AI QUE SORTE!

É uma sorte.
É uma sorte ter avançados com a categoria de Raul Jimenez, Jonas ou Mitroglou, que resolvem jogos com precisão de matador, nos momentos mais delicados. É uma sorte ter jovens como Ederson, Nelson Semedo, Lindelof, Renato Sanches ou Gonçalo Guedes, os quais há um ano atrás ninguém imaginava como presumíveis titulares do Benfica e jogadores de selecção. É uma sorte ter figuras do nível de Luisão ou Salvio, que se sentam no banco com o mesmo profissionalismo que sempre revelaram em campo. É uma sorte ter um plantel em que as ausências são colmatadas por jogadores de igual valia, com os quais o colectivo em nada se ressente. É uma sorte ter uma equipa unida e solidária, que entra em campo com humildade e sem qualquer laivo de sobranceria, disputando cada lance como se fosse o último. É uma sorte ter a melhor média de golos por jogo dos últimos 32 anos. É uma sorte ter o melhor ataque e o melhor marcador do campeonato. É uma sorte ter como treinador um homem competente e civilizado, que responde com vitórias às reiteradas provocações que lhe chegam do exterior. É uma sorte ter uma estrutura administrativa e logística na qual nada falta, e a qual representa uma importante mola no rendimento dos atletas. É uma sorte ter um presidente que está sempre ao lado da equipa, nos bons e nos maus momentos, e que não usa facebooks para insultar, pressionar ou coagir ninguém. É uma sorte ter uma massa adepta que enche estádios de norte a sul do país, com uma paixão inigualável, e um apoio frenético que empurra a equipa para a frente.

É mesmo uma sorte. É uma sorte ser do Benfica!

ARBITRAGEM 2015-16







(clique nos quadros para aumentar)



BALANÇO (classificação real à 30ª j):

1º BENFICA 73 pts (beneficiado em 3 pts)
2ª Sporting     70 pts (beneficiado em 4 pts)
  3º Porto         63 pts (prejudicado em 1 pt)   

MAIS DO QUE UM JOGO

Faltam quatro.
Apenas quatro jornadas para o fim de um dos campeonatos mais empolgantes dos últimos anos, e, provavelmente, o mais importante da última década.
Cada jogo é uma “final”, como há muito afirma Rui Vitória. Mas a “final” deste domingo é especial, e pode definir muito mais do que os três pontos em disputa. Pode muito bem ser a verdadeira “final”. O momento chave na decisão do título. O Cabo da Boa Esperança na rota para o Marquês.
O Rio Ave está em 5º lugar, a lutar arduamente por uma vaga na Liga Europa (os adversários seguintes estão do 10º lugar para baixo, e já sem objectivos). O estádio do Rio Ave é difícil, e tradicionalmente problemático para o Benfica (ainda na época passada lá perdemos). O Rio Ave tem uma equipa muito coesa, onde pontuam jogadores emprestados pelos nossos rivais. O treinador, excelente diga-se, é também ele um antigo jogador do Sporting, valha isso o que valer. A equipa vila-condense apresenta-se praticamente na máxima força (apenas Roderick não jogará). Esta jornada antecede um FC Porto-Sporting, cuja abordagem em muito depende do que se vier a passar em Vila do Conde.
Não são precisos mais condimentos para olharmos para a partida de domingo como uma das mais importantes da temporada.
O jogo com o V.Setúbal evidenciou algum desgaste da nossa equipa. Após tão exigente compromisso europeu, não seria de esperar outra coisa. Felizmente, chegou para vencer.

Agora, com uma semana de repouso, teremos de entrar “a matar” no Estádio dos Arcos, como se de cada lance dependesse toda uma vida. Só assim podemos trazer a vitória. Só assim chegaremos ao 35º.

