FACILIDADE: ZERO!


Em 13 jogos realizados contra equipas portuguesas, o Zenit venceu 8, empatou 3 e perdeu apenas 2. Com o Benfica, ganhou 3 das 4 partidas que disputou. Quem espera facilidades de uma equipa cujo orçamento é astronomicamente superior ao nosso, cujo principal patrocinador é também um dos grandes parceiros da UEFA (valha isso o que valer), e cujo treinador tão bem conhece o futebol luso, desengane-se: nos Oitavos-de-Final da Liga dos Campeões, o adversário que nos calhou em sorte é favorito a passar a eliminatória.

Podia ser pior? Sim, muito pior. Se o Zenit ainda nos permite acreditar numa surpresa (sim, numa surpresa), face a equipas como Barcelona, Real Madrid ou Bayern, nem mesmo sonhar nos seria consentido. Há que reconhecer que o Benfica, apesar do peso histórico que detém, é hoje um outsider nesta prova, e, um alvo apetecível para a maioria dos emblemas presentes em qualquer sorteio. Por isso, todo o optimismo deverá ser contido. A Liga dos Campeões é isto mesmo: a partir de determinada fase (sobretudo não se sendo cabeça-de-série), as hipóteses variam entre o extremamente difícil e o quase impossível. Saiu-nos a primeira versão.

É claro que alguma comunicação social, de forma pouco inocente, vai empurrar o Benfica para a pressão de ter de vencer. Não nos deixemos embarcar na cantiga. Vamos jogar, tentar ganhar, mas, no presente contexto do futebol europeu, nenhuma equipa portuguesa está obrigada a ultrapassar este Zenit. Se o conseguirmos, se chegarmos aos Quartos-de-Final, isso sim, será um feito digno de realce. Até porque a obrigação (chegar até aqui) já foi cumprida.

À GRANDE E À BENFICA

1 - Quatrocentos milhões de euros! Impressionante!
Enquanto outros se entretinham a vociferar diariamente na comunicação social, o nosso presidente assinava o maior negócio de sempre do desporto português, mostrando, por um lado, a sua já conhecida sagacidade empresarial, e por outro, a força cintilante da marca Benfica.
No momento em que escrevo, não são ainda conhecidos todos os detalhes deste negócio milionário. Mas o que se sabe é mais do que suficiente para afirmar estarmos perante um passo muito importante rumo à sustentabilidade futura do Clube – que também se reflectirá, mais tarde ou mais cedo, na competitividade das nossas equipas.
Sabemos que irão surgir tentativas de desvalorizar o que está em causa. Já há quem se mostre particularmente empenhado nessa tarefa. Tal não passa de dor de cotovelo de quem inveja a dimensão do Benfica – a qual não tem paralelo em Portugal.
Não me importa que canal transmite os jogos, até porque normalmente os vejo no estádio. Importa-me, sim, que o Clube rentabilize ao máximo a sua força mediática, e é isso que esta direcção tem vindo a fazer de forma brilhante. Em relação aos direitos televisivos, e não só.

2 – Ao que parece, FC Porto e Sporting estão empenhados em regressar ao Ciclismo. Gostaria que também o pudéssemos fazer. Ostentamos uma roda no emblema, e devemos uma parte importante da nossa implementação nacional aos tempos em que, ainda com pouco futebol, José Maria Nicolau levava a camisola vermelha (ou amarela, mas de águia ao peito) aos locais mais recônditos do país. Talvez esta seja uma boa oportunidade para se pensar no assunto.

