CLASSIFICAÇÃO REAL

COMO SE CHEGOU À 25ª JORNADA:

1ª jornada, Benfica-Académica, 1-2: quatro penáltis por assinalar a favor dos encarnados (pontapé a Saviola, corte com a mão, empurrão a Saviola, e carga nas costas de Javi Garcia). Cinco cartões amarelos exibidos a uma equipa que atacou quase sempre. 3 pontos subtraídos por Cosme Machado, logo na alvorada do campeonato. Naval-FC Porto, 0-1: golo portista obtido perto do fim, na sequência de uma grande penalidade inexistente assinalada por Paulo Baptista (bola tocou involuntariamente na mão do defesa figueirense). 2 pontos acrescentados ao FC Porto.



2ª jornada, Nacional-Benfica, 2-1: dois penáltis por assinalar a favor do Benfica, (rasteira sobre Coentrão, e corte com a mão de um defesa madeirense). Um dos golos do Nacional surge na sequência de um livre inexistente. Pedro Proença retirou mais 3 pontos aos encarnados, enchendo-os também de cartões amarelos (sete só nesta partida). FC Porto-Beira Mar, 3-0: segundo golo portista obtido á beira do intervalo, na sequência de um livre mal assinalado por João Capela.

3ª jornada, Rio Ave-FC Porto, 0-2: primeiro golo irregular, com dupla carga de Falcão, primeiro sobre um defesa, e depois sobre o guarda-redes. Penálti inacreditavelmente perdoado por Jorge Sousa a Álvaro Pereira, em empurrão e rasteira a avançado vilacondense no interior da área. 3 pontos oferecidos ao FC Porto.


4ª jornada, V.Guimarães-Benfica, 2-1: dois penáltis por marcar a favor do Benfica (pontapé na perna de Aimar e rasteira a Carlos Martins). Dois foras-de-jogo mal assinalados a Saviola e Cardozo, quando ficavam isolados diante da baliza. Mais sete cartões amarelos mostrados a jogadores benfiquistas. Uma arbitragem à Benquerença, subtraindo 3 pontos à equipa de Jesus. FC Porto-Sp.Braga, 3-2: carga de Belluschi sobre Paulo César no último minuto da partida, não assinalada por Pedro Proença. Mais 2 pontos para o FC Porto.

5ª jornada, Benfica-Sporting, 2-0: seis amarelos para jogadores do Benfica, perfazendo um total de 26 (!!!) cartões em apenas cinco jogos. Nacional-FC Porto, 0-2: corte com a mão de Rolando na sua área de rigor, sem que Bruno Paixão assinalasse a respectiva grande penalidade, com o resultado em 0-1.


6ª jornada, Marítimo-Benfica, 0-1: carga sobre Saviola na área madeirense, com o resultado ainda em branco, e com João Capela a mandar jogar.

7ª jornada, V.Guimarães-FC Porto, 1-1: penálti claro cometido por Fucile, e ignorado por Carlos Xistra. Mais 1 ponto para o FC Porto.

12ª jornada, Beira Mar-Benfica, 1-3: corte com a mão na área aveirense, com o marcador ainda em branco, e sem que Bruno Paixão fizesse o que lhe competia.

13ª jornada, FC Porto-V.Setúbal, 1-0: penálti fantasma assinalado por Elmano Santos a mergulho de Falcão na área. Repetição inexplicável de penálti convertido por Jaílson no último minuto, que originou o falhanço do mesmo jogador, garantindo 2 pontos para o FC Porto.

14ª jornada, Benfica-Rio Ave, 5-2: mais um penálti por assinalar a favor do Benfica, por falta sobre Fábio Coentrão que Hugo Miguel não sancionou, e um penálti mal assinalado contra os encarnados. Paços de Ferreira-FC Porto, 0-3: o primeiro golo nasce de um livre inexistente, e o segundo (já em tempo de descontos) de uma grande penalidade fantasma assinalada por Soares Dias.


16ª jornada, Académica-Benfica, 0-1: golo irregular do Benfica, mas dois penaltis por assinalar a seu favor - um sobre Coentrão, que ainda lhe valeu um cartão amarelo injusto (mais tarde seria expulso), e outro por corte com a mão após cruzamento de Sálvio, a que Elmano Santos e o auxiliar fizeram vista grossa. FC Porto-Naval, 3-1: um dos golos do FC Porto foi obtido com duas bolas em campo, e com a equipa adversária praticamente parada, ante a indiferença de Cosme Machado.


17ª jornada, Benfica-Nacional, 4-2: penálti sobre Sálvio no lance que antecede o primeiro golo, que o árbitro Rui Costa deixou passar em claro. Beira-Mar-FC Porto, 0-1: golo obtido através de penálti altamente duvidoso (teatro de Hulk) assinalado por João Ferreira.



18ªjornada, V.Setúbal-Benfica, 0-2: golo limpo anulado por Cosme Machado a Javi Garcia já perto do fim.


19ª jornada, Benfica-V.Guimarães, 3-0: golo limpo invalidado por João Ferreira a Saviola.


20º jornada, Sporting-Benfica, 0-2: expulsão exagerada de Sidnei, após primeiro cartão amarelo mal mostrado por Soares Dias.

21ª jornada, Benfica-Marítimo, 2-1: penálti por assinalar em corte de Roberge com o braço, ainda na primeira parte, com o resultado a zero. Cartão amarelo ridículo a Aimar, após sofrer falta não sancionada por Vasco Santos sobre a linha da área. Olhanense-FC Porto, 0-3: penálti perdoado por João Capela a Otamendi, com o resultado ainda em branco.


22ª jornada, Sp.Braga-Benfica, 2-1: primeiro golo bracarense resultante de falta marcada por Carlos Xistra ao contrário, em lance de onde resultou também a expulsão injusta de Javi Garcia. Três jogadores do Braga por expulsar. Dois ataques cortados erradamente ao Benfica, um por alegada falta de Saviola, outro por inexistente fora-de-jogo de Cardozo. Oitavo (!) jogo da Liga em que o Benfica viu mais de 5 cartões.


24ª jornada, Paços de Ferreira-Benfica, 1-5: expulsão perdoada a Cohene logo nos primeiros minutos. Golo do Paços resultante de livre inexistente. FC Porto-Académica, 3-1: penálti escandaloso perdoado a Rolando, por corte com a mão na área, com o resultado ainda a zero.


