PONTAPÉ NA CRISE

Após quatro jogos sem marcar qualquer golo, a visita a Guimarães para a Taça da Liga representava para o Benfica muito mais do que os três pontos no respectivo grupo de apuramento. Mais do que o jogo, mais do que a própria competição, interessava saber até que ponto a equipa reagia ao desastre da Trofa, e particularmente como se comportavam os jogadores, depois das conhecidas reprimendas de que foram alvo nos últimos dias.
Pode-se dizer que a resposta foi amplamente esclarecedora. O Benfica venceu, fez uma excelente exibição, mostrou vontade, ambição, disponibilidade, consistência, e afastou, para já, os piores cenários. Nem quero imaginar o que seria o jogo com o Braga na sequência de uma eventual derrota ocorrida hoje, mas não é difícil perceber que o fio começava a estar colocado sobre a navalha.
Paradoxalmente, a prestação de alguns jogadores acabou por dar razão a quem os criticava. O rendimento de unidades como Aimar (talvez o seu melhor jogo em Portugal), Yebda, Carlos Martins, David Luíz e, sobretudo Suazo – que exibição !! -, subiu de forma clara face aos últimos desempenhos, sendo inegável que residiu na extrema generosidade destes e de outros jogadores o principal pilar da segurança que o Benfica sempre patenteou no D.Afonso Henriques. Os encarnados venceram graças à sua força colectiva, mas esta alicerçou-se fundamentalmente na subida de produção de quase todas as suas individualidades (a excepção foi Balboa), e até Moretto esteve irrepreensível.
É verdade que o golo obtido cedo foi algo facilitado pela defesa vimaranense. Mas já antes o Benfica podia ter marcado, e depois, ao longo de todo o jogo, foi sempre dos encarnados o controlo das operações, mesmo nos momentos em que as suas linhas se situaram estrategicamente mais atrás, procurando ganhar as costas da defesa vimaranense em lançamentos longos para a velocidade e poder de choque de Suazo. Pode-se dizer que o Benfica acabou por dar sempre a sensação de estar mais perto do 0-2 do que do empate, 0-2 esse que acabaria por se concretizar já perto do fim, num excelente lance muito bem concluído por Carlos Martins.
Esta vitória criou as condições para as coisas se tranquilizarem no reino da águia. Um novo triunfo diante do Sp.Braga pode fazer o Benfica retomar o rumo que a dada altura parecia anunciar uma temporada de sucesso, acalmando definitivamente as hostes dentro e fora do balneário, dentro e fora do clube.
Na Taça da Liga - que se trata de uma excelente oportunidade de poder festejar a conquista de um trofeu, com tudo o que isso significa para os adeptos -, o Benfica colocou-se com este triunfo numa posição invejável com vista ao apuramento para as meias-finais, tendo agora dois jogos em casa (Olhanense e Belenenses) para confirmar a sua posição, e tentar ser um dos melhores primeiros de modo a jogar na Luz o acesso à final . Espera-se, exige-se, que não facilite.
Olegário Benquerença esteve mal, prejudicando as duas equipas. Perdoou uma grande penalidade por falta de Maxi Pereira sobre Marquinhos, e cortou dois lances de golo iminente ao Benfica - um deles a Suazo (por suposta e inexistente falta) e o outro a Di Maria (por fora-de-jogo muito mal assinalado).

O MOMENTO DO BENFICA

A primeira derrota do Benfica na Liga Portuguesa, surgida na sequência de uma série de maus resultados e más exibições, gerou uma onda de instabilidade dentro e fora do clube da Luz.
Quando se é grande é assim mesmo. Grandes euforias por pequenas coisas, grandes depressões ao mínimo percalço. É claro que muitos anos sem ganhar títulos em nada ajudam a alterar este estado de espírito, exacerbadamente expresso logo que se antevê nova frustração no horizonte.
A generalidade dos analistas volta-se para os jogadores, culpando-os de pouca entrega e pouca ambição no jogo da Trofa, o que de resto está em linha com as notícias que dão conta da insatisfação de Rui Costa e Luís Filipe Vieira com o desempenho de alguns deles. Há também quem responsabilize o treinador, acusando-o de não ter ainda percebido bem o seu plantel e o próprio futebol português.
Tenho para mim que ninguém está inocente nesta história. Jogadores, treinador e SAD repartem culpas, ainda que eu pense que a coisa não estará talvez assim tão mal como parece – ao fim e ao cabo o Benfica está a um ponto da liderança, apenas perdeu uma vez, e tem o objectivo do título perfeitamente em aberto.
Vamos por partes:

SAD/Rui Costa:
Por muita simpatia que nos mereça a figura de Rui Costa, por grande que seja o seu benfiquismo, sua experiência e seu profissionalismo, há que reconhecer que o plantel do Benfica tem alguns desequilíbrios, sejam eles resultantes de erros de análise ou apostas de excessivo risco, levadas a cabo, em última análise, pelo seu director desportivo.
Não gostaria de nomear ninguém, pois este é o plantel com que o Benfica tem de terminar a época. Parece-me contudo que foi negligenciado um aspecto fundamental, e que se prende com o perfil atlético dos jogadores contratados e dispensados.
Muitas vezes me tenho lembrado de Petit, da sua generosidade, da sua regularidade. Rodriguez era também um dos mais combativos. Para além do próprio Rui Costa, que mesmo em final de carreira deixava a pele em campo. Em troca chegaram jogadores tecnicamente dotados, mas macios, atreitos a lesões, e conhecidos pela irregularidade do seu rendimento.
Por outro lado foi feita uma aposta clara numa equipa de ataque, voltada para o espectáculo, com artistas em série e muitos avançados. Ora é dos livros que uma equipa ganhadora se constrói de trás para a frente, e o plantel do Benfica não oferece, sejamos claros, soluções de grande consistência defensiva.
Por fim, creio que foram feitas demasiadas mudanças, algumas das quais escusadas. Já falei de Petit, podia falar de Nuno Assis, Nelson ou Luís Filipe (jogadores portugueses, familiarizados com o clube e com o campeonato). Se verificarmos que muitas das novas aquisições pouco utilizadas foram, percebemos que não haveria necessidade de (uma vez mais) revolucionar o grupo de forma tão drástica.
Rui Costa é muito inteligente, e de certo aprenderá com os erros. Tem neste momento um grande desafio pela frente que é juntar os cacos de um balneário que parece partido, descrente e intranquilo.
Confio nele.

Quique Flores:
É simpático, tem um discurso interessante e parecia ser um disciplinador.
Nos últimos tempos tenho ficado com algumas dúvidas a respeito deste último aspecto, pois quando o presidente e o director são obrigados a intervir no balneário, a fotografia do treinador não sai muito favorecida.
Também no aspecto técnico-táctico não tenho compreendido algumas das suas opções, nomeadamente a constante mudança do onze; a insistência num modelo de jogo tipicamente espanhol para um campeonato tão específico como o português; a utilização de Ruben Amorim na ala direita quando faz falta no meio; ou o encostar de Léo (e Quim); para além de algumas substituições menos conseguidas.
Mas há que convir que a sua missão era, e é, extremamente difícil. Orientar um clube com a dimensão do Benfica, que não ganha nada há várias temporadas; onde entram e saem, ano após ano (neste defeso também), dezenas de jogadores; com uma pressão mediática tremenda; com o peso de um investimento ímpar; e com um plantel com algumas lacunas, é uma tarefa quase hercúlea. Exigir-lhe milagres não é justo, e se for campeão é mais ou menos disso que estamos a falar.
Creio pois que o maior erro que o Benfica cometeria neste momento seria pôr em causa o seu treinador. Afinal de contas passaram pela Luz Artur Jorge, Paulo Autuori, Manuel José, Jesualdo Ferreira, José Mourinho, Jupp Heynckes, Graeme Souness, José António Camacho, Fernando Santos, Ronald Koeman e nenhum foi campeão, acabando todos eles (mais ou menos) injustamente responsabilizados por problemas estruturais ainda não totalmente debelados, e que impediram o Benfica de vencer ao longo dos últimos 15 anos. A excepção foi Trappatoni, e mesmo esse acabou empurrado, após uma época em que foi insistentemente assobiado por adeptos com um grau de exigência muito acima do que o clube pode oferecer num novo tempo, e numa nova realidade.

Jogadores:
Se toda a estrutura do futebol benfiquista parece ser unânime em apontar o dedo ao desempenho de alguns jogadores, quem sou eu, que não vejo os treinos, que não estou no balneário, para defender o contrário. Se há algum, ou alguns, que não dão tudo o que podem nos treinos e/ou nos jogos, devem ser chamados à razão, e castigados se for caso disso.
Não se pode todavia confundir aquilo que é o perfil futebolístico de determinados atletas, com o seu maior ou menor empenho. Não se pode pedir a um artista como Aimar ou Di Maria que lute pela bola da mesma forma como faz, por exemplo, Maxi Pereira. Cada jogador tem as suas características, e quando se constrói um plantel, ou quando se escala um onze, há que medir todos esses equilíbrios.
Há também vários casos de gritante inexperiência no plantel benfiquista. Di Maria, Sidnei, David Luíz, Binya, Miguel Vítor, Felipe Bastos e Urreta são apenas alguns. Não é justo, por exemplo, crucificar Binya pela mão da Trofa, pois trata-se de um jogador ainda em crescimento – que por sinal parece ser dos que dá tudo o que pode e sabe. Confundir isto com menor empenho é um erro, e pode abalar irremediavelmente a confiança dos atletas, devastando a equipa.
Alguns, se calhar, não são tão bons como se dizia. Mas disso não têm eles culpa.

