MÚSICA DE FUNDO

Sem querer viajar até ao tempo dos penáltis à Jardel, e ignorando as incidências do empate de Setembro em Alvalade, as três únicas derrotas do Benfica ante o Sporting em oito anos, tiveram, todas elas, um ponto em comum: ficou sempre um penálti por marcar a nosso favor. Foi assim em 2008, com Jorge Sousa (3-5); foi assim em 2009, com Olegário Benquerença (2-3); e a história repetiu-se em 2012, com Artur Soares Dias (0-1). No primeiro caso ficou por sancionar um derrube a Luisão, no segundo um agarrão a Aimar, e no terceiro uma rasteira a Gaitán. Não obstante tudo isto, o nosso vizinho continua a vitimizar-se, à medida que as vitórias benfiquistas se vão sucedendo. Já não há dérbi que não venha acompanhado da habitual música dos dias seguintes - salvo quando o Sporting ganha, o que apenas aconteceu nas ocasiões mencionadas. Nessas, não houve “música”. Houve festa, do lado de lá, resignação do lado de cá, e silêncio generalizado nos media. Quando somos nós a vencer, pelo contrário, é o que se vê, e o que se ouve. A Taça da Liga de 2009 foi talvez o momento mais ilustrativo desta realidade. Um só lance, um só erro (que na altura permitiu apenas o empate), e logo um escândalo de que ainda hoje falam com a indignação de uma virgem ofendida. Os factos remetem-nos para um simples penálti mal assinalado. A lenda, para um roubo premeditado e aparatoso que subtraiu um troféu às vitrinas de Alvalade. Na época passada…mais do mesmo. Uma arbitragem que não marcou faltas a ninguém, em nenhum local do campo, foi o que bastou para descobrirem 2, 3, ou 4 penáltis, mais todos os que fossem necessários para justificar nova derrota. Com triunfo benfiquista, o último dérbi não poderia escapar ao folclore. No estádio ninguém viu nada. Algumas horas mais tarde, a narrativa estava já composta, com o ruído do costume. Passado tanto tempo, ainda perdura. As arbitragens portuguesas têm muito que se lhes diga. Mas para o Sporting, aconteça o que acontecer, se o Benfica ganha, a culpa é do árbitro.

SINAL DOS TEMPOS

Terminado o Dérbi do passado sábado, notava-se, entre os benfiquistas, um sentimento bastante contido de satisfação. Ou eram as bolas paradas – um problema a resolver -, ou era a recuperação consentida na segunda parte, ou era a fracassada expectativa de goleada que (confessem lá...) todos tínhamos ao intervalo, a verdade é que, descontada a beleza do espectáculo, ganhar ao Sporting de forma tão apertada já não nos deixa propriamente eufóricos, mas tão só com a sensação de dever cumprido. Paradoxalmente, do lado de lá, notava-se uma atmosfera bem positiva, de onde se depreendia um certo alívio por perderem por poucos (depois dos tais 3-1 ao intervalo), e até algum regozijo pela capacidade de discutirem o jogo até final. Aliás, já da recente derrota diante do FC Porto a generalidade dos sportinguistas havia saído de peito feito, como se estas vitórias morais (?) tivessem o condão de lhes devolver o estatuto de outrora. Diga-se que, entre estes dois estados de espírito, nem tudo é a preto e branco, ou, para ser mais exacto, a vermelho e verde. Vencer o Sporting, depois de uma roleta de emoções tão vibrante e arrebatadora, não pode deixar de nos encher a alma. É verdade que poderíamos ter goleado, é verdade que aquele golo ao minuto 92 nos fez reviver fantasmas de um passado recente, mas, caramba, ganhámos! E ganhámos bem, depois de uma grande partida de futebol, durante a qual fomos sempre superiores. Para o rival, contente ou não com isso, fica apenas mais uma derrota. A 11ª nos últimos 15 Dérbis. Compreende-se o esforço – e louve-se a eficácia - do seu aparelho de comunicação para não deixar estoirar o balão da euforia (semelhante ao que, não há muito tempo, encheu Domingos Paciência), procurando álibis na arbitragem. Mas não é preciso ter memória de elefante para recordar o jogo de Alvalade, já nesta mesma época, ou, indo um pouco mais atrás, um tristemente célebre empate a dois, na velha Luz, com este mesmo árbitro. Portanto, esta já tradicional gritaria não nos vai comover.

