MEMÓRIAS DA BOLA

17 de Novembro de 1976.
Segundo jogo da fase de qualificação do Mundial de 1978, disputado numa quarta-feira à noite em Lisboa e transmitido em directo pela televisão.
Portugal alinhou com Fonseca, Artur, Humberto, José Mendes, Taí, Celso, Alves, Oliveira, Chalana (que se estreava na selecção), Nené e Vitor Baptista. 1-0 foi o resultado, golo de Manuel Fernandes, entrado já na segunda parte.
Tinha eu 6 anos, e é este o primeiro jogo da selecção nacional que a minha memória alcança.
Nada mais nada menos que um... Portugal-Dinamarca.

EIS A DINAMARCA

PARA ANIMAR A MALTA

Portugal entrou com o pé direito na fase de qualificação para o Mundial 2010.
É verdade que Malta é uma selecção modesta, mas também é verdade que foi muitas vezes em momentos como este, diante de adversários mais acessíveis, que Portugal, facilitando, complicou as suas contas. Azerbaijão, Arménia, Liechtenstein, e a própria Malta, foram, no passado, carrascos das contas lusas, e é bom que jogadores e técnicos nunca se esqueçam desses episódios quando encontram pela frente uma selecção aparentemente mais frágil. O mérito principal a atribuir à selecção é pois a atitude com que enfrentou este obstáculo, tornando fácil uma vitória que dificilmente seria alcançada com deslumbramento, displicência ou soberba.
Carlos Queirós não arriscou e utilizou precisamente o mesmo onze que havia derrotado as Ilhas Faroé. Os primeiros minutos não foram famosos, mas a partir do auto-golo a equipa nacional tranquilizou-se e, em larga medida impulsionada pela excelente exibição de Nani, partiu para uma vitória segura e expressiva.
Os empates cedidos por Suécia e Dinamarca permitem abordar o jogo de quarta-feira em Alvalade com grande confiança, pois em caso de vitória, Portugal poderá cavar uma importante distância para os dinamarqueses, posicionando-se desde já como o principal favorito ao primeiro lugar e ao correspondente apuramento directo. Este será assim o primeiro grande teste à selecção de Queirós.

