CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA-PAÇOS DE FERREIRA

Este foi um jogo cheio de casos, e o grande prejudicado foi o Benfica.

O golo anulado a Cardozo é um lance extremamente difícil de analisar. Mas uma coisa é certa: no momento em que o fiscal levanta a bandeira, não existe qualquer fora-de-jogo, podendo, na melhor das hipóteses, existir bem antes (quando o paraguaio recebe a bola pela primeira vez). Depois desse primeiro momento (em que subsiste a dúvida, pois nenhuma imagem é conclusiva), nada há que possa justificar a interrupção da jogada.

Creio que Aimar é derrubado na área, no último minuto da primeira parte, ficando um penálti por assinalar (faria o 3-0, ou o 4-0 se o tal golo de Cardozo não tivesse sido invalidado), e um cartão vermelho por mostrar.

Ficou ainda um outro penálti por assinalar, em derrube a Matic, enquanto no lance de possível corte com a mão (que Cardozo ficou a reclamar) não vi imagens que possam tirar dúvidas.

Resta falar num atraso ao guarda-redes Cássio, em que este agarrou a bola, cometendo falta para livre indirecto, muito perto da sua baliza.

Ou seja, temos um golo mal anulado, dois penáltis e meio, e um livre indirecto. Coisa pouca, portanto.

O penálti cometido por Luisão é igualzinho ao que um jogador do FC Porto (Otamendi?) cometeu no jogo com o Feirense, e que ficou por sancionar. Ambos existem, só um foi assinalado.

Resultado real: 7-1


V.GUIMARÃES-SPORTING

Muito se tem discutido a expulsão de Rinaudo. Naturalmente que os sportinguistas não se esquecem das primeiras jornadas, e acentuam a ideia de perseguição que tem sido alimentada. Uma coisa não está dissociada da outra.

Devo dizer que se fosse eu a apitar, mostraria apenas um cartão amarelo. Em lances onde os jogadores disputam a bola, ou, dizendo de outra forma, em lances normais de futebol (excluo assim as agressões), creio que só se justifica uma expulsão directa em caso flagrante de golo evitado. Entradas mais duras, como é o caso, devem ficar-se pelo amarelo, pois futebol não é propriamente para bailarinos, e a luta faz parte do jogo. Os jogadores ganham milhões, e são os espectadores que pagam. São estes que devem ser protegidos em primeiro lugar.

Não é esse o entendimento generalizado, havendo tendência para expulsar levianamente por tudo e por nada, estragando os jogos, e criando iniquidades de critério. E de árbitros excessivamente zelosos como Bruno Paixão (que é capaz de interromper um jogo minuto a minuto), não se pode esperar outra postura.

Em todo o caso, não se trata de um erro grave. Trata-se apenas de um critério com o qual eu não concordo.

Tive dúvidas num lance perto do final, em que me parece haver penálti na área do Sporting. Como não fiquei totalmente esclarecido, dou o benefício da dúvida à decisão tomada.

Resultado real: 0-1


ACADÉMICA-FC PORTO

Não vi o jogo. Como sabem, normalmente não vejo os jogos do FC Porto (nesta época só vi com o Benfica, e com o Zenit). E dos resumos, não me apercebi de qualquer erro grave do árbitro. Houve outros erros, de outros protagonistas, mas esses não são para aqui chamados.

Nenhum benfiquista lúcido esperava que o FC Porto perdesse pontos neste jogo contra o quarto classificado. Eu não fujo à regra, e até teria apostado que ia ganhar por três de diferença. O futebol português é assim, e já não nos surpreende.

Resultado real: 0-3


CLASSIFICAÇÃO REAL

SPORTING 18 (prejudicado em quatro pontos)

Benfica 17 (em casa)

FC Porto 15 (beneficiado em dois pontos)

HA FESTA NA LUZ!



A goleada, a festa nas bancadas, o regresso de um grande Saviola, e a liderança (ainda que repartida) no Campeonato, trouxeram à memória, neste sábado, a saga de 2009-2010. Sentiu-se esse aroma no Estádio da Luz, talvez pela primeira vez desde que, numa certa tarde de Maio, dois golos de Cardozo derrotaram o Rio Ave, e levaram para a rua milhões de pessoas em todo o mundo, numa festa inolvidável.

É cedo para tirar conclusões do que poderá ser esta temporada. E é sempre inoportuno embandeirar em arco, até porque a concorrência mais directa não dá grandes sinais de cedência (o FC Porto continua em primeiro lugar, e o Sporting vem a fazer uma recuperação notável). Há que dizer também, em nome da verdade, que o Paços de Ferreira surgiu na Luz bastante enfraquecido pelas múltiplas ausências de jogadores lesionados e castigados, não sendo, de todo, a equipa que na última temporada triunfou em Alvalade e em Braga, e vendeu cara a derrota na final da Taça da Liga.

Mas se olharmos para o que esta época já nos deu, vemos um Benfica imbatível, que está na frente da Liga, que ultrapassou com distinção duas difíceis pré-eliminatórias europeias, que entrou na fase de grupos da Champions League impondo um empate ao todo poderoso Manchester United, que ganhou na Roménia, e cujo registo global só um triste empate em Barcelos impediu de se cruzar com a perfeição. Quase sem nos darmos conta, temos um Benfica à medida do fato de campeão, que há dois anos tão bem lhe assentou.

Um resultado que pareceu de encomenda (pelo menos pareceu), permitiu ao FC Porto manter, em Coimbra, ante uma equipa orientada por Pedro Emanuel, a liderança aritmética da prova, e um suplemento anímico que de andava urgentemente a necessitar. Nem outra coisa seria de esperar de uma partida onde, fosse o árbitro, fosse um defesa-central ("Real" ou nem por isso) a chegar tarde a um cruzamento, ou a colocar cirurgicamente em jogo um avançado portista, alguma coisa haveria de acontecer para o FC Porto ganhar. A estrutura é poderosa, e não brinca em serviço, sobretudo quando as circunstâncias são difíceis.

O que o Benfica mostrou (e tem mostrado) deixa, no entanto, muitas esperanças no ar. A equipa de Jesus está cada vez mais sólida, e não vai certamente perder muitos pontos. As opções são muitas, e a flexibilidade táctica parece até mais substancial do que a do ano do último título. Além de que um grande guarda-redes dá sempre algum jeito.

Fica o resultado. Foram quatro, mas poderiam ter sido oito. Cássio foi o melhor pacense, e a arbitragem complicou o que era fácil, anulando um golo limpo, perdoando um penálti sobre Aimar (com respectivo cartão vermelho), e um livre indirecto num atraso não sancionado.

DEVER CUMPRIDO





Ganhar fora na Liga dos Campeões vale ouro. A fase de grupos é relativamente curta, e três pontos no terreno de um adversário - qualquer que ele seja - constituem quase sempre um passo importante nas contas do apuramento. Ao vencer na Roménia, o Benfica manteve, pelo menos, as suas hipóteses intactas, tendo talvez garantido, no pior dos casos, a manutenção nas competições europeias para lá do Natal. A jornada só não foi mais produtiva porque o Basileia, ao empatar surpreendentemente em Old Trafford, imiscuiu-se de forma afirmativa na luta pelo primeiro lugar, fazendo das próximas duas jornadas os principais momentos de decisão para os encarnados da Luz.






A exibição foi razoável. Não deu para deslumbrar, até porque do outro lado estava um dos mais fracos conjunto de toda a Champions, mas deu para ganhar com justiça. Só não permitiu uma vitória absolutamente tranquila, porque o Benfica foi desperdiçando as oportunidades que se lhe colocaram para matar o jogo, expondo-se aos momentos de sofrimento que, nos últimos instantes, quase iam deitando tudo a perder. Até aí, o conjunto de Jesus dominou a partida em todos os seus aspectos, ficando a dever a si próprio um resultado mais robusto.






Em termos individuais destacaram-se Gaitán e Witsel - este com muito maior liberdade táctica do que a que havia desfrutado no Dragão. Também Emerson e Javi Garcia estiveram em bom plano.






A arbitragem não se deixou notar.






Agora segue-se o jogo chave deste grupo: o Basileia-Benfica, no qual uma vitória poderá ser absolutamente decisiva. Não valerá ouro. Valerá diamantes! Mas, como esta noite ficou demonstrado, o Basileia não é um ...Otelul.












NOTA: Até ao final desta semana, devido a razões pessoais, o blogue terá de manter-se neste registo mais ou menos minimalista. Por esse motivo, as minhas desculpas aos leitores, esperando que na próxima semana tudo torne à normalidade.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Não houve casos graves na jornada.

Já falei do lance entre Cardozo e Fucile - que não passou de uma das muitas palhaçadas do uruguaio na partida (numa delas até piscou o olho ao seu banco, como se viu na transmissão televisiva). Aliás, são jogadores desse tipo que descredibilizam o futebol.


SPORTING 15

Benfica 14

FC Porto 12


Não me lembro se o Sporting alguma vez comandou esta classificação. Há sempre uma primeira vez.

JUSTÍSSIMO!

Circunstâncias da vida pessoal obrigam-me a ser lacónico.

O empate do Dragão foi um resultado justíssimo, após uma primeira parte dominada pelo FC Porto, e uma segunda de maior ascendente benfiquista.

Não fiquei satisfeito com o empate, mas creio que o mesmo penaliza mais o FC Porto, porque jogava em casa, e vinha de um outro jogo sem vitória.

Jorge Sousa esteve em plano aceitável, não se deixando impressionar pela estratégia dos jogadores do FC Porto, que desde o início ficou clara: tentar expulsar benfiquistas. Fucile foi o mais zeloso nesta tarefa, perdendo-se em palhaçadas sucessivas, que talvez lhe tenham tirado discernimento para travar Gaitán no lance do segundo golo.

O MEU ONZE


GOLPADAS HÁ MUITAS

Nenhum clube tem o monopólio da seriedade.




Há portistas sérios e portistas desonestos, tal como sucede com benfiquistas, sportinguistas, e todos os outros istas. De resto, tenho amigos em todos os clubes, os quais, descontando o maior ou menor facciosismo desportivo, considero pessoas acima de qualquer suspeita.




