A AMARELO

Concluído o Tour de France, aí está a Volta a Portugal. Na ausência de futebol a sério, são as bicicletas que ocupam o seu lugar.
Paisagem, aventura, esforço, cores, dramas, mitos, povo, heróis e alguns vilões, fazem do ciclismo um espectáculo maravilhoso. Parece feito de encomenda para a televisão, proporcionando longas horas de transmissão directa, conduzindo o espectador por montanhas e vales, como se ele próprio estivesse de viagem. Doping? Existe em todo o desporto profissional, e esta é certamente a modalidade mais controlada.
Enquanto amante de ciclismo, e enquanto benfiquista, não posso deixar de me associar aos muitos que sonham com o regresso do clube às estradas, mesmo sabendo quão difícil seria materializar tal sonho no imediato.
O ciclismo não vende bilhetes. Vive da publicidade, e custa dinheiro (500 mil euros/ano, para uma equipa ganhadora a nível nacional). As empresas interessadas em investir pretendem um nível de visibilidade que a marca Benfica – se a elas associada – ofuscaria. A nossa última incursão neste mundo não correu nada bem.
Creio, porém, que o Benfica carrega esta dívida para com a sua história. Ostenta uma roda no emblema, e deve grande parte da sua popularidade a nomes como José Maria Nicolau, que levavam as camisolas vermelhas até aos locais mais recônditos do país, quando nem sequer existia campeonato de futebol.
Falta pouca coisa para que o nosso Benfica seja integralmente devolvido àquilo que foi no passado. O regresso ao ciclismo poderia ser um desafio para um dos próximos mandatos de Luís Filipe Vieira. Seria a cereja no topo do bolo.


A BOM RITMO

Não dou mais importância aos jogos de preparação do que a que eles realmente têm. Constituem uma ferramenta de trabalho útil para jogadores e técnicos, mas, competitivamente, o seu interesse é reduzido, ou mesmo nulo.
Antigamente havia curiosidade em conhecer os novos jogadores e a nova equipa. Mas desde que o mercado futebolístico se transformou numa interminável feira, ao longo da qual, até dia 31 de Agosto, ninguém sabe quem fica, quem sai, ou quem entra, esta fase perdeu o pouco encanto que lhe restava.
Por isso, uma derrota em torneios particulares, por mais prestigiantes que sejam, não incomoda nada. Dispenso títulos de pré-época, e ainda recordo anos em que tudo parecia maravilhoso em Julho, para se tornar angustiante em Maio. Ultimamente tem sucedido o contrário, e não me importaria de continuar neste registo.
Não deixei, porém, de ver o jogo do último fim-de-semana. E até gostei da primeira parte, onde a base da equipa bi-campeã apareceu solta e alegre, prometendo bom futebol e vitórias. No segundo período, as substituições quebraram o ritmo, e o jogo tornou-se tristonho. Nada que preocupe.
Se para o lado direito da defesa, Sílvio e André Almeida parecem opções válidas, ainda não vi quem possa fazer de Sálvio (até Janeiro), ou de Gaitán (se a venda deste se vier a confirmar). Mais um ponta-de-lança, capaz de discutir a titularidade, também não seria demasiado, pois a época é longa. De resto, a equipa afigura-se consistente, não necessitando de grandes revoluções.

Dia 9 de Agosto as coisas serão a sério. Até lá, há que trabalhar tranquilamente, com entusiasmo e confiança.