A "MINHA" SELECÇÃO

AREIA PARA OS OLHOS

Uma única equipa, de entre as grandes, foi até agora beneficiada pela arbitragem: o Sporting.
Um único treinador, de entre os grandes, se queixou até agora da arbitragem: Paulo Bento (!!)
Alguma coisa está errada.
Não é de hoje que o Sporting adopta uma estratégia de constante pressão e condicionamento das arbitragens. Desde os tempos do famoso luto, ainda com Roquette, passando pela teoria do colo de 2005, há muito que os leões apostaram na sua desproporcionada representatividade nos orgãos de comunicação social, para aí promoverem a hábil construção de uma teoria segundo a qual seriam os mais penalizados pelos erros dos árbitros, sempre tendo em mira o jogo seguinte e uma qualquer eventual compensação - muitas vezes conseguida.
Desde que Paulo Bento assumiu o comando técnico do Sporting, esta tendência agudizou-se ao ponto de os leões serem já conhecidos como os “calimeros”. Passando ao lado do caso "Apito Dourado", e querendo à viva força envolver o Benfica no processo (sem qualquer sucesso), o Sporting tem prestado um péssimo serviço ao ftebol português e à credibilidade do mesmo. Nos últimos anos, Paulo Bento nas conferências de imprensa, comentadores como Rui Santos ou Dias Ferreira na SIC Notícias, Limas e outros que mais nos jornais, adeptos nos blogues, todos têm falado incessantemente de arbitragem, todos têm tecido harmoniosamente a teia de uma mentira, que até faz esquecer aos mais incautos que o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga recebeu há meses o emblema de ouro pelos seus 50 anos de sócio do clube de Alvalade.
Mas há quem tenha memória, e há quem tenha registos. Olhando ao que foram os casos de arbitragem no campeonato português nos últimos anos, verificamos que Paulo Bento tem pouco que se queixar.
Desde Outubro de 2005, segundo as regras da classificação “real”, o Sporting, não só não tem sido prejudicado pelas arbitragens, como até tem sido beneficiado, sendo o clube com mais pontos reais em seu favor. Mas para quem não leve a sério estes critérios, há um que é insofismável: o Sporting é, de longe, o clube que tem beneficiado de mais grandes penalidades de há muitos anos para cá, e também o é desde que Paulo Bento é técnico principal (neste período, 22 para o Sporting, 15 para o Benfica e 11 para o F.C.Porto). Só na época passada foram assinaladas nove (!!) em Alvalade.
Com Paulo Bento no banco, as equipas de arbitragem cometeram 53 (!!!!) erros a favorecer os leões, dos quais alguns foram do mais grotesco que se viu no campeonato, como o golo do União de Leiria que Ricardo defendeu dentro da baliza, ou o golo do Braga anulado na época passada em Alvalade. Também as expulsões de guarda-redes adversários, sobretudo em Alvalade, têm sido uma nota dominante.
Isto falando apenas do campeonato, e esquecendo os favorecimentos nas Supertaças, e na Taça de Portugal, competição onde na época passada ficaram dois penáltis por marcar a favor do Benfica em Alvalade.
Mas quem é capaz de, tendo minutos antes visto João Moutinho rasteirar claramente Freddy Adu dentro da área, passar toda uma conferência de imprensa a queixar-se da arbitragem, é efectivamente capaz de tudo.
Ficam os tais 53 lances, para que todos avivemos a memória:
2005-06
8. F GIL VICENTE E 2-2 Golo de Douala em fora-de-jogo
9. F BOAVISTA E 2-2 Segundo golo resultante de canto inexistente
10. C U.LEIRIA V 2-1 Bola defendida por Ricardo um metro dentro da baliza
11. F PENAFIEL V 1-0 Penalty por assinalar a favor dos penafidelenses
