EFICÁCIA VALE OITAVOS

O Sporting deu este noite um importantíssimo passo rumo à segunda fase da Liga dos Campeões, ao vencer na Ucrânia o seu mais directo adversário do grupo. Liedson voltou a resolver, marcando o golo solitário da partida, num dos três remates que a equipa de Paulo Bento fez em todo o jogo.
Foi pois uma vitória feliz, o que não lhe retira necessariamente sentido de justiça - apesar de ter atacado pouco, o Sporting foi de uma generosidade competitiva tremenda, manietando com a sua asfixiante pressão a meio-campo o futebol rentilhado dos brasileiros do Shakhtar. Os jogadores do Sporting lutaram muitíssimo, lutaram bravamente, e estão de parabéns por isso.
Foi precisamente esse o mérito dos leões, num jogo em que o seu técnico arriscou muito pouco, e pôs-se a jeito de uma crítica que lhe tem sido recorrente: a de alguma falta de ambição. Desta vez a coisa acabou por correr muito bem ao Sporting, que jogou para o 0-0 e viu sair-lhe o “Jackpot”. Fica uma vez mais evidente como as análises futebolísticas se ajoelham perante os resultados, e como estes frequentemente dependem de pequenos detalhes.
Detalhes é com Liedson, que em dois jogos como titular consegue dois decisivos golos, mostrando porque motivo merece auferir um ordenado que quase duplica o de qualquer um dos seus colegas. O brasileiro voltou fortíssimo, e bem a tempo de se tornar numa das estrelas da temporada.
Quanto à Liga dos Campeões, pode-se dizer que o Sporting tem já pé e meio nos oitavos-de-final, algo que consegue pela primeira vez nos últimos 25 anos. O passaporte até pode ficar já carimbado na próxima jornada, pois vencendo o Shakhtar em Alvalade os leões, com 9 pontos, ficam matematicamente apurados.
A equipa ucraniana tem jogadores habilidosos e rápidos a partir para o ataque, mas parece um tanto desorganizada tacticamente, cometendo erros primários que lhe comprometem os resultados. Foi assim com o Benfica no ano passado, voltou a acontecer agora. O Sporting é uma equipa mais adulta, e merece claramente o segundo lugar do grupo.
Da jornada europeia de ontem, destaque ainda para os golos portugueses de Hugo Almeida e Simão Sabrosa, e para a quantidade inusitada de erros dos árbitros auxiliares, que só no Atlético de Madrid-Liverpool anularam um golo limpo a cada equipa, e validaram mal o golo do Liverpool. Se fosse cá…

E A SORTE DITOU...

O GRANDE FUTEBOL ESTÁ DE VOLTA

Depois de uma semana de Albânias e Penafieis, com o regresso das competições europeias voltaram os grande jogos aos ecrãs das nossas televisões.
Numa noite apenas, pude ver um fabuloso Juventus-Real Madrid, metade de um Bayern de Munique-Fiorentina, e um resumo alargado de um Manchester United-Celtic, tudo já depois de, ao fim da tarde, ter assistido a um não tão brilhante Zenit-Bate Borisov.
No jogo grande da jornada viu-se um Real Madrid de grande nível ser bastante infeliz em Turim, onde um fantástico golo de Del Piero a abrir a primeira parte, e um de Amauri a abrir a segunda,

construíram uma vantagem que se tornou depois impossível de ultrapassar, mau grado a intensidade da pressão espanhola. Em Munique o Bayern fez uma extraordinária exibição de poder ofensivo, o que não é de estranhar numa equipa que juntou no seu ataque Schweinsteigger, Luca Toni, Miroslav Klose e Ribery, e ainda deixou Podolski no banco (!) – este Bayern pode ser, juntamente com o Arsenal (outra grande exibição), uma das surpresas desta edição. Em Old Trafford foi Berbatov a brilhar, a meias com os fiscais de linha que lhe validaram os seus dois golos, ambos em fora-de-jogo.
Da noite de ontem destaque ainda para os impressionantes 6-3 no Villarreal-Aalborg, e para os 3-5 do Lyon em Bucareste, numa ronda com golos para todos os gostos e paladares.

Hoje joga o Sporting, que em Donetsk tem um jogo bastante importante para definir as suas possibilidades de classificação. Um empate pode ser um bom resultado tendo em conta que os leões terão ainda que receber a equipa ucraniana em Alvalade. Aconteça o que acontecer, nada ficará porém decidido nesta partida.
Destaque ainda para o Chelsea-Roma, no qual a equipa de Scolari poderá dar um passo decisivo rumo aos oitavos-de-final.

O DIREITO À INDIGNAÇÃO

Muito se tem falado na reacção de Cristiano Ronaldo aos assobios do público aquando do triste jogo de Braga com a Albânia. Há umas semanas atrás foi Miguel Veloso a criticar os adeptos do seu clube, aconselhando-os a ficar em casa em vez de irem para o estádio vaiar os jogadores. Num e noutro caso, a generalidade dos críticos quase pediu a cabeça dos jogadores, responsabilizando-os por uma suposta falta de respeito para com o público pagante.
Sem esquecer os principescos salários que as estrelas do futebol auferem, sem esquecer – como fazê-lo – as quantias generosamente dispendidas por todos os que amam o jogo e os seus clubes, sacrificando muitas outras coisas para poder estar nos estádios, não creio que Ronaldo e Veloso devam ser condenados pela sua atitude. Pelo contrário, acho mesmo que estão cheios de razão.
Já aqui o disse noutras ocasiões. Não entendo a estupidez das pessoas que vão aos estádios para assobiar a sua própria equipa, algo tão paradoxal como uma espécie de auto-flagelação gratuita. Se no caso do Sporting, não só não recordo como não me interessa muito a origem dos apupos, no jogo da Selecção Nacional eles vieram completamente a destempo, numa fase em que a equipa portuguesa procurava desesperadamente o golo e denotava já uma enorme ansiedade face ao resultado e ao decorrer dos minutos.
Quem é português, quem quer que Portugal ganhe e vai a um estádio supostamente para apoiar, não tem o direito moral de contribuir para a intranquilidade da equipa quando ela mais precisa de ajuda. Se as coisas não estão a correr bem, não é certamente por vontade dos jogadores. É precisamente nesses momentos que eles precisam que o apoio das bancadas lhes dê força para reverter os acontecimentos, e não de quem lhes complique ainda mais a sua tarefa. No final do jogo, então sim, o adepto é livre de manifestar o seu desagrado com o que se passou. Até lá, ou apoia, ou, no mínimo, está calado.
Os “adeptos” – e as aspas não são aqui inocentes – que em Braga assobiaram Cristiano Ronaldo e a selecção contribuíram também para o comprometedor empate. São também responsáveis por ele. Como disse Veloso a propósito do Sporting, ajudavam bem mais a selecção se tivessem ficado em casa.
Entendo perfeitamente a reacção de indignação dos jogadores, acho que é, ao contrário do que se disse, um sinal de maturidade, e vou mesmo mais longe: no meu entender, estádio que assobiasse a selecção, tão depressa não recebia jogos internacionais.
Felizmente que no último domingo os benfiquistas deram uma fantástica demonstração daquilo que defendo. Nem sempre foi assim no passado, e certamente não o será no futuro. A estupidez não tem clube e ataca em todos os estádios.

UMAS VEZES CORRE BEM, OUTRAS NÃO TANTO...

