UM DADO

As três melhores temporadas do Benfica, à 15ª jornada, nos últimos 18 anos:

1ª 2011-2012, 39 pontos, Jorge Jesus

2ª 2009-2010, 36 pontos, Jorge Jesus

3ª 2010-2011, 33 pontos, Jorge Jesus

O SPORTING A FAZER POUCO DE SI PRÓPRIO (2)



Segundo me contou fonte bem informada, este rapaz é o segundo jogador mais bem pago do Sporting, só ultrapassado pelo salário extraterrestre de Elias. Dinheiro bem empregue, portanto.

O SPORTING A FAZER POUCO DE SI PRÓPRIO (1)

Se isto, por absurdo, acontecesse no Benfica, eu exigiria aqui, de imediato, a demissão do responsável pelas instalações. Como é possível não perceberem que apenas estão a ridicularizar o próprio clube?

SEM HIPÓTESES

3 Ligas dos Campeões, 2 Mundiais de Clubes, 2 Supertaças Europeias, 5 Campeonatos, 1 Taça do Rei, 5 Supertaças de Espanha, e 5 Bolas de Ouro. É este o impressionante palmarés do Barcelona desde 2004, desde que Messi começou a jogar.


Há quem diga que é a melhor equipa de todos os tempos. Talvez sim. Talvez se tenha de bater com o Milan de Sacchi, com o Liverpool de Paisley, com o Ajax de Cruyff, com o Real Madrid de Di Stéfano, com o Bayern de Beckenbauer, ou com o Santos de Pele. Pior não é seguramente.


Não pratica, é verdade, o estilo de futebol que eu mais gosto (demasiado rentilhado, com muito passe para trás). Mas, como gosto de futebol, também tenho de gostar …daquilo.


O que é certo é que este Barça parece invencível, e a única hipótese que Mourinho tem de se sagrar campeão (e em Espanha não terá muitas mais) será chegar a Camp Nou, em fins de Abril, com pelo menos quatro dos cinco pontos de vantagem que tem actualmente. Em confronto directo, não tem hipóteses. Ninguém tem hipóteses, tendo sido, ainda assim, o técnico português, o único a tirar troféus (até agora dois) a este super-Barça.


Lamento por Coentrão. Não lamento por Pepe, que continua a envergonhar a bandeira portuguesa em que o deixaram enrolar-se.

MANDEM-ME EMBORA!





As declarações de Domingos Paciência atingem frontalmente:






1) o presidente da Direcção, que foi quem disse que a equipa estava aquém das expectativas






2) o presidente da Assembleia-Geral, que é médico, e será certamente um dos que, segundo o técnico, fala sem perceber nada do assunto (aliás, se não fosse o mediatismo do futebol, se as pessoas não falassem dele, queria ver quem pagava o salário milionário de Domingos ...)






Será que o treinador do Sporting pretende ajudar a fazer a própria cama, para que no final da época se sente, enfim, na sua "cadeira de sonho", substituíndo Vítor Pereira?

SEM RISCO, SEM DANOS

Tinha aqui defendido que o Benfica não deveria expor-se demasiado nesta edição da Taça da Liga. Entendi, por isso, não só as opções de Jesus (apenas duas diferenças relativamente ao meu onze), como o ritmo tranquilo que a equipa imprimiu ao jogo.


Não houve danos, o Benfica ganhou o jogo, e ficou ainda a dever a si próprio mais um ou dois golos. Mas só com Witsel, Nolito e Rodrigo em campo se viu a superioridade encarnada, num jogo em que também o Santa Clara se apresentou a passo – provavelmente pensando num simpático zero a zero.


Com um palpitante Real Madrid-Barcelona no outro canal, assistir a este sonolento jogo foi um verdadeiro desafio ao benfiquismo. Valeu pela vitória, por um ou outro lance de Nolito, pelas boas indicações dadas por Capdevila (e se estivesse ali a solução para o lado esquerdo?...), pelo primeiro golo de Nelson Oliveira, e pela esperança num grande Benfica-FC Porto lá para fins de Março. Para o apuramento, fica a faltar apenas um empate em casa.


O árbitro esteve bem.

IMPORTANTE, OU TALVEZ NÃO

Cinco anos depois do seu nascimento, a Taça da Liga continua a ser encarada por alguns como uma prova menor e desprezível.



Esta atitude (eu chamar-lhe-ia, má vontade) teve origem na guerra que o FC Porto e Pinto da Costa moveram contra Hermínio Loureiro por alturas do processo Apito Dourado – na verdade, nunca lhe perdoaram a sua firmeza e independência, coisas a que não estavam habituados -, e que, como sempre, foi seguida pavlovianamente pelas encarneirizadas massas portistas. Tendo a Taça da Liga sido um dos grandes emblemas da gestão de Hermínio, tornou-se rapidamente um alvo desses ataques, não sendo poucas as tentativas de a atingir e amesquinhar. Tudo isto se acentuou com as três vitórias consecutivas do Benfica, que acrescentaram mais um argumento a quem, do outro lado, queria desvalorizar (mais no discurso do que na acção, diga-se) a jovem prova.



Infelizmente já vou tendo uns anitos (mais do que aqueles que queria ter), mas felizmente tenho boa memória. Recordo-me perfeitamente do que foi o nascimento da Supertaça, a forma como foi tratada por Federação e clubes, e o modo contrastante como o FC Porto sempre a encarou. Tratando-se, aqui sim, de uma prova objectivamente menor (de apenas um jogo), o FC Porto nunca deixou de aproveitar para somar troféus e deles fazer gala, sendo, durante muitos anos, o único clube que verdadeiramente tomava a Supertaça como algo que ela nunca foi. Sobretudo quando a ganhava frente ao Benfica (e, por desgraça, aconteceu bastantes vezes), percebia-se que de um lado estava quem não se comprometia demasiadamente com a ocasião, e do outro gente de faca nos dentes disposta a tudo para erguer um troféu nas barbas do rival. Vi, com estes olhos que a terra há de comer, adeptos portistas em êxtase, noite dentro à espera do autocarro da sua equipa depois de vitórias na Supertaça (o que não critico, apenas constato). Vejo a mesma ser utilizada para comparações de número total de conquistas. Ou seja, quando o FC Porto ganha, as provas são importantes; quando perde, não têm relevo, fazendo tudo para as menorizar – enquanto, de sorriso amarelo, vai fazendo os possíveis por ainda assim as ganhar, e sobretudo por evitar que os rivais (ou melhor, o rival) as ganhem.



Mais espantosa é a forma como muitos benfiquistas embarcam nesta cantiga, olhando também eles de soslaio para uma competição que, por motivos óbvios, lhes deveria merecer o maior carinho. A vitória do ano passado, e os tristes episódios que se lhe seguiram, são disso exemplo. Mas há gente que, do alto do seu romantismo revivalista e anossessentista, até a Liga Europa deita fora, numa lógica para mim verdadeiramente incompreensível - e se há troféu que invejo no palmarés portista é precisamente a Uefa/Liga Europa, e daria um dos 32 campeonatos do Benfica só para ter estado em Dublin, no lugar do Sp.Braga, mesmo perdendo a final.




Sou daqueles que entende que todos os troféus são importantes (nem concebo o desporto de outro modo), e que um clube como o Benfica tem sempre de jogar para os ganhar. Nunca vi um benfiquista na rua a comemorar qualquer das Taças da Liga conquistadas, mas pessoalmente não deixei de as festejar à minha maneira. Fiquei particularmente feliz com os 3-0 diante do FC Porto, há duas épocas, curiosamente na única final em que não pude estar presente. E será também oportuno lembrar o quanto fiquei aborrecido com a eliminação em Setúbal, na primeira edição, em jogo a que assisti, e obviamente antes do Benfica ter o seu nome inscrito no palmarés da prova.




Se analisarmos, por exemplo, as audiências televisivas, verificamos o quanto a Taça da Liga veio trazer ao futebol português, tendo hoje o seu lugar bem firmado no panorama competitivo luso. Alguns dos seus jogos entraram directamente para a história (o célebre penálti assinalado por Lucílio Baptista foi dos momentos mais mediáticos dos últimos anos), e se nos lembrarmos que as finais tiveram sempre lotação esgotada, e algumas meias-finais assistências imponentes (50 mil pessoas no Benfica-Sporting do ano passado), confirmamos que a Taça da Liga foi efectivamente uma excelente ideia, embora porventura ainda necessite de um regulamento mais eficaz.




Sou, pois, um defensor da importância da Taça da Liga, e de todos os troféus oficiais, entendendo que cada um tem o seu próprio espaço, e merece a sua própria relevância. Dito isto, não posso no entanto deixar de estabelecer algumas hierarquias, quer em termos absolutos, quer no plano conjuntural.




Obviamente a Liga dos Campeões é mais importante que a Taça da Liga, assim como o Campeonato é mais importante que a Taça de Portugal, e como a Taça da Liga é mais importante que a Supertaça. A minha hierarquia é fácil de estabelecer: provas europeias (à cabeça das quais, naturalmente, a Champions), campeonato, taças (sendo a de Portugal, pela sua tradição, e pela final do Jamor, mais relevante), e por fim supertaças.