O REI VAI NU

Mediante as movimentações ocorridas no defeso, já se antevia uma temporada futebolística marcada pela polémica. Porém, as piores expectativas estão a ser superadas.
O Sporting sente a necessidade imperiosa de ser campeão. E parece não olhar a meios para alcançar esse desiderato.
O investimento foi gigante, e a estratégia de altíssimo risco. Sem champions, sem patrocínios, e sem vendas de jogadores, um título de campeão é a única possibilidade que resta aos nossos vizinhos para equilibrar os deves e haveres, sem colocar seriamente em causa o equilíbrio futuro - quando não houver perdões bancários que lhes valham.
Daí, toda uma campanha de condicionamento da arbitragem nunca antes vista, a qual, há que reconhecer, vai tendo sucesso.
A facilidade com que se marcam penáltis a favorecer o Sporting contrasta com a dificuldade que os juízes encontram em vislumbrar faltas evidentes na sua área, bem como na área dos adversários do Benfica. Os casos vão-se somando. Em Braga, mais um penálti ficou por sancionar, agora sobre Pizzi, desta vez sem consequências.
Nos três dérbis já disputados, e independentemente do futebol que cada equipa jogou, a verdade é que ficou sempre uma grande penalidade por assinalar dentro da área sportinguista (sobre Gaitán no Algarve, sobre Luisão na Luz e em Alvalade). Podemos lembrar também o que se passou nos jogos Tondela-Sporting, Arouca-Sporting, Benfica-Moreirense ou Arouca-Benfica. Qualquer aritmética daria uma classificação bastante diferente da actual.

Até podemos fechar a boca. Mas não podemos fechar os olhos. E o que se vai passando não é bonito de se ver.

EM NOME DA JUSTIÇA

Para o Benfica, perder é sempre mau. Perder com o Sporting, pior ainda. Perder três vezes com o Sporting, deixa-nos profundamente frustrados e magoados.
Na hora de fazer uma análise, a frustração e a mágoa não são boas conselheiras. E, a frio, há muita matéria a ter em conta antes de avançar com qualquer acusação extemporânea e injusta.
Centremo-nos no jogo de sábado. O Benfica perdeu em Alvalade, após prolongamento, com o líder do campeonato, frente a um treinador que conhece muito bem as nossas forças e fraquezas, com uma arbitragem infeliz (para ser brando), tendo os jogadores lutado até à exaustão por um resultado diferente. Pergunto eu: será uma derrota desta natureza, e nestas circunstâncias, motivo para, de um momento para outro, colocar tudo em causa? Não creio.
Há que reconhecer que o plantel encarnado revela hoje carências que só o mercado pode solucionar. Rui Vitória tem feito os possíveis, mas perante um adversário que tão bem as conhece, torna-se muito difícil disfarçá-las.
O meio-campo e as faixas laterais da nossa equipa têm pouco a ver com os tempos de Maxi Pereira, Fábio Coentrão, Matic ou Enzo Perez. A verdade é que, por vários motivos, ainda não foi possível dar ao novo treinador as condições de que dispôs o anterior. Acredito que isso venha a acontecer, e ainda a tempo de alcançar o principal objectivo da temporada: o tri-campeonato. Em Janeiro teremos Nélson Semedo e Sálvio. E talvez mais alguém.

Para já, há que apoiar incondicionalmente estes jogadores, e este técnico, que estão a trabalhar seriamente para que os resultados apareçam. O balanço far-se-á no fim.

À VITÓRIA

Amanhã há Taça, e talvez estejamos perante o primeiro dérbi lisboeta da última década em que o favoritismo pende para o lado de lá.
Três ordens de razões concorrem para tal. Em primeiro lugar (com menor grau de importância) o factor “casa” sempre confere a quem dele beneficia uma certa vantagem relativa - basta consultar as estatísticas históricas. Em segundo lugar, há que dizer que teremos pela frente o líder do Campeonato, com toda a confiança que esse estatuto lhe confere, enquanto nós, com muita juventude na equipa, ainda andamos à procura de um ritmo cruzeiro que se enquadre na identidade competitiva que recentemente adoptámos. Por último, e com grande relevo num “tête-à-tête” desta natureza, teremos de admitir que vai estar do lado oposto um técnico que conhece as forças e fraquezas da nossa equipa como a palma das suas mãos, aspecto que, a meu ver, pesou decisivamente, quer no jogo da Supertaça, quer na partida da Luz para o Campeonato, com os resultados que conhecemos.
Partir com menos favoritismo pode influenciar as casas de apostas, mas não deve inibir o Benfica de jogar para ganhar. Um dérbi é um dérbi, e o Benfica é o Benfica.

A quem já venceu no Vicente Calderón (onde o favoritismo do adversário era muito mais acentuado), tudo é possível. Recorde-se também a excelente primeira parte feita no Dragão, à qual só faltaram os golos. Jogando com a intensidade evidenciada nessas ocasiões, contando com a inspiração dos principais artistas (falo de Gaitán e Jonas), e tendo do nosso lado a pontinha de sorte que protege os campeões, creio que ultrapassaremos esta eliminatória. 

