AÍ ESTÁ ELA!

Para começar, dois jogos grandes: hoje, Barcelona-Milan, amanhã, Benfica-Manchester United. São estes os dois grandes clássicos da primeira ronda, os únicos que colocam frente a frente antigos vencedores da prova, e clubes do top-10 histórico.

Destaque também para o duplo confronto londrino-germânico, com um Chelsea-Bayer Leverkusen e um Borússia de Dortmund-Arsenal (ambos já esta noite), e ainda para o Villarreal-Bayern de Munique e o Ajax-Lyon, sem esquecer a deslocação do Real Madrid a Zagreb. 16 jogos ao todo, entre hoje e amanhã, todos com transmissão televisiva. Um regalo.

CLASSIFICAÇÃO REAL

FC PORTO-V.SETÚBAL

Para além da noite de sexta-feira ser, para mim, tradicionalmente reservada ao cinema, ver jogar o FC Porto provoca-me náuseas. É algo que evito ao máximo, abrindo apenas excepções para os jogos com o Benfica (como é óbvio), por vezes também com o Sporting, e um ou outro jogo europeu (hoje nem pensar, pois há um imperdível Barça-Milan à mesma hora). Não gosto da estética daquele estádio (nem dos estádios vazios que o FC Porto visita), das insuportáveis cornetas, das facilidades concedidas pelos adversários e pelos árbitros. Incomodam-me até os rostos do Hulk, do Rolando, do Álvaro Pereira e do Fernando. Nada daquilo é futebol. É algo de diferente, que me enjoa, e me repugna.

Desta vez, nem o resumo vi. Neste caso, não porque o evitasse, mas simplesmente porque não calhou.

Rezam as crónicas que o primeiro golo portista é precedido de falta. Não posso confirmar, nem desmentir essa ideia.

Resultado Real: 3-0


BENFICA-V.GUIMARÃES

Sobre a partida que mais polémica levantou, já muito aqui ficou dito.

Acrescentaria apenas que, depois de ver melhor, fiquei com mais dúvidas acerca do terceiro penálti. No texto sobre o jogo considerei-o inexistente, mas uma repetição mais aproximada deixa a sensação que, antes de bater na cabeça, a bola desvia efectivamente no braço do defesa vimaranense. Ou seja, onde tínhamos um penálti por assinalar, um bem assinalado, um a deixar dúvidas e um inexistente, temos agora um por assinalar, outro bem assinalado, dois a deixar dúvidas, e nenhum claramente inexistente. Para além disso, creio que haveriam aqui cartões vermelhos por mostrar. No meio de tantas dúvidas, nem sequer me vou meter nisso.

Resultado Real: 2-1 para o Benfica.


PAÇOS-SPORTING

Dos resumos que vi, o único caso de que me apercebi prende-se com o livre indirecto de que resultou o primeiro golo pacense. Eu não o assinalaria, pois não é claro que o defesa sportinguista queira deliberadamente atrasar a bola ao seu guarda-redes.

Resultado Real: 1-3


CLASSIFICAÇÃO REAL

FC PORTO 10 (beneficiado em 2 pontos)

Benfica 10 (não beneficiado nem prejudicado em pontos)

Sporting 9 (prejudicado em 4 pontos)

SERVIÇOS MÍNIMOS


Se o jogo se decidiu aos penáltis, vamos começar então por eles.

O primeiro não oferece dúvidas, e nem me parece que valha a pena perder muito tempo a analisá-lo. O segundo é duvidoso, não se percebe se o braço do defesa vimaranense ajuda ou não a afastar a bola, nenhuma imagem é clara quanto a isso, mas…não foi convertido, pelo que os seus efeitos no rumo do jogo foram nulos. Já o terceiro, que no estádio (e numa primeira imagem televisiva) me pareceu ser claro, vê-se depois (à segunda repetição) que efectivamente não existe. Ou seja, dos dois penáltis que originaram os golos, um foi claro, outro inexistente.

Acontece que antes de qualquer uma das penalidades assinaladas, houve uma outra que ficou por assinalar. Falo de um corte com a mão, feito perto da linha de fundo, que Duarte Gomes não viu, mas que logo no estádio (e eu estava bem perto do local), se percebeu ter sido faltoso. Foi de resto, o lance mais claro de todos os que a partida proporcionou. No balanço temos pois um penálti mal marcado e outro por marcar. Cartesianamente, podemos dizer que assistimos a uma má arbitragem, mas sem qualquer benefício para o Benfica.

O jogo em si foi pobre. Esperava-se um Benfica afirmativo e empolgante no ataque, e um Vitória atrevido no contra-golpe, mas nada disso se viu no relvado da Luz. Assistimos a um jogo pastoso, arrastado, com o Benfica à espera que o golo aparecesse, e a equipa visitante sem argumentos para fazer perigar a baliza de Artur.

Com 2-0 ao intervalo pensou-se que tudo estaria decidido, mas o golo de Edgar (na primeira falha de Artur desde que está no Benfica), trouxe a intranquilidade às bancadas e à equipa de Jesus. Mais uma vez os encarnados não souberam gerir os ritmos de jogo da melhor forma, expondo-se a um eventual golo do empate – que nos últimos minutos chegou a parecer eminente, tal a sequência de lances de bola parada nas imediações da área benfiquista.

Em vésperas de um compromisso europeu de altíssimo grau de exigência, não surpreende algum arrefecimento exibicional da equipa do Benfica. A vitória e os três pontos eram, todavia, as únicas coisas que interessavam, e isso foi conseguido.

Em termos individuais destacaria Cardozo, pelos golos (é já líder isolado da lista de melhores marcadores), mas também pelos espaços que criou, e pela forma como batalhou.


De Duarte Gomes já disse tudo.

ONZE PARA SÁBADO

Apresentando uma equipa extremamente competitiva, poupava, pelo menos de início, Maxi Pereira (vem de lesão), Emerson (dando oportunidade a Capdevila), Aimar (para estar em grande na Champions), Gaitán (a precisar de descanso) e Cardozo (que vem da sua selecção).

ALTERNATIVA

Se não querem um benfiquista na FPF, pois que seja então um sportinguista. Mas nunca um cúmplice (por omissão) das práticas corruptas que intoxicaram o futebol português nas últimas décadas.

Se não querem Seara, que seja Hermínio - nortenho, adepto do Sporting, mas homem isento e impoluto.

Ou o Benfica e o Sporting unem as suas forças para limpar o futebol, ou teremos mais uma oportunidade dramaticamente perdida. Quem sabe a última.

UM HOMEM DO SISTEMA

Sentado à direita do "pai", está o homem que assobiou para o lado aquando do processo "Apito Dourado", deixando o Benfica sozinho no terreno da luta pela verdade desportiva.

Sozinho nunca ele deixou Pinto da Costa, com quem manteve sempre uma relação de grande cumplicidade, antes e depois dos almoços.

Agora está a ser conduzido pela Associação de Futebol do Porto (com a bênção da Olivedesportos) a uma oportunista candidatura à presidência da FPF. Reservada para a trupe de Lourenço Pinto ficará, como é óbvio, a arbitragem, provavelmente a cargo de Paulo Costa - outro personagem à altura deste romance.

Gostava muito que o Sporting (falo essencialmente de Godinho Lopes e Luís Duque) não se deixasse enganar, e não fosse levado neste canto da sereia. Mas de Alvalade não se podem esperar grandes manifestações de sensatez, sobretudo sendo o outro candidato um conhecido adepto do... Benfica.

Se, para desgraça do futebol português, viermos a ter Soares Franco na FPF, e Paulo Costa na arbitragem, isso significa - não tenhamos dúvidas - mais alguns anos de domínio portista no campeonato, de queixas avulso do Sporting em relação aos árbitros (não percebendo, ou não querendo perceber de onde vem o mal), e de solidão do Benfica na luta contra o sistema corrupto que tem vigorado desde 1983.

O QUE PARECE...NÃO É

PRATELEIRA DOURADA

Na senda do texto anterior, também ninguém ainda fez as contas aos jogadores caríssimos, adquiridos pelo FC Porto, e que, por um ou outro motivo, não são titulares da equipa.




DANILO.............................13 milhões (só chega em Janeiro)




MANGALA..........................6,5 milhões (suplente)




ALEX SANDRO.................10 milhões (não inscrito na Champions)




DEFOUR..............................6,5 milhões (suplente)




BELLUSCHI...........................5 milhões (suplente)




JAMES RODRIGUEZ...............6 milhões (suplente)




CRISTIAN RODRIGUEZ.........7 milhões (suplente)




Só aqui estão 54 milhões de euros (!!!). Curiosamente, quatro destes sete nomes foram alegadamente alvo do interesse do Benfica, o que talvez explique alguma coisa. O que é certo é que se isto se passasse na Luz, a especulação e a crítica seriam constantes.

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Escrevi aqui sobre a ausência de Capdevilla da convocatória para a Champions League. Pareceu-me uma opção estranha, e como tinha a ver com o Benfica, comentei-a. Acontecesse noutro clube, e possivelmente não o teria feito, pois, como sabem, o Glorioso tem aqui um lugar de destaque.

Ninguém me paga para fazer isto, não sou jornalista, e não estou sujeito a qualquer deontologia profissional. Nestas circunstâncias, escrevo aquilo que quero e me apetece.

O mesmo não se aplica aos órgãos de comunicação social que se dizem independentes, onde se ganha dinheiro, e aos quais se exige isenção e critério.

Todos eles falaram de Capdevilla. Falaram muito. Mas sobre a convocatória do FC Porto nem uma palavra. E haveria algumas coisas para dizer.

