CLASSIFICAÇÃO REAL

Tal como prometido, aqui vai toda a actualização à Classificação Real, desde os dias em que este espaço esteve fora de serviço.

Jornada 8


BEIRA MAR-BENFICA

O único caso de que me recordo foi o de um golo bem anulado a Saviola.

Resultado Real: 0-1


FC PORTO-NACIONAL

Uma das piores arbitragens da Liga, protagonizada por um dos piores árbitros do futebol português (Cosme Machado).

Dois dos golos do FC Porto foram alcançados em posição irregular (o segundo e o último). Ficou também por assinalar uma grande penalidade a favor do Nacional, por falta de Álvaro Pereira sobre Mateus.

Resultado Real: 3-1


SPORTING-GIL VICENTE

O quarto golo do Sporting é obtido com Capel em posição irregular. De resto, nada a realçar.

Resultado Real: 5-1



Jornada 9


BENFICA-OLHANENSE

Dois casos: golo mal anulado a Cardozo (o segundo em três jogos), e falta sobre Gaitán não sancionada, quase em cima da linha da área (daria livre perigosíssimo).

Resultado Real: 3-1


FC PORTO-PAÇOS

Não me recordo de qualquer caso grave nesta partida.

Resultado Real: 3-0


FEIRENSE-SPORTING

Mais uma arbitragem deplorável.

Penálti por assinalar sobre Elias, antes do intervalo. Penálti mal assinalado a favor do Sporting, pois é Schaars quem procura o contacto. Expulsão de Henrique manifestamente exagerada (no lance do segundo amarelo, existe falta, mas nunca a justificar acção disciplinar).

Resultado Real: 0-2 (embora os efeitos da inferioridade numérica do Feirense não possam ser aqui ponderados)



Jornada 10

SP.BRAGA-BENFICA

Já me referi ao jogo, mas não tinha observado com atenção a falta sobre Luisão na sequência de um pontapé de canto. Penálti claro que ficou por assinalar, que daria a vitória ao Benfica.

O lance de Emerson, como já disse, proporciona todo o tipo de interpretações. Aceito por isso a marcação da falta, embora não ignore que, por exemplo em termos internacionais, raramente se marquem penáltis em lances deste tipo, e que o mesmo Pedro Proença já tenha tido outro critério em situações idênticas.

Em lance reclamado pelo Sp.Braga, embora nenhuma imagem o esclareça totalmente, fica a ideia que a bola é desviada pelo joelho de Javi Garcia. De qualquer modo foi assinalado um fora-de-jogo.

Ficou um cartão vermelho por mostrar a Djamal, logo aos seis minutos.

Resultado Real: 1-2


OLHANENSE-FC PORTO

É caso raro, mas o FC Porto foi prejudicado neste jogo.

O penálti assinalado aceita-se, mas nunca justificaria mais do que o cartão amarelo, pois Kléber não tinha a bola controlada, e estava entre dois adversários.

O corte com a mão dentro da área parece acidental. Mas, tal como em Braga, é um dos muitos lances de futebol que permitem diferentes interpretações, normalmente conforme as cores envolvidas, e as simpatias do analista. Procurando ignorar os clubes em causa, eu tenderia a assinalar ambos. Aceito, no entanto, qualquer decisão.

Também a falta sobre Hulk, na segunda parte, parece efectivamente existir, ficando pois por marcar mais um penálti.

Resultado Real: 0-2


SPORTING-U.LEIRIA

O penálti que originou o terceiro golo parece-me bastante mais duvidoso que os de Braga (assinalado) e de Olhão (não assinalado). Mas confesso que não vi tantas repetições deste como dos outros. O jogo estava terminado, pelo que não perderei muito tempo a reflectir sobre este lance, ou sobre a expulsão que o mesmo determinou.

Ficou por expulsar João Pereira (espero o devido sumaríssimo).

Diga-se, aliás, que as últimas arbitragens têm sido bastante simpáticas para os leões, sobretudo ao nível dos critérios disciplinares (não reflectidos nesta classificação). Até agora, nesta Liga, em jogos do Sporting, tivemos expulsões exageradas de jogadores do Paços de Ferreira, do Feirense e do U.Leiria, e expulsões perdoadas a Jeffren com o Olhanense, a Onyewu em Vila do Conde, e a João Pereira com o U.Leiria. E, se bem me recordo, Domingos atribui bastante importância às inferioridades e superioridades numéricas. Para quem tanto se queixa, não estamos nada mal…

Resultado Real: 2-1


CLASSIFICAÇÃO REAL

SPORTING 27 (prejudicado em quatro pontos)

Benfica 26 (prejudicado em dois pontos)

FC Porto 24 (em casa)

O PROBLEMA NÃO ESTÁ NA COR

PONTO...DE INTERROGAÇÃO


Só no final do campeonato se saberá, em rigor, se o Benfica ganhou um ponto, ou perdeu dois, na sempre difícil deslocação a Braga.

Por um lado havia a expectativa de uma eventual liderança isolada (que saiu gorada), e o destino trouxe ainda o ensejo de, no último lance do encontro, um golpe de felicidade (porventura imerecido) poder garantir os três pontos. Mas por outro lado, há um histórico recente de derrotas na Cidade dos Arcebispos que não nos deixa tomar este resultado por uma catástrofe, para mais sendo ele obtido em circunstâncias muito pouco favoráveis (penálti duvidoso, indisposição de Gaitán, quebras de luz, necessidade de recuperar da desvantagem, tradicional hostilidade bracarense, etc). Empatar hoje em Braga é, para qualquer equipa europeia, um resultado (pelo menos) normal, e não podemos esquecer que este empate permite aos encarnados manter a liderança partilhada da Liga, e também a invencibilidade absoluta em provas oficiais na corrente época (o que, diga-se, é um registo deveras apreciável). Não creio que se possam comparar os dois pontos agora perdidos, com aqueles que o Benfica deixou em Barcelos, ou mesmo com os que, no contexto europeu, o Basileia o impediu de alcançar na passada semana. E não me parece que, se a equipa de Jorge Jesus não vier a ser campeã, possa ser este o primeiro resultado a ser chorado.

Dito isto, há que olhar para a forma como o jogo decorreu, e perceber que o Benfica se expôs seriamente à derrota. Há quem me acuse de resultadista - provavelmente porque entendo dever festejar todos os triunfos, sejam eles justos ou não. Mas se o empate em Braga acabou por não ser, como digo acima, um resultado totalmente negativo, a verdade é que a exibição deixou muito a desejar, e no papel de analista (que aqui desempenho) não posso deixar de a relevar.

Nos últimos tempos, sobretudo desde a “transferência” de Jorge Jesus, os jogos em Braga tornaram-se particularmente complicados para o Benfica. A hostilidade é total, a agressividade dos jogadores da casa vai muito para além dos limites, a pressão do público sobre todos os intervenientes (particularmente sobre os árbitros) faz-se sentir mais do que seria natural, e os episódios macabros sucedem-se (confusões nos túneis, expulsões a pedido, arremesso de bolas de golfe, faltas de luz, etc). Três derrotas depois (Liga 09-10, Liga 10-11, e Liga Europa), o Benfica ainda não aprendeu como enfrentar este tipo de desafio, ficando a dúvida se tal incapacidade se deve a questões estruturais relacionadas com o perfil do seu plantel (mais plástico, mais artista, menos guerrilheiro), ou tão somente à persistência de uma atitude expectante e passiva que lhe tem vindo a sair cara. O que é certo é que nestes jogos vemos, invariavelmente, uma equipa minhota de faca nos dentes, a comer a relva, a pressionar o árbitro, a agredir, a simular faltas e agressões, a disputar cada bola como se dela dependesse a vida, e do outro lado um Benfica de smoking, a procurar impor uma superioridade técnica que manifestamente não faz parte do guião daquele filme.

A história repetiu-se uma vez mais, e mesmo um Sp.Braga, no meu ponto de vista, inferior ao de Domingos Paciência, conseguiu levar a sua avante, impondo-se no jogo, e manietando o Benfica – retirando-lhe os espaços, retirando-lhe a iniciativa e as ideias, obrigando-o, em suma, a bater contra a parede que lhe colocou por diante.

Pode dizer-se que, ao intervalo, com tão pouco futebol jogado, o resultado era injusto. Mas também não acompanho aqueles que dizem ter o Benfica melhorado na segunda parte. Atacou mais, como não podia deixar de fazer, mas sempre sem inspiração (notando-se a saída forçada de Nico Gaitán, seu melhor jogador enquanto esteve em campo), e sempre no fio da navalha de um eventual contra-ataque poder resultar no fatal 2-0. Acabou por ter a felicidade de marcar num lance algo fortuito, mas mesmo a partir daí, quando se esperava um forcing final em busca da vitória, o que se viu foi o Sp.Braga a crescer, a remeter o jogo para as imediações da área de Artur, e um Benfica incapaz de dar a golpada definitiva num jogo que quase nunca lhe correu de feição. À beira dos noventa minutos, confesso que desejava o rápido apito de Pedro Proença. E só o lance final de Rodrigo ofuscou a ideia de que o Benfica estava, por essa altura, encostado às cordas.


Lamento que o Sp.Braga não jogue com este entusiasmo e com esta fúria, quando enfrenta o Sporting, e, sobretudo, o FC Porto. Se assim fosse, não teria dúvidas em considerar este um ponto ganho pelo Benfica, pois dificilmente alguém passaria em Braga. Infelizmente sabemos que a atitude competitiva do Sp.Braga, como de outras equipas do nosso campeonato, é selectiva. Mas é com essa realidade que o Benfica tem de contar, e já era assim há dois anos, quando, sentando-se em cima de tudo isso, conquistou brilhantemente o título nacional.


Pedro Proença teve um trabalho difícil. O jogo foi de muito contacto, de muita pressão, e de grande intensidade. Isso atenua alguns erros que cometeu, como a não expulsão do jogador que agrediu Gaitán com o cotovelo, ou alguns livres mal assinalados a favor do Braga. O penálti é daqueles lances que permite todas as interpretações. O que se lastima é que o critério não seja idêntico em todos os jogos, e perante todos os clubes. Tenho a certeza que o mesmo lance, por exemplo num Sp.Braga-FC Porto, se ocorrido na área portista, não só não seria objecto de grande penalidade, como nem provocaria grandes protestos por parte dos minhotos.