DO PAVILHÃO AOS RELVADOS

1. No passado sábado, a nossa equipa de Hóquei em Patins viveu mais um momento histórico, ao vencer, pela segunda vez, a Taça Continental. Em pouco mais de três anos, o hóquei encarnado conquistou oito troféus, quatro deles internacionais. A jóia da coroa foi, naturalmente, o triunfo no Dragão, que valeu uma inédita Liga dos Campeões, à qual a comunicação social nunca chegou a dar o devido destaque, preferindo então explorar até à náusea o alegado caso-Cardozo, ocorrido uma semana antes - sinal de uma confrangedora cultura desportiva, e de um sistema mediático que prefere remexer no lixo do que brindar a glória. Agora, perante os nossos olhos, com nota artística elevada e números eloquentes, o Benfica voltou a festejar, e a mostrar que, com arbitragens isentas, é uma das melhores equipas do mundo na modalidade. Apenas um pequeno reparo: é pena que a estas grandes conquistas não tenha ficado associada a tradicional camisola vermelha. As fotos ficariam muito mais bonitas. 2. Escrevo antes do jogo de Atenas. Espero que tudo tenha corrido bem, e, pelo menos, estejamos em posição de discutir o apuramento nas duas jornadas que restam. Como diz Jorge Jesus, na Champions, em qualquer partida, estamos sempre tão perto de ganhar como de perder. Uma vitória seria o ideal, mas um empate pode não ser totalmente negativo. A esta hora, o leitor já saberá. 3. Amanhã disputa-se mais um “Dérbi” lisboeta, prato sempre apetecível para os adeptos do futebol. Jogando em casa, teremos de assumir o favoritismo, embora sabendo que, neste tipo de jogo, a surpresa pode esperar-nos ao virar de qualquer esquina. Afinal de contas, Taça é Taça, e ainda em Maio passado nos confrontámos com essa verdade inelutável. A época futebolística não nos tem corrido de feição. O nosso rival, pelo contrário, está em alta. Juntando as situações, temos uma igualdade pontual na tabela classificativa. Agora, um dos dois terá necessariamente de ficar de fora. É altura de puxarmos dos galões, e mostrarmos quem é o melhor.

UM PRESIDENTE PARA A HISTÓRIA

Comemorámos, na passada semana, o décimo aniversário do nosso belo estádio. À sua construção não pode deixar de estar associado o nome de Luís Filipe Vieira - que dias depois tomou posse como Presidente do Benfica, transformando-o de alto a baixo, e erguendo-o até a um grau compatível com o seu glorioso passado. Terão faltado apenas mais um ou dois campeonatos de futebol para que Vieira fosse hoje unanimemente considerado o melhor presidente de sempre deste Clube. Faltou, por exemplo, que em Maio passado um remate de um tipo de crista tivesse embatido no poste, em vez de entrar na baliza de Artur. Faltou que, na temporada anterior, um fiscal-de-linha pouco atento tivesse visto um fora-de-jogo de Maicon, no lance que decidiu o título. Em suma, faltou sorte numas ocasiões, e verdade desportiva noutras, para alcançarmos os títulos que o trabalho realizado tanto justificava. São contingências, às quais não podemos também subtrair o facto de, ao longo desta década, termos enfrentado o mais forte rival de toda a nossa história. Em dez anos, o FC Porto conquistou três taças europeias, e nos últimos cem jogos de campeonato registou apenas uma derrota. Tem sido um opositor feroz, que, além de uma inegável capacidade desportiva, nunca hesitou em utilizar meios ilícitos para conseguir o que queria. É contra ele que nos temos batido, e, ainda assim, equilibrado os pratos de uma balança que em 2003 apresentava um claríssimo défice. Campeonatos à parte, seria fastidioso enunciar toda a obra de Luís Filipe Vieira. Do Estádio ao Centro de Estágio, da Benfica TV ao Museu, dos títulos nacionais e europeus nas modalidades ao sexto lugar no ranking da UEFA, do investimento na Formação ao incremento do número de sócios. Mas aquilo que, enquanto benfiquista, mais lhe agradeço, é ter-nos permitido voltar a acreditar no futuro. Em 2003, vencer era uma utopia. Hoje, ganhar ou perder depende de pequenos detalhes, e a nossa memória tem de ser suficientemente ampla para reconhecer a diferença.

A NOSSA CASA

Celebra-se hoje o décimo aniversário do nosso belo e grandioso Estádio. É o maior do país, já conquistou a sua identidade própria, sem deixar de honrar a memória da velha Luz, e terá, em Maio próximo, a prenda que merece: o jogo mais importante do ano em competições de clubes. Pois é. Já lá vai uma década desde o dia em que aquilo que parecia impossível se tornou realidade aos nossos olhos. Ao longo destes dez anos, muitos foram perdendo a memória desse tempo. É natural, e muito bom sinal que assim seja. Efectivamente, o Benfica de hoje nada tem a ver com aquele que Manuel Vilarinho e Luís Filipe Vieira herdaram. Em 2003, estávamos em convalescença da mais grave doença de que padecemos num século inteiro de história. As inúmeras fragilidades que o nosso Clube revelava pareciam impedir-nos até de sonhar. Os que, como eu, ainda se recordam desses momentos, lembram-se também de quase se beliscarem para acreditar que, contra ventos e marés, contra o cepticismo e a angústia, tinham por diante uma obra capaz de tão bem emoldurar a nossa paixão. Nesta década, muitos foram os momentos de glória ali vividos. Poderíamos evocar o triunfo sobre o Sporting, em 2005, que praticamente valeu esse Campeonato; também a vitória sobre o Rio Ave em 2010, que lançou o país em festa; para além de grandiosas jornadas europeias, entre as quais dois Quartos-de-Final da Champions League, e duas Meias-Finais da Liga Europa (a última das quais selada com o acesso à Final). Grandes nomes do futebol mundial pisaram aquele relvado. Messi, todos os Ronaldos, Ibrahimovic, Iniesta, Zidane, Maldini, Pirlo, Kaká, Rooney, Robben, Del Piero ou Van Persie são apenas alguns. Do nosso lado, tivemos Di Maria, Aimar, Fábio Coentrão, Rui Costa, David Luíz, Ramires, Javi Garcia, Witsel, Miccoli, Nuno Gomes e Simão, para referir apenas figuras que já não constam do plantel actual. Mais décadas se seguirão. Mais vitórias também. Por tudo aquilo que representa, a Nova Catedral é um marco indelével na história do Benfica.