Para além disso, ou na sequência disso, há, no plano conjuntural, que atender a vários factores, que podem, no limite, determinar que uma equipa prescinda do campeonato (se chegar, por exemplo, a umas meias-finais da Champions), de uma Liga Europa (como aconteceu com o Benfica há dois anos), ou de uma Taça de Portugal (como desconfio tenha acontecido agora). É nesta medida (e também porque vem de três triunfos consecutivos) que me parece que o Benfica não deverá comprometer-se muito nesta (e apenas nesta) edição da Taça da Liga.




O calendário é apertado, as lesões começam a surgir (por diferentes motivos estão fora Garay, Ruben Amorim, Enzo Perez, Aimar e Cardozo), e o Benfica - já o disse aqui – não pode arriscar um milímetro na luta pelo título. A Champions é a Champions, e terá, como é óbvio, de ser jogada nos limites. Sendo este campeonato particularmente importante, e estando a luta tão acesa, não me parece que exista espaço para mais nada, num plantel que é bom, mas não é super.




Deste modo, defendo que Benfica jogue com uma segunda linha durante esta primeira fase. Se tiver de ser eliminado, que seja – pode ser que daí saia finalmente a valorização do tri alcançado -, se chegar às meias-finais, então logo se verá. Em Guimarães percebia que era necessário dar ritmo aos titulares. Agora esse problema não se coloca, pelo que é hora de poupar.




Deixo pois o onze que eu, em coerência com a ideia que acabo de expressar, escolheria para a partida com o Santa Clara. Tenho a convicção de que será suficiente para vencer. Os outros? Que descansem bem, pois no domingo a luta continua.

VAMOS A CONTAS

Este quadro é a prova de que o dinheiro não traz felicidade.


O Benfica foi o clube que menos gastou, o único com saldo positivo entre vendas e compras, e vai na frente da classificação. O Sporting foi o que efectuou um maior investimento líquido, e está já afastado do título. No meio, um FC Porto que gastou, sobretudo, mal, pois por diferentes motivos, nenhum dos sete contratados (quase 46 milhões investidos) foi até agora titular indiscutível da equipa.


Não figuram aqui as contratações a custo zero. No Benfica foram várias, entre as quais Artur, Matic e Nolito, por sinal todos titulares no último jogo.

CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA-V.SETÚBAL

Dois lances merecem reparo: um cartão amarelo por mostrar a Ney, por entrada sobre Cardozo, e o segundo amarelo ao paraguaio, quanto a mim excessivo, tal como já mencionei no texto sobre o jogo.

De resto, arbitragem aceitável, de um juiz a rever.

Resultado Real: 4-1


FC PORTO-RIO AVE

Rolando bem expulso, ainda que, no meu ponto de vista o devesse ter sido com segundo amarelo, e não com vermelho directo, pois o avançado do Rio Ave não segue directamente alinhado com a baliza.

Mais cartão, menos cartão, este árbitro também não esteve mal.

Resultado Real: 2-0


SP.BRAGA-SPORTING

Apesar de ter havido alguma complacência disciplinar, até ao último minuto João Capela também estivera em plano positivo. Aquele livre indirecto é, todavia, mal assinalado, pois o atraso acaba por não ser intencional – pelo menos daquele modo. Não teve consequências, mas tratou-se de um erro evitável.

Resultado Real: 2-1


CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA 41

FC Porto 37

Sporting 32


De um modo geral, e terminada a primeira volta, parece-me oportuno referir que as arbitragens têm estado genericamente bem melhor que na temporada anterior. Aliás, a diferença entre a classificação real e a classificação oficial é pouco expressiva, e resulta de pormenores. Que as coisas continuem assim, e que o futuro campeão não seja beliscado no seu mérito por via de interferências exteriores.

PACIÊNCIA...

Trinta e tal milhões de euros, um incêndio e muito foguetório depois, o Sporting concluiu a primeira volta com os mesmos pontos, e um lugar abaixo do que havia feito na temporada passada, então com o já esquecido Paulo Sérgio.



É verdade que nalguns jogos (não mais do que três, a saber: Lazio, Guimarães e Gil), o conjunto leonino chegou a ameaçar uma eventual candidatura ao título. Mas na hora da verdade, repetidamente, voltou a fracassar, deixando fugir o principal objectivo pelo décimo Natal consecutivo. Agora terá de lutar com um Sp.Braga em crescendo, pelo terceiro lugar – que nesta temporada dará acesso às pré-eliminatórias da próxima Champions League.



Desde o dia 6 de Novembro, quando venceu a União de Leiria por 3-1, o Sporting só voltou a ganhar um jogo do Campeonato (também em casa, ao Nacional, por 1-0, com alguma aflição pelo meio). Se juntarmos a esta fase o começo desastroso que hipotecou sete pontos em três jornadas, verificamos que o fulgor do “novo” Sporting durou menos de dois meses, e traduziu-se numa breve sequência de vitórias, muitas vezes fortuitas, e quase sempre face a adversários inferiorizados.



Vendo bem, esta é, para já, a sétima pior temporada do clube nos últimos trinta anos, pelo que talvez o problema seja estrutural. Se as arbitragens o penalizaram nas primeiras jornadas, de Paços de Ferreira em diante protegeram-no, pelo menos, em igual dimensão. E muitas das lesões (não todas, é certo) terão de ser assacadas á própria metodologia de treino e recuperação do clube, sendo também de referir que algumas delas estavam já inscritas no preço de compra dos próprios jogadores (sendo Jeffren o caso mais saliente). Portanto, o Sporting terá de queixar-se de si mesmo, reflectir sobre o seu passado, e sobre o seu presente, num contexto em que não lhe será nada fácil voltar a investir como fez no último Verão - quando Carlos Barbosa (?) chegou a dizer que FC Porto e Benfica iriam inevitavelmente competir apenas pelo segundo lugar, pois o Sporting seria de outro campeonato. Até porque ao prejuízo de mais de 40 milhões de 2011, irá seguir-se um outro, provavelmente muito maior, em 2012. Para uma SAD que há bem pouco tempo estava em falência técnica, não deixa de ser preocupante.


De dinheiros não é bom falarmos, pois a crise vai tocar a todos. Quanto aos relvados, a luta pelo título segue resumida à dupla do costume. O Sporting ...está de volta!


A ONDA A CRESCER






Num fim de tarde chuvoso, em altura de acentuada crise económica, e com o fim do mês ainda longe, estiveram no Estádio da Luz mais de 56 mil pessoas. Este número espelha inteiramente o entusiasmo que começa a crescer em torno da equipa do Benfica, que, pelo menos no plano estatístico, está a fazer o melhor campeonato que há memória desde o início da década de oitenta do século passado.


Não vou omitir que desconfiei desta equipa. Em certos momentos (Outubro, início de Novembro) pareceu-me temerosa, encolhida e com muito pouca dinâmica colectiva. Aí (em Aveiro, com o Olhanense, etc) terá tido a protecção da estrelinha que sempre acompanha os campeões, e que lhe permitiu acumular pontos, e chegar à sua melhor fase (esta) com as aspirações absolutamente intactas. Agora, tenho todo o gosto em dar a mão à palmatória, e reconhecer que o Benfica-2012 começa a assemelhar-se muito com aquele que, há dois anos atrás, encantou o país. Terá sido, este crescendo de forma, uma estratégia calculada e planeada? Só Jorge Jesus e o seu staff o saberão. O que é um facto é que os últimos jogos (e já são vários, os suficientes para definir uma tendência) mostram-nos um Benfica esmagador, brilhante, goleador, extremamente afirmativo e confiante, prometendo uma ponta final de temporada repleta de glória. É, no momento, não só a melhor equipa portuguesa, como o principal favorito ao título.


O Vitória de Setúbal é uma equipa constituída em redor de um núcleo de jogadores muito experientes, mas para quem a fase mais fulgurante da carreira já ficou para trás. Seria um adversário perigoso se o Benfica deixasse correr o jogo a ritmos baixos, por entre os quais Neca, Pitbull, Hugo Leal e outros, tenderiam a impor a capacidade técnica que ainda lhes resta. Deste trio, apenas Neca entrou de início, mas ao longo dos primeiros vinte minutos, foi precisamente ele que conduziu todo o futebol sadino, o qual, beneficiando justamente do ritmo lento permitido por alguma apatia benfiquista (e de algum espaço concedido no corredor central fruto das ausências simultâneas de Aimar e Javi Garcia), levou perigo até perto da baliza de Artur. Aos 24 minutos o Benfica perdia por 0-1, golo de…Neca, e o Vitória de Setúbal estava como queria.


Mas as campainhas de alarme depressa tocaram. E foi precisamente naquela situação de algum desconforto que veio ao de cima o nível de confiança que este Benfica manifesta, e a dinâmica de vitória em que começa a navegar.


A desvantagem no marcador e no jogo espicaçou os encarnados, que a partir do golo de Nolito (que, desde logo, tranquilizou os espíritos mais inquietos), soltaram os cavalos (expressão feliz do insuspeito Miguel Sousa Tavares), e arrancaram para uma exibição de gala, que duraria até meio da segunda parte, altura em que – com os três pontos no bolso – a torneira pôde, enfim, ser novamente fechada.