25ª JORNADA:


BENFICA-FC PORTO Os dois penáltis parecem-me bem assinalados. No critério disciplinar é que Duarte Gomes se espalhou por completo, poupando expulsões a Otamendi (mais cedo), Coentrão, Javi Garcia e João Moutinho, e mostrando o cartão vermelho a Cardozo de forma algo discutível (creio que um amarelo talvez se aceitasse). Resultado Real: 1-2


V.GUIMARÃES-SPORTING Ficou um penálti por assinalar, cometido por Evaldo, já perto do final do jogo. Resultado Real: 2-1


CLASSIFICAÇÃO REAL


FC PORTO 65


Benfica 63


Sporting 30

O top-erro segue sem alterações:

1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3


2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2


3º FC PORTO-V.SETÚBAL (13ª jornada) Falcão mergulha para a relva no interior da área, e o diligente Elmano Santos aponta para a marca de penálti, a um minuto do intervalo. Resultado na altura: 0-0 Resultado final: 1-0

DESFECHO ANUNCIADO


Ponto nº 1) O FC Porto tem uma excelente equipa, tem alguns grandes jogadores (Hulk, Falcão, Moutinho, Helton), conseguiu manter uma regularidade impressionante em toda a temporada, e nas partidas decisivas foi brilhante.

Ponto nº2) Sou um admirador confesso da força mental da equipa portista, que consegue sempre encontrar estímulos para disputar cada jogo como se de uma grande final se tratasse, exibindo índices de concentração pouco comuns, mesmo no âmbito europeu. Eis um aspecto em que o Benfica tinha a ganhar em aprender com o rival.

Ponto nº 3) Sobre a capacidade atlética - ainda mais impressionante - já aqui tenho manifestado as minhas sérias desconfianças. Mas há que reconhecer, no mínimo, a pertinência de uma política que aponta para a contratação preferencial de autênticos gladiadores (Hulk à cabeça, mas também Guarin, Fernando, Rolando, Varela, Otamendi etc), o que permite ao FC Porto superiorizar-se fisicamente a todos os seus adversários domésticos, e bater-se bem com os mais fortes batalhões do futebol internacional.

Ponto nº 4) André Villas-Boas conseguiu, em pouco tempo, colocar a equipa a jogar um futebol razoavelmente bonito e tremendamente eficaz, mostrando tratar-se, na verdade, de um grande treinador. Desconto-lhe os excessos de linguagem, que nem na hora da vitória soube evitar.

Por tudo o que acabei de escrever, esta equipa do FC Porto talvez não merecesse que o seu título ficasse manchado de ilicitude. Podia perfeitamente ter sido campeã de forma limpa, e, se fosse esse o caso, mereceria agora os meus conformados parabéns. Contudo, se a luz se apagou, a memória não se pode apagar. Eu gostava, honestamente, de poder ter a certeza de que, sem aquele avanço inicial oferecido por terceiros, o FC Porto tinha sido capaz de manter o mesmo grau de auto-confiança, de manter a mesma regularidade, a mesma segurança de jogo, e de resistir a um Benfica necessariamente muito mais empolgado, muito mais empertigado e apoiado freneticamente por milhões de adeptos, numa luta muito mais acesa, e, seguramente, também, muito mais bonita. Benquerença, Proença, Cosme, Sousa e Paixão não permitiram que assim fosse, estragando o campeonato logo na sua fase inicial, impedindo uma das equipas de o disputar em igualdade de circunstâncias, e mascarrando indelevelmente o mérito daquela que o acabou por conquistar. Tê-lo ia igualmente conseguido? Nunca ninguém o vai poder demonstrar de forma cabal.

Ao contrário do que André Villas-Boas quis dizer após o triunfo (teoria que alguns jornalistas se apressaram a subscrever), este jogo não provou absolutamente nada. Enquanto o FC Porto tinha a ganhar um título nacional, o Benfica já não tinha a ganhar coisa nenhuma. Maxi Pereira, Carlos Martins e Cardozo foram poupados, e as muitas cadeiras vazias nas bancadas reflectiram bem o estado de resignação do Benfica e dos benfiquistas face ao desfecho deste campeonato.

Seria bonito tentar defender a honra com unhas e dentes como o FC Porto fez há um ano atrás (quando, lembremos, ainda havia possibilidades efectivas de evitar que o Benfica fosse campeão). A Liga Europa, e o compromisso de quinta-feira aconselhavam, contudo, a muita prudência. Essa limitação fez toda a diferença, pois o Benfica foi, ao longo destes noventa minutos, uma equipa quase sempre hesitante, e pouco disponível para uma luta, necessariamente inglória, que lhe pudesse custar mais do que aquilo que já estava, de antemão, perdido.

Enquanto adepto do Benfica sou bastante pragmático. Eu próprio defendi, no jornal do clube, que o jogo de quinta-feira não deveria ser minimamente beliscado por este. Devo dizer agora que, de todas as derrotas que já vi o Benfica sofrer diante do seu grande rival (e já foram algumas) esta terá sido das que menos sofrimento me causou. Para mim foi quase como se de um jogo particular se tratasse, pois na verdade havia muito pouca coisa de palpável em causa. Imagine-se para os jogadores profissionais, que não têm 35 anos de benfiquismo ás costas, que se estão genericamente nas tintas para rivalidades portuguesas, e que querem neste momento, acima de tudo, brilhar na Liga Europa, e vencer as competições que estão sobre a mesa.

Termino elogiando telegraficamente as exibições de Saviola e Fábio Coentrão, e criticando, de igual modo, o critério disciplinar de Duarte Gomes.

PS: Acidentalmente (tinha ido às bilheteiras da Praça Centenário – para quem não saiba, mesmo defronte do habitual ponto de reunião dos No Name Boys - para saber se já lá havia ingressos para a Taça da Liga) vi-me envolvido nos confrontos entre a polícia e a claque do Benfica. Felizmente sem consequências físicas, pude testemunhar tudo o que se passou, isto antes de, ao som do tiroteio e dos petardos, ter de fugir para fora do recinto do estádio (onde reentrei depois pelos portões do Alto dos Moínhos). Daquilo que vi ressalta algum excesso de zelo das forças policiais em forçar a claque do Benfica a afastar-se para muito longe da zona por onde estavam a entrar os adeptos do FC Porto. Depois, claro, vi excessos de parte a parte, num país onde – ao contrário das séries americanas – nem sempre os polícias são os bons da fita. Gostava também de ter a certeza que os adeptos do Benfica, nas deslocações ao Porto, são tão bem protegidos como o foram os portistas nesta deslocação à Luz. Desconfio que não.