Alex Sandro, que custou quase 10 milhões de euros (num capricho que visava apenas desviá-lo do Benfica), ficou de fora. Iturbe (o “novo Messi”) também, assim como Walter (que só me lembro de marcar golos, para desgraça minha, ao Juventude de Évora). Mas o dado mais curioso é que o FC Porto foi obrigado a deixar quatro vagas por preencher, pois não tem no seu plantel qualquer jogador formado internamente, coisa que tem passado despercebida.

Pelo contrário, o que se lê muito por aí é que o Benfica joga apenas com estrangeiros. Talvez não tenham feito as contas, pois caso contrário saberiam que o Benfica é justamente, de entre os três grandes, o clube com mais portugueses e com mais jogadores da sua formação no plantel principal. Quem não esteja atento, até pode pensar outra coisa.

Muitas vezes acusa-se os “media” de protecção ao Benfica. Estes casos provam o contrário.

Que só falam do Benfica, é verdade. Que fazem manchetes espampanantes com jogadores encarnados, também é verdade. Que protegem o clube da Luz, é falso. Servem-se dele, o que é substancialmente diferente.

MAIS PERTO DO EURO

Num jogo sem grande história, a Selecção Nacional soube tornar as coisas fáceis, e garantir os três preciosos pontos.

Ricardo Carvalho não fez falta, Cristiano Ronaldo desempenhou, enfim, o papel que os portugueses dele esperam, e a prematura expulsão de um cipriota enfatizou a superioridade lusa.

Faltam duas finais, e nada está ganho. A entrada em falso teve custos, e o apuramento disputar-se-á, provavelmente, até aos últimos instantes do último jogo.

ONZE PARA CHIPRE

Não gosto de Pepe, Bruno Alves e Ruben Micael, e não gosto de os ver na minha selecção. Acontece que com esta convocatória seria impossível fazer uma equipa muito diferente. E para já, a prioridade é estar no Europeu.

DOIS CASOS

Custa a acreditar como um jogador tão experiente toma uma atitude tão absurda. Ricardo Carvalho deitou por terra, num instante, a imagem que foi construindo ao longo dos anos, e que o tornava num jogador respeitado inclusivamente por adversários.


Custa-me ver a titularidade da selecção definitivamente entregue a Pepe e Bruno Alves (dois excelentes jogadores, dos quais não gosto), mas quem abandona o barco desta forma, num momento tão delicado, hipervalorizando aspectos individuais quando está em causa um apuramento nacional, não merece estar na selecção, e se calhar nunca merecia lá ter estado.


Se calhar tem mesmo de fazer um teste de QI, tal como o próprio José Mourinho lhe havia proposto nos tempos do Chelsea.






Quem sabe da tenda é o tendeiro, e não excluo a hipótese de Joan Capdevila, campeão da Europa e do Mundo com a poderosíssima selecção espanhola, ter imaginado o seu ingresso no Benfica como uma espécie de reforma dourada, com muito sol, marisco e descanso. Se foi isso que aconteceu, se foram esses os sinais dados pelo espanhol nos primeiros treinos, então Jorge Jesus tem toda a razão para não contar com ele.


De qualquer forma, custa-me a aceitar que o Benfica parta para a Champions League com apenas um lateral-esquerdo no plantel. Não vejo nenhum dos centrais a fazer o lugar, o jovem Luís Martins não oferece, obviamente, quaisquer garantias, e o próprio Emerson está longe de ser um craque – como se viu na Choupana, onde o seu corredor foi amplamente explorado pela equipa madeirense.


Fábio Coentrão foi vendido, Carole emprestado, e César Peixoto não quer o lugar. Capdevila chegava como um dos reforços mais sonantes deste Benfica, como alguém experimentado, e particularmente vocacionado justamente para os grandes jogos europeus. Jesus prefere convocar dez (!) médios, e deixá-lo de fora. Espero que existam razões fortes para o fazer.


Desacreditado e humilhado, não creio que Capdevila possa fazer carreira na Luz. Ou seja, fechado o mercado, o Benfica destapa um buraco, e grande, no seu plantel.

FINALMENTE FECHADO

Quase dois meses depois de algumas equipas terem iniciado a temporada, o mercado de transferências finalmente fechou.




Não houve grandes surpresas de última hora, salvo talvez o fracasso das negociações por Álvaro Pereira, e as vendas de Postiga e Yannick. Esperava sinceramente que Sporting e FC Porto (e até eventualmente o Benfica, onde não há alternativa a Cardozo) contratassem pontas-de-lança neste último dia, mas ao que parece todos eles estão satisfeito com o que têm.




É altura de actualizar o top10 de compras e vendas efectuadas por clubes portugueses.




Estas são as compras mais caras de sempre:E estas as vendas:


CLASSIFICAÇÃO REAL

Como já é tradição, VEDETA DA BOLA vai analisar semanalmente os casos de arbitragem dos três principais clubes na Liga Portuguesa.

Decorridas três jornadas, há que ser preciso e conciso. Vamos a isto:


1ª Jornada

GIL VICENTE-BENFICA – Muito se reclamou de um fora-de-jogo no golo de Nolito, mas, sinceramente, não acho que nenhum dos ângulos de repetição o tenha provado. Para mim, no momento do passe, o espanhol está em linha com um dos defesas centrais gilistas, tão em linha como Evaldo no jogo do Sporting deste último fim-de-semana.

Uma mentira contada muitas vezes transforma-se rapidamente em verdade, e em termos de arbitragem, sobretudo quando toca a pretensos benefícios ao Benfica, essa é uma situação bastante comum.

Resultado real: 2-2


SPORTING-OLHANENSE – Se há jogos em que o Sporting tem razões de queixa, este é certamente um deles. Ficou por marcar um penálti por corte com a mão, e o golo de Postiga foi mal anulado. No outro prato da balança terá de se colocar a expulsão poupada a Jeffren, mas em termos de classificação real, os pontos seriam para os leões.

Resultado real: 3-1


V.GUIMARÃES-FC PORTO – Parece haver na Liga, e até no futebol internacional, uma directiva no sentido de só se assinalarem grandes penalidades quando elas são evidentes, e não deixam dúvidas a ninguém. É isso que se tem visto nas provas europeias, nas competições de selecções; e em Portugal, nos jogos do Benfica, do Sporting, e da maioria das restantes equipas, com prejuízos e benefícios aleatoriamente distribuídos (e neste mesmo texto temos exemplos de vários casos que se enquadram nessa linha).

Direi até que concordo com a ideia (e irei tentar seguí-la aqui), uma vez que é humanamente impossível decidir com rigor em todos os lances reclamados, e, por vezes, altamente duvidosos. Até eu, que ao fazer esta rubrica não tenho qualquer responsabilidade acrescida, e posso fazê-la recorrendo às imagens da televisão, hesito em muitos lances – que na verdade podem ser uma coisa ou outra conforme o critério que se estabelecer.

Ora tudo isto estaria correcto, caso não houvesse uma excepção: os lances a favorecer o FC Porto.

Aqui, neste tipo de casos, a regra tem sido exactamente a contrária: na dúvida, marca-se. São os factos que o determinam, pois lances como os de Sapunaru em Guimarães, e Hulk frente ao Gil Vicente, não são sancionados em nenhum estádio do mundo.

Não os poderei, por isso mesmo, considerar como penáltis bem assinalados. São, na verdade, excessos de zelo de personagens reverentes, cujos critérios mudam de acordo com as camisolas que evoluem à sua volta. Olegário Benquerença é, de resto, o mesmo árbitro que, no mesmo estádio, há um ano atrás, não viu dois penáltis flagrantes sobre Aimar e Carlos Martins, abrindo caminho à época desastrosa do Benfica, isto para não recuar mais no tempo, e não esmiuçar ainda mais o pantanoso palmarés deste “herói” do apito.

Resultado real: 0-0


2ª Jornada

FC PORTO-GIL VICENTE – Um condenado no âmbito do Apito Dourado decidiu brindar o país com uma arbitragem fantasmagórica, onde não faltou quase nada.

Começou logo aos dois minutos, quando deixou ficar em campo Otamendi, após este ter cometido uma falta clara de penálti e expulsão. Pode até questionar-se a regra, mas ela existe, e enquanto existir é, como todas as outras, para ser aplicada.

Depois, com medo, ouvindo fantasmas no sótão, apitou para penálti num lance em que Hulk se deixa apenas cair. Aliás, dá até a sensação que os jogadores portistas já sabem que à mínima queda os árbitros vão considerar falta, o que é uma ajuda notável em jogos complicados.

Ou seja, em poucos minutos, o juiz transformou um 0-1 com o FC Porto a jogar em inferioridade numérica, num 1-1 com onze de cada lado. Não sendo aqui a Unicef, o que será que adultera as coisas desta forma?

Nos restantes casos reclamados irei manter o critério. Nem o lance sobre Varela, nem o agarrão de Sapunaru são inequívocos, pelo que nada assinalaria em qualquer deles.

Resultado real: 2-1


BENFICA-FEIRENSE – A arbitragem de Hugo Pacheco foi, de facto, desastrada. Se o Benfica foi muito beneficiado, isso já são outros quinhentos. Vejamos:

Ficaram três penáltis por marcar, um por cotovelo de Maxi Pereira, outro por agarrão a Nolito, e, já na ponta final do jogo, outro ainda por empurrão de Javi Garcia a um avançado contrário.

Foi também assinalado um fora-de-jogo inacreditável a Saviola, que ficaria isolado, e em posição frontal, para a baliza adversária. Tenho dúvidas se um lance destes não deveria também figurar na classificação real, pois era praticamente um penálti. Mas as regras têm de ser objectivas, e se nesta situação a coisa era óbvia, outras haverá em que seria muito mais difícil decidir.

