PRAGMATISMO


Não tivesse eu visto o dérbi com os meus próprios olhos, e a julgar pelos comentários que ouvi e li – alguns dos quais, pela voz e pela pena de distintos benfiquistas –, seria levado a pensar que o Benfica fora massacrado, que o Sporting criara dúzias de oportunidades de golo, e que o resultado justo teria sido uma goleada a favor dos nossos rivais.

A realidade é bem diferente. Assistiu-se a uma partida tacticamente amarrada, na qual as defesas se superiorizaram aos ataques. A iniciativa de jogo foi, naturalmente, da equipa que mais precisava de ganhar. O Benfica, a quem o empate não inquietava, jogou com as cautelas que o pragmatismo aconselha. Podia ter tido o azar de perder com um erro nos últimos minutos, na segunda oportunidade criada pelo Sporting. Teve a sorte de empatar nos últimos segundos, na segunda oportunidade que criou. Com tão poucos lances de perigo junto das balizas, diria que o resultado normal teria sido 0-0. Os golos apimentaram a noite, trazendo, eles sim, sensações de angústia e de euforia que iludem a racionalidade, e enviesam as análises.

Teria o Benfica alguma coisa a ganhar mostrando outra ousadia? Não sei. Na casa de um adversário altamente moralizado, não era prudente entrar em campo com a petulância dos fanfarrões. Prefiro que outros se queixem da nossa sorte, do que sermos nós a queixar-nos do azar.

As críticas mais simplistas à estratégia de Jesus – que também fizeram eco na família benfiquista – ignoram dois aspectos essenciais. O primeiro é que jogar bem, jogar bonito e jogar ao ataque não são necessariamente sinónimos. O segundo é que o Benfica não tem hoje os argumentos técnicos de que dispunha nas últimas temporadas.

Sim, acredito que seremos campeões. Mas com uma banda sonora diferente da música que tocavam Aimar, Saviola e Di Maria, ou, mais tarde, Matic, Enzo e Markovic. Agora o caminho tem de ser outro. E desde que nos leve ao Marquês (onde, aí sim, haverá espectáculo), não vai ser um trinco a mais que nos fará festejar a menos.

MAIS DO QUE UM DÉRBI


Olhando para as estatísticas, e ao contrário da “verdade” com que somos anualmente confrontados, um Benfica-Sporting, na Luz, tem sempre um acentuado favorito. Por exemplo, nos últimos nove campeonatos, o Benfica venceu seis vezes, empatou três, não perdendo em nenhuma ocasião. Mais: nos últimos oito Benficas-Sportingues disputados na Luz, apenas sofremos um golo.

Pelo contrário, em Alvalade, e segundo as mesmas estatísticas, o equilíbrio prevalece, não havendo favoritismos a atribuir. Ou não se registassem precisamente três vitórias, três empates e três derrotas, nos últimos nove dérbis para o campeonato jogados no recinto dos nossos vizinhos.

Para este domingo, é pois difícil avançar com prognósticos – até porque, como alguém sabiamente afirmou, em futebol eles apenas devem ser feitos no fim dos jogos.

Já quanto à importância do desafio não restam dúvidas. Embora uma vantagem de sete pontos salvaguarde, sob o ponto de vista aritmético, a liderança benfiquista, sabemos que, na prática, uma derrota em Alvalade traria o Sporting de regresso à luta pelo título (coisa que bem dispensamos), permitindo igualmente a aproximação do FC Porto - que poderia passar a depender apenas de si próprio, situação substancialmente mais motivadora para qualquer perseguidor numa prova desta natureza. Tratando-se de um jogo decisivo para os nossos adversários directos, trata-se, consequentemente, de um jogo decisivo também para nós. E é dessa forma que o teremos de abordar.

Sabemos que do outro lado está uma equipa jovem, e que a pressão de enfrentar o tão odiado quanto temível Benfica costuma pesar-lhe nos ombros. Devemos saber jogar com isso, e com a força que o escudo de campeão transmite aos nossos atletas. A confiança e a maturidade poderão ser a chave para um resultado positivo. Um empate não seria dramático - não abria espaço a qualquer dos perigos acima referidos -, mas as vitórias são a nossa forma de estar na vida, e é para a conquista dos três pontos que teremos de apontar as baterias.

MURRO NO ESTÔMAGO


Os cerca de quarenta anos que levo a ver futebol ensinaram-me uma máxima, segundo a qual, uma grande equipa pode perder jogos decisivos contra outra grande equipa, uma grande equipa pode até perder jogos não decisivos contra equipas menores, mas uma grande equipa jamais poderá perder jogos decisivos contra equipas que não são da sua igualha. Na Mata Real, o Benfica – que nas semanas anteriores havia justificado o epíteto de “grande equipa” – falhou na resposta a essa equação.
As pessoas ligadas directamente futebol (jogadores, treinadores, dirigentes, etc) encontrarão explicações para este tipo de acontecimento. Muitas dessas explicações resumem-se à simples e batida frase “é futebol”. Para o adepto comum, mesmo o mais atento (como, perdoem-me a imodéstia, creio ser o meu caso), as coisas não são assim tão fáceis de entender. E muito menos de digerir.
Em Paços de Ferreira, a nossa equipa desperdiçou uma oportunidade soberana para quase colocar uma pedra sobre este importantíssimo campeonato. Não o fez, e se as consequências na moral dos jogadores encarnados estão ainda por aquilatar, já quanto à moral dos principais adversários na luta pelo título, tenho, neste momento, poucas dúvidas: esta generosa derrota recuperou o ânimo do FC Porto, e reforçou fortemente o do Sporting.
Dito isto, importa não chorar mais sobre o leite derramado. Importa, sobretudo, olhar para os próximos jogos com redobrada atenção, e redobrada vontade de vencer. Continuamos na frente, com uma vantagem ainda considerável, e não deixámos de ser os principais candidatos ao título.
Este sábado, diante do Boavista, temos nova “final”. É imperioso vencer, para afastar fantasmas, e repor uma certa ordem na história deste campeonato. É importante que os adeptos esqueçam rapidamente a frustração da passada segunda-feira, e voltem a focar-se no apoio a uma equipa que, ainda assim, continua a realizar uma temporada bastante acima das expectativas iniciais. 
Perdemos uma batalha, mas venceremos a guerra.