DE OLHOS BEM ABERTOS

Na jornada anterior, o Sporting jogava no Restelo. Nas vésperas da partida, o conflito entre o clube e a SAD do Belenenses agudizou-se. Foi cortada a luz e a água no estádio. Houve jogadores impossibilitados de prosseguir planos de recuperação. O treinador foi impedido de preparar o jogo. A equipa de Belém, mesmo sem Tonel, apresentou-se bastante abaixo das suas potencialidades. O Sporting venceu facilmente.
No último fim-de-semana o Sporting jogava com o Marítimo. Nas vésperas da partida verificaram-se agressões entre jogadores num treino dos insulares. Alguns foram suspensos e não estiveram em Alvalade. A equipa madeirense apresentou-se desfalcada. O Sporting venceu facilmente.
O próximo adversário dos leões é o Moreirense. Nesta última jornada, um conjunto de cartões amarelos cirúrgicos afastou vários titulares da equipa minhota. Também não jogarão os emprestados e os lesionados. Teremos um Sub-Moreirense neste sábado. O Sporting vai certamente vencer sem dificuldades.
Entretanto Slimani foi ilibado de uma agressão que todo o país viu.
É necessário que tomemos atenção a todas estas coincidências. A estrutura sportinguista tenta passar a mensagem de que o clube só não ganhou títulos nas últimas décadas devido a práticas subterrâneas dos seus rivais. E o corolário dessa teoria é achar-se legitimado a usar todos os meios, lícitos e ilícitos, éticos e não éticos, por cima e por baixo das mesas, para ganhar este campeonato – do qual depende muito do seu futuro próximo.

Já vimos isto no passado, com outros protagonistas. Não podemos voltar a cometer o erro de achar que não é connosco.

TANTO PARA VENCER

1)      Escrevo estas linhas antes de conhecer o resultado do jogo de Munique. Porém, o que quer que tenha acontecido na Baviera, não desviará o Benfica, os seus profissionais, os seus dirigentes, e os seus adeptos, do grande desígnio da temporada: a conquista do 35º campeonato. Nesse sentido, o jogo grande da semana é em Coimbra, e é esse que estamos obrigados a vencer. Aliás, tenho a convicção de que, ganhando as próximas três partidas (Académica, V.Setúbal e Rio Ave), o título dificilmente nos fugirá.
2)      O Andebol encarnado está a superar todas as expectativas. Quem diria, há um mês atrás, que teríamos a Taça de Portugal nas mãos, que estaríamos nas meias-finais da prova europeia, e que levaríamos uma vantagem de 2-0 diante do hepta-campeão FC Porto na meia-final do playoff? É verdade que as últimas vitórias foram obtidas nos prolongamentos, e arrancadas dramaticamente nos últimos segundos dos jogos. Mas a força competitiva destes jogadores ficou já amplamente demonstrada. Vamos acreditar que a saga não fica por aqui.

3)      Com a passagem do Hóquei à final-four da Liga Europeia (que bom seria poder ser na Luz…), garantimos desde já, pelo menos, quatro meias-finais de provas internacionais nas nossas modalidades nesta época. Para além do Hóquei, o Voleibol chegou às meias-finais da Challenge Cup, o Futsal está nas meias-finais da Uefa Cup, e o Andebol nas meias-finais da sua Challenge Cup. Teremos ainda o Atletismo a disputar a Taça dos Campeões da Pista. Entre tantas frentes, é lícito esperar que pingue um título. Isto sim, é uma verdadeira potência desportiva. A única em Portugal.

UMA FINAL

Depois de uma incompreensível pausa para jogos amigáveis das selecções – porque não antecipar o fim de época numa semana, ao invés de a interromper na sua fase mais quente, numa espécie de anti-climax que não agrada a um único adepto de futebol? -, regressa o campeonato. E regressa com mais uma final, esta diante de um adversário que está a realizar uma temporada fantástica, com aspirações em quatro frentes distintas. Há mesmo quem diga que este será o jogo mais difícil que o Benfica tem pela frente na sua caminhada rumo ao 35º.
Além da qualidade do adversário – equipa com experiência de grandes momentos, que dificilmente se impressionará perante as 65 mil pessoas que se esperam na Luz -, e além de esta partida chegar na sequência da referida pausa, com desgaste de viagens, com diferentes metodologias de treino, com dispersão mental face aos objectivos, haverá também que combater todos os pensamentos, palavras, actos e omissões que remetam para compromisso seguinte, o de Munique. Não podem jogar-se dois jogos ao mesmo tempo, e independentemente do prestígio internacional que uns quartos-de-final da Liga dos Campeões conferem, ninguém (jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos) pode esquecer, por um momento que seja, que o grande desígnio da época é o Tri-Campeonato, e que a caminhada para o atingir não permite o mais ínfimo percalço.