O CAPITÃO

A história do Benfica está recheada de grandes jogadores, e de grandes capitães.
Homens que transportaram a mística pelos estádios de Portugal e da Europa, homens que personificaram vitórias e ergueram troféus, homens que inscreveram o seu nome, a letras de ouro, na memória colectiva do benfiquismo.
Lembro-me de Toni, de Humberto Coelho, de Manuel Bento. Já não vi jogar Mário Coluna, mas qualquer benfiquista sabe bem o que ele representou para o clube. Orgulho-me do simples facto de ainda o ter podido cumprimentar pessoalmente.
Cada um na sua dimensão, cada um a seu tempo, estes nomes foram símbolos do Benfica. Todos eles escreveram pedaços de história pelo seu próprio punho.
No século XXI, creio que um só jogador atingiu semelhante nível de simbolismo na nossa equipa de futebol. Esse jogador chama-se Anderson Luís da Silva, vulgo Luisão.
Grandes craques passaram entretanto pelo clube. Mas a volatilidade do mercado que caracteriza os tempos modernos não permitiu que se fixassem por muitos anos entre nós. A dimensão superior de Luisão resistiu a tudo isso, e este brasileiro (ou português, ou simplesmente benfiquista) entrou para a nossa família, construiu doze anos de carreira de águia ao peito, e promete não ficar por aqui.
Inevitavelmente, um dia Luisão deixará de jogar. A lei da vida não permite excepções. Mas não tenho dúvidas de que esse dia ainda está demorado, tal a forma como o nosso capitão se exibe, como comanda a equipa, como sua a camisola que veste, como dá o exemplo aos mais novos.

Luisão já está na história. Já escreveu história. Mas o ponto final ainda vem longe.

À BENFICA

Enquanto a equipa de futebol, com todas as transformações ocorridas na pré-temporada, atravessa ainda um natural período de adaptação ao seu novo paradigma, as modalidades do Benfica evidenciam já, de forma bem clara, a matriz triunfante que caracterizou toda a época passada.
Vejamos: em jogos do campeonato, nas cinco principais modalidades de pavilhão, os encarnados contam neste momento com a impressionante cifra de 33 vitórias em 34 jogos realizados. A única derrota veio do andebol, e de uma partida disputada no Porto.
Não constando o Carcavelinhos de nenhum dos campeonatos, diga-se que em hóquei já vencemos em Viana, goleamos o Sporting (9-0), e ganhámos ao Barcelos; em basquetebol vencemos o FC Porto; em futsal ganhámos no Fundão, ao Sporting e ao Beleneneses; em andebol triunfámos ante o Madeira e o ABC; e em voleibol ganhámos em Espinho e nos Açores.
Estes números não nos surpreendem, tendo em conta a extraordinária qualidade das nossas equipas. Com jogadores com passado na NBA no basquetebol, com titulares da selecção espanhola no hóquei, com a espinha dorsal das equipas campeãs de futsal e voleibol, e com uma aposta declarada em jovens talentos no andebol, o Benfica apresenta-se como forte candidato a ganhar todas as provas nacionais em que participa, tendo inclusivamente fundamentadas ambições europeias em algumas das modalidades referidas - todas elas objecto de participação internacional.

Esta reiterada força do nosso ecletismo merece que enchamos os pavilhões. Merece um apoio incondicional de todos os sócios e adeptos, pois o Benfica é mais, muito mais, do que futebol.

