O MUNDO PINTADO DE VERMELHO



QUIM - titular na selecção de Portugal














MAXI PEREIRA - titular na selecção do Uruguai










LUISÃO - titular na selecção do Brasil









ZORO - suplente não utilizado na selecção da Costa do Marfim








KATSOURANIS - titular na selecção da Grécia









BINYA - titular na selecção dos Camarões










CARLOS MARTINS - titular na selecção de Portugal











DI MARIA - titular na selecção da Argentina









SUAZO - titular na selecção das Honduras










CARDOZO - titular na selecção do Paraguai











NUNO GOMES - suplente utilizado na selecção de Portugal






NENHUM DELES PERDEU !!!!


NOTA: Léo, Jorge Ribeiro, Pablo Aimar, Reyes, Mantorras e Makukula, todos igualmente internacionais A pelos respectivos países, não foram desta vez convocados.

MEMÓRIAS DA BOLA

17 de Novembro de 1976.
Segundo jogo da fase de qualificação do Mundial de 1978, disputado numa quarta-feira à noite em Lisboa e transmitido em directo pela televisão.
Portugal alinhou com Fonseca, Artur, Humberto, José Mendes, Taí, Celso, Alves, Oliveira, Chalana (que se estreava na selecção), Nené e Vitor Baptista. 1-0 foi o resultado, golo de Manuel Fernandes, entrado já na segunda parte.
Tinha eu 6 anos, e é este o primeiro jogo da selecção nacional que a minha memória alcança.
Nada mais nada menos que um... Portugal-Dinamarca.

EIS A DINAMARCA

PARA ANIMAR A MALTA

Portugal entrou com o pé direito na fase de qualificação para o Mundial 2010.
É verdade que Malta é uma selecção modesta, mas também é verdade que foi muitas vezes em momentos como este, diante de adversários mais acessíveis, que Portugal, facilitando, complicou as suas contas. Azerbaijão, Arménia, Liechtenstein, e a própria Malta, foram, no passado, carrascos das contas lusas, e é bom que jogadores e técnicos nunca se esqueçam desses episódios quando encontram pela frente uma selecção aparentemente mais frágil. O mérito principal a atribuir à selecção é pois a atitude com que enfrentou este obstáculo, tornando fácil uma vitória que dificilmente seria alcançada com deslumbramento, displicência ou soberba.
Carlos Queirós não arriscou e utilizou precisamente o mesmo onze que havia derrotado as Ilhas Faroé. Os primeiros minutos não foram famosos, mas a partir do auto-golo a equipa nacional tranquilizou-se e, em larga medida impulsionada pela excelente exibição de Nani, partiu para uma vitória segura e expressiva.
Os empates cedidos por Suécia e Dinamarca permitem abordar o jogo de quarta-feira em Alvalade com grande confiança, pois em caso de vitória, Portugal poderá cavar uma importante distância para os dinamarqueses, posicionando-se desde já como o principal favorito ao primeiro lugar e ao correspondente apuramento directo. Este será assim o primeiro grande teste à selecção de Queirós.

A "MINHA" SELECÇÃO

AREIA PARA OS OLHOS

Uma única equipa, de entre as grandes, foi até agora beneficiada pela arbitragem: o Sporting.
Um único treinador, de entre os grandes, se queixou até agora da arbitragem: Paulo Bento (!!)
Alguma coisa está errada.
Não é de hoje que o Sporting adopta uma estratégia de constante pressão e condicionamento das arbitragens. Desde os tempos do famoso luto, ainda com Roquette, passando pela teoria do colo de 2005, há muito que os leões apostaram na sua desproporcionada representatividade nos orgãos de comunicação social, para aí promoverem a hábil construção de uma teoria segundo a qual seriam os mais penalizados pelos erros dos árbitros, sempre tendo em mira o jogo seguinte e uma qualquer eventual compensação - muitas vezes conseguida.
Desde que Paulo Bento assumiu o comando técnico do Sporting, esta tendência agudizou-se ao ponto de os leões serem já conhecidos como os “calimeros”. Passando ao lado do caso "Apito Dourado", e querendo à viva força envolver o Benfica no processo (sem qualquer sucesso), o Sporting tem prestado um péssimo serviço ao ftebol português e à credibilidade do mesmo. Nos últimos anos, Paulo Bento nas conferências de imprensa, comentadores como Rui Santos ou Dias Ferreira na SIC Notícias, Limas e outros que mais nos jornais, adeptos nos blogues, todos têm falado incessantemente de arbitragem, todos têm tecido harmoniosamente a teia de uma mentira, que até faz esquecer aos mais incautos que o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga recebeu há meses o emblema de ouro pelos seus 50 anos de sócio do clube de Alvalade.
Mas há quem tenha memória, e há quem tenha registos. Olhando ao que foram os casos de arbitragem no campeonato português nos últimos anos, verificamos que Paulo Bento tem pouco que se queixar.
Desde Outubro de 2005, segundo as regras da classificação “real”, o Sporting, não só não tem sido prejudicado pelas arbitragens, como até tem sido beneficiado, sendo o clube com mais pontos reais em seu favor. Mas para quem não leve a sério estes critérios, há um que é insofismável: o Sporting é, de longe, o clube que tem beneficiado de mais grandes penalidades de há muitos anos para cá, e também o é desde que Paulo Bento é técnico principal (neste período, 22 para o Sporting, 15 para o Benfica e 11 para o F.C.Porto). Só na época passada foram assinaladas nove (!!) em Alvalade.
Com Paulo Bento no banco, as equipas de arbitragem cometeram 53 (!!!!) erros a favorecer os leões, dos quais alguns foram do mais grotesco que se viu no campeonato, como o golo do União de Leiria que Ricardo defendeu dentro da baliza, ou o golo do Braga anulado na época passada em Alvalade. Também as expulsões de guarda-redes adversários, sobretudo em Alvalade, têm sido uma nota dominante.
Isto falando apenas do campeonato, e esquecendo os favorecimentos nas Supertaças, e na Taça de Portugal, competição onde na época passada ficaram dois penáltis por marcar a favor do Benfica em Alvalade.
Mas quem é capaz de, tendo minutos antes visto João Moutinho rasteirar claramente Freddy Adu dentro da área, passar toda uma conferência de imprensa a queixar-se da arbitragem, é efectivamente capaz de tudo.
Ficam os tais 53 lances, para que todos avivemos a memória:
2005-06
8. F GIL VICENTE E 2-2 Golo de Douala em fora-de-jogo
9. F BOAVISTA E 2-2 Segundo golo resultante de canto inexistente
10. C U.LEIRIA V 2-1 Bola defendida por Ricardo um metro dentro da baliza
11. F PENAFIEL V 1-0 Penalty por assinalar a favor dos penafidelenses
14. C E.AMADORA D 0-1 Penalty fantasma assinalado no último minuto, falhado por Liedson
18. F BELENENSES V 1-0 Mão de Polga na área por assinalar
19. C MARÍTIMO E 1-1 Nova mão de Polga por assinalar ; livre indirecto a favor incompreensível
20. F BENFICA V 3-1 Agarrão de Tonel a Nuno Gomes na área por marcar
21. C NACIONAL V 1-0 Expulsão errada de um madeirense ; novo penálti por marcar por gravata de Tonel sobre André Pinto
22. F V.SETÚBAL V 2-1 Nova falta para penálti de Tonel ficou por marcar ; golo limpo anulado ao V.Setúbal
23. C P.FERREIRA V 3-1 Penalty duvidoso assinalado a favor com o resultado a zero
24. F ACADÉMICA V 3-0 Primeiro golo claramente fora-de-jogo
25. C GIL VICENTE V 2-0 Segundo golo de Koke em posição duvidosa
26. C BOAVISTA V 1-0 Boavista com 4 jogadores expulsos e/ou amarelados na jornada anterior por Lucílio Baptista ; penalti não assinalado por falta de Tonel sobre Fary
29. F V.GUIMARÃES V 1-0 Falta dentro da área sobre Saganowski
32. C NAVAL E 0-0 Três navalistas afastados do jogo por Lucílio Baptista na ronda anterior
34. C BRAGA V 1-0 Empurrão de Tonel a João Tomás dentro da área
2006-07
2. F NACIONAL V 1-0 Golo solitário de Nani precedido de falta
6. F E.AMADORA V 1-0 Expulsão poupada a Custódio
9. C BRAGA V 3-0 Terceiro golo fantasma, sem que a bola ultrapassasse a linha de baliza
11. F NAVAL V 1-0 Golo de Ronny resultante de livre inexistente
12. C BENFICA D 0-2 Corte de Nani na área com o cotovelo
14. C ACADÉMICA V 1-0 Golo obtido na sequência de falta de Tonel sobre Pedro Roma
16. F BOAVISTA E 1-1 Rasteira de Tello a Linz dentro da área por assinalar
17. C NACIONAL V 5-1 Penalti mal assinalado e desperdiçado por Liedson ; primeiro golo obtido após empurrão pelas costas de Bueno sobre defensor madeirense
18. F P.FERREIRA E 1-1 Entrada assassina de Liedson ao tornozelo de um pacense, nem vermelho nem sumaríssimo
22. F F.C.PORTO V 1-0 Falta de Polga sobre Pepe na área não assinalada nos últimos minutos
27. F BENFICA E 1-1 Expulsão perdoada a Caneira por falta sobre Miccoli quando este seguia isolado, ainda na primeira parte
29. F ACADEMICA V 2-0 Falta de Liedson na sua área não assinalada
2007-08
1. C ACADÉMICA V 4-1 Penálti poupado ao Sporting por falta de Polga com o placar em 3-1
3. C BELENENSES V 1-0 Expulsão exagerada de Costinha no lance do penálti. Uma das muitas de guarda-redes adversários em Alvalade
5. C V.SETUBAL E 2-2 Penalti não assinalado por falta de Gladstone sobre Matheus
6. F BENFICA E 0-0 Falta clara de Moutinho sobre Adu no último minuto dentro da área
7. C V.GUIMARÃES V 3-0 Falta clara de Vukcevic no lance que antecede o primeiro golo, já na segunda parte
17. C F.C.PORTO V 2-0 Golo de Vukcevic em fora-de-jogo
19. C E.AMADORA V2-0 Expulsão exagerada de estrelista ; penalti inexistente, falhado por Polga, mas de que resultou a expulsão do guarda-redes Nelson
20. F V.SETÚBAL D 0-1 Penálti por assinalar cometido por Grimi no bico da área
21. C BENFICA E 1-1 Corte com a mão de Miguel Veloso dentro da área não sancionado ; expulsão de Nelson exagerada (lance para amarelo)
23. C NACIONAL 4-1 Penálti mal assinalado
25. C BRAGA V 2-0 Golo limpíssimo inacreditavelmente anulado ao Braga
28. C MARÍTIMO V 2-1 Penalti determinante inventado por Lucílio Baptista
29. F P.FERREIRA V 1-0 Golo nasce de livre inexistente ; expulsão poupada a Polga
30. C BOAVISTA V 2-1 Penálti muito duvidoso quando o Sporting perdia. O décimo (!!!) em Alvalade nesta época a favor dos leões
2008-09
1. C TROFENSE V 3-1 Dúvidas sobre o livre que origina o segundo golo
2. F BRAGA V 1-0 Penálti de Postiga sobre Meyong por assinalar

