VENHA OUTRA!


Hoje há mais. Na final da Taça da Liga, espera-se nova festa benfiquista. Espera-se o 6º troféu oficial em duas temporadas.

Depois, o futebol parte para férias. Será altura de preparar a próxima época e o ataque ao Tri.

Com uma equipa alicerçada na experiência de jogadores na casa dos trinta anos, como Júlio César, Maxi Pereira, Luisão, Lima ou Jonas, o Benfica terá porventura, neste defeso, uma menor pressão de mercado face à que sofreu em anos anteriores. Sabe-se que Gaitán e Salvio são muito pretendidos, mas parece perfeitamente exequível segurar na Luz, pelo menos, os restantes nove titulares, mais os dois ou três suplentes habitualmente utilizados. Assim, com um ou outro reforço cirúrgico, será possível manter uma linha de continuidade, salvaguardando também - e este não é assunto menor - o tão louvado espírito de grupo deste plantel.

Em cima da mesa está igualmente a questão do treinador. Estou certo que o presidente e a direcção farão todos os possíveis, e até alguns impossíveis, para manter Jorge Jesus. A estabilidade no comando técnico da equipa tem sido uma arma determinante no sucesso do nosso futebol. Jesus criou um modelo de jogo eficaz e ganhador, fazendo crescer dezenas de atletas. Deu-nos vitórias e dinheiro. Muito dinheiro. No meu tempo de vida não recordo outro técnico tão influente e decisivo. Não será fácil encontrar igual.

Começar do zero, num contexto económico muito menos favorável que o de 2009, acarretaria riscos substancialmente mais elevados do que o custo da renovação do contrato. Até porque, como diz o povo sabiamente, “o barato por vezes sai caro”.

BI-CAMPEÕES!!


DIGA 34


“…enquanto os outros falavam, nós íamos trabalhando”.

Esta frase, dita no rescaldo do jogo do título pelo capitão Luisão, reflecte o que se passou ao longo da temporada, e explica porque estamos agora em festa.

Perante um adversário directo que bateu todos os recordes de investimento para nos derrotar, que dispôs do plantel mais caro da história do futebol português, e que, por tudo isso, era tido em Agosto como o grande favorito à conquista do título, o Benfica valeu-se da humildade, da união, do crer, da raça, e da regressada mística, para inverter os papéis, e terminar na frente. Valeu-se, também, do manto protector de milhões de adeptos espalhados pelo país, que em momentos-chave carregaram a equipa ao colo rumo a importantes vitórias.

Quem mais falou, acabou ajoelhado no chão, de mãos a abanar, e insultado pelos seus. Nós, acabamos Bi-Campeões, e envolvidos numa gigantesca festa nacional e lusófona - bem mais ampla do que os pontuais incidentes verificados em Lisboa.

O mérito deste título é de muita gente. Mas dois homens emergem como figuras maiores de uma conquista cujo significado histórico vai bastante além do número 34. Jorge Jesus, que reconstruiu uma equipa de raiz, dotando-a de uma dinâmica de vitória absolutamente notável, e, sobretudo, Luís Filipe Vieira, que já não andará longe de se tornar o maior presidente de sempre do Sport Lisboa e Benfica.

Feita a festa, é altura de olhar para a frente. Falta ainda garantir a Taça da Liga, de modo a fechar mais uma temporada futebolística com três troféus: uma espécie de triplete-versão dois, que não queremos desperdiçar.

 

SÓ MAIS UMA!


Depois de nove longos meses de competição, de jornadas intensas – ora mais difíceis, ora menos complicadas –, de ansiedade e sofrimento, de muitos avanços e poucos recuos, de constante pressão, de demasiada conversa fora das quatro linhas, de boas exibições e grandes golos, de muito suor e algumas lágrimas, eis chegado o momento em que tudo poderá, enfim, ficar definido.

Falta-nos uma, apenas uma vitória. Com mais três pontos, ninguém nos poderá retirar o direito de comemorar a conquista do 34º título nacional, consumando assim o principal objectivo da temporada desportiva de 2014-2015. Poderá acontecer já em Guimarães, num terreno difícil, e perante um adversário que não nos tem sido nada simpático – nos últimos sete anos, derrotou-nos cinco vezes, quer em jogos do Campeonato, quer na Taça de Portugal.