A NOSSA CHAMPIONS

Depois de uma eliminatória da Taça de Portugal diante do Cinfães, que se prevê tão tranquila quanto festiva, regressa, já na próxima semana, a sumptuosa Champions League, com todo o seu encanto, e grau de dificuldade máximo. Com uma vitória em casa, e uma derrota fora, pode dizer-se que o Benfica está perfeitamente dentro dos carris do apuramento, sendo provável que os próximos dois jogos, diante do Olympiacos, venham a determinar quem acompanha o PSG rumo à fase seguinte da competição. Ou seja, uma vitória na Luz frente aos gregos afigura-se fundamental nesta corrida, pois qualquer outro resultado, mesmo não nos eliminando sumariamente, deixará contas demasiado complicadas por fazer. Muito se tem discutido a hipótese de o nosso clube apostar mais ou menos na competição, e ter mais ou menos possibilidades de atingir a respectiva Final. Muitas vozes extrapolaram palavras do nosso Presidente, subvertendo-as, e transformando um sonho legítimo e saudável, numa exigência que jamais foi feita aos jogadores ou ao técnico. Há que dizer, com toda a clareza, que chegar à Final da Champions, no contexto actual do futebol português e europeu, pode obviamente ser um sonho (quem não o tem?), mas não poderá constituir um objectivo concreto, e muito menos uma exigência. As diferenças de orçamento face a “tubarões” como Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Chelsea, Juventus, Dortmund ou Bayern de Munique não deixam margem para grandes expectativas, seja onde for que se dispute a última partida da prova. O objectivo do Benfica para a Liga dos Campeões terá de ser, por enquanto, a passagem à fase seguinte. Isso sim, está de acordo com o poder financeiro e desportivo de que dispomos. Em termos realistas, as nossas exigências não deverão ir muito mais além, e o que vier a mais, bem-vindo será. É com esta humildade que devemos enfrentar os difíceis adversários que temos pela frente. E é com esta atitude que podemos, eventualmente, vir a superar aquilo que neste momento é expectável.

UM PRIMEIRO OLHAR

A pausa nas competições de clubes deixa espaço para uma primeira reflexão acerca do início da temporada futebolística da nossa equipa. Há que começar por dizer, sem subterfúgios, que o rendimento atingido tem estado aquém do esperado. E várias podem ser as explicações para tal. Em primeiro lugar, embora o mercado não nos tenha retirado nenhuma das principais figuras do onze, houve necessidade de integrar novos reforços, grande parte dos quais jovens com vincada qualidade, mas naturalmente sem identificação com os processos da equipa. Markovic, por exemplo, tem um talento que ninguém discutirá, mas que ainda não foi possível adaptar plenamente ao modelo de jogo encarnado. Djuricic será outro caso, ao qual as mesmas palavras poderiam encaixar na perfeição. E a articulação entre Fejsa e Matic está ainda longe de ser uma aposta ganha. As lesões de Gaitán, e sobretudo de Sálvio, obrigaram a apressar alguns destes processos, impondo indesejadas experiências em plena competição. Não podemos também ignorar o calendário que tivemos pela frente neste mês e meio. Deslocações à Madeira, Alvalade, Guimarães e Estoril, em apenas sete jornadas, eram algo que, à partida, seria sempre de impor respeito. Desses jogos, vencemos dois, empatamos um, e perdemos o outro. Não é um bom registo, mas está longe de ser uma catástrofe – e o pior resultado terá mesmo sido o empate caseiro com o Belenenses. Era também natural que, depois de um fim de temporada decepcionante, os níveis de confiança dos jogadores se ressentissem. Nova derrota a começar o Campeonato foi, nessa medida, o que de pior podia ter acontecido. Last but not least, as arbitragens têm tido, uma vez mais, um papel determinante. Cinco pontos surripiados não são coisa pouca, e não podem, de modo algum, deixar de figurar em qualquer ponderação deste tipo. Agora vamos olhar para a frente, e, unidos, serenos e determinados, recuperar à Benfica, partindo para uma época que nos devolva os sucessos que a infelicidade roubou há poucos meses atrás.