Nesses cerca de 40 minutos (vinte, mais vinte), o Benfica foi avassalador, não dando tréguas a um adversário que foi lutando como podia, mas que rapidamente se sentiu incapaz de resistir a tão grande caudal de futebol ofensivo. Mesmo sem Garay, Javi Garcia, Aimar e, de início, Nico Gaitán, o espectáculo empolgou as bancadas, sobretudo por via das excelentes prestações de Witsel, Cardozo e, sobretudo, Rodrigo – cada vez mais explosivo, cada vez mais rompedor, cada vez mais craque.


Os números ficaram pela chapa quatro (tal como em Guimarães e em Leiria), mas não fosse Diego, poderiam ter subido até a uma conta bastante mais expressiva. Em 2010 foram oito, ontem poderiam ter sido seis ou sete.
O FC Porto também ganhou, e não perde há mais de cinquenta jogos consecutivos. Em termos de números, está também a fazer uma campanha assinalável. Mas quando uma equipa, já a meio da temporada, exibe a dinâmica de vitória que o Benfica está a criar (como fez há dois anos, e como o FC Porto de Vilas Boas fez na época passada), não é normal que não seja campeã. Ainda faltam muitos jogos, mas daqui para a frente há que contar, para além de um elevadíssimo nível de confiança dos jogadores, também com o peso das bancadas, e com o entusiasmo de seis milhões de portugueses a torcer por fora. Não marcam golos, mas ajudam a marcá-los, pois (sobretudo) em altura de vitórias a nação benfiquista, com o seu apoio, com a sua força social, consegue, de facto, ser muito poderosa.


Os destaques individuais já ficaram registados. Witsel fez muito bem de Aimar, Rodrigo vai fazendo de craque. E Cardozo faz dele próprio, levando já 117 (!!!) golos em provas oficiais com a camisola do Benfica.

Quanto ao árbitro, estreante em jogos com equipas grandes, pode dizer-se que teve a sorte de apanhar um jogo sem casos, realizando assim uma actuação discreta, como se pede à função. A expulsão de Cardozo pareceu-me, contudo, demasiado rigorosa. É a segunda vez que Tacuára é expulso esta temporada, ambas por acumulação de amarelos, e creio que nenhum desses quatro amarelos (dois com o Sporting, e dois agora) é, eu diria, óbvio. Entendo que os árbitros têm, naturalmente, de aplicar as leis, mas a gestão do espectáculo também tem de ser acautelada. Um pouco de bom senso evitaria este tipo de expulsões (sem qualquer violência, sem indisciplina, sem incidência desportiva), que por vezes estragam os jogos, amputando-os, e não trazendo nada em troca – nem mesmo um qualquer sentido de justiça.

O MEU ONZE

Partindo do princípio que Gaitán, Witsel e Cardozo estão recuperados, e Aimar permanece de baixa.

PEÃO DE BREGA



É certo que os poderes da Liga já não serão o que eram. Mas a escolha para a dirigir de um tipo sinistro e com ar de fala-barato, colega de escritório de Adelino Caldeira, patrocinador de Pinto da Costa no processo Apito Dourado, e que defende acerrimamente a centralização da negociação dos direitos televisivos - manietando o Benfica no uso da sua principal arma -, não pode deixar de causar alguma preocupação.

POR CIMA DA MESA

Não sei se Djaniny vai ou não para o Benfica, nem se tem qualidade para lá se afirmar.


A eventual transferência está a ser mais debatida pelo timing, do que propriamente pelo valor do atleta – que, mostrando bons pormenores, ainda terá muita papa “Cerelac” para comer.


Diz-se que o Benfica não o deveria ter contactado nesta altura. Estando o mercado aberto a partir do início do mês, não sei então quando deveria, ou poderia, ter estabelecido o contacto (em Fevereiro? em Novembro? depois de outros clubes chegarem?). Este é o primeiro elemento mistificador do caso.


O segundo, e mais importante, é que, tal como aconteceu com Jardel (ex Olhanense), a negociação tem sido absolutamente transparente. Houvesse intenções corruptas e seria fácil deixar o jogador por lá, sob a penumbra do desconhecimento, e, por entre promessas e pagamentos menos claros, esperar algo em troca nos jogos contra. Rolando, por exemplo, andou anos a ser contratado pelo FC Porto, e a jogar (por coincidência ou não, quase sempre mal) contra o seu futuro clube, sem que muita gente desse por isso. Helton, teve de ser retirado do campo por um treinador num certo jogo, para todos ficarmos a saber que tinha um pré-acordo (até aí oculto) com o FC Porto. Beto teve de sofrer primeiro quatro golos, para semanas depois ver confirmada uma contratação que já estava comprometida. Com Kleber (convocado, não se sabe porquê, para a selecção brasileira), foi aquilo que se viu. Sem falar em Moutinho, que até meteu uma não convocação para a selecção, neste caso, portuguesa, de modo a facilitar o negócio.


Creio pois que a verdade desportiva sai bem mais defendida quando as coisas são feitas em cima da mesa. Há um período para transferências (absurdo, mas existe), há jogadores que interessam, há uma negociação legítima, e fica ao critério dos seus treinadores utilizá-los ou não – de acordo com as condições psicológicas que lhes vejam no momento. Com Jardel (que não jogou) e com Djaniny (que jogou), foi isso que aconteceu.

O FOLCLORE DE ALVALADE






Cadeiras arrancadas, incêndios em estádios, ameaças aos árbitros no intervalo dos jogos, imagens violentas no túnel. A este “novo” Sporting, cosmeticamente refundado, apenas têm faltado…resultados.




Na verdade, se Godinho Lopes parece um gentleman, na sua direcção subsistem verdadeiros jagunços, cujo alinhamento (subserviência?) com a principal claque não tem paralelo na vida quotidiana de mais nenhum clube português.




As claques têm um papel importante, e já as tenho defendido em várias ocasiões. Tornam o futebol mais colorido, e dão-lhe uma banda sonora que já não dispenso quando vou ao estádio. O problema surge quando lhes dão protagonismo e poder fora do seu habitat natural, que é nas bancadas.




No Sporting sempre se confundiu tudo, havendo quem pense que a voz grossa com que o clube pretende falar ao país desportivo tenha alguma coisa a ver com os grunhidos de meia dúzia de gangsters militarizados e semi-analfabetos. Assim ficou sem José Mourinho e Paulo Bento no passado. Assim perde a dignidade no presente. Assim compromete a sua imagem futura.




Conheço os balneários da Luz (tanto os da casa, como os dos adversários), e a decoração – colorida, festiva, empolgante – nada tem a ver com o que se vê nas fotos agora publicadas. Se a ideia era impressionar os jogadores contrários, creio que recordar os triunfos (embora necessariamente já longínquos) do Sporting, lembrar Manuel Fernandes, Peyroteo, Jordão, Yazalde, e, porque não, Carlos Lopes ou Joaquim Agostinho, faria bastante mais efeito. Esse Sporting sim, ainda podia, de facto, assustar alguém. Delinquentes da Juve Leo, com suásticas tatuadas, caras tapadas e mãos estendidas, não assustam. Repugnam.




Este episódio – como, noutro plano, a pintura da relva – define o insanável conflito entre aquilo que o Sporting quer parecer (um clube grande, distinto e respeitador), e aquilo que verdadeiramente é (uma entidade amesquinhada, sem norte, submersa em conflitos existenciais, e moralmente vendida aos seus ultras).




Até porque, como disse no início, os resultados não ajudam. À excepção da Taça de Portugal, que lhe caiu de borla nas mãos, a época sportinguista não promete nada de especial em relação ao seu passado recente. Desde 6 de Novembro apenas ganhou um jogo, está afastado do título pelo décimo Natal consecutivo, e se perder em Braga fica em quarto lugar, exactamente com os mesmos pontos que tinha no final na primeira volta de 2010-11. Como acontece com o relvado, a diferença está na máscara - agora bastante mais folclórica.

OBVIAMENTE, MESSI

Só o fim da carreira, e o respectivo distanciamento histórico, poderão dizer se entrará para a eternidade no mesmo plano de Pelé e Maradona. Quanto a mim, falta ainda a Messi um grande Campeonato do Mundo (de preferência ganhando-o). Foi nessa competição que os astros do futebol assinalaram os seus reinados, e é aí que o jogador do Barcelona tem de os desafiar. Em condições normais, restam-lhe duas oportunidades. Mas o momento, é dele.

CLASSIFICAÇÃO REAL

SPORTING-FC PORTO

Dois casos merecem análise: Polga deveria ter sido expulso com segundo cartão amarelo, e ficam dúvidas num possível empurrão a Otamendi na área do Sporting.

Os cartões não contam para efeitos de classificação real. Quanto ao eventual penálti, como tenho poucas certezas (é dos muitos lances que se analisam conforme as cores das camisolas), e como o central portista nem sequer reclamou, vou dar o benefício da dúvida a Pedro Proença.

A foras-de-jogo mal tirados não dou importância. Acontecem aos magotes, e ninguém pode provar que originariam golos. Sabe-se que em Alvalade há uma sensibilidade especial a qualquer cócega que os árbitros não decidam a favor do Sporting, mas isso, a mim, não me impressiona.