Com uma margem de erro que ainda permite um deslize, não haverá motivo para que a equipa acuse qualquer tipo de pressão negativa. Sabemos que somos melhores, que merecemos ganhar, e que vamos certamente cortar a meta em primeiro. É com a auto-estima em alta que devemos partir para a cidade-berço. E é em festa que esperamos de lá voltar.

Estou em crer que o Futebol nos fará justiça já nesta jornada, no primeiro de dois “matchs-points” de que dispomos para fechar as contas do título. Estou em crer que a glória está iminente. Falta um bocadinho assim. Vamos a isso!

 

PS: O Hóquei e o Volei já estão no papo. O Futebol vem caminho. Espera-se que também o Basquete e o Futsal possam ainda festejar. Talvez estejamos à beira de um momento absolutamente ímpar na nossa história centenária.

A FESTA PODE ESPERAR


Por esta altura, não haverá muitos benfiquistas a quem passe pela cabeça a hipótese de ver fugir o título nacional.

Depois de cumpridas 31 jornadas, com dois jogos em casa por disputar, com uma margem de erro simpática, e com a força competitiva demonstrada em Barcelos, é de facto difícil imaginar outro cenário.

Porém, a nossa história recente obriga a todas as precauções. Se o entusiasmo, e até a euforia, são sentimentos legítimos de uma massa associativa que se alimenta de glórias, aos jogadores e quem os rodeia não é permitido qualquer tipo de dispersão, em face de um objectivo que só estará alcançado quando a matemática assim o determinar.

Há dois anos encontrámo-nos numa situação semelhante. Sabemos o que aconteceu depois. Se o Gil Vicente pode ter sido uma espécie de Marítimo de 2012-2013, não podemos permitir que, amanhã, o Penafiel se transforme numa espécie de Estoril. É pois necessário encarar este jogo como mais uma dura “final”, numa caminhada que ainda não está concluída.

Um estádio cheio irá ajudar. Não para comemorar seja o que for, mas sim para dar mais um forte empurrão à nossa equipa – a qual devemos ajudar, sobretudo no caso de, por qualquer motivo, e em qualquer momento, o jogo vir a tornar-se mais complicado do que o esperado.

Muito dificilmente seremos campeões neste fim-de-semana. O mais provável é entrarmos no difícil estádio de Guimarães ainda a necessitar de pontos. É muito importante poder fazê-lo com algum conforto, sob pena de as contas se complicarem.

Por todas estas razões, amanhã sim, estaremos perante o jogo do ano. A festa? Essa pode esperar.

TODOS OS NOMES


Chame-se Lotopegui, Lobategui ou Lopatego, o basco que treina o FC Porto tem o condão de não agradar a ninguém – consenso que, diga-se, não é fácil de estabelecer num futebol português extremamente polarizado e polemizado.

Não agrada aos desportistas em geral, pois trouxe com ele uma postura de antipatia e petulância que o povo português bem dispensava. Não agrada aos adversários, pois a sua retórica provocadora tem sido uma constante. Não agrada aos jornalistas, com os quais é altivo e mal-educado. Não agrada aos árbitros, dos quais se queixa jornada após jornada, sem razões objectivas para tal. Não agradará, sequer, aos adeptos do seu clube, pois com o plantel mais caro da história do país arrisca-se a não vencer um único troféu, tendo sido eliminado da Taça de Portugal, em casa, pelo Sporting; da Taça da Liga pelo Marítimo; humilhado na Liga dos Campeões pelo Bayern de Munique; estando agora dependente de terceiros, a quatro jornadas do fim, na única competição que lhe resta.

Discurso oficial à parte, quem o contratou ter-se-á também já arrependido. Se outros não acertam no seu nome, ele raramente acerta nos nomes dos jogadores que coloca a jogar, e raramente acerta no que diz. Há pessoas assim.

Enquanto benfiquista, desejo vê-lo no clube rival por mais alguns anos (com ele no banco, não há Jacksons, Danilos, Casemiros ou Oliveres que lhes valham). Enquanto português, parece-me que temos por cá dezenas de treinadores mais competentes e sabedores do que ele.

Resta saber se este aparente erro de casting significa, ou não, o canto do cisne da tão incensada “estrutura” portista.