Adeptos:
Se pensavam que se livravam, enganam-se!
Embora na Trofa o apoio(durante o jogo) tenha sido grande, já houve situações e ocasiões esta época em que os benfiquistas (ou alguns deles) não fizeram o que podiam e deviam para ajudar a equipa. O grau de exigência na Luz é perfeitamente absurdo, e mantém incompreensíveis reminiscências do tempo do Eusébio, o que contribui para intranquilizar os jogadores e prejudicar o seu rendimento. Num momento como este, há que manter a cabeça fria, e deixar os responsáveis actuar, sem pressões nem precipitações, não cabendo a quem está de fora criar ainda mais instabilidade. Tomara que me engane, mas o ambiente no próximo domingo vai ser pior do que jogar em Braga. E depois, quem perde somos todos nós...

Em suma, o que me parece importante neste momento é que todos remem para o mesmo lado. O Benfica está a um ponto do primeiro lugar, depende apenas de si, não perdia para o campeonato havia oito meses, e tem neste ano - fruto sobretudo de um decréscimo portista e de alguma estagnação sportinguista - uma oportunidade de ouro para voltar aos títulos. Ainda há tempo de a não desperdiçar.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Esta foi uma jornada com vários casos, mas em que as arbitragens acabaram por não ter reflexo nos resultados.

V.SETÚBAL-SPORTING:
O lance mais discutido da partida foi uma falta de Anderson Polga perto da linha da área, que teria valido um livre perigoso ao Vitória de Setúbal. Benquerença nada assinalou, cometendo aqui o seu maior erro.
Houve uma outra grande penalidade reclamada, mas aí parece ser o avançado sadino a provocar o contacto.
A expulsão de Carriço é inatacável.
Resultado Real: 0-2

NACIONAL-F.C.PORTO:
O único erro que me recordo foi um cartão amarelo que ficou por mostrar a Raul Meireles, que mais tarde acabaria mesmo por ser advertido.
O penálti é indiscutível. O que se pode discutir é como é que um jogador profissional comete uma falta daquelas naquele momento do jogo. Saberá Felipe Lopes? Por mim, sem querer acusar ninguém, irei estar atento à carreira deste jogador, tal como estive, durante algumas épocas, à de Rolando, hoje no F.C.Porto.
Um verdadeiro Apito Dourado teria de ter passado por situações de facilidade concedidas por defesas e guarda-redes de diversas equipas, suspeitando-se fortemente que durante os sombrios anos noventa elas tenham sido comuns.
Resultado Real: 2-4

TROFENSE-BENFICA:
Não foi por Jorge Sousa que o Benfica perdeu. Mas não se entende a dualidade de critérios na marcação de faltas que o árbitro portuense foi evidenciando ao longo dos noventa minutos.
Qualquer jogador do Trofense que caía, soava o apito do árbitro. Já quando era do Benfica, o jogo prosseguia. Os casos mais evidente foram as faltas assinaladas sobre Hélder Barbosa (numa delas Luisão nem lhe toca), e a que ficou por assinalar, já perto do fim, sobre Balboa.
É interessante a propósito verificar a estatística de faltas da Liga, e ver que o Benfica, justamente acusado de ser uma equipa macia, é de entre os candidatos o que tem mais faltas assinaladas contra, e mais cartões mostrados.
No lance do golo, creio com franqueza que Reguila está em linha com Maxi Pereira. Mesmo que assim não seja, tem de se conceder o benefício da dúvida ao assistente, até porque o lance é difícil de ajuizar em tempo real.
Deixar seguir o jogo quando se tem dúvidas é compreensível. O mesmo não acontece quando se marcam faltas que não existem, e ainda por cima se vem para a comunicação social meter os pés pelas mãos para justificar o injustificável.
Resultado Real: 2-0

CLASSIFICAÇÃO REAL:
F.C.PORTO 28
Benfica 27
Sporting 22

DE QUE RIA ELE ?

Por norma, tendo sempre a defender os jogadores. São eles os meus ídolos, são eles a razão porque gosto de futebol, são eles os intérpretes dos meus sonhos enquanto adepto apaixonado. Quando envergam a camisola do Benfica tornam-se para mim numa espécie de semi-deuses, e quem lê o que escrevo sabe que é muito raro apontar-lhes seja o que for. Há no entanto coisas que não admito nem posso deixar passar em claro.
Ontem, no momento de uma das derrotas mais duras e inesperadas dos últimos tempos, fiquei boquiaberto ao ver Yebda a trocar sorrisos com um jogador do Trofense à saída do relvado.
Eu não ganho um tostão com o futebol, estava em casa a ver o jogo pela televisão, e naquele momento teria dificuldade até em sorrir para o meu filho. Não posso aceitar que um profissional encare a derrota de forma tão … descontraída, eu diria mesmo, leviana, e se ria dela na cara de todos nós.
É também esta revolução de mentalidades que se tem de fazer no Benfica. Já não é a primeira vez que isto sucede, e o francês não foi o único a ter um comportamento deste tipo. Não vejo isso noutros clubes, e talvez esteja também aqui uma das razões de os títulos fugirem ao Benfica há tanto tempo.

UM PREOCUPANTE PASSO ATRÁS

Após quase duas semanas sem ver, ouvir, ler ou falar de futebol, seria difícil esperar um pior regresso à competição. Vitórias de Sporting e Porto (esta obtida nos descontos), e derrota do Benfica no terreno do último classificado, após uma exibição medíocre e com amplos sinais de preocupação, foram as notas dominantes de um fim-de-semana para esquecer.
Efectivamente aquilo que se viu na Trofa foi muito mau, mas acaba por não surpreender muito quem se lembre dos jogos de Paços de Ferreira, de Matosinhos e de Vila do Conde, nos quais - ainda que com sortes finais distintas – algumas das principais debilidades dos encarnados haviam sido repetidamente postas a nu.
Este Benfica revela enormes dificuldades em lidar com equipas fechadas e agressivas, que lhe retiram espaço e lhe tolhem as ideias, não tendo encontrado ainda antídoto para ultrapassar um tipo de obstáculo que a Liga Portuguesa apresenta, semana-sim-semana-não, aos candidatos ao título. Ao contrário do Sporting, que consegue muitas vezes ser eficaz e consistente, e do F.C.Porto, que apresenta com grande regularidade um futebol pressionante, rápido e agressivo, o Benfica tende a procurar as vitórias de forma mais pausada, macia e artística, o que, sobretudo em estádios destes e perante adversários como o Trofense, manifestamente não resulta.

Não creio que o problema seja táctico, nem de entrega ou menor profissionalismo dos jogadores. O que o Benfica tem é um plantel onde existe algum desequilíbrio entre as unidades capazes de garantir alguma agressividade ao jogo, e outras que evidenciam gritantes dificuldades perante essa mesma agressividade. Para além deste aspecto, o plantel encarnado demonstra uma preocupante vulnerabilidade defensiva, sobretudo pelos flancos, o que nem é de estranhar se atendermos ao facto de neste momento dispor de apenas um lateral de raiz (Jorge Ribeiro), e mesmo esse com os melhores momentos da sua carreira passados a meio-campo.
Depois há também questões individuais a que dificilmente poderemos fugir.
O rendimento de Aimar tarda em estabilizar, o que se torna grave quando parece não haver mais ninguém no plantel capaz de assegurar a segunda linha do meio-campo. O argentino não se entende com marcações cerradas, não consegue encontrar espaços, não dá velocidade ao jogo, acabando perdido numa inglória luta contra as suas próprias insuficiências físicas, diante de adversários mais fortes, mais rápidos e mais agressivos do que ele. Em seis meses de Benfica temos um passe de “rabona” e outro de calcanhar, o que não é nada para alguém de quem se esperava que fizesse a diferença, resolvesse jogos, e marcasse o destino do próprio campeonato.
Mas é preciso dizer que também Suazo tem deixado um pouco a desejar nos últimos jogos, mostrando-se um jogador de grande intermitência, alternando exibições espectaculares – sobretudo quando a equipa consegue jogar em contra-ataque – com jogos apagadíssimos, onde quase não remata, pouco pressiona e se vê um tanto perdido em campo. Basta o pequeno, mas cruel, exercício de compararmos as suas prestações com aquilo que vemos semanalmente fazer a Liedson e Lisandro – sempre activos, sempre pressionantes, sempre perigosos e quase sempre eficazes - para se perceber que nem tudo o que se disse há umas semanas atrás sobre esta “Pantera” tem tido real correspondência em campo.
Mas olhando às exibições de Cardozo e Di Maria (cada um jogou 45 minutos), quase se torna injusto criticar o hondurenho. Paraguaio e argentino passaram totalmente ao lado da partida, o que infelizmente já nem é novidade.
Resultado de tudo isto: há quatro jogos que o Benfica não marca um golo.
O campeonato continua em aberto. Um ponto é apenas um ponto, e se quando o Benfica ia na frente era prematuro lançar foguetes, também agora, dependendo só de si, é absurdo deitar a toalha ao chão, sobretudo quando nas três últimas épocas estava nesta altura respectivamente a seis, oito e dez pontos do primeiro lugar.
No último campeonato ganho pelo Benfica, em 2005, houve mais do que um momento em que tudo pareceu perdido, em que tudo foi posto em causa, e afinal tudo acabou em bem. Não há ainda qualquer motivo para deixar de acreditar que tal se possa repetir. A equipa já mostrou ser capaz de coisas positivas, e os adversários já mostraram não estar tão fortes como no passado recente. Há dezassete jogos por disputar. Tudo é possível.
Falta dizer que o árbitro, na linha de grande parte das arbitragens desta Liga, mostrou uma dualidade de critérios inadmissível, assinalando faltas inexistentes ao Benfica (duas delas simuladas por Hélder Barbosa) e perdoando faltas aos defesas do Trofense.
Mesmo os rivais do Benfica concordarão que, pelo menos de entre os três grandes, os encarnados são a equipa mais macia e que mais deixa jogar. Pois é, de longe, a que tem mais faltas assinaladas e cartões mostrados…
Não foi contudo por Jorge Sousa que o Benfica perdeu na Trofa.

