PROENÇAMENTOS

A saborosa vitória em Braga significou um passo importante na luta pelo principal objectivo da época. Em teoria, tratava-se do segundo mais difícil compromisso do Campeonato, pelo que os três pontos alcançados não podem deixar de constituir um estímulo para jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos, neste combate que se prevê renhido até final.
Com os dois “grandes” igualados na liderança, sem cederem pontos a ninguém, todo o país desportivo antevê uma penúltima jornada escaldante e decisiva, quando ambos se encontrarem frente a frente. E desde já se vai falando do nome do árbitro a escalar para a ocasião. Pedro Proença, com todos os galões regionais, nacionais e internacionais que alguém se encarregou de lhe conceder, é, obviamente, aquele que surge no horizonte dos que pretendem voltar a vencer um Campeonato à custa de lances irregulares – como o penálti de Lisandro em 2009, ou o golo de Maicon em 2012.
Não adianta recordar aqui o longo cadastro do homem, que começa no Bessa em 2002, passa por Penafiel em 2005, e, depois de muitos outros episódios, continua a deixar marcas, como se viu em Setúbal há pouco mais de uma semana.
Proença pode até ser considerado, por quem quiser, o melhor árbitro do universo. Por mim, sou livre de ter as minhas dúvidas de que seja o mais honesto; e o seu negro historial em jogos do Benfica demonstra que não é, seguramente, o mais imparcial.
Há já algum tempo escrevi que, por aquilo que me era dado a ver do mundo do futebol, o problema principal não estava na Liga, nem na FPF, nem no Gomes, nem no Pereira, nem na Olivedesportos. O grande vício residia nos próprios árbitros em pessoa, e, em particular, no grupo de internacionais que vai sendo homenageado, à vez, por Lourenço Pinto e amigos.
Os últimos tempos têm sedimentado essa ideia. E só espero que a recta final deste Campeonato não venha a confirmá-la de vez, com um qualquer fora-de-jogo a decidir o título, e um tipo de brilhantina a pedir desculpa em público, rindo-se de nós em privado.

STRONG...COMO OUTROS

A recente confissão de Lance Armstrong sobre as práticas de dopagem que o levaram a tornar-se num dos mais bem sucedidos desportistas de sempre, chocou o mundo, e, em particular, os fãs do Ciclismo, como é o meu caso.
Na verdade, ao longo da sua triunfante carreira, o hepta-campeão do Tour de France foi objecto de centenas de análises para despiste do consumo de substâncias proibidas, e nenhuma delas acusou qualquer ilegalidade. Só a denúncia de antigos colegas de equipa desencadeou o processo - que terminou agora, com o ex-campeão de joelhos perante o mundo.
Se a história do Ciclismo tem sido fértil em casos de doping, também é justo dizer-se que a modalidade tem estado quase sempre na vanguarda da luta contra ele. De recolhas sanguíneas surpresa efectuadas durante as férias, até aos chamados “passaportes biológicos” (onde vão sendo registadas as variações hematológicas de cada atleta), tudo tem sido feito para combater a fraude, pelo que não deixa de causar alguma inquietação a forma como foi possível, ainda assim, alguém enganar tudo e todos durante quase todo o tempo.
Ora, sabendo-se que o tipo de controlo aplicado ao Futebol, comparado com o do Ciclismo, não passa de uma mera e inocente formalidade, a suspeita de que a verdade desportiva nos relvados não passe, também ela, de um embuste, torna-se dramaticamente verosímil. Até porque os muitos milhões de euros envolvidos - bem mais suculentos no Desporto-Rei - são o convite que normalmente seduz os infractores.
Em Portugal, temos casos comprovados de tentativas de falsear a verdade desportiva por outros meios, nomeadamente através da corrupção de árbitros. Ninguém me convencerá facilmente que, esses mesmos corruptores, na ânsia de ganhar a qualquer preço, não se sirvam também de outros expedientes que a fragilidade da vigilância lhes coloca à disposição.
Não me surpreenderia, pois, que um dia o Futebol português revelasse um monstro de dopagem à medida de Armstrong. E com muito mais do que sete títulos para devolver.