Resultado Real: 0-0


U.LEIRIA-BENFICA

Javi Garcia viu o cartão amarelo no lance errado. Quando Cosme Machado lhe o mostrou, o médio espanhol nem tocara no adversário. Pelo contrário, numa entrada às canelas do jogador leiriense ficou impune.

Além disso, e de um livre sobre a linha da área que ficou por marcar por falta sobre Saviola, não houve mais casos dignos de nota.

Resultado Real: 0-4


CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA 38

FC Porto 34

Sporting 32


Como se vê, estão aqui espelhados os pontos (não mais de quatro) em que o Sporting foi penalizado nas primeiras jornadas. Daí para cá, nomeadamente em questões disciplinares, os leões têm beneficiado de uma enorme protecção das arbitragens, coisa que, pela sua subjectividade, não entra nestes números.

É normal que uns vejam o copo meio cheio (golos mal anulados com Olhanense e Marítimo nas primeiras jornadas), e outros o copo meio vazio (expulsões injustas de adversários, e vermelhos por mostrar a Jeffren, Onyewu, João Pereira, Carriço e Polga, desde então). Mas dizer-se, à boca cheia, que o Sporting não lidera o campeonato por causa das arbitragens... raia a demência.

À LÍDER


Embalado pelo resultado de Alvalade (que lhe deixava a porta aberta para a liderança isolada), o Benfica venceu categoricamente na Marinha Grande, mostrando que o tempo das inquietações está a ficar para trás, e que o título é um objectivo sólido e cada vez mais credível.



Nos últimos jogos (Rio Ave, V.Guimarães e U.Leiria), os encarnados marcaram 13 golos e sofreram 2, deixando no ar um cheirinho daquilo que foi a saga de 2009-2010. Estes resultados não mentem, e é inegável que o Benfica deste momento incute bastante mais confiança do que aquela equipa cinzentona que, há dois meses atrás, ganhava de aflitos ao Olhanense e ao Beira-Mar, e empatava em casa com o Basileia.



Mesmo amputada dos seus dois elementos mais criativos (Aimar e Gaitán), o futebol do Benfica nesta partida foi quase sempre vibrante, fluído, e consistente, esmagando a equipa adversária contra as paredes da sua inferioridade. Nunca a vitória esteve em causa, e não fosse o guarda-redes leiriense, a goleada poderia até ter sido mais expressiva.



A principal diferença entre este Benfica e o de há dois meses atrás, reside na forma intensa como os jogadores lutam pela bola, recuperando-a com rapidez, e criando, com isso, lances de ataque em catadupa. Avançados inspirados e certeiros fazem o resto, elevando a confiança colectiva numa espiral que, passo a passo, pode tornar-se difícil de travar – e o ambiente nos estádios já reflecte essa onda.



As próximas jornadas trazem dois jogos consecutivos na Luz, contra equipas da segunda metade da tabela classificativa (V.Setúbal e Gil Vicente). Eis pois a oportunidade para consolidar a liderança, e deixar que, a cada jornada passada, ela se encarregue de danificar a moral dos principais adversários. Faltam seis jogos para o confronto directo com o FC Porto, e acredito que, se o Benfica os ganhar, chegará a esse momento com as contas todas do seu lado, e em posição de grande conforto face ao título.




Na noite da Marinha Grande destacaria Bruno César, Rodrigo e Maxi Pereira como os elementos mais em foco. Cardozo marcou pela quinta vez consecutiva, chegando-se à liderança da lista dos goleadores. Artur esteve onde foi preciso. Ninguém jogou mal.


Cosme Machado não teve casos difíceis para analisar. Ainda bem, pois é juiz que não merece qualquer confiança, sendo a sua nomeação (a primeira dos novos poderes) um dado um tanto preocupante.

AMIGOS

Jogo agradável de seguir, com uma boa arbitragem, com algumas oportunidades, e um resultado particularmente saboroso para quem estava de fora.

O FC Porto não perde há 53 jogos consecutivos. O Sporting, em dois meses, só ganhou um jogo para o campeonato, e de forma bastante sofrida (1-0 em casa ao Nacional). Não restam dúvidas algumas sobre qual o grande adversário do Benfica na luta pelo título.

ONZE PARA LEIRIA

AS CONTAS DA JORNADA



NÃO ADOPTO

Só tive Multibanco em 1995, Telemóvel em 2001, e não tenho, nem tenciono ter, conta no Facebook. Não sei muito bem o que é um Ipod, nem um Ipad (nunca gastaria um cêntimo em coisas com estes nomes), e não consigo perceber o que de tão relevante fez Steven Jobs pela humanidade. Serei certamente uma espécie rara no mundo da blogosfera, que entendo de forma meramente instrumental. Continuo a gravar os meus filmes em cassetes VHS, e não vejo qualquer razão para mudar (até porque, ao contrário do que se diz, duram mais do que os DVD’s). E faço mentalmente as minhas contas ainda em escudos (preparando-me, quiçá, para o seu indesejado regresso).



Custo a adaptar-me a quase a tudo, e nunca me canso de quase nada. Mesmo sabendo que não posso parar o tempo, gosto de andar atrás, e não à frente, das tecnologias, e das novidades. Espero para ver se trazem algo de novo, algo de denso, e não passam de simples modas de circunstância, ou apelos a um consumismo vazio. Normalmente acabo por me render, sem complexos nem sectarismos, mas quase sempre já nas raias da segregação social, e quando a mudança (seja ela qual for) está já generalizadamente testada.



Com este espírito radicalmente conservador, que não prezo, nem desprezo (apenas constato), não me peçam para adoptar acordos ortográficos. Embora compreenda as suas fundamentações, sempre escrevi, escrevo, e escreverei, conforme aprendi na escola, e lá para 2022, se ainda estiver vivo e achar estritamente necessário, pensarei melhor no assunto. Até porque tenho mais de dois mil livros em casa, quase todos escritos com a mesma ortografia, e não tenciono deitá-los fora.

GOLEADORES DO SÉC XXI




Refira-se, como curiosidade, que Cardozo tem, sozinho, mais golos marcados no Benfica do que Pedro Mantorras, Fabrizio Miccoli, Pablo Aimar, Angel Di Maria, Rui Costa e Fábio Coentrão todos juntos.


Continuem, pois, a assobiá-lo.

UMA TAÇA ENGRAÇADA

Últimos 16 jogos: 15 vitórias e 1 empate. Apenas uma derrota em toda a história (em Outubro de 2007). Três títulos em quatro edições. Eis alguns dos motivos porque os rivais do Benfica tanto desvalorizam a Taça da Liga.

...E TUDO TACUARA LEVOU



45 minutos em campo, dois golos espectaculares, um golo anulado, um remate por cima da barra, e guarda-redes obrigado a duas grandes defesas. Este foi o balanço do desempenho de Óscar Cardozo na estreia do Benfica na Taça da Liga 2012, e a ele se deve grande parte da vitória encarnada na noite de Guimarães.

É verdade que a expulsão de Pedro Mendes condicionou a equipa da casa. Mas foi a entrada extremamente afirmativa do paraguaio em campo que deu ao Benfica um triunfo que o coloca muito bem encaminhado para as meias-finais da competição. Até à aparição de Tacuara, e em quase toda a primeira parte, a exibição benfiquista fora apagada, e tão fria como a temperatura que certamente afastou muita gente das bancadas. Valera então a ineficácia vimaranense, e os apurados reflexos de Eduardo – mostrando-se, no Minho, um digníssimo substituto do grande Artur – para evitar males maiores. Mesmo com uma equipa muito parecida com a titular, e depois de se ter colocado em vantagem, o Benfica não conseguia mandar no jogo, nem evitar os ameaçadores ataques do adversário. O golo de João Paulo, logo a abrir o segundo período, trouxe a justiça que até ao intervalo se não fizera. Mas daí em diante, o filme foi outro.

A última meia hora trouxe os golos, que até podiam ter sido mais, e a espaços também algum espectáculo, a deixar água na boca para os próximos compromissos.

O Benfica entra em 2012 da mesma forma que saiu de 2011: a golear. Agora, em Leiria, com as festas natalícias já digeridas, e com as pernas mais soltas, numa jornada que pode ser chave, espera-se que a saga vitoriosa continue.

Já me esquecia de falar de Bruno Paixão. Esteve mal, prejudicando as duas equipas, e sobretudo o próprio jogo. Ficou na retina um penálti claro cometido sobre Nolito, já depois de algumas faltas assinaladas ao contrário. Javi Garcia terá de ser mais prudente, embora eu não defenda que um incidente daquele tipo seja motivo para expulsão. Sou adepto do Hóquei no Gelo, e embora ache que o Futebol não pode, nem deve, chegar àquele extremo, também não me parece que um simples desaguisado, um empurrão, uma canelada ou um encostar de cabeças deva ser confundido com uma agressão reflectida e deliberada. Esta opinião vale para todos os jogos.

DE REGRESSO

Terminadas, com êxito, as festividades relativas ao Natal e à Passagem de Ano, VEDETA DA BOLA está de regresso, para um 2012 que se espera possa ser, pelo menos, não tão mau como o maldito 2011 que finalmente nos largou.



Destes dias sobram os casos Ruben Amorim e Enzo Perez, sobre os quais não me irei pronunciar, por absoluto desconhecimento de causa.