Não tenho, por isso, nenhum problema em aceitar como presidente da FPF alguém que seja adepto do Sporting, ou mesmo do FC Porto. Falei inclusivamente do sportinguista Hermínio Loureiro, como uma das personalidades que não me importaria de ver ocupar a função. E se quiserem falar de portistas, o nome de Rui Moreira, por exemplo (caso estivesse disponível), também não me assustaria particularmente.




Coisa diferente é o que se passa em relação a Fernando Gomes.




Não sei se o cidadão Fernando Gomes é honesto ou não. Sei sim, que não se trata de um simples adepto do FC Porto (o que por si só, como disse, não traria mal ao mundo), mas antes de alguém que pertencia, há bem pouco tempo atrás, ao círculo mais fechado do poder de Pinto da Costa. Não é pois o seu portismo que me inspira desconfiança, mas sim esta ligação estreita a alguém que, esse sim, sabemos ser um criminoso.




Felizmente, ou infelizmente, não nasci ontem. Felizmente, ou infelizmente, já não acredito em pais natais, nem em contos de fadas. Por isso, não é um mero desentendimento (simulado ou não) que me vai fazer confiar nas nobres intenções de uma dada pessoa. Mais ainda quando esse mal explicado “desentendimento” surgiu cirurgicamente antes de uma candidatura à Liga. Mais ainda quando essa candidatura trouxe com ela (coincidentemente ou não) o regresso de uma série de situações que pareciam pertencer a um passado já longínquo.




Não confio em Fernando Gomes, como não confio em nenhum membro das direcções de Pinto da Costa. Não é o FC Porto, enquanto clube, e muito menos os seus adeptos, que estão em causa. É sim um poder corrupto e criminoso, do qual Fernando Gomes fez parte anos a fio, sem abrir a boca, compactuando (por acções, omissões ou silêncios) com práticas que desvirtuaram e enlamearam o futebol português.




Um homem com estas características, e com este passado, não pode, em circunstância alguma, merecer o meu apoio. E não deveria, no meu ponto de vista, merecer o apoio institucional do Sport Lisboa e Benfica.

SERÁ DESTA QUE SE CRUZAM?

Ainda há esperança...de Lagos.

CLASSIFICAÇÃO REAL

FEIRENSE-FC PORTO

Logo nos primeiros minutos, há um penálti indiscutível cometido por Belluschi, que resultou num cartão amarelo injusto para o jogador do Feirense. Foi dos lances mais claros de grande penalidade que vi nas últimas jornadas, e que só o medo impediu o árbitro de sancionar.

Perto do final, a cruzamento de Varela, a bola atingiu a parte lateral do peito do defesa contrário. Aqui o juiz esteve bem, pois pelas várias repetições não parece sequer haver contacto do braço com a bola.

Quanto à expulsão de James, não há muito a dizer. Atingiu a soco o adversário, mostrando que ainda está verde para certas andanças.

Resultado Real: 1-0


BENFICA-ACADÉMICA

Já disse praticamente tudo no texto sobre o jogo. Penálti por marcar por mão de Bruno César dentro da área. Penálti por marcar por corte com a mão de um defesa da Académica a remate do mesmo Bruno César. Expulsão perdoada a Abdoulaye por agressão a Saviola com o cotovelo. Fora-de-jogo inacreditavelmente tirado a Nolito, quando estava pelo menos uns três metros em jogo (sendo este o off-side mais estapafúrdio que vi ser assinalado em toda a temporada).

Resultado Real: 5-2


RIO AVE-SPORTING

As expulsões não contam, como sabem, para a Classificação Real. Mas há casos que deveriam ser tidos em atenção (e prometo ponderar sobre o assunto), nomeadamente quando o jogador que fica por expulsar se torna decisivo no encontro. Foi o que aconteceu em Vila do Conde, com Onyewu, a quem foi perdoado um segundo cartão amarelo minutos antes de marcar o golo da vitória do Sporting.

Mas o Sporting também tem razões de queixa, pois há um corte com a mão dentro da área do Rio Ave que ficou por assinalar. Como os cartões (mostrados e por mostrar) não contam, é este lance que prevalece na alteração ao resultado.

Resultado Real: 2-4


CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA 13

Sporting 12

FC Porto 10


NOTA FINAL: Decidi não integrar nesta rubrica os jogos do Sp.Braga. Não por não o considerar tão candidato como, por exemplo, o Sporting, mas porque as imagens dos seus jogos raramente são analisadas pelos programas de televisão com o pormenor com que o são os dos tradicionais três grandes. Como não tenho tempo para ver todos os jogos em directo (normalmente, da Liga Portugesa, só vejo os do Benfica), ficaria assim sem matéria-prima para me poder pronunciar acerca dos casos envolvendo o clube minhoto – problema que confesso ter sentido ao longo da época passada.

Esta noite, excepcionalmente, vi grande parte do dérbi com o V.Guimarães, e achei a arbitragem de Pedro Proença (árbitro cujo currículo tem sido incompreensivelmente branqueado, até por benfiquistas) foi tendenciosa, empurrando, com uma dualidade de critérios chocante, o Sp.Braga para a frente.

...E TUDO COMO NO PRINCÍPIO

São tradicionais as dificuldades que quase todas as principais equipas sentem após os grandes jogos europeus. Poupando ou não jogadores, a dificuldade está em motivar aqueles que entram em campo, e que tendem a encarar as partidas seguintes em jeito de descompressão. É assim no Benfica, é assim no FC Porto (empatou neste domingo), no Real Madrid (perdeu), no Milan (empatou), no Chelsea (perdeu), no Inter (empatou), no Arsenal (perdeu), ou seja lá onde for, com as inevitáveis excepções que sempre ajudam a compor a regra.



Quatro dias depois de um jogo de grande intensidade, frente a uma das melhores equipas do mundo, com lotação esgotada e os olhos atentos da Europa futebolística, seriam pois de esperar algumas dificuldades no regresso à lide doméstica. Sobretudo tendo por diante uma Académica tradicionalmente complicada (três triunfos na Luz nas últimas quatro épocas), e agora orientada por um dos vários treinadores satelizados pelo FC Porto – o que constitui dificuldade acrescida para os encarnados, na mesma medida em que irá provavelmente proporcionar dois tranquilos passeios aos azuis-e-brancos, quando o calendário os cruzar com esta já muito pouco simpática Briosa.



Deve dizer-se que o Benfica não facilitou. Talvez motivado pelas boas notícias oriundas de Aveiro, entrou veloz, empenhado, e em busca dos golos que garantissem uma segunda parte relativamente sossegada. Criou oportunidades, marcou, e só por um instante (entre o golo do empate, e a pronta resposta de Nolito), os fantasmas ameaçaram a Luz. A segunda parte não foi, porém, sossegada. O desperdício benfiquista não o permitiu, e foi deixando o resultado tangencial arrastar-se até bem perto do fim, quando Aimar, e depois Nolito, selaram as contas do resultado e do jogo.



Como Pedro Emanuel disse no final da partida, o 4-1 final é um resultado demasiado desnivelado para o que se viu nos noventa minutos. O Benfica jogou bem, mereceu ganhar, mas a Académica, pela réplica que deu, pela forma como nunca deixou de procurar o golo, não merecia, em rigor, sair vergada a tão pesado desfecho. Talvez uns 4-2 reflectissem melhor o que se passou, mas como sabemos o futebol nem sempre se entende bem com a matemática.



Nunca assobiei nenhum jogador do meu clube. Mas não deixa de ser, para mim, um enigma, o motivo pelo qual aqueles que tão implacáveis são para com Cardozo, mostram tanta tolerância para com Saviola. Desde que, em finais da época do título, o argentino soube que não ia estar no Mundial da África do Sul com a sua Selecção, o seu rendimento caiu a pique, para não mais se aproximar dos níveis daqueles primeiros meses. Hoje, como em toda a temporada anterior, Saviola é uma sombra negra do jogador que encantou em 2009-10: não ganha uma bola dividida, não ganha um lance em velocidade, não consegue fazer um drible, raramente decide bem os lances, sendo, na maior parte das vezes, um jogador a menos no conjunto de Jorge Jesus. Não sei se o problema é físico ou psicológico. O que sei é que um jogador assim – sobretudo tendo em conta que é, seguramente, dos mais bem pagos – não tem lugar num Benfica que se quer competitivo e ganhador.



Depois de uma pré-época (tanto quanto me apercebi) prometedora, também Matic não tem mostrado nestas últimas aparições ser alternativa credível a Javi Garcia. Sistematicamente desposicionado, macio a abordar os lances, o sérvio deixou muito espaço por onde os jogadores da Académica puderam penetrar. É, todavia, um caso ainda a rever.



Já que estou com a língua particularmente afiada, mas sem querer ser demasiado cáustico com uma equipa que tem ganho, e jogado genericamente bem, devo ainda dizer que esperava mais de Garay. Tem tentado não complicar, não se deixa expor ao erro mais primário, mas de um central vindo do Real Madrid esperavam-se menos pontapés para a bancada, e esperava-se, por exemplo, um maior e mais rápido entendimento com o lateral do seu lado – e Emerson tem saído algo penalizado por uma deficiente articulação com o central argentino.



Em sentido oposto, Nolito e Bruno César vão mostrando jogo a jogo que querem ser titulares. Um e outro jogam, correm, lutam e marcam. A noite foi deles, e é uma pena que não possam jogar juntos mais vezes. Se Jesus conseguir completar aquele futebol empolgante e libertino que ambos vão exibindo, com o rigor táctico e defensivo que ainda não conseguem garantir, teremos ali dois craques de primeiro nível, até porque estamos a falar de jogadores ainda bastante jovens.



O árbitro perdoou um penálti a cada uma das equipas: o corte com a mão de Bruno César é dentro da área, e, pouco depois, um remate, creio que do mesmo jogador, é cortado para canto com os braços por um dos defesas da Académica.



O amarelo mostrado a Nolito foi um completo absurdo, devendo antes, pelo contrário, ter sido admoestado o jogador que o impediu de lançar um perigoso contra-ataque. Com culpas para o fiscal-de-linha, o mesmo Nolito viu ser-lhe levantada a bandeira num lance em que está, pelo menos, uns três ou quatro metros atrás do último defesa.