AFIRMA PEREIRA

Há empates com sabor a vitória (Bessa, 2005). Há empates com sabor a derrota (Camp Nou, 2012). Mas há também empates com sabor a…empate. Foi o caso do último “Clássico”.
O Benfica fez mais remates, teve mais cantos, criou mais ocasiões de golo e sofreu mais faltas. O FC Porto controlou o jogo, impediu o adversário de fazer aquilo que gosta, e conseguiu o que queria, saindo do relvado em efusivos festejos. A arbitragem foi boa, deixando jogar, evitando até ao limite a mostragem de cartões, favorecendo assim um espectáculo que começou em grande estilo, manteve intensidade e emoção até final, mas não conseguiu cumprir aquilo que o frenético ritmo do primeiro quarto-de-hora parecia prometer. Houve, genericamente, correcção, quer dentro quer fora do campo. E o resultado acabou por ser justo, premiando com um ponto o empenho das equipas, e penalizando com dois os erros cometidos.
Num jogo desta natureza, com toda a pressão que o envolve, há sempre quem esteja menos feliz. O nosso Artur, por exemplo, costuma fazer muito melhor. Mas o figurão da noite, pela negativa, foi o acidental treinador portista.
Já sabemos que naquele clube ninguém tem voz própria, e todos se limitam a dizer aquilo que lhes mandam. Mas alguns, no passado recente, sabiam trazer os recados com maior assertividade. Este Pereira, que revela gritantes dificuldades em se afirmar como o verdadeiro comandante das suas tropas, espalhou-se ao comprido numa conferência de imprensa em tons de surrealismo.
Até poderíamos compreender que, mal habituado a penáltis de Lisandro, ou golos de Maicon, tenha estranhado não dispor, desta vez, do habitual obséquio dos juízes. Mas dizer do Benfica aquilo que disse, além de fazer rir o país desportivo, foi insultuoso, até para com os seus próprios jogadores.
Não é a primeira vez que o homem se enxovalha em público. Mas talvez seja uma das últimas. É que, fora do contexto em que herdou este FC Porto, não o vejo com nível para muito mais do que um qualquer Santa Clara desta vida.

"À PORTO"

Ninguém me contou. Eu vi, ao vivo e in loco. Estupefacto e revoltado. Com o meu filho ao lado.
Um guarda-redes de Hóquei do FC Porto agrediu, selvática e cobardemente, com uma violenta stickada, adeptos do Benfica que se encontravam na bancada perto do túnel de acesso aos balneários.
Pensei tratar-se do suplente, que, sentado no banco, tivesse sido alvo de especial provocação ao longo da partida, e jurasse vingança à saída de palco. Vim a saber tratar-se do titular (de capacete parecem iguais), que passou todo o tempo na baliza, sem que alguém, desde o local da agressão, o pudesse ter perturbado até àquele momento.
Acredito que tenha ouvido, de passagem, alguns impropérios, coisa natural num jogo entre rivais, em qualquer parte do mundo. Não vi ser arremessado qualquer objecto, ou algo que explicasse tamanha manifestação de brutalidade num indivíduo que é suposto ser desportista profissional, que tem idade suficiente para ter juízo, e que, para mais, acabara de vencer o jogo.
Minutos depois, entrou a Polícia, e deteve…um adepto do Benfica. Não percebi porquê, mas, infelizmente, tenho a preocupante certeza de que no Dragão as coisas seriam diferentes. Aliás, para aqueles lados, tudo é diferente. Entre Madureiras, Abeis e Lourenços Pintos, há um território sem lei, e uma protecção, não da ordem pública ou da cidadania, mas antes daqueles que representam uma dada ideologia de guerrilha regionalista e provinciana - extensível, de resto, a certos meios de comunicação social, o que se viu na forma como este caso foi tratado.
Não sei se o meu filho quererá voltar ao Hóquei. Nem o que lhe dizer se, por absurdo, voltar a ver aquele guarda-redes numa baliza. Mas, pelo menos, a tarde serviu-lhe para perceber aquilo que é jogar à Porto (com intimidação, provocações e teatro na pista), ganhar à Porto (com uma inaceitável dualidade de critérios da arbitragem), e sair à Porto (com ódio, arrogância, violência e impunidade). Coisas que nós, mais velhos, há trinta anos bem conhecemos.