14. C E.AMADORA D 0-1 Penalty fantasma assinalado no último minuto, falhado por Liedson
18. F BELENENSES V 1-0 Mão de Polga na área por assinalar
19. C MARÍTIMO E 1-1 Nova mão de Polga por assinalar ; livre indirecto a favor incompreensível
20. F BENFICA V 3-1 Agarrão de Tonel a Nuno Gomes na área por marcar
21. C NACIONAL V 1-0 Expulsão errada de um madeirense ; novo penálti por marcar por gravata de Tonel sobre André Pinto
22. F V.SETÚBAL V 2-1 Nova falta para penálti de Tonel ficou por marcar ; golo limpo anulado ao V.Setúbal
23. C P.FERREIRA V 3-1 Penalty duvidoso assinalado a favor com o resultado a zero
24. F ACADÉMICA V 3-0 Primeiro golo claramente fora-de-jogo
25. C GIL VICENTE V 2-0 Segundo golo de Koke em posição duvidosa
26. C BOAVISTA V 1-0 Boavista com 4 jogadores expulsos e/ou amarelados na jornada anterior por Lucílio Baptista ; penalti não assinalado por falta de Tonel sobre Fary
29. F V.GUIMARÃES V 1-0 Falta dentro da área sobre Saganowski
32. C NAVAL E 0-0 Três navalistas afastados do jogo por Lucílio Baptista na ronda anterior
34. C BRAGA V 1-0 Empurrão de Tonel a João Tomás dentro da área
2006-07
2. F NACIONAL V 1-0 Golo solitário de Nani precedido de falta
6. F E.AMADORA V 1-0 Expulsão poupada a Custódio
9. C BRAGA V 3-0 Terceiro golo fantasma, sem que a bola ultrapassasse a linha de baliza
11. F NAVAL V 1-0 Golo de Ronny resultante de livre inexistente
12. C BENFICA D 0-2 Corte de Nani na área com o cotovelo
14. C ACADÉMICA V 1-0 Golo obtido na sequência de falta de Tonel sobre Pedro Roma
16. F BOAVISTA E 1-1 Rasteira de Tello a Linz dentro da área por assinalar
17. C NACIONAL V 5-1 Penalti mal assinalado e desperdiçado por Liedson ; primeiro golo obtido após empurrão pelas costas de Bueno sobre defensor madeirense
18. F P.FERREIRA E 1-1 Entrada assassina de Liedson ao tornozelo de um pacense, nem vermelho nem sumaríssimo
22. F F.C.PORTO V 1-0 Falta de Polga sobre Pepe na área não assinalada nos últimos minutos
27. F BENFICA E 1-1 Expulsão perdoada a Caneira por falta sobre Miccoli quando este seguia isolado, ainda na primeira parte
29. F ACADEMICA V 2-0 Falta de Liedson na sua área não assinalada
2007-08
1. C ACADÉMICA V 4-1 Penálti poupado ao Sporting por falta de Polga com o placar em 3-1
3. C BELENENSES V 1-0 Expulsão exagerada de Costinha no lance do penálti. Uma das muitas de guarda-redes adversários em Alvalade
5. C V.SETUBAL E 2-2 Penalti não assinalado por falta de Gladstone sobre Matheus
6. F BENFICA E 0-0 Falta clara de Moutinho sobre Adu no último minuto dentro da área
7. C V.GUIMARÃES V 3-0 Falta clara de Vukcevic no lance que antecede o primeiro golo, já na segunda parte
17. C F.C.PORTO V 2-0 Golo de Vukcevic em fora-de-jogo
19. C E.AMADORA V2-0 Expulsão exagerada de estrelista ; penalti inexistente, falhado por Polga, mas de que resultou a expulsão do guarda-redes Nelson
20. F V.SETÚBAL D 0-1 Penálti por assinalar cometido por Grimi no bico da área
21. C BENFICA E 1-1 Corte com a mão de Miguel Veloso dentro da área não sancionado ; expulsão de Nelson exagerada (lance para amarelo)
23. C NACIONAL 4-1 Penálti mal assinalado
25. C BRAGA V 2-0 Golo limpíssimo inacreditavelmente anulado ao Braga
28. C MARÍTIMO V 2-1 Penalti determinante inventado por Lucílio Baptista
29. F P.FERREIRA V 1-0 Golo nasce de livre inexistente ; expulsão poupada a Polga
30. C BOAVISTA V 2-1 Penálti muito duvidoso quando o Sporting perdia. O décimo (!!!) em Alvalade nesta época a favor dos leões
2008-09
1. C TROFENSE V 3-1 Dúvidas sobre o livre que origina o segundo golo
2. F BRAGA V 1-0 Penálti de Postiga sobre Meyong por assinalar