SEM PERDÃO

Ao olhar para o que se passou na Luz há que dar, desde logo, os parabéns à equipa do Penafiel e aos adeptos do Benfica.
No primeiro caso, devo dizer que nunca tinha vista uma equipa da II divisão B jogar tão bem como o Penafiel o fez nestes 120 minutos. Defendeu-se bem – como seria natural fazer -, mas nunca perdeu de vista a hipótese de contra-atacar, chegando mesmo a dominar certos períodos da partida. Acima de tudo, nunca necessitou de colocar o autocarro à frente da sua baliza nem de fazer qualquer espécie de anti-jogo para causar problemas ao Benfica, algo que deveria servir de exemplo a muitas equipas do escalão maior. O Penafiel luta pela subida à Liga de Honra, e pelo que demonstrou, pela humildade do seu treinador, pela lealdade com que enfrentou esta partida, só lhe posso desejar a melhor sorte nessa luta, pois são equipas com esta mentalidade que fazem falta ao futebol português.
No segundo caso, achei notável que num domingo à noite, com o céu a ameaçar novas chuvadas, perante uma equipa dos escalões secundários, e a ter de pagar bilhete, estivessem na Luz mais de 20 mil espectadores. Além do número, há que destacar também o incondicional apoio que deram à equipa, mesmo quando o teimoso 0-0 ameaçava um escândalo. Quase não se ouviram assobios, e notou-se a todo o tempo a preocupação de ajudar a equipa e de a empurrar para a frente. Assim fosse sempre.
Posto isto, falemos então do Benfica, acerca do qual, diga-se, pouco há para elogiar.
A equipa encarnada correu sérios riscos de passar por uma humilhação tremenda, e fê-lo por culpa própria, pois independentemente do muito brilho que tenha tido a exibição penafidelense, nada justificava que o Benfica, em sua casa, deixasse para a lotaria dos penáltis a decisão de uma eliminatória como esta.
A história - em particular a desta competição - está cheia de situações em que uma equipa teoricamente mais cotada prescinde de utilizar os seus melhores elementos, os que entram mostram falta de ritmo e de rotinas colectivas, a equipa menor vai ganhando confiança, a mais forte vai-se enervando, e a surpresa acontece. Quique Flores deveria estar preparado para isso, mas sinceramente não me pareceu que estivesse.
Teci rasgados elogios ao técnico benfiquista, inclusivamente no próprio Jornal do Clube. Desta vez contudo, terei de lhe apontar o dedo como principal responsável por uma situação que só Moreira evitou transformar-se num dos maiores escândalos do ano. É certo que alguns jogadores não aproveitaram a oportunidade que lhes foi dada - lembro-me principalmente de Balboa, Urreta e Binya. Mas a verdade é que o futebol é um jogo colectivo, sendo totalmente impossível que um grupo de jogadores sem ritmo e que nunca havia actuado junto, se apresente como uma verdadeira equipa de futebol.
Em fase mais adiantada da época, quando o cansaço começasse a ditar leis, até se entenderia que, perante semelhante desafio, se optasse por lançar um onze assim. Nesta altura, numa equipa em construção na qual os próprios titulares necessitam de trabalhar rotinas, nada justificaria que o treinador encarnado apresentasse uma equipa tão desfalcada, onde praticamente só os dois centrais se podem considerar titulares.

O próprio técnico espanhol admitiu não conhecer bem o Penafiel. Ficou à vista de todos que também não fazia ideia do que é a II divisão, nem de que dela pudesse sair uma equipa como esta. Quique terá pensado que as individualidades chegavam para vencer facilmente o jogo, e ficou claramente demonstrado que isso dificilmente seria possível. Até porque, à excepção de Reyes (e, claro, Moreira), a desinspiração foi sempre a nota dominante.
Normalmente estas situações têm apenas o condão de queimar alternativas, minar a confiança dos jogadores e originar derrotas inesperadas. Está provado que são de evitar. Quique não o evitou, pondo-se a jeito de uma escandalosa e dramática eliminação.
Espero que esta noite sirva de lição para o Benfica, de forma a que passe a enfrentar este tipo de jogos com outra filosofia. Fazer descansar dois ou três jogadores é uma coisa, revolucionar todo o onze é outra bem diferente. A menos que a Taça de Portugal seja vista pelo grupo de trabalho como uma prova a prescindir, o que me parece bem mais grave, sobretudo num clube que há vários anos não sabe o que é conquistar um troféu.

À SPORTING

Berlim é uma cidade que, por diversos motivos, há muito pretendo conhecer, mas que, lamentavelmente, nunca cheguei a visitar.
Assim que o sorteio da UEFA colocou o Benfica na rota da histórica capital alemã, pensei de imediato numa boa oportunidade de juntar o útil ao agradável, que é como quem diz, apoiar o clube e conhecer uma das cidades que mais curiosidade me desperta.
A “Benfica-Viagens” deveria servir para isto. Dar aos sócios a possibilidade de acompanhar a equipa, oferecendo opções para vários tipos de carteira. Mas é precisamente neste último aspecto que falha redondamente.
Acabei de receber um prospecto com o programa daquela “empresa”, e o preço pedido pelo voo e uma noite num hotel cifra-se na módica quantia de 775 euros (!!), a que terá que acrescer o bilhete para o jogo (suspeito que não seja barato) e naturalmente a alimentação.
Gostava de saber quem são, e quantos são, os clientes da “Benfica-Viagens”.
Por mim, terei obviamente que ver o jogo na televisão, e guardar Berlim para outra altura. Mas custa-me a aceitar que um clube de matriz popular como o Benfica vire as costas à sua natureza desta forma quase obscena, dando o nome a uma "empresa" que - perdoem-me a expressão - tem algo de...Sporting.

TEMPO DE TAÇA

Humor em torno da selecção. Aqui e ali. Duas pérolas.

PONTO DE SITUAÇÃO


QUATRO JOGOS, QUATRO ONZES

MALTA: Quim, Bosingwa, Pepe, R.Carvalho, Antunes, R.Meireles, C.Martins, Deco, Nani, H.Almeida e Simão
DINAMARCA: Quim, Bosingwa, Pepe, R.Carvalho, P.Ferreira, R.Meireles, Maniche, Deco, Nani, H.Almeida e Simão
SUÉCIA: Quim, Bosingwa, Pepe, B.Alves, P.Ferreira, R.Meireles, F.Meira, Moutinho, Nani, H.Almeida e Ronaldo
ALBÂNIA: Quim, Miguel, Pepe, B.Alves, P.Ferreira, R.Meireles, M.Fernandes, Moutinho, Danny, H.Almeida e Ronaldo