 

EQUIPA DE AUTOR


Estávamos em Agosto, às portas das competições oficiais, e o Benfica levava 6 derrotas em 8 jogos de pré-temporada - a última das quais por 5-1 diante do Arsenal. Apenas Sion e Estoril haviam sido ultrapassados por uma equipa encarnada que se dizia estar em decomposição.
Oblak, Garay, Siqueira, André Gomes, Markovic, Rodrigo e Cardozo, peças importantes no “Triplete”, haviam partido. Antes já partira Matic. Mais tarde partiria também Enzo Perez. Até jovens promessas como Cancelo, Bernardo Silva ou Cavaleiro nos deixavam. Fejsa, Amorim, Sílvio e Sulejmani apresentavam lesões graves e demoradas. Do “melhor plantel dos últimos trinta anos” pouco mais restava do que cinzas.
Confesso que fui dos muitos a desconfiar das potencialidades de um conjunto do qual os presumíveis titulares eram outrora suplentes, no qual o banco estava agora ocupado por ex-renegados, e para o qual as novas contratações estavam longe de entusiasmar. Até porque nos quadros do principal adversário entravam “estrelas” em catadupa. Muita gente terá então suposto que o novo campeão estava encontrado, restando-nos lutar pelo segundo lugar.
Estamos em Janeiro, e nada está ganho. Mas ver este Benfica comandar categoricamente a classificação, com vantagem pontual significativa, e agora também com nota artística elevada, é reconfortante, e diz bem da qualidade do trabalho realizado por um treinador de excepção.
Jorge Jesus já mostrara capacidade para fazer equipas de luxo a partir de grandes plantéis. Nos últimos meses tem demonstrado que também as faz a partir de escombros. Ou melhor, a partir daquilo que pareciam escombros, mas que ele soube potenciar e transformar em ourivesaria fina.
É oficial: temos de novo uma grande equipa, jogamos de novo um belíssimo futebol, e somos os mais fortes candidatos ao título. Podemos não o conquistar, mas a performance até agora alcançada, nas circunstâncias acima referidas, não está ao alcance do comum mortal.
Este Benfica é pois uma obra de autor. Diria mesmo, uma obra de mestre.

INFERNO NO PAVILHÃO!


A nossa equipa de Futebol, com manueis e com joaquins, leva já 43 pontos em 16 jornadas. Melhor, só em 1984, ou seja, há mais de 30 anos. O caminho é o do título, e todo o apoio será pouco para garantir que a saga termine como desejamos.

Mas também nos pavilhões, o Benfica 2014-15 vai dizimando a concorrência.

Em Hóquei, aquela que será, porventura, uma das melhores equipas da história encarnada, conta 13 vitórias em 14 jogos - das quais, as últimas três, 7-3 no Porto, 10-0 ao Valongo e 7-0 ao Sporting, são bem elucidativas da força e da classe que por ali abunda. Amanhã discute-se na Luz o 1º lugar do grupo europeu com o Barcelona. Não andaria longe da verdade se afirmasse estarmos perante os dois melhores conjuntos do momento em todo o mundo. Para quem gosta de Hóquei, este será um petisco a não perder. E também as meninas, lideres destacadas cá no burgo, têm compromisso internacional, igualmente na Luz, diante do Voltregá.

O Basquetebol, já com dois troféus no bolso, vai passeando pelo campeonato, rumo ao Tetra. Espera-se que neste sábado alcance a 11ª vitória em 12 jogos, precisamente sobre o único adversário que não derrotou na primeira volta: o Galitos. O jogo é em casa.

O Voleibol também joga na Luz, com o Esmoriz, e procura o 12º triunfo em 13 partidas. Outra marca impressionante na caminhada para o Tri.

A renovada equipa de Futsal tem arrasado todos os adversários. Já leva 16 vitórias em 17 jogos, grande parte delas por números esclarecedores. Este sábado inicia a luta pela conquista da Taça, em Braga.

O Andebol mantém vivas todas as esperanças para o Play-off. Amanhã enfrenta o Passos Manuel, a fechar uma grandiosa jornada à Benfica nos nossos pavilhões.

O trabalho que tem sido feito por esta gente merece a presença em massa dos benfiquistas. Este sábado, temos uma boa oportunidade para demonstrar gratidão, por tantas vitórias; e confiança, de que elas se traduzam em títulos.   

Basquete, Volei, Hóquei, Andebol e mais Hóquei. Das 15.00h às 23.00h. Força Benfica!