CLASSIFICAÇÃO REAL - Correcção

“Ainda na primeira parte, foi marcada uma falta a Meyong na área do Sporting, num lance em que me pareceu ter sido o camaronês a sofrê-la. Como não pude tirar a questão a limpo, dou o benefício da dúvida ao árbitro”
Estas foram as minhas palavras de ontem, antes de ter a possibilidade de ver o lance devidamente repetido.
Ao vê-lo, não me resta a mais pequena dúvida de que houve motivo para grande penalidade, pois Hélder Postiga coloca o braço sobre Meyong de forma a impedi-lo de chegar à bola. Já alguns leitores mais atentos o tinham aliás afirmado.
Urge pois rectificar o resultado real, bem como a respectiva classificação:
Resultado real: 1-1
CLASSIFICAÇÃO REAL - Sporting e F.C.Porto 4 pts ; Benfica 2

E eis que temos o clube que mais se queixa das arbitragens a ser o primeiro (e único, até agora), beneficiado objectivamente pelas mesmas, com a conquista de dois pontos manchados de erro, ainda que sem o mínimo foco mediático em torno do caso. O mediatismo fica todo para os erros a favor do Benfica.
Aliás Bruno Paixão tem-se vindo a revelar um verdadeiro pronto-socorro para os leões, pois já no Sporting-Sp.Braga da época passada anulou um golo limpíssimo aos minhotos, numa fase em que a luta pelo segundo lugar estava ao rubro. Será que pretende lamber as botas ao presidente da comissão de arbitragem, sabendo tratar-se este de um "Leão de Ouro" com 50 anos de associado ?
Ficam mais duas interrogações no ar:
-O que diria Paulo Bento se perdesse um jogo assim, e o que dirá se numa das próximas jornadas isso vier a suceder ?
-Porque motivo nada disse Jorge Jesus, sempre tão lesto a reclamar contra outros clubes ?
PS: Quando alguns, lá mais para o final da época, me vierem com ar escandalizado acusar de parcialidade, lembrem-se que, à segunda jornada, já lá vão dois pontinhos e uma liderança (com tudo o que ela acarreta de estímulo e motivação).

SUMARÍSSIMOS MONOCROMÁTICOS

Estes foram os processos sumaríssimos abertos pela Liga desde 2006:
Fevereiro de 2007Janeiro de 2008Setembro de 2008
Já calculava que a C.D.da Liga, com todo o falatório que houve em torno da burlesca invasão de campo, e pouco podendo fazer em relação a esse caso (ficou-se naturalmente pela multa), tivesse de arranjar forma de compensar o mundo anti-benfiquista com um sumaríssimo a Luisão.
O central brasileiro atingiu Sapunaru, e como tal não irei contestar o facto de ser castigado. O que questiono é porque motivo só os jogadores do Benfica são alvo de deste tipo de processo.
Desde 2006 a Liga abriu três sumaríssimos, todos a jogadores do Benfica. Primeiro Derlei (quando estava na Luz), depois Katsouranis e agora Luisão. Até parece que mais ninguém comete este tipo de infracções.
Bruno Alves, por exemplo, nunca levou um sumaríssimo, mesmo depois de ter barbaramente agredido Nuno Gomes, Jorge Gonçalves, João Moutinho, Anselmo e vários outros jogadores, sempre com uma impunidade já herdada de Jorge Costa, Costinha, Paulinho Santos, Fernando Couto ou Frasco.
E para jogadores do Sporting, alguma vez houve um sumaríssimo ? Assim de repente não me recordo.

COAGIDO PELOS COPOS

José Guilherme Aguiar fazia anos, e falou depois do jantar. Isto permite de algum modo entender a sua grotesca intervenção no programa de ontem na SIC Notícias, onde defendeu (ou propôs, ou insinuou, ou sugeriu) que o caso da agressão de um conterrâneo seu ao fiscal de linha do Benfica-F.C.Porto, poderia ser enquadrado no âmbito da coacção à equipa de arbitragem, e como tal, resultar na descida de divisão do clube da Luz. Chegou mesmo a dizer que não via diferenças entre a coacção efectuada por aquele “adepto” (?) benfiquista, ou a que ficou provado ter sido cometida por Valentim Loureiro, segundo ele, simples “adepto” do Boavista.
Eu, que até estava um pouco chateado com a situação, fiquei com vontade de rir.
Como é possível um individuo que é jurista, e que foi director executivo da Liga de clubes, dizer, com o ar mais coloquial deste mundo, tamanho disparate em frente às câmaras de televisão ? E como é possível que ninguém lhe responda à altura ?
Este episódio demonstra uma vez mais o nível em que o dirigismo desportivo do nosso país andou durante anos mergulhado. Guilhermes Aguiares, Gonçalves Pereiras, Lourenços Pintos, Adrianos Pintos e/ou outros parecidos ou iguais, mandaram no futebol a seu bel-prazer durante duas décadas. Foram eles que ergueram o “sistema”, e foi graças a eles que a hegemonia do F.C.Porto se consolidou, perante o silêncio, a ingenuidade e a incompetência dos dirigentes do Benfica.
O que poderia ter sido a história do futebol português sem esta gente ?

CLASSIFICAÇÃO REAL

À segunda jornada, é de saudar o facto de a classificação real coincidir em absoluto com a classificação factual. Para já, as arbitragens não estão a ter qualquer influência no desenrolar do campeonato, ainda que os erros sucedam sempre e sejam naturais de qualquer actividade, sobretudo se tão difícil como esta. Vejamos o que aconteceu nos dois principais jogos da ronda.
BENFICA-F.C.PORTO: O grande clássico teve, desta vez, uma arbitragem ao nível da ocasião. É certo que não faltou o jogador benfiquista expulso (como é tradicional), mas neste caso sem que se possam apontar culpas a ninguém que não ao próprio. Vejamos os principais casos do jogo:
- Logo nos momentos iniciais, Luisão atingiu com o braço o rosto de Sapunaru. Pelas repetições televisivas percebe-se que terá ficado um cartão vermelho por mostrar, mas num molho de jogadores à procura da melhor posição face a um lance de bola parada, é natural que o árbitro não se tenha apercebido, com rigor, da acção do central brasileiro, que só pela expressão do seu rosto (na televisão) se percebe ser deliberada.
Todavia, uma vez que o lance decorre diante do campo de visão de Jorge Sousa, e tendo este inclusivamente chamado a atenção dos jogadores (entendendo provavelmente a situação como uma escaramuça normal nos lances de bola parada), dificilmente se poderá falar de sumaríssimo, em face da nova interpretação – mais restritiva – que a Liga dá aos mesmos.
- O penálti assinalado é incontestável, e o cartão amarelo exibido também. Lucho não tinha a bola dominada, nem seguia com ela para a baliza. Esperava uma bola que vinha pelo ar, e tenho fortes dúvidas que, sem falta, o lance acabasse em golo.
Um eventual fora-de-jogo de Lucho carece de confirmação por imagens televisivas. Ou não existem, ou alguém não as quis mostrar. O que é facto é que ninguém pode dizer que sim ou que não.
- A suposta falta de Meireles sobre Di Maria deixa algumas dúvidas. Todavia, sendo eu adepto de um futebol viril, não creio que a entrada do portista pretendesse atingir o jovem argentino, e como tal, considero que Jorge Sousa agiu bem ao deixar seguir o lance.
Se acontecesse, por exemplo, em Alvalade, tínhamos conversa para toda a semana…
- O golo é tão golo como o que Petit marcou em 2004 a Vítor Baía, e que Benquerença e Luís Tavares, dois meses antes de Pinto da Costa ser detido – ainda, portanto, no pré Apito Dourado -, não quiseram ver. Tal como então, nenhuma imagem mostra a bola dentro da baliza. Mas não é necessário ser especialista em geometria para perceber que Bruno Alves toca o esférico já bem para além da linha.
Apesar de tudo, mesmo resistindo ainda focos da mais suja impunidade, temos de admitir que alguma coisa mudou desde 2004. Este lance prova-o. Em 2004 o Benfica teria perdido por 0-1, tal como então, efectivamente, perdeu.
- A expulsão também não deixa dúvidas. Tão clara quanto estúpida.
- Com algum rigor, poder-se-ia também defender que Nuno Gomes devesse ter sido expulso no lance com Sapunaru (?). Seguindo o critério que procurarei manter ao longo da época, lances em que está em causa a disputa da bola, dificilmente merecerão mais do que amarelo. Concordo pois com a decisão do árbitro.
- Gostaria por fim de realçar a falta de fair-play evidenciada por alguns jogadores do F.C.Porto, em particular Lisandro, que tentaram avidamente aproveitar um momento de inferioridade de um benfiquista estendido na área, para tirar vantagem da situação. Aplaudo Hulk que, talvez por não ter ainda bebido do espírito da casa, pós fim aquela vergonhosa atitude.
Resultado Real: 1-1