Nestas circunstâncias, dizer que o Benfica-Braga se trata de uma final, não é conversa fiada. Tendo em conta que um empate pode significar a perda da liderança, e a dependência de terceiros, o que hoje teremos na Luz é mesmo uma verdadeira Final. 

OS INÁCIOS

Há quem seja Inácio de nome. Mas há também quem não consiga ser outra coisa. São os que não passam de…inácios.
Mas o que é ser inácio?
Ser inácio é acusar mais de uma dezena de pessoas de conspirar contra o Sporting, metendo no pacote dirigentes, comentadores, empresários, adeptos e jornalistas, como se todos pudessem ser tomados pelo mesmo critério de clubismo, e como se não fosse o acusador o primeiro a conspirar semanalmente contra o Benfica, inventando e mentindo sem limites nem pudor.
Ser inácio é insistir na ausência de penáltis contra o Benfica, omitindo que o Sporting tem a seu favor, neste campeonato, mais penáltis do que Benfica e FC Porto juntos.
Ser inácio é teimar na inexistência de expulsões de jogadores encarnados, esquecendo que o Sporting já leva 126 minutos de superioridade numérica, ao passo que nem Benfica, nem FC Porto, tiveram ainda o privilégio de jogar contra dez. As estatísticas são como a água benta: cada um toma a que quer.
Ser inácio é falar de guerra de palavras, quando de um lado se ouvem, e lêem, berros de rancor, azia e ódio, e do outro se mantém o silêncio.
Ser inácio é confundir declarações de comentadores, ou funcionários de um clube, com as de um presidente - que implicam responsabilização institucional distinta.
Ser inácio é fazer reparos à folha salarial do Benfica, quando a do Sporting (seguindo a linha remuneratória do próprio presidente) quase duplicou em menos de um ano.
Ser inácio é achar que vale tudo, é incendiar o país desportivo, é caluniar, é vender a dignidade.

Mas, enfim, há que dar desconto. Afinal, os inácios não passam de… inácios.

PRIORIDADES

No momento em que o estimado leitor puder ler estas páginas, provavelmente já conhecerá o adversário do Benfica nos quartos-de-final da Champions League. Já saberá, pois, se o “Glorioso” tem poucas, muito poucas, ou quase nenhumas hipóteses de seguir em frente. Numa perspectiva pragmática, é esse o naipe de possibilidades que esta fase da competição nos coloca, dada a colossal capacidade financeira e desportiva das forças em presença.
O sonho é legítimo, mas a realidade diz-nos que as obrigações externas do nosso Clube já estão, nesta temporada, amplamente cumpridas. Daqui em diante, há que desfrutar, sem dramas, e sem pressões que não sejam as de dignificar a camisola e preservar o prestígio internacional que Eusébio e seus pares nos legaram.
Paralelamente, temos um Campeonato ao rubro e uma liderança presa por um cabelo – a qual, precisamos de manter até ao fim, custe o que custar. Bela Guttmann dizia que o futebol português não tinha rabo para duas cadeiras. E por essa Europa fora é já bem conhecido o chamado “Vírus Champions”, que subtrai pontos nas ligas nacionais, quer nas vésperas, quer no rescaldo dos grandes jogos europeus. As explicações não vêm ao caso, mas não são do domínio da coincidência.

Temos pois que analisar friamente o que queremos, o que podemos alcançar, e qual a melhor forma de o conseguir. Este Campeonato é, por múltiplos motivos, tremendamente importante para o Benfica. Porventura o mais importante da última década. É na sua conquista que tem de estar o foco de todos os profissionais da casa. Terá de ser essa a nossa prioridade absoluta. O resto se verá.