OS ROSTOS DE UM FRACASSO

UMA PORCARIA

Por mais panos quentes que se coloquem sobre a situação, a verdade é só uma: Portugal, depois deste empate, está praticamente afastado do primeiro lugar do grupo – o único que dá acesso directo ao Mundial – e fica inclusivamente em sérias dificuldades para alcançar o segundo, e assim chegar ao play-off de repescagem.
Parece impossível, mas esta é a situação em que a selecção nacional se colocou depois de, em quatro jornadas, somente ter conseguido vencer Malta, e de, em dois jogos em casa, apenas ter alcançado um mísero ponto.
Já aqui disse muita coisa a propósito desta equipa e deste treinador aquando da inacreditável derrota com a Dinamarca em Alvalade. Na altura falei daquilo que Portugal perdera com a saída de Scolari, numa fase em que muitos ainda desconfiavam do que para outros – entre os quais eu próprio - era uma absoluta evidência. Não vale a pena perder muito tempo a repeti-lo, até porque a simples comparação entre os dois técnicos se afigura um exercício cada vez mais absurdo, para além, claro, da sua total inutilidade.
No entanto, ao encetar uma análise a este jogo e à situação classificativa por ele deixada, é impossível ignorar os erros primários cometidos por Queirós em quase todos os parâmetros daquilo que são as suas atribuições enquanto técnico nacional.
Não sei o que quer dizer Carlos Queirós quando afirma estar a construir uma grande equipa. Para quando ? Pelos vistos alguém terá de lhe dizer que estamos quase a meio da fase de apuramento para um Mundial, e que há mais de dez anos não falhamos qualquer grande competição.
As suas declarações antes e depois dos jogos são, ou despropositadas, ou totalmente inócuas, revelando-se incapaz de mobilizar jogadores e público. As suas opções técnicas são extremamente voláteis e quase sempre incompreensíveis, parecendo por vezes fazer tudo ao contrário daquilo que deve ser feito. Em campo, a equipa surge sem alma, sem coesão, sem organização, sem nada.
Como será possível vencer com um treinador assim ?
Não tenho qualquer embirração particular contra Queirós, com quem nunca falei, e a quem respeito pelo seu brilhante passado enquanto técnico de formação. Desejo-lhe naturalmente, e enquanto responsável pela selecção nacional, o maior sucesso. Mas não consigo passar ao lado daquilo que me parece ser uma dramática realidade, que começa a estar bem à vista de todos: a sua escolha foi um logro, e começa a cair, em cima de todos nós, a máscara que lhe foi sendo desenhada ao longo de muitos anos passados debaixo do guarda chuva de Alex Ferguson.
No jogo com a Albânia tudo foi demasiado mau. Desde a exótica constituição inicial da equipa, passando pelas prestações individuais de quase todos os jogadores – Ronaldo assim dificilmente ganhará a eleição da FIFA -, pela absoluta inexistência de qualquer ideia de futebol colectivo, pelas substituições e respectivo timing, pelos assobios do público, pela reacção de Ronaldo aos mesmos, pelo abandono de Madail, até à conferência de imprensa final. Tudo foi triste. Tudo foi fado. O triste fado português que, depois de um curto interregno, nos volta a atormentar de novo.
Este frustrante empate ter-se-á começado a desenhar ainda antes do próprio dia do jogo, designadamente com as declarações proferidas pelo seleccionador na véspera. Lembrar que Portugal nunca ganhou nenhuma grande competição, não revela qualquer tipo de sentido de oportunidade quando se está em dificuldades numa fase de apuramento. Aliás Queirós, enquanto seleccionador principal, já falhou, ele próprio, duas qualificações, parecendo caminhar a passos largos para a terceira, o que se não é um record anda certamente lá perto. Falar, neste contexto, de um título mundial – foi isso objectivamente que ele disse - parece tão anedótico como irresponsável.
No que diz respeito ao onze escolhido, não consigo entender como, perante tantas ausências de jogadores influentes, Queirós prescinde daquele que é claramente o mais experiente de todos (Nuno Gomes), justamente num tipo de jogo bastante adequado às suas características. Não entendo também como, jogando em casa e tendo de abrir o ataque, não dispondo de Simão, o seleccionador deixou Nani e Quaresma simultaneamente no banco para dar a titularidade a um Danny completamente deslocado da sua habitual posição, que é a de médio de construção.
Olhando globalmente para a prestação da selecção nacional, a imagem que fica é de uma incapacidade colectiva gritante. O meio campo não funcionou, o ataque foi, durante a maior parte do tempo de jogo, quase inexistente, as individualidades nunca emergiram.
Perante tudo isto, quase não surpreende que Portugal não tenha ido além de um empate contra dez empenhados albaneses, que, pasme-se, até tiveram oportunidades para chegar à vitória.
E pronto. À boa maneira das décadas de setenta e oitenta, aí estamos nós de calculadora em punho. Aí estamos nós à beira de, após vários anos, voltarmos a falhar o apuramento para uma grande competição. Matematicamente tudo é possível, mas, pelo que se viu até agora, “este” Portugal dificilmente terá condições para ganhar todos os jogos até final, condição agora necessária para estar na África do Sul em 2010.
Oxalá seja eu a estar enganado.

O ONZE PARA VENCER A ALBÂNIA

VOTO SIM !

O Secretário de Estado do Desporto foi ontem bem claro ao dizer que não será pelo governo português que uma eventual candidatura de Portugal e Espanha à organização do Mundial 2018 não avançará. Mais do que isso, Laurentino Dias deu a entender que a sua posição é semelhante à do governo espanhol, pelo que a decisão ficará inteiramente nas mãos das respectivas federações. Esta candidatura conjunta tem assim pernas para andar, o que é uma excelente notícia para os portugueses.
Os profetas da desgraça e os arautos do miserabilismo irão agora naturalmente aparecer a defender que o país tem outras prioridades. É verdade que tem, mas o Mundial é em…2018. Ninguém neste momento tem a mais pequena ideia do que será o país e o mundo nessa altura, e as duas únicas coisas que se sabem é que a maior fatia do investimento será da responsabilidade da Espanha, e a parte correspondente a Portugal já está em larga medida assegurada, dado que existem dez estádios em boas condições de – com um ou outro reparo – poder albergar a competição.

A concretizar-se o evento – é preciso que a candidatura vença, o que não é nada fácil pois são sempre muitos os interessados -, teremos oportunidade de reviver no nosso país as inesquecíveis jornadas festa que foram vividas no Euro 2004. Este que também foi – e continua ainda a ser – objecto da crítica de quem não compreende que a vida das pessoas e dos povos nem sempre se resume a dinheiro gasto ou por gastar, como se de uma simples mercearia se tratasse.
Por mim, enquanto cidadão e contribuinte, não choro nem um cêntimo gasto no Euro 2004. Julgo mesmo que terá sido um dos momentos de maior exaltação nacional que Portugal viveu desde o 25 de Abril. E isso não tem preço.