CLASSIFICAÇÃO REAL - Correcção

“Ainda na primeira parte, foi marcada uma falta a Meyong na área do Sporting, num lance em que me pareceu ter sido o camaronês a sofrê-la. Como não pude tirar a questão a limpo, dou o benefício da dúvida ao árbitro”
Estas foram as minhas palavras de ontem, antes de ter a possibilidade de ver o lance devidamente repetido.
Ao vê-lo, não me resta a mais pequena dúvida de que houve motivo para grande penalidade, pois Hélder Postiga coloca o braço sobre Meyong de forma a impedi-lo de chegar à bola. Já alguns leitores mais atentos o tinham aliás afirmado.
Urge pois rectificar o resultado real, bem como a respectiva classificação:
Resultado real: 1-1
CLASSIFICAÇÃO REAL - Sporting e F.C.Porto 4 pts ; Benfica 2

E eis que temos o clube que mais se queixa das arbitragens a ser o primeiro (e único, até agora), beneficiado objectivamente pelas mesmas, com a conquista de dois pontos manchados de erro, ainda que sem o mínimo foco mediático em torno do caso. O mediatismo fica todo para os erros a favor do Benfica.
Aliás Bruno Paixão tem-se vindo a revelar um verdadeiro pronto-socorro para os leões, pois já no Sporting-Sp.Braga da época passada anulou um golo limpíssimo aos minhotos, numa fase em que a luta pelo segundo lugar estava ao rubro. Será que pretende lamber as botas ao presidente da comissão de arbitragem, sabendo tratar-se este de um "Leão de Ouro" com 50 anos de associado ?
Ficam mais duas interrogações no ar:
-O que diria Paulo Bento se perdesse um jogo assim, e o que dirá se numa das próximas jornadas isso vier a suceder ?
-Porque motivo nada disse Jorge Jesus, sempre tão lesto a reclamar contra outros clubes ?
PS: Quando alguns, lá mais para o final da época, me vierem com ar escandalizado acusar de parcialidade, lembrem-se que, à segunda jornada, já lá vão dois pontinhos e uma liderança (com tudo o que ela acarreta de estímulo e motivação).

SUMARÍSSIMOS MONOCROMÁTICOS

Estes foram os processos sumaríssimos abertos pela Liga desde 2006:
Fevereiro de 2007Janeiro de 2008Setembro de 2008
Já calculava que a C.D.da Liga, com todo o falatório que houve em torno da burlesca invasão de campo, e pouco podendo fazer em relação a esse caso (ficou-se naturalmente pela multa), tivesse de arranjar forma de compensar o mundo anti-benfiquista com um sumaríssimo a Luisão.
O central brasileiro atingiu Sapunaru, e como tal não irei contestar o facto de ser castigado. O que questiono é porque motivo só os jogadores do Benfica são alvo de deste tipo de processo.
Desde 2006 a Liga abriu três sumaríssimos, todos a jogadores do Benfica. Primeiro Derlei (quando estava na Luz), depois Katsouranis e agora Luisão. Até parece que mais ninguém comete este tipo de infracções.
Bruno Alves, por exemplo, nunca levou um sumaríssimo, mesmo depois de ter barbaramente agredido Nuno Gomes, Jorge Gonçalves, João Moutinho, Anselmo e vários outros jogadores, sempre com uma impunidade já herdada de Jorge Costa, Costinha, Paulinho Santos, Fernando Couto ou Frasco.
E para jogadores do Sporting, alguma vez houve um sumaríssimo ? Assim de repente não me recordo.

COAGIDO PELOS COPOS

José Guilherme Aguiar fazia anos, e falou depois do jantar. Isto permite de algum modo entender a sua grotesca intervenção no programa de ontem na SIC Notícias, onde defendeu (ou propôs, ou insinuou, ou sugeriu) que o caso da agressão de um conterrâneo seu ao fiscal de linha do Benfica-F.C.Porto, poderia ser enquadrado no âmbito da coacção à equipa de arbitragem, e como tal, resultar na descida de divisão do clube da Luz. Chegou mesmo a dizer que não via diferenças entre a coacção efectuada por aquele “adepto” (?) benfiquista, ou a que ficou provado ter sido cometida por Valentim Loureiro, segundo ele, simples “adepto” do Boavista.
Eu, que até estava um pouco chateado com a situação, fiquei com vontade de rir.
Como é possível um individuo que é jurista, e que foi director executivo da Liga de clubes, dizer, com o ar mais coloquial deste mundo, tamanho disparate em frente às câmaras de televisão ? E como é possível que ninguém lhe responda à altura ?
Este episódio demonstra uma vez mais o nível em que o dirigismo desportivo do nosso país andou durante anos mergulhado. Guilhermes Aguiares, Gonçalves Pereiras, Lourenços Pintos, Adrianos Pintos e/ou outros parecidos ou iguais, mandaram no futebol a seu bel-prazer durante duas décadas. Foram eles que ergueram o “sistema”, e foi graças a eles que a hegemonia do F.C.Porto se consolidou, perante o silêncio, a ingenuidade e a incompetência dos dirigentes do Benfica.
O que poderia ter sido a história do futebol português sem esta gente ?