SP.BRAGA-SPORTING: Não gosto das arbitragens de Bruno Paixão. É daqueles que, bem à portuguesa, não deixa jogar, apitando picuinhisticamente por tudo e por nada, cortando ritmo ao jogo e estragando o espectáculo.
Desta vez não fugiu muito à regra, ainda que não lhe possamos apontar erros graves.
O golo do Sporting é limpo, pois Abel parte em linha com o último defesa bracarense. A expulsão de João Pereira é inatacável.
Um único lance me deixou dúvidas, mas, infelizmente, a televisão não o voltou a repetir. Ainda na primeira parte, foi marcada uma falta a Meyong na área do Sporting, num lance em que me pareceu ter sido o camaronês a sofrê-la. Como não pude tirar a questão a limpo, dou o benefício da dúvida ao árbitro.
Resultado Real: 0-1
CLASSIFICAÇÃO REAL
SPORTING 6 pts
F.C.Porto 4
Benfica 2

GRANDE JOGO; RESULTADO INJUSTO

Esperava-se um jogo excitante, e as equipas fizeram por isso.
Sp.Braga e Sporting demonstraram o porquê do seu bom momento, praticando um futebol intenso, rápido e agressivo - gosto de jogos assim, rasgadinhos, viris -, ainda que nem sempre lúcido, proporcionando um espectáculo bastante emotivo a todo o país.
A vitória é algo lisonjeira para o Sporting, que depois de uma entrada extremamente afirmativa, se remeteu ao seu meio-campo, procurando impedir que o Sp.Braga chegasse à sua baliza, e apostando no contra-ataque para poder sentenciar a partida.
Os bracarenses tentaram por todos os meios alcançar o golo - tiveram várias oportunidades, a espaços quase vulgarizaram os leões, mas a sorte não estava com eles.
Mérito ao Sporting pela consistência e capacidade de sofrimento reveladas. Mérito ao Braga, que mostrou força, talento e alma para fazer um grande campeonato.
E Jorge Jesus lá perdeu uma vez mais com Paulo Bento...

QUAL FOI A PENALIZAÇÃO?

disto: ...e disto:

Teria de facto uma certa graça, depois de todo o falatório de há uns anos (a propósito de um jogo com o Estoril), o Benfica-Sporting do próximo dia 27 vir a ser disputado no Algarve. Acontece que os regulamentos são claros, e nunca um caso como o ocorrido no clássico de sábado poderia dar origem a uma interdição. Basicamente por dois motivos:
1º Da agressão não resultou lesão grave de ninguém, nem os meios utilizados seriam passíveis de a causar.
2º A mesma não afectou minimamente o desenrolar do jogo.
O caso terminará portanto com uma multa, ainda assim injusta.

DÚVIDA

O Chelsea vai emprestar Paulo Ferreira ao...West Ham.
Seria impossível trazê-lo para a Luz ?

UM EMPATE FELIZ

A quem tenha embarcado na onda de euforia gerada em redor deste Benfica, e esperasse que, por magia, ele se pudesse transformar no imediato numa grande equipa, talvez um empate caseiro tenha sabido a frustração. Não é, como sabem, o meu caso.
Dadas as circunstâncias do jogo – uma expulsão, duas lesões, um golo sofrido cedo -, e dado o potencial actual das equipas em presença, a divisão de pontos acaba por me satisfazer, e devo confessar que o último apito de Jorge Sousa me soou como o gong a um pugilista à beira do KO.
O F.C.Porto foi sempre mais equipa que o Benfica. E outra coisa não seria de esperar de um campeão nacional, com um modelo de jogo definido há várias épocas, com uma articulação de processos muito mais oleada e com uma maturidade individual e colectiva assinalável, que lhe permite impor os seus ritmos e transportar o jogo para os terrenos que mais lhe convêm a cada momento, isto para não falar, uma vez mais, na sua impressionante capacidade física e atlética.
Além de tudo isso, o F.C.Porto conta com uma unidade verdadeiramente acima de todas as outras, e que, mais do que resolver jogos, resolve campeonatos. Chama-se Lucho. Lucho Gonzalez. Ontem encheu o campo com a sua classe, a sua inteligência, a sua capacidade de gerir e determinar os tempos de jogo, de jogar e fazer jogar à sua volta. Para quem gosta de futebol, é um verdadeiro regalo ver actuar este fora-de-série, vê-lo serpentear pelo relvado, assistir e colocar-se de imediato de modo a abrir nova linha de passe, fechar espaços quando defende, abrí-los quando ataca, enfim, mostrando como deve jogar um médio moderno. Julgo ter sido a quinta vez que o vi em campo, e em todas elas me encheu os olhos.
O Benfica entrou bem no jogo mas o penálti infantil cometido por Katsouranis logo aos 10 minutos foi um duro golpe numa equipa ainda à procura de identidade, e que denuncia, como seria de esperar, grande dificuldades em materializar as ideias de jogo que se percebe existirem na cabeça de Quique Flores.
No resto do primeiro período, o domínio repartiu-se. Mais posse de bola para o Benfica, mas as melhores oportunidades de golo a pertenceram aos portistas, primeiro com Rodriguez a obrigar Quim a revelar toda a sua categoria, e depois com o poste a devolver um remate de Lisandro, dando sequência a um passe magistral de Lucho.
Na segunda parte, perante um Porto sabedor de que o tempo corria a seu favor e crente na incapacidade do adversário para chegar ao golo, o Benfica lá foi pugnando, pondo em campo tudo aquilo que neste momento lhe é possível pôr. O jogo perdeu qualidade, mas o resultado permanecia em aberto, ainda que a cada minuto que passava, a hipótese de vitória portista ganhasse maior consistência.
O Benfica sofrera entretanto já mais um golpe, com a lesão de Pablo Aimar - bem mais interventivo do que na primeira jornada. Entrou Nuno Gomes. Tacticamente pouco se alterou.
Acabou por ser uma falha de Helton a permitir ao Benfica chegar ao golo, dando alguma tranquilidade a quem, nas bancadas, já começava a ver repetido o filme da temporada anterior. A sorte que havia faltado até aí, parecia agora sorrir aos encarnados, que tinham ainda meia hora para procurar a vitória.
É em momentos como este que se percebe o nível de maturidade de umas equipas em relação a outras, e daí se entende porque motivo umas são campeãs e outras não. Sofrendo o golo, ao invés de se desequilibrar, o F.C.Porto quase ia marcando no lance imediato, perante o incompreensível descontrolo emocional da equipa da Luz, que parecia tolhida pela festa que se via nas bancadas.
Mais um sinal dessa imaturidade – dado paradoxalmente por um dos seus elementos mais experientes – foi a inacreditável expulsão de Katsouranis, na sequência de uma falta cometida no meio-campo do adversário (!). Era o terceiro e definitivo golpe nas possibilidades de o Benfica poder discutir a vitória - reduzido a dez, dando sinais de claro esgotamento físico, e vendo-se pouco depois privado também de Leó por lesão, o jogo benfiquista foi até ao fim um jogo de resistência.
O F.C.Porto cresceu, subiu no terreno, procurou incessantemente a vitória, ficando a dever a si próprio a perda de dois pontos. Quando o jogo terminou, Quique estaria seguramente mais feliz que Jesualdo com este empate.

Deste clássico ficam três notas positivas sobre o novo Benfica. Em primeiro lugar vê-se uma equipa com os sectores mais juntos, procurando funcionar como um bloco, ainda que as falhas sejam, por agora, muitas. Em segundo lugar, alguns jogadores menos conhecidos mostraram bons pormenores, destacando-se os casos de Yebda e Sidnei - este uma bela surpresa, postando-se desde já na antecâmara da titularidade. Por fim, realce para os lances de bola parada, que parecem estar a ser bem trabalhados, e beneficiam de uma maior capacidade de jogo aéreo face a épocas anteriores.
No outro lado da balança, ficou a nu a fragilidade do sector defensivo da equipa, nomeadamente no seu lado direito, esperando-se que até segunda-feira Rui Costa possa dar resposta a esta questão. Ruben Amorim, com a sua frescura, acabou por realizar um bom trabalho quando teve de entrar, mas falta claramente peso, força e classe àquele lado da linha defensiva, onde Maxi Pereira vai disfarçando como pode as suas insuficiências. A quebra física na ponta final do desafio não me parece preocupante, e pode até revelar um trabalho capaz de permitir uma ponta final de temporada a todo o gás.
O F.C.Porto está ainda longe da equipa da época passada, mas pareceu-me francamente melhor do que, por exemplo, no jogo da Supertaça. Fernando foi uma boa aposta, Tomas Costa não deslustra, e ficou-me na retina a facilidade com que Hulk dispara à baliza. Sobre Lucho já disse tudo, Rodriguez já conhecíamos e ainda deu um arzinho de sua graça, enquanto que Rolando terá remetido Pedro Emanuel, quem sabe em definitivo, para o banco de suplentes. É interessante, já agora, verificar a exibição de Rolando, e compará-la com as suas actuações ao serviço do Belenenses, sobretudo em jogos contra os dragões, onde quase invariavelmente, durante algumas épocas, comprometeu a sua equipa com erros crassos.

Sobre a arbitragem falarei na rubrica própria, a publicar depois de a jornada ficar concluída. Mas posso desde já adiantar que me parece ter estado globalmente bem.


Contra a corrupção, contra o ódio, contra o caciquismo saloio, contra o provincianismo barato, contra a arrogância, contra o cinismo, contra o vale tudo, contra a batota, contra a podridão, contra o crime, contra a impunidade.
Pela ética, pelos valores, pela justiça, pela verdade, pelo desporto, pelo futebol, pelo país.
Vamos todos à Luz ! E vamos vencer este jogo !
Força Benfica !