VENCER, VENCER


Não andaria longe da verdade se afirmasse que temos, esta temporada, uma das melhores equipas de Hóquei em Patins da história do Benfica. A vitória por 5-1 sobre o FC Porto (a acrescer ao triunfo por 3-7 no Dragão) traduziu essa clara superioridade, consumando um título há muito anunciado. 23 vitórias e 1 empate, em 24 jornadas, são outro dos cartões de visita dos nossos fantásticos hoquistas. Estou em crer que a Taça de Portugal também não fugirá, concretizando a desejada “dobradinha” – algo que não acontece desde 1995.

No domingo é a vez do Futebol.  Entende-se que Jorge Jesus queira retirar pressão dos ombros dos jogadores, mas, com ou sem retórica, o jogo é mesmo decisivo. E se o vencermos, nem o mais laureado matemático me fará duvidar do título.

Em casa, a nossa equipa tem demonstrado forte predominância sobre os adversários, e uma qualidade de jogo digna de campeão. Esta partida terá, provavelmente, características diferentes, apelando menos à nota artística, e mais à generosidade dos jogadores na disputa de cada lance. Será um desafio à coragem. Um repto à alma benfiquista.

O Inferno da Luz também está convocado, sobretudo para os momentos em que a equipa mais necessitar de apoio. É importante percebermos que os jogos têm noventa minutos, e passam por fases distintas. Num ou noutro período, os nossos jogadores poderão precisar de sentir que estamos com eles, e que estamos unidos em torno de um objectivo comum.

Há que mostrar, também nas bancadas, que o adversário não nos amedronta, e fica demasiado pequeno perante o grito da nossa fé. O grito que nos conduzirá à glória.

A FEBRE DE SÁBADO À TARDE


As últimas partidas disputadas na Luz têm enchido as medidas aos benfiquistas, quer pelas vitórias sucessivas, quer pela qualidade de jogo apresentada, quer pelos muitos e bons golos, quer pelo ambiente vivido antes, durante e após os jogos. Uma verdadeira febre de sábado à tarde, que pretendemos manter até ao fim da época.
O horário é o ideal, como se comprova pelos números da bilheteira. E as exibições têm correspondido à expectativa dos adeptos mais exigentes, resgatando o futebol para a sua pureza festiva – que, em Portugal, a dada altura, e por motivos que não vêm ao caso, terá sido hipotecada. Trata-se, no fundo, de fazer coincidir um bom espectáculo dentro das quatro linhas, com bancadas cheias de entusiasmo, jovialidade e fervor clubista. É isso que temos conseguido. É isso que este grande Benfica (desportiva, institucional e socialmente) tem conseguido.
Amanhã, queremos ver reproduzida toda esta intensidade e alegria no Restelo. Não há razão para que, num estádio pintado de vermelho (como certamente será o caso), a equipa não entre em campo com a autoridade que tem demonstrado na Luz, e que mal deixa respirar os atónitos adversários.
Não é possível jogar dois jogos ao mesmo tempo: por agora é este, e apenas este, que teremos de vencer. Um Benfica à altura do escudo de campeão que ostenta, e em harmonia com aquilo que tem evidenciado nas últimas partidas em casa, corresponderá com certeza ao imperativo de conquistar os três pontos, dando mais um passo rumo ao 34º título.
PS: Para o Voleibol (e, já agora, para o Hóquei) deixo apenas três palavras: Vamos ser Campeões!

SETE FINAIS


Número bíblico, número mítico, número da perfeição, sete são os dias da semana, sete são também os jogos que nos separam da conquista do Bi-Campeonato.
Podem até ser menos (dependendo dos resultados que entretanto se forem verificando). Podem ser apenas cinco, se os vencermos todos. Mas para isso, há que olhar para cada um como se fosse o último. Como se fosse uma final.
Amanhã é dia grande. É dia de final. Temos pela frente a Académica – equipa que começou mal a temporada, mas tem crescido manifestamente nas últimas semanas. Vai colocar-nos dificuldades. Com talento, com alma, com garra benfiquista, e com apoio incessante nas bancadas (nos momentos mais exuberantes, mas também naqueles em que é necessário arrefecer o jogo, ou conter o ímpeto de adversários que querem igualmente os pontos), vamos certamente vencer, e dar mais um importante passo rumo ao título.
Estes fantásticos jogadores merecem tudo. Este treinador resgatou a competitividade do nosso futebol para níveis que só num passado já longínquo encontram paralelo. Este presidente pegou nos escombros de anos malditos, e ergueu o colosso que temos hoje à nossa frente, devolvendo-nos o orgulho, e devolvendo-nos a esperança. Temos, em campo, no banco, e na tribuna, os intérpretes perfeitos da nossa grandeza. Cabe-nos a nós, sócios e adeptos, cumprir a nossa parte.
Amanhã seremos muitos. Além de sermos mais, temos também de ser melhores. Temos de estar ao nível da importância do momento. Os benfiquistas sabem bem como o fazer. Como levar os seus à Glória. Unidos, em torno de um ideal.
Todos por um. Todos pelo título. Força Benfica!