REAGIR!


Que melhor altura para acordar desta estranha indolência, do que um jogo de elevado grau de dificuldade, num terreno onde o Benfica perde há três deslocações seguidas - a última das quais particularmente dramática?

CASTIGO MERECIDO


Com uma exibição demasiado pobre, o Benfica desperdiçou esta noite uma excelente hipótese de garantir o apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A situação era particularmente generosa, mas, por isso mesmo, ou por outra qualquer razão, a equipa da Luz não esteve à altura das circunstâncias, fracassando de forma clara e preocupante.






O empate cedido perante o Basileia não deixou que os encarnados acompanhassem Real Madrid, Barcelona e Milan como equipas qualificadas à quarta jornada da fase de grupos; deitou fora os quatrocentos mil euros de prémio da UEFA; praticamente liquidou a eventualidade de vencer o grupo, e assim manter algumas aspirações para além dos oitavos; impedindo também uma gestão mais tranquila, e menos desgastante, do calendário competitivo até ao Natal. Consequências demasiado pesadas para encarar este empate de ânimo leve, até porque ele não é mais do que o consumar de algo que os últimos jogos vinham crescentemente anunciando.






Quem olhar apenas para os resultados da corrente época, vendo um percurso imaculado de qualquer derrota, um início de campeonato estatisticamente perfeito, e uma porta ainda bem aberta para a fase eliminatória da Champions, será levado a acreditar que o Benfica vende saúde, e segue imparável a caminho de grandes conquistas. Aos olhos daqueles que vêm observando os jogos com atenção (e algum distanciamento), o panorama é, porém, bem distinto. O que se vê, sobretudo nas últimas semanas, é uma equipa cansada, sem chama, insegura, complicativa, e à espera que a sorte (e Artur) a protejam de males maiores. Foi assim em Aveiro, foi assim com o Olhanense (jogos absolutamente miseráveis), e a história repetiu-se esta noite, com consequências mais graves. Mesmo andando algumas semanas para trás, encontramos um empate no Estádio do Dragão, logrado em maior medida por via das substituições suicidárias do treinador portista do que por uma reacção forte a uma primeira parte lastimável, encontramos uma vitória em Bucareste salva por Artur (sempre ele) nos últimos instantes, e triunfos sofridos ante Feirense e V.Guimarães, além do empate cedido em Barcelos. Grandes exibições? Talvez apenas nos jogos com Twente e Manchester United, ocasiões pontuais e já distantes no tempo.






Serve este curto balanço para dizer que as expectativas dos adeptos, o investimento realizado, e os louvores da imprensa, raramente têm encontrado eco no futebol praticado pela equipa de Jorge Jesus, que está a milhas daquele que, há dois anos, com Di Maria, Ramires, Fábio Coentrão, um Aimar mais jovem, e um grande Saviola, enfeitiçou a nação encarnada, apontando desde cedo o caminho do título. Tem-se escrito que há agora mais consistência defensiva. Se ela existe no desenho táctico da equipa (e, sobretudo, na boa vontade de alguma imprensa), a verdade é que não se reflecte nos últimos - e quase sempre aflitivos - minutos de grande parte das partidas realizadas. Ressalvando outra vez Artur (que tem feito, de facto, a diferença), este Benfica é tão sofredor como o do ano passado. Tem tido mais sorte. Até agora.






Não creio que o Basileia seja uma grande equipa. É um conjunto organizado, tem um ou dois bons jogadores, mas não pode ser tomado por mais do que aquilo que é. Jogando em casa, o Benfica tinha obrigação de vencer. Se essa vitória valia um apuramento, qualquer falhanço seria imperdoável. É isso que se exige daqueles com quem o Benfica gosta de se comparar.






As responsabilidades devem ser repartidas. Se há jogadores que parecem completamente desenquadrados das exigências colectivas (Matic, por exemplo, desposiciona-se com uma facilidade irritante, e raramente solta uma bola no timing adequado), e outros totalmente fora de forma (Gaitán, Aimar, Witsel…), há também opções técnicas verdadeiramente incompreensíveis. Cardozo é indispensável no onze, quer tenha alguém a seu lado ou não. É ele que dá peso ao ataque. Sem ele há todo um espaço que fica por povoar, onde caem cruzamentos e passes de ruptura sem alguém que lhes dê sequência, até porque Rodrigo não é um ponta-de-lança puro. Nolito também justificava mais tempo de utilização, sobretudo pela vivacidade que consegue transmitir ao jogo. E depois de se andar a brincar aos defesas-esquerdos (e neste momento é impossível esquecer Capdevila), não percebi porque se queimou uma substituição tirando um jovem lateral de raiz (que estava a fazer o que podia), para colocar um outro jovem, mas neste caso adaptado ao lugar – que, azar dos Távoras, esteve no lance do golo contrário, apenas alguns segundos depois de entrar.






Enfim, com tanto equívoco individual e colectivo, com tão pouca atitude, com tanta indolência competitiva, este “benfiquinha” não mereceia mais.






Infelizmente, os anos vão passando, e a(s) equipa(s) encarnada(s) não consegue(m) libertar-se destes laivos de mediocridade que por vezes a(s) invade(m). Nos momentos decisivos, falta claramente mentalidade ganhadora. Há demasiado espaço para sensações como o deslumbramento ou a ansiedade (conforme os casos). Não há um fio que una os jogadores solidariamente, e os faça comer a relva quando tal se torna necessário. Não há uma cultura de vitória. Não há um espírito de campeão.






Na próxima jornada o Benfica vai provavelmente perder em Old Trafford, e o Basileia vai provavelmente ganhar ao Otelul. Chegar-se-á então à última ronda com empate de pontos na luta pela segunda posição, e com obrigação estrita de vencer os romenos. Estava o pássaro na mão, e provavelmente tudo ficará pendente de um dramático jogo de "mata-mata".






Admito poder estar a ser demasiado exigente, admito padecer ainda de uma hipersensibilidade causada pelas frustrações da época passada (que vão demorar a cicatrizar), mas quando me levantei das bancadas no fim do jogo, apeteceu-me assobiar. Este texto é pois o longo e sonoro assobio que me ficou entalado nos lábios. Também tenho direito a ele, sobretudo depois de ter gasto dinheiro e tempo para, bastante constipado, e numa noite muito pouco convidativa, não deixar de marcar presença junto de outros quarenta mil desgraçados como eu.


Agora só uma vitória inequívoca em Braga me permitirá continuar a acreditar nesta equipa.

O MEU ONZE


DE REGRESSO

Depois de um período de ausência, VEDETA DA BOLA regressa hoje, tal como prometido, ao seu andamento normal.

Nestas duas semanas e meia tivemos muito futebol. Assistimos a vitórias sucessivas de Benfica (invicto nos 17 jogos oficiais da época) e Sporting (sólido, empolgante e eficaz), enquanto o FC Porto alternou um bom comportamento interno com desaires externos que comprometem a sua carreira europeia (cada um tem o Apoel que merece…).

Seria fastidioso proceder agora a uma análise jogo a jogo. Deixando as questões de arbitragem para a próxima semana (onde, por atacado, será actualizada a Classificação Real), direi apenas que o Sporting parecendo embalado para uma grande época (é, sem dúvida, um sério candidato ao título); que é cedo para menosprezar o FC Porto (até porque permanece em primeiro lugar, e tem ganho os jogos domésticos com bastante facilidade); e que o Benfica tem pela frente uma sequência de jogos extremamente complicada (f.Braga, c.Sporting e f.Marítimo), onde terá de mostrar argumentos que estiveram totalmente ausentes nas partidas com o Beira Mar e com o Olhanense – onde as respectivas vitórias acabaram por ser tanto sofridas como, inclusivamente, fortuitas.

Hoje é dia de Champions, e uma vitória encarnada sobre o Basileia garante desde já o apuramento para os oitavos-de-final. A acontecer, será apenas a segunda vez em 17 anos que o Benfica ultrapassa a fase de grupos, e a primeira em que o faz com apenas quatro jornadas decorridas. Razões para encarar o jogo com o entusiasmo dos grandes momentos.

PAUSA

Por motivos de âmbito profissional e pessoal, este espaço terá de encerrar por uns dias.

Votarei por altura do segundo jogo com o Basileia, no início de Novembro, esperando depois não voltar a parar até final do ano.

Peço desculpa aos leitores, mas como compreendem isto não é mais do que um passatempo, que, quando necessário, tem de ceder a outras circunstâncias da vida.

MAIS TAÇA

Apesar de a quinze minutos do início do jogo estar ainda a entrar na Via do Infante, sem bilhete, e sob notícias de lotação esgotada, uma conjugação extremamente feliz de factores levou-me até aos camarotes do Estádio do Portimonense, onde, bem instalado, e respirando a saborosa brisa de uma belíssima noite algarvia, pude assistir à vitória justa e tranquila do Benfica sobre o seu opositor.

A primeira parte foi algo sonolenta, mas no segundo período os encarnados vincaram bem as diferenças entre as duas equipas, partindo para uma vitória que só alguma descompressão evitou tornar-se mais volumosa.

Do jogo, ficou também a nota claramente positiva para as exibições de alguns jogadores normalmente menos utilizados, destacando-se aqui o excelente desempenho do Rodrigo. Bruno César também brilhou, mas este é já presença assídua no onze titular.

Como o Juventude de Évora também passou (vitória sobre o Esperança de Lagos por 2-0), posso continuar a sonhar com um inédito encontro entre os meus dois clubes.

TAÇA PARA TODOS

Um programado fim-de-semana algarvio faz-me pensar em passar por Portimão. O facto de os bilhetes estarem praticamente esgotados pode, no entanto, afastar-me do estádio. Comigo ou sem mim, espero naturalmente que o Benfica ganhe.