UM PONTO, DE INTERROGAÇÃO

Se antes do início desta fase de qualificação nos fosse proposto um empate na Suécia, decerto o mesmo seria aceite com satisfação. Afinal de contas, tratando-se do adversário teoricamente mais forte do nosso grupo, conquistar um ponto (roubando dois) no seu próprio terreno, poderia constituir um importante passo na rota para a África do Sul.
Depois de perder em casa com a Dinamarca as coisas mudaram um pouco de figura. Portugal viu-se na necessidade imperiosa de conquistar pontos fora, e nessa medida, só as contas finais farão este empate mostrar a sua verdadeira cara - um sorridente ponto ganho ou, pelo contrário, mais dois pontos cinzentamente perdidos.
Para já, e até ver, vou mais pela primeira hipótese.
Pior do que empatar, diria La Palisse, seria perder. E na análise ao que se passou nos noventa minutos de Solna, há que dizer que Portugal esteve bem mais perto da derrota do que de uma vitória que, a acontecer, seria no mínimo tão feliz como a que a Dinamarca alcançou em Alvalade no mês passado.
A primeira parte foi, a espaços, sufocante para a selecção nacional. A colocação de Fernando Meira no meio-campo deslocou o epicentro do jogo para as imediações da área lusa, onde o poder físico de Ibrahimovic e Elmander ia fazendo estragos perante uma linha defensiva algo baralhada. Creio que Meira é um óptimo defesa-central, mas um centrocampista mediano. A sua tendência genética para recuar retirou, nesse período, capacidade ao meio-campo, e não ajudou – muito pelo contrário - a dupla de centrais a funcionar com harmonia e coesão.
A agravar a situação, quer João Moutinho, quer sobretudo Raul Meireles, raramente conseguiam empreender transições ofensivas de qualidade, perdendo rapidamente a posse de bola e não conseguindo fechar nem o corredor central nem as alas, onde Bosingwa e, sobretudo, Paulo Ferreira, se viam em dificuldades perante o tradicional 4-4-2 bem aberto interpretado pelos nórdicos. Na frente Hugo Almeida era de uma inoperância total – Nuno Gomes parece-me, inquestionavelmente, em melhor forma, e é, na minha opinião, muitíssimo melhor jogador -, e nem os extremos conseguiam as acções de desequilíbrio que lhes são características.
O empate ao intervalo era lisonjeiro para Portugal.
Na segunda parte a equipa portuguesa conseguiu estender mais o jogo, fazendo-o sair da zona mais perigosa. Cristiano Ronaldo subiu muito de produção, e Nani deu, finalmente, um ar de sua graça (até ser substituído). Portugal equilibrou o jogo, conseguindo criar alguns lances de perigo junto da baliza sueca, ainda que fosse sempre Quim o guarda-redes com mais trabalho.
Já perto do final, Paulo Ferreira foi verdadeiramente pontapeado dentro da área adversária, mas Roberto Rosetti decidiu nada assinalar. Poderia ter sido o momento de fortuna para as nossas cores, mas manda a honestidade dizer que os três pontos seriam excessivos para o que Portugal produziu e, principalmente, bastante penalizadores para a boa exibição da equipa nórdica.
Na quarta-feira, diante da Albânia em Braga, qualquer resultado que não seja a vitória poderá tornar o apuramento numa miragem. E atenção ! Há que referir que os albaneses têm evoluído muito nos últimos anos, e não são, de todo, um Liechtenstein ou um Luxemburgo.

CHOQUE DE TITÃS

O JORNAL DO BENFIQUISTA

Benfiquista que se preze, compra o jornal "O Benfica". Custa apenas 75 cêntimos, é o mais antigo jornal desportivo do país, e permite um acompanhamento profundo da actividade do Clube, nomeadamente no que diz respeito às outras modalidades, aos escalões de formação, para além, naturalmente, do futebol maior, com entrevistas e artigos diversos, histórias e palmarés, reportagens e opiniões.
Amanhã nas bancas, uma nova edição, com vários motivos de interesse, entre os quais a coluna de opinião semanal deste vosso amigo.

JUSTIÇA

Notícias recentes dão conta da intenção da SAD benfiquista proceder à renovação dos contratos com Nuno Gomes e Cardozo. No caso do primeiro, o vínculo terminaria no final desta época, no que respeita ao segundo, trata-se fundamentalmente de uma revisão salarial.
Já em diferentes ocasiões aqui fui crítico do desempenho destes dois avançados, que muitas vezes me pareceram capazes de fazer mais do que fizeram e do que a sua qualidade permitiria - um e outro têm, aqui e ali, dado mostras de alguma falta de ambição, ainda que expressa de diferentes modos, algo que ainda espero ver rectificado. Ao tomar conhecimento desta iniciativa dos dirigentes do Benfica, não posso, no entanto, estar mais de acordo com ela.
Um dos fundamentos necessários para desenvolver um trabalho em equipa é, sem dúvida, o equilíbrio salarial. Não é viável esperar empenho num grupo de trabalho onde uns são filhos e outros enteados, onde uns ganham milhões e outros tostões.
Nuno Gomes e Cardozo não ganham tostões, mas estão longe de pertencer ao lote dos jogadores mais bem pagos do plantel, tendo uns nove ou dez colegas de trabalho a ganhar mais que eles - nalguns casos até bastante mais. Ora um é capitão de equipa, capitão da selecção nacional e leva dez anos de clube, o outro é o seu melhor goleador. Um aumento significativo dos seus salários será de toda a justiça, e acrescentará equilíbrio e critério à folha de vencimentos do clube da Luz. Se a massa salarial do plantel está inflacionada – e essa é uma das minhas preocupações enquanto sócio do clube -, a “culpa” não é seguramente destes dois avançados, que são dois dos mais importantes jogadores do Benfica da actualidade.
Mas atenção. Ao assumir aqui a defesa de uma melhoria salarial para estes dois jogadores, reforçarei, consequentemente, o meu grau de exigência quanto ao seu desempenho em campo. E quer um, quer outro, sabem bem o quanto podem melhorar.

A MINHA SELECÇÃO PARA A SUÉCIA

O LEÃO MANSO

No passado domingo, Pinto da Costa foi mais uma vez recebido em Alvalade com todas as honras e obséquios, aparecendo junto de Filipe Soares Franco sorridente e bem disposto, vendo o jogo a seu lado no camarote presidencial. Uma vez mais o Sporting surge, institucionalmente, aos olhos da opinião pública como aliado de referência do F.C.Porto, dando-lhe a mão, por actos e omissões, sempre que este tem necessitado.
O que tem ganho o Sporting com esta política, que deve fazer revirar o estômago a Dias da Cunha, ele que foi pioneiro na denúncia do sistema que enlameou o futebol português ao longo de duas décadas?
Caso o único objectivo do clube de Alvalade seja, como por vezes parece, afastar o Benfica dos títulos, então esta é a estratégia correcta. O Porto ganha, o Benfica perde, nada mais linear.
Se o Sporting pretende, pelo contrário - como acredito que alguns dos seus sócios pretendam – conquistar títulos, então este caminho é incompreensível.
Os gráficos abaixo demonstram como o Sporting saiu molestado desde que Pinto da Costa entrou para a presidência dos dragões e devastou a credibilidade do futebol português com práticas criminosas. Mais até do que o Benfica, o Sporting pagou cara a estratégia de vale tudo do presidente nortenho, e passou nestes anos de clara segunda força desportiva do país, para um tímido terceiro posto, que resultaria fortemente agravado caso entrássemos em linha de conta com outras modalidades para além do futebol. Se olharmos a assistências, audiências, número de sócios, a degradação do clube leonino desde o início dos anos oitenta assume contornos que deveriam preocupar os seus dirigentes máximos.