POTENCIA DESPORTIVA


Com as várias modalidades ainda a entrarem na fase decisiva das principais competições, será prematuro fazer desde já um balanço rigoroso da temporada eclética do nosso clube.

Ainda assim, pode dizer-se que o Voleibol, o Basquetebol e o Atletismo, mesmo tendo pela frente as decisões nos respectivos campeonatos, já fizeram por tornar positiva a época de 2014-15. No Voleibol, Taça e Supertaça estão já nas nossas vitrinas, troféus aos quais temos que juntar uma histórica prestação internacional, faltando apenas selar o tri-campeonato. No Basquete, haverá que concretizar o tetra-campeonato, mas já arrecadámos Taça, Supertaça, e os troféus Hugo dos Santos e António Pratas, ou seja, todas as provas oficiais disputadas no país. No Atletismo, aos títulos já alcançados não podemos deixar de somar o triunfo de Nélson Évora nos Europeus de Pista Coberta – ainda que com as cores da selecção portuguesa.

Nas restantes três modalidades de pavilhão, está tudo em aberto. A fantástica equipa de Hóquei em Patins tem o título nacional e a Taça de Portugal à mercê, levando 23 vitórias, um empate e zero derrotas nestas duas provas até ao momento (uma pena a eliminação europeia…). O Futsal aponta também a uma eventual dobradinha, seguindo igualmente invicto nas duas provas (22 vitórias e 3 empates). Quanto ao Andebol, começa este fim-de-semana a disputar a meia-final do play-off, sendo que também na frente europeia se tem destacado.

Com uma percentagem de vitória na casa dos 86% (82% nos dois anos anteriores), as nossas modalidades estão bem e recomendam-se. Espera-se, pois, mais um ano à Benfica.

 

NA FRENTE


Se, por absurdo, em Agosto de 2014, no fim de uma pré-temporada angustiante, alguém nos desse a assinar um documento por via do qual, no início de Abril, o Benfica estaria a liderar o campeonato com três pontos de vantagem sobre o segundo classificado, seria fácil recolher quase tantas assinaturas quantos os sócios e adeptos abordados.

Independentemente das expectativas que, num ou noutro momento, por este ou aquele resultado, foram sendo criadas, ninguém de bom senso esperaria que o presente campeonato se transformasse num passeio – como, diga-se, de algum modo acabou por ser o anterior.

O plantel encarnado sofreu entretanto muitas baixas, e o rival directo reforçou-se com exuberância. As forças equilibraram-se. E se este Benfica pôde continuar a vencer, não é justo exigirmos-lhe que o faça nadando num mar de facilidades.

A derrota de Vila do Conde foi dolorosa, mas não vai iludir os factos: estamos a fazer um campeonato brilhante, e somos os mais sérios candidatos ao título. Perdemos uma batalha. Já havíamos perdido outras. Mas a guerra está aí, diante de nós, para ser vencida. Com agruras, com sofrimento, com avanços e recuos, com suor e com lágrimas. A nossa cor é de sangue, e a nossa história é de luta. Da Farmácia Franco aos heróis de Berna, de Eusébio e Coluna aos dias de hoje.

Não foi a choramingar que nos tornámos um dos maiores clubes do mundo. Foi, sim, a reagir às adversidades com alma de campeão, e a erguermo-nos, mais fortes, de cada vez que tropeçámos.

Faltam apenas oito finais. Hoje é o primeiro dia do resto da temporada, e partimos na frente.

Força Benfica!

ONDA VERMELHA


O espaço desta coluna não chegaria para destacar todas as vitórias que o nosso Clube alcançou na passada semana, com o realce que cada uma delas merecia.