VITÓRIA NA DIGNIDADE

O resultado do dérbi esteve longe de corresponder às nossas expectativas. Expectativas legítimas de quem, já nesta época, havia visto o Benfica cilindrar o Belenenses, ou vencer categoricamente no Estádio Vicente Calderón.
O adversário foi feliz. Abriu o marcador num momento em que o Benfica até dominava, e teve mérito no aproveitamento das falhas que fizeram avolumar o resultado.
Com 0-3 ao intervalo, restava à nossa equipa jogar com profissionalismo. E fê-lo.
Estivesse o árbitro num plano de maior acerto, e os números poderiam ter sido diferentes. Mas, se formos justos, saberemos reconhecer que, neste jogo, o Benfica não foi a melhor equipa em campo.
Se perdemos em futebol, temos também de dizer que ganhámos em dignidade. O que se passou na Luz a meio de uma segunda parte onde as esperanças de um resultado positivo eram já meramente académicas, vai ficar na memória de todos os que assistiram, participaram e sentiram. O Benfica é aquilo. E se tantas vezes se fala de falta de cultura desportiva em Portugal, ora ali esteve um exemplo da forma como deve ser vivido o futebol, e de como deve ser apoiada uma equipa, nas horas boas, e nas horas más. De resto, toda a partida decorreu com correcção, dentro e fora de campo, o que, depois de semanas de polémica, não poderá deixar de ser enaltecido.
O sorteio da Taça deu-nos uma boa oportunidade de desforra. Vamos aproveitá-la.

Quanto ao campeonato, ganhando na Madeira, poderemos estar a 5 pontos do primeiro lugar. Basta recordar o que aconteceu em algumas das últimas temporadas para perceber quão insignificante pode ser essa desvantagem.

SEM SENTIDO

Para além de patriota, sou também adepto da selecção nacional, em particular, e do futebol de selecções, em geral. E é por sê-lo, que há muito defendo uma reconfiguração dos calendários competitivos a este nível. A lesão do nosso Nélson Semedo apenas vem reforçar esta minha convicção.
Não creio que faça sentido interromper a temporada clubista para realizar jogos de qualificação, seja para Europeus, seja para Mundiais. Seria muito mais interessante para os adeptos, e menos penalizador para os clubes, que as fases de qualificação fossem integralmente realizadas no final de cada época – no mês de Junho.
Estas paragens a meio de campeonatos e de provas europeias são uma espécie de anti-climax no entusiasmo do adepto, forçando-o a um contorcionismo afectivo para lhes permitir apoiar figuras que, nas semanas anteriores, e nas semanas seguintes, estiveram e estarão noutros lados da barricada das emoções. Iniciado o defeso clubista, então sim, haveria todo o espaço para o afecto patriótico, e para um entusiasmo muito maior com o futebol de selecções – à semelhança do que geralmente acontece aquando das fases finais das grandes provas.
Para os clubes, estas pausas são um calvário. Os jogadores são forçados a viagens longas, a diferentes métodos de trabalho, a cargas físicas que por vezes rompem com o planeamento feito pelos seus treinadores, e estão sujeitos a lesões que os prejudicam a si, e prejudicam seriamente quem lhes paga os salários. Ou seja, se as selecções têm pouco ou nada a ganhar, os clubes têm tudo a perder.

Não tenho dúvidas que isto um dia mudará. Só não sei quando.

CHEGOU A HORA

Ao longo das últimas semanas, o Sport Lisboa e Benfica, os seus sócios e adeptos, e o desporto português em geral, têm sido alvos de uma ofensiva sem precedentes.
Um arrivista sem nível, à procura de popularidade barata, socorreu-se dos meios mais infames para, em bicos de pés, fazer os seus números. Grita todos os dias, à espera que o oiçam. De disparate em disparate, vai subindo o tom, não escondendo irritação pela ausência de resposta.
Para além de dois ou três papagaios de ocasião, o eco surge através das páginas de um diário desportivo que, pela sua história, e por respeito aos leitores, jamais deveria prestar-se ao triste papel de “voz do dono” – sendo que aqui é o dono que ladra, e o cão só abana a cauda.
Muito bem, o Benfica tem sabido manter a serenidade. Ao contrário do que pretendiam dono do cão e cão do dono, toda esta fumarada apenas serviu para nos unir ainda mais, inflamando também o orgulho dos nossos jogadores e técnicos. Não precisávamos de tanto. Mas agradecemos a ajuda.
A resposta para a imbecilidade é o silêncio. A resposta para a provocação é dada em campo. E o ruído virá das bancadas – que fervilharão de benfiquismo como nunca.
Chegou a hora de dono (ou cão) terem o que merecem. No domingo, às 17.00, vamos responder-lhes como mais lhes dói: com uma grande vitória, com uma vitória à Benfica.
Veremos como rapidamente se colocam no devido lugar. Veremos como toda a gritaria se dissipa. Veremos como baixam as orelhas, e fogem com a cauda entre as pernas.