O futebol do Benfica está cada vez mais blindado, e não serei eu a contribuir para furar essa blindagem. Enquanto benfiquista que participa, de algum modo, no processo comunicacional do clube, o meu critério é simples. Aquilo que eu saiba, e não for prejudicial aos interesses do meu clube, poderei aqui partilhar com os estimados leitores. Aquilo que eu, por acidente, souber, mas achar que o clube nada ganha em dar a conhecer ao grande público, jamais alguém saberá por mim. Sobre aquilo de que nada sei (para além do que sai nos jornais), não irei seguramente, e por maioria de razão, inventar. Estes dois casos, como a maioria dos temas relacionados com o Benfica actual, pertencem ao último grupo de questões. Assim sendo…




Sobre o mercado de transferências não há ainda muito para dizer. No caso do Benfica, as únicas novidades são, para já, o regresso de André Almeida (não tenho acompanhado os jogos do U.Leiria, mas não desgostei dele na pré-época), e a renovação de Saviola. Não sei, mas desconfio, que Saviola tenha um salário sensivelmente mais baixo que o de Aimar, e daí ter já renovado contrato, ao contrário do amigo. Pelo que se percebe da última entrevista a Luís Filipe Vieira, o Benfica pretende que o “dez” aceite baixar um pouco a sua remuneração (eventualmente, digo eu, para o nível de Saviola), de modo a que seja possível mantê-lo em Portugal, mesmo em tempo de crise. Com o rendimento desportivo que Aimar tem evidenciado (eu próprio o considerei figura do ano no jornal do clube, não me passando pela cabeça que com isso talvez não estivesse a ajudar os propósitos da renovação), também desconfio que lhe seja difícil aceitar auferir menos, até porque o amor à camisola foi chão que já deu uvas. Gosto muito de Pablo Aimar, mas só a SAD encarnada saberá o que lhe pode pagar, num contexto em que - e isso, infelizmente, sabemos todos muito bem - as coisas não são o que eram há dois ou três anos atrás.




Começa hoje a Taça da Liga para o detentor do troféu.



Sou dos que acha que todas as provas são importantes, e já me desloquei expressamente (e dispendiosamente), quer ao Algarve, quer a Coimbra, para finais da Taça da Liga, sempre recompensado com triunfos. Sobretudo quando os principais títulos se escapam, uma Taça da Liga (como, em maior grau, uma Taça de Portugal, e em menor grau uma Supertaça) pode sempre reconfortar a alma. Até porque se trata de uma prova engraçada, que integra todos os clubes profissionais, e que, mesmo com um regulamento discutível, já encontrou o seu espaço no calendário nacional, sendo hoje, claramente, a terceira prova do futebol português.



Com três troféus conquistados nas últimas três edições, ainda envolvido na Champions League (novidade face às últimas temporadas), e proibido de voltar a falhar na grande prioridade-título nacional, o Benfica tem este ano, porém, algumas razões para não se expor demasiado nesta Taça da Liga. As próximas jornadas do Campeonato são cruciais, em Fevereiro voltará a Liga dos Campeões, e o desgaste far-se-á sentir necessariamente à medida que as semanas de competição se vão acumulando nas pernas. Neste contexto, creio que o Benfica deverá poupar os seus principais elementos aos jogos da Taça da Liga, fazendo, por outro lado, com que os que entrarem em campo o façam a top de motivações e energias, mantendo o ritmo de todo o plantel em regime de equilíbrio.



Se, assim, com uma equipa alternativa, o Benfica conseguir chegar às meias-finais (possivelmente com o FC Porto na Luz, e já no pós-Zenit), então, aí chegado, talvez se justifique uma aposta mais forte. Se não conseguir o apuramento, e der a oportunidade a FC Porto ou Sporting para vencerem a prova, também não haverá qualquer drama. Será, até, a forma de o tri-benfiquista ser, enfim, valorizado, pois conhecendo o país desportivo sei que só a partir do momento em que FC Porto ou Sporting conseguirem vencer a Taça da Liga, é que esta passará a ser tida generalizadamente como uma competição verdadeiramente importante.



De acordo com o que acabei de escrever, fica então o onze para Guimarães:

BOAS FESTAS

VEDETA DA BOLA deseja a todos os leitores um bom Natal, e um 2012 melhor que 2011 - que para a maioria dos portugueses não deixará muitas saudades.

Desportivamente, faz agora um ano, desejei uma final europeia para o Benfica. Por um golo, esse desejo falhou.

Este ano dedico todas as doze passas ao Campeonato. E acredito que vá ter mais sorte.

Que 2012 reserve também uma boa Liga dos Campeões ao Benfica (quartos-de-final parece ser o limite), e um Euro bem sucedido à Selecção Portuguesa (se passar o grupo já não será mau).

Nesta época natalícia, aproveito também para recordar que há coisas muito mais importantes que o futebol, e as rivalidades que nele se estabelecem. É bom não perdermos a noção de que isto é apenas um divertimento, que nos ajuda a passar o tempo livre com entusiasmo, mas que não nos condiciona a vida de todos os dias (por vezes bem mais difícil, e quase sempre bem mais complexa). Podemos viver o desporto com paixão, com fervor, com alegria, com tristeza, com alguma picardia, mas não faz qualquer sentido vivê-lo com ódio. As verdadeiras derrotas da vida não acontecem nos relvados. Aí, são outros que jogam, e nós, adeptos, ganhamos sempre alguma coisa, mesmo quando o nosso clube perde.

Este espaço estará de regresso dia 4 de Janeiro, para falar da Taça da Liga e da evolução do mercado de transferências.

UMA TAÇA NO SAPATINHO

Vencendo uma vez mais em casa, e uma vez mais contra dez jogadores (a décima !!! nos últimos três meses), o Sporting ficou muito perto de, sem saber muito bem como, conquistar a Taça de Portugal.

A sorte do clube de Alvalade nesta competição não tem paralelo. Em 35 anos, este será, mais do que provavelmente, o sexto triunfo, e à excepção de 2008 (quando, com ajuda de Jorge Sousa eliminou o Benfica a uma só mão em Alvalade, e ganhou no Jamor ao FC Porto), as restantes foram...de borla.

Nem em 1982, nem em 1995, nem em 2002, nem em 2006, nem agora em 2012, o Sporting teve de defrontar qualquer outro dos "grandes", metade dos jogos que realizou foram contra equipas dos escalões secundários (até em meias-finais), beneficiou de isenções, jogou quase sempre em casa ou lá por perto, não jogou uma única meia-final fora de casa, e no total dessas cinco taças, as únicas deslocações que efectuou foram para defrontar Boavista (vá lá, uma excepção nas facilidades), Olivais e Moscavide, Alverca, Vila Real, Pinhalnovense, União da Madeira e Famalicão.

Pode dizer-se que não têm culpa. Mas também não creio que tenham muito mérito.

A Taça permite estas aleatoriedades, e é justamente por isso que é a segunda competição, e não a primeira. No Campeonato, em trinta anos, os "leões", "lagartos" ou "osgas", conforme a preferência do leitor, apenas ganharam duas vezes.

ENTRADAS DE JESUS

Desde que Jorge Jesus chegou ao Benfica, os meses de Janeiro e Fevereiro têm sido particularmente felizes. Em 2010, dez vitórias e três empates (dois deles positivos). Em 2011, um pleno de quinze vitórias, entre as quais duas internacionais, uma no Dragão e outra em Alvalade. No total destes dois meses do ano, um registo notável de 25 vitórias, 3 empates e 0 derrotas.


A manter-se a tendência, teremos pois, lá para final de Fevereiro, um Benfica isolado na liderança do Campeonato, apurado para as meias-finais da Taça da Liga, e em boa posição para, no início de Março, carimbar na Luz a passagem aos quartos-de-final da Champions.

O MEU JANEIRO

Não concordo minimamente com esta abertura de mercado a meio da época, com as competiçóes a decorrer. Todavia ela existe. E move-se.

Para o Benfica, é a oportunidade de resolver o seu problema do lado esquerdo da defesa, trocando Capdevila por alguém que se firme como titular indiscutível (Ansaldi? Rojo?), equilibrando a equipa. É também a altura para libertar, sob empréstimo, aqueles que têm tido menos oportunidades, como David Simão, Luís Martins ou Rodrigo Mora. Também a Eduardo (sobretudo a ele próprio) faria bem mudar de ares, até para que o Euro 2012 não lhe escape das mãos.

O meu plantel ficaria bastante reduzido (apenas 22 jogadores), pois a crise obriga a poupar nos salários. Ei-lo:

GUARDA-REDES: Artur e Mika

DEFESAS: Maxi Pereira, Luisão, Garay, Ansaldi, Ruben Amorim, Jardel, Miguel Vítor e Emerson

MÉDIOS: Javi Garcia, Witsel, Aimar, Gaitán, Bruno César, Nolito, Enzo Perez e Matic

AVANÇADOS: Cardozo, Saviola, Rodrigo e Nélson Oliveira


A próxima época deve ser, também, e desde já, preparada, apontando para as inevitáveis saídas de Gaitán (com bastante mercado) e Saviola (alto salário e fim de contrato), e para os regressos de alguns emprestados - eventualmente Sidnei, Carlos Martins, Urreta ou Franco Jara. Não creio que exista dinheiro para novas contratações, nem me parece, honestamente, que façam muita falta. Até porque a concorrência terá igualmente de desinvestir.