SERENIDADE

Serenidade é talvez a palavra que melhor define o momento da pré-temporada benfiquista.
Pode parecer estranho, depois das saídas de treinador e sub-capitão para emblemas rivais. Mas percebe-se, quando se fala de um Bi-Campeão nacional.
O paradoxo desta pré-temporada é, aliás, a forma como os três principais clubes estão a lidar com as circunstâncias.
Do lado de cá, a resposta à fuga - ou traição, ou deserção, ou aquilo que lhe quisermos chamar – dos dois elementos acima referidos, não podia ter sido mais adequada. Como alguém disse, tanta calma até parece incomodar a concorrência. O Benfica, que em tempos resistiu à perda de uma figura maior como foi Eusébio, é demasiado grande para depender de figuras menores, cujo lugar na história acaba de ser apagado pelos próprios. Em Agosto, ninguém se lembrará das ausências, e a vontade de vencer poderá mesmo sair reforçada.
Na vizinhança, pós-loucura financeira em torno de um novo técnico, por entre guerras com ex-presidentes, ex-treinadores, processos disciplinares, justas causas, perdões bancários e contratos rasgados, as notícias vão apontando para sucessivos falhanços na contratação de jogadores. Ou me engano muito, ou em breve assistiremos também a uma debandada dos principais titulares.
Mais a norte, o desespero também dita leis. Com membros da direcção a contas com a justiça, a regra parece ser, contrata-se primeiro, e, quanto a dinheiros… logo se vê. Algo me diz que não vai correr bem.
Enquanto isso, no Seixal trabalha-se. Com confiança e entusiasmo. Rumo ao tri.

Pressão? Loucuras? Ficam para os outros. Nós só queremos os títulos.

TRISTE FIGURA




Apenas 40 dias decorrem entre duas imagens fortes. Primeiro, vê-se uma criatura, aos saltos, no relvado da Luz, acompanhando os cânticos dos adeptos do Benfica, na comemoração de um título. Depois, a mesma criatura, aos saltos, no relvado de Alvalade, acompanhando os cânticos dos adeptos do Sporting, como novo membro da tribo.
Benfica e Sporting são rivais há mais de um século. Em apenas 40 dias, salta-se num lado, salta-se no outro, e salta-se de um lado para o outro, como se a história não existisse, e como se não fosse a história, e a paixão do povo, a permitir que um simples treinador de futebol possa hoje auferir quatro, ou cinco, ou seis milhões de euros por ano.
Chamem-me romântico, chamem-me ingénuo, chamem-me até retrógrado. Mas este não é o futebol de que aprendi a gostar – no qual havia algum pudor, e uns quantos zeros não legitimavam todo o tipo de comportamento. O futebol resume-se à emoção, e quem dele pretender retirar essa componente, corre o risco de lá não deixar nada.
Cresci a chorar pelo Benfica. E a respeitar, também, quem chorava por outros emblemas. Não aprecio cristãos novos, e muito menos traições.
Não embarco no discurso da gratidão. Nós, que pagamos quotas, cativos, bilhetes, deslocações, e ainda compramos camisolas e cachecóis, que apanhamos chuva, sol e trânsito, para nos sentarmos no nosso lugar a sofrer pelo clube que amamos, nunca seremos devedores de nada, neste meio que se vai tornando cada vez mais indiferenciado e obscuro.
Os que nele ganham milhões, esses sim, devem a todos nós o estatuto de que desfrutam. E devem-nos, sobretudo, respeito.

MUNDO CÃO


Confesso que, aos 45 anos de idade, o mundo do futebol ainda consegue surpreender-me pela negativa.

Aquilo que me intriga é o seguinte: o que faz com que um profissional, em final de carreira, com situação financeira confortável e futuro assegurado, despedace uma imagem construída ao longo de quase uma década, ignore olimpicamente a paixão de milhões de adeptos, volte as costas à possibilidade de inscrever o nome na história junto das grandes lendas, e feche uma porta que poderia vir a abrir-se no futuro, tudo em troca de mais uns patacos no recibo de vencimento?

Não falo de um jovem com a carreira por construir. Também não falo de gente com um ou dois anos de casa, sem o vínculo emocional que só o tempo robustece. Nem de quem ganhe, vá lá, 100 mil euros por ano. Falo de alguém experiente, respeitado como símbolo de um clube, e que já aufere dez vezes aquele valor.

Trouxe aqui o tema, a outro propósito, há umas semanas atrás. Nunca é demais repetir: os montantes milionários que o futebol movimenta, e os gordos salários que jogadores e treinadores de topo recebem, devem-se, exclusivamente, à paixão dos adeptos. Um cirurgião ou um juiz não terão certamente menos responsabilidades. Só não têm quem os idolatre, nem amor clubista que lhes pague. Não perceber isto, é não perceber nada. Ignorar isto, é cuspir no próprio prato.

