O SENHOR FUTEBOL
Há quem diga que a carreira de José Mourinho vem em trajectória descendente. Ou até mesmo que está ultrapassado. Posso concordar com a primeira afirmação (está no Benfica, veio da Turquia, não no PSG, no City ou no Barcelona), não concordo com a segunda. Mas independentemente daquilo que se possa achar das suas competências (muitas eram inovadoras há vinte anos, e agora são comuns a qualquer treinador da 2ª liga, outras, como uma genial leitura de jogo continuam lá), ou da sua trajectória (talvez já não vá ganhar outra Champions), ou da sua personalidade (nunca quis agradar a todos), uma coisa é certa: o homem tem uma experiência incrível, e já passou por quase tudo no mundo do futebol. É isso, aliás, que faz dele uma aposta certeira para um clube como o Benfica. Hoje, no balneário da Luz, a estrela é ele. Pode dar-se ao luxo de sentar Pavlidis num jogo decisivo com o Nápoles, por razões estratégicas (o resultado deu-lhe razão), e não haver um pio. Nas conferências de imprensa é ele que manda, e jamais permitirá ser toureado pelos jornalistas como tantas vezes aconteceu com Bruno Lage. No mercado, vai ditar as leis. Enfim, é Mourinho.
A título de curiosidade veja-se só a lista dos principais jogadores com quem ele já trabalhou (com alguns deles, enquanto adjunto), e na qual encontramos vários "Bolas de Ouro". É impressionante:
Além destes nomes sonantes, podíamos mencionar várias curiosidades. Entre actuais treinadores e comentadores, ou jogadores de algum modo emblemáticos do futebool português e mundial, Mourinho trabalhou com os ex-atletas (e como atletas) Nuno Espírito Santo, Paulo Bento, Domingos Paciência, Paulo Sousa, Sérgio Conceição, Julen Lopetegui, Bino Maçães, João Pinto, Silas, Jorge Costa, Abel Xavier, Rui Jorge, Kulkov, Yuran, Balakov, Drulovic, João Pinto, Paulinho Santos, César Peixoto, José Calado, Dani, Diogo Luís, Maniche, Costinha, Cândido Costa, Kostadinov, Luís Enrique, Prosinecki, Iordanov, João Tomás, Cadete, Poborsky, Kluivert, Anelka, Ricardo Quaresma, Van Hooijdonk, Manuel Fernandes, Jordão, Simão Sabrosa e Rui Barros. A lista é interminável, e conta com quase 900 jogadores.
Como se sabe, foi adjunto de Bobby Robson e de Louis Van Gaal. E teve como seu adjunto André Villas-Boas.
Um homem especial. Um senhor futebol!
16 comentários:
100% de acordo Luis e quem contrariar essa lista interminavel de jogadores de classe internacional e que nao conheceram muitos desses jogadores.
Seria insensato criticar a experiência de Mourinho.
Mas penso que é sensato avaliar se é o homem certo para o Benfica.
A experiência de Mourinho não acontece em Clubes de países periféricos, com uma estratégia assumida na formação, sem capacidade para contratar jogadores feitos e pagar salários ao nível das principais ligas.
Mourinho, nos últimos largos anos, esteve em projetos em Clubes muito mais ricos que o Benfica, com vasta capacidade para agir no mercado, com muitos milhões à disposição.
É este o desafio de Mourinho no Benfica. Reinventar-se como um treinador de formação, com o talento existente, mais o investimento possível - e não com o talento e os milhões que deseja.
Pode ter sucesso? Pode, claro. Mas não é nada óbvio que o terá.
Concordo. Penso que Mourinho não está nada ultrapassado, os outros é que nestes ultimos anos "cresceram" muito, poderá naturalmente estar numa fase descendente dada a idade mas se calhar nem isso. Acho até e a avaliar pelo seu trabalho que foi o melhor que aconteceu ao Benfica, com todos os abutres que por aí proliferam, desde outros presidentes passando por alguma comun icação social, se não fosse ele já tinhamos sido engolidos dada a fraca liderança de Rui Costa e sua estrutura e não era nunca BL nem mais nenhum outro treinador que seria capaz de colocar todos os rivais e CS nos seus respectivos lugares. Portanto, Mourinho muito bem e ponto final.