ONZE PARA O CLÁSSICO

Fábio Coentrão, Carlos Martins, Nico Gaitán e Óscar Cardozo parecem ser os mais afectados pela jornada das selecções. Ficariam a descansar.
Para Maxi Pereira não existe cansaço, nem alternativa.
Em suma, um onze digno, para tentar ganhar o jogo, sem comprometer aquilo que é, neste momento, verdadeiramente essencial: a Liga Europa.

CLIMAS

"Finalmente, apelamos a todos os adeptos do FC Porto que, apesar do clima provocatório e intimidatório que o Benfica está a criar para o jogo de domingo, mantenham sempre um comportamento cívico e pacífico."
Este é o último parágrafo de um comunicado do FC Porto acerca da proibição de adereços à sua claque. Não conheço, em rigor, os motivos de tal proibição. Provavelmente prende-se com uma intenção de facilitar o controlo e detecção de objectos perigosos (eventualmente escondidos no meio de bandeiras ou estandartes).
De qualquer modo, não é isso que está em causa. O FC Porto afirma que o Benfica está a criar um clima provocatório e intimidatório. Ora todas as declarações conhecidas de dirigentes de Benfica vão justamente no sentido contrário, o dos apelos à calma e ao civismo. Muitos benfiquistas o têm feito, nomeadamente nos órgãos de comunicação social do clube. Eu próprio o fiz, tanto na televisão, como no jornal, desafiando os adeptos do Benfica a mostrar, pela diferença, que têm de facto a razão do seu lado. Volto a fazê-lo aqui, lembrando os riscos que o próprio clube correrá caso as coisas não decorram dentro da normalidade. Quem está então a provocar?
Este comunicado mostra uma atitude que faz lembrar aqueles indivíduos que gostam de andar à pancada, e vão para os bares ou discotecas à procura de um pretexto para o fazer. E mesmo quando ninguém lhes liga, lá conseguem arranjar forma de dar largas aos seus instintos, nem que para isso tenham de inventar uma história, construir um facto ou exacerbar um pormenor.
É assim este FC Porto. Vive do conflito, e para o conflito. Vive do ódio, e para o ódio. Por isso mesmo está a mais no desporto. Por isso mesmo não é um clube minimamente respeitável. No Benfica (e em Lisboa) as coisas são diferentes. E estou certo que este clássico será uma eloquente demonstração dessa diferença.

UM CICLO DE EQUILÍBRIO

Desde o Verão de 2008, Benfica e FC Porto têm-se, grosso modo, equivalido em termos de peso relativo no desporto português, e em particular no futebol. Depois de um período totalmente dominado pelo Benfica (décadas de sessenta e setenta), de um período de equilíbrio entre ambos (década de oitenta), de um período de domínio portista (década de noventa e início de século), parecemos estar novamente perante uma fase de equilíbrio, que, mais ano menos ano, pode até dar origem a nova inversão de ciclo (ou não).
Este campeonato será para o FC Porto, mas se o próximo for para o Benfica podemos ter uma sequência Porto-Benfica-Porto-Benfica, que trará à memória os sete anos seguidos de alternância (entre 1985 e 1992), ou os nove títulos (exactamente os mesmos) para cada um dos clubes entre 1975 e 1995. Como o campeonato não é tudo, a Taça de Portugal e Taça da Liga, que o Benfica pode conquistar, são também elas factores a ter em conta, bem como as vitórias nas modalidades (Andebol e Hóquei inclinados para o FC Porto, Futsal e Volei para Benfica, e Basquetebol a discutir entre ambos no play-off). Mais do que tudo isto, o eventual desfecho favorável da Liga Europa para um ou outro, poderá fazer pender o prato da balança, aí sim, de forma bastante vincada. O que importa menos é mesmo o resultado do próximo domingo (embora também em jogos as equipas estejam empatadas, com 3 vitórias para cada lado desde 2008).

OPORTUNIDADE HISTÓRICA

"Após uma noite de sofrimento em Paris, o Benfica atingiu, pelo segundo ano consecutivo, e pela quarta vez nas últimas seis temporadas, os quartos-de-final de uma competição europeia. A entrada nos oito melhores da Liga Europa trouxe naturalmente uma grande alegria à família benfiquista espalhada pelo mundo, e muito particularmente aos emigrantes portugueses de Paris, que puderam presenciar in loco mais um triunfo internacional do seu clube. Vivendo o Benfica à distância, muitos desses compatriotas são um enorme testemunho de amor clubista, e bem merecem que o emblema da sua paixão lhes leve o sabor das vitórias até bem perto do local onde vivem e trabalham. Ultrapassada esta etapa, há que olhar em diante, e perceber que o sonho de uma conquista internacional se está a tornar cada vez mais nítido. A Liga Europa apresenta-se este ano particularmente aberta, e uma presença na final de Dublin, tratando-se naturalmente uma empreitada ainda muito difícil, parece ser um objectivo inteiramente à altura da excelência que a nossa equipa já foi capaz de demonstrar. O sorteio dos quartos-de-final pôs-nos pela frente o PSV Eindhoven, líder da Liga Holandesa, e invicto na corrente época europeia, o que constitui, desde logo, um cartão de visita respeitável. Trata-se de uma equipa forte, com uma veia goleadora notável (72 golos em 25 jogos do seu campeonato), com um plantel recheado de juventude, e de capacidade atlética. É um adversário que não nos traz boas recordações – aquela final de 1988 foi talvez o momento mais triste que o futebol me proporcionou em toda a vida -, mas não é, de todo, inultrapassável. O melhor Benfica, o Benfica que venceu, por exemplo, no Dragão e em Estugarda, será com certeza capaz de disputar esta eliminatória de forma bastante afirmativa, e conseguir o desejado passaporte para as meias-finais, mantendo o sonho de pé. Entre os adversários que o sorteio poderia proporcionar, o equilíbrio era a nota dominante. Pessoalmente, apenas desejava evitar as equipas portuguesas ainda em prova, não só pelo seu valor desportivo, mas sobretudo devido a toda pressão que, inevitavelmente, iríamos ter de suportar dentro e fora dos campos. Gosto que as competições europeias tragam bons jogos de futebol. Não gosto de guerras, nem de terrorismo. Se olharmos para o ranking da UEFA, os dois clubes constantes do quadro dos quartos-de-final com melhor posicionamento são justamente FC Porto e Benfica, seguindo-se este PSV Eindhoven (sendo também estes os únicos antigos campeões europeus em prova). Ou seja, até à grande final de Dublin, temos já a certeza de não encontrar pelo caminho nenhum adversário teoricamente mais forte do que nós (PSV, Sp.Braga e Dínamo de Kiev têm, todos eles, um ranking inferior ao do Benfica), o que de nada valendo se não tiver a correspondente tradução no relvado, não deixa contudo de constituir um precioso sinal quanto ao zelo a emprestar a esta caminhada, e um forte estímulo para acreditarmos que é mesmo possível fazer história. O Benfica está, de facto, perante a possibilidade real de voltar, 49 anos depois, a erguer um troféu europeu. Não creio que tenha existido, nas últimas duas décadas, oportunidade tão clara para romper o maldito jejum imposto pelas profecias de Bela Guttmann, e devolver o Benfica ao seu destino de força universal. Não sabemos se poderão aparecer, no futuro próximo, muitas ocasiões como esta. E até a infeliz circunstância de nos terem afastado da discussão do título doméstico nos empurra para os braços do sonho europeu. Esta oportunidade justifica pois uma aposta total e absoluta. É preciso congregar todas as forças, dos dirigentes aos roupeiros, dos jogadores aos adeptos, para levarmos o Benfica à final da Liga Europa, caminho que terá necessariamente de começar por esta eliminatória frente ao PSV. Espera-se pois que o melhor Benfica da temporada, com toda a energia, com toda a alma, esteja em campo no próximo dia 7 de Abril, quando tiver lugar a primeira-mão da eliminatória com a equipa holandesa. Espera-se também que os sócios e adeptos correspondam à chamada, enchendo o Estádio da Luz, e fazendo reviver as grandes noites europeias do passado, pois isso será ajuda preciosa ao desempenho dos atletas em campo. Nenhum benfiquista com menos de 50 anos de idade viu José Águas erguer a Taça dos Campeões. Para todas estas gerações, o próximo dia 18 de Maio poderá significar a maior alegria desportiva de uma vida. Essa é uma responsabilidade a que a equipa de Jorge Jesus não pode fugir, sabendo-se que no futebol não há vencedores antecipados, e que também não existem campeões sem sorte. Vencer a Liga Europa não pode ser uma exigência, mas terá de ser um pedido. Um pedido forte e sentido. Uma súplica, de todos aqueles que anseiam por uma grande conquista internacional capaz de emparelhar com aquelas que os nossos pais e avós nos contaram, e com as quais nos encantaram o espírito."
LF no jornal "O Benfica" de 25/03/2011