ATÉ 2009 !

Devo confessar que Pedro Henriques me toldou um pouco o espírito natalício.
Não quero contudo deixar de desejar um Bom Natal e um Ano Novo cheio de sucessos pessoais e profissionais a todos os leitores, e de sucessos desportivos apenas aos benfiquistas, com a concretização em 2009 daquilo que mais desejamos: o título nacional.
VEDETA DA BOLA vai estar uns dias ausente, regressando no próximo dia 5 de Janeiro.

O GOLO DA VERGONHA

CLASSIFICAÇÃO REAL

Em semana natalícia, o Pai Natal apareceu de forma fulgurante. As prendas foram para os mesmos de sempre. Um ponto aqui, dois pontos ali, muito terá de sofrer o Benfica daqui em diante para continuar na frente do campeonato.

SPORTING-ACADÉMICA:
O caso do jogo foi o suposto golo obtido na marcação extemporânea de um livre perto da área.
Escândalo era se o golo tivesse sido validado. Em Loulé, em 1992, o Porto conseguiu dessa forma, e pela mão do inesquecível Rosa Santos, ultrapassar uma eliminatória da Taça que se estava a tornar complicada. Nas competições europeias o Sporting poder-se-á queixar de semelhante situação. Mas ao contrário do que Paulo Bento por vezes pretende, não se pode corrigir um erro com outro, para mais em competições diferentes.
Resultado Real: 0-0

FC PORTO-MARÍTIMO:
Duarte Gomes, o tal que viu um penalti sobre Jardel na Luz, não assinalou desta vez uma carga clara de Rolando na área portista. Minutos mais tarde, foi a vez de Bruno Alves desviar com a mão uma bola que cruzada por Manú que Djalma apenas teria de empurrar para o golo – foi assinalado canto, o que confirma que o árbitro viu o desvio.
É verdade que foi poupada a expulsão a Cardoso. Aí Duarte Gomes não viu mesmo (as imagens mostram-no de costas), caso contrário certamente teria agido, pois notou-se um constante zelo no sentido de ajudar o FC Porto a chegar à liderança.
Foi uma arbitragem a lembrar os nebulosos anos noventa(já na Reboleira o livre do decisivo segundo golo foi uma invenção). Os anos em que o F.C.Porto, à custa de um sistema de corrupção, tráfico de influências, falsificações, adulterações, compadrio, intimidação e crime, se tornou no gigante com pés de barro que é hoje.
Eu não me esqueço. Até porque de vez em quando surge um Duarte Gomes qualquer a recordar-me o que eram as arbitragens dessa altura, sobretudo naquele sítio.
Resultado Real: 0-2

BENFICA-NACIONAL:
Já disse quase tudo na crónica do jogo. Poderei apenas acrescentar alguns cartões amarelos que ficaram por mostrar, num registo que é habitual no árbitro em questão.
O que não lhe é habitual é assinalar faltas que ninguém vê. Mas como também já referi o Benfica vai ter de se habituar a isso, enquanto estiver à frente, ou pelo menos enquanto o F.C.Porto não estiver no lugar onde os poderes do futebol português durante tantos anos o puseram.
Resultado Real: 1-0

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 27
FC Porto 25
Sporting 19

A MÃO INVISÍVEL

É impossível falar do jogo de ontem na Luz sem ter presente o momento que, para todos os efeitos, o decidiu. Como lamentar a ineficácia do ataque benfiquista se Cardozo marcou um golo ? Como lembrar a sequência de maus resultados, se este jogo deveria ter terminado com uma saborosissima vitória ?
Devo dizer que o meu estado de espírito – de certo comum a milhares de benfiquistas – não é de frustração, nem desilusão, mas sim de revolta. Profunda revolta!
A jornada foi bem escolhida – em semana natalícia, sem muita pressão mediática, com uma pausa para resfriar ideias, lembranças e contestações. Tudo começou no domingo, com dois penáltis escamoteados ao Marítimo no Dragão. Tudo se concluiu ontem, com um golo limpo invalidado ao Benfica. De uma diferença pontual de cinco pontos, fica uma de dois. Duarte Gomes e Pedro Henriques, dois árbitros lisboetas, são os responsáveis, e o desfecho do campeonato dirá por que consequências.
Gostaria de não ter de falar de tudo isto, de remeter as arbitragens para um pequeno post sobre a classificação real. Mas quando um árbitro conhecido por assinalar poucas faltas e deixar jogar anula um golo limpo ao minuto 91 de um jogo importantíssimo, por um motivo que nenhuma repetição televisiva confirma, não há como fugir ao tema, não há como calar a revolta.
O que ficou para trás do jogo da Luz pouco interessa. Meia hora final muito boa dos encarnados, jogo mastigado e desinspirado até então. Problemas nas faixas laterais e na construção do ataque (e Aimar ?). Tudo disfarçado por um golo feliz obtido nos últimos instantes, desavergonhadamente invalidado por um árbitro a querer mostrar mais coragem do que aquela que tem.
O campeonato segue em Janeiro. Segue sujo e enlameado por um lance que entra para o galarim dos mais anedóticos da história do Estádio da Luz, ao lado do golo de Petit ao Porto, e do penalti de Jardel.
A jornada foi bem escolhida. Mas a nossa memória não pode ser curta. A mim, só o título me fará esquecer deste lance, deste jogo e dos dois pontos que um árbitro que Pinto da Costa escolheu para a final da Taça de Portugal de 2003 roubou alarvemente ao Benfica.

MAIS UM TÍTULO PARA RONALDO

O Manchester United e Cristiano Ronaldo terminaram o ano da melhor forma, conquistando no Japão o Mundial de Clubes da FIFA.
A final foi bem disputada, e a Liga de Quito mostrou ser um adversário à altura da ocasião. Os equatorianos revelaram um excelente jogador (Manso), e discutiram o jogo até ao fim.
PALMARÉS DA PROVA:
2005 São Paulo
2006 Internacional
2007 Milan
2008 Manchester United

PESKOVIC SEGUROU O ZERO

Apesar de convidado por um amigo, não pude estar em Alvalade. Não foi preciso. Esteve Peskovic, guarda-redes da Académica, que defesa após defesa (algumas das quais verdadeiramente impossíveis), foi evitando o golo do Sporting até ao fim.
O resultado final penaliza a ineficácia leonina, mas sobretudo a sua sofrível primeira parte, algo que vem sendo recorrente na equipa de Paulo Bento.
Se o Benfica vencer o Nacional, os leões passarão o Natal a cinco pontos de distância do primeiro lugar.
PS: Ontem não tive possibilidade de comentar o sorteio europeu. Sobre o mesmo poderei dizer que o Sporting não teve a sorte suprema que seria apanhar pela frente o Panathinaikos, mas deve encarar o jogo com o Bayern de uma forma positiva e não derrotista. Quanto ao Sp.Braga, creio que a sorte o bafejou, tendo todas as possibilidades de seguir em frente.
Destaque também para alguns grandes jogos na Champions, como o triplo duelo anglo-italiano (Inter-Manchester, Arsenal-Roma e Chelsea-Juventus), para além de um interessante Real Madrid-Liverpool.

A FEIJÕES

Alguém anda por aí a pretender fazer do Benfica-Metalist um jogo decisivo. O objectivo é fácil de entender: como o apuramento é totalmente impossível de alcançar, cria-se a ideia de que ainda está em causa, para depois se dissecar e empolar a derrota, e a partir daí desestabilizar a equipa.
O Benfica ficou eliminado da UEFA em Atenas, e sobretudo na Luz, quando perdeu com o Galatasaray. Agora nada mais há a fazer senão tentar sair com dignidade, e limpar a inegável má imagem deixada nesta prova. Se for possível ganhar o jogo e anotar uns pontinhos para o ranking (do clube e do país), melhor. Senão, estou como a Leonor Pinhão – zero a zero e não se fala mais nisso.
O grande combate do Benfica é na segunda-feira diante do Nacional. É para aí que devem estar virados todos os esforços do edifício benfiquista.

ATENÇÃO ! ELES VÊM AÍ !

