A FINAL COMEÇA HOJE

Com o campeonato afastado dos espíritos, a Liga Europa é claramente o alvo número um do Benfica para o que resta de temporada.
Há ainda duas taças para vencer, mas essas só em finais de Abril vão chamar pela equipa encarnada, pelo que no imediato, a frente europeia deve concentrar todas as atenções e prioridades.
É uma pena que, num momento destes, parte significativa dos jogadores do Benfica dê sinais de grande desgaste. Talvez o plantel pudesse ter sido gerido de outra forma em jogos como os de Alvalade ou frente ao Marítimo na Luz (numa altura em que o campeonato, no meu ponto de vista, já era uma miragem). Mas ninguém como o próprio Jesus, saberá as linhas com que os seus atletas se cosem, pelo que só ele conhecerá a chave para a rentabilização ideal do grupo que tem à disposição.
Apesar de ser dizer mais focalizado no campeonato francês (bluff?), o Paris Saint-Germain é um adversário de respeito. Não jogarão os veteranos Makelelé e Giuly, mas a grande estrela da equipa estará em campo: o brasileiro Nenê, médio goleador. Uma carreira europeia digna de registo não será coisa a desprezar pelos parisienses, nem por qualquer das equipas ainda em prova. Creio que se trata pois de uma eliminatória equilibrada, talvez com ligeiro favoritismo para o Benfica – isto se conseguir colocar em campo o nível a que nos habituou nos últimos três meses.
Neste tipo de eliminatória, com primeira-mão em casa, o resultado ideal passa sempre por uma vitória sem golos sofridos. 1-0 já seria bom, 2-0 seria óptimo, e 3-0 maravilhoso. Mas qualquer vantagem terá de ser considerada positiva, até porque em Paris o Benfica vai previsivelmente encontrar um ambiente muito parecido com o do próprio Estádio da Luz.
Espero que, mazelas debeladas, possa entrar em campo o onze de gala, espero que o estádio esteja cheio, espero que o Benfica vença e, depois, passe a eliminatória. Alguns leitores recordar-se-ão do desejo maior que exprimi por altura da passagem do ano, que era justamente uma presença benfiquista na final de Dublin. Dadas as circunstâncias, dão o potencial já demonstrado pela equipa, creio que essa final (e, naturalmente, o erguer do troféu), mais do que um sonho, deverá ser, neste momento, um objectivo, ou até mesmo, o objectivo.

FRANCESES NA LUZ

Uma história feliz:

MATAR A VERDADE EM MEIA DÚZIA DE PASSOS

1) Arbitragens escandalosas de juízes e assistentes afilhados do sistema, de Lourenço Pinto e da máfia portista – completamente impune graças a um sistema de justiça decrépito e ineficaz -, puxam o Benfica para baixo, e empurram o FC Porto para cima, subvertendo todo o decurso do campeonato.
2) A Sport Tv, detentora dos direitos de transmissão televisiva, e alinhada a norte, filtra as imagens que passa, procurando desarmar as razões de queixa benfiquistas. Os comentários de narradores e convidados fazem o resto.
3) Nos programas de debate televisivo, o alinhamento editorial (sobretudo na SIC Notícias, do qual o sportinguista Paulo Garcia é o principal responsável) privilegia sistematicamente os lances de polémica contra o Benfica – nem que seja uma falta a meio-campo, ou um amarelo por mostrar -, passando quase sempre ao de leve pelos muitos que prejudicam o clube da Luz.
4) Neste tipo de programas, dois opinadores sistematicamente coligados (do FC Porto e do Sporting), fazem, a partir dessa maioria absoluta (contrastante com o peso social dos clubes), os telespectadores de parvos, pretendendo convencê-los do contrário daquilo que (ainda assim) vêm, e por entre sorrisos cínicos e interjeições odientas cumprem o seu papel de branqueamento da realidade, perante a impotência de um benfiquista isoladamente minoritário (apesar de representar o clube claramente mais popular).
5) No fim da época, há festejos na Avenida dos Aliados, e há quem respire fundo em Lisboa por não ter de os suportar no Marquês de Pombal. A gestão de Pinto da Costa e a equipa do FC Porto são amplamente elogiadas em toda a imprensa, inclusivamente por aquela que se esquece rapidamente dos motivos e meios que os levaram a ganhar.
6) O ciclo das vitórias garante estabilidade e dinheiro para se alimentar a si próprio e voltar a vencer, nem que seja com bolas de golfe, com intimidação, com transfusões sanguíneas, com eritropoietina, com agressões impunes, com manipulação mediática, com amarelos distribuídos a preceito, penáltis inventados e outros por marcar - permitindo que Pinto da Costa e seus acólitos dêem largas aos recalcados complexos provincianos que não conseguem esconder.