EQUIPAS ITALIANAS - 20 anos de frustrações

PIOR ERA IMPOSSÍVEL

Com apenas 3% de hipóteses de ter pela frente o mais perigoso dos não cabeças-de-série, o Benfica foi bastante infeliz no sorteio da Uefa, e vai mesmo ter de defrontar o Nápoles.
Para além de se tratar de uma equipa italiana - e a história é implacável a este respeito, com nove (!) eliminações em nove disputas nos últimos vinte anos -, o Nápoles é um clube em ascenção, procurando reencontrar o fulgor dos tempos de Maradona. Na época passada ficou em 8º lugar na série A, garantindo assim o regresso às competições europeias, após alguns anos de ausência.
Contando no seu plantel com jogadores como Lavezzi, Hamsik, Piá, Blasi ou Zalayeta, a equipa napolitana tem feito uma pré-época sensacional e será seguramente um adversário muito duro para o Benfica.
Das restantes equipas portuguesas só o Sp.Braga poderá sorrir (Artmédia). V.Guimarães (Portsmouth), Marítimo (Valência) e V.Setúbal (Heerenveen) terão grandes dificuldades em chegar à fase de grupos.

"Para mim, não é lógico que o F.C.Porto dispute a Liga dos Campeões, depois do seu envolvimento num caso de corrupção. A sua participação é negativa para a ética desportiva"

EIS SUAZO !

Confira aquilo que Suazo fez na última temporada:

Nada mal, atendendo ao plantel de que estamos a falar (Ibrahimovic, Crespo, Cruz, Adriano, Balotelli etc)

O SORTEIO DE AMANHÃ

BEM ME QUER : Nordsjallend-Benfica ; Vaslui-Braga ; Austria-Guimarães ; Partizan-Setúbal ; Copenhaga-Marítimo
MAL ME QUER : Benfica-Nápoles ; Braga-Dortmund ; Guimarães-Milan ; Setúbal-Sevilha ; Marítimo-Valencia

O SORTEIO DE HOJE

BEM ME QUER : Lyon -Sporting -Basileia -Anorthosis
MAL ME QUER : Manchester - Sporting -Zenit - Fiorentina
PS:Barcelona, Basileia e Shakhtar.... BEM ME QUER !

CRIME, DIGO EU !

O Vitória de Guimarães viu ser-lhe sonegado de forma bárbara o sonho de participar pela primeira vez na Liga dos Campeões.
Um anónimo fiscal-de-linha holandês invalidou um golo limpo aos minhotos a três minutos do fim do jogo de Basileia, colocando os suíços indevidamente na fase de grupos. Já na primeira mão a equipa de Cajuda havia tido fortes razões de queixa da arbitragem.
A minha dúvida reside em saber até que ponto este verdadeiro assalto não terá a ver com a acção dos vimaranenses junto do TAS no mês passado. Se assim é – e não ponho as mãos no lume por ninguém – o futebol estará bem pior do que eu penso, e o polvo que o condiciona e amorfinha será bem mais amplo do que todos supúnhamos.
O que é certo é que a UEFA, depois de - contrariando os seus próprios regulamentos, e sabe-se lá com que influências e meios - ter já colocado na fase de grupos uma equipa que não deveria lá estar, acaba agora de colocar outra. Vai já sendo manipulação a mais, e esta edição da Champions League começa a cheirar-me mal.

Portugal estará assim apenas representado por uma equipa – o Sporting. A outra, para mim é como se lá não estivesse, e faço votos para que perca os seis jogos.

OS JORGES NÃO SÃO TODOS IGUAIS, MAS...

Para o Benfica-F.C.Porto foi nomeado um árbitro do…Porto.
Bem sei que pessoas honestas e desonestas existem em todo o lado, e o passado diz-nos que árbitros de Setúbal, Évora, Portalegre ou Leira foram responsáveis por alguns dos maiores escândalos dos últimos anos, quase sempre em benefício dos portistas. Mas nestas coisas do ser e do parecer alinho pela rigorosa aplicação do princípio da mulher de César e, por isso mesmo, preferia ver na Luz um árbitro dependente de outra associação que não a sinistra A.F.Porto.
De salientar que Jorge Sousa já dirigiu o clássico do ano passado – com derrota benfiquista por 0-1 – e esteve bastante infeliz em vários jogos do Benfica que apitou ao longo da carreira.
- Recordo-me de um penálti inacreditável assinalado em Guimarães a nove minutos do fim, por suposta falta de Luisão sobre Romeu em 2004-05.
- Recordo-me também de ver o Benfica afastado da Taça de Portugal em casa, curiosamente pelo mesmo V.Guimarães, com um golo solitário obtido com a mão.
- Mais recentemente, na última época, Jorge Sousa começou logo mal a liga ao não ver uma cotovelada a Nuno Assis dentro da área do Leixões no jogo da 1ª jornada disputado no Bessa.
- Ainda na época passada, na recepção ao Braga, Pedro Mantorras foi derrubado na área nos últimos instantes do jogo, com o resultado em 1-1, e o juiz nada assinalou.
- Isto não falando do jogo da Taça, diante do Sporting em Alvalade (os 3-5), onde ficou por marcar um penálti claro sobre Di Maria, e outro mais discutível por agarrão a Luisão dentro da área, ambos ainda na primeira parte, passíveis de resolver de vez a eliminatória.
Em todos estes jogos o homem do apito era…Jorge Sousa.
Para além das preocupações que a equipa do Benfica me causa, também este árbitro me deixa pouco tranquilo para o clássico de sábado. Como se vê, com razões objectivas para tal.

OLHAR EM FRENTE

Os últimos textos aqui publicados reflectem e ilustram a minha natural insatisfação por aquilo que se vai passando no Benfica, insatisfação essa potenciada pelo tristonho empate de Vila do Conde.
O meu profundo benfiquismo dificilmente suporta a resignação e o desalento a que temos sido condenados desde há vários anos. Por isso, e só por isso, sinto por vezes a necessidade de dar voz à dor que me vai inundando a alma, mesmo correndo o risco de ser mal interpretado, sobretudo por todos aqueles que desejam, tanto como eu (mais é impossível), o sucesso do Benfica.
Tive o cuidado de escrever, antes ainda da época passada finalizar, um artigo de fundo sobre aquilo que eu pensava serem os passos necessários para reconduzir o clube ao lugar que o seu historial fez por merecer. Como se verifica, pouco ou nada do que lá está escrito foi levado à prática, e como tal, dificilmente deixaria de sentir uma enorme desilusão por mais uma pré-temporada conturbada e errática, e por aquilo que prevejo vir a ser mais uma época de adiamento, de espera, de frustração e de derrota.
Sou sócio do clube há quase um quarto de século, estando pois à beira de receber a águia de prata. Tenho lugar cativo no estádio há várias temporadas. Sou (pequeno) accionista da SAD. Sofro como poucos pelo clube, e quem ler os “Jogos para a Eternidade” aqui publicados, perceberá o quanto o Benfica é, foi e sempre será importante para mim. No próximo sábado estarei precisamente no meu 200º jogo ao vivo do Benfica, número considerável, sobretudo tendo em conta que vivi a maior parte da minha vida fora de Lisboa. Quero pois que fique bem claro que nada do que escreva, diga ou faça terá alguma vez o propósito de prejudicar, directa ou indirectamente, o clube que tanto amo.
Para não contribuir mais para o clima de desânimo que se vai instalando entre muitos benfiquistas, e dado que estamos em vésperas de um jogo grande, vou esquecer por agora todos os erros, insuficiências e incompetências do passado recente, e olhar em frente, esperando que, com o que existe, se possa fazer o melhor possível, e fazendo por acreditar que o futuro possa ser diferente.
Olhemos pois para o jogo com o F.C.Porto.
Se este clássico chega numa altura péssima para um Benfica, uma vez mais, à procura de nova identidade, também não se pode dizer que venha no momento certo para o F.C.Porto. Os Dragões ainda não convenceram neste início de época, debatem-se com alguns problemas tácticos por solucionar, e uma eventual derrota na Luz pode abrir caminho à instabilidade e à contestação.
Os laterais ainda não dão mostras da segurança que tem sido comum nas equipas portistas, o meio-campo ainda não está totalmente definido (Tomás Costa ? Guarin ? Meireles a trinco ?), e a má forma de Lisandro, aliada às dificuldades físicas de Mariano e Tarik, e à mais que certa saída de Quaresma, deixam no ar também algumas interrogações sobre o ataque. O clássico pode ser uma boa ocasião para o F.C.Porto repor a sua moral, mas pode também, em caso de derrota, mergulhar a equipa de Jesualdo numa crise capaz de desestabilizar a própria posição do treinador.
Poderá um Benfica tão verde (perdoem-me a expressão) ser capaz de fazer face a este Porto, e aproveitar as fragilidades que, de momento, ainda apresenta ?
Bem…, em futebol qualquer resultado é possível, e jogando em casa, com um maravilhoso estádio cheio de frenéticos adeptos, os encarnados, se tiverem a sorte do seu lado, poderão causar aquilo que para mim será uma surpresa.
Em termos de estratégia de jogo não há muito por onde mudar. Naturalmente a disponibilidade de um Reyes rotulado de craque, e de um Di Maria em grande forma (e motivadíssimo por uns Jogos Olímpicos muito bem conseguidos) poderão fazer sentar no banco tanto Ruben Amorim como o jovem Urreta. Na defesa e no meio campo, com David Luíz ainda de fora, não há como mudar seja o que for – talvez com o brasileiro recuperado, Katsouranis possa tomar conta do meio-campo defensivo encarnado, mas para já é imprescindível ao lado de Luisão. Na frente é que talvez fosse pertinente explorar a mobilidade de Nuno Gomes diante de um adversário que de certo não permitirá um caudal de jogo atacante muito elevado, em detrimento de um Cardozo mais lento e mais posicional. A entrada de Nuno teria ainda o condão de permitir um recuo de Aimar para uma segunda linha de meio-campo, onde, dispondo de mais espaço, poderia naturalmente fazer render melhor a sua elevada craveira técnica.O Benfica poderia pois apresentar-se num 4-2-3-1 flexível, com Carlos Martins uns passos à frente de Yebda, e uma linha de três homens (Reyes, Aimar e Di Maria), simultaneamente capaz de transportar a bola até à área adversária e povoar o meio-campo, conquistando superioridade númerica face ao trio portista.
Os sistemas tácticos são no entanto uma falácia, salvo se entendidos à luz do seu dinamismo. Começar em 4-3-3, 4-4-2 ou 4-2-3-1 pode ser precisamente a mesma coisa, pois os jogadores não são propriamente matraquilhos. Um meio-campo com Yebda, Martins e Aimar, e um ataque com Reyes, Nuno Gomes e Di Maria, tanto pode formar um 4-3-3, como um 4-4-2, se em dado momento de jogo os alas andarem um pouco para trás e Aimar um pouco para a frente. Enfim, esta análise ficará para outra altura.
Mais do que o desenho táctico, ou mesmo o onze escolhido, importa que o Benfica não cometa os erros defensivos que cometeu toda a época passada, e dos quais nesta ainda não se conseguiu livrar – como bem se viu em Vila do Conde. Importa também que os jogadores deixem tudo em campo, sabendo-se que o F.C.Porto é atleticamente superior, e irá, como é hábito nestes confrontos, tentar fazer valer essa sua vantagem, sobretudo na luta do meio-campo.Uma vitória seria naturalmente motivo de grande alegria, e daria à equipa a tranquilidade necessária para continuar o muito trabalho que tem ainda pela frente. Um empate não seria porém dramático, sendo bem mais aceitável que o ocorrido diante do Rio Ave. Que mais não seja porque o Porto também perderia pontos.