2012. UM BALANÇO

Chegados aos últimos dias de mais um ano, é altura de recordar aquilo que ele nos trouxe - quer de bom, quer de menos bom, quer, sobretudo, de ensinamentos úteis para o futuro.
Para o Benfica, pode dizer-se que 2012 foi genericamente positivo. É verdade que não fomos campeões nacionais de futebol - não nos deixaram sê-lo…-, mas essa foi a única lacuna num ano recheado de êxitos. Não podemos esquecer que estivemos entre os oito melhores da passada Champions League (só uma infeliz carambola de resultados nos afastou da presente edição), nem que conquistámos, uma vez mais, a Taça da Liga, nem que chegámos a esta altura da nova época invictos, na liderança do Campeonato principal, e com francas possibilidades de regressar ao Jamor.
No Verão, conseguimos realizar negócios do outro mundo, com as vendas dos passes de Javi Garcia e Witsel por valores irrecusáveis, e sem que tais ausências se reflectissem sobremaneira no rendimento colectivo da equipa (méritos ao treinador). E aí estamos nós, carregados de legítima esperança para os meses que se avizinham.
Nas modalidades conseguimos fazer história, alcançando títulos nacionais de Futsal, Basquetebol (este em circunstâncias particularmente saborosas), Hóquei em Patins (colocando ponto final num longo jejum) e Atletismo, entre muitas outras vitórias e troféus – dos quais se destaca, já na corrente temporada, uma inédita colecção de cinco (!) Supertaças.
Também no Futebol Formação alcançamos sucessos, quer por via do título de Iniciados, quer pelo elevadíssimo número de jovens benfiquistas chamados às respectivas selecções nacionais, quer, ainda, pelo surgimento de nomes como André Gomes na órbita da equipa principal.
Em termos institucionais, as eleições ocorridas em Outubro, para além de responderem afirmativamente à nossa antiga tradição democrática, trouxeram a clarificação necessária para prosseguirmos na rota do reencontro com a nossa história.
Temos hoje mais e melhor Benfica. Estamos no caminho certo. 2013 espera por nós.

DE TRÊS EM TRÊS

De três em três pontos se vai construindo uma cada vez mais sólida candidatura ao título. De três em três golos vai o nosso artilheiro, Óscar Cardozo, convencendo os mais cépticos de se tratar, desde já, de um nome para entrar na mais fina prateleira da história do Glorioso Benfica.
É espantoso como um avançado que, apenas em jogos oficiais, marca 146 golos – dos quais 7 ao FC Porto, 10 ao Sporting, 27 nas provas europeias…- em cinco temporadas e meia (melhor média de sempre atrás de Eusébio e José Águas), não recolhe, ainda assim, a unanimidade das simpatias dos adeptos. Mesmo depois de dois “hat-tricks” consecutivos (um dos quais em Alvalade), talvez haja ainda quem não entenda a forma de jogar do paraguaio – que não assenta em requintes técnicos, toques de calcanhar, sprints inúteis ou dribles para a bancada ver, mas antes naquilo em que consiste a essência do futebol, e faz ganhar jogos: os golos.
Com um sentido posicional notável dentro da área, com movimentos de desmarcação que lhe permitem aparecer repetidas vezes na cara do guarda-redes, com um pé esquerdo fulminante (quer de bola corrida, quer de bola parada), e com uma capacidade de choque sem paralelo no futebol luso, Cardozo é, de longe, o melhor ponta-de-lança que o Benfica teve neste século XXI, bastando recorrer aos números para esclarecer tamanha evidência. Terá sido vítima, a dada altura, de uma injusta comparação com Falcao (o melhor do mundo na actualidade), mas já era tempo de todos perceberem que não é por haver sol que outras estrelas se apagam. Luisão não é Piqué, Aimar não é Messi, e nem Artur será Casillas.
Para a nossa realidade, não me parece crível que possamos ter, nem agora, nem num futuro próximo, um goleador com tão elevado grau de eficácia a comandar o nosso ataque. Vibremos pois com os golos de Tacuára, sabendo que no dia em que nos deixar, a saudade irá fazer com que finalmente todos compreendam aquilo que perderam. É que, em futebol, o que parece fácil é, quase sempre, o mais difícil.