CLASSIFICAÇÃO REAL

À segunda jornada, é de saudar o facto de a classificação real coincidir em absoluto com a classificação factual. Para já, as arbitragens não estão a ter qualquer influência no desenrolar do campeonato, ainda que os erros sucedam sempre e sejam naturais de qualquer actividade, sobretudo se tão difícil como esta. Vejamos o que aconteceu nos dois principais jogos da ronda.
BENFICA-F.C.PORTO: O grande clássico teve, desta vez, uma arbitragem ao nível da ocasião. É certo que não faltou o jogador benfiquista expulso (como é tradicional), mas neste caso sem que se possam apontar culpas a ninguém que não ao próprio. Vejamos os principais casos do jogo:
- Logo nos momentos iniciais, Luisão atingiu com o braço o rosto de Sapunaru. Pelas repetições televisivas percebe-se que terá ficado um cartão vermelho por mostrar, mas num molho de jogadores à procura da melhor posição face a um lance de bola parada, é natural que o árbitro não se tenha apercebido, com rigor, da acção do central brasileiro, que só pela expressão do seu rosto (na televisão) se percebe ser deliberada.
Todavia, uma vez que o lance decorre diante do campo de visão de Jorge Sousa, e tendo este inclusivamente chamado a atenção dos jogadores (entendendo provavelmente a situação como uma escaramuça normal nos lances de bola parada), dificilmente se poderá falar de sumaríssimo, em face da nova interpretação – mais restritiva – que a Liga dá aos mesmos.
- O penálti assinalado é incontestável, e o cartão amarelo exibido também. Lucho não tinha a bola dominada, nem seguia com ela para a baliza. Esperava uma bola que vinha pelo ar, e tenho fortes dúvidas que, sem falta, o lance acabasse em golo.
Um eventual fora-de-jogo de Lucho carece de confirmação por imagens televisivas. Ou não existem, ou alguém não as quis mostrar. O que é facto é que ninguém pode dizer que sim ou que não.
- A suposta falta de Meireles sobre Di Maria deixa algumas dúvidas. Todavia, sendo eu adepto de um futebol viril, não creio que a entrada do portista pretendesse atingir o jovem argentino, e como tal, considero que Jorge Sousa agiu bem ao deixar seguir o lance.
Se acontecesse, por exemplo, em Alvalade, tínhamos conversa para toda a semana…
- O golo é tão golo como o que Petit marcou em 2004 a Vítor Baía, e que Benquerença e Luís Tavares, dois meses antes de Pinto da Costa ser detido – ainda, portanto, no pré Apito Dourado -, não quiseram ver. Tal como então, nenhuma imagem mostra a bola dentro da baliza. Mas não é necessário ser especialista em geometria para perceber que Bruno Alves toca o esférico já bem para além da linha.
Apesar de tudo, mesmo resistindo ainda focos da mais suja impunidade, temos de admitir que alguma coisa mudou desde 2004. Este lance prova-o. Em 2004 o Benfica teria perdido por 0-1, tal como então, efectivamente, perdeu.
- A expulsão também não deixa dúvidas. Tão clara quanto estúpida.
- Com algum rigor, poder-se-ia também defender que Nuno Gomes devesse ter sido expulso no lance com Sapunaru (?). Seguindo o critério que procurarei manter ao longo da época, lances em que está em causa a disputa da bola, dificilmente merecerão mais do que amarelo. Concordo pois com a decisão do árbitro.
- Gostaria por fim de realçar a falta de fair-play evidenciada por alguns jogadores do F.C.Porto, em particular Lisandro, que tentaram avidamente aproveitar um momento de inferioridade de um benfiquista estendido na área, para tirar vantagem da situação. Aplaudo Hulk que, talvez por não ter ainda bebido do espírito da casa, pós fim aquela vergonhosa atitude.
Resultado Real: 1-1