O EQUILÍBRIO POSSÍVEL

"Um breve olhar sobre as contas do primeiro semestre da temporada 2010-2011, permite concluir que o Benfica, apesar da profunda crise financeira, económica e social que o país atravessa, vai mantendo os seus equilíbrios estáveis, reforçando inclusivamente a sua situação económica e patrimonial. O resultado líquido apresentado é positivo – tal significa desde logo uma melhoria face ao período homólogo dos últimos dois anos -, o que se torna particularmente relevante se atendermos ao facto de não estarem consideradas as mais-valias provenientes das vendas de Di Maria (valor ainda reflectido nas contas de 2009-2010), e de David Luíz (a englobar no próximo semestre), e se tomarmos em conta os custos financeiros decorrentes da subida de taxas de juro e “spreads” bancários, aspecto que afectou toda a actividade económica do país, e ao qual, naturalmente, o clube não pôde, também ele, escapar. Para o lucro alcançado muito contribuiu a presença da equipa na Champions League (que rendeu cerca de 10 milhões de euros em prémios, mesmo sem que nela tenhamos atingido sucesso desportivo digno de nota), o que demonstra a importância vital de integrarmos, ano após ano, esta competição – que é um verdadeiro desfile de grandezas e riquezas, ou não lhe chamassem a Liga “milionária”. Estarmos presentes na principal montra do futebol europeu é algo que teremos sempre de garantir, pois além da valorização que permite aos atletas, a sua relevância nas demonstrações financeiras é assinalável, podendo, por si só, fazer toda a diferença nos números finais. É bastante provável que Portugal volte em breve a colocar dois clubes directamente na fase de grupos da prova, o que, a confirmar-se, será uma preciosa ajuda àquele desiderato. Com a entrada directa do segundo classificado do campeonato português, as hipóteses de marcarmos presença frequente na elite europeia - há que o reconhecer - sobem consideravelmente, o que nos deixa, pelo menos no plano financeiro, bastante mais salvaguardados face às torpes influências do sistema, dos árbitros, dos fiscais-de-linha, das bolas de golfe, e de todas as falcatruas que rodeiam o futebol português. É pena que as receitas de bilheteira tenham, neste período, registado uma quebra significativa (quase 20%, mesmo tomando em consideração um acréscimo na venda de lugares cativos). Sem negligenciar as consequências naturais da crise generalizada, tal ter-se-á devido, em larga medida, às condicionantes da fase inicial da temporada, o que demonstra bem quanto arbitragens como as de Olegário Benquerença (em Guimarães), Pedro Proença (na Choupana) ou Cosme Machado (com a Académica na Luz) nos penalizaram, logo de entrada, também a este nível. É de realçar e lembrar, a propósito, a importância da presença maciça dos benfiquistas no estádio mesmo quando as coisas não correm de feição, pois, para além do apoio à equipa, essa participação é também imprescindível ao equilíbrio financeiro da instituição que amamos. Não é aceitável que um clube de expressão meramente regional, como o FC Porto, consiga gerar um maior fluxo de receitas de bilheteira que aquele que é o maior clube do mundo em número de associados. Neste aspecto, é dos benfiquistas, e em particular dos sócios, a palavra final. A crise obriga a sacrifícios, mas também a opções, e entre manter, por exemplo, as mensalidades de canais televisivos que se servem de nós, precisam de nós, mas nada fazem para nos agradecer, ou ir mais vezes ao estádio apoiar a nossa equipa ao vivo, a escolha afigura-se óbvia. Falando de televisão, há que lamentar uma vez mais a total desproporcionalidade entre as audiências que a popularidade do Benfica origina, e o pouco que nos é pago por elas. A principal arma do nosso clube reside na gigantesca massa adepta que semanalmente o vive e o segue, muitas vezes à distância. Se essa força não é traduzida, nem reconhecida, em termos de receitas efectivas, será lícito pensar que podemos até estar perante um caso de concorrência desleal. Este é hoje, sem dúvida, o aspecto mais penalizador para a realidade económico-financeira do nosso clube. Mas 2013 chegará depressa, e então, dada a capacidade negocial já muitas vezes evidenciada pelos nossos dirigentes, em particular pelo presidente Luís Filipe Vieira, poderemos estar certos de que nada mais será como antes. O Benfica verá, enfim, reconhecida, sob o ponto de vista televisivo, a sua grandeza, e o futuro entrará, radioso, pelas nossas portas. Para já, pode pois dizer-se que, dadas as circunstâncias externas, o Benfica está de boa saúde, e em condições de dar o salto para um novo tempo na sua vida."
LF no jornal "O Benfica" de 18/03/2011

UM GIGANTE!