Off topic mas tem que ser. Se não há nenhuma reação enérgica do Benfica após o que está a acontecer nos Açores, bem que poder vir o Mourinho de 2004, com o guardiola e klopp a adjuntos que não temos qualquer hipótese. Um autêntico nojo.
O Benfica deve abandonar já a Taça de Portugal e entregá-la aos sapos. É uma vergonha!
Se o Costa não parte esta merda toda, se não tem tomates para isso, que abandone a presidência.
Concordo. O roubo q acabamos de assistir exige medidas drásticas
O Benfica devia exigir de imediato a expulsão deste VAR e de João Pinheiro. Sob pena de, não acontecendo, abandonar a taça de Portugal.
É tão grave quanto isso, o que acaba de acontecer.
O Benfica? Abandonar a taça? Então depois do que se passou na final o que fez o presidente?????
Varandas já falou algumas duas vezes e o Rui???? Calado!!!!!! Come e cala!!!
O nosso presidente é, infelizmente, cúmplice do estado das coisas.
Apoiou este projeto, manietado por um maqueiro que nitidamente o manipulou sem pudor.
Depois das eleições, nunca mais falou. Não vai falar.
Sairá, talvez, um comunicado sem exigências, nem consequências.
Mourinho talvez mencione algo de passagem, mas obviamente não pode dizer muito, ou é castigado.
Somos liderados por cobardes, perante um dos mais negros momentos do futebol das últimas décadas.
É uma vergonha sim o que acontece nos Açores, o Santa Clara está autenticamente proibido de ganhar ao Sporting. Aqui está mais um caso para o José Mourinho vir condenar porque do presidente Rui Costa não espero nada. Ainda por cima lance com o tal jogador que todos conhecemos, que me parece que faz de propósito voltando o focinho na direção do braço do adversário na espectativa do arbitro apitar penalty. Vergonha, já que RC não é capaz, chega-lhes Zé Mourinho e não tenhas medo de ser castigado, porque essa gente merece.
Os srs Gonçalves e Gomes que apresentem a demissão, mas hoje!!!! Já passou todas as marcas.
Assino!!!!
E quem és tu para se arrogar avaliar se Mourinhjo é o homem certo para o Benfica? Que qualificações professionals e humanas, eu acrescentaria divinas, te dá o direito de vir insinuar, com fel, alguém que nem sequer conheces, muito menos as condicionantes que OBRIGARAM Mourinho a trabalhar nos últimos anos??
O Benfica escreveu um bom comunicado, finalmente, sem perda de tempo que explica o que aconteceu.
Agora esperamos é AÇÕES, porque os criminosos - ladrões falsificadores de competições são criminosos - têm de ser obrigatoriamente sancionados na justiça.
Eles foram plantados na arbitragem, na Liga e na FPF, têm de ser corridos, expulsos dos cargos remunerados que ocupam, que lhes foram oferecidos, em troca de seguirem a agenda já decidida de antemão. Corrupção e tráfico de influências. Em certos países que conhecemos já estariam presos a ser interrogados.
Não nos referimos apenas aos árbitros, que não passam de esbirros e de bodes expiatórios de criminosos inseridos num sistema altamente corrupto, eles são obrigados a seguir ordens, mas aos poderes que planeiam este sistema corrupto há dezenas de anos e que continuam com total impunidade a mexer os cordelinhos nos bastidores.
Sabemos quem são as sociedades que o faz. Para saber nomes para denunciar, basta saber quem faz parte dessas sociedades. São sempre as mesmas. Não é difícil.
O presidente não é culpado de nada porque isto acontece desde 1975, há 50 anos, quase não nascido. Começou depois da "revolução" de 74!!!
Afirmar que o culpado é Rui Costa é uma forma de distrair os papalvos do que realmente acontece e tentar esquecer o que acontece há 50 anos!
Só infiltrados de outros clubes o faz! Como se vê em programas de comentários na TV.
Muita gente andou sei lá quanto tempo a dizer que o pinheiro era o melhor árbitro português, mesmo depois de nos ter roubado dois penáltis contra os sapos, exatamente para a Taça de Portugal, na Luz, e após o 1-1 contra os mesmos sapos, para o campeonato, em que fez mais uma arbitragem de cabrãozinho, ou na final da Taça da Liga, na época passada, em que fez uma arbitragem igualzinha. É um árbitro tão bom, não percebo esta súbita animosidade contra tão ilustre figura.