DO QUE ELES NÃO FALAM

1ª JORNADA, V.Guimarães-FC Porto, 0-1 (Olegário Benquerença)

Penálti muito duvidoso deu o único golo do jogo; mão de Rolando na área, não sancionada, nos instantes finais


2ª JORNADA, FC Porto-Gil Vicente, 3-1 (Rui Silva)

Expulsão poupada a Otamendi logo aos 2 min; penálti inexistente deu o empate; penálti por marcar, cometido por Sapunaru, já na segunda parte


3ª JORNADA, U.Leiria-FC Porto, 2-5 (João Capela)

No lance do terceiro golo, James parte em fora-de-jogo


4ª JORNADA, FC Porto-V.Setúbal, 3-0 (Marco Ferreira)

Primeiro golo precedido de falta de Belluschi sobre Nuno Amaro; fora-de-jogo mal tirado a João Silva


5ª JORNADA, Feirense-FC Porto, 0-0 (Bruno Esteves)

Penálti por assinalar por rasteira de Belluschi; amarelo por mostrar a Fucile



8ª JORNADA, FC Porto-Nacional, 5-0 (Cosme Machado)

Dois golos fora-de-jogo (2º e 5º), outro precedido de livre marcado ao contrário (3º); penálti por assinalar por falta de Álvaro Pereira sobre Mateus mesmo no final da primeira parte; fora-de-jogo mal tirado a Rondon



9ª JORNADA, FC Porto-P.Ferreira, 3-0 (Hugo Miguel)

Cartão amarelo poupado a Sapunaru


11ª JORNADA, FC Porto-Sp.Braga, 3-2 (Soares Dias)

Expulsão poupada a Álvaro Pereira logo nos primeiros minutos; fora-de-jogo mal tirado a Lima


12ª JORNADA, Beira Mar-FC Porto, 1-2 (Carlos Xistra)


Primeiro golo do FC Porto irregular, com Hulk, em fora-de-jogo, com influência no lance; segundo amarelo poupado a Hulk por simulação na área; fora-de-jogo mal tirado a Balboa







Em nove das treze jornadas, o FC Porto beneficiou de erros de arbitragem mais ou menos graves. É tão habitual que nem se nota. Mas não deixa que ser um cadastro a justificar, no mínimo, algum recato dos seus responsáveis - que há poucas semanas chamavam "heróis" aos simpáticos juízes.

CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA-RIO AVE


O único caso a justificar análise nesta partida é o do suposto fora-de-jogo de Nolito no lance do seu primeiro golo.


Não creio que, estando os pés do jogador em linha, a cintura do jogador em linha, e porventura apenas um ombro em situação de fora-de-jogo (os braços não contam), e estando ele no lado oposto do campo ao do fiscal-de-linha, encoberto por três ou quatro jogadores do Rio Ave, possamos considerar estar perante um erro. Não é humanamente possível ter qualquer certeza sobre um lance daqueles em movimento rápido, e a regra deve ser beneficiar quem ataca. Até porque, se despirmos as camisolas, e virmos a coisa no abstracto, torna-se absurdo imaginar que exista qualquer vantagem adicional para o atacante que parte de um fora-de-jogo de milímetros. E o espírito da lei é justamente impedir essa vantagem.


Isto é válido aqui, como, por exemplo, também em Barcelos, onde o mesmo jogador teve uma situação semelhante, na altura muito criticada. Desta vez, o resultado não deixa margem a grande polémica, mas o princípio é o mesmo. Foras-de-jogo? Só quando existe certeza absoluta, e em lances como este tal não acontece.


Resultado real: 5-1 (mas quem quiser 4-1, que se sirva à vontade)



FC PORTO-MARÍTIMO


Apenas vi os últimos 15 minutos de jogo, e quando ouvi falar num penálti escandaloso sobre Belluschi, pensei tratar-se de uma rasteira violenta, um empurrão flagrante pelas costas, pensei, enfim, que tivesse acontecido algo parecido com uma dupla falta de Álvaro Pereira, no ano passado, em Vila do Conde, com um dos vários cortes com a mão de Rolando, em toda essa mesma temporada, ou com uma falta do mesmo Belluschi, não sancionada, no jogo com o Feirense.


Afinal, trata-se de um lance que só a repetição televisiva esclarece. Há um choque entre um jogador forte e um jogador frágil, e este cai espalhafatosamente. Aceito que seja penálti, mas erros daqueles têm existido às dúzias, muitos deles favorecendo o FC Porto, ou penalizando o Benfica. Erro? Sim. Escândalo? Nem pensar!


O mais curioso é que este tipo de situações ocorre quase sempre em vitórias do FC Porto. É muito, mas mesmo muito raro, vermos aquele clube perder pontos por via de erros de arbitragem, ao contrário do que acontece frequentemente com os seus rivais.


E Pinto da Costa, que há poucos anos recebia árbitros em casa nas vésperas dos jogos, e que pagava prostitutas aos mesmos após os jogos, devia, em nome do pudor, calar-se sobre o tema para o resto da sua vida. Vergonha, já sabemos que não tem. Mas não queira fazer-nos de idiotas.
Até porque o primeiro cartão amarelo a Roberge deixa também algumas dúvidas.


Resultado real: 3-0



ACADÉMICA-SPORTING


Daquilo que vi, dois lances justificam referência: uma alegada falta sobre Insua na área, e uma entrada violenta do mesmo jogador que justificaria expulsão.


No primeiro caso, não creio que haja motivo para penálti. É um lance dividido, o argentino cai, sem me parecer que exista intenção deliberada de o derrubar. Eu não marcaria, embora aceitasse decisão contrária.


A carga violenta do mesmo jogador não deixa dúvidas, e seria razão para explusão. Aqui sim, trata-se de um erro incompreensível do juiz da partida.


Sobre a expulsão de Elias, nada há a dizer. E também não creio que devamos embarcar em preciosismos no caso do lançamento que origina o golo do Sporting (efectuado cerca de vinte metros antes do local indicado) - ainda que se trate de uma situação irregular, que a passar-se com o Benfica teria sido certamente objecto de grande polémica.


Resultado real: 1-1



CLASSIFICAÇÃO REAL


BENFICA 35 (prejudicado em Braga)


FC Porto 33 (sem prejuízo ou benefício líquido)


Sporting 31 (prejudicado nas primeiras jornadas)

O MELHOR EM VINTE ANOS



Nunca, nos últimos 20 anos, o Benfica tivera tantos pontos à 13ª jornada. Mesmo considerando sempre três pontos por vitória, seria preciso recuar até 1990, com Eriksson (na segunda passagem por Portugal), para encontrar uma entrada mais triufante no campeonato, então com apenas 5 pontos perdidos em 13 jogos.

Essa marca será também ultrapassada caso o Benfica ganhe os próximos dois jogos (U.Leiria e V.Setúbal), pois em 1990-91 empatou com o FC Porto à 15ª ronda. Então, só na primeira passagem do treinador sueco, designadamente em 1983-84, poderíamos encontrarmos melhor: apenas 2 pontos perdidos em 15 jogos.

Já se sabe que o recorde é de Jimmy Hagan, em 1972-73, com 23 vitórias em 23 jornadas.

Diga-se também, como curiosidade, que as três temporadas de Jorge Jesus (inclusivamente a de 2010-11), são, a esta jornada, precisamente as três melhores dos últimos quinze anos.

O problema de tudo isto é que o FC Porto, mesmo em crise, não perde para o campeonato desde Fevereiro de 2010, e mantém um impressionante registo de 45 vitórias e 6 empates nos últimos 51 jogos.

BOAS SENSAÇÕES

Uma boa exibição, uma goleada, a liderança no campeonato. A noite de sexta-feira fez lembrar a gloriosa saga de 2009-2010, quando Coentrão, Di Maria, Ramires e alguns dos que ainda cá estão, atropelavam adversários, sucessivamente, a caminho do título. Até o adversário trazia boas recordações a esse nível.

Há alguns jogos que o Benfica, mesmo vencendo, não convencia. Também por isso, a partida com o Rio Ave, sendo a última antes da paragem natalícia, trouxe um conforto acrescido aos adeptos, renovando a confiança num grande campeonato. E se olharmos apenas para os pontos, este é já o melhor em duas décadas.

É preciso dizer que a postura do Rio Ave contribuiu para o espectáculo solto e entretido a que se assistiu. A equipa vilacondense nunca se fechou demasiado, nem mesmo quando se viu em vantagem, após uma primeira meia-hora de grande afirmação futebolística. Ficou a ideia de se tratar de um conjunto com excelentes avançados, sentindo, porém, dificuldades no sector mais recuado, sobretudo perante opositores velozes e criativos.

O Benfica reagiu bem ao golo sofrido, e teve também uma pontinha de sorte na forma como rapidamente, e ainda antes do intervalo, se colocou com dois golos à maior, fechando uma primeira parte de elevadíssimo nível. Ao fazer o 4-1 num dos primeiros lances do segundo período, os encarnados resolveram definitivamente a contenda, ficando apenas a dúvida acerca dos números finais da vitória. Marcariam mais um, já num período de alguma descompressão, acabando com o jogo, e levando a festa do relvado para as bancadas.