Teria de escrever sobre Andebol, e sobre a impressionante vitória na Polónia, na 1ªmão dos quartos-de-final da Taça Challenge. Teria de escrever sobre Voleibol, e o claro triunfo perante o SC Espinho no primeiro jogo das meias-finais do Playoff. Teria de mencionar mais uma gorda vitória do Basquetebol no campeonato que há muito lidera. Teria de falar de Atletismo, e da limpeza nos nacionais de Corta-Mato. Teria, sobretudo, de saudar as meninas do Hóquei em Patins, que alcançaram um feito histórico de suprema grandeza, tornando-se Campeãs da Europa - aliás, o desporto feminino tem sido uma aposta do Benfica, tratando-se de uma vertente com franca margem de progressão.

Mas posso também falar de Futebol, e do enorme espectáculo a que assistimos no Sábado, quer dentro do campo, quer nas repletas bancadas da Luz, onde mais de 60 mil deram voz à alma de campeão.

A sensação que se colhe de uma experiência como aquela é a de que um Benfica assim é imparável. Somos muitos, e, quando unidos e capazes de transmitir confiança e vibração à equipa, tornamo-nos esmagadores.

A prestação dos jogadores foi notável, e dois golos souberam a pouco para tanto futebol.

O colorido das bancadas fica na retina de quem o viveu (o horário dos jogos também ajuda, como tem sido demonstrado ao longo destas duas épocas).

Ficou bem claro qual o caminho que teremos de percorrer para que o sonho do bi-campeonato se transforme numa doce realidade. É seguir em frente.

JOGOS ESPECIAIS


Terminado o jogo entre SC Braga e FC Porto, esperava-se alguma indignação por parte dos dirigentes da equipa da casa, face a um lance de grande penalidade que ficou por sancionar, e que poderia ter dado o empate.

Pelo contrário, o presidente bracarense não só ignorou esse lance, como afirmou, a despropósito, que a sua equipa teria de fazer tudo para ganhar… ao Benfica.

Independentemente da falta de oportunidade da declaração, fica por saber o que será esse “tudo”. Mas, olhando à diferença de atitude competitiva que o SC Braga tem revelado quando defronta o Benfica – jogos que disputa de faca nos dentes, com níveis de agressividade próximos do intolerável -, e quando tem pela frente o FC Porto – jogos em que normalmente é dócil e submisso -, podemos chegar a algumas pistas. 

O futebol tem coisas estranhas, que escapam ao entendimento do adepto comum. É normal que uma equipa mais pequena se agigante quando tem pela frente nomes sonantes. Mas não é normal que, ano após ano, jogo após jogo, uma mesma equipa coloque grandes dificuldades a um adversário, e apresente total passividade face a outro. Desde os tempos de Domingos Paciência que assim é. Certamente por coincidência.

Quem terá de ignorar tudo isto somos nós. E a solução para vencer é apenas uma: entrar com a mesma intensidade do adversário minhoto, sabendo que, assim, a maior capacidade técnica dos nossos jogadores fará a diferença. É também importante que o apoio dos adeptos se faça sentir, não com bolas de golfe ou intimidação (como por vezes sucede em Braga), mas com incentivos capazes para empurrar a equipa para o golo.

O REI ARTUR


Todos nos recordamos de algumas primeiras páginas de jornais na semana que antecedeu o último dérbi lisboeta, e das pressões que foram lançadas sobre os ombros do guarda-redes Artur, procurando desestabilizá-lo, desacreditá-lo, e até humilha-lo.

Artur respondeu como se impunha. Foi um dos melhores em campo nessa partida, e, nos quatro jogos que desde então realizou, apenas voltou a sofrer um golo (sem culpas, diga-se). Mais: nesses jogos (cinco no total), não cometeu qualquer erro, realizando excelentes intervenções. Bastará dizer que, nestas semanas, não se sentiu a ausência de Júlio César.

Não me esqueço (nem lhe perdoo…) a fantástica exibição que Artur fez pelo SC Braga, na meia-final da Liga Europa de 2010-11. Também não me esqueço dos seus primeiros meses no Benfica, ao longo dos quais exibiu grande segurança, contribuindo decisivamente para alguns bons resultados – designadamente na Champions. Na última Supertaça voltou a ser decisivo, quando muitos desconfiavam dele. E na primeira jornada deste Campeonato, defendeu um penálti num momento extremamente importante para a equipa.

Passou tempos menos felizes, que, para azar dele (e nosso) coincidiram com jogos decisivos – sobretudo na dramática ponta final da temporada 2012-13. Caiu então sobre Artur um anátema do qual custou a libertar-se, mas que é totalmente injusto face à sua grande categoria.