No domingo será a vez da minha outra paixão entrar em campo. O Juventude de Évora recebe o Esperança de Lagos, e, neste caso sem mim, espero igualmente que siga em frente - de modo a que o próximo sorteio constitua nova oportunidade para concretizar um dos meus sonhos de criança.


Viva a Taça!

OUTRA VEZ...


Salvámo-nos da Turquia, mas a Bósnia era certamente a segunda pior hipótese.

Dia 15 de Novembro, lá estarei (em Alvalade ou na Luz) a torcer pelo apuramento.

UM BANDO DE EXCURSIONISTAS

Tal como eu aqui havia escrito, o jogo da Dinamarca não foi o passeio que alguma imprensa antevia, e muito menos a formalização de um apuramento que, para já, escapou à equipa de Paulo Bento.

Ficou demonstrado que Portugal não tem a selecção que muitos julgam ter. Tem dois ou três grandes jogadores, mas está longe de formar uma grande equipa. Isso percebe-se de forma ainda mais nítida quando, por lesão ou qualquer outra circunstância, nos vemos privados do contributo de elementos fundamentais (e, por diferentes motivos, só para este jogo, estavam indisponíveis Bosingwa, Ricardo Carvalho, Pepe, Fábio Coentrão, Sílvio, Danny, Manuel Fernandes e Hugo Almeida, já sem falar em Tiago, Paulo Ferreira, Deco, Liedson, Miguel ou Simão).

O onze que entrou em campo para defrontar a Dinamarca (ela sim, uma verdadeira equipa, mesmo sem grandes individualidades) englobava jogadores que não estão ao nível de uma selecção com aspirações. Toda a linha defensiva era medíocre (lá está, faltavam os verdadeiros titulares), e o ponta-de-lança pouco mais que ridículo (sendo verdade que não há muita escolha para o lugar). Com metade do conjunto ao nível de uma Áustria, de uma Geórgia ou de uma Lituânia, não podemos exigir nada para além de uma luta brava pelo apuramento. Mas nem isso (luta brava) se viu, pois a equipa portuguesa não foi mais do que uma manta de retalhos, formada, em parte por jogadores sem categoria, na outra parte por “primas-donas” sem motivação, nem sentido colectivo.

Os calendários competitivos não ajudam, e selecções como a portuguesa (desequilibradas, e a depender de algumas estrelas), sofrem a dobrar. É difícil, também para os adeptos, encontrar o estado de espírito adequado a enfrentar este tipo de jogos - que sendo absolutamente decisivos, aparecem entalados entre importantes compromissos dos clubes. Noutro contexto (o de uma fase final, por exemplo), teríamos certamente uma equipa mais completa, mais motivada, e mais confiante. Ser-nos-ia mais fácil vencer uma qualquer Dinamarca que surgisse ao caminho.

Este (o da motivação, o da concentração, o do sentido colectivo e de responsabilidade) é um dos problemas que tradicionalmente enfrentamos nas fases de qualificação. Tem também a ver com a nossa genética enquanto povo, mas talvez se disfarçasse com lideranças fortes, dentro e fora do campo. Ora, em campo não se vê ninguém capaz de desempenhar esse papel (o capitão simboliza precisamente a falta de entusiasmo generalizada), e fora dele temos uma Federação anémica, ausente, incompetente e amadora, que viveu durante anos à custa do talento de uma geração dourada de jogadores, não fez nada pelo futebol português, e na hora da derrota apenas se preocupa em salvar a própria pele, para manter tudo como sempre esteve. No meio está Paulo Bento, que herdou um fardo pesado, e, não estando isento de erros (os Betos, os Serenos, os Castros, a gestão dos casos Bosingwa e Ricardo Carvalho, a subserviência a alguns clubes nacionais e estrangeiros, etc) não teve tempo nem espaço para mudar muita coisa.

Agora segue-se um play-off, e é bom que seja encarado de forma bem diferente da que agora se viu. Os adversários parecem acessíveis, mas são, todos eles, equipas fortemente motivadas e empenhadas em chegar ao Euro. Um Portugal com os índices de concentração e motivação em part-time, terá grandes dificuldades em vencer, e depois cá estaremos novamente a carpir mágoas, e a lamentar o triste fado.

Já agora, convém termos também alguma sorte, e a Estónia, de preferência jogando primeiro fora de casa, vinha mesmo a calhar.

CONTAS À PORTUGUESA

Todos desejamos que Portugal ganhe, ou pelo menos empate, e garanta o primeiro lugar do seu grupo. Mas se tal não acontecer, ainda restam algumas esperanças de qualificação directa à equipa de Paulo Bento. Analisemo-las.


Para tal, vamos partir do princípio (indesejável) que Portugal perde na Dinamarca, ficando assim com os 16 pontos que tem neste momento. Nessa situação, e a menos que a Noruega ganhasse por números escandalosos ao Chipre (teria de anular uma diferença de nove golos), a nossa selecção garantiria, mesmo com a derrota, o segundo lugar do grupo, e teria ainda a hipótese de ser o melhor de entre todos os segundos, obtendo, por essa via, o apuramento directo.


Para além do grupo de Portugal, há três equipas que, antes desta última ronda, têm possibilidades de ser melhores segundos. Vejamos cada um dos casos, tendo em conta que nos grupos de seis selecções, não contam, para este efeito, os pontos alcançados frente ao respectivo último classificado:


Rússia (Grupo B) – Esta é uma hipótese meramente académica, pois ninguém acredita que a selecção russa perca em casa com Andorra - que ainda não fez qualquer ponto -, e desperdice assim a possibilidade de ficar em primeiro lugar do seu grupo. Só nesse caso (derrota em Moscovo com Andorra, e vitória da Irlanda sobre a Arménia) a Rússia seria segunda classificada, partindo para o desempate com 17 pontos, mais um portanto do que Portugal (no caso de perder em Copenhaga, e terminar em segundo do grupo).


Suécia (Grupo E) – É esta a eventualidade mais perigosa, e a única que coloca em causa também a Dinamarca (já lá vamos). A Suécia joga na Holanda (com esta já apurada), e se perdesse (descontados os jogos com San Marino) ficaria com 15 pontos, o que não levantaria problemas. Mas se vencer faz 18, o que a torna automaticamente a melhor segunda classificada de todos os grupos, permitindo-lhe o apuramento directo. Mesmo se empatar (somando 16 pontos), e Portugal perder por mais de dois golos, fica à nossa frente nestas contas.


Croácia (Grupo F) – A Croácia tem hipótese de ganhar o grupo (caso a Grécia perca na Geórgia), mas se tal não acontecer, e vencer ainda assim o seu jogo na Letónia, faz também 16 pontos, tantos quantos Portugal tem. No desempate por golos dispomos contudo de uma vantagem de seis, o que obrigaria os croatas a golear (ou a sermos nós goleados). Não é provável que aconteça, mas é uma possibilidade matemática.


Esta análise é feita, obviamente, na óptica portuguesa. Em caso de empate, ficando a Dinamarca em segundo lugar, tudo se tornaria mais fácil, pois, terminando com 17 pontos, os dinamarqueses apenas teriam de se preocupar com a vizinha Suécia, e somente com a eventualidade desta vencer na Holanda. Ou seja, se a Holanda - que ainda não desperdiçou qualquer ponto - não perder em casa com a Suécia, o empate basta a Dinamarca e Portugal para ambos se qualificarem.


Mas o melhor é mesmo vencermos o jogo, e a Dinamarca que se lixe.

A UM PASSO...MUITO LONGO

A vitória sobre a Islândia deixou Portugal a um ponto do Euro 2012. Isto é um facto.

Esse ponto tem de ser conquistado no terreno do mais forte adversário, que precisa de ganhar para se qualificar. Isto é outro facto.

Se o primeiro tem sido amplamente difundido na comunicação social desportiva e não só, o segundo parece estar a ser escamoteado.

O jogo de Copenhaga é uma final, e uma empreitada bastante difícil. A Dinamarca é uma selecção experiente, que marca sempre presença nas fases finais das grandes competições, e terá o apoio do seu entusiástico público para o voltar a conseguir. Se em termos individuais a equipa portuguesa transporta mais mediatismo, em termos colectivos não creio que exista qualquer superioridade da nossa parte, pelo que me parece que Portugal não terá, neste momento, mais de 50 % de hipóteses de qualificação directa – ao contrário dos 99% que a generalidade da imprensa insinua.

Acresce que a partida de sexta-feira deixou muito a desejar em termos defensivos. Três golos sofridos em casa perante a modesta Islândia (e podiam até ter sido mais), não podem deixar de preocupar Paulo Bento. Tenho como a linha defensiva ideal, o quarteto formado por Bosingwa, Ricardo Carvalho, Pepe e Fábio Coentrão. Por diferentes motivos, nenhum deles figura na convocatória, o que enfraquece substancialmente uma equipa cujos avançados também não são dados a uma pressão muito intensa quando ficam sem a bola.
Continuo a acreditar que Portugal consiga pelo menos o empate de que necessita. Mas não se esperem facilidades, pois elas não vão surgir.

O ONZE POSSÍVEL


O BENFICA APOIA, EU NÃO!

...espero que seja eu a estar errado, e que exista alguma razão que justifique este apoio inequívoco.

CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA-PAÇOS DE FERREIRA

Este foi um jogo cheio de casos, e o grande prejudicado foi o Benfica.

O golo anulado a Cardozo é um lance extremamente difícil de analisar. Mas uma coisa é certa: no momento em que o fiscal levanta a bandeira, não existe qualquer fora-de-jogo, podendo, na melhor das hipóteses, existir bem antes (quando o paraguaio recebe a bola pela primeira vez). Depois desse primeiro momento (em que subsiste a dúvida, pois nenhuma imagem é conclusiva), nada há que possa justificar a interrupção da jogada.

Creio que Aimar é derrubado na área, no último minuto da primeira parte, ficando um penálti por assinalar (faria o 3-0, ou o 4-0 se o tal golo de Cardozo não tivesse sido invalidado), e um cartão vermelho por mostrar.

Ficou ainda um outro penálti por assinalar, em derrube a Matic, enquanto no lance de possível corte com a mão (que Cardozo ficou a reclamar) não vi imagens que possam tirar dúvidas.