SP.BRAGA-SPORTING: Não gosto das arbitragens de Bruno Paixão. É daqueles que, bem à portuguesa, não deixa jogar, apitando picuinhisticamente por tudo e por nada, cortando ritmo ao jogo e estragando o espectáculo.
Desta vez não fugiu muito à regra, ainda que não lhe possamos apontar erros graves.
O golo do Sporting é limpo, pois Abel parte em linha com o último defesa bracarense. A expulsão de João Pereira é inatacável.
Um único lance me deixou dúvidas, mas, infelizmente, a televisão não o voltou a repetir. Ainda na primeira parte, foi marcada uma falta a Meyong na área do Sporting, num lance em que me pareceu ter sido o camaronês a sofrê-la. Como não pude tirar a questão a limpo, dou o benefício da dúvida ao árbitro.
Resultado Real: 0-1
CLASSIFICAÇÃO REAL
SPORTING 6 pts
F.C.Porto 4
Benfica 2

GRANDE JOGO; RESULTADO INJUSTO

Esperava-se um jogo excitante, e as equipas fizeram por isso.
Sp.Braga e Sporting demonstraram o porquê do seu bom momento, praticando um futebol intenso, rápido e agressivo - gosto de jogos assim, rasgadinhos, viris -, ainda que nem sempre lúcido, proporcionando um espectáculo bastante emotivo a todo o país.
A vitória é algo lisonjeira para o Sporting, que depois de uma entrada extremamente afirmativa, se remeteu ao seu meio-campo, procurando impedir que o Sp.Braga chegasse à sua baliza, e apostando no contra-ataque para poder sentenciar a partida.
Os bracarenses tentaram por todos os meios alcançar o golo - tiveram várias oportunidades, a espaços quase vulgarizaram os leões, mas a sorte não estava com eles.
Mérito ao Sporting pela consistência e capacidade de sofrimento reveladas. Mérito ao Braga, que mostrou força, talento e alma para fazer um grande campeonato.
E Jorge Jesus lá perdeu uma vez mais com Paulo Bento...

QUAL FOI A PENALIZAÇÃO?

disto: ...e disto:

Teria de facto uma certa graça, depois de todo o falatório de há uns anos (a propósito de um jogo com o Estoril), o Benfica-Sporting do próximo dia 27 vir a ser disputado no Algarve. Acontece que os regulamentos são claros, e nunca um caso como o ocorrido no clássico de sábado poderia dar origem a uma interdição. Basicamente por dois motivos:
1º Da agressão não resultou lesão grave de ninguém, nem os meios utilizados seriam passíveis de a causar.
2º A mesma não afectou minimamente o desenrolar do jogo.
O caso terminará portanto com uma multa, ainda assim injusta.

DÚVIDA

O Chelsea vai emprestar Paulo Ferreira ao...West Ham.
Seria impossível trazê-lo para a Luz ?