AS IMAGENS QUE A SPORT TV OMITIU

Veja aqui

SENTIMENTO

Odeiam-nos. Pois odeiem-nos.
Não há ódio que suplante a paixão de milhões. Milhões de almas unidas numa fé.
Paixão e ódio. Duas faces. O bem e o mal. A virtude e o defeito.
Mais do que um jogo, a própria existência. Mais do que uma competição, a própria vida. Os fracos, os que invejam, os que odeiam, contra os fortes, os que amam, os que existem, insistem e persistem.
Ódio? Venha ele. O bem vencerá, senão em campo, nos espíritos. Senão nos factos, nos sonhos. Nos sonhos daqueles que prezam a verdade e a justiça.
Nunca nos destruirão, por mais que tentem, por mais que procurem. A inveja dos fracos é que nos torna fortes. E não há derrotas que nos abalem. Quem é grande, grande será, e nunca, mas nunca, será destruído.
A força de ser único, a força de ser grandioso, a força de ser Benfica. A força de ser o maior clube do mundo, nos afectos, nas paixões, nas glórias.
Fiquem com a inveja. Ficamos com a glória. A glória de uma superioridade inatingível.
Para sempre, BENFICA!

ATÉ QUANDO?

Condicionamento do árbitro na semana anterior; violência e intimidação constantes desde as bancadas, com cuspidelas, arremesso de isqueiros, moedas e bolas de golfe, além dos tradicionais cânticos insultuosos; reiteradas provocações dos jogadores em campo, com entradas violentas e simulação de agressões; reacções acaloradas a cada lance, quer no relvado, quer no banco, procurando desestabilizar e desconcentrar a equipa adversária. Tudo isto se viu, uma vez mais, em Braga. Tudo isto configura um autêntico manual de como ganhar um jogo fora das quatro linhas. Tudo isto passou, uma vez mais, impune.
Não é preciso ser muito imaginativo para perceber a que fonte foi o Sp.Braga beber esta forma de actuar. Pode dizer-se que aprendeu depressa, pois, na verdade, o clima que cria a cada visita do Benfica só encontra paralelo no estádio daquele que é o seu principal aliado, e, ao que parece, sua referência espiritual.
Uns, tal como outros, não jogam futebol. Jogam ódio, jogam sentimentos de inferioridade, jogam complexos provincianos, e, sejamos justos, sabem-no fazer na perfeição.
Choca-me particularmente o que se passa nas bancadas. Não se trata de atitudes individuais. É sim uma cultura de clube, arquitectada e interpretada por gente sem nível. É algo que nada tem a ver com desporto, e a que urge pôr fim.
Há seguramente adeptos do Sp.Braga (bem como do FC Porto), que não se revêem neste tipo de atitudes. Lamentavelmente não tenho a certeza de que ainda os possamos tomar como regra. Mais do que um problema futebolístico, há aqui um problema social, cultural e de polícia.
A comunicação social não está isenta de culpas. Por medo ou subserviência, confunde isenção com branqueamento, e continua a tratar como entidades de bem, clubes que, mau grado a sua história, se assemelham hoje a bandos odientos de párias e malfeitores.
Será preciso que uma bola de golfe atinja mortalmente um jogador para que isto termine? A cada deslocação ao norte, vou perdendo a esperança que as coisas se modifiquem de outro modo.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Já falei da arbitragem do Sp.Braga-Benfica. Mas nos outros jogos também há que contar.

FC PORTO-V.GUIMARÃES
Não há nenhum penálti, nem golo mal anulado, mas o critério disciplinar de Jorge Sousa deixou muito a desejar, condicionando claramente o V.Guimarães.
Saúdo Manuel Machado, que ao contrário de outros, não teve medo de falar.
Resultado Real: 2-0

SPORTING-BEIRA MAR
Não conhecia este árbitro (Hugo Pacheco), e espero não ouvir falar dele tão depressa.
O Sporting anda a precisar de auxílio, mas não era preciso que fosse o árbitro a dá-lo, nem que o fizesse de forma tão efusiva.
Um golo mal anulado e um penálti por marcar para o Beira-Mar, podiam, e deviam, ter dado vantagem ao conjunto aveirense. Acabou por ser uma grande penalidade inexistente a garantir a vitória aos leões e a José Couceiro.
Somando à expulsão injusta de Élio, temos matéria para um autêntico escândalo.
Houve ainda um fora-de-jogo mal tirado a Postiga, num lance em que a bola acabou dentro da baliza aveirense.
Resultado Real: 1-2