Juntando tudo isto a uma expulsão perdoada a Abdoulaye por agressão a Saviola, temos erros demais, a configurar uma péssima arbitragem.

OS FACTOS



Considerando todos os jogos oficiais, esta é a lista dos mais eficazes goleadores de sempre do Benfica, dividindo o número total de golos, pelo número de épocas em que estiveram no clube:




EUSÉBIO: 476 golos / 15 épocas = média de 31,7




JOSÉ ÁGUAS: 377 golos / 13 épocas = média de 29,0




ÓSCAR CARDOZO: 107 golos / 5 épocas = média de 21,4




Seguem-se, no top-10, Nené (20,1), Julinho (19,9), José Torres (19,1), Arsénio (18,3), Rogério "Pipi" (17,3), Valadas (16,2) e José Augusto (15,8).

Assobiar Cardozo já deixou de ser ignorância. Creio que agora é mesmo estupidez.

A UM PALMO DA GLÓRIA


Há muitas formas de avaliar a qualidade de um jogo de futebol. Podemos fazê-lo pelo número de golos, pelas oportunidades criadas, pela incerteza no resultado, pela qualidade artística dos lances, pelo ritmo imposto, ou pela intensidade colocada na luta por cada posse de bola. Cada adepto terá as suas preferências. No meu caso, dou bastante relevo às duas últimas.


Nesta medida, o jogo da Luz foi um espectáculo deslumbrante. A uma bela noite de Verão, a um estádio lindo, cheio e vibrante, a um adversário de topo e recheado de estrelas, a uma ocasião solene como o início da mais importante prova de clubes do mundo, juntou-se uma equipa do Benfica de alto nível, capaz de interpretar na perfeição a tarefa que tinha por diante. Dois maravilhosos golos (um para cada lado) foram as cerejas colocadas sobre tão delicioso bolo, e, dadas as circunstâncias, o empate final acabou por saber a pouco aos mais de 60 mil benfiquistas que estiveram na Luz.


Quando me desloco ao estádio para ver um jogo do Benfica, espero exactamente aquilo que encontrei esta noite. Uma equipa batalhadora, carregada de coragem, a disputar cada lance como se a vida acabasse ali, a não temer o choque, e a querer correr mais do que o opositor. Diz-me a memória que, quando assim é, raramente a derrota acontece, chame-se o adversário Manchester United ou outro nome qualquer. Foi por esse caminho que o Benfica começou a abordar esta partida, sabendo que tinha pela frente uma das melhores equipas do mundo (no meu ponto de vista a segunda dessa hierarquia, logo atrás do super-Barcelona de Pep Guardiola).


Olhando para as estatísticas, o Benfica teve mais remates, mais ataques, mais oportunidades e mais pontapés de canto. Eu acrescentaria que correu mais, equilibrando por essa via uma contenda que, à priori, pendia para o lado contrário. Deu a posse de bola ao adversário (reconhecendo-lhe a natural superioridade), mas nunca deixando de fechar devidamente os caminhos para a sua baliza, esperando sempre, de forma atenta, concentrada e paciente, a oportunidade de aplicar o contra-golpe.


Sobretudo após o golo de Óscar Cardozo (quem mais?), os encarnados da Luz conseguiram agarrar o controlo da partida, e durante algum tempo o 2-0 esteve mais perto do que o empate. Quem tem jogadores como Giggs está, todavia, arriscado a fazer golos a qualquer instante. Um remate espectacular quando se caminhava para o intervalo, e o Manchester United repunha a igualdade, o que na altura significava uma pedra de gelo na euforia que já começava a fazer-se sentir.


Houve um lapso de tempo, correspondente aos primeiros vinte minutos da segunda parte, em que as coisas se complicaram. O Manchester, talvez surpreendido pela força ostentada pelo Benfica no primeiro período, puxou dos galões, e veio do intervalo com uma atitude muito mais afirmativa. Empurrou a equipa de Jesus para a sua área, e por momentos o segundo golo inglês pareceu iminente.


Uma oportunidade clara protagonizada por Nolito (a que o guarda-redes contrário se opôs com uma estupenda defesa), virou novamente as agulhas do jogo. Nos vinte minutos finais o Benfica voltou a ser, senão o mais forte, pelo menos o mais ambicioso dos dois conjuntos em campo, mostrando claramente que queria os três pontos, perante um Manchester United aparentemente resignado com o empate.


O resultado é excelente, e só as oportunidades desperdiçadas (Cardozo, Luisão, Nolito, Gaitán e novamente Nolito) trazem aquele ligeiro travo amargo de que falei mais acima. Não acredito que Basileia e Otelul (pelo menos nas jornadas mais próximas) retirem pontos aos Red Devils, pelo que o Benfica parte de certa forma em vantagem na luta pelo segundo lugar.


Mas da luminosa noite da Luz ficou, sobretudo, a imagem de uma equipa capaz de muito. Se conseguir jogar sempre desta forma, com esta alma, com esta atitude (o que não será fácil), o Benfica vai qualificar-se tranquilamente para os oitavos-de-final, e vai certamente fazer um grande campeonato.


Individualmente destacaria três nomes, os daqueles que mais marcaram esta noite de estrelas: Luisão, Gaitán e Cardozo. O primeiro pela segurança no controlo da sua zona de acção (particularmente no jogo aéreo). O segundo porque foi o principal desequilibrador da equipa, fez um passe magistral para o golo, e teve pormenores de grande classe, que terão deixado Alex Ferguson seguramente impressionado. O terceiro porque, além do espectacular golo que marcou (é já o quinto goleador de sempre do Benfica em jogos internacionais), ganhou inúmeras bolas de cabeça, batalhou como um herói entre os centrais britânicos, e calou uma vez mais os assobios daqueles que, manifestamente, não percebem nada do que estão a ver.


O árbitro protegeu em demasia a equipa mais famosa, nomeadamente ao perdoar dois livres a favor do Benfica em zona de perigo.



PS: Já esta manhã fui surpreendido com as primeiras páginas de dois jornais generalistas (Diário de Notícias e Público), cuja qualidade não merecia ser manchada por títulos, quase diria, insultuosos. O Manchester United tem jogado em claro 4-4-2 no seu campeonato, e veio à Luz em 4-5-1, numa manifestação de grande respeito pelo Benfica. Optou por jogadores que fechassem melhor as alas (Park e Valência) em detrimento do talento mais libertino de Nani, e pela experiência de Giggs no apoio à principal estrela da companhia, Wayne Rooney (único ponta-de-lança que apresentou de início). É verdade que tem os dois centrais titulares lesionados, mas daí para a frente jogaram em Lisboa todos os seus craques. E também não fica mal lembrar aqui que esta equipa (em cujo plantel não existem…”segundas linhas”) levava 5 vitórias em 5 jogos oficiais nesta temporada, entre as quais algumas goleadas como um 8-2 (!) ao Arsenal, ou um 0-5 no terreno do Bolton no último sábado. Aceito que se possa eventualmente discutir se Cardozo faria a Ferdinand o que fez a Evans. Não aceito que se destaque, em primeira página, como facto central de um grande jogo, que o Manchester tenha jogado desfalcado. Até porque é mentira. E se não é provocação, parece.

ONZE IRMÃOS

JOGOS PARA A ETERNIDADE (reedição) - Benfica-Manchester United, 2-1 / 2005

Quando se aproxima mais uma jornada europeia de elevadíssimo grau de dificuldade para o Benfica, é talvez o momento de recordar uma outra, de características similares, que redundou numa noite de glória verdadeiramente inesquecível. Falo do Benfica-Manchester United de 2005, que foi, sem dúvida alguma, um dos jogos da minha vida.

Estávamos na última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, onde os encarnados haviam chegado depois de uma ausência de alguns anos. Para os lados da Luz, estava ainda bem viva a conquista do título nacional meses antes, que interrompera onze anos de jejum, e levara o clube de volta aos principais palcos do futebol europeu. Apesar de toda a euforia do título que ainda envolvia os adeptos, poucos apostariam que o Benfica conseguisse ultrapassar esta fase, sobretudo depois da derrota em casa com o Villarreal - à partida, o seu principal adversário, tomando como seguro que ao todo poderoso Manchester United nunca fugiria um dos lugares de apuramento.

O Benfica iniciou a prova com uma preciosa vitória sobre o Lille na Luz, obtida com um golo de Miccoli no último minuto. Depois foi derrotado em Old Trafford, empatou em Villarreal, perdeu em casa com os espanhóis, e foi empatar a Paris com o Lille. Chegou à derradeira jornada em último lugar, com 5 pontos, face aos 6 de Lille e Manchester United, e aos 7 do surpreendente líder Villarreal. Só a vitória interessava, e permitia, sem quaisquer dependências, a qualificação. Qualquer outro resultado eliminava sumariamente o Benfica da prova rainha, e um eventual empate nem sequer garantia a repescagem para a Taça Uefa. O Manchester não podia perder, jogando também nessa noite o apuramento, depois de uma fase de grupos bastante sinuosa, na qual perdera já nove pontos em cinco jogos. O panorama era pois de autêntico mata-mata, e, para agravar, o Benfica tinha de o enfrentar com vários jogadores lesionados, tais como Manuel Fernandes, Ricardo Rocha, Karagounis, o perigoso Fabrizio Miccoli, e, sobretudo, o capitão Simão Sabrosa. Era o que se poderia chamar, uma missão impossível.

Mas há noites em que algo de mágico parece acender as velas da nossa esperança. Fui para o estádio bem cedo, e embora, como quase toda a gente, não visse forma de o Benfica conseguir ultrapassar o tremendo obstáculo que tinha diante de si, sentia por dentro uma estranha fé, capaz de transmitir uma difusa sensação de que era possível ocorrer o verdadeiro milagre com que sonhava. Afinal eram onze contra onze, e a bola seria, com toda a certeza, redonda.