Resta falar num atraso ao guarda-redes Cássio, em que este agarrou a bola, cometendo falta para livre indirecto, muito perto da sua baliza.

Ou seja, temos um golo mal anulado, dois penáltis e meio, e um livre indirecto. Coisa pouca, portanto.

O penálti cometido por Luisão é igualzinho ao que um jogador do FC Porto (Otamendi?) cometeu no jogo com o Feirense, e que ficou por sancionar. Ambos existem, só um foi assinalado.

Resultado real: 7-1


V.GUIMARÃES-SPORTING

Muito se tem discutido a expulsão de Rinaudo. Naturalmente que os sportinguistas não se esquecem das primeiras jornadas, e acentuam a ideia de perseguição que tem sido alimentada. Uma coisa não está dissociada da outra.

Devo dizer que se fosse eu a apitar, mostraria apenas um cartão amarelo. Em lances onde os jogadores disputam a bola, ou, dizendo de outra forma, em lances normais de futebol (excluo assim as agressões), creio que só se justifica uma expulsão directa em caso flagrante de golo evitado. Entradas mais duras, como é o caso, devem ficar-se pelo amarelo, pois futebol não é propriamente para bailarinos, e a luta faz parte do jogo. Os jogadores ganham milhões, e são os espectadores que pagam. São estes que devem ser protegidos em primeiro lugar.

Não é esse o entendimento generalizado, havendo tendência para expulsar levianamente por tudo e por nada, estragando os jogos, e criando iniquidades de critério. E de árbitros excessivamente zelosos como Bruno Paixão (que é capaz de interromper um jogo minuto a minuto), não se pode esperar outra postura.

Em todo o caso, não se trata de um erro grave. Trata-se apenas de um critério com o qual eu não concordo.

Tive dúvidas num lance perto do final, em que me parece haver penálti na área do Sporting. Como não fiquei totalmente esclarecido, dou o benefício da dúvida à decisão tomada.

Resultado real: 0-1


ACADÉMICA-FC PORTO

Não vi o jogo. Como sabem, normalmente não vejo os jogos do FC Porto (nesta época só vi com o Benfica, e com o Zenit). E dos resumos, não me apercebi de qualquer erro grave do árbitro. Houve outros erros, de outros protagonistas, mas esses não são para aqui chamados.

Nenhum benfiquista lúcido esperava que o FC Porto perdesse pontos neste jogo contra o quarto classificado. Eu não fujo à regra, e até teria apostado que ia ganhar por três de diferença. O futebol português é assim, e já não nos surpreende.

Resultado real: 0-3


CLASSIFICAÇÃO REAL

SPORTING 18 (prejudicado em quatro pontos)

Benfica 17 (em casa)

FC Porto 15 (beneficiado em dois pontos)

HA FESTA NA LUZ!



A goleada, a festa nas bancadas, o regresso de um grande Saviola, e a liderança (ainda que repartida) no Campeonato, trouxeram à memória, neste sábado, a saga de 2009-2010. Sentiu-se esse aroma no Estádio da Luz, talvez pela primeira vez desde que, numa certa tarde de Maio, dois golos de Cardozo derrotaram o Rio Ave, e levaram para a rua milhões de pessoas em todo o mundo, numa festa inolvidável.

É cedo para tirar conclusões do que poderá ser esta temporada. E é sempre inoportuno embandeirar em arco, até porque a concorrência mais directa não dá grandes sinais de cedência (o FC Porto continua em primeiro lugar, e o Sporting vem a fazer uma recuperação notável). Há que dizer também, em nome da verdade, que o Paços de Ferreira surgiu na Luz bastante enfraquecido pelas múltiplas ausências de jogadores lesionados e castigados, não sendo, de todo, a equipa que na última temporada triunfou em Alvalade e em Braga, e vendeu cara a derrota na final da Taça da Liga.

Mas se olharmos para o que esta época já nos deu, vemos um Benfica imbatível, que está na frente da Liga, que ultrapassou com distinção duas difíceis pré-eliminatórias europeias, que entrou na fase de grupos da Champions League impondo um empate ao todo poderoso Manchester United, que ganhou na Roménia, e cujo registo global só um triste empate em Barcelos impediu de se cruzar com a perfeição. Quase sem nos darmos conta, temos um Benfica à medida do fato de campeão, que há dois anos tão bem lhe assentou.

Um resultado que pareceu de encomenda (pelo menos pareceu), permitiu ao FC Porto manter, em Coimbra, ante uma equipa orientada por Pedro Emanuel, a liderança aritmética da prova, e um suplemento anímico que de andava urgentemente a necessitar. Nem outra coisa seria de esperar de uma partida onde, fosse o árbitro, fosse um defesa-central ("Real" ou nem por isso) a chegar tarde a um cruzamento, ou a colocar cirurgicamente em jogo um avançado portista, alguma coisa haveria de acontecer para o FC Porto ganhar. A estrutura é poderosa, e não brinca em serviço, sobretudo quando as circunstâncias são difíceis.

O que o Benfica mostrou (e tem mostrado) deixa, no entanto, muitas esperanças no ar. A equipa de Jesus está cada vez mais sólida, e não vai certamente perder muitos pontos. As opções são muitas, e a flexibilidade táctica parece até mais substancial do que a do ano do último título. Além de que um grande guarda-redes dá sempre algum jeito.

Fica o resultado. Foram quatro, mas poderiam ter sido oito. Cássio foi o melhor pacense, e a arbitragem complicou o que era fácil, anulando um golo limpo, perdoando um penálti sobre Aimar (com respectivo cartão vermelho), e um livre indirecto num atraso não sancionado.

DEVER CUMPRIDO





Ganhar fora na Liga dos Campeões vale ouro. A fase de grupos é relativamente curta, e três pontos no terreno de um adversário - qualquer que ele seja - constituem quase sempre um passo importante nas contas do apuramento. Ao vencer na Roménia, o Benfica manteve, pelo menos, as suas hipóteses intactas, tendo talvez garantido, no pior dos casos, a manutenção nas competições europeias para lá do Natal. A jornada só não foi mais produtiva porque o Basileia, ao empatar surpreendentemente em Old Trafford, imiscuiu-se de forma afirmativa na luta pelo primeiro lugar, fazendo das próximas duas jornadas os principais momentos de decisão para os encarnados da Luz.






A exibição foi razoável. Não deu para deslumbrar, até porque do outro lado estava um dos mais fracos conjunto de toda a Champions, mas deu para ganhar com justiça. Só não permitiu uma vitória absolutamente tranquila, porque o Benfica foi desperdiçando as oportunidades que se lhe colocaram para matar o jogo, expondo-se aos momentos de sofrimento que, nos últimos instantes, quase iam deitando tudo a perder. Até aí, o conjunto de Jesus dominou a partida em todos os seus aspectos, ficando a dever a si próprio um resultado mais robusto.






Em termos individuais destacaram-se Gaitán e Witsel - este com muito maior liberdade táctica do que a que havia desfrutado no Dragão. Também Emerson e Javi Garcia estiveram em bom plano.






A arbitragem não se deixou notar.






Agora segue-se o jogo chave deste grupo: o Basileia-Benfica, no qual uma vitória poderá ser absolutamente decisiva. Não valerá ouro. Valerá diamantes! Mas, como esta noite ficou demonstrado, o Basileia não é um ...Otelul.












NOTA: Até ao final desta semana, devido a razões pessoais, o blogue terá de manter-se neste registo mais ou menos minimalista. Por esse motivo, as minhas desculpas aos leitores, esperando que na próxima semana tudo torne à normalidade.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Não houve casos graves na jornada.

Já falei do lance entre Cardozo e Fucile - que não passou de uma das muitas palhaçadas do uruguaio na partida (numa delas até piscou o olho ao seu banco, como se viu na transmissão televisiva). Aliás, são jogadores desse tipo que descredibilizam o futebol.


SPORTING 15

Benfica 14

FC Porto 12


Não me lembro se o Sporting alguma vez comandou esta classificação. Há sempre uma primeira vez.

JUSTÍSSIMO!

Circunstâncias da vida pessoal obrigam-me a ser lacónico.

O empate do Dragão foi um resultado justíssimo, após uma primeira parte dominada pelo FC Porto, e uma segunda de maior ascendente benfiquista.

Não fiquei satisfeito com o empate, mas creio que o mesmo penaliza mais o FC Porto, porque jogava em casa, e vinha de um outro jogo sem vitória.

Jorge Sousa esteve em plano aceitável, não se deixando impressionar pela estratégia dos jogadores do FC Porto, que desde o início ficou clara: tentar expulsar benfiquistas. Fucile foi o mais zeloso nesta tarefa, perdendo-se em palhaçadas sucessivas, que talvez lhe tenham tirado discernimento para travar Gaitán no lance do segundo golo.

O MEU ONZE


GOLPADAS HÁ MUITAS

Nenhum clube tem o monopólio da seriedade.




Há portistas sérios e portistas desonestos, tal como sucede com benfiquistas, sportinguistas, e todos os outros istas. De resto, tenho amigos em todos os clubes, os quais, descontando o maior ou menor facciosismo desportivo, considero pessoas acima de qualquer suspeita.




Não tenho, por isso, nenhum problema em aceitar como presidente da FPF alguém que seja adepto do Sporting, ou mesmo do FC Porto. Falei inclusivamente do sportinguista Hermínio Loureiro, como uma das personalidades que não me importaria de ver ocupar a função. E se quiserem falar de portistas, o nome de Rui Moreira, por exemplo (caso estivesse disponível), também não me assustaria particularmente.




Coisa diferente é o que se passa em relação a Fernando Gomes.




Não sei se o cidadão Fernando Gomes é honesto ou não. Sei sim, que não se trata de um simples adepto do FC Porto (o que por si só, como disse, não traria mal ao mundo), mas antes de alguém que pertencia, há bem pouco tempo atrás, ao círculo mais fechado do poder de Pinto da Costa. Não é pois o seu portismo que me inspira desconfiança, mas sim esta ligação estreita a alguém que, esse sim, sabemos ser um criminoso.