"Devo confessar que, num primeiro momento, a contratação de Roberto não me entusiasmou particularmente. Por se tratar de um jovem, por não actuar num clube de primeira grandeza, não o conhecia suficientemente bem. Parecia-me também que não era de um guarda-redes que o Benfica mais precisava naquela altura, além de o elevado custo da transferência fazer aumentar os riscos. Os primeiros tempos de Roberto na Luz não ajudaram a dissipar as dúvidas. Algumas exibições menos conseguidas lançaram-no para o banco dos réus, e muitos tentaram responsabilizá-lo pelo mau início de época do Benfica (procurando iludir a perseguição de que fomos alvo por parte de certas arbitragens). A verdade é que, volvidos poucos meses, o guarda-redes espanhol tornou-se uma das grandes figuras da nossa equipa. Descontando um ou outro momento menos feliz, Roberto tem justificado amplamente a contratação, mostrando-se um gigante na baliza, e prometendo ainda mais para o futuro. Não esqueçamos que se trata de um jogador com grande margem de progressão, sobretudo atendendo à posição específica que ocupa – na qual a experiência é mãe da perfeição. Recordo que o grande e saudoso Manuel Bento aos 24 anos (idade com que Roberto chegou à Luz) ainda andava pelo Barreirense, e só muito mais tarde viria a tornar-se naquilo que foi: um dos melhores guarda-redes portugueses de todos os tempos. Acresce que Roberto já demonstrou uma característica que ninguém de boa fé lhe poderá negar: é senhor de uma força mental assinalável, através da qual lhe foi possível resistir à campanha negra que certa comunicação social lançou sobre ele naquela fase inicial da temporada – a qual, diga-se, os benfiquistas ajudaram a combater, pois mesmo aqueles que, como eu, não tinham ainda certezas quanto à sua capacidade, nunca deixaram de o apoiar nos momentos mais difíceis. Hoje ninguém duvida que Roberto é um guarda-redes para o futuro. Debaixo dos postes já é quase intransponível. No jogo aéreo vai certamente melhorar com o tempo."

LF no jornal "O Benfica" de 25/03/2011

2011-12 NO HORIZONTE

O médio brasileiro Bruno César é a mais recente contratação benfiquista para a próxima temporada. Ao contrário do que sucedia num passado recente, hoje o Benfica trabalha com bastante antecedência, sendo já possível (ainda estamos em Março) esboçar o quadro de jogadores que Jorge Jesus terá ao seu dispor em Julho próximo. Vejamos:

ENTRADAS: Daniel Wass (Brondby), Bruno César (Corinthians), Nolito (Barcelona), Matic (Chelsea), Nuno Coelho (Académica) e Rodrigo Mora (Defensor)

POSSÍVEIS AQUISIÇÕES: Taiwo e Salvio (este já no clube por empréstimo)

POSSÍVEIS REGRESSOS DE EMPRÉSTIMOS: Urreta, Rodrigo, Fábio Faria, Miguel Vítor, David Simão e Nélson Oliveira

PERMANÊNCIAS PROVÁVEIS: Roberto, Júlio César, Moreira, Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, Jardel, César Peixoto, Airton, Gaitán, Ruben Amorim, Carlos Martins, Saviola, Kardec e Jara

VENDA QUASE CERTA: Fábio Coentrão

VENDAS POSSIVEIS: Javi Garcia, Cardozo, Aimar, Yebda e Eder Luís

POSSÍVEIS EMPRÉSTIMOS: Roderick, Carole, Fernandez e Felipe Menezes

FIM DE CONTRATO: Nuno Gomes, Luís Filipe e Weldon


EVENTUAL PLANTEL*: Roberto - Julio César - Moreira / Maxi Pereira - Luisão - Sidnei - Taiwo - Wass - Jardel - Miguel Vítor - Fábio Faria - César Peixoto / Matic - Salvio - Bruno César - Gaitán - Airton - Ruben Amorim - Carlos Martins - Urreta - Nuno Coelho / Cardozo - Saviola - Mora - Jara - Kardec - Nolito - Rodrigo

*Considerando as vendas de Fábio Coentrão, Javi Garcia e Aimar, com um encaixe total próximo dos 50 milhões de euros

VOCÊ DECIDE!

Os leitores de VEDETA DA BOLA podem escolher, a partir de hoje, e até ao fim de Abril, aquele que é, para cada um de vós, o melhor jogador da Liga Portuguesa. São dadas 25 opções. É só votar, aqui ao lado. Podem também comentar, discutir e protestar.

DE PERNAS PARA O AR

Em criança tinha medo do Sporting. Na adolescência passei à antipatia. Mais tarde limitei-me á indiferença. Hoje sinto pena. Quando se pensava que o clube iria realmente começar a resolver os seus problemas, quando se esperava que pudesse sair do acto eleitoral uma liderança reforçada e inequívoca, eis que o Sporting nos proporciona um dos espectáculos mais degradantes a que assisti num clube de futebol – e já tenho a minha dose, inclusivamente ao vivo, desde os tempos de Vale e Azevedo. Não sei como vai ser possível a Godinho Lopes exercer o seu mandato com uma significativa maioria de sócios contra ele (os de Bruno Carvalho, mas também os de Dias Ferreira e Abrantes Mendes, pelo menos), ou com uma mesa de Assembleia-Geral necessariamente hostil, dadas as trocas de insultos em que a campanha foi fértil. Foi penoso ver um presidente acabado de eleger a fugir da ira dos próprios associados, sob enorme aparato de segurança. Foi grotesco ouvir as declarações de Rogério Alves (acredito que agora finalmente se cale), completamente desfasadas de tudo o que, na realidade, se estava a passar. Tudo isto depois da stand-up comedy proporcionada por Paulo Futre, e da tolerância de Eduardo Barroso para com a eventual lavagem de dinheiro do candidato da lista que integrava (ampla matéria para os humoristas da nossa praça…). Tudo isto num clube onde os sócios correspondentes não podem votar, onde para votar é necessário ir a Alvalade, e onde a contagem parece ser feita boletim a boletim, com os resultados que estão à vista. Com a derrota no Futebol de Praia, com a derrota no Andebol, com a lesão grave do João Pereira na Selecção, com a vitória do Sp.Braga em Olhão, ao fim-de-semana sportinguista restou o triunfo no dérbi de Juniores, parco paliativo para tão profunda e acentuada crise.