Quanto às reclamadas expulsões, creio que ficou bem patente na Choupana aquilo que é uma agressão com o cotovelo. Os casos do jogo com o Feirense são disputas de bola, em que um jogador abre os braços para conquistar o espaço, com intenção de barrar o caminho ao adversário - é certo -, mas não de o agredir. No caso da Choupana o vermelho seria indiscutível, nos lances do Benfica-Feirense (Javi e Maxi, também), creio que se trata de faltas, até admito, no limite, cartões amarelos, mas nunca expulsões. É este o meu critério, sempre o foi, sejam quais forem as equipas em causa.

Em termos de resultado real, com dois penáltis por marcar para os forasteiros, e um para o Benfica, a coisa ficaria em 4-3. Podem argumentar com o timing do último penálti por marcar, e eu poderei dizer que também o agarrão a Nolito, e o lance de Saviola foram em momentos chave, que poderiam ter alterado todo o rumo do jogo.

Resultado real: 4-3


BEIRA MAR-SPORTING – De todas as arbitragens em análise, a do ilustre desconhecido Fernando Martins terá sido a que menos errou, o que não deixa de ser curioso.

Há de facto um penálti por marcar a favor do Sporting (rasteira a João Pereira), mas o posterior teatro do lateral induziu em erro, quer o árbitro, quer os espectadores, até porque só à terceira repetição (tirada desde a linha de fundo) se vê a falta.

O outro caso reclamado é uma disputa legal de bola, em que o jogador mais fraco cai sem qualquer infracção.

De resto, apenas mais uns foras-de-jogo mal assinalados, sendo aí a responsabilidade do juiz de linha.

Resultado real: 0-1


3ª Jornada

SPORTING-MARÍTIMO – Se nos primeiros dois jogos o Sporting teve razões de queixa efectivas (sobretudo, como vimos, no primeiro), nesta terceira partida os erros equivaleram-se, e a derrota leonina tem de procurar razões noutros lados.

O golo de Evaldo é limpo, ainda que Nolito, contra o Gil, me pareça ainda mais em jogo (se é que se pode utilizar a expressão) que o lateral sportinguista neste lance – o que ninguém diria a avaliar pelos protestos face a uma e outra situações.

Mas há que dizer que o segundo golo do Sporting nasce de uma falta assinalada ao contrário, naquele que é, quanto a mim, o erro mais evidente de toda a partida.

O penálti reclamado sobre o holandês é um lance de difícil decisão. Há um toque, mas não sei se em grau suficiente para se considerar faltoso. Neste caso darei o benefício da dúvida a Pedro Proença.

Resultado real: 2-3


NACIONAL-BENFICA – Uma expulsão poupada a Felipe Lopes (a quem já havia ficado por mostrar um cartão amarelo), foi o erro mais clamoroso de Artur Soares Dias. Já um dos seus auxiliares assinalou o fora-de-jogo a Witsel (ficaria isolado, ainda que não em posição frontal) que só o nevoeiro pode explicar, mas que na televisão se vê ser totalmente inexistente.

Não gostaria de deixar de dizer que este árbitro – como também, por exemplo, Bruno Paixão – irrita pelas constantes pausas que impõe ao jogo, não dando leis da vantagem, apitando à mínima queda, mostrando cartões por tudo e por nada, e criando problemas a si próprio, pois os critérios extremados quase sempre trazem incongruências. Foi o que acabou por acontecer.

Resultado real: 0-2


CLASSIFICAÇÃO REAL

BENFICA 7

Sporting 6

FC Porto 4 (- 1 jogo)

LUZES, SOMBRAS E NEVOEIRO


Num estádio tradicionalmente difícil, perante um adversário extremamente agressivo, e em condições meteorológicas deficientes, o Benfica obteve uma importante vitória, que o coloca, à condição, na liderança do campeonato.





Não se viu uma grande exibição. Melhor dizendo, na primeira parte não se viu praticamente nada, no sentido literal do termo. Já era tempo da Liga encontrar solução para um problema que se repete, ano após ano, com demasiada frequência. Há que admitir sem rodeios que o Estádio da Choupana tem muitas condicionantes, e encontrar alternativas para este tipo de jogos, como já aconteceu no passado. E a mim, que já lá estive, ninguém me tira da cabeça que aquele local, aquele clima e aquela altitude, influenciam os resultados, prejudicando as equipas que lá se deslocam.





Não posso, pois, dizer muito sobre uma primeira parte que ninguém viu. Apenas que, qual Dom Sebastião, o suspeito do costume conseguiu fazer-se notar, marcando o golo que viria a valer a vitória encarnada, avolumada apenas nos últimos segundos da partida.





O segundo período trouxe-nos um Benfica à imagem e semelhança daquilo que têm sido os seus últimos jogos. Uma equipa ofensiva, a espaços empolgante, sempre em busca do golo, expondo-se no entanto a contra-ataques perigosos que, enquanto os resultados se mantém tangenciais, põem os cabelos em pé aos adeptos mais sofredores.





A expulsão de João Aurélio ajudou bastante a tranquilizar o jogo encarnado. Mas mesmo contra dez, ao terceiro minuto de compensação estava toda a equipa do Nacional na área de Artur em busca do empate, justamente no lance que antecedeu o contra-golpe mortífero conduzido e concluído por Bruno César.





A coisa desta vez correu bem, mas um desfecho idêntico ao de Barcelos chegou a passar-me pela cabeça, à medida que o tempo passava, que as oportunidades iam sendo desperdiçadas, e o Nacional acreditava que era possível tirar alguma coisa deste jogo.





Jorge Jesus terá pois de trabalhar bastante mais a solidez do seu bloco, ensinando os seus jogadores a gerir a bola, o tempo e os ritmos de jogo, pondo-os a salvo de surpresas desagradáveis em partidas que parecem controladas. Se conseguir fazer isso, o Benfica terá uma grande equipa. Até lá, será um conjunto incompleto e sofredor, capaz de surprender positiva e negativamente. Até lá, ganhará muitos jogos, alguns deles com bastante brilhantismo, mas duvido que ganhe campeonatos.





Soares Dias pecou por apitar em demasia, e, sobretudo, por poupar Felipe Lopes a uma expulsão inequívoca. Acompanho, aliás, este jogador há alguns anos, tal como acompanhei Rolando nos tempos do Belenenses. Um, como outro, sempre souberam perante quem deviam ser simpáticos. Coincidências.

A PRAZO?

Domingos culpa os jogadores, Godinho Lopes culpa as arbitragens. O que é certo é que o Sporting não ganha, e vai deitando por terra os sonhos dos seus adeptos mais optimistas.

O plantel é muito mais forte que o da temporada passada. Embora nem todos os reforços sejam aquilo que os sportinguistas idealizavam, nomes como Capel, Jeffren, Rodriguez, Luís Aguiar, ou agora, Ínsua e Elias, estão acima de qualquer suspeita. Mas por um ou outro motivo, a maior parte deles não tem jogado, e a equipa parece revelar demasiadas semelhanças com as dos negros anos-Bettencourt.

O discurso do treinador, para além de cheirar bastante a sacudidela de aba de capote, e de contradizer a postura institucional do clube, revela uma coisa muito simples: o plantel não está com ele. “E quando assim é” (recorrendo a um termo que ele utiliza até à exaustão), não há argumentos tácticos que resistam. Mais três ou quatro maus resultados (coisa que não me espantaria nem um pouco), e lá teremos os tradicionais lenços brancos de volta a Alvalade. Até porque – é ele próprio que o diz – a arbitragem não explica tudo. Por exemplo, ainda neste último jogo, o segundo golo do Sporting nasceu de uma falta inexistente.

Domingos Paciência é um excelente treinador sob o ponto de vista técnico e táctico. Mas começo a ter dúvidas de que tenha o perfil de liderança adequado aos problemas do Sporting. Cá estaremos para confirmar, ou desmentir, essa ideia.

Por mim, vão muito bem assim…

FORÇA CAMPEÃO!


A SUPERTAÇA EUROPEIA



QUATRO SEMANAS EM REVISTA

De forma tão sucinta quanto possível, deixo aqui alguns tópicos sobre os temas que as férias deixaram para trás.



FUTEBOL: De um modo geral, vivi o início de época futebolística com bastante distanciamento, para não dizer indiferença. Os efeitos de uma temporada excepcionalmente traumática, o cepticismo resultante da verificação de que muita coisa continua na mesma (dentro e fora dos campos), e algum cansaço pessoal, fizeram com que visse muito pouco futebol durante estas semanas, pelo menos face àquilo que era hábito no passado.



Para que se saiba do que estou a falar, direi que, no último mês, vi, na televisão, o Gil Vicente-Benfica, o Twente-Benfica, o Benfica-Twente, dois terços do Benfica-Feirense, parte da meia-final e uma gravação da final dos sub-20, e resumos avulso das primeiras jornadas do campeonato. Ao vivo, vi o Benfica-Arsenal (única vez que entrei num estádio desde o Sp.Braga-Benfica da Liga Europa), e apenas porque fui convidado pela Benfica TV para uma emissão relativa a essa partida. De resto, mais nada, nem jogos de FC Porto ou Sporting, nem Selecção, nem supertaças, nem particulares, nem a eliminatória com o Trabzonspor, nem ligas estrangeiras, nem Liga Europa, nem Brasileirão, nem Copa América, nem nada.



Devo dizer, no entanto, que a categórica vitória do Benfica frente à equipa holandesa me devolveu ao futebol, e a minha motivação para a nova temporada voltou a índices aceitáveis, ainda que sem atingir os valores normais para esta altura do ano.




CICLISMO: Como não posso passar sem competição desportiva (é mesmo uma doença…), o Ciclismo fez as vezes do futebol, e foi ele que, com a Volta a França - que tive oportunidade de ver ao vivo, nos Campos Elísios -, com a Volta a Portugal, e já nos últimos dias, com a Volta à Espanha, preencheu intensamente este período.