 

UM ANO INESQUECÍVEL


O ano de 2014 entrou para a galeria dos mais empolgantes da história recente do Benfica.

É verdade que começou de forma triste, com o desaparecimento de duas lendas do futebol português e mundial, que tantas saudades nos deixaram. Eusébio e Coluna partiram, e, infelizmente, já não puderam desfrutar dos triunfos com que o clube que tanto amavam, e ao qual tanto deram, varreu o país.

Certamente que a magnitude do seu legado serviu de inspiração aos atletas encarnados que, ao longo dos meses seguintes, nas várias modalidades e escalões, fizeram de 2014 um ano para recordar. Desde logo, no Futebol.

Campeonato Nacional, Taça de Portugal, Taça da Liga e Supertaça. Tudo ficou nas nossas mãos. Mais títulos nacionais houvesse, mais títulos seriam conquistados. Foi, como se costuma dizer, uma limpeza.  

Só um árbitro alemão de má memória impediu a nossa equipa de alcançar a consagração internacional que tanto merecia. Os penáltis de Turim foram, sem dúvida, o momento desportivo mais doloroso de 2014, não só pela perda de algo que parecia estar perfeitamente ao nosso alcance, como pelo sentimento de injustiça face à forma obtusa como tal desfecho se concretizou.

Já na nova temporada, as treze vitórias em quinze jogos do Campeonato, a clara vitória no Estádio do Dragão, e os seis pontos de vantagem na tabela classificativa, indiciam que o sonho do “Bi” está bem vivo. É esse o grande desejo de todos nós para 2015. É esse o desígnio que terá de nortear a família benfiquista durante os próximos cinco meses. Unidos, enchendo estádios, criando uma avassaladora onda vermelha em torno da equipa e de cada partida, estou seguro de que voltaremos ao Marquês.

Também nas restantes modalidades o Benfica deu cartas em 2014. Campeão de Basquetebol, Atletismo e Voleibol, vencedor da Taça de Portugal em Hóquei em Patins, líder nas várias frentes em que participa nesta nova época, o último ano evidenciou um Benfica altamente competitivo, e predominantemente ganhador. Também no ecletismo, 2015 promete.

 

A APOSTA NA FORMAÇÃO


O debate inunda os espaços de opinião ligados ao Benfica, e não só. “Devíamos apostar mais na formação”, “Jesus não aposta na formação”, etc., são frases que entraram no léxico futebolístico, e no universo benfiquista em particular. Mas antes de concluirmos seja o que for a este respeito, importa esclarecer do que falamos quando falamos de “formação”.

Será essa aposta a construção de infraestruturas de ponta, dotadas da mais avançada tecnologia? Isso já o Benfica faz, desde que criou o Centro de Estágio do Seixal. Será ela a composição de uma estrutura técnica competente, capaz de juntar aos conhecimentos genéricos a mística benfiquista? Isso também tem sido feito. Será a prospecção de talentos, o seu acolhimento, e o seu desenvolvimento desportivo e humano? O nosso clube é quem mais alimenta as selecções jovens. À pergunta se o Benfica aposta ou não na formação, a resposta só pode, pois, ser claramente afirmativa.

Outra coisa é o reflexo dessa aposta na equipa principal. Mas isso depende do talento individual, e não da escolha do treinador – que, obviamente, quer vencer. Pretenderíamos ver já Bernardo Silva no lugar de Enzo? Quereríamos Cavaleiro no lugar de Gaitán? Gostaríamos de ter Cancelo no lugar de Maxi? Pese embora o valor dos jovens em causa, e a esperança que neles depositamos, não me parece que fosse esse o caminho para os títulos que se exigem. E estes, caro leitor, são o objectivo último (eu diria mesmo único) de um clube como o nosso.

Custará a admitir, mas a verdade é que há muitos anos não sai da nossa formação alguém com capacidade para se fixar como titular indiscutível no onze principal (um Chalana…um Rui Costa…). Há uma crise de talento no futebol português em geral, fruto de circunstâncias várias, algumas delas extra desportivas (vejam-se os efeitos na Selecção A). Assim sendo, não me parece prudente impor jovens, apenas porque são jovens. Há, do outro lado da rua, quem tenha feito algo como isso. Mas nós não queremos lutar pelo terceiro lugar, pois não?

 