O sistema criminoso corporizado por Pinto da Costa e Valentim Loureiro penalizou o Benfica, mas arrasou o Sporting, e é difícil de acreditar que Filipe Soares Franco, por ingenuidade ou por outro qualquer motivo que desconheço, não tenha ainda percebido o que aconteceu ao seu clube, e de onde vem o mal.
Em 2005, com Pinto da Costa fortemente acossado pela justiça, o Sporting teve nas suas mãos a hipótese de o varrer de vez do futebol
, e com isso limpar toda a podridão que ele lhe havia trazido. Dias da Cunha assinou um documento conjunto com Luís Filipe Vieira, e a partir dessa base, os dois grandes clubes de Lisboa teriam tido força para fazer tremer os alicerces do “status quo” reinante. Da parte do Benfica houve essa clara intenção, e louve-se o seu presidente por essa corajosa atitude. Do lado dos leões, a oposição interna nunca aceitou o documento, e enquanto não afastou Dias da Cunha não descansou, de certo mais preocupada com a “tragédia” de ver o rival vencer um campeonato.
Perdeu-se uma oportunidade história de acabar com o regime "pintodacostista", que tanto mal tem feito ao desporto português, e ao próprio país – o balanço final ainda terá que ser feito a este respeito –, e, embora nada volte a ser como antes, as consequências de um processo que levantava a ponta do véu sobre tudo o que se passara durante décadas ficaram-se por uma punição fingida (os seis pontos), e algumas questões menores. O resultado foi um tri-campeonato para o Porto, a recuperação de toda a sua força desportiva e institucional, e a abertura de alas para a impunidade total de anos e anos de crimes, corrupção, tráfico de influências, intimidação, violência e resultados falseados.
Houve alguém que poderia e deveria ter agido, e assobiou para o lado. Houve alguém que poderia ter ajudado o Benfica a combater a corrupção, e preferiu alhear-se, com medo que o clube da Luz saísse reforçado do processo. Eis a lógica do escorpião aplicada à segunda circular.
Hoje Soares Franco aparece a sorrir ao lado de um criminoso. Um sabemos bem do que ri, quanto ao outro…

RANKING EUROPEU (Actualização)


Como se vê, o Benfica está bastante perto do 16º lugar, bastando-lhe uma vitória para lá chegar. O AZ Alkmaar não se apurou para as competições europeias este ano, pelo que, se tudo correr normalmente, no final da temporada o Benfica estará dentro das dezasseis melhores equipas da Europa.

O BENFICA NA TAÇA UEFA

1966/67
R2: Spartak Plovdid (BUL), 1-1* & 3-0
R3: VfB Leipzig (GER), 1-3* & 2-1
1978/79
R1: FC Nantes-Atlantique (FRA), 2-0* & 0-0
R2: Borussia M'gladbach (GER), 0-0 & 0-2*
1979/80
R1: Aris Thessaloniki (GRE), 1-3* & 2-1
1982/83
R1: Real Betis Sevilla (SPA), 2-1 & 2-1*
R2: Lokeren St. Niklaas (BEL), 2-0 & 2-1*
R3: FC Zurich (SWI), 1-1* & 4-0
QF: AS Roma (ITA), 2-1* & 1-1
SF: Universitatea Craiova (ROM), 0-0 & 1-1*
FL: Anderlecht Brussels (BEL), 0-1* & 1-1
1988/89
R1: Montpellier HSC (FRA), 3-0* & 3-1
R2: RFC Liege (BEL), 1-2* & 1-1
1990/91
R1: AS Roma (ITA), 0-1* & 0-1
1992/93
R1: Belvedur Izola (SVN), 3-0 & 5-0*
R2: Izzo Vac (HUN), 5-1 & 1-0*
R3: Dynamo Moscow (RUS), 2-2* & 2-0
QF: Juventus Torino (ITA), 2-1 & 0-3*
1995/96
R1: SK Lierse (BEL), 3-1* & 2-1
R2: Roda Kerkrade (NED), 1-0 & 2-2*
R3: Bayern Munich (GER), 1-4* & 1-3
1997/98
R1: SEC Bastia (FRA), 0-1* & 0-0
1999/00
R1: Dynamo Bucharest (ROM), 0-1 & 2-0*
R2: PAOK Thessaloniki (GRE), 2-1* & 1-2 vp
R3: Celta Vigo (SPA), 0-7* & 1-1
2000/01
R1: Halmstads BK (SWE), 1-2* & 2-2
2003/04
R1: RAA La Louviere (BEL), 1-1* & 1-0
R2: Molde FK (NOR), 3-1 & 2-0*
R3: Rosenborg Trondheim (NOR), 1-0 & 1-2*
R4: Internazionale Milano (ITA), 0-0 & 3-4*
2004/05
R1: Dukla Bystrica (SVK), 3-0* & 2-0
R2 (Grp G): SC Heerenveen (NED), 4-2
R2 (Grp G): VfB Stuttgart (GER), 0-3*
R2 (Grp G): Dynamo Zagreb (CRO), 2-0
R2 (Grp G): KSK Beveren (BEL), 3-0*
R3: CSKA Moscow (RUS), 0-2* & 1-1
2006/07
R3: Dynamo Bucharest (ROM), 1-0 & 2-1*
R4: Paris St. Germain (FRA), 1-2* & 3-1
QF: Espanyol Barcelona (SPA), 2-3* & 0-0
2007/08
R3: Nurnberg (GER), 1-0 & 2-2*
R4: Getafe (SPA), 1-2 & 0-1*
2008-09
R1: Napoli (ITA), 2-3* & 2-0
R2 (Grp B): Hertha Berlim (GER), - *
R2 (Grp B): Galatasaray (TUR), -
R2 (Grp B): Olympiakos Piraeus (GRE), - *
R2 (Grp B): Metalist Kharkiv (UKR), -

LUGAR À ESPERANÇA

O sorteio de ontem colocou o Benfica num grupo difícil. Não há como iludi-lo, importando, isso sim, perceber se poderia ou não ter sido muito melhor, ainda que se trate de um exercício meramente especulativo, pois o sorteio está feito, e de feito não passará.
Nesta temporada, como aqui disse ainda antes da eliminatória anterior, a Taça UEFA está particularmente forte, contando com a presença de vários ex-campeões europeus, e diversas equipas habituadas a estar presentes nas Ligas dos Campeões dos últimos anos. É uma tendência para manter, pois as alterações introduzidas por Platini apontam para um reforço de qualidade e prestígio desta prova que, há poucos anos atrás, parecia condenada à extinção.
AC Milan, Sevilha, Valência, Tottenham, Ajax, Manchester City, Estugarda, CSKA Moscovo, Sampdoria e muitos outros, estão longe de constituir aquilo que se poderia chamar uma segunda divisão europeia, sobretudo quando olhamos para a Champions, e vemos Anathosis Farmagusta, Aalborg, Cluj, Bate Borisov ou Basileia. À excepção da nata constituída pelos oito ou nove melhores equipas da Europa – que estão de facto na Champions – no restante, as competições equivalem-se.
Neste contexto, não seriam de esperar facilidades deste sorteio. Os encarnados tinham uma estreita margem de felicidade, resultante do alinhamento das equipas nos potes poder permitir um autêntico jackpot, que seria apanhar, por exemplo, o grupo que calhou ao também cabeça-de-série Valência (Rosenborg, Brugges, Copenhaga e St.Etienne). Como os milagres não são para todos, as equipas que caíram para o Benfica apresentam dificuldades, e o apuramento é tudo menos garantido.
Ainda assim, se pensarmos que os encarnados se livraram no pote 3 de Sampdória, Manchester City e Udinese (saiu o Galatasaray), e no pote 4 de Santander, Portsmouth e Aston Villa (saiu o Hertha), não há como evitar um certo sentimento de alívio
. Talvez só o Olympiakos (poderia ter saído o Heerenveen ou o Brugges) fosse de evitar, mas estas coisas raramente são milimetricamente como desejamos, e como diz o povo, “o bom é inimigo do óptimo”.
Em relação ao calendário, pode dizer-se que melhor era impossível. Seria perigoso defrontar o Galatasaray – um dos concorrentes directos - fora de casa, no infernal ambiente de Istambul. Seria de evitar uma deslocação longa e desgastante à Ucrânia, onde uma equipa como o Metalist se poderia tornar perigosa. Pelo contrário, jogar na Alemanha, com forte apoio das comunidades emigrantes, pode ser uma boa ocasião para pontuar, e começar logo aí a desenhar o apuramento. O jogo de Atenas vai ser naturalmente o mais complicado, mas dado o figurino da prova, uma derrota não será dramática. Receber os ucranianos no último jogo, é a melhor forma de, eventualmente, decidir a qualificação.
Se os encarnados ganharem os dois jogos em casa, e empatarem na Alemanha, têm o apuramento matematicamente garantido. Mas já houve, na história da prova, equipas apuradas com apenas 4 pontos.
A UEFA deve ser uma aposta séria do Benfica, quer por respeito ao seu passado, quer pelo facto de ser a equipa portuguesa melhor colocada no ranking oficial, posição que deve fazer tudo por manter e melhorar. Uma presença nos oitavos-de-final deverá ser o objectivo a alcançar, pois, sejamos lúcidos, o lote de equipas em presença dificultará maiores ambições a uma equipa em ano de reconstrução.
Acredito que a natural vocação europeia dos encarnados os fará ultrapassar esta fase sem dificuldades de maior, e depois, dependendo da sorte, conseguir passar mais um ou dois obstáculos. Ou seja, alcançar uma prestação prestigiante, e pontuar no ranking, cimentando a sua posição de principal representante português nas provas internacionais.