Na noite da Luz, há que destacar Nolito, claramente o melhor em campo. Não é um jogador para grandes adornos técnicos, tem um estilo por vezes demasiado voluntarista, mas não há dúvida de constituir um precioso reforço neste Benfica 2011-2012. Há algum tempo que justificava a titularidade – até pela notória quebra de forma de Bruno César -, e tendo-a, aproveitou-a muito bem, marcando posição para o futuro próximo.

Também Aimar (é já recorrente), e Saviola (este não tanto), se destacaram, dupla que igualmente marcou a temporada do último título. Cardozo marcou pelo terceiro jogo consecutivo, e pode dizer-se que, desta vez, ninguém destoou na orquestra de Jesus.

Quase não dei pelo árbitro, excepto quando, muito bem, assinalou a óbvia grande penalidade.

O Benfica lá segue, com 33 pontos em 13 jogos, realizando uma campanha impressionante, pelo menos em termos de eficácia. O problema é que o FC Porto, o tão criticado FC Porto, vai fazendo o mesmo, tendo apenas menos dois pontos que na época passada (embora aí com grandes ajudas da arbitragem), mais quatro que na anterior, e mais seis que no ano do último título de Jesualdo Ferreira. Mas na próxima jornada pode haver novidades.

É O ZENIT



Preferia o CSKA, mas como o bom é inimigo do óptimo...


EQUIPA TIPO: Malafeev, Anyukov, Criscito, Lombaerts, Hubocan, Shyrokov, Zyryanov, Denisov, Fayzulin, Danny e Lazovic TR: Luciano Spalletti

O SENHOR QUE SE SEGUE

Estes são os possíveis adversários do Benfica. A ordem é inversa à das minhas preferências.














AC MILAN (Itália)




ranking UEFA: 11º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Ibrahimovic, Pato, Robinho




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NÁPOLES (Itália)




ranking uefa: 57º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Cavani, Lavezzi, Hamsik








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OLYMPIQUE DE LYON (França)




ranking uefa:




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Michel Bastos, Lisandro, Gomis










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OLYMPIQUE DE MARSELHA (França)




ranking uefa: 14º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Lucho, Valbuena, Ayew





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BAYER LEVERKUSEN (Alemanha)




ranking uefa: 31º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Ballack, Derdiyok, Schurrle






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ZENIT DE SÃO PETERSBURGO (Rússia)




ranking uefa: 17º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Malafeev, Bruno Alves, Danny





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CSKA DE MOSCOVO (Rússia)




ranking uefa: 15º




campeonato 2010-11:




campeonato 2011-12:




estrelas: Dzagoev, Doumbia, Vagner Love

CLASSIFICAÇÃO REAL

BEIRA MAR-FC PORTO

Não me custa a admitir que o FC Porto foi prejudicado em dois lances: um penálti cometido sobre Djalma, e um livre frontal em falta sobre Hulk.

É raro, mas acontece. Quase sempre sem consequências nos resultados. E Carlos Xistra tem amplo crédito na casa.

Há também a considerar um fora-de-jogo mal assinalado ao Beira Mar, que inviabilizou uma jogada de perigo já na segunda parte.

Resultado Real: 1-3


SPORTING-NACIONAL

Nuno Santos (P.Ferreira), Sony (Rio Ave), Nogueira (Feirense), Ivo Pinto (U.Leiria), Cardozo (Benfica) e Stojanovic (Nacional). Seis jogos do Sporting para o Campeonato (metade da prova, e últimos quatro sucessivamente)), seis expulsões de adversários, seis situações de superioridade numérica.

Jorginho e Talocha (Famalicão) e Elderson (Sp.Braga). Dois jogos da Taça de Portugal, três expulsões de adversários, duas situações de superioridade numérica.

Wesley (Vaslui). Um jogo da Liga Europa (no qual se decidiu o apuramento), uma expulsão de um adversário, uma situação de superioridade numérica.

O Sporting de Domingos já se habituou a jogar contra dez, e parece estar a gostar. Dos nove jogos referidos, ganhou oito, e só perdeu na Luz. Nos restantes onze jogos que disputou (sem a tal vantagem numérica), os números são um pouco mais modestos, incluindo duas derrotas e três empates.

Isto é grave, sobretudo se atendermos ao facto de grande parte das expulsões terem sido injustas. Voltou a ser assim, com um dos amarelos mostrados ao jogador do Nacional, que contrasta, aliás, com a impunidade que se tem visto (e mais uma vez se viu) para com João Pereira.

Não me lembro de outros casos deste jogo (só vi o resumo), mas o grande caso deste Sporting é mesmo esta estranha sucessão de expulsões.

Resultado Real: 1-0


MARÍTIMO-BENFICA

Por falar em expulsões, desta vez também o Benfica foi contemplado.

A origem esteve no excesso de cartões amarelos mostrados por Jorge Sousa, que foi penalizando ambas as equipas, e, além da própria expulsão, deixou o Marítimo sem meio-campo para a próxima jornada (curiosamente no Dragão).

Seguindo tão rigorosos critérios, aceita-se o segundo amarelo a Olberdan. A única dúvida reside em saber se o jogador madeirense toca efectivamente em Maxi Pereira, mas em movimento rápido seria impossível termos outra decisão que não aquela.

No lance que antecede um lançamento, que antecede o cabeceamento de Jardel, que antecede a grande defesa de Peçanha, que antecede o cruzamente de Nolito, que antecede o ressalto nas pernas do defesa do Marítimo, que antecede o remate final de Cardozo, há uma possível falta de Aimar sobre o guarda-redes. A acontecer, seria fora da área, pelo que o critério a considerar terá de ser mais lato. Mas dizer-se que o golo foi irregular por causa dessa possível falta soa a ridículo.

Resultado Real: 0-1


CLASSIFICAÇÃO REAL


BENFICA 32

FC Porto 30

Sporting 30

GOLO DE OURO

Perante um adversário que ocupava o quarto lugar da Liga, e que o havia derrotado poucos dias antes na Taça de Portugal, o Benfica tinha um importante desafio às suas capacidades, com a pressão acrescida das vitórias dos rivais na véspera.

Sem brilho, com sofrimento, e necessariamente impulsionado pela expulsão de um jogador madeirense na alvorada da segunda parte, o conjunto de Jesus acabou por se sair bem, triunfando onde certamente poucos o irão fazer, e partindo para uma fase do calendário aparentemente mais dócil – que, a imperar a lógica, o pode guindar à liderança isolada numa das próximas jornadas.

Foi o homem do costume, Óscar Cardozo, a resolver, quando o empate já ameaçava seriamente o horizonte encarnado. O paraguaio, depois de falhar uma oportunidade clamorosa ainda na primeira parte, acabou por se redimir, marcando pela segunda vez consecutiva, e garantindo três preciosos pontos.

Nessa primeira parte, o jogo fora extremamente equilibrado, com as duas equipas numa batalha constante pela posse da bola, procurando inventar espaços que as levassem às balizas adversárias. O Benfica teve quase sempre sinal mais, mas sem ideias suficientes para encostar o Marítimo à sua área, e impor a sua natural superioridade no jogo. O nulo aceitava-se ao intervalo.
Como disse, a expulsão ajudou bastante a equipa benfiquista. Embora o Marítimo não tenha aberto a porta à sua zona defensiva, nem desistido de lançar perigosos contra-ataques, o meio-campo passou a ser território exclusivamente encarnado. Javi Garcia impunha de tal forma a sua presença que Jesus até pôde prescindir de Witsel, incorporando mais uma unidade ofensiva.


Faltava abrir a lata, e foi preciso esperar até aos 85 minutos para que o domínio territorial se transformasse em vantagem no marcador.


O resultado acaba por premiar esse maior domínio, ajustando-se àquilo que foi o jogo.


Cardozo, pelo golo, e Javi Garcia foram os homens em maior destaque no Benfica, ao passo que Rodrigo, adaptado às alas, e Aimar estiveram abaixo das suas performances mais recentes.


Jorge Sousa exagerou nos cartões, penalizando indiscriminadamente ambas as equipas. O golo é absolutamente legal, pelo que não houve interferência no resultado.

MISSÃO CUMPRIDA



Num jogo sem história - entretido na primeira parte, tristonho na segunda -, o Benfica cumpriu o seu dever, e venceu a equipa mais modesta do grupo, alcançando com isso a desejada primeira posição.

Ganhar um grupo onde estava o Manchester United, não deixa de ser um feito. Mas também não podemos esconder que o grupo era, à partida, considerado acessível, e por muito brilhante que tenha sido a carreira do Basileia, creio que o Benfica e o Manchester teriam sempre obrigação de passar. Um cumpriu, outro falhou.

Nesta última partida o Benfica mostrou alguns dos pecados que têm marcado as suas últimas exibições. Poucas ideias, muitos erros. É uma equipa "tacticamente de nariz no ar, parecendo não ter noção dos perigos que corre". As palavras são de Luís Freitas Lobo, e definem, na perfeição, aquilo que tem sido este Benfica ultimamente.