O ambiente em redor da Luz era, naturalmente, o dos grandes jogos. A lotação estava esgotada havia semanas, e a tensão nervosa era electrizante. O Benfica alinhou com Quim, Alcides, Luisão, Anderson, Léo, Nelson, Petit, Beto, Nuno Assis, Nuno Gomes e Geovanni, enquanto o Manchester United fazia actuar Van der Sar, Neville, Ferdinand, Silvestre, O’Shea, Smith, Fletcher, Scholes, Ronaldo, Rooney e Van Nistelrooy. Os técnicos eram Ronald Koeman e Alex Ferguson. Desde que o jogo teve início, logo se percebeu que Cristiano Ronaldo não seria poupado a assobios. Cada vez que o jovem português tocava na bola, sessenta mil pessoas faziam um barulho ensurdecedor, factor que terá sido responsável pela pobre exibição que o puto maravilha – ainda relativamente pouco experiente - realizou nessa noite. Ao ser substituído, Ronaldo, de cabeça perdida, faria um gesto indelicado para as bancadas, o que lhe viria a valer um castigo. Estou em crer que se hoje voltasse à Luz, tudo seria perdoado.


Mas as coisas não começaram nada bem para o a equipa portuguesa, muito pelo contrário. Logo aos seis minutos, uma falha de marcação permite um cruzamento para a pequena área, onde Paul Scholes bateu Quim de forma pouco ortodoxa – a bola apenas passou uns centímetros da linha de golo, mas os suficientes para o Benfica se ver em desvantagem no marcador. Se as dificuldades já eram muitas, um início de jogo tão infeliz parecia ser o pronuncio de uma noite de desilusão, ainda que, com as expectativas tão baixas, essa palavra fosse até de algum modo excessiva. Quaisquer palavras que utilizássemos, o que parecia certo era o natural apuramento dos Red Devils, e a eliminação dos encarnados da Luz. Recordo bem a forma como, impulsionados pelas claques, os benfiquistas de imediato apoiaram a equipa, fazendo-lhe sentir que tudo ainda era possível. Terá sido um dos jogos em que me recordo de um apoio mais vibrante vindo das bancadas. A Luz, nesse dia, foi mesmo um verdadeiro inferno.


A reacção dos jogadores foi espantosa. Desde esse minuto seis, até ao final da primeira parte, assisti a melhor exibição do Benfica dos últimos dez anos. Segurança defensiva, critério na troca de bola, ataques rápidos e perigosos. Todos pareciam capazes de comer a relva e engolir a bola. Os golos teriam de surgir. E surgiram mesmo. Primeiro Geovanni – cirurgicamente aproveitado como ponta-de-lança -, a cruzamento de Nelson. Era o empate, era a devolução da esperança à Luz, repondo tudo na estaca de partida. Pouco depois seria a vez do improvável Beto – mal amado pelos sócios – rematar de fora da área, na sequência de um ressalto, batendo sem apelo o gigante Van der Sar. Parecia impossível, mas o Benfica tinha consumado uma cambalhota no resultado. Mas faltava ainda muito, muito tempo. Van Nistelrooy e Ronaldo têm boas oportunidades, mas à beira do intervalo, em mais um lançamento para as costas da defesa inglesa, o veloz Geovanni escapa-se, isola-se, e acaba rasteirado mesmo sobre a linha limite da área. Todo o estádio se levantou esperando o penálti (ou, no mínimo, o perigoso livre) e o respectivo cartão vermelho. Tal como sucederia poucos meses depois frente ao Barcelona, o Benfica provou também aqui um pouco daquilo que é uma indesmentível protecção da Uefa, e das suas arbitragens, aos nomes financeira e comercialmente mais fortes. O árbitro nada assinalou, e perdia-se assim uma excelente ocasião para dilatar a vantagem, e assegurar algum conforto para uma segunda parte que se antevia dramática.



Chegou-se ao intervalo com 2-1. Ninguém sabia, mas seria este o resultado final. Devo dizer que, durante quase toda a partida, perante uma vantagem tão frágil – e o empate, recorde-se, não chegava -, contra tão forte adversário, nunca me convenci plenamente da possibilidade de êxito do Benfica. De certo que a qualquer momento Cristiano Ronaldo, Van Nistelrooy ou Rooney, num lance individual ou colectivo, numa falha ou por via de um qualquer golpe de genialidade, acabariam por repor a natural hierarquia do jogo. Era esse o meu espírito quando, nos corredores da Luz, discutia ao telefone com amigos as incidências da primeira parte.



O segundo período iniciou-se, e pouco depois Ronaldo atirou uma bola ao poste. O tempo ia passando, o Manchester pressionava, mas a torre de centrais que o Koeman colocava na sua área (Alcides, Luisão e Anderson) ia chegando para tudo. O relógio parecia andar para trás, mas a realidade é que o Benfica se aproximava de um feito notável. A meio da segunda parte comecei, enfim, a acreditar que o milagre seria possível. A ponta final do jogo foi de um dramatismo indescritível. O estádio rebentava de um misto de euforia e ansiedade, que criava um clima onde mesmo um experiente adversário, como o Manchester United, tinha dificuldade em jogar. O Benfica dava mostras de uma união fortíssima entre os seus jogadores, e conseguia, a espaços, contra-ataques perigosos - recordo dois, concluídos por Geovanni e João Pereira (entretanto entrado) com remates ao lado. A equipa de Alex Ferguson começava a perder a cabeça, e insistia cada vez mais num chuveirinho para a área, que soava a música celestial para os centrais benfiquistas. Quando o árbitro (se não estou em erro, o grego Vassaras) apitou para o final, tudo parecia tratar-se de um sonho. Muitos dos adeptos, ainda sintonizados com os tempos de glória europeia do clube, terão encarado a passagem com felicidade, mas com alguma naturalidade. Para mim - e para muitos outros - foi um feito extraordinário, e terei ficado tão feliz como quando, anos antes, por duas vezes, vi na Luz o Benfica apurar-se para a própria final da prova. Este era aliás, o momento do reencontro do Benfica com a sua história, e era, na verdade, algo que fazia a Europa abrir a boca de espanto.



A noite foi de festa, com passagem por várias das principais "capelinhas" de Lisboa. Das Docas ao Bairro Alto, terminando ao som da música do Lux, mesmo à beirinha do Tejo, sempre com muita cerveja e muita euforia. Prometi a mim próprio que só me iria deitar depois de ler “A Bola” do dia seguinte, e recordo perfeitamente de, já com o sol a nascer, comprar de enfiada, numa estação de serviço, todos os jornais desportivos do dia, e deleitar-me a folheá-los antes de adormecer sobre uma nuvem de felicidade. O Benfica terá atingido, nessa noite, um dos pontos mais altos da sua história internacional nas últimas décadas. Seguiu-se a também inesquecível eliminatória com o Liverpool, e depois a infelicidade de apanhar, nos quartos-de-final, com a melhor equipa da competição - o Barcelona já de Messi, e ainda de Ronaldinho Gaúcho, Deco, Eto'o, Puyol e companhia, que seria o natural campeão europeu da temporada.

AÍ ESTÁ ELA!

Para começar, dois jogos grandes: hoje, Barcelona-Milan, amanhã, Benfica-Manchester United. São estes os dois grandes clássicos da primeira ronda, os únicos que colocam frente a frente antigos vencedores da prova, e clubes do top-10 histórico.

Destaque também para o duplo confronto londrino-germânico, com um Chelsea-Bayer Leverkusen e um Borússia de Dortmund-Arsenal (ambos já esta noite), e ainda para o Villarreal-Bayern de Munique e o Ajax-Lyon, sem esquecer a deslocação do Real Madrid a Zagreb. 16 jogos ao todo, entre hoje e amanhã, todos com transmissão televisiva. Um regalo.

CLASSIFICAÇÃO REAL

FC PORTO-V.SETÚBAL

Para além da noite de sexta-feira ser, para mim, tradicionalmente reservada ao cinema, ver jogar o FC Porto provoca-me náuseas. É algo que evito ao máximo, abrindo apenas excepções para os jogos com o Benfica (como é óbvio), por vezes também com o Sporting, e um ou outro jogo europeu (hoje nem pensar, pois há um imperdível Barça-Milan à mesma hora). Não gosto da estética daquele estádio (nem dos estádios vazios que o FC Porto visita), das insuportáveis cornetas, das facilidades concedidas pelos adversários e pelos árbitros. Incomodam-me até os rostos do Hulk, do Rolando, do Álvaro Pereira e do Fernando. Nada daquilo é futebol. É algo de diferente, que me enjoa, e me repugna.

Desta vez, nem o resumo vi. Neste caso, não porque o evitasse, mas simplesmente porque não calhou.

Rezam as crónicas que o primeiro golo portista é precedido de falta. Não posso confirmar, nem desmentir essa ideia.

Resultado Real: 3-0


BENFICA-V.GUIMARÃES

Sobre a partida que mais polémica levantou, já muito aqui ficou dito.

Acrescentaria apenas que, depois de ver melhor, fiquei com mais dúvidas acerca do terceiro penálti. No texto sobre o jogo considerei-o inexistente, mas uma repetição mais aproximada deixa a sensação que, antes de bater na cabeça, a bola desvia efectivamente no braço do defesa vimaranense. Ou seja, onde tínhamos um penálti por assinalar, um bem assinalado, um a deixar dúvidas e um inexistente, temos agora um por assinalar, outro bem assinalado, dois a deixar dúvidas, e nenhum claramente inexistente. Para além disso, creio que haveriam aqui cartões vermelhos por mostrar. No meio de tantas dúvidas, nem sequer me vou meter nisso.

Resultado Real: 2-1 para o Benfica.


PAÇOS-SPORTING

Dos resumos que vi, o único caso de que me apercebi prende-se com o livre indirecto de que resultou o primeiro golo pacense. Eu não o assinalaria, pois não é claro que o defesa sportinguista queira deliberadamente atrasar a bola ao seu guarda-redes.

Resultado Real: 1-3


CLASSIFICAÇÃO REAL

FC PORTO 10 (beneficiado em 2 pontos)

Benfica 10 (não beneficiado nem prejudicado em pontos)

Sporting 9 (prejudicado em 4 pontos)

SERVIÇOS MÍNIMOS


Se o jogo se decidiu aos penáltis, vamos começar então por eles.