Com a vitória da Reboleira, o F.C.Porto aproximou-se do Benfica no topo da tabela, perfilando-se, até ver, como o mais forte concorrente dos encarnados na luta pelo título.
Esta foi a nona (!) vitória consecutiva dos dragões, o que mostra bem o quanto a equipa de Jesualdo Ferreira subiu de produção nas últimas semanas. Hulk revela-se um verdadeiro reforço, Cristian Rodriguez começa a mostrar alguns dos atributos que evidenciou no Benfica, Lucho e Lisandro sobem de forma, Fernando ganha espaço, e a defesa, com a incorporação de Pedro Emanuel, parece ter estabilizado definitivamente.
Mais do que nos aspectos individuais – onde creio que o Benfica é este ano mais forte -, é na organização colectiva que o F.C.Porto encontra a sua força, bem como na extraordinária atitude competitiva de que dá mostras, que o faz encarar todos os jogos com uma seriedade assinalável e agigantar-se no momento das grandes decisões. Quando não pode falhar, o F.C.Porto normalmente não falha, o que revela bem a sua força mental, e que manifestamente traduz um trabalho de anos e anos.
Para além deste aspecto, há algo de que já aqui falei noutras ocasiões, e que me parece ser um dos principais segredos do F.C.Porto desde há muitas temporadas para cá. Os jogadores do Porto, mais ou menos dotados tecnicamente, são todos eles, quase sem excepção, excelentes atletas. A diferença física entre o Porto e todas as outras equipas portuguesas é notória, não necessariamente olhando ao peso e à altura dos jogadores, mas sobretudo à sua velocidade, resistência e agressividade. Ora num campeonato como o português, onde grande parte dos jogos se disputa em campos pequenos, com maus relvados, e contra equipas que fazem da combatividade a sua arma, este aspecto, mais do que o talento, torna-se absolutamente determinante.
É imperioso que o Benfica não perca pontos nas próximas jornadas, e se mantenha à frente na entrada da segunda volta. Se assim acontecer, tudo se conjuga para um apetitoso Porto-Benfica no início de Fevereiro, onde acredito que os encarnados consigam um bom resultado - quer pelas características técnico-tácticas de uma e outra equipa, quer pelo facto de os portistas estarem, à data, metidos até às orelhas na Champions League. Não esquecendo o Sporting, que mesmo sem quase nunca ser brilhante, tem conseguido nas últimas épocas, com Paulo Bento, interessantes séries de sete, oito e nove jogos sempre a ganhar.
Temos campeonato !
SEQUÊNCIA DE VITÓRIAS PORTISTAS

UM ONZE PARA UMA DESPEDIDA DIGNA

UM NÃO CASO

Onzes iniciais na última jornada:

INTER - Júlio César (BRASIL), Maicon (BRASIL), Córdoba (COLOMBIA), Samuel (ARGENTINA), Maxwell (BRASIL), Zanetti (ARGENTINA), Muntari (GANA), Cambiasso (ARGENTINA), Stankovic (SÉRVIA), Ibrahimovic (SUÉCIA) e Obinna (NIGÉRIA)

ARSENAL - Almunia (ESPANHA), Clichy (FRANÇA), Djourou (SUÍÇA), Gallas (FRANÇA), Sagna (FRANÇA), Denilson (BRASIL), Diaby (FRANÇA), Fabregas (ESPANHA), Song (CAMARÕES), Adebayor (TOGO) e Van Persie (HOLANDA)

São estes os exemplos de duas das mais fortes equipas europeias, que com uma ou duas variações se repetem em quase todos os outros emblemas de topo. São estes os sinais dos tempos.
Seria bonito que o Benfica tivesse mais portugueses. Que fosse a base da selecção nacional (à qual chegou a dar 10 dos 11 titulares). Mas não é a nacionalidade dos jogadores que hoje em dia define a alma e a identidade dos clubes, num futebol (e num mundo) altamente globalizado e mercantilizado.
Não esqueçamos contudo que o Benfica tem, ainda assim, mais internacionais portugueses no seu plantel que o F.C.Porto.

TERRORISMO JORNALÍSTICO

Após a derrota de Matosinhos escrevi o seguinte: “este momento vai seguramente ser aproveitado pelos adversários, que a partir do imenso espaço mediático de que dispõem, tudo irão fazer para desestabilizar a equipa”
Não foi preciso esperar muito. As capas dos jornais desportivos de hoje são bem reveladoras daquilo que quis dizer - é o Cardozo que exige jogar, é o Vieira que manda recados aos jogadores, enfim, começou o folclore, um folclore a que a Benfica terá de saber resistir, pois irá durar enquanto os encarnados liderarem a classificação.
Acontece que eu estive no almoço. Ouvi com atenção o discurso de Luís Filipe Vieira e, por casualidade, conversei com o Óscar Cardozo, curiosamente poucos minutos antes de ele abandonar o local e conceder a tal entrevista.
A intervenção do presidente pareceu-me absolutamente normal e adequada a um almoço de Natal e fim de ano. Exigiu empenho redobrado aos jogadores – mal seria que um líder não fosse exigente com os seus homens -, lembrou o momento importante do clube, procurou motivar e mobilizar, chamando também a atenção para a necessidade de se dar tempo a uma equipa totalmente nova. O único reparo que eu lhe faço prende-se com a falta de uma palavra para com as outras modalidades, das quais alguns atletas também estavam presentes. Foi um discurso consensual, pacífico, motivador e empenhado. Não me passou pela cabeça que viesse a constituir capas de jornal.
Com Cardozo troquei algumas palavras e posso garantir que a sua disposição era óptima, parecia feliz, contente de estar ali, irradiando a simplicidade e humildade que o caracterizam. E o que é que ele disse na entrevista ? Que não sabia porque não jogava, e que tinha de ser o treinador a responder a isso. Ou seja, a resposta óbvia a uma pergunta que não procuraria mais do que a polémica que agora se pretende empolar.
Sabemos que o futebol é extremamente mediático, e tem de alimentar três jornais diários e mais uma série de programas de televisão e rádio. O que é lamentável é que seja quase sempre o Benfica (e algumas vezes, justiça se faça, também o Sporting) a ser vítima deste tipo de especulação, coisa que não deixa de estar associada aos resultados que um e outro (não) têm obtido, por paralelismo com aqueles a quem este tipo de jornalismo parece nunca beliscar.

FOI TAÇA...

Quando o sorteio desta eliminatória levou o Benfica a Matosinhos para defrontar um super-Leixões, percebeu-se que as coisas poderiam não correr bem.
Com o futebol e os resultados que a equipa de José Mota tem apresentado, uma deslocação como esta envolvia riscos vários, e qualquer resultado teria de ser entendido como natural, num jogo a que normalmente se chama, em linguagem totobolística, de ”tripla”. O nome, o prestígio, a dimensão e o passado dos clubes é incomparável, mas a sua força futebolística presente – é a classificação que o diz – remete para o equilíbrio, sobretudo tendo em conta que se estava no Estádio do Mar.
Nessa medida não há que dramatizar uma eliminação que, tendo objectivamente acontecido, acabou por ser imerecida se olharmos ao que se passou ao longo dos 120 minutos, durante a maior parte dos quais o Benfica foi a melhor equipa em campo, e aquela que mais procurou a vitória.
Olegário Benquerença deixou uma vez mais por assinalar uma grande penalidade a favor dos encarnados. Mas deve dizer-se, em abono da verdade, que o desfecho da eliminatória acabou sobretudo por ser desenhado com os lápis da fortuna e do azar, quer durante o jogo, quer, por maioria de razão, no desempate por penáltis - onde, ainda assim, se esperaria mais de Moretto.
Como os leitores sabem, gosto bastante da Taça de Portugal. É uma competição com história, com tradição, com beleza. Gostaria muito de ir ao Jamor ver o Benfica na final. Seria importante para o clube conquistar um troféu, sobretudo se a vitória no campeonato não se chegar a concretizar. Este ponto de vista pessoal não deve todavia fazer esquecer o essencial: a grande aposta do Benfica este ano é a Liga, e essa ambição permanece, mais do que para qualquer outro clube, bem de pé.
Com a saída da Taça de Portugal e da Taça Uefa – esta ainda por formalizar – na mesma semana, muitas vozes se irão levantar clamando por crises e depressões a que todo o edifício benfiquista deve saber resistir. É que este momento vai seguramente ser aproveitado pelos adversários, que a partir do imenso espaço mediático de que dispõem tudo irão fazer para desestabilizar a equipa, que antes do Natal ainda tem um importantíssimo compromisso com o Nacional, no qual uma vitória lhe irá permitir dobrar o ano na liderança. Cabe aos benfiquistas, com a sua presença e o seu apoio, evitar que essa pressão passe para os jogadores, e fazer com que o Benfica não se desvie um milímetro da rota do seu principal – e agora quase único – objectivo.

PARA VENCER EM MATOSINHOS

MEMÓRIAS DA BOLA

Eis um Benfica-Leixões dos tempos em que eu comecei a gostar de bola.
Reconhecem-se Barros e Nené. Teria eu os meus 6 anos...
FOTO: www.futebolinesquecivel.blogspot.com

ESTES SÃO OS MELHORES; QUEM SERÁ O NÚMERO UM?

Kaká (Brasil), Messi (Argentina), Ronaldo (Portugal), Torres e Xavi (Espanha).
Um destes jogadores irá receber o prémio da FIFA.