SP.BRAGA-BENFICA
Recapitulando: golo de livre marcado ao contrário, expulsão injusta de Javi Garcia, amarelos por mostrar a vários jogadores do Sp.Braga (entre os quais Hugo Viana e Kaká que já tinham sido admoestados, e como tal seriam expulsos), cartão amarelo estapafúrdio exibido a Luisão, fora-de-jogo mal marcado a Cardozo quando se isolava e falta inventada a Saviola quando se preparava para o remate. Outro escândalo, ao nível do pior que este campeonato proporcionou.
Resultado Real: 1-1 (não podendo considerar o efeito dos cartões)

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 59
FC Porto 56
Sporting 28
…ou seja, temos 14 pontos de diferença subvertida neste campeonato, o que impediria qualquer equipa do mundo de conquistar qualquer título.
O FC Porto tem bons jogadores, Villas Boas é um bom treinador, fez bons jogos, e até acredito que pudesse vir a ser campeão (a luta estaria acesa). Mas assim não esperem pelos parabéns de ninguém. Este campeonato foi uma fraude.
O top-erro também segue sem alterações:
1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3
2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º FC PORTO-V.SETÚBAL (13ª jornada) Falcão mergulha para a relva no interior da área, e o diligente Elmano Santos aponta para a marca de penálti, a um minuto do intervalo. Resultado na altura: 0-0 Resultado final: 1-0

UMA IMAGEM QUE VALE POR MIL PALAVRAS

Ora aqui está o árbitro assistente que invalidou um golo limpo ao Cardozo em Guimarães, que não viu nenhum dos penáltis existentes nesse mesmo jogo, e que agora, novamente no Minho, levou Xistra a expulsar Javi Garcia, num lance que - ele sabe-o melhor que ninguém - tal não se justificava.
Chama-se José Cardinal, pertence à A.F.Porto, é portista de gema, afilhado de Lourenço Pinto e Paulo Costa, e foi ele, mais até do que Benquerença, que originou o beija-mão de Setembro do ano passado, que a foto acima documenta.
A única boa notícia é que está a terminar a carreira.

CARNAVAL DE SÉRIE X

A quem (como eu) já há muito não acreditava no título, esta derrota do Benfica, per si, não incomodou particularmente, nem, muito menos, pôde servir para beliscar a confiança na equipa face aos compromissos que ainda tem pela frente. A longa série vitoriosa teria de terminar um dia, o jogo de Braga era à partida um dos mais difíceis, e retirar o título de vez das cabeças de jogadores, técnicos, dirigentes e adeptos, pode até trazer consequências positivas no futuro próximo - designadamente ao nível da necessária concentração de energias na frente europeia, onde creio existir uma oportunidade efectiva de escrever história.
O que era dispensável é que fosse uma vez mais a arbitragem a empurrar o Benfica para longe do primeiro lugar. É verdade que Roberto voltou a errar, mas foi Carlos Xistra o homem mais em foco no desfecho deste jogo, de par com um árbitro assistente de simpatias já bem conhecidas. Ironicamente, a luta pelo campeonato nacional acaba por terminar para o Benfica da mesma forma que havia começado: erros de Roberto a iludir arbitragens desavergonhadamente hostis.
Sabe-se que todo o cortejo anti-benfiquista vai agora rejubilar, e que as queixas em relação ao árbitro vão ser escarnecidas, e tomadas como desculpas de mau perdedor. O que é facto é que o Benfica averbou 5 derrotas neste campeonato, e em 4 delas houve clara influência dos árbitros. Quem não se queixaria de uma coisa assim?
A falta que origina o empate é, como todos já viram (decerto o próprio Xistra também), assinalada ao contrário. Poderia ter sido um simples erro de análise, condicionado pela pressão do banco bracarense, e pelo inqualificável teatro de Alan (matéria em que os jogadores do Braga se têm vindo a especializar, fazendo lembrar a escola do seu treinador). Mas onde se percebeu claramente que o campo estaria inclinado, e que havia um intuito claro de resolver neste domingo a questão do título, foi no critério disciplinar. Xistra expulsou injustamente Javi Garcia naquele lance, mas mostrou também cartões amarelos perfeitamente ridículos a jogadores do Benfica (veja-se o de Luisão), permitindo, por outro lado, total impunidade aos bracarenses, nomeadamente a Kaká, Hugo Viana e Sílvio, que só com a protecção do juiz albicastrense não foram mais cedo para os balneários. Se juntarmos dois foras-de-jogo duvidosos assinalados a Cardozo e Jara (o segundo talvez se aceite, mas no primeiro o avançado encarnado está em linha), e uma falta incrivelmente assinalada a Saviola num lance em que se isolava para rematar, temos um conjunto de erros capaz de se traduzir numa arbitragem verdadeiramente carnavalesca.
Lamento também que o fim do ciclo de vitórias tenha terminado precisamente perante esta equipa minhota. O Sp.Braga (que, diga-se, utilizou nesta partida 8 jogadores com ligações passadas, presentes ou futuras a FC Porto e Sporting), não sei se por acção directa de António Salvador, se de Domingos Paciência, ou simplesmente devido à corja de delinquentes que constitui grande parte da sua massa adepta, tem vindo a tornar-se num emblema particularmente antipático. Desde a pressão sobre o árbitro – durante a semana, e durante o jogo -, à violência nas bancadas; desde a agressividade extrema posta em campo contra o Benfica (sobretudo se fizermos a analogia dos jogos ante outros adversários), às constantes simulações de agressão; desde as provocações e intimidação de jogadores, dirigentes e adeptos, às declarações cínicas do treinador, tudo tem servido ao Sp.Braga (que na quinta-feira terá certamente aquilo que merece) para hostilizar o Benfica. Este tipo de comportamento, que se vê apenas no Axa e no Dragão, é algo que terá de merecer da comunicação social (já nem falo dos poderes do futebol) outro tipo de tratamento. Os jogadores do Benfica não têm obrigação de suportar mais isto, nem são pagos para levar com bolas de golfe na cabeça. Há limites para tudo, e estes há muito que foram ultrapassados. Mas isso é matéria para desenvolver noutro texto.
Por agora fica apenas o alívio de este deslocação ter terminado sem lesões entre os benfiquistas, de não ter havido mortes nem traumatismos cranianos, e de Jorge Jesus ter tido o bom senso e o pragmatismo de privilegiar a preparação do jogo europeu, tal como eu tinha aqui defendido.
Agora é simples: apostar todas as fichas na Liga Europa até à semana da Páscoa (altura em que terão lugar, quer a segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, quer a final da Taça da Liga), de modo a que, por esses dias, a presença nas meias-finais europeias possa ser também já ela uma realidade. Isto acreditando que na Liga Europa não haja Xistras, Benquerenças, transfusões sanguíneas, nem bolas de golfe.