REGRESSO À NORMALIDADE

Com o triunfo de Alvalade o Benfica voltou ao seu lugar: o primeiro.
Nada está ganho. Nada está garantido. Mas olhando de cima para baixo, vê-se tudo mais nítido, e respira-se um ar diferente. Um ar que nos é familiar.
Conforme se esperava, os comentários do pós-jogo foram deliciosos. Que jogámos como equipa pequena, que só defendemos, que não merecíamos vencer. Enfim… litros de azia e mau perder, que só nos fazem rir.
A verdade é que o Benfica entrou no dérbi autoritário, e dominou os primeiros minutos, até marcar. Uma vez em vantagem, adoptou uma estratégia de contenção, cedendo a iniciativa e a posse de bola. Controlou alguns dos pontos fortes do adversário (Slimani pouco se viu), e foi levando a água ao moinho. Ganhou com justiça, e também com a dose de sorte que alimenta os campeões. Com a sorte que havia faltado, por exemplo, no jogo com o FC Porto. Houve eficácia, houve maturidade, houve solidariedade, e houve, sobretudo, humildade. Quatro predicados de campeão. Do outro lado notou-se ansiedade a mais para tanta presunção.
Agora, começa um novo campeonato. Um campeonato de 9 jornadas, no qual não há margem de erro, mas para o qual partimos com a moral em alta.

A euforia entre os adeptos é saudável. Afinal, o futebol serve para nos proporcionar momentos como estes, e temos o direito de os viver sem espartilhos. Esse clima não pode é entrar pela porta do balneário, onde os profissionais terão de estar cientes do longo itinerário que ainda falta percorrer. Estou seguro de que saberão interpretar devidamente esta vitória. O caminho para o 35º não terminou aqui. Começou aqui.

ELES TÊM MEDO

Eles queimaram milhões com um treinador, correm o risco de não ganhar nada.
Eles precisavam de ir à Champions, não passaram das qualificações.
Eles sonhavam chegar à final da Liga Europa, foram sumariamente eliminados.
Eles estão em 37º lugar do ranking da UEFA, nós seguimos em 6º, e continuamos a escrever história.
Eles ambicionavam voltar a triunfar no Jamor, caíram em Braga.
Eles queriam finalmente conquistar a Taça da Liga, foram humilhados por uma equipa da 2ª divisão.
Eles tiveram oito pontos de avanço no campeonato, já só têm um.
Eles apenas nos ganharam dois jogos em Alvalade, na última década, para o campeonato. Nós vencemos lá três.
Eles não festejam o título há 14 anos. Nós somos Bi-Campeões, e lutamos pelo Tri.
Eles derrotaram-nos três vezes na fase inicial da temporada, mas em cada uma delas ficou um penálti por marcar a nosso favor. Nós não o esquecemos.
Eles sabem que estamos melhor, que somos melhores, que somos mais fortes. Eles sabem que somos Benfica.
Eles estão aterrorizados. Estão cheios de medo de nós.
Estão cheios de medo que lhes tiremos da mão o único pássaro que ainda lhes resta. Jogam aqui a vida. Jogam o futuro. Jogam tudo.
Estão cheios de medo de que sejamos nós a rir por último, depois de tanta gritaria e fanfarronice.
Estão cheios de medo de que sejamos nós a vencer uma vez mais o campeonato.
Tremem só de nos imaginar Tri-Campeões. E sabem que, ganhando este dérbi, ninguém mais nos irá parar rumo ao 35º. Tremendo, vão cometer erros. Resta-nos aproveitar.
Vamos mostrar-lhes quem manda. Vamos calá-los. Vamos ajoelhá-los aos pés do Campeão.

Benfica, dá-me o 35!