TAÇA, UMA COISA SÉRIA

"(...) Esta competição - tal como a jovem Taça da Liga – tem sido frequentemente menosprezada, e o Benfica não tem também evitado olhar para ela com alguma displicência. Só assim se poderão entender as eliminações aos pés de Gondomar e Varzim, com o V. Guimarães na Luz, e a própria final perdida em 2005 - ainda que esta em circunstâncias de alguma especificidade. Em todos estes momentos, o Benfica deitou fora a possibilidade de discutir troféus com os quais a história dos seus últimos anos ficaria pintada a cores bem mais garridas.
Num clube com a dimensão do nosso, com um palmarés recheado de glórias mas um passado-recente carregado de desilusões e esperanças adiadas, um triunfo neste tipo de competição teria um efeito enorme, abriria as portas da euforia e da galvanização, preparando terreno para outras conquistas. Os dois últimos campeonatos ganhos pelo Glorioso foram, aliás, precedidos de triunfos na Taça. Vencer um troféu, qualquer que ele seja, é um momento que fica indelevelmente marcado na história de um clube. Proporciona a oportunidade de festejar, entusiasma os adeptos de hoje e deslumbra os de amanhã. É algo que, em termos de realidade empresarial, aparentemente diz pouco – sabemos que as receitas directas desta prova não são significativas -, mas que, na verdade, ao levar o povo para a rua, ao fazê-lo desfraldar bandeiras, ao lavar-lhe os olhos em lágrimas, acaba por cativar novos sócios, lotar estádios e aumentar audiências, numa espiral que, afinal, constitui o âmago do próprio negócio-futebol, o qual, diga-se, nem sempre é bem entendido em toda a sua singularidade.
Por tudo isto, o Benfica deve apostar firmemente na possibilidade de conquistar este troféu. Se também for campeão, tanto melhor. Se não o for, evita mais um ano em branco, e ganha forças para enfrentar a nova época com outra confiança e outro estímulo. Dentro e fora dos campos."

LF em "O Benfica", 17/10/08

PROGRAMA DE FESTAS

Cabeça de cartaz é naturalmente o confronto entre os dois primeiros classificados (e as duas melhores equipas até ao momento) da Liga Portuguesa.
Não esquecer que este fim-de-semana também há grandes jogos nas ligas europeias, tais como um Tottenham-Man.United (sab, 17.30), um Barcelona-Real Madrid (sab, 21.00) e um Juventus-Milan (dom, 19.30).

ACTUALIDADES

CHAMPIONS LEAGUE – Está já tudo resolvido no que toca ao apuramento. Com Inter de Milão e Chelsea (e eventualmente Bayern de Munique e Real Madrid) em segundo lugar dos respectivos grupos, nem a luta pelo primeiro posto apresenta interesse de maior.
O Sporting jogou e venceu em Basileia. Não fosse o prémio de vitória, dir-se-ia tratar-se de um jogo a feijões. Não vi, optando por seguir as incidências do Chelsea-Cluj, onde o apuramento da equipa de Scolari ainda estava em causa.
Apurados: Roma, Chelsea, Panathinaikos, Inter, Barcelona, Sporting, Liverpool, A.Madrid, Manchester, Villarreal, Arsenal, Porto, Lyon, Bayern, Juventus e R.Madrid.
Nota negativa para os critérios da Sport Tv, que deixou de fora os dois únicos jogos onde se discutia directamente o apuramento: Roma-Bordeus e Panathinaikos-Anorthosis.

REAL MADRID – Por falar nos “Merengues”, o seu treinador Bernd Schuster foi ontem despedido. Mais do que os maus resultados, as declarações de que seria impossível ganhar ao rival Barca tornaram-se impossíveis de tolerar por adeptos e dirigentes do maior clube de Espanha.
Apesar de ter sido campeão, o Real Madrid de Schuster sempre me pareceu uma equipa algo anárquica e desorganizada, onde apenas as individualidades foram disfarçando o défice colectivo. Veremos se o Real, com Juande Ramos, ainda vai a tempo de discutir o título com o fortíssimo Barcelona de Messi, Eto’o, Henry e Xavi.

JOSÉ ANTÓNIO REYES – A imprensa anuncia hoje a existência de um acordo entre o jogador e o Benfica com vista à sua contratação definitiva. Futebolisticamente é uma excelente notícia, pois o andaluz tem sido pedra fundamental na equipa de Quique Flores, demonstrando um rendimento e uma regularidade que - a mim particularmente - me têm surpreendido pela positiva. Resta saber quanto e como é que o Benfica lhe vai pagar a totalidade do seu elevadíssimo salário, por ora dividido com o Atlético de Madrid.
Em todo o caso, julgo que Suazo será bem mais difícil de manter na Luz.

BRASILEIRÃO – O campeonato brasileiro terminou no passado fim-de-semana. O título foi mais uma vez para o São Paulo, mas a grande surpresa acabou por ser a descida de divisão do histórico Vasco da Gama. Imagina-se o drama vivido no Rio de Janeiro com a despromoção de um clube, cujo nome e raízes históricas remetem para a portugalidade. Que volte depressa.

BENFICA TV – Um primeiro olhar sobre a programação faz-me sentir água na boca. Para já não disponho da plataforma Meo. Espero que, depois da venda de alguns milhares de Meos, o canal se estenda também à Zon, pois o Benfica só terá a ganhar com isso.
JUVENTUDE SPORT CLUBE - O clube eborense festejou esta semana a bonita idade de 90 anos. Parabéns e, pelo menos, outros tantos !

TRIO DE ATAQUE – Hugo Gilberto é esforçado, mas não consigo deixar de sentir enormes saudades da condução dinâmica, bem humorada e entendida de Carlos Daniel, que mais do que um moderador, era um quarto e esclarecido comentador.

MERCADO – O tema merecerá maior destaque dentro em breve, mas para já creio que, no que toca ao Benfica, a regra deverá ser mexer pouco mas bem. O meu alvo está definido: Paulo Ferreira, por empréstimo. Não sei se é ou não possível, mas chegava para as necessidades do Benfica.
Quanto a saídas, optaria por emprestar Moretto, Felipe Bastos e Urreta, e vender Zoro e Makukula, caso existam propostas minimamente compensadoras.
27-5+1=23. Dois “onzes”, mais Mantorras. Sem UEFA, chega e sobra.


TESTEMUNHO

O director do jornal “O Benfica”, José Nuno Martins, está, segundo alguma imprensa, a ser alvo de contestação no seio do clube, devido às críticas que na última edição fez aos jogadores encarnados, a propósito dos jogos de Atenas e diante do V.Setúbal.
Ora eu próprio, colunista do jornal que José Nuno Martins dirige, escrevi, no mesmo número, praticamente o contrário dele – defendendo eu os jogadores e o seu esforço -, o que atesta bem da sua (e minha) noção de liberdade de imprensa.
Mal de “O Benfica” e do S.L.Benfica, no dia em que a crítica for silenciada, em que o pensamento se torne restringido, em que a opinião seja espartilhada. Não é, nunca foi, nem alguma vez poderá ser essa a filosofia do maior clube português, e consequentemente do seu jornal oficial.
Não é por ele, nem pelo jornal, e muito menos por mim – que a única coisa que lá ganho é o prazer de fazer ouvir a minha voz, e com ela, ainda que modestamente, servir o clube -, mas sim pelo Sport Lisboa e Benfica, que me sinto no dever de, a partir deste espaço, enviar um abraço solidário a José Nuno Martins, fazendo votos para que este mal-entendido – se é que existe – seja sanado o mais brevemente possível, e de preferência selado com vitórias.

O QUE VALE UM PRIMEIRO LUGAR ?

Ao fim de três anos e meio, os benfiquistas podem enfim olhar para os jornais e ver o seu clube no lugar que a história lhe reservou.
É um momento para saborear, mas que não pode desviar um milímetro as atenções da equipa e dos associados do caminho, ainda longo, até ao título. Quando estamos na primeira metade da época, o pior que pode acontecer ao Benfica é embandeirar em arco com este facto, o qual, por muito que possa fazer os adeptos felizes, não passa, por ora, de conjuntural. A liderança que conta é a de Maio de 2009, e essa está muitíssimo longe de ser alcançada.

Diria La Palisse que mais vale ir à frente do que atrás. Mas há que ter em atenção que o Benfica já recebeu na Luz F.C.Porto e Sporting, terá pela frente uma segunda volta extraordinariamente difícil – para além de Dragão e Alvalade, com deslocações, por exemplo, à Choupana e a Braga -, e a vantagem de que dispõe pode esfumar-se a qualquer momento e em qualquer jornada, o que já não seria bem verdade se aquele pontapé de bicicleta de Anderson não tivesse surpreendido Quim no jogo com o Vitória de Setúbal (e devo dizer que bem preferia ter o Leixões à frente e Sporting e Porto um pouco mais distantes…). Há que lembrar também que esta equipa do Benfica, fruto de uma ainda verde mecanização colectiva, tem sido capaz do melhor e do pior, não apresentando ainda a consistência dos grandes campeões. Há muito para crescer, e todo o cuidado é pouco na hora de olhar para o futuro próximo.
Quer isto dizer que a liderança benfiquista seja injusta ou meramente casual ?
Nem pouco mais ou menos ! Por mais mérito seu, ou por mais demérito dos rivais, o Benfica foi inquestionavelmente a melhor equipa do campeonato até agora (pelo menos de entre as três grandes), foi a mais regular (ainda não perdeu), a mais empolgante (a que marcou mais golos), e a verdade é que os momentos mais difíceis da sua época não se verificaram na competição nacional, mas sim quando teve que se haver com campeões de outras paragens, nomeadamente frente a Galatasaray (campeão turco) e Olympiacos (campeão grego). Acresce que, desde o empate com o F.C.Porto na Luz ainda em Agosto, os únicos pontos perdidos pelos encarnados foram-no com golos sofridos nos últimos instantes, em partidas (Leixões e V.Setúbal) que, com um pouco de sorte, poderiam ter tido outro desfecho e, ai sim, permitir falar um pouco mais alto acerca do título. Enquanto se verificaram gritantes momentos de oscilação a dada fase da prova com F.C.Porto (duas vitórias em seis jogos) e Sporting (uma vitória em cinco jogos), a pior série que o Benfica realizou foi a dos dois empates iniciais, o que atesta bem do seu merecimento face ao lugar que ocupa.