Profissional não pode ser sinónimo de mercenário. Não é assim em profissões menos recompensadas, pelo que jamais deveria sê-lo numa actividade que deve tudo, mas mesmo tudo, aqueles que enchem os estádios, vibram com os clubes, e choram na derrota e na vitória.

O NOSSO TREINADOR


À medida que a poeira assenta, a nação benfiquista vai-se congregando em torno do novo treinador.

Qualquer mudança traz sempre alguma ansiedade associada. Sobretudo quando parte de uma base de sucesso. Diz-se que as grandes reformas devem fazer-se na quietude do triunfo, e não no tumulto do fracasso. O certo é que a volatilidade dos tempos modernos não permite dormir sobre êxitos findos. Ela obriga a reinventar para manter o rumo. O passado respeita-se, e evoca-se, mas é o futuro que deve orientar a acção. O futuro do futebol encarnado chama-se agora Rui Vitória.

O técnico ribatejano chega ao nosso clube bastante mais jovem, e traz na bagagem um currículo bastante mais composto, que o do anterior treinador em 2009. Vem com a ambição e a energia de quem quer conquistar o mundo. Traz, ainda, um suplemento de alma importante numa actividade que vive de paixões: é benfiquista. É um dos nossos!

A humildade com que afirma que irá manter o que está bem, abona em seu favor. O discurso afirmativo, confiante e clarividente também. É um homem do futebol, mas não é um homem apenas do futebol. Acredito que, mais do que para transformar, ele vem para acrescentar.

Em Agosto, quando as competições oficiais se iniciarem, todos seremos um só. O novo treinador, um renovado plantel (certamente competitivo, e com a mesma sede de ganhar), e os mesmos adeptos de sempre – aqueles que fazem do Benfica o gigante que é, e que, com diferentes treinadores, com diferentes jogadores, vão festejando campeonatos sucessivamente. Já vamos em 34. O próximo é o 35º. E este será com Rui Vitória sentado no banco.

ANO DE OURO


Campeão de Futebol, Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal e Atletismo, vencedor das Taças de Portugal de Hóquei, Basquetebol, Voleibol e Futsal, vencedor das Supertaças de Futebol, Basquetebol e Voleibol, das Taças da Liga de Futebol e Basquetebol, entre outros troféus, no sector masculino e feminino (e aqui, destaque para as meninas do Hóquei e o seu magnífico “penta”, com título europeu incluído), nos seniores ou nas camadas jovens, pode dizer-se que nunca o Benfica ganhou tanto.

Por exemplo, se atendermos apenas a campeonatos, e às sete principais modalidades (as já referidas, mais o Andebol), o máximo histórico de títulos numa só temporada era de quatro. Esta época vencemos seis!

Enquanto outros afirmam, sem se rir, ser a maior potência desportiva do país, nós conquistamos os campeonatos, os bi-campeonatos, os tri-campeonatos, os tetra-campeonatos, os penta-campeonatos, as dobradinhas e os tripletes, nos relvados, nos pavilhões ou nas pistas, numa sequência impressionante, e a uma cadência que quase nos baralha. E, entre jogadores, técnicos e dirigentes, ninguém dá sinais de querer abrandar o ritmo.

Para aqueles que temem que o nosso Clube esteja dependente deste ou daquele treinador, deste ou daquele jogador, este conjunto de triunfos é também uma resposta, pois demonstra que a competência, a qualidade, o talento, o trabalho e a vontade de ganhar são, hoje, uma marca bem vincada em todo o universo benfiquista.

Benfica voltou a ser sinónimo de títulos. O escudo voltou a ser peça comum nas nossas camisolas. Hoje, não ganhar é excepção.

Que grande Benfica nós temos!

APAGADOS


Há uma diferença óbvia entre a legalidade e a ética. Não é à toa que existem códigos de conduta para muitas profissões, por vezes de cumprimento obrigatório.