Poucos se têm lembrado dele por estes dias. Os guarda-redes dão nas vistas sobretudo quando erram. Mas Artur merece esta referência. E se o Benfica for campeão – como todos esperamos – terá um lugar muito especial nas festividades.

CANTIGAS DE ESCÁRNIO


À medida que nos vamos aproximando da fase decisiva da temporada, é cada vez mais sonoro o ruído provocado pela única, e já clássica, aliança verdadeiramente existente no futebol português: a que congrega FC Porto e Sporting, num afinado ataque ao Benfica.

De um lado, aqueles que durante décadas beneficiaram de arbitragens protectoras em troca de viagens ao Brasil, de favores de prostitutas, de promoções na carreira, de aconselhamento matrimonial, ou – quando tal não se revelava suficientemente cativante – de manobras de intimidação à moda siciliana. Crimes cujo castigo ficou vedado por meras incidências processuais, mas que jamais irão cair no nosso esquecimento.

Do outro lado, o queixume próprio de quem nada ganha há longos anos, de quem sempre se colocou em bicos de pés na tentativa reiteradamente frustrada de se sentir à altura do odiado vizinho e rival, e de quem tem a necessidade crescente de encobrir desilusões próprias atirando lama para cima dos triunfos alheios. Enfim, uma lamúria antiga e bem conhecida.

Um canto que não era canto – era penálti…. Um cartão vermelho que, objectivamente, ninguém ousa contestar. Um lance dividido, mas limpo, na área do Benfica. Três momentos do jogo de Moreira de Cónegos cujo benefício extra-desportivo para o Benfica foi nulo, mas que, ainda assim, serviram de arma de arremesso no âmbito do futebol falado e escrito, devidamente misturados num ressequido bolo de mistificação e embuste.

A razão para a gritaria é só uma: o medo de ver o Benfica sagrar-se novamente campeão nacional.

O objectivo é simples: pressionar as arbitragens dos próximos jogos, para assim tentar impedir que esse temido desfecho se torne realidade.

A resposta será dada dentro do campo. E também nas bancadas, onde a nossa voz se fará ouvir mais alto que todas as tentativas de desestabilização de que seremos alvo até ao fim deste campeonato.

Estamos todos convocados. Cada jogo uma final, cada lance uma vida. E um título à distância da nossa união e vontade de vencer.

CROMO DA BOLA


Para os lados de Alvalade, o Carnaval veio com uma semana de antecedência. E é provável que continue muito para além da tradicional quarta-feira de cinzas.

Logo que chegou à presidência do Sporting, a postura de Bruno Carvalho perante certas figuras parecia a de alguém capaz de trazer algo de novo ao futebol português. Rapidamente a máscara lhe caiu. Viu-se precipitação em vez de sensatez, fanfarronice em vez de coragem, e conflitualidade barata em vez de determinação. 

Tratando o clube como um brinquedo, incompatibilizou-se com o FC Porto, incompatibilizou-se com a Liga, incompatibilizou-se com a Federação, incompatibilizou-se com os fundos, incompatibilizou-se com a UEFA, incompatibilizou-se com os jogadores, incompatibilizou-se com o treinador, incompatibilizou-se com figuras históricas do seu clube, incompatibilizou-se com os anteriores dirigentes, incompatibilizou-se com grupos de adeptos, incompatibilizou-se com a imprensa, e faltava, obviamente, incompatibilizar-se com o Benfica. Não havia melhor ocasião do que o rescaldo de um resultado frustrante. Uma tarja infeliz serviu de pretexto.

Fosse eu a decidir, e teria ficado sem resposta desde o primeiro comunicado. Este tipo de personagem procura protagonismo, e nada melhor que uma boa dose de polémica para o conseguir. Infelizmente, já por cá tivemos igual. Conhecemos a espécie. Daqui ao descrédito total – mesmo entre os seus - é apenas uma questão de tempo.

O corte de relações não nos tira o sono. Não me recordo do Benfica ganhar alguma coisa por ter melhores ou piores relações institucionais com o Sporting. Nos momentos-chave, em que o futebol português podia dar passos no sentido da regeneração, o Sporting assobiou para o lado. Ao respeito que sempre lhes dispensámos, responderam com o ressentimento próprio dos invejosos. Não servem para nada. Não fazem falta. Não contam para o nosso campeonato. Podem ficar a falar sozinhos. Daqui, não os ouvimos.