"Vedeta da Bola" é dedicado ao futebol, e não penso transformá-lo. Mas com o passar dos anos, e apesar dos sucessivos casos de doping, e do crescente tacticismo das corridas, devo confessar que o Ciclismo tem crescido cá em casa, quase ao ponto de rivalizar com a paixão futebolística. No Verão, tem mesmo levado vantagem. No Inverno hibernará, como é hábito.




SUB20: Sem esperar, e quase sem me aperceber (como, creio, muitos portugueses), dei com a selecção nacional de sub-20 nas meias-finais do Mundial. Vi, como disse acima, parte do Portugal-França, e depois a gravação da final - pois isso de ficar acordado entre as 2.00 e as 5.00 da manhã já não é coisa para a minha idade, e só se faz em circunstâncias particularmente justificativas.



Do que vi, realço uma selecção muito rigorosa tacticamente, com maturidade apreciável, bem orientada, mas sem prometer muitos craques para o futuro próximo do futebol português (leia-se, Selecção A, e clubes grandes). À excepção de Mika (contratação muito feliz do Benfica), mais nenhum jogador me encheu as medidas, nem mesmo o Nelson Oliveira, que, apesar de talentoso, e da margem de progressão que (como os restantes) obviamente tem, está ainda muito longe do patamar físico que um avançado de uma equipa grande tem necessariamente de ostentar. É um jogador que sigo com simpatia desde os Juvenis, mas devo dizer que já me impressionou mais. Se a sua evolução atlética acompanhar o amadurecimento técnico e táctico, podemos, de facto, ter ali um grande ponta-de-lança. Se assim não for, a habilidade não chegará para fazer carreira no Benfica, numa posição onde a força e a resistência são fundamentais. Bem sei que tem 20 anos, mas digo isto olhando, por exemplo, para jogadores de outras equipas presentes na prova, ou para os índices atléticos de um Rui Costa ou de um Luís Figo há vinte anos atrás.




MERCADO: Sobre este tema nunca será demais repetir que acho totalmente absurda a data limite para transferências de jogadores. Não sei a quem serve, nem quem defende esta calendarização, pois aparentemente todos os clubes a criticam. Mas no caso de não ser possível alterá-la, creio que seria pertinente que a nossa Liga ponderasse a ideia de apontar o início do campeonato para o primeiro fim-de-semana de Setembro, de modo a evitar toda esta nefasta indecisão. Há equipas que já realizaram seis jogos oficiais, e os plantéis ainda não estão fechados. Se isto cabe na cabeça de alguém, na minha certamente que não.



Quanto às transferências propriamente ditas, o mercado trouxe, nestes dias, duas notícias de relevo: a venda de Falcão, e o empréstimo de Carlos Martins.



No primeiro caso trata-se de um negócio excepcional para o FC Porto. Vender um jogador, nos dias que correm, por mais de 40 milhões de euros, já é algo assinalável. Fazê-lo depois de renovar um contrato que tinha como cláusula de rescisão 30 milhões, é de mestre.



Para mim, enquanto benfiquista, também foi bom. Vejo-me livre de um excepcional jogador de um clube rival, e quanto ao dinheiro, nunca se sabe muito bem aos bolsos de quem irá ele parar, pelo que acredito que o FC Porto dele não beneficie tanto quanto à primeira vista possa parecer.



Sem quase se dar por isso, e em parâmetros totalmente diferentes, o Benfica cedeu, também para a Liga Espanhola, o número dez da selecção nacional. Tapado por Aimar e Witsel no onze, com perspectivas de ver diminuir o seu tempo de utilização, Martins terá pretendido sair, de modo a garantir presença na equipa das quinas para o Euro 2012. Se foi esse o caso, duvido que tenha feito bem, pois a visibilidade do Granada é diminuta. Se foi o Benfica que se quis livrar de um jogador representado por Paulo Barbosa, aceito a decisão, e remeto-a para o campo dos assuntos que não domino, e por isso não comento. Se foi somente uma decisão técnica, já terei mais dúvidas em concordar.



Não deixa de ser curioso que Jorge Jesus, em pouco tempo, se tenha livrado de Quim, Moreira, Luís Filipe, Fábio Coentrão (este, naturalmente, um caso diferente), Jorge Ribeiro, Carlos Martins e Nuno Gomes, jogadores com muita coisa em comum. Limpeza de balneário?




LUISÃO: Tenho uma visão cada vez mais pragmática dos jogadores de futebol, e dos seus confessados (mais do que sentidos) amores pelas respectivas entidades patronais.



Cada um deles, no âmbito da profissão que desempenha, faz por governar a sua vida (como eu, ou a maioria dos caríssimos leitores, fazemos quotidianamente), e não é por isso que deixo de os respeitar, ou de achar que eles ainda são o melhor que o mundo do futebol nos oferece (e disso tenho poucas dúvidas). O que deles espero é somente que cumpram o seu dia a dia profissional com respeito pelo dinheiro que ganham, e deixem tudo em campo na defesa do emblema que, mesmo conjunturalmente, representam. Espero trabalho, rigor, profissionalismo, disciplina e entrega. O amor é coisa para os adeptos.



Luisão é um profissional como todos os outros, e perante uma proposta aliciante pensará da mesma forma que qualquer pessoa comum, em qualquer ramo de actividade. Sabendo-se a importância do seu desempenho, cabe à entidade patronal encontrar formas de o motivar a ficar, extraindo dele o máximo rendimento, sem romantismos, ou pruridos morais.



O futebol profissional é uma indústria, e temos de perceber que, por muito que os idolatremos, os jogadores são homens, que têm famílias, e sabem que terão apenas alguns anos para preparar todo o resto das suas vidas. Não me choca, pois, qualquer declaração que, sem hipocrisias, vá de encontro a esta realidade. O que espero de Luisão, como de todos os outros jogadores, são bons desempenhos em campo, uma atitude profissional irrepreensível, e não declarações de amor eterno que sabemos serem sempre, necessariamente, superficiais.




CARDOZO: Já aqui trouxe várias vezes o tema. Não sei como alguem assobia um jogador que marca mais de 100 golos em 4 anos, e que é, inegavelmente, o melhor ponta-de-lança que passou pelo Benfica nos últimos 15 anos. Aqueles que o fazem (na minha perspectiva, uma sonora minoria), não percebem qual o papel de um ponta-de-lança no futebol, não percebem os principais fundamentos do jogo, não ajudam o seu clube, nem creio que sejam bons benfiquistas. Tenho dito.




SPORTING: Já confessei não ter visto qualquer jogo do Sporting, mas de uma equipa reforçada com nomes como Jeffren, Schaars, Capel ou Rodriguez, seria natural que se esperassem outros resultados. Acontece que no futebol não existem milagres, e não é possível reconstruir, de um dia para outro, toda uma equipa – para mais vinda de uma depressão profunda, e submersa numa cultura perdedora.



Domingos Paciência notabilizou-se no Sp.Braga com um futebol extremamente calculista, defensivo, por vezes enfadonho, mas cinicamente eficaz. Neste sentido, terá já trazido ao Sporting um maior rigor nas movimentações defensivas, atestado pelos poucos golos sofridos. Faltará trabalhar a construção ofensiva, plano onde a matéria-prima (designadamente na frente de ataque) não é tão abundante.



A propósito. O quanto eles não dariam para ter um Cardozito…




ÁRBITRAGEM: A classificação real está de volta (os dados das primeiras jornadas estão devidamente recolhidos), e merecerá um texto específico, provavelmente na próxima semana, e após a terceira jornada. Aqui refiro-me sobretudo ao caso Sporting-João Ferreira.



É tradicional a particular animosidade do Sporting perante os árbitros. Quem vá com frequência a Alvalade, e compare com o que se passa noutros estádios (por exemplo na Luz) notará uma diferença substancial. Os adeptos do Sporting, ao mínimo lance dividido, à mínima queda a meio-campo, à mais pequena suspeita de erro, protestam de forma extremamente enérgica, como se só eles fossem vítimas de erros, e como se todos os erros fossem no sentido de os penalizar.



Tenho para mim algo muito simples: todos os clubes portugueses são prejudicados e beneficiados, conforme as ocasiões, conforme as temporadas, havendo um, e apenas um, que - esse sim - nunca é prejudicado. Falo naturalmente do FC Porto, cujos erros em desfavor, nos últimos anos, se contam pelos dedos de uma mão, e cujos lances de dúvida são invariavelmente decididos a favor – sobretudo nas provas, e nos momentos, mais relevantes das temporadas.



Ora o grande equívoco do Sporting tem sido precisamente ignorar esta realidade, não a percebendo, ou não a querendo perceber. Levado por uma doentia rivalidade com o Benfica, tem disparado as suas críticas, as suas contestações, e as suas lamentações, sistematicamente de forma desfocada face ao alvo certo. Assim, o clube de Alvalade passou ao lado do Apito Dourado, desperdiçando, com o seu silêncio, com a sua inacção (que deixou o Benfica muitas vezes sozinho perante um combate inglório), as oportunidades de realmente mudar alguma coisa no futebol português. Tal como eu na altura previ, acabou por ser justamente o Sporting (para além, naturalmente, do próprio futebol) o principal prejudicado por essa atitude negligente, de que a direcção de Filipe Soares Franco terá sido o maior paradigma.