Então, regressaremos aos plácidos tempos em que os animais não falavam. Regressaremos à normalidade.

FUTEBOL FANTASMA

O adiamento do União-Benfica levanta questões subjacentes que, mais tarde ou mais cedo, terão de ser objecto de reflexão profunda.
Na origem do caso está a inexistência de um estádio com condições para um clube disputar os seus jogos, problema que já se colocou esta temporada em Tondela e em Arouca.
Diga-se que estes e outros clubes da primeira liga, além de não terem estruturas, também não têm… adeptos. Ou seja, são realidades mais ou menos fantasma, que, suponho, apenas servem para satisfazer caciquismos locais sem qualquer expressão popular. São inexistências desportivas, cujo lugar jamais poderia ser num campeonato altamente profissionalizado.
Conheço razoavelmente a realidade de pequenos clubes e de pequenas cidades, e intriga-me como se financiam os Moreirenses, os Aroucas, os Uniões e os Tondelas. Não sei como pequenos municípios, ou mesmo freguesias, com pompa, mas sem circunstância, alimentam clubes de primeira divisão, recheados de jogadores estrangeiros, sem bancadas, sem sócios, nem adeptos. Também é estranho que a região autónoma da Madeira (cuja beleza tanto admiro, e cujas gentes muito prezo) mantenha três clubes (!!!) no principal campeonato. Recordo, por exemplo, que o Algarve está à margem do futebol maior, para não falar em todo o interior do país, ou até nos Açores.

Se queremos um campeonato equilibrado, competitivo, espectacular, e com estádios cheios, este não é o caminho. Com metade dos clubes, estruturas à altura, e paixão nas bancadas (e já agora, também com ordenados em dia), o futebol português poderia atingir o nível que merece. Haja bom senso para tal.

UM ARTISTA

É natural que, num debate televisivo onde participam adeptos de três clubes, as vozes por vezes se elevem, e os ânimos por vezes aqueçam. Sempre foi assim desde que o modelo existe, e embora o grau de esclarecimento seja quase sempre baixo, o grau de entretenimento torna-se compensador para quem aprecia o estilo. As audiências sobem, as estações agradecem. Quem não gosta, não vê.
O que já não é normal é o presidente de um grande clube aceitar expor-se a registos desta natureza, colocando-se ao nível do simples adepto sem responsabilidades, debitando retórica comprometedora para o clube que dirige, e envergonhando aqueles que era suposto representar.
A figura que o presidente do Sporting fez na TVI24 entristece-me enquanto adepto do futebol. Independentemente das rivalidades, habituei-me a ver em Alvalade dirigentes cujo comportamento cívico era inatacável. João Rocha, Amado de Freitas, José Roquette e Dias da Cunha são apenas alguns exemplos. Agora, olhamos para o outro lado da rua, e vemos um artista sem categoria, cujas habilidades chocam aqueles que prezam um futebol acima do nível da taberna. Quando se juntam os holofotes do mediatismo à mediocridade, o resultado é este.
Fundos, empresários, jornalistas, jogadores, treinadores, funcionários, antigas glórias, árbitros, dirigentes, ex-dirigentes, clubes, UEFA, comentadores, grupos de adeptos, hotéis, etc. Todas as guerras servem para ganhar popularidade, num indivíduo que não consegue esconder o deslumbramento pela sua nova vida de figura pública. 
Infelizmente, também já tivemos disto cá em casa. Conhecemos a espécie.

Pobre Sporting.

JORNADA DE ELEIÇÃO

1.Recuperados dois pontos a ambos os rivais, antecedendo paragem para selecção e Taça de Portugal, e na antecâmara de um Benfica-Sporting, o jogo de domingo, frente ao União, é muito mais importante do que parece.
Ganhar significa, pelo menos, manter as distâncias, e encarar o dérbi com a força de quem pode chegar-se à frente. Atrasar-nos neste momento acrescentaria pressão à nossa equipa, e - muito importante – retirá-la-ia aos rivais. Creio ser mais provável vencer o dérbi se a ele chegarmos a apenas dois pontos, do que no caso de o resultado do Funchal nos atirar para longe da liderança.
Ao contrário do que tem acontecido na Luz – onde o Benfica é rei e senhor -, fora de casa ainda não encontrámos o caminho das vitórias. Está é uma bela ocasião para afastar também esse estigma. Eu voto numa vitória clara do Benfica.
2. Numa altura em que o nosso vizinho procura, em várias frentes, retomar a competitividade de que há muito andava arredado, todos os dérbis lisboetas (do futebol ao matraquilho) terão de ser encarados com crescente importância estratégica. Infelizmente, supertaças de futebol e (agora) hóquei em patins, e taça de honra de futsal, voaram para o lado de lá da rua, servindo apenas para os galvanizar. Não podemos voltar a dar-lhes a mão de forma tão generosa. Espera-se um rápido ponto final nesta triste sequência, e a retoma da ordem natural das coisas.