PLANTEL GLORIOSO


Em boa hora, o meu caro João Tomaz e o Fernando Arrobas levaram a cabo a iniciativa de promover a escolha dos melhores jogadores da história do Benfica.
O resultado é um livro – que aconselho vivamente -, onde 100 pessoas, de alguma forma ligadas ao benfiquismo, elegem 26 jogadores e 3 treinadores da sua preferência.
Tive a honra de ser um dos votantes, e devo dizer que as minhas opções pouco diferiram do plantel vencedor. Como se calcula, o exercício não foi fácil, pois, para nossa felicidade, da história centenária do Benfica constam muito mais do que 26 nomes merecedores de uma distinção como esta. Dos que escolhi, apenas Pietra, Vítor Paneira, Simão Sabrosa e Di Maria, não figuram na lista final. De entre estes, confesso que foi a ausência do extremo argentino a que maior estranheza me causou, por estar convencido de se tratar de um dos melhores - senão o melhor… - estrangeiros de sempre a vestir o Manto Sagrado. Democracia é democracia, e os escolhidos são também, todos eles, craques de primeiríssimo plano. Todos nos orgulham, e alimentam a nossa memória colectiva. E nem me atrevo a dizer, neste momento, quem deixaria de fora para colocar Di Maria, ou qualquer outra das minhas preferências pessoais.
Quanto a treinadores, tive menos dúvidas. Optei por Béla Guttman, pelo impressionante palmarés, por Eriksson, por ter revolucionado o futebol do Benfica na minha adolescência (nunca esquecerei a equipa de 82-83…), e por Jorge Jesus, por tê-lo feito nos anos mais recentes. Foi, de resto, este trio que venceu a votação, se bem que Otto Gloria, Jimmy Hagan e Toni também merecessem uma menção honrosa. Nem percebo a relativa polémica que a escolha de Jesus causou nalguns meios (mais externos do que internos): quem fere uma hegemonia de décadas do FC Porto, quem alcança todos os títulos nacionais numa temporada, quem chega a duas finais europeias consecutivas e coloca o clube no top 5 do ranking europeu, tudo com um futebol bonito e empolgante, entra claramente para a eternidade.

MAIORIDADE


Puxemos o filme atrás, até à pré-época, até às 6 derrotas nos 7 jogos de preparação que antecederam a Supertaça, e ao cepticismo com que muitos olhavam para a debandada de jogadores como Oblak, Garay, Siqueira, Markovic, André Gomes, Rodrigo ou Cardozo. Recordemos o que então se disse.

Depois de anos sucessivos em que um forte investimento na equipa escancarava as portas à esperança, o último Verão parecia deixar-nos uma amarga sensação de fim de festa: por motivos vários, o Benfica deixaria inevitavelmente a dianteira do panorama futebolístico nacional, devolvendo-a ao todo poderoso, e reinventado, FC Porto.

Confrontemos com a realidade actual. 11 vitórias em 13 jogos do Campeonato, 6 pontos de vantagem para o 2º classificado, e vitória categórica no reduto do principal adversário. Nem os mais optimistas julgariam possível tão eloquente desempenho. Mas ele aí está, e tem um nome: Jorge Jesus.

Se em épocas anteriores alguns argumentavam que o técnico do Benfica usufruíra de plantéis luxuosos, com os quais qualquer um seria capaz de brilhar (afirmação que, diga-se, está longe de corresponder à realidade do futebol moderno), nestes meses, com uma equipa desfalcada – além dos que saíram, também as lesões de Sílvio, Eliseu, Ruben Amorim, Fejsa, Jara e Sulejmani reduziram o lote de opções -, o que Jesus conseguiu é digno dos mais vivos encómios. E a vitória no Dragão (a sua 8ª sobre o FC Porto), alicerçada numa estratégia de jogo imaculada, apenas confirmou aquilo que se vai tornando evidente desde 2009: temos, neste momento, um dos melhores treinadores da história do Benfica.

O triunfo de domingo significou, também, o atingir de uma certa maioridade desta equipa, na qual poucos confiavam no início da temporada. Aqueles jogadores mostraram estofo, e garantiram-nos que podemos contar com eles.

Com um calendário desanuviado, com uma vantagem pontual confortável, a aposta no Bi-Campeonato terá, agora, de ser um desígnio de todos. Chegados aqui, não podemos deixar escapar este título. 

TRANSPARÊNCIA...OU BOAS-FÉS?


Defendo, há muito, a impossibilidade de clubes do mesmo escalão partilharem direitos sobre um mesmo jogador – seja a título de empréstimo, seja mediante qualquer outro enquadramento contratual.

Todavia, a regulamentação em vigor (ainda) não aponta nesse sentido, privilegiando os interesses dos atletas, e acreditando que a boa-fé proteja, por ela própria, o interesse do adepto pagante e a verdade desportiva.

Neste contexto, parece-me mais razoável que um ou outro jogador, num ou noutro jogo, se vejam impedidos de defrontar clubes com os quais têm ligação, do que fazê-lo, e, então sim, abrir espaço a todas as suspeitas – sobretudo se o seu desempenho não for o mais feliz.

Vivemos no país do Apito Dourado. Vivemos num país em que uma partida decisiva para a atribuição do título teve frente a frente aqueles que viriam a sagrar-se campeões, e o seu futuro treinador e alguns dos seus futuros jogadores. Vivemos num país em que certas exibições, de certos defesas ou guarda-redes, deixaram no ar um certo sentimento de estranheza, sempre que enfrentavam clubes com os quais se viriam a vincular pouco depois. Ainda me recordo, também, do caso Cadorin, e, mais remotamente, de um auto-golo de Manaca. Tudo isso deixou-me um irreversível sentimento de desconfiança no futebol português, e na grande maioria dos seus agentes. Por isso, quando se trata de futebol português, a boa-fé é uma treta.

O Benfica-Belenenses foi um jogo transparente. Não que, com a presença de M.Rosa e Deyverson, deixasse de o ser. Mas, nestas coisas, além de ser, é importante parecer. Quer se trate de um Benfica-Belenenses, de um P.Ferreira-FC Porto, de um Leixões-FC Porto, ou de um V.Guimarães-Sporting.

PS: No domingo a liderança estará em jogo. Não sendo uma partida decisiva trata-se, porém, de um momento importante para o futuro do campeonato. Espero que tudo decorra dentro da normalidade, e que não haja qualquer interferência externa ao normal desempenho dos jogadores. Assim, o Benfica ficará mais perto da vitória.