Quero acreditar que Godinho Lopes e Luís Duque tenham trazido outro tipo de postura, e nessa medida julgo que seria de aproveitar a ocasião para estabelecer pontes com o Benfica, e com outros clubes (V.Guimarães, Marítimo, P.Ferreira, Rio Ave, Beira Mar, Olhanense, etc) no sentido de varrer de vez os podres que a arbitragem portuguesa carrega. Há que eliminar os Benquerenças e os Xistras (e uma série de fiscais-de-linha anónimos, mas não menos influentes), que, mais do que qualquer presidente de Liga, qualquer comissão de arbitragem, ou qualquer poder federativo, agem a seu bel-prazer dentro dos campos, com as consequências que todos podemos ver semana a semana. Pelo que acabei de dizer, não seria coerente se não expressasse alguma solidariedade para com os leões, mesmo tendo em conta que João Ferreira será, porventura, dos árbitros menos conotados com a máfia reinante.

MELHOR ERA DIFÍCIL...



QUE BELO DIA PARA VOLTAR

Ora cá estou eu.



Depois de umas semanas de ausência (entre férias e afazeres diversos), volto hoje a este espaço, e pode dizer-se que escolhi bem a data. Com um espectáculo à medida, o Benfica entrou pela porta grande na casa dos campeões,…e dos milhões, enchendo de satisfação todos os seus associados e adeptos.



Ainda voltarei aos temas do defeso, e a tudo o que nestas semanas ficou por dizer. Mas a actualidade manda que me centre, por agora, no jogo desta noite, e no categórico apuramento do Benfica para a principal prova de clubes do mundo.



Com o resultado obtido na Holanda, sabia-se que a equipa de Jorge Jesus partia em vantagem. Não sendo o Twente propriamente um Real Madrid, e conhecendo-se a simpática tradição que temos mantido nas últimas décadas face ao aberto, e de certa forma romântico, futebol holandês, até um céptico como eu (e ao longo destas semanas, digo desde já que vivi o futebol com algum distanciamento, e até desencantamento) acreditaria firmemente na passagem. O ritmo que os encarnados imprimiram à partida desde o apito inicial apenas confirmou esse favoritismo, e calculava-se que um primeiro golo pudesse, por arrasto, concluir a empreitada, proporcionando uma segunda parte tranquila aos quase 50 mil espectadores presentes no Estádio a Luz.




O problema é que até ao intervalo o raio do golo não apareceu. Uma, duas, três, quatro ocasiões claras, e a bola teimava em não entrar na baliza de Mihaylov. Como quem não marca sofre, como as segundas partes do Benfica têm sido pautadas por grande ansiedade e insegurança, temeu-se então que pudéssemos estar perante mais um daqueles desfechos encomendados pelo diabo, que marcaram a temporada passada, e me deixaram com tão pouca vontade de escrever durante meses.




Um golo a abrir o segundo período foi o remédio de que a situação carecia. E que golo, senhores! Axel Witsel, o melhor em campo, aquele cuja contratação eu, logo na altura, tanto saudei, com um vistoso pontapé de bicicleta pôs o Benfica em vantagem, e sossegou as almas que já então começavam a dar sinais de algum sofrimento. Era, como disse, aquilo que os encarnados necessitavam, e daí em diante nunca mais esteve em causa o apuramento benfiquista, até porque Luisão, e novamente Witsel, avolumaram o resultado até às portas de uma goleada - que, diga-se, não ficaria nada mal ao futebol que os noventa minutos evidenciaram.




Ainda houve tempo para a equipa holandesa amenizar o desaire, e para, nos instantes seguintes, pairar no relvado a versão mais preocupante do Benfica 2011-12 (…e 2010-11). Mas o tempo que restava era já muito pouco, e só uma hecatombe (como algumas que aconteceram na temporada passada) poderia retirar das mãos do Benfica aquilo que já ele, tão brilhantemente, tinha alcançado.




O destaque individual vai inteirinho para o belga Witsel, jogador cuja titularidade não pode ser, sequer, equacionada. É jovem, tem talento, tem força, tem cultura táctica. É um craque destinado a ser uma das principais figuras deste renovado Benfica. Além de que a também excelente exibição de Pablo Aimar constitui prova cabal da compatibilidade entre ambos. O onze escalado para este jogo é, de resto, aquele que me parece o ideal, pelo menos nesta fase da temporada.




Mesmo estando no lance do primeiro golo, Gaitán foi, em sentido inverso, o jogador que mais me desapontou. Até porque tinha, e tenho, a expectativa de que seja ele a próxima venda milionária do clube da Luz. Para tal, terá de juntar ao brilho que o seu enorme talento frequentemente atinge, a regularidade competitiva que se exige aos jogadores de topo. Ontem, como no sábado, como em Barcelos, esteve longe daquilo que espero dele.




Já de um sorteio nunca podemos esperar grande coisa. Sai aquilo que tiver de sair, o que não significa - de modo algum - que estes momentos não definam as possibilidades das equipas, sobretudo as de nível médio (à escala internacional, entenda-se) como o Benfica. Se eu pudesse escolher, evitaria Manchester City e Zenit no pote 3, e Borússia de Dortmund e Nápoles no pote 4. Quanto ao pote 1…,quem vier será bem vindo, sendo aqui talvez mais importante o calendário dos jogos (não será o mesmo receber um Real Madrid ou um Barcelona na última jornada, provavelmente já qualificados, do que numa situação em que necessitem de pontos), do que propriamente um adversário - que, em condições normais, será sempre favorito. Ainda assim, Arsenal, Bate Borisov e Otelul seriam aquilo que mais se poderia aproximar de um “Jackpot”. Por mim, pessoalmente, Real Madrid, Ajax e Dínamo de Zagreb deixar-me-iam satisfeito.

ATÉ JÁ!

Chegou a minha hora.

Este ano, um pouco mais cedo que o habitual, terei de fazer uma pausa na actividade deste espaço.

Sou apenas eu a alimentá-lo enquanto editor, e ninguém me paga para ajustar as férias ao calendário futebolístico. Como tal, esta é uma situação que não posso evitar.

Provavelmente não estarei de volta antes do final do mês de Agosto. Até lá conto, entre muitas outras coisas, concretizar o sonho de assistir ao vivo (já este domingo em Paris) à etapa final da Volta à França em Bicicleta.

Vou falhar o jogo europeu do Benfica, que nem na televisão poderei ver. Mas quando começarem as competições nacionais já poderei estar mais atento ao que então se vier a passar, pelo que, quando voltar, terei certamente muito para escrever.

Desejo umas boas férias (ou, se for caso disso, bom trabalho) a todos os prezados leitores. Desejo, particularmente aos benfiquistas, muitas alegrias nos próximos jogos, e que o primeiro objectivo da temporada (apuramento para a Champions) seja uma realidade.

FINALMENTE A ZERO


Seria necessário recuar cinco meses, mais precisamente ao dia 24 de Fevereiro, para encontrarmos um jogo, oficial ou particular, em que o Benfica não tivesse sofrido golos. Foi em Estugarda, em partida da Liga Europa, que tal sucedera pela última vez. Esta noite, na apresentação da equipa aos sócios, voltou finalmente a acontecer.


Mesmo com muitas questões por solucionar na linha defensiva, e descontando uma certa fragilidade do opositor, o facto da baliza ter permanecido inviolável não deixa de ser um bom sinal para a próxima semana, designadamente para o jogo com o Trabzonspor, onde vai ser muito importante que essa inviolabilidade se repita.


Paradoxalmente, esta partida de apresentação mostrou um Benfica ineficaz no ataque, e bem mais seguro na sua parte de trás. As incorporações de Emerson e Garay também terão ajudado, mas é bem possível que algumas movimentações colectivas tenham sido particularmente acauteladas por Jorge Jesus, acrescentando segurança, e subtraindo risco ofensivo.


Este tipo de jogo serve também para mostrar as novas caras, e atestar do estado de forma das mais antigas. Cada vez parece-me mais evidente que o grande jogador do Benfica 2011-2012 vai ser Nico Gaitán. Mesmo sem encher o olho, o argentino (que para mim é um “dez”) voltou a mostrar uma vivacidade, e uma audácia, que há um ano atrás ainda encolhia. Quanto ás novas aquisições, devo dizer que, para além dos defesas, gostei bastante de Enzo Perez e, uma vez mais, Nolito. Pelo contrário, Witsel, ainda não mostrou o que vale.



Como não pude estar na Luz, não sei qual foi a reacção dos sócios a Eduardo. Espero que, com Artur/Eduardo, não se esteja a criar um novo fenómeno Moreira/Quim ou Quim/Moretto, e que qualquer jogador que vista a camisola do Benfica, e se esforce por defendê-la, seja igualmente apoiado.


PS: Não tenho falado sobre o Sporting, mas a última contratação surpreendeu-me bastante. Tinha Capel (do qual me lembro ser a estrela das selecções jovens espanholas) como um jogador destinado a um Real Madrid ou um Barcelona. Veio para o Sporting. Ou anda metido na cocaína, e alguém se quis ver livre dele, ou então, conseguir contratá-lo a preço de saldo, foi uma verdadeira lança em África.

13+10=23, O PREÇO DE UMA OBSESSÃO

O que se diria do Benfica, e dos dirigentes do Benfica, se contratassem dois jogadores que nem são internacionais A do seu país (um não é sequer titular no seu clube), por 23 milhões de euros, sendo que nenhum deles chega no imediato (um em Setembro, ou outro talvez só em Janeiro)?

O que em Lisboa é irresponsabilidade e devaneio, no Porto (onde a crise, pelos vistos, não chega), é sábia gestão.

Aqui não há espionagens. Aqui há loucura e obsessão em erguer vaidades como se fossem peças de caça.

BASTANTES MELHORIAS, MAS...

Cumpriu-se a tradição. O Benfica venceu o Torneio Guadiana, e, com ele, elevou as expectativas relativamente à sua época. Só faltou ser Nuno Gomes a levantar a taça para se repetir um quadro já visto e revisto em temporadas anteriores.