ASSIM-ASSIM...



HERTHA DE BERLIM (7º na Alemanha) BERLIM 23/10

GALATASARAY (5º na Turquia) LISBOA 6/11
OLYMPIAKOS (1º classificado na Grécia) ATENAS 27/11METALIST KAHRKIV (3º na Ucrânia) LISBOA 18/12
SP.BRAGA: Milan, Portsmouth, Heerenveen e Wolfsburgo

HOJE HÁ SORTEIO

MAL ME QUER: Deportivo da Corunha, Udinese, Aston Villa e Saint Etienne
BEM ME QUER: Brugges, Rosenborg, Dinamo Zagreb e Zilina

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Esta foi uma jornada com alguns casos.
Quer em Alvalade, quer em Matosinhos, dois árbitros com um prestígio desproporcionado face à sua fraca qualidade, cometeram erros, nalguns casos erros grosseiros.

SPORTING-FC PORTO:
Quanto ao penálti assinalado, por muito que se discuta a intensidade do toque, o que se vê é um contacto intencional com a mão de Tomás Costa no peito de Moutinho, e como tal, Lucílio Baptista ajuizou bem.
O maior erro do árbitro setubalense foi, justamente, não ter expulso o médio argentino do F.C.Porto, não por esse lance, mas por uma sucessão de faltas duras e merecedoras de cartão amarelo.
Há também um lance de Derlei sobre Sapunaru, mas aí, francamente, é com dificuldade que vejo intenção de atingir o adversário. O brasileiro falha a bola e acerta na canela do defesa portista.
Na jogada do primeiro golo do F.C.Porto, após ver as repetições, creio que não há motivo para assinalar qualquer infracção. Terá sido apenas falta…de jeito.
Resultado Real: 1-2

LEIXÕES-BENFICA:
Podem os inimigos do Benfica (e tantos que eles são…) dizer que a equipa encarnada foi beneficiada, pois Benquerença não assinalou uma grande penalidade cometida por Yebda, já perto do final do jogo. É verdade. No meu ponto de vista, ainda que o lance não seja óbvio, houve motivo para grande penalidade, e na classificação “real” terei de subtrair um ponto ao Benfica.
Mas não foi esse o maior erro do árbitro neste jogo.
É perfeitamente inacreditável como Olegário Benquerença não assinalou – porque não quis, pois está de frente para o lance, a poucos metros do mesmo – a mão do defesa leixonense no lance que precede o golo de Cardozo. Esse sim é um penálti absolutamente claro e indiscutível, a que o árbitro fez vista grossa. É um daqueles lances que demonstra má fé. É o chamado erro grosseiro, tipo de erro em que, aliás, Benquerença tem por hábito reincidir.
Felizmente, o lance terminou em golo. Agora poucos falarão dele, mas para mim fica como a principal nódoa na actuação de Benquerença, e claramente como o erro mais flagrante da jornada.
Para além destes dois lances, terei de dizer que o juiz leiriense foi extremamente benevolente para com os jogadores do Leixões, que nos primeiros quinze minutos arrumaram Reyes, e quase iam fazendo o mesmo a Di Maria.
No golo anulado ao Paços, o avançado da equipa da casa está com um pé fora de jogo, e como tal o árbitro assistente esteve bem, assinalando o impedimento. No golo anulado a Yebda, aceita-se que Nuno Gomes tenha de facto impedido o guardião Beto de se fazer à bola.
Houve também um momento importante, já nos últimos dez minutos, em que o Benfica lutava para afastar a pressão leixonense, conseguiu um canto (numa disputa entre Ruben Amorim e um defesa contrário), mas a equipa de arbitragem deu indicação de pontapé de baliza, empurrando dessa forma o Leixões para o golo que viria a marcar pouco depois. Um pontapé de canto naquela altura podia significar um ou dois minutos passados, o afastar da pressão, o tranquilizar da equipa. É por vezes com habilidades como essa que se decidem jogos.
Este árbitro, apesar de poliglota e bem falante, mantém um histórico negro, quase sempre em prejuízo do Benfica e do Sporting, e em benefício do F.C.Porto. É um árbitro da velha guarda. Tem ainda tiques de pré-Apito Dourado, talvez por reconhecimento face a quem o ajudou a fazer carreira internacional. Infelizmente ainda faltam alguns anos para abandonar a carreira.
Por falar em Apito Dourado – e há muito tempo que digo isto -, gostaria de um dia ver devidamente investigado o comportamento deste tipo de equipas perante Benfica e outros adversários, designadamente aqueles que são comprovadamente capazes de utilizar todos os meios, lícitos ou ilícitos, para ganhar. A diferença de entrega, de agressividade, de organização é gritante, e salta à vista. Não estou a acusar ninguém directamente, mas lá que gostaria de ver uma investigação incidir sobre esse aspecto, isso gostava.
Resultado Real: 2-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
FC PORTO 13
Benfica 8
Sporting 7