UM QUATRO, UM TRÊS E UMA ESPERANÇA


Em poucos dias, o Sport Lisboa e Benfica deu-nos três diferentes motivos de orgulho.
A nossa Benfica TV cumpriu o seu quarto aniversário, afirmando-se cada vez mais como uma presença indispensável ao universo benfiquista. Nasceu de um projecto arrojado – como tantos que o Clube tem levado à prática -, e passados estes anos pode dizer-se que tem sido acompanhada de inteiro sucesso. A prova é que os rivais se apressaram a tentar copiá-la, uns com um arremedo de imitação barata, outros sem passar de pomposos, e eternamente adiados, manifestos de intenções. O futuro aponta para um reforço desta aposta, eventualmente em novas plataformas, e com um modelo que permita rentabilizar as transmissões dos jogos de futebol no nosso estádio.
Outro motivo de contentamento foi a vitória esclarecedora obtida em Alvalade, num jogo que até começou por nem correr de feição. Não sei, honestamente, se ganhar ao Sporting, mesmo fora de casa, significa hoje o que significava na minha infância. Sei que, terminada a partida, a incontrolável euforia com que outrora vivia estas jornadas se transformou numa agradável, mas simples e tranquila, sensação de dever cumprido. Sinal dos tempos. Sinal de um clube que soube retomar a sua dimensão, e manter-se na disputa pela liderança do futebol nacional, e de um outro que parece caminhar em direcção ao abismo.
Antes, em Barcelona, a nossa equipa ficara à beira de um feito histórico. Com uma pontinha de sorte teríamos vencido em Camp Nou, perante um adversário onde pontificavam Puyol, Pique, Song, David Villa, e…Lionel Messi, entre alguns jovens (Montoya, Tello, Thiago, etc) utilizados com maior ou menor frequência no onze principal – ou seja, perante uma grande equipa. O acumulado de resultados do grupo afastou-nos caprichosamente do apuramento. Mas não foi neste jogo que o Benfica sucumbiu. Pelo contrário, aquilo que fizemos em Camp Nou deve ser valorizado, e servir como uma boa base para a Liga Europa - que se aproxima, e para a qual devemos olhar com ambição.

TOP-DEZ

A vitória obtida sobre o Celtic trouxe com ela a possibilidade de continuarmos a sonhar com uma noite épica em Camp Nou, e com o correspondente acesso à fase seguinte da principal prova mundial de clubes. Mas, independentemente da concretização, ou não, desse objectivo, aquele triunfo garantiu-nos a continuidade na Europa do futebol, o que, por sua vez, nos pode encaminhar para um lugar no Top-dez do ranking da UEFA no final da corrente temporada – coisa que não se via desde há mais de quinze anos.
Recordo, a propósito, que em 2001 o Benfica ocupava um humilhante 91º lugar, atrás de nomes como Slovan Liberec, Union Berlim, Roda, Rayo Vallecano, Paok, Vitesse, Grasshopper ou…Boavista. O trajecto internacional do Benfica tem tomado, na última década, um rumo de constante e sustentado crescimento, apenas intercalado por uma temporada francamente negativa (com Quique Flores, em 2008-2009). Desde que Jorge Jesus assumiu o comando técnico da nossa equipa, não mais ficámos fora de competição antes dos Quartos-de-Final (uma vez na Liga Europa, outra na cintilante Champions League), e voltámos, dezassete anos depois, a marcar presença numas Meias-Finais europeias (embora a forma como, aí, desperdiçámos a oportunidade de chegar à respectiva final, nos tenha deixado um profundo amargo de boca). São dados concretos, que nos devem orgulhar, e aos quais nem sempre é concedido o devido reconhecimento.
Se a estes números acrescentarmos mais uma campanha de bom nível, entraremos pois no tal Top-dez, onde só cabem os grandes nomes do futebol europeu e mundial.
É verdade que, entre eles, está também o nosso grande rival interno. Mas isso, ao invés de nos diminuir, deve, pelo contrário, ajudar a explicar porque motivo nos tem sido tão difícil alcançar o desígnio estratégico da recuperação da hegemonia no futebol português. Não jogamos sozinhos, e a verdade é que nunca na nossa história centenária (exceptuando talvez os anos dos “Cinco Violinos”) tivemos de nos bater com tão forte adversário.
30/11/2012

O REGRESSO POSSÍVEL

Para que este espaço não morra definitivamente, e mantendo-se a impossibilidade de o actualizar ao ritmo do passado, decidi publicar aqui as crónicas que semanalmente escrevo para o Jornal "O Benfica". Com uns dias de atraso, para que ninguém deixe de comprar o jornal...