UMA HIPÓTESE

Jesus saberá melhor que ninguém quais os jogadores a necessitar de repouso. Visto de fora parece-me que Sálvio, Gaitán e Saviola são os casos mais problemáticos, sendo que para Fábio Coentrão e Maxi Pereira, com Amorim e Peixoto lesionados, não existem grandes alternativas.
Caso o FC Porto perca pontos no sábado ante o V.Guimarães, admitiria forçar um pouco o risco, e utilizar o melhor onze. Caso contrário, o Paris Saint-Germain deve merecer toda a prioridade.
Braga seria também um bom local para Luisão e Coentrão verem o 5º cartão amarelo, pois o jogo seguinte é em casa frente ao Portimonense.

SILÊNCIO CONVENIENTE

Apesar das queixas absurdas de José Couceiro acerca duma simples lei da vantagem não concedida em lance passado no seu próprio meio-campo; apesar de, sabe-se lá porquê, os principais jornais desportivos nem sequer mencionarem o facto; apesar dos comentários televisivos também o ignorarem, a verdade é que, no lance do golo do Sporting, Postiga parte em posição de fora-de-jogo, pelo que o golo é ilegal.
Foi este, de resto, o principal erro da equipa de arbitragem na partida da Luz.

SEM PIEDADE

Entretanto já li por aí comentários de sportinguistas quase eufóricos com o facto de não terem sido goleados. Sinal dos tempos...