AFOGADOS NO MAR


Depois de duas vitórias galvanizadoras, e duas exibições a condizer, nada fazia prever que o Benfica desse tão pálida imagem de si na deslocação a Matosinhos, num jogo que o podia levar, 1233 dias depois, à liderança da tabela classificativa da Liga.
Não consigo compreender o que se terá passado com a equipa neste jogo, em particular na segunda parte. Como palavra para definir a atitude benfiquista após o intervalo, só me ocorre suicídio. Foi suicidária a forma como o Benfica jogou nesse período, recuando inexplicavelmente no terreno, dando toda a iniciativa de jogo ao adversário, defendendo mal, não conseguindo segurar o meio-campo, e prescindindo de atacar, diante de um resultado tangencial, e perante um adversário moralizado e combativo. Mais uma vez a equipa encarnada pareceu pensar que o jogo acabaria por, mais tarde ou mais cedo, pender para o seu lado. Terá reforçado esse pensamento quando, ao intervalo, se via em vantagem, mesmo sem o merecer.
Foi afinal o que tinha acontecido em Paços de Ferreira, embora então a felicidade tenha bafejado os encarnados. Desta vez, o anunciado golo do empate do adversário acabou por surgir mesmo, constituindo, até pelo momento em que ocorreu, um verdadeiro golpe no estômago da equipa da Luz, e em particular, dos seus adeptos, muitos dos quais crentes que o tempo destas coisas já teria passado.
Quem é que no Benfica ainda não percebeu que é em momentos como este que se ganham campeonatos ? Quem é que no Benfica ainda não percebeu como se ganha a estas equipas ?
É verdade que a agressividade que este tipo de adversários põe frente ao Benfica não é comparável a que demonstram diante de outros. É verdade que equipas de qualidade técnica medíocre e assente apenas na dureza de jogo, como o Leixões, o Paços, o Rio Ave e muitas outras da nosso futebol, em particular o que se joga a norte, não existem em campeonatos de primeira linha europeia, e técnicos como Quique Flores não estarão habituados a defrontá-las. Mas nada disso justifica a atitude expectante, hesitante, timorata, com que os encarnados – por sinal vestidos de branco – pensaram poder ganhar um jogo, que desde cedo lhes mostrou má cara.
Tirando, aliás, os últimos minutos da primeira parte, o que o Benfica produziu foi um redondo zero. Uma miserável exibição. A pior da época, até agora, que até poderia ter valido a derrota, caso o árbitro tivesse assinalado um empurrão de Yebda (juntamente com Quim, o único que se salvou deste naufrágio) a um adversário dentro da área. Um retrocesso enorme nos progressos que havia mostrado ultimamente. Um golpe cujo futuro dirá até que ponto condiciona ou não a história do campeonato, num momento em que a liderança estava ali tão próxima.

Não posso deixar de manifestar a minha profunda indignação para com as declarações de Cardozo no flash interview, onde se confessou... contente (!) pela conquista de um ponto e pelo golo marcado (a única coisa que, de resto, fez em todo o jogo). Num momento em que eu, simples sócio, ainda me beliscava para perceber se estaria ou não a viver um pesadelo, num momento em que ainda me contorcia interior e exteriormente com a revolta da perda de dois importantíssimos pontos, ouvir um profissional do clube dizer aquilo deu-me a volta ao estômago. Não pode ser esta a fibra de jogadores que se querem (?) campeões. Um empate como este, com sabor à mais pesada das derrotas, na sequência de vitórias capazes de catapultar a equipa para uma dimensão superior, em vésperas de uma longa pausa competitiva, não pode ser tolerado sem a maior das revoltas. Se assim não for, se os jogadores não interiorizarem esta atitude, escusamos de esperar grande coisa desta equipa. Entendia melhor que ninguém aparecesse para a entrevista, coisa que eu teria feito se lá estivesse.

PORTO LAVA A CARA NAS ÁGUAS DE ALVALADE

O clássico de Alvalade servia fundamentalmente para saber quem, de entre F.C.Porto e Sporting, seria capaz de reagir melhor aos últimos resultados negativos.
Nesta medida, os dragões deram, uma vez mais, mostras da sua inegável força mental, vencendo um jogo chave para o desenrolar da sua época, pois no caso de uma eventual repetição da vergonhosa prestação de Londrescertamente que nada ficaria como antes no interior da equipa e do clube. Uma primeira parte bastante mais afirmativa do que se esperaria, e uma segunda parte de luta e alguma sorte, chegaram à equipa de Jesualdo Ferreira para levar de vencida um leão demasiado dócil e inofensivo, e terminar assim com a sucessão de vitórias de Paulo Bento no confronto entre estas duas equipas.
O Sporting mostrou alguns dos problemas que já evidenciara na Luz. Trata-se de uma equipa especialmente talhada para colocar gelo nas partidas, fazer circular a bola e dominar o meio-campo. Sabe controlar os tempos de jogo, consegue impedir o adversário de jogar, mas quando, como ontem, se vê em desvantagem e na obrigação de criar, dá mostras de alguma previsibilidade e falta de imaginação. Já não é de agora que os leões revelam esta carência de soluções que, no meu ponto de vista, passa pela excessiva dependência que têm face ao seu modelo de jogo, fruto também de um plantel no qual, por exemplo, não existe um único extremo de raiz.
Outro dos problemas do Sporting - de certo modo decorrente do primeiro, e até há bem pouco tempo comum ao vizinho Benfica - é o estranho hábito de entrar em campo tranquilamente convencido de que, mais minuto menos minuto, as coisas acontecerão como espera. Ontem os leões voltaram a fazer um primeiro tempo muito fraco. Já na quarta-feira isto havia sucedido, só que o F.C.Porto não é o Basileia...
Desconheço a que ponto alguma instabilidade de balneário pode condicionar ou não esta fase menos positiva do Sporting – e ontem foi Grimi a manifestar algum descontentamento. O que é certo é que, em duas jornadas, a equipa de Alvalade pode passar de grande candidato ao título e previsível líder isolado – já se falava em sete pontos de vantagem para cada um dos rivais -, para um modesto e tristonho oitavo lugar, dependendo dos resultados de hoje a aferição do real trambolhão leonino na tabela classificativa.
A arbitragem de Lucílio Baptista esteve melhor do que é habitual nele, tendo ainda assim errado ao poupar a expulsão a Tomás Costa. E a verdade é que ainda faltava muito tempo para jogar…