Treinadores e jogadores de futebol têm o direito legal de mudar directamente para um clube rival. Mas se me perguntam se isso é saudável, respondo categoricamente que não.

Embora estejamos perante um universo altamente volátil e mercantilizado, por onde rodam muitos milhões de euros, entendo que os agentes de uma indústria que desperta tão intensas paixões jamais devem perder de vista um facto muito simples: são essas paixões que lhes sustentam o estatuto e lhes permitem vidas milionárias. Respeitar os adeptos que os idolatram não é um favor, nem um acto de altruísmo. É uma exigência.

Paulo Sousa, Pacheco ou Rui Águas (Figo, lá fora), ignoraram essa exigência no passado. Nenhum deles mereceria ver aberta a porta por onde um dia fugiu. Mais do que um clube, trataram mal o próprio futebol – subvertendo a sua natureza enquanto fenómeno identitário de agregação e de emoções.

Perante a lei, fizeram aquilo a que achavam ter direito. Não podem é esperar, depois, qualquer tipo de compreensão, carinho, admiração ou respeito por parte daqueles que choram com as derrotas, que não dormem na véspera dos grandes jogos, e que, directa ou indirectamente, pagam do seu bolso (muitas vezes com grande sacrifício) todo o futebol.

O agora treinador do Sporting entendeu seguir este caminho, quando podia deixar o seu nome escrito a ouro na nossa história. Apagou-se a si próprio nas fotografias. Não as da loja, mas, sobretudo, as da nossa memória.

PARADIGMAS


O tema é recorrente. Será que o Benfica aposta na formação? Será que o faz da forma mais adequada?

A resposta só pode ser afirmativa. Com um forte investimento em infraestruturas de ponta, munidas da necessária competência técnica, essa aposta é insofismável. As milionárias vendas de André Gomes, Bernardo Silva e Cancelo são, para já, o resultado desse investimento. Que grande resultado, diga-se. E se também para outros houver mercado, venham mais milhões, que o tempo não está para desperdícios.

Não estou seguro é de que a formação encarnada esteja preparada para, no imediato, alimentar a equipa principal – sabendo-se que o objectivo desta é a conquista de títulos, e não qualquer outro romantismo purista.

Excepção feita ao Barcelona, não há registo de clubes predominantemente formadores com grande sucesso desportivo. E em Portugal não me parece que estejamos perante uma geração particularmente dotada. Hoje, a ambição começa na infância. O sonho dos jovens das academias já não é, simplesmente, entrar no plantel principal. Os mais talentosos são desde cedo aliciados com os milhões de outras paragens, pelo que se torna impossível segurá-los muito tempo. Sobram…os restantes.

Podemos então avançar para um paradigma competitivo alicerçado na formação? O Benfica quebrou a hegemonia portista recorrendo a jogadores experientes, capazes de não vacilar perante as adversidades. Há, aqui por perto, quem abuse da juventude imberbe. Mas não são campeões desde os tempos de João Pinto, Jardel ou Schmeichel.

A formação é útil como instrumento, como meio. Num clube como o nosso, não pode ser um fim.

VENHA OUTRA!


Hoje há mais. Na final da Taça da Liga, espera-se nova festa benfiquista. Espera-se o 6º troféu oficial em duas temporadas.

Depois, o futebol parte para férias. Será altura de preparar a próxima época e o ataque ao Tri.

Com uma equipa alicerçada na experiência de jogadores na casa dos trinta anos, como Júlio César, Maxi Pereira, Luisão, Lima ou Jonas, o Benfica terá porventura, neste defeso, uma menor pressão de mercado face à que sofreu em anos anteriores. Sabe-se que Gaitán e Salvio são muito pretendidos, mas parece perfeitamente exequível segurar na Luz, pelo menos, os restantes nove titulares, mais os dois ou três suplentes habitualmente utilizados. Assim, com um ou outro reforço cirúrgico, será possível manter uma linha de continuidade, salvaguardando também - e este não é assunto menor - o tão louvado espírito de grupo deste plantel.