COMUNICADO

Por motivos profissionais, este espaço terá de ficar suspenso por tempo indeterminado.
É porém com alegria que "deixo" o Benfica na frente das classificações de praticamente todas as competições que disputa, nas várias modalidades que já tiveram início - entre as quais, naturalmente, o Futebol. Por isso mesmo, custo a entender acontecimentos tristes como os da última AG.
Assim que possível, voltarei.

NÚMEROS ESMAGADORES

Listas de Melhores Marcadores da Liga Portuguesa, de 2007/08 até agora:
2007/08: 1º LISANDRO 24; 2º Cardozo 13; 3º Weldon 12
2008/09: 1º NENE 20; 2º Cardozo 17; 3º Liedson 17
2009/10: 1º CARDOZO 26; 2º Falcao 25; 3º Liedson 13
2010/11: 1º HULK 23; 2º Falcao 16; 3º Cardozo 12
2011/12: 1º CARDOZO 20; 2º Lima 20; 3º Hulk 16
2012/13: 1º CARDOZO 4; 2º Rodrigo 3; 3º Jackson 3

Total de golos de Cardozo no Campeonato pelo Benfica: 92
Total de golos de Cardozo em Jogos oficiais pelo Benfica: 133
Total de golos de Cardozo, incluindo amigáveis, pelo Benfica: 163

Melhores goleadores do Benfica no sec.XXI
CARDOZO 133
2º Simão Sabrosa 96
3º Nuno Gomes 90
Melhores goleadores do Benfica (média por temporada) de sempre:
1º EUSÉBIO 31,5/época
2º José Águas 29,0/época
Cardozo 22,2/época
4º Julinho 20,2/época
5º Nené 19,9/época

Quem faria melhor?
Como é possível assobiar um jogador com estes números?!?

XISTRA, 2 - BENFICA, 2

"À quarta jornada, está encontrado o árbitro que vai ser homenageado por Lourenço Pinto no próximo ano" JOÃO GOBERN na RTP.
Eu não diria melhor. Uma arbitragem desastrada retirou o Benfica da liderança. De resto, vi uma exibição bem agradável da equipa, com muitas oportunidades criadas, duas concretizadas, e um domínio total do jogo. Mas contra o factor X (de Xistra) é muito difícil ganhar.

POSITIVO

Dadas as circunstâncias em que o Benfica partiu para Glasgow, tanto a exibição, como o resultado, são de enaltecer. Foi, afinal de contas, a primeira vez na história que o clube não saiu derrotado do Celtic Park. Além de que, começar a poule empatando no terreno de um dos adversários directos, não é coisa de somenos.
Podia ter vencido? Sim. Mas no futebol, como na vida, o bom é inimigo do óptimo. Um maior risco ofensivo, na fase derradeira da partida, poderia ter ditado uma indigesta derrota – sobretudo sabendo-se das limitações com que a equipa se apresentava do meio-campo para trás. Não tenho muitas dúvidas que o Benfica teria mais a perder com uma maior abertura táctica da partida, pois jogava fora, e o resultado era-lhe (e foi-lhe) muito mais favorável do que ao seu opositor.
O jogo não começou bem, mas pode dizer-se que, pouco a pouco, o Benfica se foi adaptando a ele. Não era ocasião para requintes, e foi de fato-macaco que a equipa acabou por impor-se, alcançando os objectivos mínimos, podendo dizer-se que até ficou mais perto da vitória do que da derrota.
Em termos individuais há que destacar as prestações de Jardel, Garay e Enzo Perez, embora Melgarejo também tenha deixado indicações de rápido crescimento enquanto dono da ala esquerda da defesa.
O árbitro não deixou que se desse por ele.
Em suma, mesmo não tendo assistido a um grande jogo, mesmo não tendo visto qualquer golo, posso dizer que fiquei satisfeito com o que se passou. Com o Barcelona será para...ver Messi. A luta pelo apuramento segue em Moscovo.