UM REY(ES) QUE PARECE UM ÁS; UM GREGO RENASCIDO; UMA ATITUDE DE GUERREIROS; UM BENFICA PARA A EUROPA

Diante de uma forte equipa italiana – segunda classificada do seu campeonato -, tendo que recuperar de uma desvantagem trazida da primeira mão, e desfalcados dos seus principais avançados, os encarnados tinham pela frente uma espinhosa missão na primeira noite europeia da época.
Confesso que, antes da partida se iniciar, estava bastante céptico quanto ao seu desfecho. Até porque, para além das ausências de Cardozo, Aimar e Suazo, a estatística costuma valer alguma coisa nestas andanças europeias, e o Benfica havia 23 anos que não ultrapassava uma eliminatória diante de conjuntos transalpinos, famosos precisamente pela sua capacidade de segurar jogos e resultados.
A resposta da equipa de Quique Flores foi esmagadora. Uma grande exibição, uma vitória tão clara quanto justa, e o passaporte carimbado para a fase de grupos da Taça UEFA. Tudo isso devidamente emoldurado por um Estádio da Luz ao nível das suas melhores noites, com quase sessenta mil pessoas nas bancadas a empurrar a equipa rumo à Europa.
É impressionante o trabalho que o técnico espanhol tem levado a cabo no Benfica. Em pouquíssimo tempo de trabalho, Quique conseguiu fazer de uma amálgama de jogadores sem qualquer familiaridade entre si, um conjunto capaz de empolgar. O Benfica, tal como o havia sido em largos períodos do derby lisboeta, voltou a ser isso mesmo: uma equipa empolgante, vibrante, alegre e incisiva.Se na primeira parte o jogo foi repartido, com oportunidades para ambos os lados, e uma velocidade e intensidade dignas de fases bem mais adiantadas da prova, no segundo período o Benfica tomou conta do jogo, e com ele, da eliminatória. Com grandes exibições de um renascido Katsouranis – sempre desconfiei que a sua pior fase tinha algo que ver com o deslocamento para central – e do espanhol Reyes, o Benfica foi, minuto a minuto, construindo uma exibição consistente, categorizada e, sobretudo, ganhadora. Quando o jogo terminou, ficou a sensação de os encarnados estarem mais perto do 3-0 do que o já destroçado Nápoles do 2-1, ficando Nuno Gomes a dever a si próprio a possibilidade de assinar um interessante bis-europeu. A equipa italiana veio a Lisboa programada para segurar a vantagem, e desde cedo procurou deitar gelo na fogosa atitude com que o Benfica abordou a partida. Quando se viram em desvantagem, os italianos ficaram, aparentemente, sem saber o que fazer, mostrando que talvez não acreditassem na hipótese de um Benfica tão desfalcado vir a conseguir marcar primeiro que eles. Pouco tempo após o primeiro golo, sentiu-se que só uma grande infelicidade tiraria a eliminatória aos encarnados que, mesmo com a entrada de jovens como Binya ou Urreta, nunca se deixou intranquilizar.Perguntará o leitor mais desconfiado: e se o Nápoles tem marcado logo na aurora do jogo – conforme ameaçou -, ou tem concretizado uma daquelas soberanas ocasiões que teve a fechar a primeira parte ?
Um jogo de futebol, para mais diante de uma equipa poderosa – esta foi a primeira derrota da época para os napolitanos – deixa sempre no seu rasto alguns “ses”. No fundo, qualquer disputa entre equipas equilibradas, reveste-se sempre de alguma aleatoriedade. Foi assim no derby, foi assim nesta noite europeia, será assim no próximo domingo quando Sporting e F.C.Porto se defrontarem. Quem perde tem sempre um “se” onde se encostar, e se entrarmos por aí, o papel do analista fica reduzido a cinzas.
É preciso pegar no que aconteceu e não no que poderia ter acontecido. É preciso perceber também que o principal fundamento do futebol é marcar golos, e que quem os consegue não pode, de modo algum, ser colocado no mesmo plano de análise de quem os falha. Reyes pintou a sua exibição com um golo fantástico, Zalayeta falhou de baliza aberta. Mérito de uns, demérito de outros. Eis como, também assim, se chega à razão de uma justa vitória.
Em termos individuais já destaquei Reyes e Katsouranis. Podia também fazê-lo em relação a Nuno Gomes ou a Yebda. A espaços também Di Maria foi capaz de brilhar, ainda que tenha de perder rapidamente aquele individualismo que por vezes separa os grandes jogadores dos brinca-na-areia.
Mas a grande força deste Benfica é, por um lado o seu colectivismo, onde se inclui uma organização táctica notável para tão pouco tempo de trabalho em conjunto, e na qual as peças entram e saem sem a qualidade de jogo se ressentir; e por outro lado uma mentalidade competitiva de assinalar, que faz com que cada lance seja disputado como se da própria vida se tratasse. E que bom é ver jogadores com a classe de Reyes a lutar como o mais carrancudo dos operários.
A arbitragem pareceu-me perfeita, ainda que não tenha tido possibilidade de ver quaisquer imagens na televisão.

FORÇA BENFICA, VENCE POR NÓS !

20.15 h , Estádio da Luz

JACKPOT

Quando ao intervalo, com uma exibição medíocre, o Sporting não ia além do empate a zero diante do Basileia, e ao mesmo tempo, na Ucrânia, o Shakhtar vencia o Barcelona, os leões estavam objectivamente eliminados da Liga dos Campeões.
Cinco pontos de desvantagem para o principal adversário - depois de o mesmo ter ganho na Suiça e ao Barça - seriam seguramente um ponto final nas aspirações do Sporting à passagem, pela primeira vez na sua história, aos oitavos-de-final da mais importante competição de clubes da Europa. E pelo que se via em campo, as coisas não tendiam a mudar muito de feição.
Mas na segunda parte, eis que a sorte sorriu ao leão. Primeiro num golo às três tabelas de Romagnoli (ou do defensor suíço ?), num momento em que o nervosismo já tomara conta das despidas bancadas de Alvalade. Depois em Donetsk, onde entre o minuto 87 e o 94, Lionel Messi marcou dois golos (o primeiro numa falha inacreditável do guarda-redes Piatov) e colocou o Sporting em igualdade pontual com o Shakhtar, mantendo assim tudo em aberto face à qualificação.
Depois fortuna de outros, na véspera, que lhes poupou uma goleada (ainda mais) histórica e humilhante, o Sporting teve também na jornada de ontem a protecção da fada madrinha, o que lhe permitiu, com muito pouco futebol, relançar a sua posição na prova.
Espera-se que hoje o Benfica possa também ter a sua dose de sorte, pois dela bem necessita para seguir em frente na UEFA.

BENTO MCXXIII

Paulo Bento procurou motivar os seus jogadores para o derby dizendo, na passada semana, que o Sporting já não perdia na Luz havia três épocas.
Desde essa declaração até ao início do jogo de sábado, foi-se generalizando a ideia de que o Sporting tinha por hábito fazer grandes resultados com o Benfica, talvez por influência da última eliminatória para a Taça de Portugal, ainda bem fresca na memória de todos.
Nada mais falso.
Deixando de lado o passado mais longínquo, em que o Benfica foi sempre claramente mais ganhador, cingindo-nos apenas aos últimos anos, e aos jogos para o campeonato, verificamos que:
# Nos últimos doze anos, o Benfica venceu seis (!) vezes em Alvalade, enquanto que o Sporting apenas ganhou dois jogos no Estádio da Luz.
# Nas últimas cinco épocas, só por uma vez o Sporting venceu na Luz.
# Se alargarmos a análise aos últimos vinte anos, veremos que o Benfica trouxe de Alvalade dez (!) triunfos, enquanto o Sporting, no mesmo período, não passou de três vitórias na Luz.
# Essas três vitórias, aliás, são as únicas dos últimos 40 anos (!)
São dados claros, que desmontam a ideia subjacente à afirmação de Paulo Bento, e toda a construção feita a partir dela.
Mas, mais do que qualquer estatística passada, importa referir que o Sporting (e Paulo Bento, se ainda lá estiver), irá completar até ao jogo da segunda volta, 1123 dias (!) sem vencer o Benfica para o campeonato, quer em casa, quer fora. Ou seja, mais de 37 meses (!) – pelo menos - sem ganhar ao rival.
Não sei quanto é que isto dará em borregos, mas dava, por exemplo, para nascerem 4 crianças…
PS: Rivalidade nacional à parte, deixo aqui os meus votos de boa sorte para todas as equipas portuguesas que entram hoje e amanhã em prova na Liga dos Campeões e na Taça UEFA.

NÃO HÁ OITO SEM NOVE

Na história das competições europeias encontramos exemplos de quase todas as situações.
Eliminatórias ganhas e perdidas nas mais diversas circunstâncias, recuperações épicas em casa e fora, enfim, de tudo um pouco, sobretudo quando falamos de um clube com o palmarés do Benfica, construido em anos e anos de presenças europeias ao mais alto nível.
Vejamos por exemplo, e a título de curiosidade, um quadro com todas as recuperações de resultado conseguidas na Luz, após derrota fora de casa na primeira mão:

Algumas destas recuperações são absolutamente inesquecíveis, como são os casos da célebre eliminatória com o Marselha e, para os mais velhos, seguramente também as goleadas a Nuremberga e Feyenoord - esta última, se não estou em erro, conseguida nos derradeiros dez minutos da partida.

Amanhã o Benfica tem pela frente o desafio de lograr mais uma destas recuperações. 1-0 basta, justamente o mesmo resultado que, há 18 anos, colocou o Benfica na sua última final europeia.

Recordemos aqui o video desse jogo, de modo a que sirva de inspiração:


Benfica-1 Marselha-0 de 1990
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