TUDO PELO TÍTULO!


Se, no início da temporada, o Campeonato já era apontado como o principal objectivo do nosso futebol, depois da eliminação europeia não resta nenhuma dúvida acerca de onde concentrar energias.

Não é a primeira vez que o Benfica sai cedo da cena internacional. Recordo que nem mesmo Eusébio e seus pares evitaram algumas eliminações prematuras, como por exemplo em 1964 ou em 1967 – anos em que os encarnados não resistiram à segunda eliminatória. Mais tarde, muitos se recordarão de um Aris de Salónica, de um FC Liegeois ou, pior ainda, de um Celta de Vigo. Nem só de glórias se escreve a história de qualquer grande clube.

A novidade é que, com duas finais, uma meia-final e dois quartos-de-final em cinco anos (que valeram o brilhante 5º lugar no ranking da UEFA), ficámos mal habituados. E esta época, tudo correu mal. Desde o sorteio, ao fatídico primeiro jogo em casa, seguido de uma arbitragem hostil na Alemanha, de pecados de concretização no Mónaco e na Rússia, e de resultados inesperados noutros jogos do nosso grupo – que levaram a que eventuais 7 pontos não cheguem, sequer, para sonhar com um 3º lugar.

O que lá vai, lá vai. Agora importa concentrar todas as forças naquilo que há para conquistar, e que é…quase tudo. Quem comanda isolado o Campeonato com 9 vitórias em 11 jogos, quem mantém as aspirações na Taça de Portugal e na Taça da Liga, e já guarda a Supertaça na bagagem, só pode estar confiante numa temporada triunfante.

O grito “nós só queremos Benfica campeão!” nunca fez mais sentido. É, de facto, esse o nosso desígnio. Há que fazer de cada jornada uma final, e disputar cada lance como se fosse o último. Com o regresso dos lesionados (Sílvio, Eliseu, Fejsa e Ruben Amorim), o lote de opções aumentará. E sem o desgaste europeu, a capacidade física da equipa poderá manter-se a top.

Não nos falta nada. Temos jogadores, treinador, estrutura envolvente, motivação, um mar vermelho de milhões a apoiar. E agora também um calendário desanuviado.

Em Maio, estaremos no Marquês.

24 x BENFICA


Já o fim-de-semana anterior havia sido gordo: mesmo sem futebol, as várias modalidades, de pavilhão e não só, nos sectores masculino e feminino, haviam contado por vitórias os jogos disputados. Depois, a meio da semana, o basquetebol deu-nos mais uma alegria, ao vencer brilhantemente na Finlândia, fazendo renascer a esperança de apuramento na Eurochallenge.

A série de vitórias continuou imparável no sábado e no domingo. Triunfos no futebol, no futebol de formação (Juniores, Juvenis e Iniciados), no hóquei em patins masculino (em França) e feminino, no basquetebol masculino e feminino, no futsal masculino e feminino, no andebol (dupla jornada europeia, com apuramento para a fase seguinte da Challenge Cup), e no voleibol (dupla jornada nacional, com vitórias amplas). Se considerarmos todos estes registos, o balanço daqueles nove dias poderá traduzir-se em algo como 24 jogos e 24 vitórias. Ou seja, uma semana em cheio. Uma semana à Benfica!

Destaque naturalmente para os sucessos europeus em três frentes (hóquei, basquete e andebol), esperando que a elas se possa juntar um bom resultado do futebol na bela cidade de São Petersburgo. O voleibol entrará em cena na próxima semana, completando a mão cheia de presenças internacionais de alto nível.

As classificações reflectem, naturalmente, esta onda triunfante . Lideramos em futebol, hóquei em patins (masculino e feminino) e futsal (masculino e feminino). Estamos bem perto (é uma questão de tempo, direi eu) no basquetebol e no voleibol. Caso tenhamos ganho ao Madeira, ascendemos ao segundo posto também no andebol.

Mais uma vez as nossas modalidades colocam-se em posição de escrever história. Mais adiante se verá, mas o caminho é este.

Já amanhã temos novos desafios. As nossas equipas sabem bem que camisola vestem. Há que manter as lideranças que conseguimos, e tomar de assalto as que ainda nos escapam. Com vigor, com alma e com paixão. Com milhões a apoiar. Para ganhar tudo!

Somos do Benfica, e isso nos envaidece.