Felizmente, ou infelizmente, não nasci ontem. Felizmente, ou infelizmente, já não acredito em pais natais, nem em contos de fadas. Por isso, não é um mero desentendimento (simulado ou não) que me vai fazer confiar nas nobres intenções de uma dada pessoa. Mais ainda quando esse mal explicado “desentendimento” surgiu cirurgicamente antes de uma candidatura à Liga. Mais ainda quando essa candidatura trouxe com ela (coincidentemente ou não) o regresso de uma série de situações que pareciam pertencer a um passado já longínquo.




Não confio em Fernando Gomes, como não confio em nenhum membro das direcções de Pinto da Costa. Não é o FC Porto, enquanto clube, e muito menos os seus adeptos, que estão em causa. É sim um poder corrupto e criminoso, do qual Fernando Gomes fez parte anos a fio, sem abrir a boca, compactuando (por acções, omissões ou silêncios) com práticas que desvirtuaram e enlamearam o futebol português.




Um homem com estas características, e com este passado, não pode, em circunstância alguma, merecer o meu apoio. E não deveria, no meu ponto de vista, merecer o apoio institucional do Sport Lisboa e Benfica.

SERÁ DESTA QUE SE CRUZAM?

Ainda há esperança...de Lagos.

CLASSIFICAÇÃO REAL

FEIRENSE-FC PORTO

Logo nos primeiros minutos, há um penálti indiscutível cometido por Belluschi, que resultou num cartão amarelo injusto para o jogador do Feirense. Foi dos lances mais claros de grande penalidade que vi nas últimas jornadas, e que só o medo impediu o árbitro de sancionar.

Perto do final, a cruzamento de Varela, a bola atingiu a parte lateral do peito do defesa contrário. Aqui o juiz esteve bem, pois pelas várias repetições não parece sequer haver contacto do braço com a bola.

Quanto à expulsão de James, não há muito a dizer. Atingiu a soco o adversário, mostrando que ainda está verde para certas andanças.

Resultado Real: 1-0


BENFICA-ACADÉMICA

Já disse praticamente tudo no texto sobre o jogo. Penálti por marcar por mão de Bruno César dentro da área. Penálti por marcar por corte com a mão de um defesa da Académica a remate do mesmo Bruno César. Expulsão perdoada a Abdoulaye por agressão a Saviola com o cotovelo. Fora-de-jogo inacreditavelmente tirado a Nolito, quando estava pelo menos uns três metros em jogo (sendo este o off-side mais estapafúrdio que vi ser assinalado em toda a temporada).

Resultado Real: 5-2


RIO AVE-SPORTING

As expulsões não contam, como sabem, para a Classificação Real. Mas há casos que deveriam ser tidos em atenção (e prometo ponderar sobre o assunto), nomeadamente quando o jogador que fica por expulsar se torna decisivo no encontro. Foi o que aconteceu em Vila do Conde, com Onyewu, a quem foi perdoado um segundo cartão amarelo minutos antes de marcar o golo da vitória do Sporting.

Mas o Sporting também tem razões de queixa, pois há um corte com a mão dentro da área do Rio Ave que ficou por assinalar. Como os cartões (mostrados e por mostrar) não contam, é este lance que prevalece na alteração ao resultado.

Resultado Real: 2-4


CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA 13

Sporting 12

FC Porto 10


NOTA FINAL: Decidi não integrar nesta rubrica os jogos do Sp.Braga. Não por não o considerar tão candidato como, por exemplo, o Sporting, mas porque as imagens dos seus jogos raramente são analisadas pelos programas de televisão com o pormenor com que o são os dos tradicionais três grandes. Como não tenho tempo para ver todos os jogos em directo (normalmente, da Liga Portugesa, só vejo os do Benfica), ficaria assim sem matéria-prima para me poder pronunciar acerca dos casos envolvendo o clube minhoto – problema que confesso ter sentido ao longo da época passada.

Esta noite, excepcionalmente, vi grande parte do dérbi com o V.Guimarães, e achei a arbitragem de Pedro Proença (árbitro cujo currículo tem sido incompreensivelmente branqueado, até por benfiquistas) foi tendenciosa, empurrando, com uma dualidade de critérios chocante, o Sp.Braga para a frente.

...E TUDO COMO NO PRINCÍPIO

São tradicionais as dificuldades que quase todas as principais equipas sentem após os grandes jogos europeus. Poupando ou não jogadores, a dificuldade está em motivar aqueles que entram em campo, e que tendem a encarar as partidas seguintes em jeito de descompressão. É assim no Benfica, é assim no FC Porto (empatou neste domingo), no Real Madrid (perdeu), no Milan (empatou), no Chelsea (perdeu), no Inter (empatou), no Arsenal (perdeu), ou seja lá onde for, com as inevitáveis excepções que sempre ajudam a compor a regra.



Quatro dias depois de um jogo de grande intensidade, frente a uma das melhores equipas do mundo, com lotação esgotada e os olhos atentos da Europa futebolística, seriam pois de esperar algumas dificuldades no regresso à lide doméstica. Sobretudo tendo por diante uma Académica tradicionalmente complicada (três triunfos na Luz nas últimas quatro épocas), e agora orientada por um dos vários treinadores satelizados pelo FC Porto – o que constitui dificuldade acrescida para os encarnados, na mesma medida em que irá provavelmente proporcionar dois tranquilos passeios aos azuis-e-brancos, quando o calendário os cruzar com esta já muito pouco simpática Briosa.



Deve dizer-se que o Benfica não facilitou. Talvez motivado pelas boas notícias oriundas de Aveiro, entrou veloz, empenhado, e em busca dos golos que garantissem uma segunda parte relativamente sossegada. Criou oportunidades, marcou, e só por um instante (entre o golo do empate, e a pronta resposta de Nolito), os fantasmas ameaçaram a Luz. A segunda parte não foi, porém, sossegada. O desperdício benfiquista não o permitiu, e foi deixando o resultado tangencial arrastar-se até bem perto do fim, quando Aimar, e depois Nolito, selaram as contas do resultado e do jogo.



Como Pedro Emanuel disse no final da partida, o 4-1 final é um resultado demasiado desnivelado para o que se viu nos noventa minutos. O Benfica jogou bem, mereceu ganhar, mas a Académica, pela réplica que deu, pela forma como nunca deixou de procurar o golo, não merecia, em rigor, sair vergada a tão pesado desfecho. Talvez uns 4-2 reflectissem melhor o que se passou, mas como sabemos o futebol nem sempre se entende bem com a matemática.



Nunca assobiei nenhum jogador do meu clube. Mas não deixa de ser, para mim, um enigma, o motivo pelo qual aqueles que tão implacáveis são para com Cardozo, mostram tanta tolerância para com Saviola. Desde que, em finais da época do título, o argentino soube que não ia estar no Mundial da África do Sul com a sua Selecção, o seu rendimento caiu a pique, para não mais se aproximar dos níveis daqueles primeiros meses. Hoje, como em toda a temporada anterior, Saviola é uma sombra negra do jogador que encantou em 2009-10: não ganha uma bola dividida, não ganha um lance em velocidade, não consegue fazer um drible, raramente decide bem os lances, sendo, na maior parte das vezes, um jogador a menos no conjunto de Jorge Jesus. Não sei se o problema é físico ou psicológico. O que sei é que um jogador assim – sobretudo tendo em conta que é, seguramente, dos mais bem pagos – não tem lugar num Benfica que se quer competitivo e ganhador.



Depois de uma pré-época (tanto quanto me apercebi) prometedora, também Matic não tem mostrado nestas últimas aparições ser alternativa credível a Javi Garcia. Sistematicamente desposicionado, macio a abordar os lances, o sérvio deixou muito espaço por onde os jogadores da Académica puderam penetrar. É, todavia, um caso ainda a rever.



Já que estou com a língua particularmente afiada, mas sem querer ser demasiado cáustico com uma equipa que tem ganho, e jogado genericamente bem, devo ainda dizer que esperava mais de Garay. Tem tentado não complicar, não se deixa expor ao erro mais primário, mas de um central vindo do Real Madrid esperavam-se menos pontapés para a bancada, e esperava-se, por exemplo, um maior e mais rápido entendimento com o lateral do seu lado – e Emerson tem saído algo penalizado por uma deficiente articulação com o central argentino.



Em sentido oposto, Nolito e Bruno César vão mostrando jogo a jogo que querem ser titulares. Um e outro jogam, correm, lutam e marcam. A noite foi deles, e é uma pena que não possam jogar juntos mais vezes. Se Jesus conseguir completar aquele futebol empolgante e libertino que ambos vão exibindo, com o rigor táctico e defensivo que ainda não conseguem garantir, teremos ali dois craques de primeiro nível, até porque estamos a falar de jogadores ainda bastante jovens.



O árbitro perdoou um penálti a cada uma das equipas: o corte com a mão de Bruno César é dentro da área, e, pouco depois, um remate, creio que do mesmo jogador, é cortado para canto com os braços por um dos defesas da Académica.



O amarelo mostrado a Nolito foi um completo absurdo, devendo antes, pelo contrário, ter sido admoestado o jogador que o impediu de lançar um perigoso contra-ataque. Com culpas para o fiscal-de-linha, o mesmo Nolito viu ser-lhe levantada a bandeira num lance em que está, pelo menos, uns três ou quatro metros atrás do último defesa.



Juntando tudo isto a uma expulsão perdoada a Abdoulaye por agressão a Saviola, temos erros demais, a configurar uma péssima arbitragem.

OS FACTOS



Considerando todos os jogos oficiais, esta é a lista dos mais eficazes goleadores de sempre do Benfica, dividindo o número total de golos, pelo número de épocas em que estiveram no clube:




EUSÉBIO: 476 golos / 15 épocas = média de 31,7




JOSÉ ÁGUAS: 377 golos / 13 épocas = média de 29,0




ÓSCAR CARDOZO: 107 golos / 5 épocas = média de 21,4




Seguem-se, no top-10, Nené (20,1), Julinho (19,9), José Torres (19,1), Arsénio (18,3), Rogério "Pipi" (17,3), Valadas (16,2) e José Augusto (15,8).