CIRCO DE FERAS

As pressões sobre a arbitragem não são, infelizmente, novidade.
Desde os tempos de Pedroto, recordo inúmeras situações em que os agentes desportivos tentaram, usando e abusando da comunicação social, condicionar o consciente e o subconsciente dos árbitros para os jogos seguintes. Outrora ou hoje, a receita é sempre a mesma, e bastante simples. Acusação, vitimização e queixume, tudo devidamente emoldurado numa sonora e persistente gritaria, capaz de transformar verdades em mentiras, e mentiras em verdades.
Naqueles tempos, a coisa até tinha piada. Em 2016, confesso que já não lhe acho graça nenhuma. Com o avançar da idade, parece-me tudo demasiado óbvio, demasiado básico. E aquilo que os responsáveis do Sporting têm feito ao longo deste campeonato, de tão ridículo, chega a ser penoso.
O ponto mais absurdo desta estratégia – e por si só capaz de descredibilizar todos os outros – terá sido a algazarra em torno da partida com o Tondela, onde uma boa arbitragem foi devastada pelos muitos apaniguados que o Sporting tem na comunicação social.
Esta semana, mais do mesmo: um penálti assinalado a favor do Benfica, num lance difícil de analisar, e eis que se reabriu a torneira da desfaçatez, com o objectivo único de condicionar as arbitragens seguintes, nomeadamente a do próximo dérbi.
Quero acreditar que, em 2016, os árbitros não sejam tão maleáveis como há vinte anos atrás. Isso deixa-me esperança de que todo este ruído não passe de folclore. Mas também é verdade que água mole em pedra dura tanto bate até que fura, sendo que neste caso, nem a pedra é muito dura, nem a água é muito mole.

SEM EXPLICAÇÃO

Quando uma determinada equipa ganha um jogo de futebol, comentadores e analistas de pronto vêem o copo meio cheio, evidenciando virtudes, e procurando encontrar nelas a razão da vitória. Quando essa mesma equipa perde, lá têm de olhar para o copo meio vazio, e procurar defeitos a partir dos quais explicar a derrota. É essa a forma de fazer corresponder – muitas vezes com artifício - cada resultado, às vicissitudes técnicas, tácticas e físicas que envolvem as partidas. De colorir uma retórica que vai muito para além da única evidência que o futebol regista: o número de bolas que entra nas balizas.
Toda essa verborreia omite, porém, um dado essencial: estamos, antes de mais, perante um jogo, cujos resultados incorporam uma larga componente aleatória.
É verdade que as equipas jogam bem ou mal, que passam por momentos de forma melhores ou piores, que têm pontos fortes e pontos fracos. As que jogam melhor e são mais fortes, ganham mais vezes.
O que não é justo é cantar loas a quem alcança uma dúzia de vitórias consecutivas, e depois, ao primeiro revés, colocar tudo em causa, como se, por magia, de um dia para outro, os atributos se transformassem em inépcias.
Um bom exemplo disto foi o Clássico da passada semana, no qual o Benfica construiu oito (!!) ocasiões clamorosas de golo, sendo todavia derrotado por um adversário tão insípido quanto afortunado – que teve no seu guarda-redes o homem do jogo.

Mais prosa, menos prosa, mais teoria, menos teoria, o futebol é mesmo assim. Nem sempre é justo, nem sempre se explica. É esse um dos seus encantos. É também por isso que nos apaixona.

A HORA DA VERDADE

Chegou a hora de mostrar o que vale este Benfica. De confirmar os resultados, as boas exibições, e a impressionante veia goleadora dos últimos dois meses. De calar os críticos, os mal-dizentes e as aves agoirentas. De responder aos provocadores e aos incendiários. De meter pressão máxima no rival de Lisboa, e afastar da corrida o rival do Porto.
Chegou a hora de mostrar o quanto cresceram alguns jogadores desta equipa. De André Almeida, Eliseu e Pizzi demonstrarem que estão num nível a que nunca haviam chegado antes. De confirmar que todos eles merecem discutir a titularidade na selecção nacional. De Jardel se arvorar definitivamente como patrão da defesa, e futuro grande capitão da equipa. De Renato Sanches se afirmar, já, como uma pedra preciosa para todas as circunstâncias. De Jonas prosseguir a sua caça insaciável à Bota de Ouro. De Mitroglou aumentar a inveja daqueles que não o conseguiram contratar. De Gaitán continuar a espalhar magia pela relva. De Fejsa ou Samaris confirmarem que, qualquer um deles é trinco de equipa campeã. De Júlio César gritar bem alto que é, ainda, um dos melhores do mundo.
Chegou a hora de mostrar que este Benfica já nada deve às versões anteriores. Que muitos dos seus jogadores nunca haviam evoluído tanto. De alcançar a 14ª vitória consecutiva no campeonato, sequência que há décadas não era obtida. De se afirmar eloquentemente como a melhor equipa portuguesa, e a mais forte candidata ao título.
Chegou a hora da verdade. Hoje e terça-feira, FC Porto e Zenit são os adversários ideais para o momento. Medo? Nenhum! Confiança? Toda!