Com todas as cautelas que o calendário impõe, com toda a prudência a que os pés no chão obrigam, o Benfica tem no entanto, com esta conjuntura, com estes jogadores, uma oportunidade de ouro para regressar aos títulos. A evolução da equipa – com uma margem de crescimento ainda ampla -, e a sorte dos jogos, mais do que a força dos adversários, ditará o destino final. Diria que, matemáticas à parte, este Benfica depende mais de si próprio do que do que quer que seja, e se crescer de acordo com o seu potencial, o título dificilmente lhe escapará.
Há que estar também preparado para toda a pressão mediática e folclórica que, a partir de agora, se intensificará. A essa terão que ser os benfiquistas a responder, não alinhando com ela, evitando o "oito-oitentismo" tradicional e apoiando a equipa, mesmo na hora de eventuais desaires, coisa que infelizmente nem sempre se viu na passada semana.

CLASSIFICAÇÃO REAL

Alguns casos marcaram esta jornada, com o Sporting a ser novamente o mais favorecido. Não há contudo alterações pontuais a fazer.

E.AMADORA-SPORTING:
No golo anulado ao Estrela aceita-se a decisão do árbitro de assinalar carga pelas costas a Polga. Ficou ainda um pontapé de canto por marcar a favor do Sporting, num lance em que Postiga faz um passe para golo com a bola já fora das quatro linhas. No terceiro golo do Sporting, Vukcevic está em jogo, pelo que o mesmo é legal.
Mas o caso mais grave diz respeito ao segundo golo do Sporting, marcado por Liedson em posição de fora-de-jogo.
Mais do que o erro em si – o fora-de-jogo é milimétrico, e aceita-se que o assistente tivesse, no momento, ficado com dúvidas -, o que releva deste lance é o seu descarado e escandaloso branqueamento ao longo do fim-de-semana nas várias estações de televisão, onde os resumos foram alarvemente mostrados sem qualquer repetição. A Sic-Notícias foi de um zelo particularmente tocante a respeito desta questão, mostrando dezenas de vezes o resumo do jogo, sem uma única repetição do dito golo, nem mesmo no programa onde, há poucas semanas atrás, se passaram mais de dez minutos a analisar uma falta não sancionada de Binya a meio-campo.
Também a Sport Tv alinhou pelo mesmo diapasão, e eu, que logo no momento fiquei com sérias dúvidas, tive de esperar pelo ”Domingo Desportivo” da RTP, onde então sim, mesmo sem ter sido dado grande destaque ao lance, pude pelo menos ver uma repetição com a imagem parada, e perceber que a minha desconfiança tinha toda a razão de ser.
Há muito que afirmo que o Sporting tem um peso na comunicação social totalmente desproporcionado (para mais) à sua dimensão como clube. As redacções, de um modo geral, estão cheias de adeptos do clube de Alvalade, e muitos deles não hesitam em mandar às ortigas os códigos deontológicos para fazer sobressair os seus interesses clubistas. E estes são, como se sabe, criar na opinião pública a ideia de que o Sporting é sistematicamente prejudicado pela arbitragem, de modo a que essa pressão e condicionamento lhe permita manter os benefícios de que, objectivamente, tem usufruído. Pois na verdade, no meio de uma guerra Porto-Benfica, no meio dos destroços do Apito Dourado, se há alguém cujas arbitragens têm favorecido bem mais do que penalizado, esse alguém é sem dúvida o Sporting, que para isso mesmo, continua a ser o que mais se queixa.
Com o Benfica em primeiro lugar, nem quero imaginar o que por aí vem de pressão mediática…
Resultado Real: 1-2

V.SETÚBAL-FC PORTO:
O único lance que me deixou dúvidas foi uma eventual falta para penálti na área portista, já muito perto do final da partida. Com o resultado em 0-3, não seria relevante. Mesmo assim julgo ser de dar o benefício da dúvida ao juiz da partida.
Resultado Real: 0-3

MARÍTIMO-BENFICA:
Se no aspecto técnico a arbitragem de Soares Dias esteve globalmente bem – o penalti e a expulsão são indiscutíveis, e no lance entre Luisão e Djalma nenhuma imagem prova a existência de qualquer falta -, já no aspecto disciplinar se desorientou por completo.
Os cartões amarelos exibidos a Reyes, Moreira e, sobretudo, Ruben Amorim são ridículos. Por outro lado, vários foram os jogadores que ficaram por advertir, entre os quais também o benfiquista Yebda. A desproporção entre cartões amarelos para uma e outra equipa (1-6), num jogo em que o Benfica atacou quase sempre, mostra bem a forma como Soares Dias procurou gerir o jogo.
Resultado Real: 0-6

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 24
FC Porto 22 (-1)
Sporting 18

UMA PANTERA; UM BAILINHO; UMA LIDERANÇA

Quando já se começava a levantar um manto de mal contido entusiasmo por parte de todo o país anti-benfiquista, supondo que, após dois resultados negativos, os encarnados iriam dar continuidade à crise na Madeira, e entrar em profunda e irreversível depressão, eis que a equipa de Quique Flores, apresentando a sua melhor face, dá uma verdadeira lição de futebol, triunfando categoricamente perante um Marítimo que não perdia havia oito jornadas, resultado que acabou por valer a ascensão à liderança da Liga. Por agora, todos terão de meter as violas no saco, e esperar por melhores dias - o Benfica demonstrou que está forte, e caminha para se tornar no mais sério candidato ao título nacional desta época.
Pode-se dizer que o jogo foi condicionado pela precoce expulsão do guarda-redes Marcos – e foi – mas também é verdade que até aí já o Benfica demonstrara ao que ia, lançando-se desde o apito inicial sobre a área madeirense e criando oportunidades de golo em série. É também verdade que o golo à beira do intervalo, fazendo o 0-2, quase matou o jogo. Não havendo maus momentos para marcar, aquele foi de facto bastante oportuno, mas se o Benfica tivesse terminado a primeira parte a vencer por três ou quatro golos de diferença, ninguém teria estranhado, tal a superioridade evidenciada pelos encarnados em todos os capítulos de jogo, antes e depois da expulsão.
Até aos últimos dez minutos (0-3) o jogo foi normal, com uma superioridade clara do Benfica, e grandes dificuldades do Marítimo em resistir à inferioridade numérica. A partir daí a história a contar foi apenas a história dos golos, pois os madeirenses praticamente deixaram de jogar, e o Benfica, certamente em busca de uma espécie de auto-redenção, não parou de atacar e tentar marcar, elevando o placar até números muito pouco vistos nos últimos anos.
Não se pode olhar para esta partida sem deixar de destacar uma individualidade. David Suazo realizou no Funchal a melhor exibição individual que se viu no futebol português em toda esta época, e voltando a mostrar características que podem fazer dele a grande estrela da Liga. Não é Eusébio, mas aquele quarto golo – pleno de velocidade, força e técnica - faz realmente lembrar tempos do Pantera Negra. Pena que dificilmente fique no Benfica para além do fim da temporada.
Como Quique muito bem disse no final da partida, nem o Benfica é tão mau como mostrou em Atenas, nem será tão bom como estes 0-6 podem fazer crer. Os encarnados dispõem de alguns grandes jogadores, que podem, sempre que inspirados, fazer a diferença, mas têm também algumas debilidades. Não se trata, longe disso, de uma super-equipa - e mal vão os que se convenceram de tal -, mas creio ser, de momento, a equipa portuguesa mais capaz e com maior margem de crescimento. Este Benfica foi totalmente remodelado para esta época, e tem alguns processos de jogo ainda por assimilar, estando consequentemente sujeito a oscilações. Desta vez tudo saiu bem. Importante é que quando as coisas corram mal a equipa saiba reagir a preceito.

ACTUALIDADES

MERCADO – Com o aproximar da reabertura do mercado, começa também a especulação jornalística. Neste particular o Benfica, como maior e mais mediático clube, é naturalmente o mais atingido.
Pelo menos, quero acreditar que sejam especulativas as notícias que dão conta do interesse em mais um guarda-redes, bem como num lateral-esquerdo e num médio-centro, quando não são estas, de todo, as principais carências da equipa.
Se estivesse em causa um lateral-direito, ou um médio-ala para o mesmo corredor, eu até acreditaria na notícia. Assim tomo-a por mais uma de muitas que se irão seguir, e que se destinam apenas a vender papel.
Enfim. Se eu tivesse que viver disto, talvez também inventasse por aí umas coisas…

INVENCIBILIDADE
– O Benfica tem este domingo nos Barreiros um sério teste à sua invencibilidade intramuros, que já dura vai para oito meses (!!). Aliás, em termos de derrotas os encarnados são o clube português que menos perderam no campeonato nos últimos três anos – 7 desaires, contra 10 do FC Porto e 12 do Sporting. O problema tem certamente estado nos empates...