O EVANGELHO SEGUNDO PEDRO

Pedro Proença foi o árbitro do Boavista-Benfica de 2002, que ditou a demissão de Toni, após uma actuação que o deu a conhecer ao grande público.
Foi o árbitro do penálti de Silva, em 2004, no primeiro dérbi que apitou, e onde também fez questão de deixar a sua marca.
Foi o árbitro do caso-Penafiel (penso que não será exagero chamar-lhe assim), em Maio de 2005, que por pouco não nos subtraiu o título dessa temporada.
Foi o árbitro que não viu um penálti tamanho do estádio, sobre Nuno Assis, em jogo com o Belenenses que terminou a zeros.
Foi o árbitro do penálti de Yebda, no Dragão, que então nos retirou da liderança do campeonato 2008-09.
Foi o árbitro que não viu a mão na área do bracarense Rodriguez, no jogo do título de 2010, que nos poderia ter custado caro.
Foi o árbitro do penálti de Emerson (…de costas) em Braga, que na altura nos impediu de vencer importante partida.
Foi o árbitro do golo de Maicon na Luz, que nos retirou o campeonato de 2011-12.
Foi o árbitro que expulsou Siqueira na última meia-final da Taça (com um primeiro cartão amarelo absurdo), obrigando o Benfica a um esforço épico para vencer o FC Porto.
Foi o árbitro do mais recente FC Porto-SC Braga, onde deixou um penálti por marcar aos 93 minutos na área portista.
Há mais de uma década que este indivíduo nos persegue, com uma panóplia variada de atropelos à verdade desportiva. Até na Taça da Liga nos prejudicou - na final com o Paços de Ferreira -, entre muitos outros jogos que seria fastidioso trazer para aqui.
Com a bênção da A.F.Porto, os abraços de Fernando Madureira, as festas na cabeça de Vítor Pereira ou Domingos Paciência, e as cunhas na UEFA, este homem foi escrevendo a história do futebol português pelo seu próprio sopro.
Diz agora que a arbitragem está um caos. Tem razão. Enquanto ele, Benquerença e outros “internacionais” cozinhados nos tempos do Apito Dourado por lá andarem, a regeneração é impossível.
Diz também que se vai embora. Ficamos a rezar para que assim seja. Dos relvados, e do futebol.

A MESMA CANTIGA


Há várias tendências que se repetem na história do futebol português das últimas décadas. As arbitragens protegerem o FC Porto nos momentos decisivos é uma delas. O Sporting queixar-se espalhafatosamente das mesmas, exacerbando pequenos prejuízos, e ignorando benefícios, é outra. Mas há uma terceira, verdadeiramente pavloviana, que se repete a cada campeonato que o Benfica lidera, mormente quando a distância para a concorrência começa a ter algum significado.
Sempre que tal acontece, surge um coro de comentadores e escribas mais ou menos encartados, mais ou menos assumidos, pouco ou nada isentos, a entoar uma música já muito batida: “o Benfica está a ser levado ao colo”. Foi assim em 2005, foi assim em 2010, foi assim a dada altura da temporada passada, pelo que não devemos, agora, ficar particularmente surpreendidos.
A melodia não tem graça, mas o concerto é afinado. Ora diz um, ora escreve outro, até fazer vingar a máxima de que uma mentira repetida muitas vezes pode transformar-se numa verdade.
Tomemos por exemplo a última jornada. No Estoril vi um penálti claríssimo ser perdoado ao FC Porto, ainda na primeira parte. Em Alvalade, vi um golo irregular ser bem anulado (sendo essa, por sinal, opinião partilhada por todo o painel de um programa da insuspeita Sport Tv). Na Choupana, o único erro que recordo foi um fora-de-jogo de centímetros mal assinalado, num lance que, estou em crer, Júlio César deteria. Poderia ainda lembrar a única derrota do Benfica nesta Liga, e uma grande penalidade claríssima sobre Gaitán, que ficou por assinalar na área bracarense. Mas, eles não se calam, nem irão calar-se enquanto o Benfica seguir na liderança.
Nós não nos deixamos impressionar. Mas confesso o meu receio de que árbitros e assistentes encarem as coisas de outro modo, e tendam a procurar dissipar o ruído da pior forma possível. No fundo, uma questão de coragem, ou de falta dela. E é preciso dizer que as minhas expectativas relativamente a essa gente também não são elevadas.

À MODA DA FIFA


As nomeações da FIFA valem o que valem. Estão, aliás, ao nível da própria instituição, presidida por uma personagem típica dos filmes série B, que por sua vez está ao nível da UEFA de Platini (outro que tal), o que expressa bem o panorama futebolístico internacional – aparentemente ainda mais desprezível do que aquele que vemos no nosso país, para mal dos pecados de uma modalidade que não tem culpa de ser tão sedutora para milhões de adeptos em todo o mundo.
Ainda assim, as injustiças cometidas não podem deixar de ser denunciadas. E a ausência de Jorge Jesus da lista de dez treinadores escolhidos para a eleição anual é uma delas.
Relembremos os nomeados: Ancelotti, Conte, Guardiola, Klinsmann, Low, Pellegrini, Sabella, Simeone, Mourinho e Van Gaal.
Não há dúvida de se tratar de um lote de elevado nível. Mas se as presenças de Ancelotti (campeão europeu), Low (campeão mundial), Simeone (campeão espanhol), Pellegrini (campeão inglês), Guardiola (campeão alemão) e Conte (campeão italiano) parecem pacíficas, já os restantes nomes não mostraram nada de relevo em 2014. Van Gaal, enfim, ainda chegou às meias-finais de um Mundial com a sua Holanda. Sabella foi levado até à final da mesma prova pelo talento individual que tinha à disposição. Mas Mourinho, nas várias competições em que a sua equipa esteve envolvida, nem a uma final chegou. E Klinsmann (o maior dos mistérios,) só alguns saberão tratar-se do seleccionador dos EUA - que passaram com honra, mas sem glória, pelo Mundial do Brasil.
Jorge Jesus, vencedor do Campeonato, da Taça de Portugal, da Taça da Liga, da Supertaça, e finalista da Liga Europa (onde foi derrotado por um árbitro alemão, e pela infelicidade nos penáltis), ficou esquecido.
Este tipo de prémio poderia até ser interessante. Peca, porém, pela obscuridade dos critérios. Serão os títulos? Seguramente não. Será a qualidade do futebol? Não parece. Será o mediatismo? Talvez. Questões relacionadas com patrocinadores? Provavelmente. A ser assim, é melhor não haver nada.