Carrega Benfica!

GATO ESCONDIDO


Todos percebemos como pretende o Sporting chegar ao título: pressão incessante sobre a arbitragem, e lobbying nos media, para que se faça eco do discurso oficial de vitimização, repetindo-o até à náusea, até parecer verdade.

No meio da fumarada, muitos casos ficam esquecidos. Relembro os penáltis por assinalar nos três jogos com o Benfica, sobre Gaitán na Supertaça, e sobre Luisão no Campeonato e na Taça; o golo irregular que lhes valeu a vitória em Tondela; o off-side no golo ao Estoril; o escandaloso penálti que ficou por marcar em Arouca; o bloqueio no livre de que resultou o primeiro golo frente ao Moreirense; o penálti fora da área que Jorge Sousa ofereceu na partida com o SC Braga (jogo em que ficaram por expulsar três jogadores do Sporting); ou ainda as sucessivas e impunes agressões de Slimani a vários adversários, em várias jornadas.

Porém, as vendas proporcionadas pela gritaria do bando de Alvalade parecem tocar fundo no coração de editores e directores de jornais – que não olham a esforços no momento de dar destaque a casos, ou pseudo-casos, em que o Sporting se diz prejudicado. Fazem-no de uma forma insultuosa para com o rigor e a independência. Gozam com os leitores.

A primeira página do jornal “A Bola” do passado domingo poderia muito bem ser a do jornal “Sporting”, tal o modo parcial como tratava uma questão de arbitragem. Fosse uma final europeia entre Sevilha e Benfica, e nem o patriotismo os levaria a tanto.

No “Record”, já nos habituáramos à tonalidade esverdeada. A coisa agora disseminou-se.

Podem continuar. Não só não nos enganam, como perdem o nosso respeito.

CHEGA!

Não alinho em preconceitos quando se fala de claques. Se por um lado lhes imputo um histórico recheado de problemas de mau comportamento, e não ignoro que por elas circula hoje muito dinheiro, tornando-as num centro abusivo de poder, à margem da lei, dos clubes e até do futebol, por outro reconheço que os jogos sem banda sonora não seriam iguais. E os cânticos das nossas claques são particularmente arrebatadores.
Acresce que, nos maus momentos, perante assobios ou silêncio generalizado, só eles apoiam a equipa. E fazem-no sempre. Em casa e fora. Ao sol ou à chuva.
Dito isto, e com o devido cuidado de não tomar o todo pela parte, acho que é chegada a hora de identificar e pôr na ordem o bando de imbecis que, reiteradamente, no nosso estádio e fora dele, inclusive no estrangeiro, nos envergonha enquanto benfiquistas.
Aquilo a que assistimos, no passado sábado, no seio de uma das claques, e que já sucedera noutras ocasiões, é inqualificável, imperdoável, e só pode ser resolvido com mão muito dura. Terá de ser o próprio clube a fazê-lo, antes que alguém o faça por nós, com consequências bem piores.
Não me interessa se as claques são legais ou ilegais. De uma forma ou de outra, não deixarão de ter as mesmas virtudes e defeitos. Mas a minoria que, em nome delas, se comporta daquela forma selvagem, não tem lugar no estádio, nem no clube, nem no futebol.

Não adianta apelar-lhes. Não lêem jornais, e se lessem, não percebiam. O meu apelo é aos nossos dirigentes, e aos responsáveis pela segurança do estádio. É altura de acabar com isto de vez. Se não puder ser a bem, terá de ser a mal. 