INVENTANDO O MENOS POSSÍVEL

Artur;
Miguel Vítor, Jardel, Garay, Melgarejo;
Matic, Salvio, Aimar, Enzo Perez;
Rodrigo e Cardozo.

COISAS DA VIDA

E o que foi de borla (Saviola), deu bailinho ao dos 40, perdão, 60 milhões (Hulk).

ESPERTEZA SALOIA

Primeiro lança-se um simulacro de castigo a Jesus, num timing estapafúrdio, com uma ridícula declaração de vencido , para "indignar" as vozes do anti-benfiquismo, e preencher o espaço público com frenéticas acusações de favorecimento.

Depois, com o caldo bem quente, castiga-se à séria, de forma injusta, na sala ao lado, um jogador imprescindível, para "compensar" uma balança minada.

Quem não os conheça que os compre. E quem acredita (ou acreditou) neles, que acorde.

A mim, resta-me apenas o consolo de não me deixar enganar. Com 43 anos, de chico-espertismo já levei a minha dose. E também li Maquiavel.

UM CLUBE DIFERENTE...

Dinheiro depositado na conta de um árbitro.




Fraude fiscal na compra de um jogador.

...E EM JANEIRO

...fazendo regressar Airton, concretizando o empréstimo de Sílvio, vendendo Gaitán ao melhor preço (15 M, neste momento, já seria aceitável), e cedendo Ola John para rodar noutro clube, o Benfica poderia ficar com um plantel muito mais equilibrado, sem gastar um cêntimo, e ainda embolsando mais uns milhõezitos. Qualquer coisa como isto:
GUARDA-REDES - Artur, Paulo Lopes e Mika
DEFESAS - Maxi Pereira, Luisão, Garay, Melgarejo, Sílvio, Jardel, Miguel Vítor e Luisinho
MÉDIOS - Matic, Airton, Salvio, Enzo Perez, Aimar, Carlos Martins, Nolito e Bruno César
AVANÇADOS - Cardozo, Rodrigo e Lima
Até lá, rezar para que ninguém se lesione, e perder o menor número de pontos possível.