O primeiro não oferece dúvidas, e nem me parece que valha a pena perder muito tempo a analisá-lo. O segundo é duvidoso, não se percebe se o braço do defesa vimaranense ajuda ou não a afastar a bola, nenhuma imagem é clara quanto a isso, mas…não foi convertido, pelo que os seus efeitos no rumo do jogo foram nulos. Já o terceiro, que no estádio (e numa primeira imagem televisiva) me pareceu ser claro, vê-se depois (à segunda repetição) que efectivamente não existe. Ou seja, dos dois penáltis que originaram os golos, um foi claro, outro inexistente.

Acontece que antes de qualquer uma das penalidades assinaladas, houve uma outra que ficou por assinalar. Falo de um corte com a mão, feito perto da linha de fundo, que Duarte Gomes não viu, mas que logo no estádio (e eu estava bem perto do local), se percebeu ter sido faltoso. Foi de resto, o lance mais claro de todos os que a partida proporcionou. No balanço temos pois um penálti mal marcado e outro por marcar. Cartesianamente, podemos dizer que assistimos a uma má arbitragem, mas sem qualquer benefício para o Benfica.

O jogo em si foi pobre. Esperava-se um Benfica afirmativo e empolgante no ataque, e um Vitória atrevido no contra-golpe, mas nada disso se viu no relvado da Luz. Assistimos a um jogo pastoso, arrastado, com o Benfica à espera que o golo aparecesse, e a equipa visitante sem argumentos para fazer perigar a baliza de Artur.

Com 2-0 ao intervalo pensou-se que tudo estaria decidido, mas o golo de Edgar (na primeira falha de Artur desde que está no Benfica), trouxe a intranquilidade às bancadas e à equipa de Jesus. Mais uma vez os encarnados não souberam gerir os ritmos de jogo da melhor forma, expondo-se a um eventual golo do empate – que nos últimos minutos chegou a parecer eminente, tal a sequência de lances de bola parada nas imediações da área benfiquista.

Em vésperas de um compromisso europeu de altíssimo grau de exigência, não surpreende algum arrefecimento exibicional da equipa do Benfica. A vitória e os três pontos eram, todavia, as únicas coisas que interessavam, e isso foi conseguido.

Em termos individuais destacaria Cardozo, pelos golos (é já líder isolado da lista de melhores marcadores), mas também pelos espaços que criou, e pela forma como batalhou.


De Duarte Gomes já disse tudo.

ONZE PARA SÁBADO

Apresentando uma equipa extremamente competitiva, poupava, pelo menos de início, Maxi Pereira (vem de lesão), Emerson (dando oportunidade a Capdevila), Aimar (para estar em grande na Champions), Gaitán (a precisar de descanso) e Cardozo (que vem da sua selecção).

ALTERNATIVA

Se não querem um benfiquista na FPF, pois que seja então um sportinguista. Mas nunca um cúmplice (por omissão) das práticas corruptas que intoxicaram o futebol português nas últimas décadas.

Se não querem Seara, que seja Hermínio - nortenho, adepto do Sporting, mas homem isento e impoluto.

Ou o Benfica e o Sporting unem as suas forças para limpar o futebol, ou teremos mais uma oportunidade dramaticamente perdida. Quem sabe a última.

UM HOMEM DO SISTEMA

Sentado à direita do "pai", está o homem que assobiou para o lado aquando do processo "Apito Dourado", deixando o Benfica sozinho no terreno da luta pela verdade desportiva.

Sozinho nunca ele deixou Pinto da Costa, com quem manteve sempre uma relação de grande cumplicidade, antes e depois dos almoços.

Agora está a ser conduzido pela Associação de Futebol do Porto (com a bênção da Olivedesportos) a uma oportunista candidatura à presidência da FPF. Reservada para a trupe de Lourenço Pinto ficará, como é óbvio, a arbitragem, provavelmente a cargo de Paulo Costa - outro personagem à altura deste romance.

Gostava muito que o Sporting (falo essencialmente de Godinho Lopes e Luís Duque) não se deixasse enganar, e não fosse levado neste canto da sereia. Mas de Alvalade não se podem esperar grandes manifestações de sensatez, sobretudo sendo o outro candidato um conhecido adepto do... Benfica.

Se, para desgraça do futebol português, viermos a ter Soares Franco na FPF, e Paulo Costa na arbitragem, isso significa - não tenhamos dúvidas - mais alguns anos de domínio portista no campeonato, de queixas avulso do Sporting em relação aos árbitros (não percebendo, ou não querendo perceber de onde vem o mal), e de solidão do Benfica na luta contra o sistema corrupto que tem vigorado desde 1983.

O QUE PARECE...NÃO É

PRATELEIRA DOURADA

Na senda do texto anterior, também ninguém ainda fez as contas aos jogadores caríssimos, adquiridos pelo FC Porto, e que, por um ou outro motivo, não são titulares da equipa.




DANILO.............................13 milhões (só chega em Janeiro)




MANGALA..........................6,5 milhões (suplente)




ALEX SANDRO.................10 milhões (não inscrito na Champions)




DEFOUR..............................6,5 milhões (suplente)




BELLUSCHI...........................5 milhões (suplente)




JAMES RODRIGUEZ...............6 milhões (suplente)




CRISTIAN RODRIGUEZ.........7 milhões (suplente)




Só aqui estão 54 milhões de euros (!!!). Curiosamente, quatro destes sete nomes foram alegadamente alvo do interesse do Benfica, o que talvez explique alguma coisa. O que é certo é que se isto se passasse na Luz, a especulação e a crítica seriam constantes.

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Escrevi aqui sobre a ausência de Capdevilla da convocatória para a Champions League. Pareceu-me uma opção estranha, e como tinha a ver com o Benfica, comentei-a. Acontecesse noutro clube, e possivelmente não o teria feito, pois, como sabem, o Glorioso tem aqui um lugar de destaque.

Ninguém me paga para fazer isto, não sou jornalista, e não estou sujeito a qualquer deontologia profissional. Nestas circunstâncias, escrevo aquilo que quero e me apetece.

O mesmo não se aplica aos órgãos de comunicação social que se dizem independentes, onde se ganha dinheiro, e aos quais se exige isenção e critério.

Todos eles falaram de Capdevilla. Falaram muito. Mas sobre a convocatória do FC Porto nem uma palavra. E haveria algumas coisas para dizer.

Alex Sandro, que custou quase 10 milhões de euros (num capricho que visava apenas desviá-lo do Benfica), ficou de fora. Iturbe (o “novo Messi”) também, assim como Walter (que só me lembro de marcar golos, para desgraça minha, ao Juventude de Évora). Mas o dado mais curioso é que o FC Porto foi obrigado a deixar quatro vagas por preencher, pois não tem no seu plantel qualquer jogador formado internamente, coisa que tem passado despercebida.

Pelo contrário, o que se lê muito por aí é que o Benfica joga apenas com estrangeiros. Talvez não tenham feito as contas, pois caso contrário saberiam que o Benfica é justamente, de entre os três grandes, o clube com mais portugueses e com mais jogadores da sua formação no plantel principal. Quem não esteja atento, até pode pensar outra coisa.

Muitas vezes acusa-se os “media” de protecção ao Benfica. Estes casos provam o contrário.

Que só falam do Benfica, é verdade. Que fazem manchetes espampanantes com jogadores encarnados, também é verdade. Que protegem o clube da Luz, é falso. Servem-se dele, o que é substancialmente diferente.

MAIS PERTO DO EURO

Num jogo sem grande história, a Selecção Nacional soube tornar as coisas fáceis, e garantir os três preciosos pontos.

Ricardo Carvalho não fez falta, Cristiano Ronaldo desempenhou, enfim, o papel que os portugueses dele esperam, e a prematura expulsão de um cipriota enfatizou a superioridade lusa.

Faltam duas finais, e nada está ganho. A entrada em falso teve custos, e o apuramento disputar-se-á, provavelmente, até aos últimos instantes do último jogo.

ONZE PARA CHIPRE

Não gosto de Pepe, Bruno Alves e Ruben Micael, e não gosto de os ver na minha selecção. Acontece que com esta convocatória seria impossível fazer uma equipa muito diferente. E para já, a prioridade é estar no Europeu.

DOIS CASOS

Custa a acreditar como um jogador tão experiente toma uma atitude tão absurda. Ricardo Carvalho deitou por terra, num instante, a imagem que foi construindo ao longo dos anos, e que o tornava num jogador respeitado inclusivamente por adversários.


Custa-me ver a titularidade da selecção definitivamente entregue a Pepe e Bruno Alves (dois excelentes jogadores, dos quais não gosto), mas quem abandona o barco desta forma, num momento tão delicado, hipervalorizando aspectos individuais quando está em causa um apuramento nacional, não merece estar na selecção, e se calhar nunca merecia lá ter estado.


Se calhar tem mesmo de fazer um teste de QI, tal como o próprio José Mourinho lhe havia proposto nos tempos do Chelsea.






Quem sabe da tenda é o tendeiro, e não excluo a hipótese de Joan Capdevila, campeão da Europa e do Mundo com a poderosíssima selecção espanhola, ter imaginado o seu ingresso no Benfica como uma espécie de reforma dourada, com muito sol, marisco e descanso. Se foi isso que aconteceu, se foram esses os sinais dados pelo espanhol nos primeiros treinos, então Jorge Jesus tem toda a razão para não contar com ele.


De qualquer forma, custa-me a aceitar que o Benfica parta para a Champions League com apenas um lateral-esquerdo no plantel. Não vejo nenhum dos centrais a fazer o lugar, o jovem Luís Martins não oferece, obviamente, quaisquer garantias, e o próprio Emerson está longe de ser um craque – como se viu na Choupana, onde o seu corredor foi amplamente explorado pela equipa madeirense.


Fábio Coentrão foi vendido, Carole emprestado, e César Peixoto não quer o lugar. Capdevila chegava como um dos reforços mais sonantes deste Benfica, como alguém experimentado, e particularmente vocacionado justamente para os grandes jogos europeus. Jesus prefere convocar dez (!) médios, e deixá-lo de fora. Espero que existam razões fortes para o fazer.


Desacreditado e humilhado, não creio que Capdevila possa fazer carreira na Luz. Ou seja, fechado o mercado, o Benfica destapa um buraco, e grande, no seu plantel.