Assobiar Cardozo já deixou de ser ignorância. Creio que agora é mesmo estupidez.

A UM PALMO DA GLÓRIA


Há muitas formas de avaliar a qualidade de um jogo de futebol. Podemos fazê-lo pelo número de golos, pelas oportunidades criadas, pela incerteza no resultado, pela qualidade artística dos lances, pelo ritmo imposto, ou pela intensidade colocada na luta por cada posse de bola. Cada adepto terá as suas preferências. No meu caso, dou bastante relevo às duas últimas.


Nesta medida, o jogo da Luz foi um espectáculo deslumbrante. A uma bela noite de Verão, a um estádio lindo, cheio e vibrante, a um adversário de topo e recheado de estrelas, a uma ocasião solene como o início da mais importante prova de clubes do mundo, juntou-se uma equipa do Benfica de alto nível, capaz de interpretar na perfeição a tarefa que tinha por diante. Dois maravilhosos golos (um para cada lado) foram as cerejas colocadas sobre tão delicioso bolo, e, dadas as circunstâncias, o empate final acabou por saber a pouco aos mais de 60 mil benfiquistas que estiveram na Luz.


Quando me desloco ao estádio para ver um jogo do Benfica, espero exactamente aquilo que encontrei esta noite. Uma equipa batalhadora, carregada de coragem, a disputar cada lance como se a vida acabasse ali, a não temer o choque, e a querer correr mais do que o opositor. Diz-me a memória que, quando assim é, raramente a derrota acontece, chame-se o adversário Manchester United ou outro nome qualquer. Foi por esse caminho que o Benfica começou a abordar esta partida, sabendo que tinha pela frente uma das melhores equipas do mundo (no meu ponto de vista a segunda dessa hierarquia, logo atrás do super-Barcelona de Pep Guardiola).


Olhando para as estatísticas, o Benfica teve mais remates, mais ataques, mais oportunidades e mais pontapés de canto. Eu acrescentaria que correu mais, equilibrando por essa via uma contenda que, à priori, pendia para o lado contrário. Deu a posse de bola ao adversário (reconhecendo-lhe a natural superioridade), mas nunca deixando de fechar devidamente os caminhos para a sua baliza, esperando sempre, de forma atenta, concentrada e paciente, a oportunidade de aplicar o contra-golpe.


Sobretudo após o golo de Óscar Cardozo (quem mais?), os encarnados da Luz conseguiram agarrar o controlo da partida, e durante algum tempo o 2-0 esteve mais perto do que o empate. Quem tem jogadores como Giggs está, todavia, arriscado a fazer golos a qualquer instante. Um remate espectacular quando se caminhava para o intervalo, e o Manchester United repunha a igualdade, o que na altura significava uma pedra de gelo na euforia que já começava a fazer-se sentir.


Houve um lapso de tempo, correspondente aos primeiros vinte minutos da segunda parte, em que as coisas se complicaram. O Manchester, talvez surpreendido pela força ostentada pelo Benfica no primeiro período, puxou dos galões, e veio do intervalo com uma atitude muito mais afirmativa. Empurrou a equipa de Jesus para a sua área, e por momentos o segundo golo inglês pareceu iminente.


Uma oportunidade clara protagonizada por Nolito (a que o guarda-redes contrário se opôs com uma estupenda defesa), virou novamente as agulhas do jogo. Nos vinte minutos finais o Benfica voltou a ser, senão o mais forte, pelo menos o mais ambicioso dos dois conjuntos em campo, mostrando claramente que queria os três pontos, perante um Manchester United aparentemente resignado com o empate.


O resultado é excelente, e só as oportunidades desperdiçadas (Cardozo, Luisão, Nolito, Gaitán e novamente Nolito) trazem aquele ligeiro travo amargo de que falei mais acima. Não acredito que Basileia e Otelul (pelo menos nas jornadas mais próximas) retirem pontos aos Red Devils, pelo que o Benfica parte de certa forma em vantagem na luta pelo segundo lugar.


Mas da luminosa noite da Luz ficou, sobretudo, a imagem de uma equipa capaz de muito. Se conseguir jogar sempre desta forma, com esta alma, com esta atitude (o que não será fácil), o Benfica vai qualificar-se tranquilamente para os oitavos-de-final, e vai certamente fazer um grande campeonato.


Individualmente destacaria três nomes, os daqueles que mais marcaram esta noite de estrelas: Luisão, Gaitán e Cardozo. O primeiro pela segurança no controlo da sua zona de acção (particularmente no jogo aéreo). O segundo porque foi o principal desequilibrador da equipa, fez um passe magistral para o golo, e teve pormenores de grande classe, que terão deixado Alex Ferguson seguramente impressionado. O terceiro porque, além do espectacular golo que marcou (é já o quinto goleador de sempre do Benfica em jogos internacionais), ganhou inúmeras bolas de cabeça, batalhou como um herói entre os centrais britânicos, e calou uma vez mais os assobios daqueles que, manifestamente, não percebem nada do que estão a ver.


O árbitro protegeu em demasia a equipa mais famosa, nomeadamente ao perdoar dois livres a favor do Benfica em zona de perigo.



PS: Já esta manhã fui surpreendido com as primeiras páginas de dois jornais generalistas (Diário de Notícias e Público), cuja qualidade não merecia ser manchada por títulos, quase diria, insultuosos. O Manchester United tem jogado em claro 4-4-2 no seu campeonato, e veio à Luz em 4-5-1, numa manifestação de grande respeito pelo Benfica. Optou por jogadores que fechassem melhor as alas (Park e Valência) em detrimento do talento mais libertino de Nani, e pela experiência de Giggs no apoio à principal estrela da companhia, Wayne Rooney (único ponta-de-lança que apresentou de início). É verdade que tem os dois centrais titulares lesionados, mas daí para a frente jogaram em Lisboa todos os seus craques. E também não fica mal lembrar aqui que esta equipa (em cujo plantel não existem…”segundas linhas”) levava 5 vitórias em 5 jogos oficiais nesta temporada, entre as quais algumas goleadas como um 8-2 (!) ao Arsenal, ou um 0-5 no terreno do Bolton no último sábado. Aceito que se possa eventualmente discutir se Cardozo faria a Ferdinand o que fez a Evans. Não aceito que se destaque, em primeira página, como facto central de um grande jogo, que o Manchester tenha jogado desfalcado. Até porque é mentira. E se não é provocação, parece.

ONZE IRMÃOS

JOGOS PARA A ETERNIDADE (reedição) - Benfica-Manchester United, 2-1 / 2005

Quando se aproxima mais uma jornada europeia de elevadíssimo grau de dificuldade para o Benfica, é talvez o momento de recordar uma outra, de características similares, que redundou numa noite de glória verdadeiramente inesquecível. Falo do Benfica-Manchester United de 2005, que foi, sem dúvida alguma, um dos jogos da minha vida.

Estávamos na última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, onde os encarnados haviam chegado depois de uma ausência de alguns anos. Para os lados da Luz, estava ainda bem viva a conquista do título nacional meses antes, que interrompera onze anos de jejum, e levara o clube de volta aos principais palcos do futebol europeu. Apesar de toda a euforia do título que ainda envolvia os adeptos, poucos apostariam que o Benfica conseguisse ultrapassar esta fase, sobretudo depois da derrota em casa com o Villarreal - à partida, o seu principal adversário, tomando como seguro que ao todo poderoso Manchester United nunca fugiria um dos lugares de apuramento.

O Benfica iniciou a prova com uma preciosa vitória sobre o Lille na Luz, obtida com um golo de Miccoli no último minuto. Depois foi derrotado em Old Trafford, empatou em Villarreal, perdeu em casa com os espanhóis, e foi empatar a Paris com o Lille. Chegou à derradeira jornada em último lugar, com 5 pontos, face aos 6 de Lille e Manchester United, e aos 7 do surpreendente líder Villarreal. Só a vitória interessava, e permitia, sem quaisquer dependências, a qualificação. Qualquer outro resultado eliminava sumariamente o Benfica da prova rainha, e um eventual empate nem sequer garantia a repescagem para a Taça Uefa. O Manchester não podia perder, jogando também nessa noite o apuramento, depois de uma fase de grupos bastante sinuosa, na qual perdera já nove pontos em cinco jogos. O panorama era pois de autêntico mata-mata, e, para agravar, o Benfica tinha de o enfrentar com vários jogadores lesionados, tais como Manuel Fernandes, Ricardo Rocha, Karagounis, o perigoso Fabrizio Miccoli, e, sobretudo, o capitão Simão Sabrosa. Era o que se poderia chamar, uma missão impossível.

Mas há noites em que algo de mágico parece acender as velas da nossa esperança. Fui para o estádio bem cedo, e embora, como quase toda a gente, não visse forma de o Benfica conseguir ultrapassar o tremendo obstáculo que tinha diante de si, sentia por dentro uma estranha fé, capaz de transmitir uma difusa sensação de que era possível ocorrer o verdadeiro milagre com que sonhava. Afinal eram onze contra onze, e a bola seria, com toda a certeza, redonda.

O ambiente em redor da Luz era, naturalmente, o dos grandes jogos. A lotação estava esgotada havia semanas, e a tensão nervosa era electrizante. O Benfica alinhou com Quim, Alcides, Luisão, Anderson, Léo, Nelson, Petit, Beto, Nuno Assis, Nuno Gomes e Geovanni, enquanto o Manchester United fazia actuar Van der Sar, Neville, Ferdinand, Silvestre, O’Shea, Smith, Fletcher, Scholes, Ronaldo, Rooney e Van Nistelrooy. Os técnicos eram Ronald Koeman e Alex Ferguson. Desde que o jogo teve início, logo se percebeu que Cristiano Ronaldo não seria poupado a assobios. Cada vez que o jovem português tocava na bola, sessenta mil pessoas faziam um barulho ensurdecedor, factor que terá sido responsável pela pobre exibição que o puto maravilha – ainda relativamente pouco experiente - realizou nessa noite. Ao ser substituído, Ronaldo, de cabeça perdida, faria um gesto indelicado para as bancadas, o que lhe viria a valer um castigo. Estou em crer que se hoje voltasse à Luz, tudo seria perdoado.