A CARTA A GARCIA

Quem esperava um dérbi muito desequilibrado, e apostava numa vitória folgada do Benfica (e a avaliar pelos comentários que se ouviam nas bancadas, não seriam poucos), talvez tenha ficado algo surpreendido com aquilo que se passou na Luz.
Não foi o meu caso, que, já com cerca de 100 dérbis no palmarés pessoal, sempre tenho muito respeito por estas ocasiões. Afinal de contas o Benfica não ia jogar com o Desportivo das Aves, mas sim com a equipa que está imediatamente atrás de si na classificação do campeonato, e que fazia deste jogo a tábua de salvação de toda uma época. É sabido que este tipo de partidas acarreta sempre uma imprevisibilidade muito própria, as equipas agigantam-se, e os resultados acabam por fugir às expectativas mais racionais. Acresce também que a recente mudança de treinador ameaçava trazer alguma revitalização ao leão moribundo, como de resto veio a verificar-se.
Jorge Jesus terá pensado da mesma forma, coisa que se percebe olhando para o onze inicial apresentado - sem quaisquer poupanças como aqui defendi, ao contrário do que a maioria da comunicação social conjecturava.
O jogo foi intenso, a pressão no meio-campo muito forte, e durante algum tempo o Benfica não mostrou argumentos físicos para lidar com ela da melhor forma, evidenciando um desgaste natural e expectável face à sequência de jogos a que a maioria dos seus principais jogadores tem sido submetida. O Sporting apareceu bem organizado, percebendo-se, pela primeira vez na temporada, uma ideia de jogo clara, equilibrada e consistente. Acabaria por prevalecer a maior qualidade individual e colectiva da equipa encarnada, mas há que reconhecer que um Sporting com esta cara não estaria certamente a passar pelos problemas que tem tido ultimamente, o que também prova a inabilidade de Paulo Sérgio em lidar com um plantel limitado, mas ainda assim claramente superior aos resultados produzidos.
O golo do Sporting surgiu com naturalidade, num momento em que o Benfica deixava fugir o controlo do jogo por entre os dedos. O empate (na sequência de mais um penálti falhado por Cardozo) traria uma tonalidade mais vermelha à partida, e ao intervalo a igualdade ajustava-se, tendo em conta o relativo equilíbrio entre a preponderância de uma e outra equipas no tempo de jogo.
O segundo período mostrou um Benfica de mangas arregaçadas em busca do seu objectivo. O futebol encarnado ganhou velocidade e critério, e o domínio do sector intermediário (onde Javi Garcia imperou), foi paulatinamente empurrando os leões para as imediações da sua área, onde se foram acantonando sem deixarem todavia de espreitar o contra-ataque e a hipótese de, num momento de felicidade, ganharem vantagem.
Pouco tempo antes de tudo se decidir, Roberto negou, na outra baliza, o golo a Matias Fernandez. Seria uma injustiça, mas muitas vezes é por esses mesmos caminhos que o futebol capricha em seguir.Quando, já em tempo de descontos, Javi Garcia deu então o triunfo ao Benfica, e fez explodir das bancadas da Luz, senti um suspiro de alívio. Confesso que as grandes penalidades - com o especialista Rui Patrício do outro lado - me deixavam alguma apreensão, até porque o efeito anímico de um empate caseiro, e da quebra da sequência vitoriosa precisamente num jogo a eliminar, poderiam fazer-se sentir nas pernas (e nas cabeças) de quem tivesse a responsabilidade de rematar. Não foi necessário passar por esse crivo, e no balanço do jogo pode dizer-se que ganhou a melhor equipa, mesmo sem que se tivesse superiorizado ao seu adversário com a exuberância que se vira, por exemplo, na partida de Alvalade. Viu-se, em suma, o melhor Sporting e um Benfica apenas razoável, sendo que, nesta altura, o primeiro não chega para vencer o segundo.
Individualmente destacou-se Javi Garcia, quer pelo golo, quer pela forma categórica como se impôs no meio-campo, sobretudo nos períodos de maior domínio encarnado. Franco Jara também entrou muito bem no jogo, acabando também ele ligado ao lance do golo da vitória.
No lado do Sporting André Santos, Matias e Hélder Portiga foram os jogadores mais em foco, se bem que a maior diferença da equipa face ao seu passado recente esteve na organização colectiva.
Quanto à arbitragem, há que dizer que o golo do Sporting é irregular (Hélder Postiga está ligeiramente deslocado no momento em que a bola sai dos pés de Matias), pelo que custa a entender a postura de José Couceiro nas suas declarações finais a propósito de um ou outro lance longe das balizas (velha escola…). De referir também que o tempo de compensação atribuído por Jorge Sousa no fim do jogo foi incompreensível – três minutos, quando se justificariam, no mínimo, cinco -, ainda que, talvez contra a sua vontade, esse tempo tenha chegado para que o golo aparecesse.
O Benfica espera agora adversário para a sua primeira final da temporada. Espera-se que outras se lhe sigam.

POR VEZES ACERTAM

A IFFHS considerou o Benfica o melhor clube do mundo no mês de Fevereiro.
Para muitos, as estatísticas desta instituição só interessam quando os favorecem, citando-as com fervor em programas de televisão. A mim não interessam nunca, pois são baseadas em critérios quase sempre absurdos - capazes, por exemplo, de colocar o Arsenal 4 lugares à frente do Real Madrid num ranking da década, quando os "Merengues" foram duas vezes campeões europeus (2000 e 2002) e quatro vezes campeões nacionais, enquanto os "Gunners" nunca venceram uma Champions e apenas alcançaram dois títulos domésticos nesse período.
De qualquer forma fica a informação, para quem nela tiver interesse.