A DESTEMPO

Já aqui o disse: não entendo, nem concordo, com calendários internacionais que forçam jogos de selecção no momento em que as competições de clubes estão tão acesas. Mais do que prejudicar o clube A ou clube B, creio que é o próprio futebol que sai a perder com este anti-climax total. Concentrar as partidas internacionais em Maio/Junho (à semelhança das fases finais) seria, no meu ponto de vista, a solução. Os dez ou onze jogos que uma selecção faz por ano cabem perfeitamente num mês, ou num mês e meio, e a atenção dos adeptos (e dos …jogadores) estaria aí seguramente mais estimulada. Em ano de fase final poder-se-ia abrir um espaço adicional em Janeiro (por exemplo), de modo a finalizar as qualificações – que por sua vez talvez não devessem obrigar as principais selecções a jogos com Luxemburgo, San Marino ou Ilhas Faróe. Diz isto quem, como eu, é um amante dos jogos das selecções, e em particular da Selecção Nacional. Diz isto quem, ainda assim, não conseguiu arranjar disposição para perder hora e meia a ver um jogo a feijões com o Chile, que só para Paulo Bento terá tido algum interesse ou significado. Em Junho, sim. Aí estarei na Luz a apoiar a equipa rumo ao Euro. E ninguém me tira da cabeça que estes jogos, disputados nas semanas imediatamente anteriores ao confronto com a Noruega, teriam muito mais utilidade e interesse.

BENFICA: A MAIOR FORÇA DO DESPORTO EUROPEU

Atente-se ao seguinte exercício.
Comecemos por verificar quais os clubes que permanecem nas competições europeias de Futebol:
Vejamos agora as outras modalidades, começando aleatoriamente pelo Futsal:Agora o Andebol:E depois o Hóquei em Patins:E ainda o Basquetebol:E, para terminar, o Voleibol:Como se vê, grande parte destas competições está já em fases bastante adiantadas.
Desafio agora o leitor a contar os nomes dos clubes que surgem por três vezes em todas elas.
Pronto, está bem, eu respondo: nenhum clube aparece três vezes nos quadros.
Agora vejamos se algum aparece por quatro vezes.
.?.ç.?.ç.?.ç.?.ç.?.ç.?.ç.?.ç.?
Sim! Há dois clubes que figuram em quatro competições. Quais? Barcelona e…BENFICA!
Mas se o Barcelona mantém essas quatro participações desde o início da época, o Benfica tinha, há apenas um mês atrás, ainda mais uma (a quinta), pois o Basquetebol foi entretanto eliminado da Challenge Cup depois de ter disputado 14 jogos, e ter ultrapassado duas fases, derrotando cinco adversários.
Lembremos também que três atletas do Benfica conquistaram medalhas nas últimas Olimpíadas (duas delas de Ouro), sem falar nos títulos e vice-títulos europeus e mundiais de Nelson Évora ou Telma Monteiro, por exemplo. Escusado será recordar o campeonato europeu de Futsal, conquistado em Abril de 2010.
Qual é então o clube mais ecléctico da Europa?
Deixo a resposta à vossa consideração, bem como à de alguns candidatos à presidência do Sporting, que julgam viver ainda no tempo de Joaquim Agostinho e Carlos Lopes, e a alguns portistas, que se satisfazem com vitórias pontuais num ou noutro jogo, mas nem imaginam o que é competir em tantas frentes simultaneamente, sempre com fortes ambições.

VAI JOGAR NA TUA TERRA!

Como sabem, não sou fã de Carlos Queiroz, e considero a sua passagem pela Selecção Nacional um acidente. Mas as palavras de Pepe acerca dele são inqualificáveis, e definem o carácter (neste caso a falta dele) de quem as profere.
Em primeiro lugar porque a gratidão é um valor que prezo, e só por essa via poderei entender a convocatória do jogador para o último Mundial (único na sua carreira), depois de uma pausa prolongada.
Em segundo, porque não cabe aos jogadores pronunciarem-se sobre aspectos que os transcendem, muito menos sobre processos que envolvem a entidade que, pelo menos enquanto internacionais, os tutela.
Em terceiro, porque Pepe nem sequer é português, e, no meu ponto de vista, está a mais num grupo onde nunca devia sequer ter entrado. Já que ninguém o tira de lá, ao menos que se cale.