Em cima da mesa está igualmente a questão do treinador. Estou certo que o presidente e a direcção farão todos os possíveis, e até alguns impossíveis, para manter Jorge Jesus. A estabilidade no comando técnico da equipa tem sido uma arma determinante no sucesso do nosso futebol. Jesus criou um modelo de jogo eficaz e ganhador, fazendo crescer dezenas de atletas. Deu-nos vitórias e dinheiro. Muito dinheiro. No meu tempo de vida não recordo outro técnico tão influente e decisivo. Não será fácil encontrar igual.

Começar do zero, num contexto económico muito menos favorável que o de 2009, acarretaria riscos substancialmente mais elevados do que o custo da renovação do contrato. Até porque, como diz o povo sabiamente, “o barato por vezes sai caro”.

BI-CAMPEÕES!!


DIGA 34


“…enquanto os outros falavam, nós íamos trabalhando”.

Esta frase, dita no rescaldo do jogo do título pelo capitão Luisão, reflecte o que se passou ao longo da temporada, e explica porque estamos agora em festa.

Perante um adversário directo que bateu todos os recordes de investimento para nos derrotar, que dispôs do plantel mais caro da história do futebol português, e que, por tudo isso, era tido em Agosto como o grande favorito à conquista do título, o Benfica valeu-se da humildade, da união, do crer, da raça, e da regressada mística, para inverter os papéis, e terminar na frente. Valeu-se, também, do manto protector de milhões de adeptos espalhados pelo país, que em momentos-chave carregaram a equipa ao colo rumo a importantes vitórias.

Quem mais falou, acabou ajoelhado no chão, de mãos a abanar, e insultado pelos seus. Nós, acabamos Bi-Campeões, e envolvidos numa gigantesca festa nacional e lusófona - bem mais ampla do que os pontuais incidentes verificados em Lisboa.

O mérito deste título é de muita gente. Mas dois homens emergem como figuras maiores de uma conquista cujo significado histórico vai bastante além do número 34. Jorge Jesus, que reconstruiu uma equipa de raiz, dotando-a de uma dinâmica de vitória absolutamente notável, e, sobretudo, Luís Filipe Vieira, que já não andará longe de se tornar o maior presidente de sempre do Sport Lisboa e Benfica.

Feita a festa, é altura de olhar para a frente. Falta ainda garantir a Taça da Liga, de modo a fechar mais uma temporada futebolística com três troféus: uma espécie de triplete-versão dois, que não queremos desperdiçar.

 

SÓ MAIS UMA!


Depois de nove longos meses de competição, de jornadas intensas – ora mais difíceis, ora menos complicadas –, de ansiedade e sofrimento, de muitos avanços e poucos recuos, de constante pressão, de demasiada conversa fora das quatro linhas, de boas exibições e grandes golos, de muito suor e algumas lágrimas, eis chegado o momento em que tudo poderá, enfim, ficar definido.

Falta-nos uma, apenas uma vitória. Com mais três pontos, ninguém nos poderá retirar o direito de comemorar a conquista do 34º título nacional, consumando assim o principal objectivo da temporada desportiva de 2014-2015. Poderá acontecer já em Guimarães, num terreno difícil, e perante um adversário que não nos tem sido nada simpático – nos últimos sete anos, derrotou-nos cinco vezes, quer em jogos do Campeonato, quer na Taça de Portugal.

Com uma margem de erro que ainda permite um deslize, não haverá motivo para que a equipa acuse qualquer tipo de pressão negativa. Sabemos que somos melhores, que merecemos ganhar, e que vamos certamente cortar a meta em primeiro. É com a auto-estima em alta que devemos partir para a cidade-berço. E é em festa que esperamos de lá voltar.

Estou em crer que o Futebol nos fará justiça já nesta jornada, no primeiro de dois “matchs-points” de que dispomos para fechar as contas do título. Estou em crer que a glória está iminente. Falta um bocadinho assim. Vamos a isso!