COROAS E CARAS

O passado fim-de-semana poderia ser evocado, simultaneamente, como paradigma do que de melhor e de pior tem para oferecer o desporto nacional. Do lado positivo, é de sublinhar o triunfo de Rui Costa em Florença, colocando-o na esteira de Agostinho como figura cimeira da nossa velocipedia. Quando, em 2008, saiu do Benfica para abraçar uma carreira internacional, poucos imaginariam que chegasse tão longe. Hoje é Campeão do Mundo com todo o mérito. Também João Sousa brilhou além-fronteiras, com uma conquista inédita para o Ténis luso. Ambos simbolizam o que de melhor existe neste país desportivo. Lamentavelmente, o futebol intra-muros não podia oferecer uma imagem mais contrastante com a que nos chega de tão cintilantes palcos. Arbitragens miseráveis, resultados falseados, anti-jogo, e uma terrível sensação de déjà-vu. É verdade que o Benfica, frente ao Belenenses, não esteve ao seu melhor nível. Mas o FC Porto, no seu compromisso doméstico, também não. A diferença é simples: nós vimos um fiscal-de-linha oferecer um golo ao adversário, enquanto o nosso rival nortenho viu Pedro Proença regalar-lhe uma grande penalidade providencial. Contas feitas, temos, à 6ª jornada, dois penáltis por marcar sobre Lima (no Funchal e em Guimarães), um sobre Cardozo (em Alvalade), e sofremos dois golos irregulares (em Alvalade e frente ao Belenenses). O FC Porto, por seu turno, venceu o V.Guimarães com um penálti inexistente (coisa que já ocorrera em Setúbal), e o P.Ferreira com um golo ilegal. Ao Benfica, os homens de negro subtraíram 5 pontos. Ao FC Porto acrescentaram 4 - já descontado um penálti da Amoreira. Tudo somado, eis uma enorme mentira na tabela classificativa. Também não posso deixar passar a pouco edificante atitude desportiva do Belenenses ao longo da partida da Luz, que de forma alguma homenageou o seu convalescente treinador. Tácticas defensivas são legítimas. Simulações e constante queima de tempo são “chico-espertices” que só a falta de categoria dos árbitros tornam possíveis.

PASSOS DE FONSECA

Em mais de trinta anos, poucos foram os treinadores do FC Porto que não se ajoelharam cobardemente aos ditames da casa, ou seja, à cultura guerrilheira e terrorista de Pinto da Costa e seus capangas. Assim de repente, recordo apenas Fernando Santos e Bobby Robson (ambos vencedores, diga-se), como excepções a uma regra que vergou dezenas de nomes, outrora mais ou menos prestigiados, e depois mais ou menos triturados por uma máquina capaz de enxovalhar a honra de qualquer incauto. Na última primavera, Paulo Fonseca usava orgulhosamente o boné do Paços de Ferreira, equipa sensação do Campeonato. Disputava-se a última jornada, e o FC Porto necessitava de vencer na casa do terceiro classificado, tarefa que, num país normal, não se afiguraria fácil. Estamos em Portugal, e, obviamente, não houve surpresas. Poucos dias depois, o homem aparecia sorridente ao lado do presidente portista, assinando o contrato que fazia dele substituto do treinador campeão. Desconheço se o resultado de tal jogo estava ou não contemplado no prémio de assinatura. Mas não esqueço as notícias de abordagens pouco inocentes a jogadores do Paços na semana anterior à partida, diligentemente desmentidas por…Paulo Fonseca. Daí para cá, jogadores do Paços para o Porto, do Porto para o Paços, do Paços para destinos simpáticos encontrados por empresários amigos, estádios emprestados para compromissos europeus, jogos nacionais em Felgueiras, e o total strip-tease de um clube outrora merecedor de algum respeito por parte dos adeptos do futebol digno. Têm o que merecem: sete derrotas consecutivas. Quanto a Fonseca, ao mínimo tropeção deixou cair o boné. Ora aí está ele, esquecido de onde veio, e porque veio, rosnando à voz do dono contra as arbitragens – que, em pouco tempo, já na nova cadeira, lhe haviam dado um penálti duvidoso em Setúbal, e um golo irregular em…Felgueiras. Ou me engano muito, ou um dia também ele terá o que merece: um qualquer Al-Ahly, onde o dinheiro cale o passado, e pague o esquecimento.

SOMBRAS E NEVOEIRO

1.Em Guimarães, neste domingo, o Benfica tem oportunidade de calar de vez todas as vozes que, ao primeiro percalço, logo se apressaram a antecipar o abismo. Ironicamente, teremos pela frente o mesmo adversário que, no último mês de Maio, nos lançou na amargura, abrindo espaço a todas as especulações e censuras – que foram alimentando um defeso jornalístico marcado pela ausência de grandes competições, e logo, de assuntos com que vender papel. Passados alguns meses, Jorge Jesus continua a treinar o Benfica, Cardozo continua na frente de ataque da equipa, nenhum dos titulares saiu, e recebemos vários reforços de nível internacional. Começámos mal o Campeonato, mas, se exceptuarmos a tristonha derrota no Funchal, tudo o resto se tem passado dentro da maior normalidade: duas vitórias nos dois jogos em casa, e empate no “Dérbi” de Alvalade perante um revigorado Sporting. Um triunfo em Guimarães poderá fechar de vez o ciclo, e recolocar o Benfica no rumo competitivo que, em finais de Abril, tanto nos empolgava. 2.Trata-se de uma velha estratégia: colar-nos à boca coisas que não dissemos, e utilizá-las depois como arma de arremesso. Recordo Vítor Pereira quando, há duas épocas, tanto falou de faixas, tendo sido ele próprio a encomendá-las, semanas antes, para um silencioso e prudente Benfica. O presidente Luís Filipe Vieira manifestou o sonho, legítimo, de ver o Benfica chegar à final da Champions League marcada para o Estádio da Luz. Daí até ter ouvido um comentador televisivo afirmar, abusivamente, que a fasquia do Benfica para a presente temporada era a vitória na Champions, foi um pequeno passo de mágica, e de mistificação. Percebe-se a intenção, mas não cola. Estamos sobejamente habituados. 3.Caso Cristiano Ronaldo se sagre melhor marcador do próximo Mundial no Brasil – …e oxalá o consiga -, poderemos então discutir se atinge, ou não, o estatuto de Eusébio. Até tal acontecer, contas bancárias à parte, continua a existir apenas um Rei, e, quando muito, um príncipe herdeiro.