Enfim, como a hora é de festa, vou tentar olhar apenas para o copo meio cheio, esperando, com fé, que a qualquer momento esta equipa solte a qualidade que tem, e me convença que a época irá acabar bem.

Individualmente gostaria de destacar Aimar e Witsel, bem como, uma vez mais, Artur. Quanto a Cardozo, fez aquilo que lhe competia, e deu mais uma vitória ao Benfica. Em sinal oposto está Bruno César, que está claramente em má forma, não justificando a titularidade.

Um conjunto de circunstancias estranhas, tanto em Amesterdão, como em Zagreb, atirou para a Liga Europa o meu adversário preferencial - o Ajax. Dos que restam, talvez escolhesse o CSKA, ou, em alternativa, o Marselha. A evitar, é claramente o Milan.

COM (QUASE) TUDO

Artur tem cartão amarelo e não deve fazer falta. Aimar, também amarelado, pode entrar na segunda parte se se tornar necessário. Sem Luisão, Garay, o terceiro da lista, não pode ser poupado. Maxi Pereira está suspenso. De resto...em força para ganhar o jogo, o dinheiro e o grupo.

A CHAMPIONS AINDA MAIS BELA

Há umas semanas atrás escrevi isto, no jornal "O Benfica":




"O início da temporada europeia trouxe de novo uma questão recorrente: devem ou não os adeptos de um clube apoiar os rivais do mesmo país, quando em provas internacionais?
Não será certamente o debate mais importante do mundo, mas não deixa de ter algum interesse, até para percebermos o que é efectivamente o futebol, e como viver da melhor forma esta paixão que, afinal de contas, nos une a todos.
A minha posição sobre o assunto nem sempre foi a mesma. Cresci com a ideia bem vincada de que, entre portugueses e estrangeiros, devia apoiar os portugueses, quaisquer que fossem as camisolas que vestissem, quaisquer que fossem as circunstâncias que rodeassem a ocasião. Tanto quanto me lembro, vivi assim as primeiras epopeias internacionais do FC Porto, nomeadamente a derrota na final da Taça das Taças, em 1984 (tinha eu 14 anos), e a vitória, três anos mais tarde, na Taça dos Campeões Europeus. Não chorei a primeira, nem festejei a segunda, mas recordo-me de, durante esses jogos, ceder às emoções manifestadas pelos narradores e comentadores televisivos, embarcando no apoio à equipa portuguesa.
Hoje não penso da mesma forma.
Embora entre um estrangeiro honesto e um português corrupto, não hesite em escolher o primeiro, nem sequer estão em causa os métodos - entretanto expostos - que levaram o FC Porto ao seu crescimento competitivo dentro e fora de portas. O que sinto não se limita ao FC Porto, estendendo-se a Sporting, e, mais recentemente, a Sp.Braga.
Creio que a representação nacional por excelência, aquela que une os portugueses em torno das bandeiras do seu patriotismo, é a Selecção Nacional, pela qual torço incondicionalmente. Os clubes representam-se a si próprios, e apesar de compreender a posição politicamente correcta de jornalistas que se querem isentos, não me parece que aos adeptos deva ser exigida tamanha magnanimidade.
Não sou nacionalista, mas sou patriota. Sou do Benfica, e, enquanto português, da Selecção Nacional. Em termos de futebol, ninguém mais me representa."









Em coerência, e sem complexos, não posso deixar de exprimir a alegria que senti com a passagem do Zenit (onde actuam quase tantos portugueses como no FC Porto), e do Apoel (onde actuam mais portugueses do que no FC Porto), pelo que deixo aqui o meu agradecimento a Danny, a Bruno Alves, a Hélio Pinto, a Paulo Jorge e a Nuno Morais, compatriotas nossos que prestigiam o futebol luso além fronteiras.




O Benfica é o único clube português na Champions. É também o que tem o mais rico palmarés na prova. É o passado, é o presente, e espero que possa ser também o futuro, até porque com esta eliminação, a fome (que alguns já vão sentindo, e confessando) tende a acentuar-se para os lados do Dragão.

AS CONTAS DA CHAMPIONS



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A MINHA HOMENAGEM

Como mais vale tarde do que nunca, não queria deixar passar em claro a morte de um craque da minha infância.


Sócrates, com Zico e Falcão, formavam o meio-campo do célebre Brasil de 1982, que marcou toda uma geração de adeptos. Não terá sido a mais consistente equipa da história do futebol, mas foi decerto uma das mais belas, ou até a mais bela. Não me recordo de ver outra a praticar tão bonito futebol - recheado de toques de calcanhar, simulações, dribles estonteantes e passes sumptuosos, num festival de técnica digno de outro mundo.


Chorei a dor da derrota com a Itália de Paolo Rossi (outra grande equipa, embora nos antípodas daquele Brasil), que determinou o rumo de um dos melhores Campeonatos do Mundo de sempre. Talvez se possa até dizer que existiu um Futebol até ao dia desse jogo, e outro Futebol de então para cá. Terminou aí um certo romantismo da bola, uma certa poesia futebolística, para dar lugar ao realismo táctico e científico que hoje temos. Recordei essa partida aqui.


Sócrates era o capitão, e, talvez com a excepção de Zico, a mais brilhante estrela daquela constelação. Tinha, para além do futebol, uma intervenção cívica de relevo.


Fica a minha homenagem.


PS: Quis o destino que o desaparecimento de Sócrates coincidisse com o triunfo do seu clube, o Corinthians, no campeonato brasileiro. O “Timão” é também a equipa pela qual eu torço no futebol canarinho, pelo que a jornada foi duplamente emotiva.

CULPAS PRÓPRIAS

Uma grande equipa pode perder alguns jogos não decisivos. Uma grande equipa pode perder jogos decisivos contra adversários de nível igual ou superior. Uma grande equipa NÃO PODE perder jogos decisivos contra adversários inferiores.

O Benfica perdera a 5 de Maio, em Braga, um jogo que não podia perder. O Benfica voltou a perder, a 2 de Dezembro, no Funchal, outro jogo que não podia perder, ficando em ambos os casos arredado de competições importantes. Salvaguardando a dimensão histórica de cada uma das derrotas (a outra, obviamente, mais profunda e dolorosa), há uma certa similitude entre elas, nomeadamente quanto a questões de mentalidade competitiva, e é isso, continua a ser isso, que me incomoda enquanto benfiquista.

Neste caso porém, há um aspecto paralelo que não posso deixar de condenar. Jorge Jesus sempre disse que a Taça de Portugal era uma das prioridades. Também eu a considerava como tal. Não entendo pois como, numa eliminatória disputada fora de casa, perante o quarto classificado do campeonato, o Benfica se apresenta sem vários titulares. Por motivos diferentes, não alinharam de início, Artur, Maxi Pereira, Luisão, Javi Garcia, Aimar, Bruno César e Cardozo (sete titulares!), mas só o central e o ponta-de-lança estavam impedidos de o fazer. Porquê tanta poupança, quando nem sequer se jogara a meio da semana? Não sei, e, pelo que diz a imprensa, o presidente do Benfica também não sabe.

Admito que a Champions League, pelo prestígio e pelo dinheiro, seja, em tese, mais importante que a Taça de Portugal (ainda que esta valha um troféu). Já não entendo porque motivo ficar em primeiro lugar do grupo - com toda a relevância que já aqui destaquei, mas que o próprio Jesus desmentiu na flash interview de Manchester - pode ser razão para deitar fora a segunda prova do calendário nacional. Percebia a poupança perante um adversário de segundo escalão. Percebia a poupança se ainda estivesse em causa o apuramento na Liga dos Campeões. Poupar apenas porque é Taça, sendo Taça, parece-me um absurdo. O que é certo é que, sem todos aqueles jogadores em simultâneo, o Benfica não é, nem podia ser o mesmo.

Foi-se a Taça de Portugal (provavelmente oferecida ao Sporting), e com ela a possibilidade de terminar a época em festa. Como o Benfica não vai ser, seguramente, campeão europeu, e como a Taça da Liga não tem peso suficiente para salvar uma temporada, resta o Campeonato como barómetro do sucesso ou fracasso encarnado. Ou o Benfica é campeão, e tudo estará bem, ou perde o título e teremos um remake agravado da época passada, com consequências imprevisíveis. É esta situação de risco em que o clube ficou após a aventura (só posso chamar-lhe assim) madeirense.

Não me apetece falar muito mais do jogo. Acrescentarei apenas que a eliminação nem sequer me surpreendeu. Se Eduardo tivesse vestido a pele de Artur e salvo aquele chapéu, se o espantoso remate de Roberto Sousa tivesse batido na barra, teríamos uma sofrida vitória do Benfica, idêntica às de Aveiro, da Figueira da Foz, de Manchester e à da Luz com o Olhanense e com o Sporting. A sorte não dura sempre, e desta vez não havia Artur para fazer milagres. Previ, num comentário aqui feito após Old Trafford, que o Benfica chegaria ao Natal arredado da Taça e em terceiro lugar no Campeonato. Lamentavelmente, a primeira parte da profecia está cumprida. Quanto à segunda, veremos o que sucede no próximo domingo, no mesmo local.