então de promover a sua passagem para o futebol ? Duvido !
As duas modalidades, embora aparentemente semelhantes, são contudo substancialmente distintas: Ricardinho nunca na sua carreira profissional terá jogado mais de quinze minutos seguidos, e os seus piques resumem-se a dez ou quinze metros num campo de pequena dimensão. A sua capacidade de passe em profundidade, que no futsal nos regala a todos, no futebol ficaria reduzida a uma curta distância, e o seu poderoso remate assenta numa especificidade técnica bem distinta de um bom remate num jogo de futebol. As movimentações tácticas são substancialmente diferentes de uma para outra modalidade, pouco ou nada conhecendo Ricardinho, naturalmente, do posicionamento que se exige a um futebolista profissional.
Tudo isto vale por dizer que para Ricardinho se adaptar ao futebol teria necessariamente de desenvolver um longo e difícil trabalho de adaptação, devendo nalguns casos “descer” ao nível da formação de modo a conseguir traduzir todo o seu talento para uma linguagem amplamente diferente. Pior que isso, seria necessário verificar da adaptabilidade física do jogador a um tipo de desgaste e exigência francamente maior, o que, atendendo até à sua morfologia, me levanta sérias reticências.
Em suma, uma iniciativa deste tipo corria o risco de transformar, a prazo, um dos melhores futsalistas da Europa e do Mundo, num futebolista mediano a exibir habilidades numa qualquer equipa de escalões secundários, onde possivelmente até teria de ser frequentemente substituído muito antes de os cronómetros atingirem os noventa minutos.
Devo dizer no entanto que ficaria extraordinariamente feliz se esta opinião se viesse a provar não passar de um equívoco, e assim pudesse ver em breve Ricardinho fazer no relvado da Luz aquilo que semanalmente faz no pavilhão ao lado. Era espectáculo garantido, e o futebol do Benfica ganharia uma cintilante estrela.

SESSÃO DA NOITE

Com dois dias de competição já concluídos, pode-se dizer que a Copa América está a cumprir na plenitude a expectativa criada em seu redor.
Com quatro jogos realizados, a média de golos é de 3,5 por jogo, número que seguramente irá decrescer um pouco à medida que a competição for avançando, mas que não deixa de significar uma entrada em força das selecções que até agora pisaram os relvados venezuelanos. Além dos golos, os espectáculos têm sido de qualidade, quer pela forma aberta como têm sido disputados, quer pela classe de alguns dos intérpretes em campo.
Esta competição, pouco cuidada durante décadas – nem sequer tinha calendarização definida -, tem-se tornado ultimamente num interessante paliativo em anos de não-Mundial, designadamente desde que, em função dos estímulos de mercado originados pelo acórdão-Bosman, os grandes clubes europeus se encheram de jogadores de outras paragens, em grande parte, pelo seu reconhecido talento, oriundos da América do Sul.
Este ano a prova é ainda abrilhantada pela presença dos Estados Unidos (a par do México, convidado da confederação do norte e centro), o que, mais do que um incremento de competitividade, se reveste de inegável curiosidade política à luz do clima de tensão entre os dois países, dado que o presidente Hugo Chávez, confortavelmente sentado no alto das suas reservas petrolíferas, em momento algum se tem eximido de condenar com firmeza e persistência a política externa de George W.Bush, afugentando alguns dos interesses americanos em território Venezuelano, ainda que continuem paradoxalmente a ser eles os principais parceiros económicos do seu país. De resto, que melhor jogo de abertura poderia desejar Chávez que um encontro com a Bolívia de Evo Morales, seu principal aliado político na região. Mas isso são contas de outro rosário…
Para nós portugueses, interessa também sobremaneira aproveitar a oportunidade para conhecer um pouco mais acerca dos anunciados reforços para os principais clubes da nossa Liga (por exemplo Cardozo), ou para rever alguns dos que entretanto partiram para outras bandas (por exemplo Anderson).
Desportivamente releva para já a derrota do Brasil, cujas ausências de Kaká e Ronaldinho são difíceis de entender, e que num outro país sem a capacidade de encontrar alternativas que têm os brasileiros seriam suficientes para, por um lado enfraquecer irremediavelmente a equipa condenando-a ao fracasso, e por outro causar um grave problema institucional face ao seleccionador e aos poderes federativos. No Brasil, com todas as suas especificidades desportivas e culturais, talvez não aconteça uma coisa nem outra, e nada me admirava que o "Escrete" se viesse inclusivamente a sagrar campeão americano no próximo dia 15 de Julho.
À frente do Brasil na lista de favoritos talvez surja apenas a Argentina, essa sim na máxima força, com Messi, Crespo e companhia. Mas selecções como o Paraguai ou o próprio México podem perfeitamente surpreender.
Como óbice principal ao acompanhamento desta prova temos um horário de jogos muito complicado de seguir na Europa. Todavia, com as repetições em diferido no dia seguinte, que a Sport Tv sensatamente tem o cuidado de levar à antena, não há desculpa para ninguém.
Hoje temos o Brasil-México em diferido às 20.15, depois o Paraguai (atenção a Cardozo!)-Colombia às 23.30, e finalmente o Argentina-Estados Unidos à 1.50 da madrugada (mas nada de lamentos, repete amanhã à hora de jantar).