MAIS DO MESMO

Seria preciso recuar até 2004 para encontrarmos uma vitória do Benfica em jogo de abertura do Campeonato. Daí para cá, pese embora algumas pré-temporadas bastante prometedoras, entrámos invariavelmente com o pé esquerdo – mesmo em 2009, quando, meses depois, viríamos a conquistar o título. Ao longo destes anos, nessas partidas iniciais, sofremos muitas vezes os efeitos de arbitragens habilidosas, mas também nos deparámos, com demasiada frequência, com jogadores ainda de chinelos e toalha de praia aos ombros, esperando que as camisolas do Benfica fossem suficientes para garantir os pontos. Pode dizer-se que no jogo da Madeira as duas situações se cruzaram, pelo que o resultado acaba por nem surpreender. Um penálti sobre Lima, nos instantes finais da partida, poderia ter-nos poupado à derrota. Mas a indolência revelada pela equipa durante longos minutos também nos deixou distantes da vitória. O valor do adversário fez o resto, cumprindo-se, pois, a negra tradição. Não acredito em gatos pretos, nem em gatos brancos, pelo que tento sempre encontrar uma razão para tudo. E, neste caso, talvez o calendário das competições ajude a explicar alguma coisa. Com o mercado em aberto, com jogadores a sair e a entrar, e muitos debaixo da ombreira da porta, é impossível manter uma equipa concentrada a cem por cento. A qualquer pessoa de bom senso parece absurdo iniciar um Campeonato nestas circunstâncias, e se os poderes internacionais insistem em colocar o Futebol ao serviço dos interesses parasitários de uns quantos agentes, a Liga Portuguesa, caso quisesse, teria um bom remédio: começar o Campeonato em Setembro, reservando o mês de Agosto, por exemplo, para a Taça da Liga. O que é certo é que ninguém dá o primeiro passo nesse sentido, e o Benfica parece sentir particular dificuldade em lidar com esta situação. Até porque outros, quando a sentem, têm uma mão protectora a impedi-los de cair – bastando lembrar os penáltis que deram ao FC Porto 3 vitórias nos últimos 4 começos de época.

FACES POUCO OCULTAS

O Campeonato só agora vai começar, mas há já muito que os nossos adversários o preparam a seu jeito. Não falo de jogadores e técnicos de outros clubes, nem mesmo daqueles que estavam (ou deveriam estar) de um lado no jogo decisivo da última jornada da época passada, e estão agora confortavelmente instalados na cadeira do lado oposto. Falo antes de todo um vasto “plantel” de tribunos que, com mais ou menos oratória, com mais ou menos verborreia, insistem em falar do que não sabem, escrever sobre o que não conhecem, sempre com o fim, mais ou menos explícito, de perturbar a estabilidade do nosso Clube. Ao fim e ao cabo, os mesmos que durante anos silenciaram tudo o que - então sim - sabiam acerca dos escândalos que as escutas do processo “Apito Dourado” deixaram a nu. Desde a Final da Taça de Portugal que não param de especular. Logo nessa tarde, e nos dias que a seguiram, o veredicto foi lançado: ou Jesus, ou Cardozo! Primeiro, tentaram empurrar o nosso treinador para a porta da saída. “Não ganhou nada”, diziam, omitindo alguns dos motivos pelos quais não venceu, e esquecendo toda a valorização desportiva e financeira que implementou na equipa encarnada – que a levou, por exemplo, a um brilhante sexto lugar do ranking da UEFA. Consumada a renovação de Jorge Jesus, os focos desestabilizadores viraram-se para Tacuára. Na impossibilidade de se verem livres do técnico que relançou o Benfica para a discussão de todos os títulos, tentaram então ver-se livres daquele que é o melhor goleador benfiquista deste século. E, ao verem-no desculpar-se perante as câmaras de televisão, o desespero lançou-os numa última empreitada, a de descredibilizar esse pedido de desculpas (claro que induzido pelo Clube, ou alguém esperaria outra coisa?). É fácil percebê-los. É fácil entender porque motivo querem Jesus e Cardozo longe da Luz. Mas não podemos deixar que nos enganem. O Benfica é dirigido desde dentro, e jamais andará a reboque de comentadores televisivos ou jornalistas de duvidosa isenção.