O NOVO BENFICA



O LOUCO MERCADO

Depois de um saboroso período de férias, VEDETA DA BOLA volta hoje ao seu convívio.
Devo dizer desde já, e por respeito aos leitores, que motivos relacionados com a minha vida profissional vão necessariamente impor, nos próximos tempos, um aligeirar de conteúdos. Não sei ainda de que forma, nem em que medida. Não posso prometer nada. A coisa vai andando assim até ver, e enquanto puder ser.
Mas vamos ao Futebol.
Neste momento impõe-se, claro, um comentário aos surpreendentes (ou talvez não) desenvolvimentos do mercado de transferências. Como as situações são diferentes, aqui vai uma breve análise, também ela segmentada:
JAVI GARCIA - Quando um jogador chega por 7 milhões, e sai por 20, estamos sempre perante um bom negócio. Sobretudo em tempos de crise, quando o crédito é difícil (ou impossível), e quando, em função dessa mesma crise, as receitas correntes vão minguando a todos os níveis (patrocínios, quotizações, bilheteira, merchandising, etc).
Acresce que, no momento em que Javi é negociado, há a perspectiva de manter Witsel (já lá vamos). Tratando-se do último dia da janela de transferências (arrastamento levado ao limite pelo comprador no sentido de diminuir os argumentos negociais do vendedor), as hipóteses de recrutar mais alguém credível para o meio-campo não eram muitas. O jogador, claro, queria sair, pelo que pouco ou nada havia a fazer senão aceitar os desígnios do destino…e o dinheiro. É assim o futebol moderno, gostemos ou não dele.
Javi tinha um peso enorme nos equilíbrios da equipa. Vai deixar saudades. Mas nem eu perdoaria aos dirigentes do Benfica se, no contexto daquele momento, deitassem fora mais de vinte milhões de euros, mantendo um jogador certamente contrariado e pouco motivado para render a top. Há comboios que não passam duas vezes no mesmo sítio. Este poderia ser um deles.
WITSEL – Se nada havia a fazer para segurar Javi, que dizer do belga, cuja cláusula de rescisão foi accionada, sem que o Benfica, aparentemente, tivesse voto na matéria.
40 milhões são um autêntico jackpot para os cofres da Luz, fazendo do investimento de 6,5 milhões, de há um ano, uma simples bagatela. O problema da saída de Witsel foi…a saída de Javi. E, sobretudo, o timing de ambas, esburacando o coração da equipa, sem tempo para reagir no mercado.
Ao contrário de Javi (do qual, confesso, não conhecia qualquer sinal de saída), creio que o Benfica deveria estar prevenido para a eventual perda de Witsel, e precisamente para o… Zenit. A sustentar esta tese direi que, por um daqueles acasos da vida, fui neste Verão parar à porta do Estádio do Heysel, no dia de um Bélgica-Holanda de preparação. Não pude ver o jogo, pois tinha comboio para Amesterdão à hora do mesmo. Mas, por entre visitas ao Atomium, e à Mini-Europa, que ficam ali mesmo ao lado, ainda tive oportunidade de conviver com alguns dos muitos adeptos belgas que, vestidos a rigor, com ar festivo, e muita cerveja a circular, aguardavam o derbi da região. O tema de conversa foi, obviamente, Witsel. E enquanto em Lisboa se falava insistentemente de Real Madrid e Milan, os belgas asseguravam-me (estávamos, creio, a 15 de Agosto), que o médio iria para o Zenit. Pensei tratar-se de especulação, mas agora, com o facto consumado, chego à conclusão que era a imprensa portuguesa que andava mal informada. Acredito que o Benfica o não estivesse. Mas acredito também que ninguém, nos corredores da Luz, achasse possível que os russos chegassem tão longe nos números, ao ponto de deixarem sem pio os seus interlocutores do lado de cá. A saída de Witsel foi, pois, também ela uma fatalidade.
…E AGORA? – Agora, não há meias palavras para dizer isto: o meio campo do Benfica ficou decapitado, os equilíbrios do conjunto perderam-se, e a equipa ficou substancialmente mais fraca. Lamento que, perdendo a oportunidade de Sílvio (esta, sinceramente, mais difícil de justificar), deixando Airton no Brasil e Ruben Amorim em Braga, o Benfica não tenha agora, sem custos acrescidos, algumas soluções capazes de disfarçar os seus problemas. Esperemos para ver o que reserva Janeiro, tendo em conta que o Sp.Braga já jogou na Luz, o FC Porto só chega em 2013, havendo apenas nove jogos do Campeonato até ao Natal. Também Sp.Braga e FC Porto perderam os seus melhores jogadores, embora – diferença substancial – não tenham perdido os equilíbrios colectivos. Quem pode lucrar é o Sporting, mas conhecendo-se o que aquela casa gasta, duvido que o venha a fazer. Para já coloco o FC Porto, mesmo sem Hulk, como o grande favorito ao título. O Benfica vai ter de suar as estopinhas, puxar pela prodigiosa imaginação táctica de Jesus, e esperar que a sorte o acompanhe (designadamente afastando lesões), para se manter na luta pelos seus objectivos.
LIMA – Algumas palavras também para a aquisição de um grande jogador. Não sei se o Benfica perderia muito em ter mantido Nélson Oliveira, poupando o dinheiro do bracarense. Mas tendo em conta que, a não vir para a Luz, aterraria muito provavelmente no Dragão, creio que a contratação de Lima se aceita, esperando-se agora que o seu rendimento em campo possa sedimentar essa ideia.
HULK – Por 40 milhões é bem vendido. Era totalmente irrealista esperar que alguém fosse muito mais além disso face a um jogador cujo prestígio que desfruta em Portugal (amplamente justificado, há que o reconhecer) não encontra paralelo noutros quadrantes, a começar pelo próprio Brasil – onde sempre desconfiam de jogadores que não sabem fazer fintas, nem dão toques de calcanhar.
O problema dos números foi contrariarem a palavra de Pinto da Costa, que na véspera havia garantido ter recusado 50 milhões (uma mentira em que o bom senso não deixaria quase ninguém acreditar). Mas palavra é coisa que, em Pinto da Costa, tem um valor sempre muito relativo.