REAGIR!

Costuma dizer-se que ganhar e perder faz parte do desporto.
Poderá ser assim em muitos quadrantes onde existam provas desportivas, por este país e por esse mundo. Em modalidades várias, na alta, média ou baixa competição, em encontros de amigos ou de rivais, em quase tudo. Porém, quando se fala de Benfica, quando falo de Benfica, apenas admito um resultado: a vitória.
Um século de história gloriosa, e em particular o legado de Eusébio, ensinou-nos a ser assim. As últimas temporadas, em que a dupla Vieira-Jesus recolocou o Benfica no seu devido lugar, quer no panorama português, quer no panorama europeu, devolveram-nos também esse grau de exigência, que na transição do milénio quase havíamos hipotecado. Hoje, deixámos de conseguir encaixar uma derrota. E a de Braga doeu.
Independentemente de podermos felicitar os vencedores, de lhes devermos respeito dentro e fora dos campos, admitir uma derrota não pode jamais constar da nossa matriz identitária. Temos de exigir de nós próprios, e de todos no clube, uma espécie de revolta interior, que não permita olhar, nem por um segundo, para as derrotas como coisa natural. Para o Benfica, perder não é normal. Não pode ser normal.
Após uma pré-temporada complexa, e a meio de uma Liga dos Campeões pouco entusiasmante, a vantagem pontual com que o Benfica liderava a classificação do Campeonato (principal objectivo da época) era a almofada onde a família benfiquista repousava a sua confiança. Perder em Braga, naquele que era tido como o primeiro grande teste à equipa encarnada, representou um rude golpe nesse sentimento de confiança.
Hoje, há nova partida do campeonato. E na terça-feira joga-se o futuro europeu. O que se espera de todos é um grito de revolta face ao que aconteceu no Minho. A mesma revolta que os adeptos sentiram ao ver fugir três pontos, ao ver a vantagem classificativa reduzir-se à sua mínima expressão, ao ver os rivais directos recuperarem ânimo e tranquilidade, numa luta que não permite falhas, hiatos ou hesitações.

 

IMPRUDÊNCIAS

O futebol é um fenómeno popular, que mexe profundamente com as emoções daqueles que o seguem com maior fervor.
Milhões de almas percorrem quilómetros para estar perto das suas equipas gastando o que têm e o que não têm, sofrem a bom sofrer durante os jogos, e choram as derrotas como crianças, deixando de lado toda a racionalidade com que terão de enfrentar a segunda-feira seguinte.
São as emoções que fazem do futebol aquilo que ele é, que fazem crescer os clubes, e lhes dão dimensão social, humana, e também económica. São elas o cimento de todo o edifício futebolístico, por mais que uma certa empresarialização dos tempos modernos possa induzir o contrário. Sem elas, o futebol não teria nada de interessante.
Nem sempre os agentes deste desporto transformado em indústria têm em atenção essa realidade, permitindo descuidadamente que cumplicidades profissionais e pessoais se sobreponham ao respeito devido àqueles que os idolatram. Terá sido o que aconteceu com o nosso Ruben Amorim, ao deixar-se fotografar junto de figuras muito pouco recomendáveis.
Não é justo crucificar um atleta que sempre demonstrou a maior dedicação e profissionalismo ao serviço do clube do qual também é sócio e adepto, tal como nós. O próprio Ruben de pronto se arrependeu da imprudência - que feriu o sentimento de muitos benfiquistas.
Ruben explicou, perdoámos, assunto encerrado. Mas fica o ensinamento para ele, e para todos os jogadores, técnicos, dirigentes e profissionais ao serviço do clube: há situações que de um ponto de vista meramente racional são inócuas, mas para as quais a emoção do adepto não está, nem tem de estar, preparada.
Paralelamente, importa também reflectir sobre os motivos que levam um árbitro internacional a uma proximidade tão ostensiva a um líder de uma claque – que, em livro, confessou ao país várias práticas criminosas. Aí, não se trata de emoções nem de razão, mas sim de transparência. Mas, ao contrário de Ruben, de Proença não espero nada, a não ser a sua rápida aposentação. 

 