SEM LIMITES

Há muitos anos que o Sporting se faz notar pelas constantes queixas contra a arbitragem, a maioria das vezes sem razão. Até aqui, o método consistia em empolar todos os lances em que se sentiam prejudicados, e ignorar sumariamente aqueles em que eram beneficiados. Na passada sexta-feira, subiram um degrau. Chegaram ao absurdo. Agora, já não interessam as evidências, nem os próprios lances. São prejudicados, porque sim.
O presidente grita, os funcionários replicam, e, numa reacção digna dos cães de Pavlov, toda uma horda de comentadores amestrados, e de jornalistas de vão-de-escada, faz o eco suficiente para criar uma nuvem de mistificação e embuste.
Um penálti do tamanho do estádio, e uma expulsão óbvia, fizeram-me esfregar os olhos. Seria aquele o lance que estava em causa? Céus! Como era possível? Ouvindo o treinador, e as suas fantasmagóricas teorias, percebi que era mesmo daquilo que se queixavam. Estavam, pois, a tentar tomar-nos por parvos.
Para esta gente, vale tudo. Mentir descaradamente, pressionar, coagir ou empurrar. Vendo algumas imagens da partida, lembrei-me dos jogadores do FC Porto a correrem atrás de José Pratas, numa Supertaça dos anos do Apito Dourado. Mas, como dizia Marx, a história repete-se sempre: primeiro como tragédia, depois como farsa. Chegámos à fase da farsa.

Os benfiquistas não se deixam enganar. Já quanto aos árbitros, tenho receio dos efeitos deste ruído. O Sporting quer chegar ao título a qualquer preço, e vê na arbitragem, e na comunicação social, dois elementos a manipular. Estejamos nós desatentos, e irão fazê-lo sem pudores e sem limites.

O GOLEADOR

Nas brincadeiras de infância e juventude, jogava sempre a avançado. Era alto e forte. Não tinha jeito para fintas. Gostava de rematar. Era perto da baliza adversária que me sentia mais confortável.
A escassez de talento não me permitiu fazer carreira, mas permaneceu uma certa ligação emocional à posição. Embora o grande ídolo da minha meninice fosse Fernando Chalana, sempre nutri um carinho muito especial por todos os goleadores, de Nené a Mats Magnusson, de Nuno Gomes a Óscar Cardozo.
Mais do que dribles, túneis, passes milimétricos, toques de calcanhar, cabritos, rabonas ou chicuelinas, o que sempre me seduziu no futebol foi mesmo o golo. O golo, puro e simples. O último toque. O remate. As redes a abanar. Os braços no ar. As bancadas em festa.
São os golos que fazem vibrar o povo da bola. Sem eles, não resta quase nada. Com eles, vem todo o sumo de que o jogo necessita.
Não admira pois que Jonas seja hoje o futebolista que mais admiro no Benfica. Embora não se trate de um ponta-de-lança clássico (como Raúl Jimenez ou Mitroglou), são dele 40% do total de golos da equipa no campeonato. É ele o goleador. Não só do Benfica como da prova. Acresce que não se limita a marcar. Fá-lo com classe.
Na Choupana, em jogo difícil, foi mais uma vez protagonista. Tem sido assim frequentemente desde que chegou a Portugal – com expectativas não muito altas, diga-se.

Luisão é o líder, Nico Gaitán o artista, mas quem mais vezes me faz saltar da cadeira chama-se Jonas Gonçalves Oliveira. É internacional brasileiro, leva 50 golos em época e meia de águia ao peito, e não se cansa de nos fazer felizes.

2016: ANO 35

A cada ano que começa, manifestamos desejos e traçamos metas, de modo a que, mais tarde, possamos aferir o que foi alcançado. Com um Bi-Campeonato de Futebol, e múltiplas conquistas nas modalidades, 2015 foi um ano em cheio. Para 2016, deseja-se o mesmo de 2015, e o mesmo de sempre: títulos!
É esse o único objectivo de um Clube com a história e a dimensão do nosso. É para isso, e só para isso, que o Benfica existe. É por isso, e só por isso, que apaixona milhões de pessoas no país e no mundo.
Sendo o Futebol a modalidade mais representativa, quando falamos em títulos pensamos desde logo na conquista do Tri-Campeonato. E não há paradigma, novo ou velho, que possa subjugar esse desígnio a qualquer outro.
Formação, patrocínios, profissionalização, expansão da marca, recursos humanos ou infraestruturas, são meios (importantes, é certo) para alcançar um fim. Mas o fim é, exclusivamente, ser campeão. Caso contrário, tudo o resto será completamente inútil. Não se trata aqui somente de emoção. Trata-se de razão. Da razão de existirmos.
É pois esta a bitola segundo a qual terá de ser medido o novo ano, assim como foram medidas, ano após ano, todas as temporadas desportivas desde que me lembro de existir, e de chorar pelo Benfica. Se em Maio estivermos no Marquês de Pombal, 2016 será um sucesso. Se lá não estivermos, será um fracasso.