Vamos ganhar ao Moreirense, pois é isso que verdadeiramente interessa.

PRAGMATISMO


Não tivesse eu visto o dérbi com os meus próprios olhos, e a julgar pelos comentários que ouvi e li – alguns dos quais, pela voz e pela pena de distintos benfiquistas –, seria levado a pensar que o Benfica fora massacrado, que o Sporting criara dúzias de oportunidades de golo, e que o resultado justo teria sido uma goleada a favor dos nossos rivais.

A realidade é bem diferente. Assistiu-se a uma partida tacticamente amarrada, na qual as defesas se superiorizaram aos ataques. A iniciativa de jogo foi, naturalmente, da equipa que mais precisava de ganhar. O Benfica, a quem o empate não inquietava, jogou com as cautelas que o pragmatismo aconselha. Podia ter tido o azar de perder com um erro nos últimos minutos, na segunda oportunidade criada pelo Sporting. Teve a sorte de empatar nos últimos segundos, na segunda oportunidade que criou. Com tão poucos lances de perigo junto das balizas, diria que o resultado normal teria sido 0-0. Os golos apimentaram a noite, trazendo, eles sim, sensações de angústia e de euforia que iludem a racionalidade, e enviesam as análises.

Teria o Benfica alguma coisa a ganhar mostrando outra ousadia? Não sei. Na casa de um adversário altamente moralizado, não era prudente entrar em campo com a petulância dos fanfarrões. Prefiro que outros se queixem da nossa sorte, do que sermos nós a queixar-nos do azar.

As críticas mais simplistas à estratégia de Jesus – que também fizeram eco na família benfiquista – ignoram dois aspectos essenciais. O primeiro é que jogar bem, jogar bonito e jogar ao ataque não são necessariamente sinónimos. O segundo é que o Benfica não tem hoje os argumentos técnicos de que dispunha nas últimas temporadas.

Sim, acredito que seremos campeões. Mas com uma banda sonora diferente da música que tocavam Aimar, Saviola e Di Maria, ou, mais tarde, Matic, Enzo e Markovic. Agora o caminho tem de ser outro. E desde que nos leve ao Marquês (onde, aí sim, haverá espectáculo), não vai ser um trinco a mais que nos fará festejar a menos.

MAIS DO QUE UM DÉRBI


Olhando para as estatísticas, e ao contrário da “verdade” com que somos anualmente confrontados, um Benfica-Sporting, na Luz, tem sempre um acentuado favorito. Por exemplo, nos últimos nove campeonatos, o Benfica venceu seis vezes, empatou três, não perdendo em nenhuma ocasião. Mais: nos últimos oito Benficas-Sportingues disputados na Luz, apenas sofremos um golo.

Pelo contrário, em Alvalade, e segundo as mesmas estatísticas, o equilíbrio prevalece, não havendo favoritismos a atribuir. Ou não se registassem precisamente três vitórias, três empates e três derrotas, nos últimos nove dérbis para o campeonato jogados no recinto dos nossos vizinhos.

Para este domingo, é pois difícil avançar com prognósticos – até porque, como alguém sabiamente afirmou, em futebol eles apenas devem ser feitos no fim dos jogos.

Já quanto à importância do desafio não restam dúvidas. Embora uma vantagem de sete pontos salvaguarde, sob o ponto de vista aritmético, a liderança benfiquista, sabemos que, na prática, uma derrota em Alvalade traria o Sporting de regresso à luta pelo título (coisa que bem dispensamos), permitindo igualmente a aproximação do FC Porto - que poderia passar a depender apenas de si próprio, situação substancialmente mais motivadora para qualquer perseguidor numa prova desta natureza. Tratando-se de um jogo decisivo para os nossos adversários directos, trata-se, consequentemente, de um jogo decisivo também para nós. E é dessa forma que o teremos de abordar.

Sabemos que do outro lado está uma equipa jovem, e que a pressão de enfrentar o tão odiado quanto temível Benfica costuma pesar-lhe nos ombros. Devemos saber jogar com isso, e com a força que o escudo de campeão transmite aos nossos atletas. A confiança e a maturidade poderão ser a chave para um resultado positivo. Um empate não seria dramático - não abria espaço a qualquer dos perigos acima referidos -, mas as vitórias são a nossa forma de estar na vida, e é para a conquista dos três pontos que teremos de apontar as baterias.