 

PS: O Hóquei e o Volei já estão no papo. O Futebol vem caminho. Espera-se que também o Basquete e o Futsal possam ainda festejar. Talvez estejamos à beira de um momento absolutamente ímpar na nossa história centenária.

A FESTA PODE ESPERAR


Por esta altura, não haverá muitos benfiquistas a quem passe pela cabeça a hipótese de ver fugir o título nacional.

Depois de cumpridas 31 jornadas, com dois jogos em casa por disputar, com uma margem de erro simpática, e com a força competitiva demonstrada em Barcelos, é de facto difícil imaginar outro cenário.

Porém, a nossa história recente obriga a todas as precauções. Se o entusiasmo, e até a euforia, são sentimentos legítimos de uma massa associativa que se alimenta de glórias, aos jogadores e quem os rodeia não é permitido qualquer tipo de dispersão, em face de um objectivo que só estará alcançado quando a matemática assim o determinar.

Há dois anos encontrámo-nos numa situação semelhante. Sabemos o que aconteceu depois. Se o Gil Vicente pode ter sido uma espécie de Marítimo de 2012-2013, não podemos permitir que, amanhã, o Penafiel se transforme numa espécie de Estoril. É pois necessário encarar este jogo como mais uma dura “final”, numa caminhada que ainda não está concluída.

Um estádio cheio irá ajudar. Não para comemorar seja o que for, mas sim para dar mais um forte empurrão à nossa equipa – a qual devemos ajudar, sobretudo no caso de, por qualquer motivo, e em qualquer momento, o jogo vir a tornar-se mais complicado do que o esperado.

Muito dificilmente seremos campeões neste fim-de-semana. O mais provável é entrarmos no difícil estádio de Guimarães ainda a necessitar de pontos. É muito importante poder fazê-lo com algum conforto, sob pena de as contas se complicarem.

Por todas estas razões, amanhã sim, estaremos perante o jogo do ano. A festa? Essa pode esperar.

TODOS OS NOMES


Chame-se Lotopegui, Lobategui ou Lopatego, o basco que treina o FC Porto tem o condão de não agradar a ninguém – consenso que, diga-se, não é fácil de estabelecer num futebol português extremamente polarizado e polemizado.

Não agrada aos desportistas em geral, pois trouxe com ele uma postura de antipatia e petulância que o povo português bem dispensava. Não agrada aos adversários, pois a sua retórica provocadora tem sido uma constante. Não agrada aos jornalistas, com os quais é altivo e mal-educado. Não agrada aos árbitros, dos quais se queixa jornada após jornada, sem razões objectivas para tal. Não agradará, sequer, aos adeptos do seu clube, pois com o plantel mais caro da história do país arrisca-se a não vencer um único troféu, tendo sido eliminado da Taça de Portugal, em casa, pelo Sporting; da Taça da Liga pelo Marítimo; humilhado na Liga dos Campeões pelo Bayern de Munique; estando agora dependente de terceiros, a quatro jornadas do fim, na única competição que lhe resta.

Discurso oficial à parte, quem o contratou ter-se-á também já arrependido. Se outros não acertam no seu nome, ele raramente acerta nos nomes dos jogadores que coloca a jogar, e raramente acerta no que diz. Há pessoas assim.

Enquanto benfiquista, desejo vê-lo no clube rival por mais alguns anos (com ele no banco, não há Jacksons, Danilos, Casemiros ou Oliveres que lhes valham). Enquanto português, parece-me que temos por cá dezenas de treinadores mais competentes e sabedores do que ele.

Resta saber se este aparente erro de casting significa, ou não, o canto do cisne da tão incensada “estrutura” portista.

VENCER, VENCER


Não andaria longe da verdade se afirmasse que temos, esta temporada, uma das melhores equipas de Hóquei em Patins da história do Benfica. A vitória por 5-1 sobre o FC Porto (a acrescer ao triunfo por 3-7 no Dragão) traduziu essa clara superioridade, consumando um título há muito anunciado. 23 vitórias e 1 empate, em 24 jornadas, são outro dos cartões de visita dos nossos fantásticos hoquistas. Estou em crer que a Taça de Portugal também não fugirá, concretizando a desejada “dobradinha” – algo que não acontece desde 1995.