FORÇA GUIMARÃES !

ESTES JOGADORES VENCERAM A TAÇA DE PORTUGAL !ESTES JOGADORES FORAM CAMPEÕES NACIONAIS !
ESTES JOGADORES CHEGARAM AOS QUARTOS-DE-FINAL DA CHAMPIONS LEAGUE !
ESTES JOGADORES FICARAM A DOIS PONTOS DO TÍTULO NACIONAL !

CLASSIFICAÇÃO REAL

Iniciada que está a nova temporada, VEDETA DA BOLA irá uma vez mais seguir minuciosamente o desempenho das arbitragens nos jogos dos três grandes, levando a cabo a já tradicional “Classificação Real”.
Recordo aqui as regras da dita, caso alguém não se lembre ou ainda não as conheça: são considerados golos mal anulados e indevidamente validados, penáltis mal assinalados e que fiquem por assinalar, posto o que, tendo em conta o resultado dos jogos, se faz a respectiva correcção, chegando-se assim aos pontos que cada uma das equipas poderia teoricamente ter sem esses erros. Não é perfeito (há muitas outras formas de manipular jogos sem ser através de foras-de-jogo ou penáltis), mas é o que se pode arranjar.
Vejamos pois, jogo por jogo, o que se passou nesta primeira jornada:
SPORTING-TROFENSE – Deu-se neste jogo o maior erro da jornada, com a marcação indevida de uma grande penalidade por falta cometida fora da área.
É importante elucidar os leitores de que as faltas devem ser assinaladas onde terminam e não onde começam. Para o caso pouco adianta, mas a verdade é que se tivermos em atenção este aspecto, talvez percebamos melhor a ilusão de óptica do árbitro assistente Luís Ramos, pois a falta termina a milímetros da linha da área.
A expulsão é indiscutível, pois o avançado do Trofense seguia isolado para a baliza.
Ficaram-me dúvidas no livre de que resultou o segundo golo do Sporting, lance que infelizmente não foi devidamente analisado pela cobertura televisiva. Deixo o benefício da dúvida ao juiz da partida.
De resto, com uma ou outra falha, com mais cartão amarelo menos cartão amarelo (recordo-me de ter ficado por mostrar um a Mércio), Paulo Baptista esteve em plano razoável, acabando penalizado por um erro que não foi seu. Resultado Real 3-0

F.C.PORTO-BELENENSES – Lamentavelmente ainda não tive a oportunidade de rever os lances que originaram a expulsão de Cassiano, e de que o técnico do Belenenses falou no final do jogo.
Do que vi, apercebi-me de um fora-de-jogo mal assinalado ao ataque do F.C.Porto, de um lançamento lateral assinalado ao contrário, também em prejuízo dos portistas e de um amarelo por mostrar a Pedro Emanuel. Nada do outro mundo, portanto. Resultado Real 2-0

RIO AVE-BENFICA – Ficaram-me sérias dúvidas num lance dentro da área do Rio Ave, em que Aimar parece ser impedido de chegar à bola por um adversário sem qualquer intenção de a jogar. À primeira vista parece uma carga de ombro regular, mas depois de ver as repetições ficam sérias dúvidas. Para não correr o risco de ser desde já acusado de parcialidade, e uma vez que, sinceramente, não tenho certezas absolutas sobre o lance, vou dar o benefício da dúvida a Carlos Xistra, e fazer, digamos, "vista grossa" a este lance.
No outro momento de contestação – suposta mão de um defesa vilacondense – não há motivo para falta. Ocorreu ainda um lance em que Luisão dominou a bola com a mão antes de rematar à baliza, que não tendo sido assinalado poderia ter consequências complicadas em caso de golo. Recordo ainda um pontapé de canto mal assinalado contra o Benfica. Resultado Real 1-1

CLASSIFICAÇÃO REAL
F.C.PORTO 3
SPORTING 3
Benfica 1
ADENDA: Depois de ver o lance da expulsão do jogador do Belenenses, terei de dizer que a mesma foi exagerada. Houve aliás, no decorrer do jogo, lances bem mais graves que nem cartão amarelo mereceram. De qualquer modo, as expulsões, justas ou injustas, não são objectiváveis em golos nem em pontos, pelo que a classificação fica como está.
Já agora queria dizer que, acerca do suposto penálti sobre o Aimar, após ver várias repetições, mantenho as minhas dúvidas. É claro que gostaria que tivesse sido assinalado, mas ignorando as camisolas terei de reconhecer que se trata de um lance de muito difícil análise.
Para que fique desde já claro (e já que estamos na primeira jornada), o meu critério será, na dúvida, deixar jogar. Ao fim e ao cabo, se tanto critico os árbitros portugueses por apitarem a tudo e a nada, não faria sentido que, por se tratar de um lance dentro da área e a favor do meu clube, mudasse de opinião.
Adeptos a pedirem penáltis para os seus clubes há muitos. Treinadores a queixarem-se, procurando pressionar, também (e Paulo Bento, que tecnicamente tanto admiro, deu mais um mau exemplo a este respeito). Tento, e continuarei a tentar, tanto quanto possível, fugir um pouco a esse registo.

ORA AÍ ESTÁ A DURA REALIDADE !