UM EMPATE FELIZ

A quem tenha embarcado na onda de euforia gerada em redor deste Benfica, e esperasse que, por magia, ele se pudesse transformar no imediato numa grande equipa, talvez um empate caseiro tenha sabido a frustração. Não é, como sabem, o meu caso.
Dadas as circunstâncias do jogo – uma expulsão, duas lesões, um golo sofrido cedo -, e dado o potencial actual das equipas em presença, a divisão de pontos acaba por me satisfazer, e devo confessar que o último apito de Jorge Sousa me soou como o gong a um pugilista à beira do KO.
O F.C.Porto foi sempre mais equipa que o Benfica. E outra coisa não seria de esperar de um campeão nacional, com um modelo de jogo definido há várias épocas, com uma articulação de processos muito mais oleada e com uma maturidade individual e colectiva assinalável, que lhe permite impor os seus ritmos e transportar o jogo para os terrenos que mais lhe convêm a cada momento, isto para não falar, uma vez mais, na sua impressionante capacidade física e atlética.
Além de tudo isso, o F.C.Porto conta com uma unidade verdadeiramente acima de todas as outras, e que, mais do que resolver jogos, resolve campeonatos. Chama-se Lucho. Lucho Gonzalez. Ontem encheu o campo com a sua classe, a sua inteligência, a sua capacidade de gerir e determinar os tempos de jogo, de jogar e fazer jogar à sua volta. Para quem gosta de futebol, é um verdadeiro regalo ver actuar este fora-de-série, vê-lo serpentear pelo relvado, assistir e colocar-se de imediato de modo a abrir nova linha de passe, fechar espaços quando defende, abrí-los quando ataca, enfim, mostrando como deve jogar um médio moderno. Julgo ter sido a quinta vez que o vi em campo, e em todas elas me encheu os olhos.
O Benfica entrou bem no jogo mas o penálti infantil cometido por Katsouranis logo aos 10 minutos foi um duro golpe numa equipa ainda à procura de identidade, e que denuncia, como seria de esperar, grande dificuldades em materializar as ideias de jogo que se percebe existirem na cabeça de Quique Flores.
No resto do primeiro período, o domínio repartiu-se. Mais posse de bola para o Benfica, mas as melhores oportunidades de golo a pertenceram aos portistas, primeiro com Rodriguez a obrigar Quim a revelar toda a sua categoria, e depois com o poste a devolver um remate de Lisandro, dando sequência a um passe magistral de Lucho.
Na segunda parte, perante um Porto sabedor de que o tempo corria a seu favor e crente na incapacidade do adversário para chegar ao golo, o Benfica lá foi pugnando, pondo em campo tudo aquilo que neste momento lhe é possível pôr. O jogo perdeu qualidade, mas o resultado permanecia em aberto, ainda que a cada minuto que passava, a hipótese de vitória portista ganhasse maior consistência.
O Benfica sofrera entretanto já mais um golpe, com a lesão de Pablo Aimar - bem mais interventivo do que na primeira jornada. Entrou Nuno Gomes. Tacticamente pouco se alterou.
Acabou por ser uma falha de Helton a permitir ao Benfica chegar ao golo, dando alguma tranquilidade a quem, nas bancadas, já começava a ver repetido o filme da temporada anterior. A sorte que havia faltado até aí, parecia agora sorrir aos encarnados, que tinham ainda meia hora para procurar a vitória.
É em momentos como este que se percebe o nível de maturidade de umas equipas em relação a outras, e daí se entende porque motivo umas são campeãs e outras não. Sofrendo o golo, ao invés de se desequilibrar, o F.C.Porto quase ia marcando no lance imediato, perante o incompreensível descontrolo emocional da equipa da Luz, que parecia tolhida pela festa que se via nas bancadas.
Mais um sinal dessa imaturidade – dado paradoxalmente por um dos seus elementos mais experientes – foi a inacreditável expulsão de Katsouranis, na sequência de uma falta cometida no meio-campo do adversário (!). Era o terceiro e definitivo golpe nas possibilidades de o Benfica poder discutir a vitória - reduzido a dez, dando sinais de claro esgotamento físico, e vendo-se pouco depois privado também de Leó por lesão, o jogo benfiquista foi até ao fim um jogo de resistência.
O F.C.Porto cresceu, subiu no terreno, procurou incessantemente a vitória, ficando a dever a si próprio a perda de dois pontos. Quando o jogo terminou, Quique estaria seguramente mais feliz que Jesualdo com este empate.