NOVES FORA NADA

Por maior que seja o prestígio que vai granjeando, por mais pesado que seja o nome que carrega, a Eusébio Cup não deixa de ser um troféu particular, e uma ocasião para preparar as competições que se avizinham - essas sim, a doer. Obviamente, é melhor ganhá-la do que perdê-la. Mas não será menos óbvio que uma derrota nesta altura traz com ela a virtude de ajudar a perceber aquilo de que a equipa necessita, expondo uma ou outra fragilidade a tempo de ser corrigida. Nessa medida, a derrota diante do São Paulo terá até sido útil. Ficaram por exemplo patentes algumas dificuldades na finalização, e alguma falta de peso perto da área adversária. Isso levou a que uma parte dos adeptos se lembrasse de quem não estava em campo. Já aqui escrevi sobre o caso-Cardozo. Já lembrei que, nem eu, nem qualquer outra pessoa fora da estrutura do nosso futebol, tem condições para avaliar devidamente o problema, e muito menos a forma de o solucionar. Enquanto adepto, gostava que Tacuára continuasse a marcar golos no Benfica. Acho que o seu valor de mercado é substancialmente inferior à importância que tem na equipa, e até na própria história do Clube. Temo, porém, que o equilíbrio entre a sua condenável atitude no Jamor, e a necessária preservação da saúde do balneário, possa sugerir outro tipo de decisão. Uma coisa é certa: chame-se Óscar ou não, o Benfica precisa de um “Cardozo”. E tem pouco tempo para o encontrar. Pontas-de-lança eficazes são uma espécie rara, e por isso tão valorizada. Tivéssemos por cá um Lewandowski, ou um Cavani, e a coisa resolvia-se. À nossa medida, Cardozo é um jogador com características incomuns, quer no último toque, quer na capacidade física com que aguenta a pressão dos centrais adversários. Todo o modelo de jogo encarnado assenta num finalizador com aquelas especificidades, e, sem ele, o nosso futebol ofensivo corre riscos de se esterilizar. Essa é a principal lição a extrair do último fim-de-semana, e não pode deixar de pesar na balança de qualquer decisão.

UM HOMEM PARA A HISTÓRIA

Quis o destino que apenas dois dias após a inauguração do nosso Museu, desaparecesse do mundo dos vivos um dos nomes que bastante contribuiu para a riqueza nele depositada. Fernando Martins assumiu a presidência do Sport Lisboa e Benfica em 1981, e esteve ligado a um dos períodos mais importantes da história do clube. Não só pelos títulos conquistados (dois Campeonatos, três Taças e uma Supertaça, para além da presença na final da Taça UEFA), mas sobretudo pelas bases estruturais deixadas, que pouco depois permitiriam o ansiado regresso à alta-roda do futebol internacional – arredia desde meados da década de sessenta. As finais europeias de Estugarda e Viena, pese embora se situem já fora do âmbito temporal dos seus mandatos, e sem retirar mérito à equipa directiva que lhe sucedeu, tiveram também o “dedo” de Fernando Martins. Foi a sua gestão criteriosa, e sempre pautada pela defesa intransigente dos interesses da instituição, que deixou o Benfica em condições de vencer em Portugal, e de se bater com os melhores fora de portas. Foi Fernando Martins que, por exemplo, trouxe Eriksson para o Benfica, numa aposta que teve tanto de ousada como de bem sucedida. Foi Fernando Martins que transformou o antigo Estádio da Luz no maior da Europa. Foi Fernando Martins que, depois de um período relativamente incaracterístico, marcado pelo fim da Era-Eusébio, devolveu a Mística aos benfiquistas, fazendo crescer o número de sócios, levando-os para o Estádio, e apaixonando-os pela equipa. Foi com Fernando Martins na presidência que, em 1986, me tornei sócio do Clube. Embora as palavras sejam muitas vezes menores do que os Homens, quem viveu esses anos sabe bem do que falo. Infelizmente, nem todos os sucessores estiveram à altura do seu legado. Porém, dada a vitalidade que o Clube tem demonstrado nesta última década – diga-se até que com algum paralelismo face ao seu tempo -, Fernando Martins terá certamente partido tranquilo quanto ao futuro do clube que tanto amou, e ao qual tanto deu.

DESONRA

No baú das muitas memórias que o Futebol já me vai deixando, tinha da Taça de Honra da AFL uma ideia longínqua, de quando, ainda criança, vivia cada jogo como se fosse o único, e cada Dérbi como se fosse o último. Lembro-me da alegria proporcionada por uma vitória nos penáltis sobre o Sporting (1978?, 1979?), a que correspondeu um desses troféus. Aconteceu numa pré-temporada, quando as saudades do Futebol mais apertavam. Jogavam Bento, Humberto, Shéu, Chalana e Nené. Foram tempos que me ajudaram a crescer, e me ensinaram a ser benfiquista. Com o passar dos anos, entre dificuldades de calendarização, e rotatividades de plantel, a Taça de Honra foi perdendo importância e interesse, definhando progressivamente até à morte. A ideia de a recuperar pareceu-me excelente. Adoro (vencer) o Campeonato, mas também a Taça de Portugal, a Taça da Liga, e até a Supertaça. Para quem o Futebol significa festa, quanto mais competições se disputarem, melhor. E gosto de comemorar todas elas, independentemente da importância relativa de cada uma. Com transmissão televisiva em canal aberto, em estação pública e horário nobre, sem outros jogos a atrapalhar, esperava, no passado Sábado, um Dérbi mais ou menos a sério, e uma competição mais ou menos oficial, que definisse, mais ou menos, um Campeão de Lisboa. Nada disso aconteceu. A verdade é que esta Taça de Honra foi um fiasco absoluto, e envergonhou aqueles que, ingenuamente, nela depositavam alguma expectativa. Não fui ao Estoril porque não pude, e só depois me apercebi do logro em que poderia ter embarcado. Talvez a AFL não merecesse muito mais. Mas também me custa a entender porque jogámos com todos os titulares frente ao Etoile Carouge, e nos expusemos, entre suplentes e juniores, a uma desnecessária derrota perante o Sporting - no qual, francamente, já custo a distinguir a equipa B da equipa A. Gostava de reviver as tais Taças de Honra do passado. Mas, a ser assim, bem pode a prova regressar lá para 2033, que não lhe sentirei a falta.