FINALMENTE FECHADO

Quase dois meses depois de algumas equipas terem iniciado a temporada, o mercado de transferências finalmente fechou.




Não houve grandes surpresas de última hora, salvo talvez o fracasso das negociações por Álvaro Pereira, e as vendas de Postiga e Yannick. Esperava sinceramente que Sporting e FC Porto (e até eventualmente o Benfica, onde não há alternativa a Cardozo) contratassem pontas-de-lança neste último dia, mas ao que parece todos eles estão satisfeito com o que têm.




É altura de actualizar o top10 de compras e vendas efectuadas por clubes portugueses.




Estas são as compras mais caras de sempre:E estas as vendas:


CLASSIFICAÇÃO REAL

Como já é tradição, VEDETA DA BOLA vai analisar semanalmente os casos de arbitragem dos três principais clubes na Liga Portuguesa.

Decorridas três jornadas, há que ser preciso e conciso. Vamos a isto:


1ª Jornada

GIL VICENTE-BENFICA – Muito se reclamou de um fora-de-jogo no golo de Nolito, mas, sinceramente, não acho que nenhum dos ângulos de repetição o tenha provado. Para mim, no momento do passe, o espanhol está em linha com um dos defesas centrais gilistas, tão em linha como Evaldo no jogo do Sporting deste último fim-de-semana.

Uma mentira contada muitas vezes transforma-se rapidamente em verdade, e em termos de arbitragem, sobretudo quando toca a pretensos benefícios ao Benfica, essa é uma situação bastante comum.

Resultado real: 2-2


SPORTING-OLHANENSE – Se há jogos em que o Sporting tem razões de queixa, este é certamente um deles. Ficou por marcar um penálti por corte com a mão, e o golo de Postiga foi mal anulado. No outro prato da balança terá de se colocar a expulsão poupada a Jeffren, mas em termos de classificação real, os pontos seriam para os leões.

Resultado real: 3-1


V.GUIMARÃES-FC PORTO – Parece haver na Liga, e até no futebol internacional, uma directiva no sentido de só se assinalarem grandes penalidades quando elas são evidentes, e não deixam dúvidas a ninguém. É isso que se tem visto nas provas europeias, nas competições de selecções; e em Portugal, nos jogos do Benfica, do Sporting, e da maioria das restantes equipas, com prejuízos e benefícios aleatoriamente distribuídos (e neste mesmo texto temos exemplos de vários casos que se enquadram nessa linha).

Direi até que concordo com a ideia (e irei tentar seguí-la aqui), uma vez que é humanamente impossível decidir com rigor em todos os lances reclamados, e, por vezes, altamente duvidosos. Até eu, que ao fazer esta rubrica não tenho qualquer responsabilidade acrescida, e posso fazê-la recorrendo às imagens da televisão, hesito em muitos lances – que na verdade podem ser uma coisa ou outra conforme o critério que se estabelecer.

Ora tudo isto estaria correcto, caso não houvesse uma excepção: os lances a favorecer o FC Porto.

Aqui, neste tipo de casos, a regra tem sido exactamente a contrária: na dúvida, marca-se. São os factos que o determinam, pois lances como os de Sapunaru em Guimarães, e Hulk frente ao Gil Vicente, não são sancionados em nenhum estádio do mundo.

Não os poderei, por isso mesmo, considerar como penáltis bem assinalados. São, na verdade, excessos de zelo de personagens reverentes, cujos critérios mudam de acordo com as camisolas que evoluem à sua volta. Olegário Benquerença é, de resto, o mesmo árbitro que, no mesmo estádio, há um ano atrás, não viu dois penáltis flagrantes sobre Aimar e Carlos Martins, abrindo caminho à época desastrosa do Benfica, isto para não recuar mais no tempo, e não esmiuçar ainda mais o pantanoso palmarés deste “herói” do apito.

Resultado real: 0-0


2ª Jornada

FC PORTO-GIL VICENTE – Um condenado no âmbito do Apito Dourado decidiu brindar o país com uma arbitragem fantasmagórica, onde não faltou quase nada.

Começou logo aos dois minutos, quando deixou ficar em campo Otamendi, após este ter cometido uma falta clara de penálti e expulsão. Pode até questionar-se a regra, mas ela existe, e enquanto existir é, como todas as outras, para ser aplicada.

Depois, com medo, ouvindo fantasmas no sótão, apitou para penálti num lance em que Hulk se deixa apenas cair. Aliás, dá até a sensação que os jogadores portistas já sabem que à mínima queda os árbitros vão considerar falta, o que é uma ajuda notável em jogos complicados.

Ou seja, em poucos minutos, o juiz transformou um 0-1 com o FC Porto a jogar em inferioridade numérica, num 1-1 com onze de cada lado. Não sendo aqui a Unicef, o que será que adultera as coisas desta forma?

Nos restantes casos reclamados irei manter o critério. Nem o lance sobre Varela, nem o agarrão de Sapunaru são inequívocos, pelo que nada assinalaria em qualquer deles.

Resultado real: 2-1


BENFICA-FEIRENSE – A arbitragem de Hugo Pacheco foi, de facto, desastrada. Se o Benfica foi muito beneficiado, isso já são outros quinhentos. Vejamos:

Ficaram três penáltis por marcar, um por cotovelo de Maxi Pereira, outro por agarrão a Nolito, e, já na ponta final do jogo, outro ainda por empurrão de Javi Garcia a um avançado contrário.

Foi também assinalado um fora-de-jogo inacreditável a Saviola, que ficaria isolado, e em posição frontal, para a baliza adversária. Tenho dúvidas se um lance destes não deveria também figurar na classificação real, pois era praticamente um penálti. Mas as regras têm de ser objectivas, e se nesta situação a coisa era óbvia, outras haverá em que seria muito mais difícil decidir.

Quanto às reclamadas expulsões, creio que ficou bem patente na Choupana aquilo que é uma agressão com o cotovelo. Os casos do jogo com o Feirense são disputas de bola, em que um jogador abre os braços para conquistar o espaço, com intenção de barrar o caminho ao adversário - é certo -, mas não de o agredir. No caso da Choupana o vermelho seria indiscutível, nos lances do Benfica-Feirense (Javi e Maxi, também), creio que se trata de faltas, até admito, no limite, cartões amarelos, mas nunca expulsões. É este o meu critério, sempre o foi, sejam quais forem as equipas em causa.

Em termos de resultado real, com dois penáltis por marcar para os forasteiros, e um para o Benfica, a coisa ficaria em 4-3. Podem argumentar com o timing do último penálti por marcar, e eu poderei dizer que também o agarrão a Nolito, e o lance de Saviola foram em momentos chave, que poderiam ter alterado todo o rumo do jogo.

Resultado real: 4-3


BEIRA MAR-SPORTING – De todas as arbitragens em análise, a do ilustre desconhecido Fernando Martins terá sido a que menos errou, o que não deixa de ser curioso.

Há de facto um penálti por marcar a favor do Sporting (rasteira a João Pereira), mas o posterior teatro do lateral induziu em erro, quer o árbitro, quer os espectadores, até porque só à terceira repetição (tirada desde a linha de fundo) se vê a falta.

O outro caso reclamado é uma disputa legal de bola, em que o jogador mais fraco cai sem qualquer infracção.

De resto, apenas mais uns foras-de-jogo mal assinalados, sendo aí a responsabilidade do juiz de linha.

Resultado real: 0-1


3ª Jornada

SPORTING-MARÍTIMO – Se nos primeiros dois jogos o Sporting teve razões de queixa efectivas (sobretudo, como vimos, no primeiro), nesta terceira partida os erros equivaleram-se, e a derrota leonina tem de procurar razões noutros lados.

O golo de Evaldo é limpo, ainda que Nolito, contra o Gil, me pareça ainda mais em jogo (se é que se pode utilizar a expressão) que o lateral sportinguista neste lance – o que ninguém diria a avaliar pelos protestos face a uma e outra situações.

Mas há que dizer que o segundo golo do Sporting nasce de uma falta assinalada ao contrário, naquele que é, quanto a mim, o erro mais evidente de toda a partida.

O penálti reclamado sobre o holandês é um lance de difícil decisão. Há um toque, mas não sei se em grau suficiente para se considerar faltoso. Neste caso darei o benefício da dúvida a Pedro Proença.

Resultado real: 2-3


NACIONAL-BENFICA – Uma expulsão poupada a Felipe Lopes (a quem já havia ficado por mostrar um cartão amarelo), foi o erro mais clamoroso de Artur Soares Dias. Já um dos seus auxiliares assinalou o fora-de-jogo a Witsel (ficaria isolado, ainda que não em posição frontal) que só o nevoeiro pode explicar, mas que na televisão se vê ser totalmente inexistente.

Não gostaria de deixar de dizer que este árbitro – como também, por exemplo, Bruno Paixão – irrita pelas constantes pausas que impõe ao jogo, não dando leis da vantagem, apitando à mínima queda, mostrando cartões por tudo e por nada, e criando problemas a si próprio, pois os critérios extremados quase sempre trazem incongruências. Foi o que acabou por acontecer.

Resultado real: 0-2


CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA 7

Sporting 6

FC Porto 4 (- 1 jogo)

LUZES, SOMBRAS E NEVOEIRO


Num estádio tradicionalmente difícil, perante um adversário extremamente agressivo, e em condições meteorológicas deficientes, o Benfica obteve uma importante vitória, que o coloca, à condição, na liderança do campeonato.





Não se viu uma grande exibição. Melhor dizendo, na primeira parte não se viu praticamente nada, no sentido literal do termo. Já era tempo da Liga encontrar solução para um problema que se repete, ano após ano, com demasiada frequência. Há que admitir sem rodeios que o Estádio da Choupana tem muitas condicionantes, e encontrar alternativas para este tipo de jogos, como já aconteceu no passado. E a mim, que já lá estive, ninguém me tira da cabeça que aquele local, aquele clima e aquela altitude, influenciam os resultados, prejudicando as equipas que lá se deslocam.





Não posso, pois, dizer muito sobre uma primeira parte que ninguém viu. Apenas que, qual Dom Sebastião, o suspeito do costume conseguiu fazer-se notar, marcando o golo que viria a valer a vitória encarnada, avolumada apenas nos últimos segundos da partida.