A vitória no torneio foi justa, e traduz claras melhorias competitivas face ao estágio na Suíça. Outra coisa não seria de esperar.

Embora o principal problema persista (na defesa), do meio campo para a frente já se sentiu algum perfume no futebol encarnado. Há reforços que são mesmo reforços, e alguns já da casa também parecem caminhar para a melhor forma. Falo, no primeiro caso, de Witsel, Matic, Nolito, Perez e Bruno César (todos centro-campistas), e no segundo de Gaitán e Saviola.

Também na baliza a situação estabilizou. Artur tem mostrado os atributos que fizeram dele um dos melhores guarda-redes da temporada passada, pelo que não creio que seja oportuna (e muito menos necessária) a contratação de Eduardo – que me parece condenado a passar uma época no banco, e a perder a titularidade na selecção nacional.

Mas, se o excesso não é um problema grave, já a escassez o pode ser. É o que se passa com o sector defensivo, onde a Copa América (nos casos de Maxi, Luisão e Garay), e não sei bem o quê (no caso do lateral-esquerdo), têm certamente tirado o sono a Jorge Jesus. É este o ponto de preocupação face ao plantel encarnado, até porque as segundas linhas (algumas delas perdidas em adaptações necessárias ao colectivo, mas prejudiciais à sua afirmação individual) não têm, genericamente, dado provas de estar à altura das exigências. Acresce que Roderick está no Mundial sub-20, Ruben Amorim e Jardel estão lesionados, e Miguel Vítor lesionou-se agora. Pior era impossível.

Maxi, Garay, Luisão e Capdevilla (a confirmar-se a contratação) asseguram um quarteto de qualidade indiscutível. O problema é que dificilmente poderão jogar todos a eliminatória europeia, e caso o façam, fá-lo-ão sem qualquer trabalho de mecanização prévio. Mas mesmo numa perspectiva de médio prazo – falo do campeonato -, não me parece que fosse má ideia adquirir mais um bom central.

Enfim. Veremos o que o jogo de apresentação reserva. Será a última oportunidade para fazer testes. A seguir, será a Europa que irá estar em causa.

POUCA SORTE

O adversário é o... Trabzonspor.

Das cinco possibilidades, era, no meu ponto de vista, a segunda pior. Pela viagem longa, pelo ambiente, e por uma equipa que terminou o campeonato com os mesmos pontos do campeão, sofrendo menos 11 golos que ele.

UMA PIADA DE MAU GOSTO

Um jornal desportivo dá hoje como provável a saída de Luisão do Benfica. Trata-se, como é óbvio, de uma piada de mau gosto.



Luisão é o capitão , é um jogador fundamental (o mais fundamental de todos) na estratégia da equipa, e a sua eventual saída não significaria outra coisa que não entregar ao FC Porto, em bandeja de prata, mais um título nacional.



Há jogadores cuja cotação de mercado suplanta o peso desportivo que têm nas suas equipas. Esses, são de vender. Por muito que gostasse de Di Maria, David Luíz ou Fábio Coentrão, e por maior que fosse a sua importância no colectivo encarnado, verbas de 30 milhões não se podem recusar. Ninguém me ouviu uma palavra a condenar essas saídas - pelo contrário, aplaudi cada um desses negócios, que tomo como naturais e fruto das vicissitudes do futebol moderno.



Já os jogadores cuja cotação é, por via da idade, ou por qualquer outro motivo, inferior ao peso que têm no conjunto, não se podem deixar partir em circunstância alguma. Luisão (como, por exemplo, também Maxi Pereira) é o paradigma desse tipo de jogador, pelo que se torna inaceitável que o Benfica pondere, sequer, a sua negociação.



Não se trata de sentimentalismos. Não os tive para com Nuno Gomes, por muita simpatia que o avançado me despertasse, até sob o ponto de vista pessoal. Entendi a sua dispensa como uma opção técnica, perante alguém cuja utilização em campo era pouco mais que residual.



Luisão é um caso totalmente diferente. Trata-se da trave mestra da equipa, e do seu jogador mais importante, fora, mas também dentro do campo. Trata-se de alguém que, com a sua capacidade, com a sua experiência, com a sua integração na equipa e no clube, o Benfica nunca iria conseguir substituir, a menos que gastasse ainda mais do que os 20 milhões da sua cláusula de rescisão.



Se Luisão quer sair, se faz pressão para sair, reflicta-se sobre as causas dessa intenção, e sobre os motivos pelos quais Falcão acaba de renovar com o FC Porto. Trata-se de um aumento de salário? Aumente-se! Não se pode aumentar? Vendam-se aqueles que, no plantel, auferem mais do que ele!



Luisão e Maxi Pereira são os únicos – leram bem, únicos! – jogadores do Benfica que considero absolutamente inegociáveis. Neste momento, a saída de qualquer um deles não comprometerá apenas uma época. Poderá comprometer… uma década.



E quem não perceber isto, percebe seguramente ainda menos de futebol do que eu.




PS: Falei aqui de Falcão. A renovação do seu contrato, num momento em que é pretendido por Chelsea, Manchester United e Real Madrid, é algo que me deixa de boca aberta. Ou a nova cláusula já prevê a irreversibilidade da venda, ou há aqui uma forma de negociar que, obrigando-me a tirar o meu chapéu, deveria ser bem estudada e analisada pelos responsáveis do Benfica e de todos os grandes clubes.




PS2: Ainda a propósito de Falcão, tenho de dizer que não vi Jorge Mendes a negociar o aumento da cláusula de Fábio Coentrão, para o Benfica lucrar mais com a venda do vila-condense. Pelo contrário, vi-o precipitar o negócio, perturbando a capacidade negocial dos encarnados. Outro motivo para reflexão, sobretudo para quem ainda tenha dúvidas sobre o carácter e os interesses que movem aquele empresário. E não é certamente por amor clubista a qualquer emblema.

A CHAMPIONS COMEÇA AQUI

ODENSE B. (Dinamarca)



FC ZURIQUE (Suíça)FC VASLUI (Roménia)







TRABZONSPOR (Turquia)




RUBIN KAZAN (Rússia)



A ordem é a da minha preferência.

A NOVA CORRELAÇÃO DE FORÇAS

...obviamente, apenas com os dados que o momento disponibiliza.

O ONZE IDEAL


SEGURANÇA E SOLIDEZ

"Ao longo das últimas semanas este espaço tem sido dedicado ao futebol benfiquista, e àquilo que, na minha perspectiva, mais poderia contribuir para o seu crescimento competitivo. Nunca será demais repetir que o exercício resulta ferido de superficialidade, pois só do lado de dentro se poderão, com rigor, identificar os eventuais problemas, e a melhor forma de os solucionar. Para mim reservo, apenas, o mero olhar do adepto despretensioso, que mais do que fornecer respostas procura levantar questões para reflexão comum.

Fecho hoje a série entrando - se me é permitido - no domínio táctico, para abordar um aspecto que, creio, esteve na base de algumas das mais importantes derrotas sofridas pelo Benfica ao longo da temporada passada: a falta de solidez defensiva.

Pode dizer-se que em 2011-12 o Benfica sofreu dois tipos de derrotas: as causadas por protagonismos alheios, e aquelas que não nos deixam espaço a quaisquer razões de queixa.

As primeiras tiveram origem em arbitragens absolutamente grotescas, às quais não havia táctica que pudesse fazer frente. Foi o caso das primeiras jornadas da Liga (Académica, Nacional e V.Guimarães), que nos condicionaram desde logo na luta pelo título, ou da derrota de Braga, que nos colocou definitivamente fora dela. Fui lembrando estes episódios ao longo do ano, e por agora apenas desejo (ainda que com alguma dose de desconfiança) que o próximo início de temporada não nos traga novos motivos de indignação.

Se quanto a esse tipo de derrotas pouco poderíamos fazer, já para as restantes teremos de encontrar explicações dentro da nossa casa, dentro da nossa equipa, e na forma como ela jogou. Recordo, por exemplo, a cinzenta passagem pela Liga dos Campeões, onde, se exceptuarmos setenta minutos de um jogo frente ao Lyon, tudo o resto foi medíocre. Recordo também os jogos com o FC Porto, da Supertaça aos cinco-a-zero, culminando com duas amargas derrotas caseiras.

No âmbito deste segundo tipo de desaires (provas internacionais e FC Porto), é possível, desde logo, identificar um traço comum: sempre que defrontou adversários fortes, a equipa de Jorge Jesus revelou uma chocante falta de segurança defensiva, aspecto que acabou por determinar os resultados. Concluímos a participação na Champions com um goal-average de 0-7 nos jogos fora; sofremos a maior goleada da história no estádio do principal rival; e vimos a bola entrar na nossa baliza em todas as últimas 19 partidas oficiais da temporada. Demasiado golo para tantas ambições.

Não falo aqui de Roberto – guarda-redes com qualidades, a quem faltará maturidade -, nem sequer dos elementos que constituíram a linha defensiva, e que, individualmente, não tiveram maus desempenhos (veja-se Maxi Pereira, veja-se Luisão, veja-se, sobretudo, Fábio Coentrão, veja-se, até, David Luiz, que fez toda a primeira metade da temporada).