ROLA A BOLA

Parece que foi ontem. Mas já vai para dois meses que perdemos a Taça de Portugal no Jamor, e, com ela, a possibilidade de colorir com um troféu aquela que foi uma das temporadas mais entusiasmantes da história recente do Benfica. Talvez devido a esse entusiasmo - que foi elevando a fasquia das expectativas ao longo de vários meses -, quando voltei a ver os nossos jogadores entrar em campo para os primeiros compromissos de pré-época, senti-me perante um grupo de Campeões, mesmo sem que os livros de registos os tenham inscrito como tal. Reencontrei Artur, Luisão, Matic, Enzo, Lima, Sálvio, Gaitán, e outros, não como aqueles que perderam tudo, mas sim como aqueles que quase ganharam tudo. Não como os que me fizeram chorar, mas como os que me fizeram sonhar. Épocas houve em que a frustração da derrota trazia com ela uma indómita vontade de mudança. Neste caso, mesmo sem títulos, não é esse o sentimento generalizado. Pelo contrário, a grande preocupação dos benfiquistas prende-se justamente com os profissionais que iremos ter de perder em função dos ditames do impiedoso mercado, e das necessidades de equilíbrio que os cofres exigem. Isto porque existe a noção muito clara que em dez hipotéticas temporadas semelhantes à última, só numa delas terminaríamos de mãos vazias – logo por infelicidade aquela que, entre pontapés inesperados, e golos aos 92 minutos, nos calhou em sorte... É pois com confiança e optimismo que partimos para a nova época. Sabemos que jogando o mesmo futebol, a glória voltará a andar por perto. E o azar - tanto azar…- dificilmente se repetirá. Já percebemos também que há por ali bons reforços. Falta então saber quem sai, esperando que venham a partir apenas aqueles cujo encaixe financeiro se torne absolutamente impossível de negligenciar. Parece-me não ser o caso de Óscar Cardozo, de quem espero apenas um pedido de desculpas público aos sócios, aos colegas, ao treinador e ao presidente, para podermos voltar a festejar os seus golos durante mais alguns anos.

O CIRCO

Longe vão os tempos em que cada manhã de pré-temporada trazia com ela a sofreguidão de conhecer as capas dos jornais, para saber quem entrava, quem podia entrar, quem saía, ou quem podia sair, do plantel do Benfica.

Eram tempos em que a imprensa desportiva mantinha alguma respeitabilidade. E eram tempos em que as “notícias” encomendadas por “Agentes FIFA” (esses parasitas do Futebol) não tinham ainda tomado conta das páginas publicadas – que, pouco a pouco, se foram transformando numa plataforma de interesses negociais e especulações várias.
Hoje, uma espécie de casamento de conveniência entre esses interesses e a aflitiva necessidade de vender papel (agravada pela cruel crise económica em que vivemos), ditou uma verdadeira hemorragia especulativa, que primeiro perdeu a credibilidade, e depois perdeu a piada. Até porque a distância para a mentira mais desavergonhada passou a ser demasiado curta, e, consequentemente, mais fácil de ultrapassar.
Para este estado de coisas contribui também a gritante falta de cultura desportiva do nosso país - capaz de empurrar um Tour de France, um Wimbledon, uma Fórmula 1, um título europeu de Hóquei, um Mundial de Sub-20, ou até mesmo uma Final da Champions, para notas de rodapé face a um qualquer Herrera, Quintana ou Tejada, que ninguém conhece, que quer ir para onde lhe paguem mais, mas que é impingido como objecto jornalístico primário a um povo com coisas bem mais graves com que se preocupar.
Creio que esta lógica comunicacional tem os dias contados. Falando por mim, devo confessar que já nem compro diários desportivos. Leio apenas o nosso “O Benfica”, que além dos artigos de opinião dos meus ilustres parceiros, fornece informação sobre todas as modalidades e escalões de formação do Clube. De resto, procuro na Internet aquilo que me interessa, esperando pelo fim do defeso futebolístico para conhecer os plantéis definitivos. Isto, enquanto vou lamentando a morte anunciada de uma imprensa desportiva que, em tempos, me ajudou a crescer.

UM PASSO À FRENTE

A disponibilização da Benfica TV em novas plataformas, a sua evolução para canal Premium, a entrada na Alta Definição, e o pacote de transmissões prometido para as próximas temporadas desportivas, marcam um novo tempo na vida de um projecto nascido em 2008, do qual muitos duvidavam, e que, passados cinco anos, já é citado na imprensa internacional como ousado, corajoso e pioneiro.