No domingo é a vez do Futebol.  Entende-se que Jorge Jesus queira retirar pressão dos ombros dos jogadores, mas, com ou sem retórica, o jogo é mesmo decisivo. E se o vencermos, nem o mais laureado matemático me fará duvidar do título.

Em casa, a nossa equipa tem demonstrado forte predominância sobre os adversários, e uma qualidade de jogo digna de campeão. Esta partida terá, provavelmente, características diferentes, apelando menos à nota artística, e mais à generosidade dos jogadores na disputa de cada lance. Será um desafio à coragem. Um repto à alma benfiquista.

O Inferno da Luz também está convocado, sobretudo para os momentos em que a equipa mais necessitar de apoio. É importante percebermos que os jogos têm noventa minutos, e passam por fases distintas. Num ou noutro período, os nossos jogadores poderão precisar de sentir que estamos com eles, e que estamos unidos em torno de um objectivo comum.

Há que mostrar, também nas bancadas, que o adversário não nos amedronta, e fica demasiado pequeno perante o grito da nossa fé. O grito que nos conduzirá à glória.

A FEBRE DE SÁBADO À TARDE


As últimas partidas disputadas na Luz têm enchido as medidas aos benfiquistas, quer pelas vitórias sucessivas, quer pela qualidade de jogo apresentada, quer pelos muitos e bons golos, quer pelo ambiente vivido antes, durante e após os jogos. Uma verdadeira febre de sábado à tarde, que pretendemos manter até ao fim da época.
O horário é o ideal, como se comprova pelos números da bilheteira. E as exibições têm correspondido à expectativa dos adeptos mais exigentes, resgatando o futebol para a sua pureza festiva – que, em Portugal, a dada altura, e por motivos que não vêm ao caso, terá sido hipotecada. Trata-se, no fundo, de fazer coincidir um bom espectáculo dentro das quatro linhas, com bancadas cheias de entusiasmo, jovialidade e fervor clubista. É isso que temos conseguido. É isso que este grande Benfica (desportiva, institucional e socialmente) tem conseguido.
Amanhã, queremos ver reproduzida toda esta intensidade e alegria no Restelo. Não há razão para que, num estádio pintado de vermelho (como certamente será o caso), a equipa não entre em campo com a autoridade que tem demonstrado na Luz, e que mal deixa respirar os atónitos adversários.
Não é possível jogar dois jogos ao mesmo tempo: por agora é este, e apenas este, que teremos de vencer. Um Benfica à altura do escudo de campeão que ostenta, e em harmonia com aquilo que tem evidenciado nas últimas partidas em casa, corresponderá com certeza ao imperativo de conquistar os três pontos, dando mais um passo rumo ao 34º título.
PS: Para o Voleibol (e, já agora, para o Hóquei) deixo apenas três palavras: Vamos ser Campeões!

SETE FINAIS


Número bíblico, número mítico, número da perfeição, sete são os dias da semana, sete são também os jogos que nos separam da conquista do Bi-Campeonato.
Podem até ser menos (dependendo dos resultados que entretanto se forem verificando). Podem ser apenas cinco, se os vencermos todos. Mas para isso, há que olhar para cada um como se fosse o último. Como se fosse uma final.
Amanhã é dia grande. É dia de final. Temos pela frente a Académica – equipa que começou mal a temporada, mas tem crescido manifestamente nas últimas semanas. Vai colocar-nos dificuldades. Com talento, com alma, com garra benfiquista, e com apoio incessante nas bancadas (nos momentos mais exuberantes, mas também naqueles em que é necessário arrefecer o jogo, ou conter o ímpeto de adversários que querem igualmente os pontos), vamos certamente vencer, e dar mais um importante passo rumo ao título.
Estes fantásticos jogadores merecem tudo. Este treinador resgatou a competitividade do nosso futebol para níveis que só num passado já longínquo encontram paralelo. Este presidente pegou nos escombros de anos malditos, e ergueu o colosso que temos hoje à nossa frente, devolvendo-nos o orgulho, e devolvendo-nos a esperança. Temos, em campo, no banco, e na tribuna, os intérpretes perfeitos da nossa grandeza. Cabe-nos a nós, sócios e adeptos, cumprir a nossa parte.
Amanhã seremos muitos. Além de sermos mais, temos também de ser melhores. Temos de estar ao nível da importância do momento. Os benfiquistas sabem bem como o fazer. Como levar os seus à Glória. Unidos, em torno de um ideal.
Todos por um. Todos pelo título. Força Benfica!