Falo sim de um modelo de jogo que, a espaços, se mostrou excessivamente audaz, e com pouca base de sustentação, sobretudo se atendermos às características de um meio-campo muito macio (particularmente nos corredores), e pouco dado a tarefas defensivas. Nas partidas da Liga dos Campeões essa mácula foi gritante, e notou-se principalmente no terreno dos adversários. De Gelsenkirchen e, também, do Gerland, poderíamos ter trazido empates a zero, de Israel talvez estivéssemos obrigados a trazer uma vitória, e com esses resultados o apuramento teria sido uma realidade. Em todos esses jogos o Benfica partiu para cima do adversário, tentando desesperadamente - e desordenadamente - o golo, praticando um futebol demasiado ousado, quando (não tenhamos medo das palavras) não tinha equipa para tal. Atirar onze jogadores para cima de um Naval ou de um Rio Ave não é o mesmo do que fazê-lo na Liga dos Campeões, ou mesmo diante de um adversário forte como foi o FC Porto de Villas-Boas. Aparentemente, foi isso que o Benfica sempre tentou, com os resultados que se conhecem. Faltou consistência à nossa equipa, que nessas alturas não soube temperar a sua ânsia ofensiva, nem defender-se das suas próprias fragilidades.

Creio que um Benfica ganhador terá como grande desafio manter a chama atacante de que Jorge Jesus inegavelmente o dotou, e paralelamente ser capaz de apoiar o seu futebol numa muito maior consistência defensiva. Isso passa por saber gerir os ritmos de jogo de forma mais calculista, percebendo que ganhar 1-0 será sempre melhor do que empatar 3-3, e empatar 0-0 será sempre melhor do que perder 2-3. Passa por entrar em certos campos (nomeadamente na Liga dos Campeões) admitindo que o adversário é superior, e que sem primeiro o conseguir manietar restarão poucas hipóteses de vencer. E passa por jogar com onze jogadores que defendam (e bem) sempre que não tenham a bola nos pés, tudo isto sacrificando, se necessário for, alguma espectacularidade plástica – reluzente aos olhos, mas quase sempre inconsequente na hora de apurar os verdadeiros campeões."

LF no jornal "O Benfica" de 01/07/2011

A TEMPO?

Desta vez não foi por opção. Afazeres profissionais impediram-me mesmo de ver os primeiros 60 minutos de jogo, pelo que quando liguei a televisão já o Benfica perdia, a meia-hora do fim, por 1-0, sofrendo pouco depois o segundo golo.


Não terei perdido grande coisa, e, daquilo que vi, não tenho muito a acrescentar ao que aqui já disse.


Lamentavelmente, no momento em que o Benfica devia estar a preparar uma equipa para garantir o acesso à Champions, está ainda a escolher um plantel. Pior que isso, está a escolhê-lo de entre uma manta de retalhos composta por jogadores avulso – vários para as mesmas posições, nenhuns para outras posições -, entre os quais, pelo que se está a ver, nem sempre a qualidade é inquestionável.


Não compreendo esta pré-época, nem a abordagem que tem sido feita ao mercado. Não sei quem é responsável pelas aquisições, pelo que não estou a criticar ninguém em particular. Simplesmente não entendo, e desejo firmemente que tal se deva a limitação minha. Faltam 13 dias para a Liga dos Campeões, mas quem não soubesse, nem desconfiaria, tais as indefinições que grassam no plantel e na equipa.


A esperança é a última a morrer, e embora tema o pior, o meu benfiquismo obriga-me a calar os medos. Creio que ainda há tempo de inflectir caminho, e espero que os próximos dias o comprovem.


Não baterei mais no ceguinho, confiando que, com Witsel (diz-se ser um grande jogador), com Danilo (também de qualidade insofismável), e sobretudo com Ansaldi (ou outro lateral-esquerdo acima de suspeita), bem como com o rápido regresso de Maxi e Luisão, e com a incorporação de Garay, o Benfica ainda possa estar a tempo de formar uma grande equipa.

COLECÇÃO DE MÉDIOS

Meio-campo 1: Javi Garcia, Enzo Perez, Aimar e Gaitan





Meio-campo 2: Matic, Ruben Amorim, Carlos Martins e Urreta





Meio-campo 3: Nuno Coelho, Ruben Pinto, Bruno César e Nolito





Meio-campo 4: Witsel(?), Danilo(?), David Simão e César Peixoto





Meio-campo 5: Yebda, Balboa, Miguel Rosa e Fernandez










Cinco vezes quatro, vinte. Vinte! Vinte médios (a grande maioria do corredor central), que davam para encher todo um plantel. E nem se contam os que já estão colocados, como Airton, Fellipe Bastos, Felipe Menezes, e mais alguns jovens.




Olho para este quadro, e penso na falta que fazem um defesa-central (ou dois), um lateralzinho esquerdo (ou dois), e, já agora, também um ponta-de-lança para concorrer com Cardozo.

PARA JÁ...NADA

Apesar de ter feito, para a Benfica TV, a antevisão do jogo com os amadores de Friburgo, não fiquei lá para ver mais do que os dez minutos iniciais.



Eram horas de jantar, mas a verdade é que não me recordo de uma pré-temporada que me despertasse tão pouco entusiasmo como esta. Se pudesse escolher, estava mais dois ou três mesitos sem futebol, reservando o tempo livre para livros e, neste mês de Julho, também para o Tour de France – particularmente emotivo, e do qual conto, cumprindo um sonho de muitos anos, assistir à última etapa ao vivo, dentro de duas semanas em Paris.



Confesso que, depois do trauma de Braga (que ainda não ultrapassei totalmente), depois de uma época tão complicada, não tenho muitas saudades do Benfica, e preciso de um empurrão (um apuramento para a Champions, por exemplo) para retomar os níveis de entusiasmo próprios de um início de temporada. Até lá, até esse eventual click, irei arrastar-me, entre a quase obrigação moral de ver os jogos, e a tristeza de deles não esperar grande coisa, agravada pela inquietação de temer mais uma época decepcionante.



Vi, no entanto, o resumo da partida de sábado, e, acabei por ver cerca de dois terços do jogo de domingo.



Se um jogo contra os empregados do hotel nunca daria para tirar quaisquer conclusões, já o confronto com o Servette (equipa modesta, mas, profissional) evidenciou alguns aspectos de relevo, embora quase todos negativos.



Com a defesa titular toda de fora (Maxi Pereira, Luisão, Garay e lateral a contratar), as segundas linhas deixaram uma péssima imagem da sua capacidade para aguentar o barco, designadamente nos jogos da pré-eliminatória europeia, cuja primeira mão tem lugar já dentro de quinze dias. Jardel confirmou não ser opção a ter em conta para a titularidade (e porventura nem para o banco), e nem Roderick, nem André Almeida, nem Wass, nem Fábio Faria, deixaram garantias de ser casos muito diferentes. Só Miguel Vítor terá ganho alguns (poucos…) pontos, mas uma defesa assim quase faz suspirar por nomes como…Luís Filipe, Sidnei ou César Peixoto.

Por falar em defesa, começa a não se entender, nem desculpar, a não contratação de um lateral-esquerdo. O tempo vai passando, a pré-eliminatória está à porta, e se a Copa América é uma fatalidade com a qual o Benfica tem de lidar, os sucessivos adiamentos na questão do lateral têm apenas a ver com a SAD. Neste momento já não está em causa fazer um bom ou mau negócio, mas sim responder a uma necessidade absolutamente urgente. É preciso entender isso, sob pena de comprometer toda uma época, e lá para Maio de 2012 estarmo-nos todos a queixar da má sorte.



Diga-se também que a primeira impressão sobre os reforços não foi inteiramente favorável. Matic deixou um ou outro apontamento, mas tem o lugar tapado, e não sei como possa ser útil noutra posição que não a de Javi Garcia. Bruno César é bom com a bola no pé, mas, ou me engano muito ou não tem, para já, consistência táctica para o modelo de jogo que se exige ao Benfica. Wass e Rodrigo são, na melhor das hipóteses, esperanças para o futuro. Enzo Perez andou bastante escondido, e só Nolito terá sido a excepção, mostrando alguns atributos interessantes.



Enfim. Como nota positiva percebe-se que do meio-campo para a frente o onze-base já vai estando alinhavado. Se Aimar, Gaitán, Cardozo e Saviola engrenarem cedo, os aspectos ofensivos da equipa poderão estar relativamente acautelados. Mas se no ataque as coisas podem, com o tempo de treino, e com este tipo de jogos, ir melhorando, na defesa só com outros jogadores seria possível dormir descansado. E se aparece um qualquer Panathinaikos no sorteio de sexta-feira, lá se vai o regresso à Europa dos grandes.

Amanhã há mais. Desta vez com o Dijon.

QUEBRA-CABEÇAS

Se a UEFA admite a inscrição de 25 jogadores, e se oito dos quais têm de ser portugueses (ou, em alternativa, deixar as vagas por preencher), a matemática aponta para um máximo de 17 jogadores estrangeiros por clube.




No plantel encarnado, os guarda-redes ocupam, pelo menos, duas vagas (Artur mais Roberto ou Júlio César), pelo que, em termos de jogadores de campo, passa a haver lugar para um máximo de 15 estrangeiros em 22 atletas.




Ora bem… Maxi Pereira, Luisão, Garay, um lateral-esquerdo a contratar, Javi Garcia, Enzo Perez, Aimar, Gaitán, Cardozo e Saviola são certezas no plantel (e mesmo que algum possa eventualmente ainda ser vendido, não vejo muitos substitutos à altura no mercado nacional). Citei dez nomes, o que deixa apenas margem para outros cinco não portugueses.




Shaffer não deve ter espaço no plantel, e diz-se que Kardec deverá ser emprestado. Restam assim: Wass, Jardel, Carole, Matic, Bruno César, Urreta, Jara, Nolito, Rodrigo Mora e Rodrigo. Dez nomes ao todo, dos quais cinco terão obrigatoriamente de ser riscados por Jorge Jesus.




Quais? Esse é o exercício que vos proponho, e que resulta particularmente difícil se atendermos aos necessários equilíbrios do plantel, e às posições em que o mesmo está mais carenciado.

PONTO DE SITUAÇÃO

Bolas amarelas, portugueses (pelo menos 8); bolas castanhas, jogadores da formação (pelo menos 4).