O segundo período trouxe-nos um Benfica à imagem e semelhança daquilo que têm sido os seus últimos jogos. Uma equipa ofensiva, a espaços empolgante, sempre em busca do golo, expondo-se no entanto a contra-ataques perigosos que, enquanto os resultados se mantém tangenciais, põem os cabelos em pé aos adeptos mais sofredores.





A expulsão de João Aurélio ajudou bastante a tranquilizar o jogo encarnado. Mas mesmo contra dez, ao terceiro minuto de compensação estava toda a equipa do Nacional na área de Artur em busca do empate, justamente no lance que antecedeu o contra-golpe mortífero conduzido e concluído por Bruno César.





A coisa desta vez correu bem, mas um desfecho idêntico ao de Barcelos chegou a passar-me pela cabeça, à medida que o tempo passava, que as oportunidades iam sendo desperdiçadas, e o Nacional acreditava que era possível tirar alguma coisa deste jogo.





Jorge Jesus terá pois de trabalhar bastante mais a solidez do seu bloco, ensinando os seus jogadores a gerir a bola, o tempo e os ritmos de jogo, pondo-os a salvo de surpresas desagradáveis em partidas que parecem controladas. Se conseguir fazer isso, o Benfica terá uma grande equipa. Até lá, será um conjunto incompleto e sofredor, capaz de surprender positiva e negativamente. Até lá, ganhará muitos jogos, alguns deles com bastante brilhantismo, mas duvido que ganhe campeonatos.





Soares Dias pecou por apitar em demasia, e, sobretudo, por poupar Felipe Lopes a uma expulsão inequívoca. Acompanho, aliás, este jogador há alguns anos, tal como acompanhei Rolando nos tempos do Belenenses. Um, como outro, sempre souberam perante quem deviam ser simpáticos. Coincidências.

A PRAZO?

Domingos culpa os jogadores, Godinho Lopes culpa as arbitragens. O que é certo é que o Sporting não ganha, e vai deitando por terra os sonhos dos seus adeptos mais optimistas.

O plantel é muito mais forte que o da temporada passada. Embora nem todos os reforços sejam aquilo que os sportinguistas idealizavam, nomes como Capel, Jeffren, Rodriguez, Luís Aguiar, ou agora, Ínsua e Elias, estão acima de qualquer suspeita. Mas por um ou outro motivo, a maior parte deles não tem jogado, e a equipa parece revelar demasiadas semelhanças com as dos negros anos-Bettencourt.

O discurso do treinador, para além de cheirar bastante a sacudidela de aba de capote, e de contradizer a postura institucional do clube, revela uma coisa muito simples: o plantel não está com ele. “E quando assim é” (recorrendo a um termo que ele utiliza até à exaustão), não há argumentos tácticos que resistam. Mais três ou quatro maus resultados (coisa que não me espantaria nem um pouco), e lá teremos os tradicionais lenços brancos de volta a Alvalade. Até porque – é ele próprio que o diz – a arbitragem não explica tudo. Por exemplo, ainda neste último jogo, o segundo golo do Sporting nasceu de uma falta inexistente.

Domingos Paciência é um excelente treinador sob o ponto de vista técnico e táctico. Mas começo a ter dúvidas de que tenha o perfil de liderança adequado aos problemas do Sporting. Cá estaremos para confirmar, ou desmentir, essa ideia.

Por mim, vão muito bem assim…

FORÇA CAMPEÃO!


A SUPERTAÇA EUROPEIA



QUATRO SEMANAS EM REVISTA

De forma tão sucinta quanto possível, deixo aqui alguns tópicos sobre os temas que as férias deixaram para trás.



FUTEBOL: De um modo geral, vivi o início de época futebolística com bastante distanciamento, para não dizer indiferença. Os efeitos de uma temporada excepcionalmente traumática, o cepticismo resultante da verificação de que muita coisa continua na mesma (dentro e fora dos campos), e algum cansaço pessoal, fizeram com que visse muito pouco futebol durante estas semanas, pelo menos face àquilo que era hábito no passado.



Para que se saiba do que estou a falar, direi que, no último mês, vi, na televisão, o Gil Vicente-Benfica, o Twente-Benfica, o Benfica-Twente, dois terços do Benfica-Feirense, parte da meia-final e uma gravação da final dos sub-20, e resumos avulso das primeiras jornadas do campeonato. Ao vivo, vi o Benfica-Arsenal (única vez que entrei num estádio desde o Sp.Braga-Benfica da Liga Europa), e apenas porque fui convidado pela Benfica TV para uma emissão relativa a essa partida. De resto, mais nada, nem jogos de FC Porto ou Sporting, nem Selecção, nem supertaças, nem particulares, nem a eliminatória com o Trabzonspor, nem ligas estrangeiras, nem Liga Europa, nem Brasileirão, nem Copa América, nem nada.



Devo dizer, no entanto, que a categórica vitória do Benfica frente à equipa holandesa me devolveu ao futebol, e a minha motivação para a nova temporada voltou a índices aceitáveis, ainda que sem atingir os valores normais para esta altura do ano.




CICLISMO: Como não posso passar sem competição desportiva (é mesmo uma doença…), o Ciclismo fez as vezes do futebol, e foi ele que, com a Volta a França - que tive oportunidade de ver ao vivo, nos Campos Elísios -, com a Volta a Portugal, e já nos últimos dias, com a Volta à Espanha, preencheu intensamente este período.



"Vedeta da Bola" é dedicado ao futebol, e não penso transformá-lo. Mas com o passar dos anos, e apesar dos sucessivos casos de doping, e do crescente tacticismo das corridas, devo confessar que o Ciclismo tem crescido cá em casa, quase ao ponto de rivalizar com a paixão futebolística. No Verão, tem mesmo levado vantagem. No Inverno hibernará, como é hábito.




SUB20: Sem esperar, e quase sem me aperceber (como, creio, muitos portugueses), dei com a selecção nacional de sub-20 nas meias-finais do Mundial. Vi, como disse acima, parte do Portugal-França, e depois a gravação da final - pois isso de ficar acordado entre as 2.00 e as 5.00 da manhã já não é coisa para a minha idade, e só se faz em circunstâncias particularmente justificativas.



Do que vi, realço uma selecção muito rigorosa tacticamente, com maturidade apreciável, bem orientada, mas sem prometer muitos craques para o futuro próximo do futebol português (leia-se, Selecção A, e clubes grandes). À excepção de Mika (contratação muito feliz do Benfica), mais nenhum jogador me encheu as medidas, nem mesmo o Nelson Oliveira, que, apesar de talentoso, e da margem de progressão que (como os restantes) obviamente tem, está ainda muito longe do patamar físico que um avançado de uma equipa grande tem necessariamente de ostentar. É um jogador que sigo com simpatia desde os Juvenis, mas devo dizer que já me impressionou mais. Se a sua evolução atlética acompanhar o amadurecimento técnico e táctico, podemos, de facto, ter ali um grande ponta-de-lança. Se assim não for, a habilidade não chegará para fazer carreira no Benfica, numa posição onde a força e a resistência são fundamentais. Bem sei que tem 20 anos, mas digo isto olhando, por exemplo, para jogadores de outras equipas presentes na prova, ou para os índices atléticos de um Rui Costa ou de um Luís Figo há vinte anos atrás.




MERCADO: Sobre este tema nunca será demais repetir que acho totalmente absurda a data limite para transferências de jogadores. Não sei a quem serve, nem quem defende esta calendarização, pois aparentemente todos os clubes a criticam. Mas no caso de não ser possível alterá-la, creio que seria pertinente que a nossa Liga ponderasse a ideia de apontar o início do campeonato para o primeiro fim-de-semana de Setembro, de modo a evitar toda esta nefasta indecisão. Há equipas que já realizaram seis jogos oficiais, e os plantéis ainda não estão fechados. Se isto cabe na cabeça de alguém, na minha certamente que não.



Quanto às transferências propriamente ditas, o mercado trouxe, nestes dias, duas notícias de relevo: a venda de Falcão, e o empréstimo de Carlos Martins.



No primeiro caso trata-se de um negócio excepcional para o FC Porto. Vender um jogador, nos dias que correm, por mais de 40 milhões de euros, já é algo assinalável. Fazê-lo depois de renovar um contrato que tinha como cláusula de rescisão 30 milhões, é de mestre.



Para mim, enquanto benfiquista, também foi bom. Vejo-me livre de um excepcional jogador de um clube rival, e quanto ao dinheiro, nunca se sabe muito bem aos bolsos de quem irá ele parar, pelo que acredito que o FC Porto dele não beneficie tanto quanto à primeira vista possa parecer.



Sem quase se dar por isso, e em parâmetros totalmente diferentes, o Benfica cedeu, também para a Liga Espanhola, o número dez da selecção nacional. Tapado por Aimar e Witsel no onze, com perspectivas de ver diminuir o seu tempo de utilização, Martins terá pretendido sair, de modo a garantir presença na equipa das quinas para o Euro 2012. Se foi esse o caso, duvido que tenha feito bem, pois a visibilidade do Granada é diminuta. Se foi o Benfica que se quis livrar de um jogador representado por Paulo Barbosa, aceito a decisão, e remeto-a para o campo dos assuntos que não domino, e por isso não comento. Se foi somente uma decisão técnica, já terei mais dúvidas em concordar.



Não deixa de ser curioso que Jorge Jesus, em pouco tempo, se tenha livrado de Quim, Moreira, Luís Filipe, Fábio Coentrão (este, naturalmente, um caso diferente), Jorge Ribeiro, Carlos Martins e Nuno Gomes, jogadores com muita coisa em comum. Limpeza de balneário?




LUISÃO: Tenho uma visão cada vez mais pragmática dos jogadores de futebol, e dos seus confessados (mais do que sentidos) amores pelas respectivas entidades patronais.



Cada um deles, no âmbito da profissão que desempenha, faz por governar a sua vida (como eu, ou a maioria dos caríssimos leitores, fazemos quotidianamente), e não é por isso que deixo de os respeitar, ou de achar que eles ainda são o melhor que o mundo do futebol nos oferece (e disso tenho poucas dúvidas). O que deles espero é somente que cumpram o seu dia a dia profissional com respeito pelo dinheiro que ganham, e deixem tudo em campo na defesa do emblema que, mesmo conjunturalmente, representam. Espero trabalho, rigor, profissionalismo, disciplina e entrega. O amor é coisa para os adeptos.