POTENCIA DESPORTIVA


Com as várias modalidades ainda a entrarem na fase decisiva das principais competições, será prematuro fazer desde já um balanço rigoroso da temporada eclética do nosso clube.

Ainda assim, pode dizer-se que o Voleibol, o Basquetebol e o Atletismo, mesmo tendo pela frente as decisões nos respectivos campeonatos, já fizeram por tornar positiva a época de 2014-15. No Voleibol, Taça e Supertaça estão já nas nossas vitrinas, troféus aos quais temos que juntar uma histórica prestação internacional, faltando apenas selar o tri-campeonato. No Basquete, haverá que concretizar o tetra-campeonato, mas já arrecadámos Taça, Supertaça, e os troféus Hugo dos Santos e António Pratas, ou seja, todas as provas oficiais disputadas no país. No Atletismo, aos títulos já alcançados não podemos deixar de somar o triunfo de Nélson Évora nos Europeus de Pista Coberta – ainda que com as cores da selecção portuguesa.

Nas restantes três modalidades de pavilhão, está tudo em aberto. A fantástica equipa de Hóquei em Patins tem o título nacional e a Taça de Portugal à mercê, levando 23 vitórias, um empate e zero derrotas nestas duas provas até ao momento (uma pena a eliminação europeia…). O Futsal aponta também a uma eventual dobradinha, seguindo igualmente invicto nas duas provas (22 vitórias e 3 empates). Quanto ao Andebol, começa este fim-de-semana a disputar a meia-final do play-off, sendo que também na frente europeia se tem destacado.

Com uma percentagem de vitória na casa dos 86% (82% nos dois anos anteriores), as nossas modalidades estão bem e recomendam-se. Espera-se, pois, mais um ano à Benfica.

 

NA FRENTE


Se, por absurdo, em Agosto de 2014, no fim de uma pré-temporada angustiante, alguém nos desse a assinar um documento por via do qual, no início de Abril, o Benfica estaria a liderar o campeonato com três pontos de vantagem sobre o segundo classificado, seria fácil recolher quase tantas assinaturas quantos os sócios e adeptos abordados.

Independentemente das expectativas que, num ou noutro momento, por este ou aquele resultado, foram sendo criadas, ninguém de bom senso esperaria que o presente campeonato se transformasse num passeio – como, diga-se, de algum modo acabou por ser o anterior.

O plantel encarnado sofreu entretanto muitas baixas, e o rival directo reforçou-se com exuberância. As forças equilibraram-se. E se este Benfica pôde continuar a vencer, não é justo exigirmos-lhe que o faça nadando num mar de facilidades.

A derrota de Vila do Conde foi dolorosa, mas não vai iludir os factos: estamos a fazer um campeonato brilhante, e somos os mais sérios candidatos ao título. Perdemos uma batalha. Já havíamos perdido outras. Mas a guerra está aí, diante de nós, para ser vencida. Com agruras, com sofrimento, com avanços e recuos, com suor e com lágrimas. A nossa cor é de sangue, e a nossa história é de luta. Da Farmácia Franco aos heróis de Berna, de Eusébio e Coluna aos dias de hoje.

Não foi a choramingar que nos tornámos um dos maiores clubes do mundo. Foi, sim, a reagir às adversidades com alma de campeão, e a erguermo-nos, mais fortes, de cada vez que tropeçámos.

Faltam apenas oito finais. Hoje é o primeiro dia do resto da temporada, e partimos na frente.

Força Benfica!