A VERMELHO

1-Um fim-de-semana, seis vitórias, dois troféus. Foi este o pecúlio das nossas modalidades mais representativas, cingindo-nos apenas aos escalões seniores masculinos.
O Voleibol e o Basquetebol entraram na nova temporada da mesma forma que haviam saído da anterior: a ganhar, e a festejar conquistas (neste caso, Supertaça e Troféu António Pratas). O Andebol, o Hóquei em Patins e o Futsal também venceram folgadamente os seus jogos, todos eles disputados fora de casa.
Nada de novo aqui. Mais um fim-de-semana à Benfica.
2-Amanhã começa a defesa da Taça de Portugal, brilhantemente conquistada em Maio passado no Estádio do Jamor. O adversário é do segundo escalão, mas nestas ocasiões o favoritismo tem de ser confirmado dentro do campo. A partida europeia da quarta-feira seguinte pode condicionar o “onze” a apresentar na Covilhã, mas não pode, em caso algum, reduzir a concentração competitiva daqueles que entrarem em campo. Até porque teremos pela frente um conjunto de profissionais empenhados em fazer a exibição (e o resultado) de uma vida.
3-Até agora, a Liga dos Campeões não nos tem corrido de feição. Eis uma boa oportunidade, no Mónaco, para inverter a sequência, alcançando um resultado que nos recoloque na luta pelo apuramento. Conseguindo a vitória, ficaríamos a apenas um ponto do segundo lugar, com três jornadas por disputar, duas delas em casa. Tudo ainda é possível neste grupo. Eu acredito!
4-Ainda há poucas semanas o mercado de transferências encerrou, e já os jornais nos intoxicam com especulações acerca daquilo que pode suceder em Janeiro. Para eles, as competições futebolísticas parecem ser apenas um interregno nas negociatas que lhes interessa fomentar, e que utilizam como incremento de vendas. Não sei bem se escrever, em Outubro, que determinado jogador pode sair, ou entrar, em Janeiro, ajuda assim tanto a vender papel. Eventualmente ajudará noutros planos, e junto de outros intervenientes. Como leitor dispenso. Como adepto do futebol, abomino.

O MESTRE

Di Maria, Ramires, David Luiz, Coentrão, Witsel, Javi, Matic, Oblak, Garay, Siqueira, Markovic, André Gomes, Rodrigo e Cardozo. Estes são os jogadores que o Benfica foi perdendo desde 2010, com os quais terá encaixado uma verba global próxima dos 250 milhões de euros (na maioria dos casos, fruto de uma valorização exponencial). Ao longo deste período, houve que refazer a equipa - ora parcial, ora quase totalmente, como neste último verão.
Os resultados foram: 2 Campeonatos, 1 Taça, 4 Taças da Liga, 1 Supertaça, 2 finais europeias, 5º lugar no ranking da UEFA, 4 apuramentos directos para a Champions, e apenas 3 derrotas nos últimos 70 jogos da Liga. Não fora um auxiliar de Proença em 2012, e uma profunda falta de sorte em 2013, e o Benfica seria tri-campeão. É “apenas” campeão, mas desde os anos 80 que não evidenciava tamanha competitividade em épocas sucessivas. E sem 6 titulares do “Triplete”, aí estamos nós, novamente na liderança, com 4 pontos de vantagem.
A estes números, podemos acrescentar um futebol exuberante, ofensivo e goleador, capaz de empolgar as exigentes bancadas da Luz.
Olhamos para o Benfica de Jorge Jesus, e para o Benfica anterior, e a diferença é abissal. Se Vieira trouxe a revolução institucional que resgatou o Benfica dos seus piores anos, Jesus somou a componente desportiva de que o nosso futebol carecia.
Pode mascar pastilhas elásticas, e dar pontapés na gramática. Pode até ser indelicado para alguns jornalistas mal habituados. Mas poucos no mundo perceberão de futebol como ele.
Segue as suas convicções, e não as pressões que pedem A por ser português, B por ser da formação, ou C por ter olhos azuis. Diz as verdades, mesmo quando nos custa ouvir que a Champions não pode ser objectivo imediato. E, mantendo uma equipa disciplinada, determinada e confiante, ganha jogos. Muitos jogos.
“Forever” é palavra perigosa. Mas, enquanto benfiquista, dormiria descansado com a garantia de que a dupla Vieira-Jesus se mantinha no Benfica, pelo menos, mais uma década.

IMPUNIDADE

Não confio na justiça.
Não necessariamente nos profissionais que a compõem, mas no sistema em si, que parece feito de encomenda para garantir impunidade à alta corrupção, e ao crime mais requintado.
Manobras dilatórias, incidentes processuais, recursos, contra-recursos, aclarações, nulidades, adiamentos, prescrições, e afins, constituem o labiríntico dicionário jurídico com que a verdade se confronta, ficando esta quase sempre a perder.
Não esperava, pois, que dos tribunais comuns resultasse nada de substantivo relativamente ao processo Apito Dourado, assim como não o espero de outros processos de grande dimensão e mediatismo – com as excepções que a regra normalmente concede.
Mas uma coisa é perceber, com maior ou menor resignação, que o ultra-garantismo do sistema judicial português promove a impunidade, outra, bem diferente, é dele inferir inocências que só por má fé, ou insulto, poderão ser alegadas. E é isso que tem sido feito, quer por agentes desportivos (nomeadamente os órgãos de justiça desportiva), quer por alguns comentadores, a propósito da absolvição de Pinto da Costa.
Todos sabem que só um mero artefacto, que considerou nulo o principal meio de prova, permitiu que o processo Apito Dourado tivesse um desfecho à revelia da verdade dos factos. Mas a justiça desportiva ignorou essa evidência, enveredando por um caminho de desresponsabilização e facilitismo, que, infelizmente, também não surpreende. Daí a lermos e ouvirmos comentários alarves, defendendo a candura do presidente do FC Porto, e pretendendo tomar-nos por idiotas, foi um pequeno passo.
Porém, as escutas existem. E tal como a Galileu, ninguém nos demoverá de as evocar, pelo menos enquanto muitos dos seus protagonistas continuarem por aí, a poluir o nosso futebol.
Já sofremos o suficiente com décadas de corrupção e falseamento de resultados desportivos pelas mais diversas vias. Não temos também de ficar condenados ao silêncio, perante uma verdade que foi ouvida, de viva voz, por quem a quis ouvir.