3. De basquetebol e voleibol esperam-se dois troféus para este sábado. A equipa de Carlos Lisboa já alcançou uma conquista. A de José Jardim estreia-se oficialmente. Há que manter a senda triunfante da última temporada. 

DERROTADOS, MAS...

Não existem vitórias morais. O Benfica perdeu o clássico, e, como tal, ninguém na família benfiquista pode estar minimamente satisfeito. Acresce que esta foi a segunda derrota em outros tantos jogos fora de casa, o que, não sendo dramático, não pode deixar de constituir matéria de reflexão.
Dito isto, é preciso dizer também que da partida de domingo ficaram algumas notas positivas.
A primeira parte foi bastante bem conseguida. Não me recordo, nos anos mais recentes, de entrada tão forte do Benfica no Estádio do Dragão. Ao intervalo, o melhor em campo era claramente o guarda-redes do FC Porto, que já evitara dois golos cantados.
A equipa encarnada apresentou-se personalizada, com os sectores muito juntos, funcionando em harmónio, tanto a defender como a atacar. Os jovens não tremiam (excelente exibição de Nélson Semedo), e, na frente, Mitroglou abria espaços e criava perigo. O FC Porto não conseguia, sequer, aproximar-se da nossa baliza.
No segundo período tudo mudou. Para sermos justos, há que dar mérito à equipa da casa, que apareceu transfigurada. Terá faltado, então, alguma inspiração aos artistas Jonas e Gaitán para que o Benfica conseguisse sacudir a pressão a que foi submetido. O tempo ia passando e, a cinco minutos do fim da partida, o resultado esperado era o empate. Aí, faltou a sorte do jogo. A sorte que havíamos tido, por exemplo, na época anterior – quando alcançámos uma vitória carregada de felicidade.

Nada está perdido. Se a nossa equipa jogar sempre como naqueles 45 minutos, certamente perderá poucos pontos no resto do campeonato. E no fim, faremos as contas.

MEIA DÚZIA

Chame-se-lhe nota artística ou outra coisa qualquer (o nome é indiferente), a exibição conseguida pelo Benfica diante do Belenenses fica nos registos, para já, como a melhor da temporada. Vou mais longe: mesmo puxando pela memória, não me recordo de qualquer partida da época anterior na qual o perfume do futebol apresentado pelos encarnados tenha atingido o esplendor evidenciado na passada sexta-feira na Luz.
Com Gaitán e Jonas endiabrados (que dupla!), com um Mitroglou muito activo no seu papel de jogador de área capaz de marcar e criar espaços, com Talisca de regresso aos golos, com dois jovens da formação a titulares - e outro entrado mais tarde, terminando a partida com cinco portugueses em campo -, o Benfica deliciou os adeptos, e garantiu, não só estar firmemente empenhado na conquista do tri-campeonato, como ter instrumentos para lá chegar.
Quem duvidava que Rui Vitória poderia devolver ao futebol encarnado o encanto de outras temporadas terá ficado esclarecido. Uma exibição como esta só está ao alcance de equipas que sabem muito bem o que estão a fazer, que sabem muito bem o que querem, e como o alcançar. Ficou pois uma promessa. Esperamos vê-la concretizada nas próximas semanas – começando já por este domingo, na deslocação ao Porto.

Entretanto, já depois de ter escrito estas linhas, jogou-se para a Liga dos Campeões. Acredito que o resultado tenha sido normal. Assim como acredito que o Benfica ultrapasse a fase de grupos, algo que, desde 2006, só por uma vez conseguiu. O grupo não é proibitivo. Cabe à nossa equipa não facilitar, sobretudo nos jogos em que é favorita.