MENINO DE OURO – Soube hoje que, além da Bota de Ouro, e da Bola de Ouro, Cristiano Ronaldo acaba de ganhar também o Onze de Ouro. Trata-se de um prémio votado pelos leitores da revista francesa “Onze”- que compro desde o Mundial da Argentina, quando tinha 8 anos – e que nunca tinha sido alcançado por qualquer jogador português.
Se era necessário mais algum sinal de que a eleição da FIFA vai brindar o jovem madeirense, eis aqui mais um.
“Meninos de Ouro” há por aí muitos, uns maciços, outros de bijutaria chinesa. Ronaldo é dos bons, e ninguém contestará o seu mérito.

SIMON VUKCEVIC – Reintegrado? Até quando? Estará tudo esquecido, perdoado, varrido para debaixo do tapete, ou serão também efeitos da reabertura de mercado?

PABLO AIMAR – Está aparentemente a sair da terceira lesão muscular da temporada, quando são decorridas apenas 10 jornadas. Leva de utilização no campeonato pouco mais de um terço do tempo total de jogo, sem se ter fixado como pedra basilar da equipa. Passou praticamente ao lado da Taça Uefa (apenas jogou 33 minutos em 5 jogos), assistindo quase sempre da bancada à pobre carreira do Benfica na prova.
O argentino foi bastante caro e aufere um dos mais elevados salários do plantel. Foi apontado como uma das principais apostas para esta época, e dele se esperava que resolvesse jogos e ocupasse o lugar deixado vago por Rui Costa. Com o melhor Aimar o Benfica seria certamente uma equipa bem mais sedutora e ganhadora do que aquilo que, por vezes, tem mostrado ser.
Veremos se é desta vez que finalmente recupera das maleitas e se afirma como grande jogador que é. Caso contrário começa a ser de questionar a sua tão badalada aquisição, até porque o seu passado clínico no Saragoça já não era muito animador.

NAS BANCAS


Está hoje nas bancas mais um número de "O Benfica", o mais antigo jornal desportivo do nosso país.
O lançamento do novo canal de televisão é o tema em destaque, mas pode lá encontrar muitos outros motivos de interesse. A habitual coluna de opinião deste vosso amigo (LF), é nesta edição dedicada à derrota de Atenas e suas consequências.
Por apenas 75 cêntimos vale bem a pena comprar.

PARABÉNS !

Mesmo não podendo o Benfica prosseguir em prova, fiquei bastante satisfeito pelo triunfo do Sp.Braga, que permite a Portugal manter-se representado na Taça UEFA desta temporada.
Tal como a qualquer equipa portuguesa do arco da respeitabilidade - leia-se, não envolvidas em processos de corrupção -, desejo ao Sp.Braga que possa chegar o mais longe possível.

UMA PROPOSTA PARA O FUNCHAL

Um 4-2-3-1, com o deslocamento de Ruben Amorim para a zona central, e a incorporação de Balboa na ala direita.
Com o regresso de Léo ao flanco esquerdo da defesa, poderia ficar definido o "meu" onze ideal para este Benfica.
Fica a sugestão.

NOTA: E já agora, obtendo o empréstimo de Paulo Ferreira (ou Belletti) em Janeiro, a equipa ficaria em plenas condições de caminhar para o título.

COMO É POSSÍVEL ?

A propósito do jogo com o V.Setúbal, expressei a minha discordância pela nomeação de árbitros do Porto para jogos do Benfica.
Pois para o próximo fim-de-semana, não só se repete a nomeação de um árbitro portuense para os encarnados (4ª vez em 11 jornadas e 18 distritos), como os restantes jogos dos grandes são, todos eles, apitados por juizes da invicta.
Se não confirmasse no site da Liga não acreditava. Se também não acredita, vá lá e veja com os seus próprios olhos:
Maritimo-Benfica : Soares Dias (Porto)
E.Amadora-Sporting : Paulo Costa (Porto)
V.Setúbal (de Leandro Lima, Bruno Vale, Bruno Moraes, Elias e Bruno Gama)-Porto : Jorge Sousa (Porto)
Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele. Com nomeações destas Vítor Pereira não pode esperar outra coisa que não seja a mais profunda desconfiança, a mais sinistra suspeição e a mais veemente contestação.

MISSÃO (COMPLETAMENTE) IMPOSSÍVEL

Com os resultados de ontem, as poucas hipóteses que havia do Benfica ainda poder seguir em frente na Taça Uefa transformaram-se numa remota quimera. Em Berlim o Galatasaray fez a sua parte, mas na Ucrânia falhou a indispensável vitória do Olympiacos, que deixaria tudo ainda em aberto para a última ronda.
Ao minuto noventa dos jogos de ontem o Benfica estava matematicamente eliminado. Mas em vez de serem os gregos a marcar, foi o Metalist que o fez, garantindo o seu apuramento, e abrindo este buraco de fechadura por onde agora se torna manifestamente impossível passar.
O Benfica terá de vencer por 8-0 (!!) a equipa ucraniana - que ainda não sofreu qualquer golo na prova -, e mesmo assim depende de um empate no Olympiacos-Hertha, jogo que o conjunto helénico precisa de vencer. Dia 18 será pois uma boa ocasião para rodar jogadores menos utilizados, e procurar sair da prova de cabeça levantada.
Sabe-se bem que os "ses", no futebol como na vida, de pouco ou nada valem. Mas é curioso perceber que se na jornada anterior o Metalist tem perdido na Turquia - como seria lógico -, o Benfica, mesmo com os resultados que fez, estaria agora apenas dependente de si próprio, e de uma vitória por 2 ou 3 golos, para se apurar.

O MERECIDO DESTAQUE

Pouco me importa se tem 14 carros, centenas de namoradas, ou milhões de euros no banco. Para mim, Cristiano Ronaldo é um extraordinário jogador de futebol, e seguramente o melhor português que alguma vez vi jogar.
Nunca me ouviram uma palavra negativa sobre ele, mesmo na sequência de exibições menos conseguidas na selecção - ao serviço da qual, aos 23 anos, tem já 21 golos marcados, estando bem posicionado para bater todos os recordes. No meu ponto de vista, muitas das críticas que lhe são feitas têm origem numa estranha e bem portuguesa inveja social, que nos faz olhar de soslaio para o sucesso do vizinho (neste caso compatriota).
Ronaldo é um jovem proveniente de um ambiente sócio-económico muito modesto, não teve grande escolaridade, e é perfeitamente natural que por vezes se perca nalguns excessos. Devemos ser suficientemente humanos para perceber o porquê de uma ou outra atitude de maior vedetismo, até porque muitos de nós, perante a mesma dose de sucesso, teríamos possivelmente comportamentos bem surpreendentes.
Não sei se Ronaldo é boa ou má pessoa. Assim como nada sei sobre Messi, Pele, Platini e outras grandes estrelas de agora e de sempre do futebol ou de outras actividades. Muitos terão uma imagem pública bem diferente daquilo que são em privado. Quantas vezes não nos surpreendemos com a simpatia de uma figura pública que julgávamos arrogante, e vice-versa? Não é isso que me interessa em Cristiano Ronaldo, nem em Messi, nem em qualquer jogador de futebol. Interessa-me o que lhes vejo no relvado. E aí, Ronaldo é um ás.
Mas se querem um testemunho pessoal sobre ele, recordo-me bem de o ver treinar, no estágio da selecção para o Mundial 2006 em Évora, onde era o primeiro a chegar ao relvado, o último a abandoná-lo, e mesmo nos momentos de espera ou pausa, nunca largava a bola, nunca deixava de lhe dar toques e de com ela brincar, enquanto os colegas permaneciam sentados ou deitados indolentemente em seu redor. Lembro-me de pensar: "como ama este rapaz o futebol…"
É certamente o português mais conhecido em todo o mundo. Isso já seria suficiente para merecer a minha admiração. Na época passada cheguei a compará-lo a Eusébio. No Euro decepcionou-me um pouco, mas ainda terá muitas oportunidades.
Não sei se neste momento é ou não o melhor do mundo. No ano passado foi-o, e por isso bem merece a distinção.

OUTROS "BOLAS DE OURO" QUE VI JOGAR AO VIVO: Matthaus, Papin, Baggio, Sammer, Ronaldo, Zidane, Rivaldo, Figo, Owen, Nedved, Ronaldinho, Cannavaro e Kaká.