Deste clássico ficam três notas positivas sobre o novo Benfica. Em primeiro lugar vê-se uma equipa com os sectores mais juntos, procurando funcionar como um bloco, ainda que as falhas sejam, por agora, muitas. Em segundo lugar, alguns jogadores menos conhecidos mostraram bons pormenores, destacando-se os casos de Yebda e Sidnei - este uma bela surpresa, postando-se desde já na antecâmara da titularidade. Por fim, realce para os lances de bola parada, que parecem estar a ser bem trabalhados, e beneficiam de uma maior capacidade de jogo aéreo face a épocas anteriores.
No outro lado da balança, ficou a nu a fragilidade do sector defensivo da equipa, nomeadamente no seu lado direito, esperando-se que até segunda-feira Rui Costa possa dar resposta a esta questão. Ruben Amorim, com a sua frescura, acabou por realizar um bom trabalho quando teve de entrar, mas falta claramente peso, força e classe àquele lado da linha defensiva, onde Maxi Pereira vai disfarçando como pode as suas insuficiências. A quebra física na ponta final do desafio não me parece preocupante, e pode até revelar um trabalho capaz de permitir uma ponta final de temporada a todo o gás.
O F.C.Porto está ainda longe da equipa da época passada, mas pareceu-me francamente melhor do que, por exemplo, no jogo da Supertaça. Fernando foi uma boa aposta, Tomas Costa não deslustra, e ficou-me na retina a facilidade com que Hulk dispara à baliza. Sobre Lucho já disse tudo, Rodriguez já conhecíamos e ainda deu um arzinho de sua graça, enquanto que Rolando terá remetido Pedro Emanuel, quem sabe em definitivo, para o banco de suplentes. É interessante, já agora, verificar a exibição de Rolando, e compará-la com as suas actuações ao serviço do Belenenses, sobretudo em jogos contra os dragões, onde quase invariavelmente, durante algumas épocas, comprometeu a sua equipa com erros crassos.

Sobre a arbitragem falarei na rubrica própria, a publicar depois de a jornada ficar concluída. Mas posso desde já adiantar que me parece ter estado globalmente bem.


Contra a corrupção, contra o ódio, contra o caciquismo saloio, contra o provincianismo barato, contra a arrogância, contra o cinismo, contra o vale tudo, contra a batota, contra a podridão, contra o crime, contra a impunidade.
Pela ética, pelos valores, pela justiça, pela verdade, pelo desporto, pelo futebol, pelo país.
Vamos todos à Luz ! E vamos vencer este jogo !
Força Benfica !

EQUIPAS ITALIANAS - 20 anos de frustrações

PIOR ERA IMPOSSÍVEL

Com apenas 3% de hipóteses de ter pela frente o mais perigoso dos não cabeças-de-série, o Benfica foi bastante infeliz no sorteio da Uefa, e vai mesmo ter de defrontar o Nápoles.
Para além de se tratar de uma equipa italiana - e a história é implacável a este respeito, com nove (!) eliminações em nove disputas nos últimos vinte anos -, o Nápoles é um clube em ascenção, procurando reencontrar o fulgor dos tempos de Maradona. Na época passada ficou em 8º lugar na série A, garantindo assim o regresso às competições europeias, após alguns anos de ausência.
Contando no seu plantel com jogadores como Lavezzi, Hamsik, Piá, Blasi ou Zalayeta, a equipa napolitana tem feito uma pré-época sensacional e será seguramente um adversário muito duro para o Benfica.
Das restantes equipas portuguesas só o Sp.Braga poderá sorrir (Artmédia). V.Guimarães (Portsmouth), Marítimo (Valência) e V.Setúbal (Heerenveen) terão grandes dificuldades em chegar à fase de grupos.

"Para mim, não é lógico que o F.C.Porto dispute a Liga dos Campeões, depois do seu envolvimento num caso de corrupção. A sua participação é negativa para a ética desportiva"

EIS SUAZO !

Confira aquilo que Suazo fez na última temporada:

Nada mal, atendendo ao plantel de que estamos a falar (Ibrahimovic, Crespo, Cruz, Adriano, Balotelli etc)

O SORTEIO DE AMANHÃ

BEM ME QUER : Nordsjallend-Benfica ; Vaslui-Braga ; Austria-Guimarães ; Partizan-Setúbal ; Copenhaga-Marítimo
MAL ME QUER : Benfica-Nápoles ; Braga-Dortmund ; Guimarães-Milan ; Setúbal-Sevilha ; Marítimo-Valencia