ESCLARECEDOR

Duas entrevistas a dois diários desportivos portugueses, duas personalidades bem distintas, dois discursos bem diferentes.
No jornal “A Bola”, um verdadeiro homem de estado fala sobre o futuro da instituição a que preside, denota confiança, transborda determinação quanto ao rumo que pretende seguir. Respeita os adversários. Com humildade, sabe que não poderá vencer sempre, mas acredita que pode vencer mais vezes do que os outros. Muito importante: garante que, com ele, o futuro do clube jamais será hipotecado.

No jornal “Record”, um indivíduo ressabiado ajusta contas com o passado. Do alto da sua ilimitada vaidade, desrespeita aqueles que o levaram ao topo, dispara a vários colegas de profissão, e mostra um revelador desapego face aos que hoje lhe pagam o principesco ordenado que aufere. Há três meses estava num clube, agora está num rival, e já ameaça partir para outro. Vai com quem pagar mais, tal como certas senhoras que, por vezes, vemos na estrada. Admite que andou a brincar com o Benfica e com o seu treinador, na antecâmara da supertaça. Mas a principal pérola da entrevista surge quando, candidamente (?), faz a seguinte afirmação: “nunca vão conseguir pôr os adeptos do Benfica contra mim”. Ou está a rir-se de nós, ou vê muito pouco para lá das quatro linhas de um campo de jogo. Deveria saber que foi ele próprio a colocar os adeptos do Benfica contra si, saindo pelas traseiras, deitando todo um passado para o lixo, e transformando-se, num sopro, em figura menor na história do clube. Talvez seja preciso explicarmos-lhe melhor. Talvez à oitava jornada o entenda devidamente.

UMA TRADIÇÃO

Não fossem dois erros de arbitragem registados em Aveiro, e o Benfica estaria, pelo menos, a par dos seus dois rivais no topo da classificação. Não fosse a inspiração de Gaitán e Jonas, e outro erro clamoroso de arbitragem ter-nos-ia subtraído mais dois pontos na partida com o Moreirense. Já nos jogos do nosso vizinho lisboeta, vimos um lançamento irregular proporcionar um golo decisivo aos 95 minutos da primeira jornada, e, nesta última ronda, vimos assinalados mais dois penáltis a seu favor – um dos quais a deixar bastantes dúvidas.
Paradoxalmente, o que se assiste é a um irritante ruído em torno de alegados prejuízos do Sporting, que começa nos comunicados insultuosos do presidente nas redes sociais, e acaba no proverbial queixume de comentadores televisivos alinhados com o clube de Alvalade.
É uma tradição. Os romanos tinham os jogos florais, o Sporting queixa-se das arbitragens. E fá-lo recorrendo a uma retórica simplista, que repete até à náusea cada erro (ou pseudo-erro) verificado contra as suas cores, ignorando olimpicamente todos os erros ocorridos a favor – mesmo quando estes são bem mais flagrantes.
Nem a arbitragem portuguesa, nem o Benfica, têm nada a ver com o que se passou no Playoff da Liga dos Campeões. Aí, no plano externo, todos os clubes portugueses têm as suas razões de queixa. Nós, por exemplo, perdemos uma final europeia há bem pouco tempo devido a uma arbitragem calamitosa. Com muito menos barulho.

Misturando tudo, pretendem confundir a opinião pública, e, sobretudo, condicionar os jogos seguintes. A nós não perturbam nem confundem. Aos árbitros, veremos.