Terminado o foguetório da pré-temporada e das contratações bombásticas anunciadas por uma comunicação social parasita e ávida de engrossar as vendas, finalizada a fase de desafios particulares frente a adversários dóceis e em ritmo de treino, concluídos os Jogos Olímpicos (os melhores de que me lembro) suas glórias, suas medalhas e seus dramas, eis os benfiquistas confrontados com a dura e penosa realidade de um campeonato nacional que, ano após ano, se vai revelando uma competição cada vez mais madrasta para as suas (nossas) cores.
Alguns dos leitores que torceram o nariz ao que aqui expressei na passada semana acerca deste “novo” e tão propagandeado Benfica, terão percebido ontem, durante o jogo de Vila do Conde - contra uma equipa que apresentou um onze inicial com nove jogadores saídos da Liga de Honra e dois da II B -, a razão de ser do meu cepticismo. O Benfica, para além de não ser - nem poder de modo algum sê-lo - no imediato, uma verdadeira equipa, tem carências graves no seu plantel, que não só não foram resolvidas neste defeso como até terão sido, em certos casos, agravadas. Isso ficou ontem bem patente.
Abordagem ao jogo displicente; primeira parte pouco ou nada pressionante; equipa demasiado estendida no campo; grande distância entre linhas; transições lentas e desorganizadas; jogadores atleticamente frágeis, muito dados às marcações e sem serem capazes de oferecer linhas de passe aos colegas; laterais baixos e incapazes de fechar ao meio; centrais lentos, macios e trapalhões; meio-campo pouco criativo, sem agressividade nem mobilidade; alas pouco dados a tarefas defensivas; um avançado estático plantado na área adversária à espera de uma bola que nunca chega. Este podia muito bem ser o retrato do Benfica da temporada passada, na qual terminou a Liga em 4º lugar. Este podia muito bem ser o retrato do Benfica de ontem em Vila do Conde, no início de um campeonato que, volto a frisar, só por autêntico milagre poderá pensar em vencer.
A dado momento do jogo olhei para o quarteto do meio campo encarnado e vi Ruben Amorim, Yebda, Felipe Bastos e Urretavizcaya (dois juniores de 18 anos em estreia absoluta no futebol europeu, e mais dois outros jovens à procura de afirmação, sem qualquer experiência em equipas de topo). Se na temporada passada nos dissessem que este seria o meio-campo do Benfica, seguramente ninguém acreditaria. Mas a verdade é que com o recuo de Katsouranis para a defesa (perde-se um excelente médio e fica-se com um defesa sofrível), e com o adiantamento de Aimar para o ataque (sem resultados práticos nenhuns, que não o seu apagamento total), a lista de centro-campistas do plantel ao dispor de Quique Flores torna-se assustadoramente débil. No ano passado, ficando em quarto lugar, o Benfica tinha ainda assim ao seu dispor, por exemplo, Petit, Rui Costa, Cristian Rodriguez e Nuno Assis.
Para agravar o problema, a saída de Carlos Martins – o único que, através da sua poderosa meia distância, remava contra a maré da fatalidade – deixou a equipa ainda mais carente de soluções, e a entrada de Felipe Bastos não se revelou adequada às circunstâncias. O resultado de 0-0 ao intervalo era absolutamente óbvio.
Após o golo sofrido, já na segunda parte, o Benfica assumiu finalmente o domínio do jogo, mas conseguiu-o em grande parte à custa de um despovoamento defensivo que, diante de uma equipa mais expedita no contra-ataque, se tornaria certamente penoso. Os encarnados concluíram o jogo num 4-2-4 extremamente ousado, que podia num golpe de sorte ter valido uma vitória, mas que não é de todo utilizável em situações comuns. É uma solução que, com Aimar num dos flancos, torna ainda mais permeável a equipa nos momentos de transição defensiva, dificilmente permite ganhar o meio-campo caso o adversário não recue tanto como o Rio Ave o fez, e sem um ponta-de-lança matador pouco resulta em termos de eficácia ofensiva, pois as oportunidades criadas acabam por ser desperdiçadas. É uma espécie de futebol-kamikaze, que pode até resultar num jogo ou noutro, mas nunca vencerá um campeonato. Não nos iludamos pois com a última meia-hora benfiquista.
Quique está agora a começar a conhecer o campeonato português, os adversários, e os jogadores que tem à disposição. Acredito que possa um dia formar um conjunto melhor do que a amálgama de jogadores que se arrastou pelos relvados no ano passado. Não tenho é dúvidas de que, a consegui-lo, será só após vários meses de competição, numa altura em que a desvantagem pontual se irá provavelmente afigurar irreparável – uma derrota do próximo sábado colocará a distância já nos cinco pontos, quando “isto” ainda mal começou – com tudo o que isso trará de instabilidade, pressão mediática e descontentamento.
Conforme aqui disse, os campeonatos em Portugal decidem-se nas primeiras cinco ou seis semanas. Decidem-se até, em grande parte, desde a época anterior, e no modo como é preparada a seguinte. A manutenção de um plantel, de uma estrutura técnica, de um modelo de jogo, de automatismos em campo, de coesão dentro e fora dele, revelam-se quase sempre insuperáveis, face a quem revoluciona tudo.
É difícil, para não dizer impossível, resolver numa semana de mercado aquilo que não foi feito até aqui. É impossível fazer voltar Simão, Karagounis, Petit, Cristian Rodriguez ou mesmo Nuno Assis. Adianta pouco chorar sobre leite derramado. Resta esperar um ou outro retoque, esperar um mês ou dois para que a equipa possa apresentar-se como tal, aguardar por alguns (improváveis) desaires dos adversários, apontar baterias para a conquista de um troféu (Taça de Portugal ou Taça da Liga), e sobretudo – é a terceira vez, em três anos, que digo isto – não voltar a repetir no próximo defeso os erros que mais uma vez se voltaram a repetir neste. É imprescindível que o Benfica chegue a Abril/Maio com o seu plantel 2009/10 definido a noventa por cento. Espero não ter de dizer isto uma quarta vez.
Voltando ao jogo, e falando dos desempenhos individuais, gostaria de destacar a exibição de Léo, a entrada de Nuno Gomes, e salientar o talento de Urreta, que pode vir a ser um esplendoroso jogador dentro de dois ou três anos, mas cuja verdura ainda o castiga bastante, nomeadamente na definição final dos lances.
Sobre a arbitragem falarei na rubrica respectiva.

SPORTING E F.C.PORTO NÃO VACILAM

Sporting e F.C.Porto ultrapassaram com alguma facilidade os seus compromissos do fim-de-semana.
Nem leões nem dragões deslumbraram - o Sporting fê-lo mas apenas durante meia-hora -, mas as suas vitórias não sofrem contestação, até pelas facilidades concedidas pelos adversários.
Tanto um como outro tremeram um pouco a dada fase das respectivas partidas, mas a sua organização colectiva acabou por garantir os pontos.
No Sporting impressiona sobretudo a mobilidade do meio-campo e do ataque, em constantes e criteriosas trocas de posição. No F.C.Porto por seu turno, a inclusão de Tomás Costa pode ter começado a resolver o problema da saída de Paulo Assunção. Assistiu-se também a mais uma belíssima exibição de Lucho, claramente o melhor jogador da liga portuguesa.
Destaque para os sublimes golos de Yannick (em Alvalade) e Hulk (no Dragão).
Atenção ao Sp.Braga. Grande plantel e excelente treinador.

OS CAMPEONATOS DECIDEM-SE ATÉ OUTUBRO

Um campeonato de trinta jornadas é uma prova de regularidade e resistência. Ganha-se com talento, mas sobretudo com mentalidade, encarando todos os jogos como verdadeiras finais e não como simples etapas passíveis de recuperação. Mas se olharmos à história recente do futebol português, verificamos que há de facto jornadas mais importantes que outras, e essas são, justamente as primeiras.
É impressionante a sequência estatística dos últimos anos, de onde releva a forma reiterada como o F.C.Porto, mais estável e organizado, embala para os títulos nas primeiras rondas (até Outubro), e pelo contrário o Benfica, vítima de defesos turbulentos e indefinidos, acaba por cedo permitir distâncias que mais tarde se lhe tornam impossíveis de recuperar. Curiosamente ou talvez não, na única das últimas seis épocas em que tal não aconteceu, quem festejou no Maio seguinte foi precisamente a equipa da Luz.
Atente-se ao seguinte quadro:

Como se pode ver, à excepção de 2004-05, o F.C.Porto entrou na liga sempre a toda a velocidade, conquistando desde logo vantagens de vários pontos em poucas jornadas, acrescentando confiança aos jogadores, motivando adeptos, deprimindo rivais, e assim abrindo caminho para os títulos. Em 2004-05 foi o Benfica que iniciou a prova com três vitórias consecutivas, enquanto que o F.C.Porto, num ano de transição e instabilidade (Del Neri, Fernandez, Couceiro) pós título europeu, não foi além de três empates. No final do campeonato essa diferença revelou-se-lhe fatal, permitindo ao Benfica conquistar o seu único título nos últimos 15 anos.
Se conferirmos o calendário da edição 2008-09, e verificarmos que nas cinco primeiras jornadas se jogam os três clássicos, e na sétima o Benfica viaja até Guimarães, muitos motivos teremos para pensar que ao fim de poucas semanas de competição o campeão até pode estar mais ou menos encontrado, caso uma das equipas conquiste vantagem relevante.
Importa pois perceber que jogos como este de Vila do Conde não são uma mera cerimónia inaugural da liga, mas sim verdadeiros momentos de decisão. Só um Benfica que - milagrosamente, diga-se - se consiga apresentar em grande plano nestas primeiras sete jornadas, poderá efectivamente ter ambições ao título.
No domingo começa pois a decidir-se o campeonato. E não será após o intervalo - como muitas vezes no relvado se pensou ao longo da temporada passada, com os resultados que se conhecem - mas logo desde o apito inicial.

É importante não esquecer também as arbitragens, que assumem nesta fase um papel decisivo. Nos anos dourados do sistema, era precisamente nestes momentos que mais se faziam sentir os benefícios ao F.C.Porto, quer por naquelas bandas se saber bem a importância de arrancar na frente, quer por serem momentos em que benefícios e prejuízos passam mais despercebidos da opinião pública, ao contrário dos finais de campeonato, onde, com maior pressão classificativa, cada lance é objecto de maior e mais acesa discussão.
Muita atenção pois ao trabalho dos árbitros nestas primeiras rondas, sobretudo nos jogos com equipas mais pequenas. Muita atenção também aos árbitros assistentes, essas figuras sinistras que tanto fazem e de quem tão pouco se fala.

PONTAPÉ DE SAÍDA

No dia em que se inicia mais um campeonato nacional – é assim que o vou voltar a chamar, farto que estou de alterações e patrocínios, até porque a mim ninguém me paga -, importa fazer uma breve análise às forças em presença, designadamente aos crónicos candidatos ao título.
Há que começar por lembrar que qualquer observação que se faça sobre Benfica, Sporting ou F.C.Porto e sua capacidade relativa, não pode deixar de levar em consideração a classificação do campeonato anterior, no qual os portistas passearam uma superioridade quase chocante. É dessa premissa que se tem de partir, e sem a ter em mente, qualquer reflexão carecerá de objectividade e rigor. Importa portanto e sobretudo perceber se Benfica e Sporting criaram as condições necessárias para contrariar a clara vantagem que os dragões evidenciaram na época transacta. A meu ver o Sporting fê-lo, e apresenta-se como forte candidato ao título, enquanto o Benfica, salvo qualquer surpresa – nas quais o futebol é, como sabemos, fértil -, apenas terá, na melhor das hipóteses, reduzido distâncias para o rival nortenho.
Como benfiquista lamento, mais do que ninguém, não vislumbrar condições para embarcar na onda de euforia criada, sobretudo, por certa imprensa ávida de fazer dinheiro à custa da dimensão do clube encarnado.
As razões para este pouco optimismo são várias, e uma reflexão fria conduz-nos rapidamente a elas. Em primeiro lugar a SAD benfiquista não escapou uma vez mais aos pecados que lhe têm sido comuns desde há três épocas a esta parte, e que são já uma triste imagem de marca do clube encarnado a cada defeso que passa. Indefinição tardia do plantel – que de resto ainda não está fechado, justamente no dia em que se inicia a competição –, saída e entrada de jogadores em número considerável, alterações radicais em toda a estrutura profissional, foram aspectos que se voltaram a repetir no Benfica, sem que ninguém pareça perceber que é justamente neles que se iniciam as derrotas. Depois, julgo que as perdas de Petit, Rui Costa e Cristian Rodriguez são golpes demasiado duros para um plantel já de si algo vulgar ( no verão anterior haviam saído Simão, Miccoli, Karagounis e Anderson), e tenho fortes dúvidas que algumas das individualidades contratadas mantenham, ao longo de uma temporada longa e desgastante, o nível e a regularidade de rendimento físico e mental que aqueles três elementos normalmente asseguravam. Creio pois que ente saídas e entradas, o Benfica em pouco terá ficado a ganhar, e como tal, só por milagre – e é isso que espero de Quique Flores – encontrará forma de aniquilar, no curto prazo, uma distância competitiva enorme que tem deixado cavar pelo F.C.Porto, e ultimamente também pelo Sporting. É sobretudo no novo técnico que podem recair as esperanças de uma melhoria do Benfica, e só ele poderá fazer deste plantel encarnado uma equipa ganhadora. Por outras palavras, se o Benfica por acidente se sagrar campeão nacional em Maio próximo, Quique será um verdadeiro herói, como o foi Trapattoni há umas épocas atrás, perante – recorde-se – a incompreensão generalizada da original nação benfiquista.
Se o Benfica dificilmente se apresentará em condições de discutir o título, há que dizer também que, por outro lado, os portistas não parecem tão fortes como na época finda. As saídas de Bosingwa e Paulo Assunção foram até agora muito mal resolvidas, e o caso Quaresma pode deixar marcas profundas, quer em termos de alinhamento táctico (e o Benfica sofreu isso com o “sai-não sai” de Simão há dois anos), quer sobretudo no campo emocional.
Não creio que Sapunaru, Benitez, Tomás Costa, Guarin ou Hulk valham os cerca de 15 milhões de euros que o F.C.Porto gastou com eles - sobretudo tendo em conta que mantém uma rede de jovens jogadores emprestados com bem maior qualidade -, nem que algum deles consiga fazer esquecer as perdas de Bosingwa e Paulo Assunção. A única contratação de grande qualidade feita pelos dragões foi Cristian Rodriguez, mas a mais que provável saída de Quaresma acaba por equilibrar a balança em relação à posição de extremo, com a particularidade de o uruguaio induzir mais uma vez Jesualdo a optar por um 4-3-3, que aparentemente só era mantido fruto da rigidez táctica imposta pelo criativo futebol do cigano numa das alas.
Olhando para o plantel do F.C.Porto impressiona a aparente fragilidade do seu sector defensivo, onde o irregular Helton figura atrás de um quarteto formado pelo insatisfeito Bruno Alves, pelo cada vez mais veterano Pedro Emanuel, e por um conjunto de laterais de mais do que duvidosa qualidade, onde apenas Fucile, de algum modo, parece ser excepção. À sua frente, para um meio-campo defensivo órfão de Paulo Assunção, não se vêm grandes alternativas. Enfim, talvez estaremos perante um ano de transição no dragão.