MURRO NO ESTÔMAGO


Os cerca de quarenta anos que levo a ver futebol ensinaram-me uma máxima, segundo a qual, uma grande equipa pode perder jogos decisivos contra outra grande equipa, uma grande equipa pode até perder jogos não decisivos contra equipas menores, mas uma grande equipa jamais poderá perder jogos decisivos contra equipas que não são da sua igualha. Na Mata Real, o Benfica – que nas semanas anteriores havia justificado o epíteto de “grande equipa” – falhou na resposta a essa equação.
As pessoas ligadas directamente futebol (jogadores, treinadores, dirigentes, etc) encontrarão explicações para este tipo de acontecimento. Muitas dessas explicações resumem-se à simples e batida frase “é futebol”. Para o adepto comum, mesmo o mais atento (como, perdoem-me a imodéstia, creio ser o meu caso), as coisas não são assim tão fáceis de entender. E muito menos de digerir.
Em Paços de Ferreira, a nossa equipa desperdiçou uma oportunidade soberana para quase colocar uma pedra sobre este importantíssimo campeonato. Não o fez, e se as consequências na moral dos jogadores encarnados estão ainda por aquilatar, já quanto à moral dos principais adversários na luta pelo título, tenho, neste momento, poucas dúvidas: esta generosa derrota recuperou o ânimo do FC Porto, e reforçou fortemente o do Sporting.
Dito isto, importa não chorar mais sobre o leite derramado. Importa, sobretudo, olhar para os próximos jogos com redobrada atenção, e redobrada vontade de vencer. Continuamos na frente, com uma vantagem ainda considerável, e não deixámos de ser os principais candidatos ao título.
Este sábado, diante do Boavista, temos nova “final”. É imperioso vencer, para afastar fantasmas, e repor uma certa ordem na história deste campeonato. É importante que os adeptos esqueçam rapidamente a frustração da passada segunda-feira, e voltem a focar-se no apoio a uma equipa que, ainda assim, continua a realizar uma temporada bastante acima das expectativas iniciais. 
Perdemos uma batalha, mas venceremos a guerra.

 

EQUIPA DE AUTOR


Estávamos em Agosto, às portas das competições oficiais, e o Benfica levava 6 derrotas em 8 jogos de pré-temporada - a última das quais por 5-1 diante do Arsenal. Apenas Sion e Estoril haviam sido ultrapassados por uma equipa encarnada que se dizia estar em decomposição.
Oblak, Garay, Siqueira, André Gomes, Markovic, Rodrigo e Cardozo, peças importantes no “Triplete”, haviam partido. Antes já partira Matic. Mais tarde partiria também Enzo Perez. Até jovens promessas como Cancelo, Bernardo Silva ou Cavaleiro nos deixavam. Fejsa, Amorim, Sílvio e Sulejmani apresentavam lesões graves e demoradas. Do “melhor plantel dos últimos trinta anos” pouco mais restava do que cinzas.
Confesso que fui dos muitos a desconfiar das potencialidades de um conjunto do qual os presumíveis titulares eram outrora suplentes, no qual o banco estava agora ocupado por ex-renegados, e para o qual as novas contratações estavam longe de entusiasmar. Até porque nos quadros do principal adversário entravam “estrelas” em catadupa. Muita gente terá então suposto que o novo campeão estava encontrado, restando-nos lutar pelo segundo lugar.
Estamos em Janeiro, e nada está ganho. Mas ver este Benfica comandar categoricamente a classificação, com vantagem pontual significativa, e agora também com nota artística elevada, é reconfortante, e diz bem da qualidade do trabalho realizado por um treinador de excepção.
Jorge Jesus já mostrara capacidade para fazer equipas de luxo a partir de grandes plantéis. Nos últimos meses tem demonstrado que também as faz a partir de escombros. Ou melhor, a partir daquilo que pareciam escombros, mas que ele soube potenciar e transformar em ourivesaria fina.
É oficial: temos de novo uma grande equipa, jogamos de novo um belíssimo futebol, e somos os mais fortes candidatos ao título. Podemos não o conquistar, mas a performance até agora alcançada, nas circunstâncias acima referidas, não está ao alcance do comum mortal.
Este Benfica é pois uma obra de autor. Diria mesmo, uma obra de mestre.