Não sou particularmente simpatizante do Barcelona enquanto clube (todo aquele regionalismo cheira-me mal), nem alinho na histeria que ultimamente tem tomado conta de alguns comentadores, fazendo da equipa de Guardiola muito mais do que aquilo que ela realmente é: uma excelente equipa, como, noutras temporadas, outras houve (e, deixando as selecções de parte, só nos últimos 30 anos lembro-me de um fantástico Liverpool com Dalglish, Souness e Rush, de um soberbo Milan com Gullit, Van Basten e Rijkaard, de uma eficaz Juventus com Del Piero, Paulo Sousa e Roberto Baggio, de um colossal Real Madrid com Hierro, Zidane e Figo, de um entusiasmante Manchester United com Cristiano Ronaldo, Rooney e Giggs, e do próprio Barcelona de há uns anos, orientado por Frank Rijkaard, e com Ronaldinho Gaúcho, Deco e Samuel Eto’o nas suas fileiras).
Independentemente dessa posição de princípio, e até de algumas simpatias madridistas, lamento profundamente que a equipa catalã tenha sido eliminada, quer da forma como foi, quer, sobretudo, por quem o foi.
A exibição do Inter em Camp Nou fez-me lembrar o Leixões ou o Naval quando visitam o Estádio da Luz. Onze homens (depois dez) atrás da linha da bola, pontapé para a frente, constantes perdas de tempo, provocações ao adversário, e todo um manancial de anti-futebol, que por vezes é premiado com um resultado imerecidamente positivo, como foi o caso. Os italianos (povo que, de resto, também não aprecio particularmente, ao passo que à Catalunha nunca fui) venceram, mas não convenceram. Provaram apenas, e uma vez mais, que o futebol não é justo.
Depois, lamento não alinhar no coro oficial da nação em redor de José Mourinho. Reconheço, obviamente, toda a sua competência técnica, mas sob o ponto de vista humano, de comportamento, de educação e desportivismo, trata-se de alguém que me envergonha enquanto cidadão português. Nunca tive outra opinião acerca dele, nem enquanto treinou o Benfica, saindo sob ameaças e chantagens - tal como de resto saiu do FC Porto, do Barcelona, do Chelsea, sairá do Inter, e de todos os clubes onde trabalhar.
Se há coisa que tenho é uma boa memória, e não me esqueço do que foi Mourinho no futebol português. Não pelo que ganhou, mas pela forma arrogante, imbecil e provocadora como sempre se comportou. Não me esqueço da sua volta ao relvado da Luz, de sorriso cínico na cara, perante 80 mil pessoas a assobiarem-no. Não me esqueço dos seus insuportáveis “mind games”, que apenas aumentavam a necessidade de reforço policial nos jogos, enquanto satisfaziam o seu ego do tamanho do mundo, permitindo-lhe gozar com todos nós. Desta vez, visitando a casa que o projectou e que lhe ensinou grande parte do que sabe, voltou a ter um comportamento nojento e cretino, daqueles que queremos ver banidos do futebol, que condenamos veementemente quando se trata de alguém de outro país (Domenech, por exemplo), mas que a Mourinho todos em Portugal, estranhamente, toleram. Normalmente os mesmos que vêm em Pinto da Costa um exemplo a seguir, e no fundo aqueles para quem vale tudo, desde que se ganhe.
Nesta partida estava pois pelo Barcelona. Estava, sobretudo, contra o Inter, e contra Mourinho, como sempre estive, desde os tempos do Chelsea, para nem falar do FC Porto.
Não se pode dizer, todavia, que a equipa transalpina não tenha feito jus à história do seu futebol. Foi com Helenio Herrera, e com o célebre Catenaccio, que o Inter alcançou as suas grandes conquistas internacionais, voltando agora, do mesmo modo, à final da principal prova europeia de clubes.
Nesse dia, e independentemente da animosidade que a postura política da chanceler Ângela Merkel possa ter trazido à Europa nos últimos meses, estarei pelos alemães. Estarei, sobretudo, contra Mourinho, contra o Catenaccio, contra o anti-jogo, as provocações, os golpes baixos, a arrogância. Estarei pelo futebol.
Luis Fialho, 2010
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