CRIMES E CASTIGOS

De um lado:
DIRIGENTES DO BENFICA AGREDIDOS NAS ANTAS Abril de 1991
-Impune
PRODUTO TÓXICO NO BALNEÁRIO DO BENFICA NAS ANTAS Abril de 1991
-Impune
CARRO DE CARLOS VALENTE APEDREJADO Abril de 1991
-Impune
AGRESSÃO A CARLOS PINHÃO EM AVEIRO 1993
-Impune
AGRESSÃO A MARINHO NEVES 1996
-Impune
REPÓRTERES DA RTP AGREDIDOS NAS ANTAS 1997
-Impune
AGRESSÃO A RICARDO BEXIGA NO PORTO 2004
-Impune
AMEAÇAS TELEFÓNICAS A JOSÉ MOURINHO Maio de 2004
-Impune
CUSPIDELA SOBRE MOURINHO EM STANFORD BRIDGE Outubro de 2004
-Impune
FESTEJOS DO TÍTULO VIOLENTAMENTE IMPEDIDOS NA AVENIDA DOS ALIADOS Maio de 2005
-Impune
AMEAÇAS A COSTINHA Dezembro de 2005
-Impune
AMEAÇAS A DERLEI Dezembro de 2005
-Impune
ATENTADO A CO ADRIAANSE NO OLIVAL 2006
-Impune
PETARDO NA CABEÇA DE PEDRO AFONSO EM FÂNZERES 2006
-Impune
CONFISSÕES DE VÁRIOS CRIMES NO LIVRO "O LIDER" 2007
-Impune
CÃO DE RUI MOREIRA ABATIDO 2008
-Impune
AMEAÇAS DE TIRO NO JOELHO A PAULO ASSUNÇÃO 2008
-Impune
DISTÚRBIOS EM JOGO DE BASQUETEBOL EM MATOSINHOS 2008
-Impune
PETARDOS LANÇADOS SOBRE ADEPTOS DO BENFICA NA LUZ 2008
-Impune
AGRESSÃO A CRISTIAN RODRIGUEZ 2009
-Impune
FÁBIO COENTRÃO ATINGIDO À ESTALADA NO DRAGÃO 2009
-Impune
ESPERA E AGRESSÃO A RUI SANTOS NUM PARQUE DE ESTACIONAMENTO 2009
-Impune
AMEAÇAS TELEFÓNICAS A MANUEL DOS SANTOS 2010
-Impune
OITO CASAS DO BENFICA VANDALIZADAS PELO PAÍS Maio de 2010
-Impune
EMBOSCADAS NA A1 AO AUTOCARRO DO BENFICA Maio de 2010
-Impune
AUTOCARRO APEDREJADO NO DRAGÃO Maio de 2010
-Impune
CENTENAS DE BOLAS DE GOLFE NO DRAGÃO Maio de 2010
-Impune
JORGE JESUS ATINGIDO POR ISQUEIRO NA CARA Maio de 2010
-Impune
DUAS BENFIQUISTAS AGREDIDAS NAS IMEDIAÇÕES DO DRAGÃO Maio de 2010
-Impune
FESTEJOS VIOLENTAMENTE IMPEDIDOS NO PORTO E EM BRAGA Maio de 2010
-Impune
CARRO DA TVI ATINGIDO 2010
-Impune
AUTOCARRO DO BENFICA APEDREJADO NO DRAGÃO Novembro de 2010
-Impune
CENTENAS DE BOLAS DE GOLFE NO DRAGÃO Novembro de 2010
-Impune
ROBERTO ATINGIDO NAS COSTAS Novembro de 2010
-Impune
CENTENAS DE BOLAS DE GOLFE NO DRAGÃO Fevereiro de 2011
-Impune
EQUIPA DE VOLEIBOL APEDREJADA À SAÍDA DE GUIMARÃES 2011
-Impune
CENTENAS DE BOLAS DE GOLFE NO AXA Março de 2011
-Impune
CARDOZO ATINGIDO NO JOELHO Março de 2011
-Impune
CARLOS MARTINS ATINGIDO NA CABEÇA Março de 2011
-Impune
AGRESSÃO RUI GOMES DA SILVA NA FOZ Março de 2011
-Impune
EMBOSCADAS NA A41 APÓS JOGO COM O PAÇOS DE FERREIRA Março de 2011
-Impune
Do outro lado:
VERY LIGHT ATINGE FATALMENTE ADEPTO DO SPORTING NO JAMOR Junho de 1996
-O autor, Hugo Inácio, foi condenado e detido
EQUIPA DE HÓQUEI AGREDIDA NA LUZ 1997
-Vários membros dos No Name Boys condenados e detidos
AUTOCARRO VAZIO INCENDIADO 2008
-Vários membros dos No Name Boys condenados e detidos
FISCAL-DE-LINHA AGREDIDO NA LUZ Setembro de 2008
-Diabo de Gaia impedido de ir ao futebol durante um ano
CARRO DE PINTO DA COSTA ATINGIDO Janeiro de 2010
-Impune
CASA DE COIMBRA APEDREJADA Março de 2011
-Impune
CONCLUSÃO: Se a violência não tem cor (e, pelo que se vê, tem pelo menos uma tonalidade e uma região claramente dominantes), a impunidade parece ser exclusiva de alguns. A diferença entre a civilização e a barbárie está na forma como o crime é punido. E quando se deixa alguém em liberdade só porque é estupidamente recusado o principal meio de prova existente (como aconteceu com Pinto da Costa no Apito Dourado), está a dar-se o sinal de partida para o "vale tudo" que se vê acima.

A PROPÓSITO DE VIOLÊNCIA

Este animal já estará detido?

UM BANDO, UM CHEFE

A história repetiu-se.
Vai repetir-se outra, e outra, e outra vez. Vai repetir-se enquanto o clima de impunidade que grassa no futebol, e no próprio país, prevalecer sobre a lei e a segurança dos cidadãos. Vai repetir-se enquanto os criminosos não forem punidos, e continuarem, por entre “finas ironias”, a gozar com o estado de direito e a rir-se de todos nós.
Branco é, galinha o põe. Pedra é, Super Dragão a atira. E o chefe da caixa, e do bando, continua a apreciar o panorama, passando por cima de tudo o que são princípios, leis, regras ou comportamentos basilares, em nome de vitórias, e mais vitórias, que removam os seus recalcados complexos provincianos.
Prisão era o lugar apropriado para esta teia de crime que, a partir de bares de alterne, casinos clandestinos e outras capelas de sub-mundo, tomou o FC Porto de assalto há cerca de trinta anos. Prisão era o mínimo que se exigia para quem, além de dividir tão pequeno país, além de adulterar resultados desportivos a seu bel-prazer, além de instigar ao ódio e à violência com contínuas e reiteradas provocações, ainda patrocina, por entre omissões e actos, um clima de guerrilha terrorista que ninguém sabe onde, ou como, poderá parar. Prisão era, aliás, onde já estaria Pinto da Costa, se meios de prova evidentes e factuais não fossem desconsiderados e ignorados por tribunais especializados em não incomodar delinquentes.
Sejamos realistas quanto à natureza da espécie humana. O problema não é o crime. Ele sempre exibirá as suas garras. Os Joe Bonannos, os Lucky Lucianos, os Pintos da Costa, os Al Capones irão sempre aparecer. O problema está na impunidade. É ela que nos separa das sociedades mais desenvolvidas, e a avaliar pelo que se passa com as forças policiais, e com os próprios tribunais, sobretudo a norte do país, as coisas não parecem tender a melhorar, mas antes a caminhar no sentido do que de mais tenebroso aprendemos com os livros e filmes sobre a máfia siciliana.
É altura de dizer basta. A brincadeira está a ir longe demais. Isto já não é futebol, nem arbitragem, nem fruta, nem apitos dourados. Isto é terrorismo, e tem de ser extorquido deste Norte que continua a envergonhar-se a si próprio.
A comunicação social tem um papel importante a desempenhar. Não pode ignorar olimpicamente o que se passa, nem confundir isenção com branqueamento. Não pode continuar a tratar de forma igual aquilo que é diferente. Não pode continuar a tolerar um gangster como Jorge Nuno Pinto da Costa - nem numa sociedade que se quer minimamente asseada, nem, por maioria de razão, num desporto que deixa de fazer sentido se não cultivar alguma decência.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Só o respeito pelos leitores, e o desejo de manter o arquivo para memória futura, me obriga a ainda falar de arbitragens num campeonato que já está há muito decidido por elas.
Nada do que se possa passar daqui em diante vai alterar aquilo que foram os desempenhos de Cosme Machado, Pedro Proença, Jorge Sousa e Olegário Benquerença nas primeiras jornadas, e que permitiram ao FC Porto ganhar um avanço pontual e uma força moral que não mais perdeu. Foi aí que o campeonato ficou decidido. Poderia ter sido decidido no mesmo sentido, sem essas influências externas? Nunca o saberemos. E, pela minha parte, gostaria de o ter sabido.