Quem fica a ganhar com as indefinições de F.C.Porto e Benfica é claramente um Sporting que, gastando menos dinheiro que os rivais, e mantendo um orçamento inferior, consegue apresentar uma equipa compacta e extremamente competitiva à partida para a nova época.
Os motivos para esta realidade são fáceis de explicar: os leões mantém o mesmo treinador há quatro épocas, mantém uma espinha dorsal constante e identificada com a cultura do clube (Tonel, Polga, Veloso, Moutinho, Liedson entre outros), seguraram os seus principais jogadores, contrataram pouco e bem (três internacionais), e partem com uma dinâmica de vitória considerável alicerçada nos triunfos da Taça de Portugal, a terminar a época anterior, e na Supertaça, a iniciar a corrente ( contando com duas vitórias claras sobre cada um dos rivais em poucos meses). A acrescentar a estes aspectos, há que dizer que o Sporting vê agora também crescer alguns dos seus talentos, que com mais um/dois anos, começam a entrar na fase de maior maturidade, durante a qual normalmente se conquistam títulos – a este nível é absolutamente notável a progressão de Yannick Djaló, jogador que julgo estar já hoje na antecâmara da selecção A.
Muito embora seja o Benfica a dominar as primeiras páginas dos jornais, há pois que dizer que o verdadeiro campeão da pré-temporada é o Sporting. Os leões dividem com o campeão F.C.Porto a favoritismo quanto à conquista do título, e no caso de ter mesmo de apostar num deles, não hesitaria em colocar as fichas na equipa de Paulo Bento.
Vejamos em resumo, para concluir, os pontos mais fortes e mais fracos de cada um dos grandes:


F.C.PORTO

(+) cultura de campeão ; organização em campo e fora dele; impressionante capacidade atlética dos seus jogadores; contratação de Rodriguez ; manutenção de Lucho e Lisandro, os seus dois melhores jogadores
(-) saídas de Bosingwa e Paulo Assunção sem que se vislumbrem substitutos à altura ; indefinição quanto ao futuro de Quaresma ; difícil gestão de expectativas depois de uma época de grande superioridade ; sector defensivo fragilizado


SPORTING

(+) manutenção de toda a estrutura técnica e do plantel ; boas e cirúrgicas contratações ; dinâmica de vitória considerável, depois das vitórias nas taças ; crescimento e maturação de alguns dos seus jovens talentos ; lote de opções considerável, sobretudo do meio-campo para a frente
(-) Rui Patrício continua a parecer demasiado verde para as ambições do clube ; remota eventualidade de problemas de gestão de balneário, agora que os lugares no onze começam a ser mais disputados


BENFICA

(+) contratação de um técnico bastante promissor e de um preparador físico de topo europeu ; possível explosão de talentos como David Luíz, Urreta ou Di Maria ; melhoria ao nível do jogo aéreo, com as manutenções de Cardozo, Katsouranis, Luisão e a contratação de Yebda ; tem o melhor guarda-redes da liga
(-) baixas graves no plantel como os experientes internacionais Petit, Rui Costa e Rodriguez, para além de outros bons jogadores como Adu ou Nuno Assis ; nova revolução, com substituição de toda a estrutura ; mais uma vez entradas e saídas de jogadores em catadupa, e sem aparente critério ; mais uma vez definição tardia do plantel, com os folhetins relativos a contratações a arrastarem-se ; plantel demasiado estrangeirado, sem grandes referências clubistas, e com demasiados jogadores pouco dados ao sofrimento de uma liga muito combativa ; debilidade atlética de grande parte dos jogadores do plantel ; laterais baixos e rigidos nas basculações ; alas e centro-campistas pouco dados a tarefas defensivas

UM, DOIS, TRÊS ; O BENFICA EM GRANDE NAS OLIMPÍADAS

NÉLSON ÉVORA (Portugal) Triplo-Salto - MEDALHA DE OURO
VANESSA FERNANDES (Portugal) Triatlo - MEDALHA DE PRATA
ANGEL DI MARIA (Argentina) Futebol - MEDALHA DE PRATA OU OURO
Três atletas do Benfica a brilhar nos Jogos Olímpicos.
Parabéns a todos eles, em especial aos dois portugueses, e muito em particular a Nélson Évora, quarto campeão olímpico da história do desporto nacional, acabado há minutos de voar para a imortalidade em Pequim.

DE VOLTA

Depois de um saboroso período de férias, VEDETA DA BOLA regressa hoje ao seu convívio - tal como prometido, antes do pontapé de saída da Liga 2008-2009.
Muita coisa se passou entretanto, e seria fastidioso e inoportuno comentar agora de forma minuciosa cada uma das transferências ou cada um dos jogos de preparação efectuados, até porque, para ser franco, tenho dado muito mais atenção aos Jogos Olímpicos do que propriamente à actualidade futebolística, seguindo avidamente - ao longo de noites sem dormir - as fabulosas performances de Michael Phelps, Usain Bolt ou da nossa Vanessa Fernandes, acompanhando modalidades que normalmente me escapam (tiro, canoagem, esgrima ou ginástica, por exemplo), seguindo as lutas pelas medalhas, os records, os dramas próprios da competição e todo o colorido em seu redor, pois para além de benfiquista gosto sobretudo de futebol, e para além do futebol amo a o desporto em geral.
Deste período de ausência, ressaltam todavia alguns assuntos que não gostava de deixar passar em claro, e aos quais me irei agora referir para que nos próximos dias possa então entrar definitivamente na actualidade. São os seguintes:

TRANSFERÊNCIA DE PETIT – A saída do internacional do Benfica caiu-me como uma bomba, e estranhei profundamente a forma superficial e ligeira como foi tratada por uma comunicação social sempre lesta a vislumbrar grandes vedetas em jogadores vulgares que chegam, quase diariamente, do outro lado do atlântico.
Petit foi titular da selecção nacional no último Europeu, era um dos capitães de equipa, e um dos mais antigos jogadores do clube. Sempre demonstrou total empenho e profissionalismo, sendo dos poucos que conferia alguma experiência e segurança competitiva a um plantel recheado de jovens à procura de afirmação.
Durante a época transacta, tive conhecimento da existência de alguns problemas de relacionamento entre Rui Costa e Petit, que inclusivamente terminaram um jogo em acesa discussão ainda no relvado. Não creio contudo que tal possa justificar uma dispensa – é disso que se trata -, pois uma equipa de futebol, como qualquer estrutura profissional, não pode ser formada com base em critérios de amizade. A ser assim, também Óscar Cardozo, entre outros, teria guia de marcha garantida, pois também ele, ao que sei, não faz parte do núcleo de simpatias do novo director-desportivo – foi aliás o único jogador em campo a não felicitar Rui Costa quando o “maestro” foi substituído no seu jogo de despedida.
Não terá sido também por aparecer de quando em vez num qualquer local de diversão nocturna que Petit se tornou dispensável, pois as contratações entretanto efectuadas – e já lá irei – abrangeram mais do que um jogador com fama de boémio, epíteto que o médio, diga-se, estava longe de justificar. É importante lembrar que o seu rendimento na última temporada foi altamente condicionado por sucessivas lesões, que nunca o deixaram atingir um estado de forma ideal.
Havendo uma proposta vantajosa para o clube entender-se-ia, dada a sua idade, uma venda do respectivo passe (ainda que o valor tivesse de ser dividido com o Boavista). Uma dispensa a custo zero custa a aceitar, até porque se Rui Costa jogou, e bem, até aos 36, se Léo, aos 32, viu renovado o seu contrato, não seriam os 32 anos de Petit a obstar a mais uma ou duas boas épocas, fazendo valer a sua experiência, a sua cultura táctica, a sua alma de lutador.
O futuro dirá quanta falta Petit fará no meio-campo benfiquista. Mas uma coisa já é certa: com as saídas de Petit, depois de Simão, Miguel, Tiago, Manuel Fernandes, Ricardo Rocha, e agora também Nuno Assis (veremos ainda se Mantorras e Nuno Gomes), morre definitivamente um certo Benfica. Um Benfica que chegou aos títulos rompendo um prolongado jejum, e deu esperança aos adeptos de finalmente poder devolver o clube ao lugar que o seu historial nunca deixou de justificar.
Mais uma vez tudo terá de começar de novo…