Luisão é um profissional como todos os outros, e perante uma proposta aliciante pensará da mesma forma que qualquer pessoa comum, em qualquer ramo de actividade. Sabendo-se a importância do seu desempenho, cabe à entidade patronal encontrar formas de o motivar a ficar, extraindo dele o máximo rendimento, sem romantismos, ou pruridos morais.



O futebol profissional é uma indústria, e temos de perceber que, por muito que os idolatremos, os jogadores são homens, que têm famílias, e sabem que terão apenas alguns anos para preparar todo o resto das suas vidas. Não me choca, pois, qualquer declaração que, sem hipocrisias, vá de encontro a esta realidade. O que espero de Luisão, como de todos os outros jogadores, são bons desempenhos em campo, uma atitude profissional irrepreensível, e não declarações de amor eterno que sabemos serem sempre, necessariamente, superficiais.




CARDOZO: Já aqui trouxe várias vezes o tema. Não sei como alguem assobia um jogador que marca mais de 100 golos em 4 anos, e que é, inegavelmente, o melhor ponta-de-lança que passou pelo Benfica nos últimos 15 anos. Aqueles que o fazem (na minha perspectiva, uma sonora minoria), não percebem qual o papel de um ponta-de-lança no futebol, não percebem os principais fundamentos do jogo, não ajudam o seu clube, nem creio que sejam bons benfiquistas. Tenho dito.




SPORTING: Já confessei não ter visto qualquer jogo do Sporting, mas de uma equipa reforçada com nomes como Jeffren, Schaars, Capel ou Rodriguez, seria natural que se esperassem outros resultados. Acontece que no futebol não existem milagres, e não é possível reconstruir, de um dia para outro, toda uma equipa – para mais vinda de uma depressão profunda, e submersa numa cultura perdedora.



Domingos Paciência notabilizou-se no Sp.Braga com um futebol extremamente calculista, defensivo, por vezes enfadonho, mas cinicamente eficaz. Neste sentido, terá já trazido ao Sporting um maior rigor nas movimentações defensivas, atestado pelos poucos golos sofridos. Faltará trabalhar a construção ofensiva, plano onde a matéria-prima (designadamente na frente de ataque) não é tão abundante.



A propósito. O quanto eles não dariam para ter um Cardozito…




ÁRBITRAGEM: A classificação real está de volta (os dados das primeiras jornadas estão devidamente recolhidos), e merecerá um texto específico, provavelmente na próxima semana, e após a terceira jornada. Aqui refiro-me sobretudo ao caso Sporting-João Ferreira.



É tradicional a particular animosidade do Sporting perante os árbitros. Quem vá com frequência a Alvalade, e compare com o que se passa noutros estádios (por exemplo na Luz) notará uma diferença substancial. Os adeptos do Sporting, ao mínimo lance dividido, à mínima queda a meio-campo, à mais pequena suspeita de erro, protestam de forma extremamente enérgica, como se só eles fossem vítimas de erros, e como se todos os erros fossem no sentido de os penalizar.



Tenho para mim algo muito simples: todos os clubes portugueses são prejudicados e beneficiados, conforme as ocasiões, conforme as temporadas, havendo um, e apenas um, que - esse sim - nunca é prejudicado. Falo naturalmente do FC Porto, cujos erros em desfavor, nos últimos anos, se contam pelos dedos de uma mão, e cujos lances de dúvida são invariavelmente decididos a favor – sobretudo nas provas, e nos momentos, mais relevantes das temporadas.



Ora o grande equívoco do Sporting tem sido precisamente ignorar esta realidade, não a percebendo, ou não a querendo perceber. Levado por uma doentia rivalidade com o Benfica, tem disparado as suas críticas, as suas contestações, e as suas lamentações, sistematicamente de forma desfocada face ao alvo certo. Assim, o clube de Alvalade passou ao lado do Apito Dourado, desperdiçando, com o seu silêncio, com a sua inacção (que deixou o Benfica muitas vezes sozinho perante um combate inglório), as oportunidades de realmente mudar alguma coisa no futebol português. Tal como eu na altura previ, acabou por ser justamente o Sporting (para além, naturalmente, do próprio futebol) o principal prejudicado por essa atitude negligente, de que a direcção de Filipe Soares Franco terá sido o maior paradigma.



Quero acreditar que Godinho Lopes e Luís Duque tenham trazido outro tipo de postura, e nessa medida julgo que seria de aproveitar a ocasião para estabelecer pontes com o Benfica, e com outros clubes (V.Guimarães, Marítimo, P.Ferreira, Rio Ave, Beira Mar, Olhanense, etc) no sentido de varrer de vez os podres que a arbitragem portuguesa carrega. Há que eliminar os Benquerenças e os Xistras (e uma série de fiscais-de-linha anónimos, mas não menos influentes), que, mais do que qualquer presidente de Liga, qualquer comissão de arbitragem, ou qualquer poder federativo, agem a seu bel-prazer dentro dos campos, com as consequências que todos podemos ver semana a semana. Pelo que acabei de dizer, não seria coerente se não expressasse alguma solidariedade para com os leões, mesmo tendo em conta que João Ferreira será, porventura, dos árbitros menos conotados com a máfia reinante.

MELHOR ERA DIFÍCIL...



QUE BELO DIA PARA VOLTAR

Ora cá estou eu.



Depois de umas semanas de ausência (entre férias e afazeres diversos), volto hoje a este espaço, e pode dizer-se que escolhi bem a data. Com um espectáculo à medida, o Benfica entrou pela porta grande na casa dos campeões,…e dos milhões, enchendo de satisfação todos os seus associados e adeptos.



Ainda voltarei aos temas do defeso, e a tudo o que nestas semanas ficou por dizer. Mas a actualidade manda que me centre, por agora, no jogo desta noite, e no categórico apuramento do Benfica para a principal prova de clubes do mundo.



Com o resultado obtido na Holanda, sabia-se que a equipa de Jorge Jesus partia em vantagem. Não sendo o Twente propriamente um Real Madrid, e conhecendo-se a simpática tradição que temos mantido nas últimas décadas face ao aberto, e de certa forma romântico, futebol holandês, até um céptico como eu (e ao longo destas semanas, digo desde já que vivi o futebol com algum distanciamento, e até desencantamento) acreditaria firmemente na passagem. O ritmo que os encarnados imprimiram à partida desde o apito inicial apenas confirmou esse favoritismo, e calculava-se que um primeiro golo pudesse, por arrasto, concluir a empreitada, proporcionando uma segunda parte tranquila aos quase 50 mil espectadores presentes no Estádio a Luz.




O problema é que até ao intervalo o raio do golo não apareceu. Uma, duas, três, quatro ocasiões claras, e a bola teimava em não entrar na baliza de Mihaylov. Como quem não marca sofre, como as segundas partes do Benfica têm sido pautadas por grande ansiedade e insegurança, temeu-se então que pudéssemos estar perante mais um daqueles desfechos encomendados pelo diabo, que marcaram a temporada passada, e me deixaram com tão pouca vontade de escrever durante meses.




Um golo a abrir o segundo período foi o remédio de que a situação carecia. E que golo, senhores! Axel Witsel, o melhor em campo, aquele cuja contratação eu, logo na altura, tanto saudei, com um vistoso pontapé de bicicleta pôs o Benfica em vantagem, e sossegou as almas que já então começavam a dar sinais de algum sofrimento. Era, como disse, aquilo que os encarnados necessitavam, e daí em diante nunca mais esteve em causa o apuramento benfiquista, até porque Luisão, e novamente Witsel, avolumaram o resultado até às portas de uma goleada - que, diga-se, não ficaria nada mal ao futebol que os noventa minutos evidenciaram.




Ainda houve tempo para a equipa holandesa amenizar o desaire, e para, nos instantes seguintes, pairar no relvado a versão mais preocupante do Benfica 2011-12 (…e 2010-11). Mas o tempo que restava era já muito pouco, e só uma hecatombe (como algumas que aconteceram na temporada passada) poderia retirar das mãos do Benfica aquilo que já ele, tão brilhantemente, tinha alcançado.




O destaque individual vai inteirinho para o belga Witsel, jogador cuja titularidade não pode ser, sequer, equacionada. É jovem, tem talento, tem força, tem cultura táctica. É um craque destinado a ser uma das principais figuras deste renovado Benfica. Além de que a também excelente exibição de Pablo Aimar constitui prova cabal da compatibilidade entre ambos. O onze escalado para este jogo é, de resto, aquele que me parece o ideal, pelo menos nesta fase da temporada.




Mesmo estando no lance do primeiro golo, Gaitán foi, em sentido inverso, o jogador que mais me desapontou. Até porque tinha, e tenho, a expectativa de que seja ele a próxima venda milionária do clube da Luz. Para tal, terá de juntar ao brilho que o seu enorme talento frequentemente atinge, a regularidade competitiva que se exige aos jogadores de topo. Ontem, como no sábado, como em Barcelos, esteve longe daquilo que espero dele.




Já de um sorteio nunca podemos esperar grande coisa. Sai aquilo que tiver de sair, o que não significa - de modo algum - que estes momentos não definam as possibilidades das equipas, sobretudo as de nível médio (à escala internacional, entenda-se) como o Benfica. Se eu pudesse escolher, evitaria Manchester City e Zenit no pote 3, e Borússia de Dortmund e Nápoles no pote 4. Quanto ao pote 1…,quem vier será bem vindo, sendo aqui talvez mais importante o calendário dos jogos (não será o mesmo receber um Real Madrid ou um Barcelona na última jornada, provavelmente já qualificados, do que numa situação em que necessitem de pontos), do que propriamente um adversário - que, em condições normais, será sempre favorito. Ainda assim, Arsenal, Bate Borisov e Otelul seriam aquilo que mais se poderia aproximar de um “Jackpot”. Por mim, pessoalmente, Real Madrid, Ajax e Dínamo de Zagreb deixar-me-iam satisfeito.