COM TUDO!

Para mim não há competições maiores nem competições menores. Há competições desportivas, e são todas para ganhar.
Há também competições que podem ser efectivamente ganhas, e outras cuja vitória, em determinadas circunstâncias, não passa de um sonho longínquo. É para as primeiras que eu aponto preferencialmente, pois são os troféus, e não as carreiras, que no final de cada temporada vão ficar na história.
Aprecio bastante o esforço que a equipa do Benfica tem feito para manter pressão sobre o FC Porto no campeonato. A manutenção da chama do título tem enchido o estádio, tem motivado a equipa, mas, honestamente, estou convencido de que será um esforço inglório. Se significar uma menor aposta em provas como a Taça de Portugal ou na Taça da Liga (já nem falo da Liga Europa), correr atrás do campeonato será correr atrás do fracasso, expondo o clube, a equipa e os adeptos a uma quase certa desilusão.
Por tudo isso, não admito poupanças em jogos como o de hoje, que temo se venha a tornar bem mais difícil do que parece. A poupar alguém, que seja em Braga, até como forma de melhor preparar o importantíssimo jogo europeu.
Ao contrário do que disse Jorge Jesus, para mim as prioridades são Liga Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga, por esta ordem. Se sobrar energia para manter a luta pelo título, encantado. Se houver que prescindir de alguma coisa, que seja daquilo que já está bastante longe do alcance da mão.
Deste modo, seria esta a minha equipa para o dérbi:

25 ANOS DE BENFIQUISMO PROFUNDO

Este vosso amigo já é "Águia de Prata".
Peço que me perdoem, mas a ocasião justifica um post ligeiramente intimista.
Como não sei se estarei vivo daqui a 25 anos, este pode até vir a ser o único emblema da minha vida, pelo que, recebê-lo, não pôde deixar de se tratar de um momento importante.
Confesso que é talvez o objecto que mais prezo, neste momento, entre todos os meus poucos haveres. Tem já um cantinho especial na minha casa. E tem um valor acrescido pois, ao contrário de muita respeitável gente, a mim ninguém me fez sócio. Fui eu que quis sê-lo, nos dias que se seguiram às muitas lágrimas que soltei pela eliminação da Taça das Taças 85-86 aos pés do Dukla de Praga. Só agora recebi o emblema, mas sinto-o 200% meu, pois foi conquistado pelas minhas próprias mãos, e pela minha própria alma.
Sou uma pessoa modesta. A única coisa que me faz envaidecer é justamente o meu benfiquismo, pois é o único aspecto da vida em que, de nariz bem no ar, afirmo convictamente que ninguém, mas mesmo ninguém, me ultrapassa. Quando muito admito que me igualem.
25 dos 107 anos do Benfica são meus. Estou, por isso, duplamente de parabéns. Orgulhosamente.

CLASSIFICAÇÃO REAL

As estratégias do anti-benfiquismo para diluir as razões de queixa do clube da Luz face às arbitragens são há muito conhecidas. Desde os tempos de Pedroto que algumas delas foram sendo utilizadas, e, reconheça-se, o êxito sempre foi apreciável. Agora surgiu uma nova.
Aconteceu pela primeira vez no V.Guimarães-FC Porto, e voltou a repetir-se neste Benfica-Marítimo. Uma equipa é prejudicada, e os responsáveis da outra apressam-se a queixar-se, fazendo-o com a veemência suficiente para que as suas alegações pareçam verdadeiras. Primeiro foi André Villas-Boas a vociferar por um jogo onde o grande erro do árbitro tinha sido um penálti perdoado ao FC Porto. Agora foi Pedro Martins, queixando-se de uma arbitragem que também não viu um penálti contra a sua equipa, e afirmando que os juízes não souberam resistir á pressão do estádio, quando se assistira, pouco antes, precisamente a um golo anulado ao Benfica já nos descontos, em lance, no mínimo, merecedor de algumas dúvidas, pelo menos num primeiro visionamento. Não sei pois o que significaria, no entendimento dele, resistir à pressão do estádio.
É verdade que o Marítimo já foi muito prejudicado neste campeonato. Andou durante semanas a pagar a ousadia do seu presidente no caso Kleber. Mas neste jogo, se existem razões de queixa (e existem), elas são do lado do Benfica.
O que aconteceu depois da partida terminar está a servir para, uma vez mais, a partir do nada se fazer um caso. Discussões daquelas surgem em todos os campos, desde a Liga dos Campeões aos Distritais. Nem sequer se sabe o que cada um dos intervenientes disse, nem o que motivou os desentendimentos. Confundir aquilo com agressões selváticas a pontapé dentro de túneis é confundir a estrada da beira com a beira da estrada. O grande caso deste Benfica-Marítimo foi um penálti que ficou por marcar ainda na primeira parte, com o qual o jogo poderia ter sido totalmente diferente, e muito menos desgastante para a equipa da Luz. Já o grande caso do Benfica-Nacional havia sido, se nos recordarmos, um penálti que então ficou por assinalar sobre Sálvio, no lance que antecedeu o primeiro golo. São estes, a juntar a muitos outros, os casos do nosso campeonato. São estes, a juntar a muitos outros, os casos que fazem deste campeonato o mais subvertido desde que o "Apito Dourado" se tornou do conhecimento público.