CLASSIFICAÇÃO REAL - Correcção

Quando me apercebo que errei, tenho por hábito reconhecer.
Assisti ao jogo do Benfica no estádio, e os breves resumos que depois vi em casa não me permitiram entender a atitude do árbitro no polémico lance que originou o golo anulado. Ontem, vendo a imagem repetida e parada num ângulo diferente, percebi que Jorge Ribeiro estava fora-de-jogo, e como tal, o lance é bem interrompido. Vasco Santos deu a lei da vantagem, mas ao olhar para o assistente viu que não haveria vantagem alguma, optando, e bem, por marcar o livre.
Ficou o cartão por mostrar - seria o segundo amarelo a Sandro -, mas isso não conta para a classificação. Ficou ainda por expulsar Leandro Lima (tal como Bruno Alves e um outro jogador da Académica no Dragão). Já quanto ao penálti reclamado pelos anti-benfiquistas (do Vitória de Setúbal ninguém protestou), a minha opinião é clara: não houve nada.
Como já perceberam, não sou muito de televisão. Futebol para mim é nos estádios, e quando lá não posso ir prefiro fazer outras coisas e ir a outros lados, vendo na tv apenas os jogos do Benfica fora de casa e um ou outro jogo internacional. No estádio não há vinte repetições para ver, logo parto muitas vezes em desvantagem na análise dos lances, e só mais tarde, revendo as repetições, consigo dissipar todas as dúvidas. É também uma boa forma de entender a dificuldade do trabalho dos árbitros, que têm de decidir naquele instante.

CLASSIFICAÇÃO CORRIGIDA
BENFICA 21
FC Porto 19 (-1)
Sporting 15

JOAQUIM: UM GRANDE CAMPEÃO !

Está-se a preparar um funeral para Quim, talvez idêntico ao que destruiu a carreira de Ricardo.
Não contem comigo !
Quim é o melhor guarda-redes português, e tirando Bento e Preud'Homme, o melhor que alguma vez vi defender as redes do Benfica. Sem o inocentar do erro cometido, o golo do empate de ontem foi fruto de um remate espectacular, e está longe de ser um tradicional "frango".
Aprecio as qualidades de Moreira, e acho que deverá, a seu tempo, ter as oportunidades que merece. Mas por agora Quim é o guarda-redes do Benfica, e espero que o continue a ser.
Assim tenha o devido apoio de quem o deve apoiar.

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Dois erros escandalosos marcam a jornada 10, ainda que só um deles tenha tido efeitos no resultado final.

SPORTING-V.GUIMARÃES:
Foi reclamada uma grande penalidade sobre Izmailov, mas francamente, mesmo depois de ver as repetições, não consigo ter certezas sobre o lance. Há pois que dar o benefício da dúvida ao árbitro.
Quanto ao golo não considerado, obviamente que pela televisão se percebe o erro do assistente. A bola ultrapassa de facto ligeiramente a linha de golo, pelo que o Sporting tem aqui do que se queixar.
Vão aparecer mais uma vez todos os partidários da introdução de meios tecnológicos a clamar das suas razões. Por mim, estou com a FIFA: quanto menos mexidas melhor, num desporto cuja popularidade muito deve à forma simples e continuada de todas as suas regras. Até porque as discussões sobre arbitragem em Portugal não encontram paralelo noutros países da Europa.
Sobre este lance em particular, há que lembrar que ocorreu com o resultado em 2-0.
Reultado Real: 3-0

FC PORTO-ACADÉMICA:
Apenas vi um breve resumo do jogo, que deu para perceber que a expulsão de Sogou foi correcta, e que o penálti falhado por Lucho foi bem assinalado.
Resultado Real: 2-1

BENFICA-V.SETÚBAL:
Uma ou outra falta mal assinalada ou por assinalar não deixaria espaço a nota negativa, não fosse o estranho caso ocorrido ao minuto 79.
Ninguém percebeu o que Vasco Santos quis fazer. Das duas uma: ou marcava a falta e mostrava o segundo cartão amarelo a Sandro; ou deixava seguir o lance, aplicando a lei da vantagem. Ao optar (e bem) pela segunda hipótese, o árbitro não podia era depois interromper o jogo, até porque a bola acabou dentro da baliza do Vitória. E o vermelho ficou no bolso.
A partir do momento em que Vasco Santos manda, aos olhos de toda a gente, seguir o lance, só tem é que o deixar concluir. Erro grave portanto, com subtracção de dois pontos ao Benfica, e influência clara no jogo, no resultado, na classificação e, quem sabe, no campeonato.
Resultado Real: 3-2

CLASSIFICAÇÃO REAL
BENFICA 23
F.C.Porto 19 (-1)
Sporting 15

ESTRANHA FORMA DE VIDA

Antes de entrar no jogo em si, devo confessar que me doeu substancialmente mais este empate do que a goleada de Atenas. Uma oportunidade perdida de atingir a liderança, uma vantagem sobre os rivais desbaratada - tudo apenas devido a um golo fortuito sofrido nos descontos de um jogo em casa contra um adversário sofrível - é algo demasiado duro para se aceitar com tranquilidade e bonomia. Em momentos como o daquele fatídico minuto apetece estar em todo o lado menos no estádio, e questiono-me como este desporto, que tanto nos apaixona, pode por vezes vestir uma pele de tamanha crueldade perante quem tanto a ele se dedica. Foi, sem dúvida, para mim, enquanto adepto do Benfica, o momento mais difícil desta temporada até agora. Foi também a primeira vez que vi o meu filho com lágrimas nos olhos após um jogo, ele que semana a semana tanto se entretém a copiar a classificação dos jornais, e não se lembra de ter visto alguma vez o Benfica na frente.
Deixando de lado este estado de alma – sobre o qual tinha de desabafar -, queria focar três aspectos relativos a esta noite.
Em primeiro lugar, a profunda desilusão que constituiu a massa adepta do Benfica.
É inaceitável como num jogo em que o clube podia atingir a liderança da liga pela primeira vez em três anos, e na sequência de uma goleada injusta e penalizadora sofrida na UEFA, quando a equipa mais necessitava de calor humano à sua volta, o Estádio da Luz tenha registado a mais baixa afluência de público da temporada (pouco mais de 25 mil pessoas). Pior que isso, muitos dos que lá estiveram, pouco mais fizeram do que intranquilizar os jogadores, ora com protestos, ora com assobios (sobretudo na primeira parte), fazendo com que o esperado “Inferno da Luz” se transformasse, uma vez mais, num paraíso para os adversários.
Para os que faltaram à chamada, para os que nenhum apoio deram à equipa num momento – quem sabe – chave da época, o golo de Anderson aos 91 minutos foi a resposta merecida. Quem espera pelas vitórias mais reluzentes para dar ânimo a uma equipa que agora tanto dele precisa, deve ser também responsabilizado pelas más prestações desportivas do Benfica nos últimos anos, pois com adeptos destes é difícil – e nem sei se valerá a pena - fazer melhor. Como aqui já disse, não adianta nada dizer à boca cheia que se tem seis milhões, quando apenas dez mil (os que, estimo, tenham ontem verdadeiramente apoiado a equipa) desempenham o seu papel, cumprem a sua missão, e se assumem como verdadeiros Benfiquistas.Em segundo lugar é preciso salientar a funesta actuação do árbitro da partida, que num golpe de mágica, como há muito não se via, decidiu escamotear o golo da tranquilidade ao Benfica, criando as condições para aquilo que acabou por acontecer. Ninguém poderá dizer que eu não avisei, pois se há coisa que tenho boa é a memória.
Independentemente do breve mas revelador passado de Vasco Santos, não consigo aceitar a nomeação de árbitros do Porto para jogos do Benfica. Para além da óbvia questão de princípio – duvido que o Real Madrid seja apitado por catalães ou vice-versa -, de uma cidade onde nem juízes nem polícias são de confiança, pouco se pode esperar dos árbitros. Vasco Santos tentou, e conseguiu, impedir o Benfica de ganhar. Ele sim, de certo, viajou feliz.
Finalmente há que falar da equipa do Benfica.
Depois de uma primeira parte onde o gelo vindo das bancadas contaminou os jogadores, os primeiros quinze minutos da segunda foram de grande nível, e pareciam suficientes para garantir a vitória. Mas como tantas vezes tem acontecido ao longo da época, a equipa de Quique Flores viu-se depois em grandes dificuldades para segurar o resultado da forma mais adequada – circular a bola, retirar iniciativa ao adversário, adormecer o jogo. Em vantagem, à medida que o tempo passava, as linhas do Benfica iam recuando cada vez mais, convidando o Vitória de Setúbal a tomar a iniciativa das operações e, consequentemente, a pôr em perigo a baliza de Quim. Noutras ocasiões (Naval, E.Amadora, Guimarães) a coisa correu bem. Desta vez, como em Matosinhos, tudo acabou mal, sendo que a tipologia dos minutos finais dos jogos foi semelhante em quase todas as jornadas, algo que deve preocupar bastante a equipa técnica benfiquista.
Como já disse, este jogo parecia-me fundamental. Se por um lado urgia afastar os fantasmas de Atenas - e o coro de abutres que se seguiu, e de que são reveladoras as capas do Record e do Jogo no passado sábado -, por outro era uma oportunidade de ouro de levar o nome do Benfica até ao lugar mais alto da classificação, com tudo o que isso acarretaria de mobilização e entusiasmo em redor da equipa. Mas talvez mais importante do que tudo isso, seria manter o F.C.Porto e o Sporting numa situação de dependência de terceiros, que seria extremamente interessante de prolongar (ou mesmo acentuar) até ao início da segunda volta, altura em que tudo se poderá decidir com três clássicos quase consecutivos. Tudo ruiu, e agora, sem liderança, com vantagem reduzida, com jogadores intranquilos e adeptos de costas voltadas, segue-se uma dificílima visita ao Funchal, onde um empate poderia à partida ser positivo, mas agora a vitória se torna quase imprescindível.
Espero que lá mais para Maio não nos venhamos a lembrar desta triste jornada.