SPORTING-U.LEIRIA
Tanto quanto pude ver, foi um jogo sem casos, sem golos, e sem… futebol.
Resultado Real: 0-0 (a condizer)

FC PORTO-ACADÉMICA
O lance de Rolando, logo aos 2 minutos, é dos penáltis mais claros da temporada. Como aqui já disse, foi o sexto penálti por assinalar contra o FC Porto neste campeonato. Não sei que mais palavras utilizar.
Como seria o jogo com esse eventual golo? Nunca o saberemos. E, pela minha parte, gostaria de o ter sabido.
Resultado Real: 3-2

PAÇOS-BENFICA
O primeiro erro do árbitro foi a tolerância que teve para com Cohene no lance do penálti. Uma agressão sem bola justificava expulsão, e o jogador ainda ficou mais de meia-hora em campo.
O segundo foi a marcação da falta de onde resulta o golo pacense, a qual não existiu.
Resultado Real: 0-5

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 63
FC Porto 62
Sporting 30

O top-erro também segue sem alterações:
1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3
2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º FC PORTO-V.SETÚBAL (13ª jornada) Falcão mergulha para a relva no interior da área, e o diligente Elmano Santos aponta para a marca de penálti, a um minuto do intervalo. Resultado na altura: 0-0 Resultado final: 1-0

UM DESPORTISTA!

Sportinguista, mas sempre respeitador. Convicto, mas sempre profissional. Artur Agostinho foi uma figura simpática para a esmagadora maioria dos portugueses, em particular para os adeptos do futebol.

PURA DIVERSÃO

Meia hora em alta voltagem, e mais dois golos de Nuno Gomes. Assim se poderia resumir, numa linha, tudo o que de relevante se passou na partida de Paços de Ferreira, onde pouco mais estava em jogo do que o brio profissional dos jogadores, e a preparação dos próximos compromissos.
Jorge Jesus decidiu, desta vez, poupar apenas quatro jogadores. Não entraram no onze Fábio Coentrão, Carlos Martins e Sálvio - todos convocados para as selecções, e dois deles em risco de quinto amarelo - para além de Sidnei, este eventualmente por motivos físicos. Atendendo apenas ao cansaço, eu teria resguardado mais alguns habituais titulares, pois o resultado deste jogo não tinha qualquer relevância. Mas se entrarmos em linha de conta com factores como a manutenção do ritmo e dos estados de alerta competitivos, deixo de me sentir em condições de expressar qualquer opinião, limitando-me a manifestar a minha confiança na comprovada sabedoria do técnico encarnado. Por alguma coisa é ele que se senta no banco, e não eu ou qualquer outro adepto.
Com ou sem poupanças, a verdade é que o Benfica entrou em campo de forma avassaladora, e em menos de meia-hora já vencia por 0-3. Esse período foi, aliás, dos mais brilhantes que vimos esta época a qualquer equipa portuguesa, e quando Gaitán assinou a obra-prima que foi o terceiro golo, o resultado até se afigurava escasso para tão eloquente domínio.
O Paços de Ferreira sentia-se claramente limitado no seu meio-campo (todos os titulares castigados), e uma grande penalidade tão evidente quanto desnecessária logo a abrir o jogo não o ajudou em nada. Só perto do final da primeira parte se viu um cheirinho daquilo que tem sido a excelente temporada do conjunto de Rui Vitória. Deu para reduzir distâncias, deu para assustar Roberto, mas foi novamente Javier Cohene (autor do penálti), expulso com segundo amarelo, a enterrar de vez as esperanças da sua equipa.
Obviamente que da segunda parte não se poderia esperar a mesma qualidade de jogo. O Benfica sentiu-se confortável com a vantagem, enquanto que o Paços, a perder por dois golos de diferença, e em inferioridade numérica, percebeu que dificilmente iria retirar alguma coisa da partida. O cruzamento entre estes dois aspectos fez adormecer o jogo, e nada mais parecia poder vir a acontecer, até entrar Nuno Gomes.
A eficácia do veterano avançado benfiquista tem sido notável. Em pouquíssimos minutos de utilização leva já seis golos na temporada, assemelhando o seu desempenho àquilo que, em tempos, se passava com as entradas de Pedro Mantorras. Compreendo Jorge Jesus quando diz que os golos são justamente resultado do momento em que entra em campo, e acredito que, jogando de início, diante de linhas defensivas concentradas, frescas e pressionantes, o avançado não revelasse a mesma pontaria. Seja como for, a sua experiência, e a confiança que deve sentir neste momento, justificam claramente mais oportunidades, e creio que dadas as circunstâncias da temporada, essas oportunidades podem perfeitamente surgir, por exemplo, nos jogos do campeonato que faltam disputar - libertando Saviola e Cardozo para a frente europeia.
Nuno Gomes foi naturalmente a individualidade de maior destaque na noite, mas Gaitán, com uma primeira parte soberba, deve ter impressionado o técnico do PSV que se sentava nas bancadas.
Soares Dias esteve mal ao não expulsar Cohene no lance do penálti (trata-se de uma agressão sem bola), mas no que restou do jogo não teve muito que fazer.
A próxima jornada pode decidir o que ainda resta: título matematicamente entregue ao FC Porto (em caso de derrota), ou, em alternativa, Champions matematicamente garantida para o Benfica (em caso de empate), e, eventualmente, quebra da invencibilidade da equipa portista (em caso de vitória). Devo dizer desde já que não me interessa absolutamente nada o local onde o FC Porto vai comemorar o título, e que me interessa muito pouco se o vai fazer sem derrotas ou não. Todo o meu pensamento está já direccionado para o jogo do dia 7 frente ao PSV, e é apenas a Liga Europa, a Taça de Portugal e a Taça da Liga que me preocupam. Até sugeria que Villas-Boas e Jesus promovessem uma espécie de pacto, de forma a cada um deles poupar no clássico, por exemplo, seis dos onze jogadores mais utilizados no campeonato. Ficava toda a gente a ganhar.