Mas as coisas não começaram nada bem para o a equipa portuguesa, muito pelo contrário. Logo aos seis minutos, uma falha de marcação permite um cruzamento para a pequena área, onde Paul Scholes bateu Quim de forma pouco ortodoxa – a bola apenas passou uns centímetros da linha de golo, mas os suficientes para o Benfica se ver em desvantagem no marcador. Se as dificuldades já eram muitas, um início de jogo tão infeliz parecia ser o pronuncio de uma noite de desilusão, ainda que, com as expectativas tão baixas, essa palavra fosse até de algum modo excessiva. Quaisquer palavras que utilizássemos, o que parecia certo era o natural apuramento dos Red Devils, e a eliminação dos encarnados da Luz. Recordo bem a forma como, impulsionados pelas claques, os benfiquistas de imediato apoiaram a equipa, fazendo-lhe sentir que tudo ainda era possível. Terá sido um dos jogos em que me recordo de um apoio mais vibrante vindo das bancadas. A Luz, nesse dia, foi mesmo um verdadeiro inferno.


A reacção dos jogadores foi espantosa. Desde esse minuto seis, até ao final da primeira parte, assisti a melhor exibição do Benfica dos últimos dez anos. Segurança defensiva, critério na troca de bola, ataques rápidos e perigosos. Todos pareciam capazes de comer a relva e engolir a bola. Os golos teriam de surgir. E surgiram mesmo. Primeiro Geovanni – cirurgicamente aproveitado como ponta-de-lança -, a cruzamento de Nelson. Era o empate, era a devolução da esperança à Luz, repondo tudo na estaca de partida. Pouco depois seria a vez do improvável Beto – mal amado pelos sócios – rematar de fora da área, na sequência de um ressalto, batendo sem apelo o gigante Van der Sar. Parecia impossível, mas o Benfica tinha consumado uma cambalhota no resultado. Mas faltava ainda muito, muito tempo. Van Nistelrooy e Ronaldo têm boas oportunidades, mas à beira do intervalo, em mais um lançamento para as costas da defesa inglesa, o veloz Geovanni escapa-se, isola-se, e acaba rasteirado mesmo sobre a linha limite da área. Todo o estádio se levantou esperando o penálti (ou, no mínimo, o perigoso livre) e o respectivo cartão vermelho. Tal como sucederia poucos meses depois frente ao Barcelona, o Benfica provou também aqui um pouco daquilo que é uma indesmentível protecção da Uefa, e das suas arbitragens, aos nomes financeira e comercialmente mais fortes. O árbitro nada assinalou, e perdia-se assim uma excelente ocasião para dilatar a vantagem, e assegurar algum conforto para uma segunda parte que se antevia dramática.



Chegou-se ao intervalo com 2-1. Ninguém sabia, mas seria este o resultado final. Devo dizer que, durante quase toda a partida, perante uma vantagem tão frágil – e o empate, recorde-se, não chegava -, contra tão forte adversário, nunca me convenci plenamente da possibilidade de êxito do Benfica. De certo que a qualquer momento Cristiano Ronaldo, Van Nistelrooy ou Rooney, num lance individual ou colectivo, numa falha ou por via de um qualquer golpe de genialidade, acabariam por repor a natural hierarquia do jogo. Era esse o meu espírito quando, nos corredores da Luz, discutia ao telefone com amigos as incidências da primeira parte.



O segundo período iniciou-se, e pouco depois Ronaldo atirou uma bola ao poste. O tempo ia passando, o Manchester pressionava, mas a torre de centrais que o Koeman colocava na sua área (Alcides, Luisão e Anderson) ia chegando para tudo. O relógio parecia andar para trás, mas a realidade é que o Benfica se aproximava de um feito notável. A meio da segunda parte comecei, enfim, a acreditar que o milagre seria possível. A ponta final do jogo foi de um dramatismo indescritível. O estádio rebentava de um misto de euforia e ansiedade, que criava um clima onde mesmo um experiente adversário, como o Manchester United, tinha dificuldade em jogar. O Benfica dava mostras de uma união fortíssima entre os seus jogadores, e conseguia, a espaços, contra-ataques perigosos - recordo dois, concluídos por Geovanni e João Pereira (entretanto entrado) com remates ao lado. A equipa de Alex Ferguson começava a perder a cabeça, e insistia cada vez mais num chuveirinho para a área, que soava a música celestial para os centrais benfiquistas. Quando o árbitro (se não estou em erro, o grego Vassaras) apitou para o final, tudo parecia tratar-se de um sonho. Muitos dos adeptos, ainda sintonizados com os tempos de glória europeia do clube, terão encarado a passagem com felicidade, mas com alguma naturalidade. Para mim - e para muitos outros - foi um feito extraordinário, e terei ficado tão feliz como quando, anos antes, por duas vezes, vi na Luz o Benfica apurar-se para a própria final da prova. Este era aliás, o momento do reencontro do Benfica com a sua história, e era, na verdade, algo que fazia a Europa abrir a boca de espanto.



A noite foi de festa, com passagem por várias das principais "capelinhas" de Lisboa. Das Docas ao Bairro Alto, terminando ao som da música do Lux, mesmo à beirinha do Tejo, sempre com muita cerveja e muita euforia. Prometi a mim próprio que só me iria deitar depois de ler “A Bola” do dia seguinte, e recordo perfeitamente de, já com o sol a nascer, comprar de enfiada, numa estação de serviço, todos os jornais desportivos do dia, e deleitar-me a folheá-los antes de adormecer sobre uma nuvem de felicidade. O Benfica terá atingido, nessa noite, um dos pontos mais altos da sua história internacional nas últimas décadas. Seguiu-se a também inesquecível eliminatória com o Liverpool, e depois a infelicidade de apanhar, nos quartos-de-final, com a melhor equipa da competição - o Barcelona já de Messi, e ainda de Ronaldinho Gaúcho, Deco, Eto'o, Puyol e companhia, que seria o natural campeão europeu da temporada.

AÍ ESTÁ ELA!

Para começar, dois jogos grandes: hoje, Barcelona-Milan, amanhã, Benfica-Manchester United. São estes os dois grandes clássicos da primeira ronda, os únicos que colocam frente a frente antigos vencedores da prova, e clubes do top-10 histórico.

Destaque também para o duplo confronto londrino-germânico, com um Chelsea-Bayer Leverkusen e um Borússia de Dortmund-Arsenal (ambos já esta noite), e ainda para o Villarreal-Bayern de Munique e o Ajax-Lyon, sem esquecer a deslocação do Real Madrid a Zagreb. 16 jogos ao todo, entre hoje e amanhã, todos com transmissão televisiva. Um regalo.

CLASSIFICAÇÃO REAL

FC PORTO-V.SETÚBAL

Para além da noite de sexta-feira ser, para mim, tradicionalmente reservada ao cinema, ver jogar o FC Porto provoca-me náuseas. É algo que evito ao máximo, abrindo apenas excepções para os jogos com o Benfica (como é óbvio), por vezes também com o Sporting, e um ou outro jogo europeu (hoje nem pensar, pois há um imperdível Barça-Milan à mesma hora). Não gosto da estética daquele estádio (nem dos estádios vazios que o FC Porto visita), das insuportáveis cornetas, das facilidades concedidas pelos adversários e pelos árbitros. Incomodam-me até os rostos do Hulk, do Rolando, do Álvaro Pereira e do Fernando. Nada daquilo é futebol. É algo de diferente, que me enjoa, e me repugna.

Desta vez, nem o resumo vi. Neste caso, não porque o evitasse, mas simplesmente porque não calhou.

Rezam as crónicas que o primeiro golo portista é precedido de falta. Não posso confirmar, nem desmentir essa ideia.

Resultado Real: 3-0


BENFICA-V.GUIMARÃES

Sobre a partida que mais polémica levantou, já muito aqui ficou dito.

Acrescentaria apenas que, depois de ver melhor, fiquei com mais dúvidas acerca do terceiro penálti. No texto sobre o jogo considerei-o inexistente, mas uma repetição mais aproximada deixa a sensação que, antes de bater na cabeça, a bola desvia efectivamente no braço do defesa vimaranense. Ou seja, onde tínhamos um penálti por assinalar, um bem assinalado, um a deixar dúvidas e um inexistente, temos agora um por assinalar, outro bem assinalado, dois a deixar dúvidas, e nenhum claramente inexistente. Para além disso, creio que haveriam aqui cartões vermelhos por mostrar. No meio de tantas dúvidas, nem sequer me vou meter nisso.

Resultado Real: 2-1 para o Benfica.


PAÇOS-SPORTING

Dos resumos que vi, o único caso de que me apercebi prende-se com o livre indirecto de que resultou o primeiro golo pacense. Eu não o assinalaria, pois não é claro que o defesa sportinguista queira deliberadamente atrasar a bola ao seu guarda-redes.

Resultado Real: 1-3


CLASSIFICAÇÃO REAL

FC PORTO 10 (beneficiado em 2 pontos)

Benfica 10 (não beneficiado nem prejudicado em pontos)

Sporting 9 (prejudicado em 4 pontos)

SERVIÇOS MÍNIMOS


Se o jogo se decidiu aos penáltis, vamos começar então por eles.

O primeiro não oferece dúvidas, e nem me parece que valha a pena perder muito tempo a analisá-lo. O segundo é duvidoso, não se percebe se o braço do defesa vimaranense ajuda ou não a afastar a bola, nenhuma imagem é clara quanto a isso, mas…não foi convertido, pelo que os seus efeitos no rumo do jogo foram nulos. Já o terceiro, que no estádio (e numa primeira imagem televisiva) me pareceu ser claro, vê-se depois (à segunda repetição) que efectivamente não existe. Ou seja, dos dois penáltis que originaram os golos, um foi claro, outro inexistente.

Acontece que antes de qualquer uma das penalidades assinaladas, houve uma outra que ficou por assinalar. Falo de um corte com a mão, feito perto da linha de fundo, que Duarte Gomes não viu, mas que logo no estádio (e eu estava bem perto do local), se percebeu ter sido faltoso. Foi de resto, o lance mais claro de todos os que a partida proporcionou. No balanço temos pois um penálti mal marcado e outro por marcar. Cartesianamente, podemos dizer que assistimos a uma má arbitragem, mas sem qualquer benefício para o Benfica.