OLHANENSE-FC PORTO
Não vi o jogo, nem sequer vi resumos. No sábado, quando me dirigia para uma sala de cinema para ver o último filme do Woody Allen, passei por um ecrã de televisão onde se via a repetição do segundo golo. Foi a única imagem que vi da partida, mas, pelo que sei, não existiram casos graves.
Resultado Real: 0-3

BENFICA-MARÍTIMO
Já falei do penálti, que me parece óbvio. É verdade que o jogador está de costas, mas o movimento que faz com o braço é claramente no sentido de tentar interceptar a bola.
Aceito o golo anulado, embora sublinhe que noutros estádios seria difícil tomar tal decisão, aos 91 minutos, com o jogo empatado. Na Luz, pelo que se vê, acontece todos os anos.
Poderei acrescentar que o cartão amarelo a Aimar é ridículo (o lance deveria ter originado, sim, um livre perigosíssimo a favor do Benfica), e que foi poupada a expulsão de um madeirense perto dos 60 minutos, por o respectivo segundo amarelo ter ficado no bolso.
Nota ainda para as palhaçadas constantes de Djalma, mostrando que já deve ter tido algumas lições de comportamento “à Porto”.
Resultado Real: 3-1

NACIONAL-SPORTING
Não sei se continua a valer a pena falar dos jogos do Sporting, quando nem os seus próprios adeptos já os vêem. Digo todavia que o golo do Nacional me pareceu irregular, muito embora as imagens sejam bastante difíceis de analisar devido ao nevoeiro. O penálti foi bem assinalado, e o lance entre Torsiglieri e Mateus parece-me consubstanciar a tradicional carga de ombro.
Resultado Real: 0-0

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 58
FC Porto 53
Sporting 28

O top-erro também segue sem alterações:
1º SPORTING-V.GUIMARÃES (11ª jornada) Golo fantasma concedido pelo árbitro auxiliar, num lance em que a bola bate apenas na trave, e em que o guarda-redes vimaranense é empurrado, ele sim, para dentro da baliza. Resultado na altura: 1-0 Resultado final: 2-3
2º RIO-AVE-FC PORTO (3ª jornada) Rasteira clara de Álvaro Pereira a um avançado do Rio Ave dentro da área, a que Jorge Sousa fez vista grossa. Resultado na altura: 0-1 Resultado final: 0-2
3º FC PORTO-V.SETÚBAL (13ª jornada) Falcão mergulha para a relva no interior da área, e o diligente Elmano Santos aponta para a marca de penálti, a um minuto do intervalo. Resultado na altura: 0-0 Resultado final: 1-0