O prato forte desta mudança é, naturalmente, a transmissão, em exclusivo, dos jogos da nossa equipa principal de futebol. Algo que, devo confessar, há pouco tempo atrás não me parecia possível, mas que neste momento é uma realidade que ninguém – dentro ou fora do Benfica – pode ignorar, ou desvalorizar.
O caminho escolhido pelos nossos dirigentes envolve riscos, como, aliás, acontece com qualquer projecto inovador. Numa primeira fase, será difícil obter as receitas que outras opções poderiam proporcionar. Mas - e isso sempre foi assumido -, as razões desta decisão vão muito para além do plano estritamente financeiro.
Por aquilo que tem sido a história recente do nosso Clube, pela espantosa recuperação estrutural e institucional da última década, a qual nos resgatou o grande Benfica do passado, pela força competitiva que nos devolveu o orgulho de lutar por todos os títulos (só pequenos detalhes nos impediram de consumar uma das melhores temporadas desportivas em mais de 100 anos de história), temos todos os motivos para crer que também este importante passo esteja criteriosamente calculado, e conduza efectivamente a uma mudança na correlação de forças que envolve os bastidores do desporto português.
Assim sendo, espera-se dos benfiquistas um envolvimento correspondente ao esforço que o Clube está a fazer. A situação do país leva, infelizmente, a que muitos não possam aderir. Mas aqueles que são hoje clientes de outros canais desportivos - por sinal, bem mais dispendiosos - não terão razões para ficar de fora. Este projecto está feito a contar connosco, e só depende de nós para ser bem sucedido.

UM ANO DE ECLECTISMO

Apesar de ter terminado com uma derrota (no Futsal), a temporada das modalidades benfiquistas terá de se considerar, uma vez mais, amplamente positiva.
Começámos com a inédita conquista de 5 Supertaças, todas as relativas às modalidades de pavilhão. Acrescentámos-lhes dois troféus oficiais de Basquetebol (António Pratas e Hugo dos Santos). Terminámos com a conquista dos títulos nacionais de Basquetebol, Voleibol e Atletismo, e com um improvável, saborosíssimo, e também inédito, título europeu de Hóquei. Em Futsal e Andebol fomos vice-campeões.
Feito o balanço, em número total de troféus ultrapassámos o já imponente pecúlio do ano anterior. Em termos de Campeonatos Nacionais obtivemos menos um (numa matemática simplista, Futsal pelo Voleibol, menos o Hóquei), mas “trocámo-lo” por uma importante Liga Europeia. Ou seja, se 2011-12 havia sido uma época histórica para o eclectismo encarnado, 2012-13 não lhe ficou atrás. Bem pelo contrário.
Na última meia-dúzia de anos o Benfica ganhou quase tudo o que havia para ganhar, em praticamente todas as principais modalidades em que participa. Foi Campeão Europeu em duas delas (Futsal e Hóquei), chegou a finais europeias noutras tantas (Andebol e Futebol). Foi Campeão Nacional em todas. Conquistou Taças e Supertaças. Trouxe adeptos aos pavilhões. Deu audiências televisivas.
Os tempos que se avizinham não são fáceis. A crise económica sente-se a todos os níveis, e o desinvestimento em algumas modalidades torna-se imperioso para salvaguardar o futuro das mesmas, e manter o Clube na rota que o fez sair do buraco em que se encontrava mergulhado há pouco mais de uma década.
Não seremos os únicos a fazê-lo: FC Portos, Sportingues, e, sobretudo, Ovarenses, Oliveirenses, ABC’s ou Espinhos, terão igualmente de reduzir custos. Talvez seja difícil repetirmos, no imediato, glórias internacionais como a do Atlântico, em 2010, ou a do Dragão, em 2013. Mas, por cá, certamente continuaremos a jogar e a vencer. Com menos meios, mas com a mesma Mística.

162 LAMENTOS

Golo do Benfica! Marcou, com o número sete, Óscar….,Óscar…”
Este é o som que nos habituámos a ouvir, com frequência, na instalação sonora do Estádio da Luz. Este é o som que tem acompanhado os nossos principais momentos de euforia. Segundo a imprensa, é possível que não o voltemos a ouvir.
Se muitos benfiquistas há que, com inteira justiça, lamentam a despedida de Aimar, permitir-me-ão que – caso venha a confirmar-se - lamente também eu a perda daquele que é, de longe, o maior goleador encarnado do Século XXI, e, seguramente, o jogador que mais vezes me fez levantar da cadeira ao longo dos últimos 6 anos.
Cardozo marcou 162 golos vestindo o Manto Sagrado (quase 200, se contarmos jogos particulares). É, na minha modesta opinião, o melhor ponta-de-lança do Benfica desde os tempos de Magnusson. Aos 30 anos, será doloroso vê-lo partir por uma simples e fria cotação de mercado – valor substancialmente abaixo daquilo que já representa na história desportiva do nosso Clube, e da importância que ainda tem para a equipa.
Dir-me-ão que foi ele próprio a abrir a porta da saída. É verdade. Não é aceitável que um profissional desrespeite a figura do seu líder. Mas devo também dizer que, enquanto adepto sofredor, engulo com maior dificuldade imagens de atletas sorridentes e passivos na hora da derrota, do que reacções a quente de quem não gosta de perder – afinal de contas semelhantes às de muitos benfiquistas que, naquela tarde, se deslocaram ao Jamor.
Nunca tive contacto directo com um balneário de uma equipa profissional de futebol. Não sei até que ponto tal tipo de atitude é tolerada na escuridão dos bastidores. Ainda menos se ela foi meramente extemporânea, ou antes corolário de algo já latente. Em suma, não consigo avaliar, com rigor, a gravidade do caso.
Mesmo sabendo que nem Eusébio foi insubstituível, espero e desejo, porém, que sejam esgotadas todas as hipóteses de manter um jogador que, juntamente com Luisão e Maxi, é uma das grandes referências do Benfica dos novos tempos.