O nosso ano zero foi em 1904, e daí em diante fizemo-nos gigantes através de títulos. É deles que se enche orgulhosamente o museu Cosme Damião. Eles são tudo. Sem eles, tudo o resto é nada. São eles, e só eles, que podem fazer de 2016 mais um ano à Benfica.

2015, UM ANO DE GLÓRIAS

O ano que termina ficou repleto de sucessos para o nosso Glorioso Clube.
Em 2015, fomos Bi-Campeões nacionais de futebol, algo que não sucedia desde 1984. Vencemos também, e uma vez mais, a Taça da Liga (a sexta, nas últimas sete edições). Já nesta nova temporada, conseguimos um brilhante apuramento para os oitavos-de-final da Champions League, e mantemo-nos vivos na corrida ao Tri-Campeonato. Assistimos ainda ao nascimento de novos futebolistas ao mais alto nível, provenientes da escola do Seixal.
Na componente extradesportiva, há que salientar os negócios de milhões celebrados, quer com a Fly Emirates, quer com a NOS, que tanta inveja causaram junto dos nossos principais rivais, e que tão grande importância têm no reforço dos alicerces económico-financeiros do Clube, a curto, médio e longo prazo.
Nas modalidades, o ano benfiquista foi espantoso. Porventura, o melhor de sempre. Estou em crer que nunca, em 111 anos de história, o Benfica se havia sagrado campeão nacional de tantas modalidades, nem erguido tão elevado número de troféus, numa mesma temporada. Se evidências faltassem, ficou cabalmente demonstrado quem é, de facto, e de longe, a maior potência desportiva do país. Para além do Futebol, fomos campeões de Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal e Atletismo, títulos aos quais há que juntar diversas Taças de Portugal, Supertaças e outras competições oficiais. Como se tal não bastasse, o sector feminino, através do Hóquei, deu-nos ainda, entre outros, um inédito título europeu. Em suma, ganhámos praticamente tudo.

Que venha 2016. E possa ser, pelo menos parecido.

GIGANTES!

Nem um empatezinho para amostra! 33 jogos, 33 vitórias! 22 jornadas de 2014-15, e mais 11 (o pleno) de 2015-16. É este o inacreditável pecúlio da equipa de Hóquei em Patins do Benfica no Campeonato Nacional da 1ª divisão, desde o já distante dia 25 de Outubro de 2014.
7-0 fora e 9-0 em casa com o Sporting, 10-0 ao Valongo, 7-3 no Dragão e 5-1 ao FC Porto na Luz, eram alguns dos resultados averbados neste percurso. Faltava uma vitória sofrida, com contornos de filme de suspense, e sabor a mel, para compor o quadro. Ela aconteceu no último sábado, após um espectáculo inolvidável.
Aquele último minuto vai ficar marcado na história do Hóquei português, e na memória de todos os que enchiam o Pavilhão da Luz. Virar um resultado de 3-4 para 6-4 em apenas 68 segundos, frente a um, também ele, candidato a todos os títulos nacionais e internacionais, não é proeza que possa passar em claro. E apenas está ao alcance daquela que é hoje, sem dúvida, uma das melhores equipas do mundo, e, porventura, a melhor de sempre do hóquei encarnado.
Não será preciso lembrar que, apesar destas exuberantes manifestações de qualidade, ainda nada está ganho esta época. Tenho a certeza que os festejos estão bem guardados lá mais para o fim. Mas, a manter-se o espírito, todas as ambições são legítimas.

Enquanto benfiquista, e apaixonado do Hóquei em Patins, tenho um sonho: ver o capitão Valter Neves erguer mais um troféu de campeão europeu, desta vez na nossa casa, perante uma multidão idêntica à de sábado passado. Até o adversário poderia ser o mesmo. Fica já reservada uma das doze passas da passagem do ano.