CALDEIRÃO DE EMOÇÕES

Nem sempre as grandes exibições, ou as goleadas, garantem o efeito anímico equivalente ao de uma vitória conseguida no último segundo, após uma reviravolta sensacional e só ao alcance de jogadores hiper-confiantes. Foi o caso deste jogo com o Marítimo, em que a equipa encarnada mostrou o carácter de grande campeã, respondendo nos instantes finais, de forma esmagadora, às vicissitudes de um jogo que nem sempre lhe correu de feição.
Vencer um jogo aos 94 minutos é algo que, para além de lançar o grupo de trabalho e os adeptos num clima de total euforia, enerva e fere profundamente os rivais. A esta hora, André Villas-Boas e o seu adjunto devem estar frustrados (utilizando as suas próprias palavras), ao ver que as jornadas passam e não conseguem libertar-se do fantasma que os persegue. Quando Djalma marcou o golo madeirense terão pensado que era desta. Debalde. O Benfica está fortíssimo, resiste a tudo, e com 55 mil pessoas nas bancadas a apoiar incessantemente ainda encontrou forças nas pernas e na alma para chegar à 17ª vitória consecutiva, mantendo um registo cem por cento vitorioso no ano de 2011.
Sabemos que não há campeões morais. Mas deveriam existir campeões da seriedade, e ao recordarmos as origens da desvantagem pontual que a classificação do campeonato ainda reflecte, não podemos deixar de atribuir essa menção ao conjunto de Jorge Jesus. Tal não irá contar para as estatísticas oficiais, mas deve ao menos servir para reforçar o orgulho que esta equipa merece da parte dos benfiquistas, que nunca poderão esquecer porque motivo ela está apenas em segundo lugar numa competição que deveria, com justiça, liderar. Ganhar jogos sucessivamente, encher estádios, deslumbrar adeptos, impressionar críticos, mostrar um carácter ímpar, também é, de algum modo, ser campeão, e se forças externas conseguirem tirar este título ao Benfica (como parece poder vir a acontecer), ninguém poderá acusá-lo de não o saber defender. O Benfica tem sabido manter o seu título, tem sabido jogar e ganhar como um campeão, e se continuar nesta senda até ao fim, o campeonato 2010-2011 entrará para a história do futebol português como um dos mais injustos de sempre.
Uma vez mais não me apetece destacar individualmente qualquer jogador do Benfica. Diria mesmo que nem me apetece destacar a equipa de futebol do Benfica de todos os 55 mil adeptos que se deslocaram à Luz. Como Jesus bem disse, foi a simbiose entre relvado e bancadas que permitiu o suplemento de alma necessário a uma vitória sofrida, mas muito, muito, saborosa.
O árbitro esteve bem ao anular o golo a Luisão (Cardozo parece efectivamente carregar o guarda-redes adversário), mas esteve mal ao não conceder o penálti naquele corte com a mão ainda na primeira parte. O jogo poderia ter sido mais fácil, mas, já tranquilamente em casa, confesso que gostei mais assim.

ISTO NÃO MERECE PALMAS. MERECE MÚSICA!

Exibição de gala, triunfo incontestável, eliminatória tranquilamente ultrapassada, ponto final na malapata germânica, 16ª vitória consecutiva, prestígio reforçado. O que mais poderia desejar o Benfica desta quinta-feira europeia?
Na verdade, começam a escassear adjectivos para qualificar a extraordinária equipa de Jorge Jesus. Mesmo depois de encaixar quase 80 milhões de euros nas vendas de três dos seus principais activos, o Benfica continua, impávido e sereno, a deslumbrar plateias com um futebol maravilhoso e terrivelmente eficaz. Neste jogo mostrou uma vez mais todas as suas virtudes, vulgarizando um adversário forte (a Bundesliga não é a Liga Sagres, e à excepção de Benfica e FC Porto, não vejo equipa portuguesa superior a esta), resolvendo, com distinção, uma eliminatória que há uma semana atrás chegara a parecer ameaçada.
Dá gosto ver jogar este Benfica. Sobretudo quando veste o fato de macaco e parte de uma atitude humilde para desde aí atingir o esplendor de todo o seu brilhantismo. Em Estugarda, a equipa da Luz começou a ganhar o jogo justamente na atitude competitiva com que o iniciou, lutando por cada posse bola como se fosse a última, enfrentando cada duelo individual como se fosse o único.
A história do Benfica é uma história de trabalho, de querer e de raça. Trata-se, afinal, de um clube que veste da cor do sangue e da cor da gente. É esse o seu ADN, e quando os seus profissionais o interpretam em campo da forma exuberante que se viu, o futebol transforma-se em muito mais do que um simples jogo. Será disto que falamos quando falamos de “Mística”?
Que dizer mais do talento de Gaitán ou Sálvio? Que dizer mais da perseverança de Jara, da classe de Aimar, da eficácia de Cardozo, da generosidade de Maxi ou da segurança de Luisão? Este Benfica supera largamente a capacidade do analista para o qualificar, e, mais do que escrever sobre ele, deixa-me vontade de simplesmente o contemplar, e me deleitar com o aroma do seu inigualável perfume.Esta vitória e esta exibição (porventura a melhor da época, e uma das melhores a nível internacional nos últimos anos) enchem de alegria a nação benfiquista, e reforçam a confiança numa temporada que pode ainda vir a ser histórica. A jogar assim todos os sonhos são possíveis, inclusivamente o de voltar, quase cinquenta anos depois, a erguer uma taça europeia.
Destaques individuais? Numa equipa que joga colectivamente tão bem, será quase um sacrilégio fazê-los. Não deixo todavia de notar o impressionante jogo de Franco Jara, a quem só faltou um golo para tornar perfeita uma noite em elevadíssima rotação.
Arbitragem? Um jogo como este nem merecia árbitro. E com tanto com que regalar o olho, confesso que nem dei pela sua presença em campo.