A TEMPO DE CORRIGIR

Era importante conquistar a Supertaça. Era importante entrar na temporada a vencer. Era importante ganhar moral. Era importante responder, em campo, ao discurso arruaceiro que ouvimos do outro lado. Os nossos jogadores deram tudo, mas esse tudo não foi suficiente para derrotar um adversário muito reforçado e muito confiante. Ficámos sem um troféu, mas julgo que percebemos o que há a fazer para que os principais objectivos da época possam vir a ser alcançados.
O onze escalado foi o mais forte do momento. As substituições até melhoraram a equipa. Mas não podemos ignorar que, para esta temporada, ficámos sem três titulares indiscutíveis (com Luisão, quatro neste jogo), e que a única contratação à altura do onze base (Mitroglou), com poucos dias de trabalho, evidenciou uma condição física ainda deficiente. Do outro lado tivemos um rival que apresentou quatro reforços como titulares, aparentemente já bem integrados nos mecanismos colectivos. Não custa a admitir que o Sporting ganhou com justiça.
Há mercado até ao fim do mês. Estou seguro de que o mesmo vai ser aproveitado para corrigir os desequilíbrios que se notam, e que no Campeonato (pai de todos os objectivos) teremos um Benfica forte e afirmativo, capaz de se superiorizar a adversários bastante bem apetrechados. Também o Bayern de Guardiola, e o Chelsea de Mourinho, perderam as suas Supertaças. Nem por isso hipotecaram o que quer que fosse, e estão aí, prontos para os combates que têm pela frente. Tal como nós.
Uma palavra final para Jonas: a sua atitude no final foi de Homem, de Líder, e de Capitão. Destes é que precisamos.

AGORA A SÉRIO!

A pré-época já lá vai.
Terminou o período dedicado às experiências, onde existe margem para errar, e os resultados não são mais que um mero detalhe. Jogadores e técnicos cumpriram o plano de trabalhos delineado, a equipa preparou-se, e testou o que havia para testar. Agora é a sério.
A Supertaça abre portas à temporada oficial. Trata-se de um troféu importante, que pode também servir de mola impulsionadora para uma época vitoriosa. Em ocasiões recentes, verificámos o quanto pesa uma Supertaça na moral de quem a disputa, e as consequências que tem para as competições posteriores. Ainda há um ano, o triunfo sobre o Rio Ave, em Aveiro, deitou para trás das costas o cepticismo que já se estava a criar, e inaugurou um ciclo de vitórias que terminaria no Marquês. Uns anos antes, recordo-me, pelo contrário, de uma derrota com o FC Porto marcar negativamente toda a temporada que se lhe seguiu.
E esta é uma Supertaça muito especial. Trata-se de um Benfica-Sporting, e como se a força simbólica do “dérbi eterno”– com tudo o que ele, só por si, significa – não bastasse, os encarnados terão pela frente o seu ex-treinador, num reencontro que não pode deixar de apimentar ainda mais a ocasião, e que deve servir-nos de motivação suplementar. Podemos, desde já, começar a demonstrar que a estrutura que suporta o nosso futebol não depende de nenhum funcionário, e que os títulos não se transportam numa qualquer mala de viagem.

Perante todas as circunstâncias que a rodeiam, talvez esta seja a Supertaça mais importante de sempre. O estádio vai estar cheio. O apoio será total. Venha de lá a vitória!

A AMARELO

Concluído o Tour de France, aí está a Volta a Portugal. Na ausência de futebol a sério, são as bicicletas que ocupam o seu lugar.
Paisagem, aventura, esforço, cores, dramas, mitos, povo, heróis e alguns vilões, fazem do ciclismo um espectáculo maravilhoso. Parece feito de encomenda para a televisão, proporcionando longas horas de transmissão directa, conduzindo o espectador por montanhas e vales, como se ele próprio estivesse de viagem. Doping? Existe em todo o desporto profissional, e esta é certamente a modalidade mais controlada.
Enquanto amante de ciclismo, e enquanto benfiquista, não posso deixar de me associar aos muitos que sonham com o regresso do clube às estradas, mesmo sabendo quão difícil seria materializar tal sonho no imediato.
O ciclismo não vende bilhetes. Vive da publicidade, e custa dinheiro (500 mil euros/ano, para uma equipa ganhadora a nível nacional). As empresas interessadas em investir pretendem um nível de visibilidade que a marca Benfica – se a elas associada – ofuscaria. A nossa última incursão neste mundo não correu nada bem.
Creio, porém, que o Benfica carrega esta dívida para com a sua história. Ostenta uma roda no emblema, e deve grande parte da sua popularidade a nomes como José Maria Nicolau, que levavam as camisolas vermelhas até aos locais mais recônditos do país, quando nem sequer existia campeonato de futebol.
Falta pouca coisa para que o nosso Benfica seja integralmente devolvido àquilo que foi no passado. O regresso ao ciclismo poderia ser um desafio para um dos próximos mandatos de Luís Filipe Vieira. Seria a cereja no topo do bolo.