CONTRATAÇÃO DE REYES – Espero estar francamente enganado, mas este é um exemplo paradigmático do perfil de jogador que eu nunca contrataria para o Benfica.
Não pela sua qualidade técnica, que é inegável, mas por tudo aquilo que indicia uma carreira errante e em quase constante e galopante decadência, pelo dinheiro que já ganhou (e continua a ganhar), pela ambição que provavelmente não conseguirá encontrar numa liga como a portuguesa.
Reyes despontou no Sevilha, chegou à selecção espanhola e foi contratado pelo Arsenal. A partir daí foi a queda total. Do banco londrino para o banco do Bernabéu, e deste para a lista de dispensas do Atlético de Madrid, sempre com salários elevadíssimos, e com fama (e possivelmente proveito) de levar uma vida recheada de descontracção, noite e prazeres vários.
Espero que Quique Flores consiga fazer com ele o que, por exemplo, Mourinho tem feito com alguns sobre os quais eu não apostaria um pau de fósforo queimado. O técnico espanhol deve conhecê-lo bem, e supõe-se que saiba como motivá-lo. Mas se no fim do ano nos lembrarmos, por exemplo, de um Laurent Robert – curiosamente de quem o “Special One” também dizia maravilhas -, não ficarei muito admirado.
Deixo aqui a aposta em como, com o decorrer da época, Di Maria o irá sentar no banco.

A PRÉ-ÉPOCA DO BENFICA – Embora os últimos dois jogos tenham deixado melhor impressão que as horripilantes exibições anteriores, não me parece haver motivo para as grandes euforias que já se vão vivendo, como de resto tem sido habitual, ano após ano, suceder na Luz.
É verdade que em apenas duas semanas Quique Flores conseguiu ultrapassar uma fase de total indefinição de plantel, e chegar a um onze-base mais ou menos estabilizado. E é também verdade que a qualidade do futebol apresentado a espaços diante de Feyenoord e Inter não se viu muitas vezes durante toda a época que passou.
Mas, deixando de lado os princípios de jogo que permanecem por adquirir, as rotinas que demorarão a estabelecer, e olhando exclusivamente às saídas e entradas do plantel benfiquista, se verificarmos que saíram “apenas” Petit, Rui Costa, Cristian Rodriguez, Nuno Assis, Freddy Adu e o mais que se verá (Nelson ?, Nuno Gomes ?, Di Maria ?, Makukula ?), e que os mesmos foram substituídos por apostas de risco elevado em jogadores à procura de afirmação (Sidnei e Urreta) ou reabilitação (Carlos Martins, Aimar ou Reyes), se nos lembrarmos que o Benfica ficou a mais de vinte (!!!) pontos do F.C.Porto no último campeonato, que o Sporting se reforçou bastante, e que tal panorama impunha ao Benfica um incremento real de qualidade, alma e identidade (não necessariamente de estrelas mediáticas), de modo a poder reaproximar distâncias, chegaremos à conclusão que o mundo benfiquista não está tão cor-de-rosa como certa imprensa já o pinta, e que talvez tivesse sido mais prudente - e seguramente menos oneroso - evitar esta profunda revolução, que leva implacavelmente os encarnados mais uma vez para a terceira posição na grelha de partida de favoritos para o campeonato que se aproxima.
É preciso ter a frieza suficiente para perceber que o plantel do Benfica não é superior ao da época passada, e está, grosso modo, à mesma distância qualitativa que estava do ainda bastante superior F.C.Porto (quer em individualidades, quer sobretudo em termos físico-atléticos e de organização táctica), tendo entretanto visto também o Sporting (carregado de talento e opções em quantidade e qualidade) afastar-se na hierarquia do futebol português corrente. Acredito que deste plantel, Quique possa fazer uma equipa melhor que a da última época – mal de nós que assim não seja. Mas não creio ser possível a este Benfica sonhar com o título nacional, pois a concorrência não pára, enquanto o clube da Luz, olhando ano sobre ano para o seu próprio umbigo, persiste em cometer constantemente os mesmos erros, deixando sair os seus melhores jogadores, contratando a eito, quase sempre sem critério e a ver o que dá, enterrando as aspirações em defesos erráticos, e depois, esperando que por milagre divino os títulos lhe voltem a sorrir, apontando por fim as baterias da desilusão e da resignação para a temporada seguinte.
Quer isto dizer que me sinta desmotivado enquanto sócio e adepto, ou que vá deixar de apoiar a equipa ? Nem pouco mais ou menos !
O Benfica precisa de apoio, os jogadores que lá estão, bem como os que chegaram, precisam de sentir a força da massa adepta do clube. Apesar do que disse acima, acredito na seriedade do trabalho de Rui Costa e Quique Flores. Penso contudo que seria prudente e sensato falar verdade aos sócios e expor os verdadeiros objectivos do Benfica para esta temporada. Julgo que, com esta equipa, apontar para mais do que um segundo lugar no campeonato, e a eventual conquista de um troféu (Taça de Portugal ou Taça da Liga), será sonhar demasiado alto, e correr o risco de proporcionar mais uma profunda decepção no povo encarnado, sobretudo entre aqueles que, ao contrário de mim, se deixam embarcar no ilusionismo mediático reiteradamente criado em redor do clube da águia.

SUPERTAÇA – A abrir a época oficial assistiu-se a um banho de futebol do Sporting ao F.C.Porto, consubstanciado numa vitória tão clara como justa, e numa superioridade tal que nem um penálti falhado foi capaz de disfarçar.
Confirmou-se a tendência de Paulo Bento para vencer o F.C.Porto, e confirmou-se também a fortíssima candidatura ao título de um leão cada vez mais compacto, mais afirmativo e mais empolgante. Nos últimos oito meses os leões derrotaram o F.C.Porto por três vezes (todas por 2-0), e o Benfica por duas (5-3 e 2-0). Mantiveram toda a estrutura da época anterior, reforçando-a vigorosamente. Que mais será necessário para lhe conceder algum favoritismo na luta pelo título ?
O F.C.Porto, por seu turno, denunciou fragilidades que podem comprometer a sua época – aqueles laterais…- e abrir espaço para a intromissão de um dos rivais no seu ciclo de hegemonia (Sporting ?). Os portistas não terão ainda resolvido devidamente as saídas de Bosingwa e Paulo Assunção, evidenciando problemas em impor o seu modelo de jogo, bastante ancorado naqueles dois jogadores . Isto para além do caso-Quaresma que pode também ter de algum modo viciado um edifício habitualmente inexpugnável.
Não estive no Estádio do Algarve, mas chegaram-me ecos dos problemas organizativos que se por lá se verificaram. Infelizmente, já é hábito que as provas organizadas pela FPF resultem no caos. É espantoso como – à semelhança dos jogos da selecção e da Taça de Portugal – os dirigentes federativos continuam a reservar um terço da lotação dos estádios para “convites”, muitas vezes um eufemismo utilizado para designar o pagamento de favores privados concedidos a dirigentes federativos e associativos nacionais e locais, e aos quais o futebol pouco ou nada deve de bom, e muito tem a haver de mau.
Já agora, também a presença de Pinto da Costa na tribuna oficial merece reflexão. Toda esta história do Apito Final tem sido aliás um verdadeiro compêndio acerca da impunidade que faz do nosso país aquilo que infelizmente ele é. Foi dado como provado que houve corrupção (ou tentativa, para mim é igual), e quais foram afinal as consequências objectivas para clube e dirigente envolvidos ?

JOGOS OLÍMPICOS – Sendo este um espaço dedicado ao futebol, e frequentado basicamente por adeptos de futebol, não o irei utilizar para falar de modalidades que por estes dias têm feito as delícias televisivas dos amantes do desporto em todo o mundo.
É precisamente do futebol olímpico que quero escrever, e para dizer que me parece fazer pouco sentido a sua existência.
Em cada uma das modalidades programadas figuram invariavelmente os melhores do mundo. Se no futebol também assim fosse, tudo estaria bem. Não o sendo, o que ganham as olimpíadas, e o que ganha o futebol, com esta situação nebulosa de jogadores sub-23, disputando um torneio cujo mediatismo é claramente abafado pelas proezas do atlestismo, da natação ou da ginástica, e para o qual os clubes tentam a todo o custo evitar enviar os seus principais jogadores ?
Seria boa ideia a FIFA e o COI reflectirem sobre isso. Porque não substituir o futebol pelo futsal e/ou pelo futebol de praia, onde, então sim, estivessem presentes os melhores do mundo de cada selecção, deixando o futebol dos relvados exclusivamente para as competições da FIFA ?
Fica a sugestão.
Entretanto Di Maria está na final com a sua Argentina, na qual tem sido titular ao lado de Messi, Riquelme e Aguero. É assim o segundo benfiquista medalhado nestes jogos, depois da prata de Vanessa Fernandes.
Venha o terceiro: Nelson Évora, já agora com o ouro…
SELECÇÃO NACIONAL - Não houve grandes novidades na primeira convocatória de Carlos Queirós. Se exceptuarmos Danny (cada técnico preza sempre um determinado jogador fetiche) e Quaresma (que não fez ainda qualquer jogo completo nesta temporada), só a questão dos guarda-redes deu que falar. Naturalmente Ricardo ficou de fora, depois de um Europeu confrangedor. Naturalmente Eduardo e Daniel Fernandes avançaram para a convocatória. Naturalmente Quim será o titular.