Se César Peixoto sair, terá de sair também o Jardel, entrando Carole e Fábio Faria (ou o Nuno Coelho), de modo a manter os rácios.

Ruben Pinto precisa de um ano de rodagem, e não o estou a ver ainda no plantel principal..



Parece haver demasiados médios (e já estou a retirar o Ruben Pinto, o Nuno Coelho e o Urreta), e pouco peso no centro da defesa (apenas dois jogadores aptos à titularidade), bem como no centro do ataque (onde Mora é para mim uma incógnita, e Nélson ainda me parece um pouco verde).


Rodrigo e Urreta, sendo estrangeiros, não devem ter muitas hipóteses de ficar.



Mas a prioridade é, claro, o lado esquerdo da defesa.

TRÊS INQUIETAÇÕES

1- Necessitando (segundo as regras da UEFA) de 8 portugueses no plantel, 4 deles oriundos da formação, porque motivo o Benfica dispensa Moreira (que preenchia ambos os requisitos), mantendo Júlio César e Roberto?


2- Sabendo-se há vários meses que Fábio Coentrão iria sair (e não era preciso ser vidente), porque motivo não está ainda contratado um substituto? Eu estava convencido que apenas se esperava o anúncio oficial da transferência do português para Madrid, para anunciar o novo reforço. Pelos vistos, e sem que se perceba porquê, ele ainda não existe. E faltam 18 dias para o primeiro, e decisivo, embate europeu.


3- Como é possível que Falcão, pretendido por vários clubes de grandes campeonatos europeus, ainda admita renovar com o FC Porto, e aumentar a sua própria cláusula de rescisão? O que faz, promete ou oferece o FC Porto aos seus jogadores, e/ou aos seus empresários? Seria interessante percebermos isso.

FACES OCULTAS

"O ciclismo é uma das modalidades que mais me apaixona, e é ele que me preenche o vazio dos meses de defeso, sobretudo quando o maravilhoso “Tour de France” sai para as estradas.

Desde que me lembro, o desporto velocipédico é também aquele que, aparentemente, mais propenso se mostra ao fenómeno do doping. Está em andamento um processo que pode vir a suspender Alberto Contador (indiscutivelmente o melhor da actualidade), há denúncias comprometedoras para Lance Armstrong (outro grande campeão), e todo o espaço desta coluna não daria para enumerar os ciclistas castigados por práticas de dopagem – sobretudo após o eclodir dos casos “Festina”, em 1998, e “Operação Porto” (que nome?!), alguns anos mais tarde.

Por vezes interrogo-me se o ciclismo será mesmo a modalidade onde o doping mais prolifera, ou apenas a mais controlada, e, como tal, aquela em que mais casos dão à costa. É possível que a resposta esteja algures a meio, mas o que é indesmentível é que o tipo de controlo feito no ciclismo nada tem a ver, por exemplo, com o do futebol.

Actualmente, cada ciclista está obrigado a uma espécie de passaporte biológico, constituído por análises sanguíneas regulares, onde ficam registadas todas as suas variações hematológicas. À mais pequena anomalia, segue-se uma bateria de exames complementares, e as correspondentes explicações médicas.

Esta evolução surgiu porque as novas formas de dopagem já não eram detectáveis através das tradicionais análises à urina. O tempo das anfetaminas já lá vai. Hoje existem a EPO, a CERA, as hormonas de crescimento, as auto-transfusões, e já se fala de doping genético.Neste contexto, que motivos temos nós para acreditar que o futebol - que movimenta muito maiores interesses, e muito mais milhões - permaneça imune a estas práticas? E sem um rigoroso despiste sanguíneo, que garantias podemos ter de que grandes vitórias de certos clubes (sobretudo os que já se mostraram capazes de recorrer a outros meios ilícitos) não escondam tenebrosos esqueletos nos seus armários?"

LF no jornal "O Benfica" de 17/06/2011

5 ANOS EM CIFRAS





NOTA: Os dados apresentados não são oficiais, mas sim fruto de recolha na comunicação social. Eventuais pequenas diferenças, não alteram o essencial.

EIS QUANTO VALE UMA GRANDE EQUIPA

FUMO BRANCO

Era o desfecho anunciado.

Lamenta-se a saída de um grande jogador. Saúda-se a entrada de 30 milhões de euros fresquinhos.

É provável que parte deles estejam já destinados a Garay (eventualmente 5 milhões relativos ao passe, e outros 5 correspondentes à compensação salarial). Mas ainda assim, no contexto actual, não deixa de ser um grande negócio.

Parabéns ao Fábio, parabéns a Luís Filipe Vieira.

O TEMPO CERTO

"Façamos um pouco de história. Em 2003-2004 Luisão chegou ao plantel benfiquista com três rondas já decorridas, demorando algum tempo (e alguns pontos) a adaptar-se. Em 2005-2006 chegaram Miccoli e Karagounis sobre o fecho do mercado, já o Benfica tinha perdido cinco pontos. No ano seguinte foi o “fica-não fica” de Simão Sabrosa até ao último dia de inscrições, com consequências no modelo de jogo adoptado por Fernando Santos, e com cinco pontos perdidos nos primeiros quatro jogos. Em 2007-2008 saíram Simão e Manuel Fernandes às portas da primeira jornada, entrando Cristian Rodriguez e Maxi Pereira, com o Campeonato em andamento, e já com quatro pontos desperdiçados. Em 2008-2009 saiu Petit e entrou Reyes em pleno Agosto, e mais tarde ainda chegaria David Suazo, quando já tinham voado quatro pontos. Em 2010-2011, chegou tardiamente Sálvio para colmatar a também tardia saída de Ramires, e no dia em que o argentino se estreou estávamos já a seis pontos de distância do primeiro lugar.

Se repararmos bem, nestes últimos tempos, apenas em duas temporadas o plantel benfiquista ficou definido atempadamente: 2004-2005 e 2009-2010. Em ambas entramos muito bem no Campeonato (treze pontos nos primeiros cinco jogos), em ambas nos viríamos a sagrar campeões.

Devido a uma anacrónica calendarização, a Liga Portuguesa começa a jogar-se algumas semanas antes do fecho do mercado de transferências – cuja data está em sintonia com os ricos campeonatos espanhóis e italiano, que só têm início em Setembro. Esse é um problema que tem afectado de forma significativa o Benfica, que raramente tem conseguido evitar uma indefinição bem para lá dos limites do desejável.

Dizem todas as estatísticas que o campeonato português se decide, por norma, nas primeiras jornadas. Nessas, o Benfica entra muitas vezes desfalcado, indefinido e à procura de uma equipa tipo. Quando a encontra, lá para Novembro ou Dezembro, quase sempre já vai tarde. Quantas vezes não vimos nós este filme? Quantas desilusões não sofremos já com ele?

No âmbito da identificação de factores a melhorar no futebol do nosso clube, creio que um redobrado cuidado com este tipo de situação é aspecto a ter em conta. Os timings de construção de uma equipa ganhadora não são, de todo, coisa de somenos. Planear uma temporada com o plantel fechado, com todas as unidades devidamente distribuídas, é o primeiro passo para o sucesso dos meses seguintes.

Como a história recente nos tem ensinado, não basta colocar um novo jogador (por maior que seja a sua qualidade) no lugar de quem sai (e, como é óbvio, só se vendem os bons) para que a máquina colectiva continue a carburar sem falhas – é preciso tempo de adaptação, mecanização, e automatismos, coisas que não se conseguem de um dia para outro, nem de uma semana para outra, nem de um mês para outro, nem, por vezes, de um ano para outro.

É verdade que um clube de um país periférico, como o nosso, está limitado nas suas acções de mercado, dependendo muitas vezes dos ritmos e vontades de terceiros. A forma de contrariar essa dependência passa por um planeamento rigoroso de todas essas acções, de modo a diminuir, ao mínimo, o grau de incerteza com que se iniciam os trabalhos. Seria desejável que, a cada época, no máximo em finais de Julho, tudo estivesse absolutamente definido. Sei que isto é muito mais fácil de dizer, ou de escrever, do que de levar à prática, particularmente num mundo onde as pressões (para vender, para comprar, para manter) surgem de todos os lados, e com crescente vigor à medida que as janelas de mercado se aproximam do fecho. Mas é precisamente nesses tabuleiros que se joga o êxito das operações, das temporadas, e, consequentemente, dos próprios clubes. É esse um dos nossos desafios.

Sendo os mercados de destino condicionados externamente, a lógica a privilegiar deve ser a de, tanto quanto possível, decidir previamente quem vender, e encontrar antecipadamente alternativas que tornem essas saídas indolores, e inconsequentes na harmonia colectiva da equipa. É essa ideia - a de um fio condutor, a da máquina continuamente ligada a que nunca podem faltar peças - que deve presidir à nossa gestão desportiva.

Uma equipa de futebol é um todo, é um conjunto, e também uma identidade. Se lhe retiramos uma parte, e só depois tentamos substituí-la, perdemos tempo, perdemos ritmo, e damos avanço aos rivais. Se isso acontece com duas ou três partes, temos a máquina empenada, e os trabalhos fortemente condicionados. Se tal sucede tardiamente, temos as ambições de uma temporada irremediavelmente comprometidas.

Num momento em que se define o plantel encarnado, e numa pré-época complicada, que envolve Copa América, Mundial de Sub-20, e pré-eliminatória da Liga dos Campeões, seria importante que esta perspectiva não fosse de modo algum ignorada, pois os riscos que pendem sobre nós são enormes. Estando o principal adversário obrigado a reconfigurar-se, a nossa vantagem poderá residir precisamente na estabilidade. Não a podemos desperdiçar. E não podemos falhar."

LF no jornal "O Benfica" de 01/07/2011