O jogo em si foi pobre. Esperava-se um Benfica afirmativo e empolgante no ataque, e um Vitória atrevido no contra-golpe, mas nada disso se viu no relvado da Luz. Assistimos a um jogo pastoso, arrastado, com o Benfica à espera que o golo aparecesse, e a equipa visitante sem argumentos para fazer perigar a baliza de Artur.

Com 2-0 ao intervalo pensou-se que tudo estaria decidido, mas o golo de Edgar (na primeira falha de Artur desde que está no Benfica), trouxe a intranquilidade às bancadas e à equipa de Jesus. Mais uma vez os encarnados não souberam gerir os ritmos de jogo da melhor forma, expondo-se a um eventual golo do empate – que nos últimos minutos chegou a parecer eminente, tal a sequência de lances de bola parada nas imediações da área benfiquista.

Em vésperas de um compromisso europeu de altíssimo grau de exigência, não surpreende algum arrefecimento exibicional da equipa do Benfica. A vitória e os três pontos eram, todavia, as únicas coisas que interessavam, e isso foi conseguido.

Em termos individuais destacaria Cardozo, pelos golos (é já líder isolado da lista de melhores marcadores), mas também pelos espaços que criou, e pela forma como batalhou.


De Duarte Gomes já disse tudo.

ONZE PARA SÁBADO

Apresentando uma equipa extremamente competitiva, poupava, pelo menos de início, Maxi Pereira (vem de lesão), Emerson (dando oportunidade a Capdevila), Aimar (para estar em grande na Champions), Gaitán (a precisar de descanso) e Cardozo (que vem da sua selecção).

ALTERNATIVA

Se não querem um benfiquista na FPF, pois que seja então um sportinguista. Mas nunca um cúmplice (por omissão) das práticas corruptas que intoxicaram o futebol português nas últimas décadas.

Se não querem Seara, que seja Hermínio - nortenho, adepto do Sporting, mas homem isento e impoluto.

Ou o Benfica e o Sporting unem as suas forças para limpar o futebol, ou teremos mais uma oportunidade dramaticamente perdida. Quem sabe a última.

UM HOMEM DO SISTEMA

Sentado à direita do "pai", está o homem que assobiou para o lado aquando do processo "Apito Dourado", deixando o Benfica sozinho no terreno da luta pela verdade desportiva.

Sozinho nunca ele deixou Pinto da Costa, com quem manteve sempre uma relação de grande cumplicidade, antes e depois dos almoços.

Agora está a ser conduzido pela Associação de Futebol do Porto (com a bênção da Olivedesportos) a uma oportunista candidatura à presidência da FPF. Reservada para a trupe de Lourenço Pinto ficará, como é óbvio, a arbitragem, provavelmente a cargo de Paulo Costa - outro personagem à altura deste romance.

Gostava muito que o Sporting (falo essencialmente de Godinho Lopes e Luís Duque) não se deixasse enganar, e não fosse levado neste canto da sereia. Mas de Alvalade não se podem esperar grandes manifestações de sensatez, sobretudo sendo o outro candidato um conhecido adepto do... Benfica.

Se, para desgraça do futebol português, viermos a ter Soares Franco na FPF, e Paulo Costa na arbitragem, isso significa - não tenhamos dúvidas - mais alguns anos de domínio portista no campeonato, de queixas avulso do Sporting em relação aos árbitros (não percebendo, ou não querendo perceber de onde vem o mal), e de solidão do Benfica na luta contra o sistema corrupto que tem vigorado desde 1983.

O QUE PARECE...NÃO É

PRATELEIRA DOURADA

Na senda do texto anterior, também ninguém ainda fez as contas aos jogadores caríssimos, adquiridos pelo FC Porto, e que, por um ou outro motivo, não são titulares da equipa.




DANILO.............................13 milhões (só chega em Janeiro)




MANGALA..........................6,5 milhões (suplente)




ALEX SANDRO.................10 milhões (não inscrito na Champions)




DEFOUR..............................6,5 milhões (suplente)




BELLUSCHI...........................5 milhões (suplente)




JAMES RODRIGUEZ...............6 milhões (suplente)




CRISTIAN RODRIGUEZ.........7 milhões (suplente)




Só aqui estão 54 milhões de euros (!!!). Curiosamente, quatro destes sete nomes foram alegadamente alvo do interesse do Benfica, o que talvez explique alguma coisa. O que é certo é que se isto se passasse na Luz, a especulação e a crítica seriam constantes.

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Escrevi aqui sobre a ausência de Capdevilla da convocatória para a Champions League. Pareceu-me uma opção estranha, e como tinha a ver com o Benfica, comentei-a. Acontecesse noutro clube, e possivelmente não o teria feito, pois, como sabem, o Glorioso tem aqui um lugar de destaque.

Ninguém me paga para fazer isto, não sou jornalista, e não estou sujeito a qualquer deontologia profissional. Nestas circunstâncias, escrevo aquilo que quero e me apetece.

O mesmo não se aplica aos órgãos de comunicação social que se dizem independentes, onde se ganha dinheiro, e aos quais se exige isenção e critério.

Todos eles falaram de Capdevilla. Falaram muito. Mas sobre a convocatória do FC Porto nem uma palavra. E haveria algumas coisas para dizer.

Alex Sandro, que custou quase 10 milhões de euros (num capricho que visava apenas desviá-lo do Benfica), ficou de fora. Iturbe (o “novo Messi”) também, assim como Walter (que só me lembro de marcar golos, para desgraça minha, ao Juventude de Évora). Mas o dado mais curioso é que o FC Porto foi obrigado a deixar quatro vagas por preencher, pois não tem no seu plantel qualquer jogador formado internamente, coisa que tem passado despercebida.

Pelo contrário, o que se lê muito por aí é que o Benfica joga apenas com estrangeiros. Talvez não tenham feito as contas, pois caso contrário saberiam que o Benfica é justamente, de entre os três grandes, o clube com mais portugueses e com mais jogadores da sua formação no plantel principal. Quem não esteja atento, até pode pensar outra coisa.

Muitas vezes acusa-se os “media” de protecção ao Benfica. Estes casos provam o contrário.

Que só falam do Benfica, é verdade. Que fazem manchetes espampanantes com jogadores encarnados, também é verdade. Que protegem o clube da Luz, é falso. Servem-se dele, o que é substancialmente diferente.

MAIS PERTO DO EURO

Num jogo sem grande história, a Selecção Nacional soube tornar as coisas fáceis, e garantir os três preciosos pontos.

Ricardo Carvalho não fez falta, Cristiano Ronaldo desempenhou, enfim, o papel que os portugueses dele esperam, e a prematura expulsão de um cipriota enfatizou a superioridade lusa.

Faltam duas finais, e nada está ganho. A entrada em falso teve custos, e o apuramento disputar-se-á, provavelmente, até aos últimos instantes do último jogo.

ONZE PARA CHIPRE

Não gosto de Pepe, Bruno Alves e Ruben Micael, e não gosto de os ver na minha selecção. Acontece que com esta convocatória seria impossível fazer uma equipa muito diferente. E para já, a prioridade é estar no Europeu.

DOIS CASOS

Custa a acreditar como um jogador tão experiente toma uma atitude tão absurda. Ricardo Carvalho deitou por terra, num instante, a imagem que foi construindo ao longo dos anos, e que o tornava num jogador respeitado inclusivamente por adversários.


Custa-me ver a titularidade da selecção definitivamente entregue a Pepe e Bruno Alves (dois excelentes jogadores, dos quais não gosto), mas quem abandona o barco desta forma, num momento tão delicado, hipervalorizando aspectos individuais quando está em causa um apuramento nacional, não merece estar na selecção, e se calhar nunca merecia lá ter estado.


Se calhar tem mesmo de fazer um teste de QI, tal como o próprio José Mourinho lhe havia proposto nos tempos do Chelsea.






Quem sabe da tenda é o tendeiro, e não excluo a hipótese de Joan Capdevila, campeão da Europa e do Mundo com a poderosíssima selecção espanhola, ter imaginado o seu ingresso no Benfica como uma espécie de reforma dourada, com muito sol, marisco e descanso. Se foi isso que aconteceu, se foram esses os sinais dados pelo espanhol nos primeiros treinos, então Jorge Jesus tem toda a razão para não contar com ele.


De qualquer forma, custa-me a aceitar que o Benfica parta para a Champions League com apenas um lateral-esquerdo no plantel. Não vejo nenhum dos centrais a fazer o lugar, o jovem Luís Martins não oferece, obviamente, quaisquer garantias, e o próprio Emerson está longe de ser um craque – como se viu na Choupana, onde o seu corredor foi amplamente explorado pela equipa madeirense.


Fábio Coentrão foi vendido, Carole emprestado, e César Peixoto não quer o lugar. Capdevila chegava como um dos reforços mais sonantes deste Benfica, como alguém experimentado, e particularmente vocacionado justamente para os grandes jogos europeus. Jesus prefere convocar dez (!) médios, e deixá-lo de fora. Espero que existam razões fortes para o fazer.


Desacreditado e humilhado, não creio que Capdevila possa fazer carreira na Luz. Ou seja, fechado o mercado, o Benfica destapa um buraco, e grande, no seu plantel.

FINALMENTE FECHADO

Quase dois meses depois de algumas equipas terem iniciado a temporada, o mercado de transferências finalmente fechou.




Não houve grandes surpresas de última hora, salvo talvez o fracasso das negociações por Álvaro Pereira, e as vendas de Postiga e Yannick. Esperava sinceramente que Sporting e FC Porto (e até eventualmente o Benfica, onde não há alternativa a Cardozo) contratassem pontas-de-lança neste último dia, mas ao que parece todos eles estão satisfeito com o que têm.




É altura de actualizar o top10 de compras e vendas efectuadas por clubes portugueses.




Estas são as compras mais caras de sempre:E estas as vendas: