CHOQUE DE TITÃS

Joga-se hoje em Moscovo a final da Liga dos Campeões, a mais apetecida prova de clubes da Europa, e também, porque não dizê-lo, de todo o mundo.
É um jogo que vem um pouco fora de tempo. Com os campeonatos já terminados – alguns há quase duas semanas -, com as festas dos vencedores já feitas, com grande parte das selecções em plena preparação para o Euro, a maioria dos adeptos estará decerto mais virada para aquilo que se pode passar na Suiça e na Áustria do que propriamente para esta final, que noutra data – há quinze dias atrás, por exemplo - faria parar o mundo do futebol. É certo que a Inglaterra não vai ao Euro, mas a Liga dos Campeões está longe de resumir o seu interesse aos países dos clubes em prova. Eis um aspecto a reconsiderar pela Uefa, sobretudo em anos de grandes competições internacionais.
O jogo em si colocará frente a frente, estou em crer, as duas melhores equipas da actualidade. De um lado o Manchester United de Cristiano Ronaldo, bi-campeão inglês, do outro o seu principal adversário nos últimos anos, o Chelsea de Drogba. Ambas as equipas são de luxo, e os seus plantéis verdadeiras paradas de estrelas.

É difícil definir favoritismos numa partida como esta, para mais entre duas equipas do mesmo país, com dinâmicas de rivalidade próprias e um profundo conhecimento mútuo. Teoricamente, como campeão inglês, o Manchester partiria com ligeira vantagem. Mas se nos recordarmos que o Chelsea joga em casa do seu proprietário, e que há anos suspira por este momento, as coisas equilibram-se. Para o nosso país trata-se de uma final gratificante, pois coloca em campo seis portugueses: Paulo Ferreira, Hilário e Ricardo Carvalho pelos “Blues”, e Cristiano Ronaldo, Nani e Carlos Queirós pelos “Red Devils. Bem vistas as coisas, uma variante do F.C.Porto-Sporting, com três ex-dragões de um lado, e três ex-leões do outro.

Apesar da sua força actual, estes dois emblemas não estão entre os principais triunfadores no passado da competição. Antes desta final, o Benfica tinha tantos títulos europeus como Manchester United, Chelsea e Arsenal todos juntos, o que não deixa de ser uma curiosidade. De facto, em Inglaterra, em termos históricos, só o Liverpool se destaca como grande da Europa.

Deseja-se um grande espectáculo, mas teme-se um confronto táctico e calculista. O momento é de grande decisão, as equipas conhecem-se, e a tendência poderá ser mais a de um jogo de xadrez do que uma partida de grande espectacularidade plástica. Acreditemos no entanto que as estrelas - particularmente o nosso Cristiano Ronaldo - sejam capazes de pintar o destino desta final a cores mais vivas.
Por falar em Ronaldo, é ele o motivo pelo qual a minha simpatia se cola mais ao Manchester (embora as camisolas também ajudem…). Nesta partida se jogará muito da possibilidade de, lá mais para Dezembro, o madeirense poder vir a ser escolhido como o “melhor do mundo”, algo que não deixaria de constituir um motivo de orgulho para todos os portugueses. Como curiosidade, refira-se que esta será a primeira final da história disputada em piso sintético.

NADA FÁCIL...

Atlético de Madrid, Spartak de Moscovo, Dinamo de Kiev, Sparta de Praga, Galatasaray, Slávia de Praga, Partizan de Belgrado, Levski de Sófia, Wisla Cracóvia, Dinamo de Zagreb, Standard de Liege, Twente, Rapid de Viena, Artmédia Petrzalka, Aalborg e Brann Bergen. Seriam estes os possíveis adversários do Benfica na terceira pré-eliminatória da Champions League, caso o F.C.Porto fosse excluído da competição.
Nada fácil, como se percebe. Mais díficil ainda será a vida do Vitória de Guimarães, se for ele a disputar essa eliminatória. Não sendo cabeças-de-série, os minhotos podem apanhar Barcelona, Liverpool, Arsenal, Juventus entre outros tubarões do futebol europeu.
Resta acrescentar que se chegasse à fase de grupos, o Benfica integraria seguramente o pote 2 do sorteio.

CHAMPIONS SIM, CHAMPIONS NÃO

Não dei, de início, muito crédito às notícias sobre a possibilidade do F.C.Porto ficar afastado da próxima Liga dos Campeões por via do caso “Apito Dourado”. Nem sequer falei aqui do tema no primeiro momento em que o mesmo se colocou.
Pelo que li e ouvi desde então, pelo que procurei saber dos regulamentos, pelas opiniões de juristas, tenho-me todavia convencido de que essa é afinal uma hipótese bem real, para não dizer que talvez seja a mais provável, tomando em linha de conta que a Uefa não se costuma pautar pela impunidade das instâncias portuguesas e nestas questões é normalmente implacável. A alínea regulamentar criada após o “Calciocaos” é taxativa, e só a questão das datas relativas aos actos praticados pode levantar alguma controvérsia. Não tenho dúvidas que Pinto da Costa e a SAD portista estarão neste momento tremendamente arrependidos da opção de não recorrer da decisão da comissão disciplinar da Liga, e não devem andar a dormir muito bem nas últimas noites.
A ser excluído o F.C.Porto, avançaria o Vitória de Guimarães directamente para a fase de grupos, e o Benfica entraria na pré-eliminatória.
Sendo inegavelmente prejudicial para o F.C.Porto – que ficaria arredado de todas as provas europeias -, poder-se-á afirmar que tal quadro seja assim tão positivo para o Benfica ?
Sendo deveras importante sob o ponto de vista orçamental uma presença na Champions, tenho dúvidas porém que desportivamente os encarnados tivessem, na sua conjuntura actual, muito a ganhar com este eventual desfecho. Com uma equipa por construir, com um novo técnico ainda por apresentar, o Benfica precisa de alguma tranquilidade em seu redor, e um ano na mais modesta Taça Uefa – na qual o seu potencial actual se enquadra melhor, e onde até poderia garantir, com algumas vitórias, uma subida nos rankings europeus -, poderia permitir ao clube concentrar-se naquilo que tem de importante para fazer, e que passa por reconstruir uma equipa para ser campeã nacional em 2010 ou 2011. Para esse processo ser bem conseguido, o próximo campeonato não poderá ser uma repetição do que agora terminou, sendo necessário que o Benfica cresça como equipa, mostre algum futebol, lute mais pelos primeiros lugares, ainda que se lhe não possa, nem deva, exigir o título.
Precipitando o início da época com uma, a todos os níveis, condicionante pré-eliminatória, e tendo depois, em caso de sucesso, de se haver com as melhores equipas da Europa, o Benfica estaria mais exposto a uma confusão de prioridades, e poderia dar passos no sentido inverso àquele em que se precisa de situar. Por outro lado, nem quero imaginar o que seria o próximo campeonato nacional com o F.C.Porto livre de compromissos europeus, e Sporting e Benfica afogados em jogos exigentíssimos a meio de quase todas as semanas. Talvez o record de diferença de pontos viesse então a ser mesmo batido.

É preciso também desmistificar um pouco a questão da imprescindibilidade da presença na Champions, competição que aliás me fascina imenso, motivo pelo qual me sinto particularmente à vontade para falar dela.
Em termos financeiros a Champions League é um "maná", mas apenas e só em caso de prestação desportiva positiva. No caso um clube se ficar pela primeira fase, fazendo poucos pontos e não enchendo o estádio - o que aconteceu com o Benfica na época agora terminada -, as receitas não ultrapassarão cinco ou seis milhões de euros, montante facilmente realizável com a alienação do passe de um jogador de nível médio, e parcialmente compensável com uma presença razoavelmente ganhadora na Uefa.
Por outro lado, é importante referir que nunca nos últimos vinte e cinco anos Sporting ou Benfica conseguiram conciliar uma presença na Liga dos Campeões com um título nacional. À excepção do F.C.Porto, nenhum clube português logrou ser campeão após a triturante e desgastante participação na principal prova europeia, o que não deixa de ser sintomático do peso que ela tem no condicionamento de toda uma época.
Quer isto dizer que é preferível não participar ? Obviamente que não ! Em condições normais é fantástico disputar a Champions, faz crescer os jogadores, valoriza-os, dá prestígio. Um clube como o Benfica, com o palmarés que ainda detém, tem tudo a ganhar em frequentá-la com a maior assiduidade possível, sobretudo se for conseguindo, aqui e ali, um brilharete capaz de fazer recordar velhos tempos, como foi o caso de 2005-06. Simplesmente há momentos em que é conveniente parar para pensar. Em que é necessário dar um passo atrás que permita mais tarde dar dois em frente. O Benfica vive um desses momentos, e nesta época seria, a meu ver, aconselhável concentrar-se no campeonato, e até, porque não, procurar beneficiar do desgaste alheio para assim se poder aproximar da luta pelo título, congregando e mobilizando toda a família benfiquista, permitindo o impulso necessário para os êxitos futuros que se espera ser possível alcançar.
Apesar da ideia que acabo de expor, e independentemente dos interesses clubistas conjunturais, devo dizer contudo que espero e desejo que a Uefa faça alguma justiça – já que a Liga Portuguesa, ao contrário da ideia que se criou, não a fez -, e exclua quem tem de excluir. O resto se verá depois.

PORQUE NÃO ?

Está livre, é jovem, é ambicioso, é competente, é trabalhador, é honesto, tem preparação científica, é barato, é benfiquista, tem sede de vingança, tem experiência, é adepto de um futebol de ataque, conhece bem o futebol português, deixou o Panathinaikos na Champions League, levou o Sporting a uma final europeia, esteve a minutos do título e pôs a equipa a jogar um futebol espectacular, foi adjunto no Real Madrid, e antes tinha levado o Nacional da 2ª divisão B à Liga principal. Porque não ele?

UEFA DE LUXO

Com o final dos campeonatos começa-se a desenhar o quadro definitivo de participantes nas provas europeias do próximo ano.
Assim no imediato - uma análise mais aprofundada será feita oportunamente - ressalta à vista a competitividade que a próxima edição da Taça Uefa poderá apresentar. Estarão em prova nada mais nada menos que nove (!!) ex-campeões europeus, enquanto que na Liga dos Campeões participarão dez, contando com o F.C.Porto, cuja presença ainda não é garantida.
AC Milan (uma surpresa de última hora), Ajax, Benfica, Hamburgo, Aston Villa, Estrela Vermelha, Feyenoord, Steaua de Bucareste e Borussia Dortmund disputarão e abrilhantarão a Taça Uefa, abrindo antecipadamente uma nova era na competição à qual a reforma de Michel Platini irá devolver, a partir da próxima temporada, mais alguns colossos do futebol europeu.
Para além destes nomes, figurarão ainda nos quadros da Uefa 2008-09 equipas como Sevilha, Valencia, Tottenham, CSKA Moscovo, Everton, Udinese, Anderlecht, PSG, Sampdória ou Nápoles, entre outros.

UMA TAÇA CHEIA DE MÉRITO

O Sporting foi um justo vencedor da Taça de Portugal.
Quer pelo que fez nos 120 minutos desta final, durante a maior parte dos quais se conseguiu superiorizar ao adversário, quer pelo facto de, ao contrário do que sucedera no ano anterior, ter conquistado o troféu depois de vencer categoricamente Benfica, F.C.Porto e mais duas equipas da divisão maior, os leões demonstraram ser, efectivamente, a melhor equipa desta prova, assentando-lhes muitíssimo bem o triunfo.
Se na época passada lembrei aqui que a vitória sportinguista na Taça tinha sido francamente facilitada pelo factor sorte – nomeadamente em relação aos adversários que teve de enfrentar -, será justo agora reconhecer o total mérito desta conquista, que de resto transforma a temporada leonina num êxito bastante razoável.
Nesta final o F.C.Porto pareceu desde o início uma equipa cansada e desmotivada. Campeã há várias semanas, a equipa portista não conseguiu evitar alguma descompressão face a esta partida, o que se lhe revelou fatal. Unidades como Lucho, Lisandro e Quaresma estiveram claramente abaixo daquilo que foram capazes de fazer nos melhores momentos da época, e as ausências no onze de Helton, Bosingwa e Tarik (para além da troca posicional de Fucile), acabaram também por desvirtuar um pouco daquilo que tinha sido a alma do Porto campeão, ou seja, a harmonia dos seus movimentos colectivos.
Apesar de algumas ocasiões falhadas, o F.C.Porto nunca dominou o jogo, e após a expulsão de João Paulo sentiu-se que, a menos que a indecisão se arrastasse até aos penáltis – malditos para este Sporting -, a taça poderia muito bem sorrir para o lado verde e branco.
A equipa de Paulo Bento encarou este jogo como a chave de toda a sua época. Vencê-lo significaria, como significou, pintar a temporada com cores garridas de felicidade. Perdê-lo seria, senão o fracasso total, pelo menos uma frustração passível de fazer recordar os piores momentos que a equipa viveu durante o último ano. Os jogadores interiorizaram a importância do momento, e estiveram generalizadamente ao seu melhor, vergando o F.C.Porto a mais uma derrota – a terceira (!) que lhe impuseram desde o início da época.
O elemento chave da partida acabou por ser uma espécie de herói acidental, que iniciando o jogo do banco veio, já no prolongamento, a marcar os dois golos que valeram a taça, o segundo deles através de um movimento espectacular. Rodrigo Tiuí, diga-se, já havia marcado o golo da vitória sobre o Boavista na última jornada da Liga, que valeu o passaporte para a Champions League. Depois de uma época em que, não fosse o nome esquisito, teria passado quase despercebido, eis que o brasileiro se transforma neste final de temporada numa das figuras dos leões, justamente quando, fruto da ausência de Liedson, o Sporting mais dele precisava.Um dado bastante curioso que fica desta partida é a constatação de que o fortíssimo F.C.Porto de Jesualdo não encontrou ainda o antídoto para se superiorizar ao Sporting de Paulo Bento. Nesta época, em quatro ocasiões, a única vez que levou a melhor foi fruto de um erro de arbitragem, e já na temporada passada os dois confrontos para o campeonato se saldaram por um empate e uma vitória sportinguista (golo de Tello). Em seis jogos de Jesualdo no F.C.Porto contra Paulo Bento no Sporting, quatro vitórias para os leões (duas delas em finais), um empate e uma vitória portista bastante polémica. Dados impressionantes, sobretudo se tivermos em conta que o F.C.Porto foi campeão nacional em ambas das temporadas, sendo considerado pela generalidade da crítica como a melhor equipa destes anos.
A explicação reside provavelmente no meio-campo, onde o trio dos dragões demonstra grandes dificuldades em carburar face ao quarteto leonino. Este Sporting sente-se bastante confortável em jogos nos quais se pode fechar e manter uma expectativa especulativa sobre o seu desfecho, temporizando sabiamente os seus momentos defensivos e ofensivos, trocando a bola, fechando espaços. O modelo de jogo do Porto de Jesualdo, assente em transições rápidas, em aproveitamento de espaços e de erros, esbarra nesta parede construída por Paulo Bento, e personalizada sobretudo na sua linha média, não conseguindo encontrar formas de libertar os seus homens da frente para criar perigo e marcar.
Outra curiosidade que fica é a confirmação de que a Taça de Portugal tem sido uma competição algo maldita (ou pouco estimulante?) para o F.C.Porto, sobretudo quando vê pela frente Sporting ou Benfica. Em treze finais contra os outros dois grandes, apenas três vitórias ! Ganhando dezoito campeonatos nos últimos trinta anos, o F.C.Porto venceu em igual período apenas nove taças, número exactamente igual ao do Benfica, o que evidencia que a hegemonia portista não se tem estendido com tanto fulgor nesta prova.
Resta falar da arbitragem de Benquerença, que esteve mal, mas prejudicou de igual modo as duas equipas: o Sporting ao invalidar um golo a Romagnoli num lance em que o argentino parece estar em linha com a defesa portista, e o F.C.Porto no tal lance entre Lisandro e Polga, no qual existe mesmo falta, eventualmente até dentro da área – recorde-se que as faltas se devem marcar onde terminam e não onde começam.
A expulsão de João Paulo é justíssima, e se para além do cartão vermelho existisse um cartão preto para mostrar, seria esse que o defesa portista deveria ter visto.

BALANÇO HISTÓRICO DA TAÇA

BENFICA 24 troféus
Sporting 14
F.C.Porto 13
Boavista 5
Belenenses 3
V.Setúbal 3
Sp.Braga 1
Académica 1
E.Amadora 1
Leixões 1
Beira Mar 1

NOTA: Não inclui os Campeonatos de Portugal

A FESTA DA TAÇA

A época futebolística nacional termina no próximo domingo com a realização da final da Taça de Portugal.
Trata-se de uma bonita competição, de um bonito momento e de um bonito palco - veremos se desta vez o jogo corresponde à expectativas. O F.C.Porto, como campeão nacional, é favorito, mas uma final é uma final. O Sporting é o detentor do troféu, e joga nesta partida a salvação de uma época, ainda assim, pobre.
O árbitro é mau, e a sua escolha reforça o favoritismo portista. Não entendo a protecção que a Liga e a Uefa dão a este juiz, que já demonstrou em diversas e importantes ocasiões não ter qualidade para apitar ao mais alto nível.
Nestes desafios, para além da inapagável memória de António Silva em "O Leão da Estrela", uma questão se coloca: por quem torce um benfiquista ?
Por mim falo: desde que a vitória derrota ou empate de um ou outro não beneficie nem prejudique, directa ou indirectamente, os encarnados (como é o caso), a minha preferência vai clara e inequivocamente para o Sporting.
Domingo, Jamor, 17.00 h, SIC:

BENFICA CAMPEÃO

Apesar deste espaço ser exclusivamente dedicado ao futebol, abro uma excepção para homenagear a equipa de andebol do Benfica que ontem se sagrou campeã nacional ao bater em casa o ABC por 35-34 no quarto jogo da final do play-off, dando assim uma grande alegria aos benfiquistas ávidos de vitórias.
Não pude infelizmente ir à Luz, mas fico com a grata recordação de ter acompanhado esta equipa diversas vezes - desde os tempos da Divisão de Elite - quando o pavilhão estava invariavelmente às moscas.
O que não entendo é a dispensa de Alexander Donner, um dos melhores treinadores de sempre do desporto em Portugal. Enfim, o Benfica no seu melhor e...no seu pior.

SERÁ DESTA ?

Após o fracasso das negociações com Eriksson, a SAD benfiquista (da qual Rui Costa é agora também administrador) parece ter-se voltado para o espanhol Quique Flores, ex-treinador do Valencia, escolhendo-o como próximo alvo de uma escolha que já começa a tardar em demasia. Trata-se de um técnico jovem, sem qualquer título conquistado, mas que apresenta um currículo bastante interessante nos poucos anos que leva de carreira.
Ex-jogador de Real Madrid e Valencia, com 15 chamadas à selecção espanhola, iniciou-se como treinador ao comando dos juniores do Real Madrid. Seguiu depois para o Getafe - na primeira temporada do clube no escalão maior - conseguindo alcançar a manutenção de forma tranquila. Foi então contratado pelo clube de Mestalla, onde em duas épocas conseguiu um terceiro e um quarto lugar, com o respectivo apuramento para a Liga dos Campeões. Nesta prova chegou aos quartos-de-final na temporada passada, sendo apenas eliminado pelo Chelsea com um golo de Essien no último minuto, depois de ter conseguido um promissor empate 1-1 em Stanford Bridge.
Acabou por ser estranhamente despedido já em 2007-08, após duas derrotas consecutivas – em Sevilha para a Liga, e em Trondheim com o Rosenborg para a Champions -, mas o futuro veio a demonstrar o quanto essa decisão terá sido errada. Deixou o Valencia em 3º lugar, e na discussão da passagem aos oitavos-de-final da liga milionária, e foi depois de ter saído (já com Ronald Koeman) que se deu o colapso total da equipa, com a eliminação europeia, e a queda para os últimos lugares da tabela. São aliás sintomáticos os dois resultados verificados imediatamente após o seu despedimento: derrotas em casa com o Real Madrid por 1-5 (!), e com o Rosenborg por 0-2.
Para os nostálgicos de um certo mourinhismo, para quem clama constantemente por técnicos jovens e ambiciosos, esta é porventura a melhor das soluções. Quem por outro lado preze o palmarés e a experiência, não pode deixar de olhar com alguma prudência para este madrileno de 43 anos que, apesar dos bons sinais que já deu, tem ainda toda uma carreira pela frente para mostrar o que realmente vale.

LAGO DOS CISNES

Sem surpresa, o Zenit de São Petersburgo conquistou a Taça Uefa, primeiro troféu internacional na história do clube da bela cidade russa.
Diante de um Glasgow Rangers muito pouco audaz – à imagem e semelhança do que foi toda a sua carreira na prova – a equipa de Dirk Advocaat mostrou uma vez mais tratar-se de um caso sério no futebol europeu da actualidade. Mesmo com a sua principal estrela ausente – o goleador Pogrebnyak -, o Zenit foi sempre superior, dominou todo o jogo, chegando ao golo com toda a naturalidade por intermédio de Denisov, a um quarto de hora do fim. Na fase de desespero dos escoceses a equipa russa marcaria de novo, selando assim a sua conquista.
Vi pela televisão os jogos do campeão russo em Leverkusen (4-1), em casa com o Bayern de Munique (4-0), e agora esta final. Foi das equipas que mais me impressionou nesta temporada, quer pela sua organização em campo, quer sobretudo pela velocidade que imprime ao jogo assim que se vê com a bola em seu poder. À rigorosa disciplina que patenteia, junta também a classe individual de alguns jogadores, como Arshavin, Anyukov, Tymoschuk, Faizulin ou o já referido Pogrebnyak (melhor marcador da competição com 11 golos). Esta equipa é de momento a principal interprete do novo impulso que o futebol russo está a tomar, e que poderá em breve reflectir-se na discussão de outros títulos, designadamente na Champions League, competição onde estou curioso de ver actuar este Zenit na próxima temporada.
Muita atenção também à selecção russa no próximo europeu…

OLHA QUEM ELE É...

Pela foto talvez poucos se lembrem dele. Tem brilhado na Copa Libertadores, onde carimbou a passagem do San Lorenzo aos quartos-de-final, marcando dois excelentes golos num jogo épico em que, com apenas nove jogadores, a sua equipa conseguiu recuperar incrivelmente de uma desvantagem de 2-0 no estádio do poderoso River Plate.
Também nas competições domésticas tem sido um jogador em destaque, anotando golos com regularidade. No total, seis golos em apenas dois meses.
É um jovem de 23 anos, e chama-se…Gonzalo Bergessio !

A ESCOLHA DE SCOLARI

Em relação à aposta que aqui tinha deixado há dias, a convocatória de Scolari contempla duas alterações. Não estão Caneira e Maniche, surgem nos seus lugares Miguel e Jorge Ribeiro.
Estas duas diferenças reflectem no fundo os meus pontos de discordância face às opções do seleccionador. Não entendo muito bem a ausência de um defesa polivalente, regular, eficiente, disciplinado e com rotina de lateral esquerdo como Marco Caneira, enquanto me parece excessiva a chamada de três laterais direitos de raiz. Quanto a Maniche, sabendo-se que é um jogador talhado para as grandes competições, onde até tem por hábito marcar (bons) golos, talvez fosse aconselhado incluí-lo no grupo, até porque o meio-campo me parece algo deficitário - então se Petit não melhora rapidamente.... Julgo porém que a sua ausência se prenderá com critérios extra-desportivos, com os quais Scolari é, e muito bem, absolutamente intransigente.
A partir deste momento não farei mais qualquer comentário a esta convocatória. Estes são agora, e até ao fim do mês de Junho, os "meus" jogadores.

VERGONHA

O programa "Prós e Contras" sobre o chamado Apito Final mostrou cabalmente o tipo de gente a que o futebol português tem estado entregue.
Valentim Loureiro e Guilherme Aguiar não entendem o que significa a palavra ética. Para eles tudo funciona assim, o mundo é intrinsecamente corrupto, e então tudo o que se passou é justificável. A postura do Major é o retrato da impunidade, a do jurista o retrato do servilismo.
O secretário de estado é a personificação do político idiota, inútil e labioso. Sacode a água do capote quando há problemas, aparece de vez em quando para se colar a vitórias ou êxitos conseguidos por outros. Falou, falou, mas não disse...nada.
O representante da arbitragem fez pena. Pela total incapacidade de argumentação demonstrada, e pela visão sectária e corporativista que evidenciou.
Até o presidente do sindicato dos jogadores desiludiu, com uma postura ofensiva e mal educada.
Salvaram-se Dias Ferreira (aparentemente o único capaz de se colocar ao nível do Major) , Cunha Leal, sempre demasiado diplomata, e sobretudo Dias da Cunha, que deixa cada vez mais saudades aos adeptos de um futebol limpo.

PRESENÇAS NA TAÇA/LIGA DOS CAMPEÕES

BENFICA 27
F.C.Porto 22
Sporting 14
Boavista 2

VEDETA DA JORNADA

RUI COSTA: Apesar de já não ser do tempo de Eusébio, ainda vi jogar alguns grandes jogadores com a camisola do Benfica. De Humberto Coelho a Chalana, de Valdo a Diamantino, de Poborsky a Paulo Futre, de João Vieira Pinto a Simão Sabrosa.
De todos eles, o melhor, aquele cuja beleza do futebol mais me tocou, foi incontestavelmente Rui Costa, por quem, desde o mundial de sub-20, altura em que deu a conhecer o perfume do seu esplendoroso futebol, sempre nutri um enorme fascínio e admiração.
Ao “dez” apenas terá faltado um nadinha de maior robustez atlética para ter sido, eventualmente a par de Zidane, o melhor jogador europeu das últimas décadas. Em termos de habilidade pura, de fantasia, de toque de bola, de classe, de magia, nem Luís Figo, nem mesmo Cristiano Ronaldo o superam ou superaram. Rui Costa nasceu para o futebol, toda a sua motricidade parece ter sido criada em função de uma bola, e com ele, até os exercícios de aquecimento têm encanto, tal o modo suave, delicado, e até poético com que troca bolas com os colegas, ou ensaia remates à baliza.

Duvido muito que nos próximos anos o Benfica possa ter ao seu serviço um jogador de tamanha qualidade técnica. Não esqueçamos que Rui podia estar no Milan (onde teria perdido o lugar no onze para Kaká, mas seguramente ainda faria muitos jogos), podia estar na selecção nacional (onde estou em crer que talvez pudesse mesmo ser titular), e que só o seu extremo benfiquismo permitiu ao clube da Luz puder contar com ele nestes dois anos, infelizmente sem uma equipa à sua altura, à altura de poder voltar a fazer dele um campeão.
Terminou em grande, como o melhor em campo, com uma assistência para golo, e com um estádio da Luz rendido a seus pés, naquele que foi o maior tributo de que alguma vez me recordo de ver prestado a um jogador de futebol.
Agora será director desportivo. Será sempre um grande benfiquista, e merecerá a admiração de todos pela sua forma de estar e pela sua educação superior. Mas muito dificilmente verá, dentro em pouco, tanto consenso à sua volta como tem por estes dias.
O “maestro”, o “dez”, o”mágico”, o “príncipe”, esse perdurará apenas na nossa memória. Daqui a muitos anos, se Deus permitir que esteja vivo, não podendo contar aos meus netos que vi jogar Eusébio, poderei no entanto dizer-lhes que vi Rui Costa, e que estive na sua linda despedida.

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

O único caso digno de nota foi o penálti de Alvalade, que depois de ver duas repetições até se aceita. Foi a décima (!) grande penalidade a favorecer os leões, só em Alvalade, e só em jogos da Liga - mas não foi das piores…
Enfim, o que lá vai lá vai, o campeonato acabou, o título ficou bem entregue.
As arbitragens foram uma vez mais muito fracas. Acreditemos que na próxima época possam melhorar.
Se o Sporting terminara a época passada como o principal prejudicado, esta temporada acaba por ser o mais beneficiado. No balanço dos erros, mesmo contabilizando os prejuízos no jogo com o Benfica, seria remetido para o terceiro lugar.
Classificação “real” final:
F.C.PORTO 68
Benfica 59
Sporting 55

ENCANTO NA HORA DA DESPEDIDA

Quando depois do jogo de ontem me deslocava para casa, e ouvia no carro uma bela sonata para piano e violino de Mozart, pensei para comigo o quanto o futebol e a vida podem ser belos, mesmo na hora das derrotas (o que objectivamente nem foi o caso), mesmo na hora das desilusões.
Isto a propósito do tremendo espectáculo, da maravilhosa e comovente festa a que havia acabado de assistir num estádio da Luz praticamente cheio, e que de algum modo fez os adeptos ignorar, por uma noite, a classificação, a época, e tudo o que se passara até aqui.
É de facto impressionante como o Benfica, mesmo terminando em quarto lugar, mesmo ficando fora da Liga dos Campeões, mesmo num domingo à noite e debaixo dum céu ameaçador, conseguiu, graças a Rui Costa, levar quase 60 mil pessoas à Luz, e transformar esta ocasião num dos melhores momentos da temporada. O “Maestro” teve uma despedida à sua altura, os benfiquistas mobilizaram-se e mostraram a sua gratidão àquele que foi um dos melhores jogadores da história do clube. Houve enchente, houve lágrimas, houve muita emoção, uma vitória expressiva sobre uma excelente equipa, e um bom jogo de futebol com uma excelente exibição do “dez”, à qual nem faltou uma assistência para golo. A noite terminou em apoteose, com holas e tudo.
Poder-se-á agora dizer que não faz sentido ou que é absurdo festejar desta forma num momento assim, que é coisa de perdedores. Não concordo. Acho mesmo que é disto que o futebol tem falta. De estádios cheios, de um amor clubista independente dos dramas dos resultados e das classificações, de um sentimento de comunhão, ontem personificado num homem, que aglutine todos num espaço que é, antes do mais, um recinto de festa.
Uns ganham, outros perdem. Os motivos são vários e serão analisados depois. Nesta jornada, como de resto acontecera no ano passado, a Liga acabou com estádios cheios de pessoas, de emoção e de alegria, em Alvalade, na Luz, desta feita também em Guimarães. Isso é o que importa relevar.
Provavelmente nenhum dos benfiquistas presentes na Luz saiu ontem frustrado, até porque as esperanças numa melhor posição final eram já residuais – se a inacreditável derrota caseira com a Académica acabou por comprometer o segundo lugar, o empate da Reboleira comprometeu o terceiro -, e o motivo da festa era outro. A equipa ontem fez o que lhe competia, terminando o campeonato com a dignidade possível, e despedindo-se dos adeptos com uma vitória robusta.
Agora virá o tempo de reflectir, e de pensar naquilo que é preciso mudar, pois na próxima época, com Rui Costa no banco ou na bancada, terão de existir outros motivos para o Benfica festejar.

UMA DÚVIDA E UMA CONSTATAÇÃO

A DÚVIDA:
-Como é possível o árbitro Augusto Duarte (o do Beira Mar-F.C.Porto) apanhar a pena mais dura (6 anos), e o F.C.Porto ser muito menos penalizado que o Boavista ?
Não serão os regulamentos, bons ou maus - e parecem-me absolutamente ridículos, ou mesmo forjados para uma situação destas, o que até mereceria uma outra investigação -, iguais para todos os clubes ?
A CONSTATAÇÃO:
-Entendo que portistas honrados como Rui Moreira ou Miguel Guedes, entre muitos outros anónimos, pretendessem que o clube recorresse até às últimas consequências. Com boa vontade, até consigo acreditar que eles, ingenuamente, pensem mesmo que nada se passou.
Mas como esperar preocupaçoes de honra em alguém que sempre colocou os fins à frente dos meios, como é o caso do ainda presidente do F.C.Porto ?
Era óbvio que, sabendo melhor que ninguém aquilo que fez, Pinto da Costa, não iria deixar de aceitar a dádiva de impunidade com que a Comissão Disciplinar da Liga presenteou o seu clube.

10 GOLOS

Tive o privilégio de ver jogar ao vivo o "Maestro" cerca de meia centena de vezes. Recordo-me de festejar precisamente 10 golos seus em pleno estádio:
1994 Benfica-F.C.Porto 2-0
1994 Benfica-Parma 2-1
1995 Portugal-Irlanda 3-0
1999 Portugal-Andorra 4-0
2004 Portugal-Rússia 2-0
2004 Portugal-Inglaterra 2-2
2006 Benfica-Áustria de Viena 3-0
2007 Benfica-Naval 3-0
2007 Académica-Benfica 1-3
2008 Sporting-Benfica 5-3
Particularmente os golos à Irlanda, à Inglaterra e à Naval foram verdadeiramente sublimes. Fica o video deste último

Acerca da decisão da Comissão Disciplinar da Liga no âmbito do processo "Apito Dourado", já disse tudo no dia da mentira. Não acrescento, nem retiro, uma vírgula.

10 PALAVRAS

Artista
Benfica
Classe
Dedicação
Encanto
Fantasia
Glória
Honra
Inimitável
Jogador

A MINHA APOSTA

A poucos dias da convocatória para o Euro 2008, fica aqui a minha previsão quanto aos vinte e três nomes a indicar por Scolari.
GUARDA-REDES: Quim (Benfica), Ricardo (Bétis) e Rui Patrício (Sporting)
DEFESAS: Bosingwa (FC Porto), Pepe (Real Madrid), Ricardo Carvalho (Chelsea), Marco Caneira (Valencia), Paulo Ferreira (Chelsea), Fernando Meira (Estugarda) e Bruno Alves (FC Porto)
MÉDIOS: Petit (Benfica), Maniche (Inter de Milão), Deco (Barcelona), Miguel Veloso (Sporting), Raul Meireles (FC Porto) e João Moutinho (Sporting)
AVANÇADOS: Cristiano Ronaldo (Manchester United), Nuno Gomes (Benfica), Nani (Manchester United), Ricardo Quaresma (FC Porto), Simão Sabrosa (Atlético de Madrid), Hugo Almeida (Werder Bremen) e Hélder Postiga (Panathinaikos)

10 MOMENTOS

Junho de 1991 - Campeão do Mundo de sub-20, apontando o golo solitário das meias-finais contra a Austrália, e o penálti decisivo no desempate final com o Brasil, sempre no "seu" Estádio da Luz.
Outubro de 1991 - Estreia a titular pelo Benfica, logo em Highbury Park diante do Arsenal, com uma vitória épica por 1-3 que valeu a entrada no lote final de oito equipas na Liga dos Campeões. Era Eriksson o treinador.
Maio de 1994 - Festeja em Braga o seu primeiro e único título nacional pelo Benfica, com Toni ao leme da equipa. Foi juntamente com João Vieira Pinto, uma das principais figuras dessa equipa.
Julho de 1994 - É transferido para a Fiorentina de Itália por uma verba que se manteve record durante anos em Portugal: 6 milhões de euros. Queria ir para Barcelona, mas aceitou a proposta italiana por esta ser mais vantajosa para o Benfica, então em graves dificuldades financeiras.
Abril de 1996 - Numa equipa em que divide o protagonismo com o goleador argentino Batistuta, conquista a Taça de Itália, o seu primeiro troféu em terras transalpinas.
Julho de 2001 - Transfere-se finalmente para um clube de top mundial, o A.C.Milan, onde irá conquistar os principais títulos da sua carreira.
Maio de 2003 - Vence em Manchester a Liga dos Campeões, em mais um desempate por penáltis, desta vez diante da Juventus (0-0).
Junho de 2004 - Despede-se da selecção nacional após 94 internacionalizações A. Depois de marcar golos à Rússia e à Inglaterra (este espectacular) durante o Euro2004, perde a final frente à Grécia na "sua" Luz, abandonando o campo lavado em lágrimas.
Julho de 2006 - Prescinde de dois anos de contrato milionário com o Milan para regressar ao seu clube de coração, assinando um contrato praticamente em branco, e colocando como única exigência a posse da camisola número dez.
Maio de 2008 - Termina a carreira, obviamente na Luz, diante do Vitória de Setúbal, assumindo as funções de director desportivo do Benfica.

UMA BOA ESCOLHA, MAS...

Cheguem ou não a bom termo as negociações com Sven Goran Eriksson, ficou para já a saber-se ser ele a primeira escolha da SAD encarnada para orientar a equipa na próxima temporada. Julgo tratar-se de uma boa notícia para os benfiquistas.
Eriksson é um dos técnicos de top do futebol europeu e se o não incluí na sondagem aqui do lado foi apenas por não acreditar que o Benfica tivesse condições financeiras para o contratar – e veremos se as tem -, tal como não incluí Mourinho, Lippi e muitos outros.
As suas duas passagens pelo Benfica foram coroadas de sucesso, com três títulos nacionais, uma taça, uma supertaça e duas finais europeias. Muito embora os tempos fossem outros – Humberto, Chalana, Diamantino e Nené na primeira vez, Valdo, Thern, Ricardo e Magnusson da segunda -, aquilo que Eriksson fez depois em Itália, nomeadamente na Lazio, não deixa dúvidas sobre a sua competência e a qualidade do seu trabalho, tendo sido o treinador mais ganhador da história do clube romano. Na selecção inglesa faltou-lhe sobretudo um pouco de sorte ao ser eliminado em duas competições sucessivas por Portugal no desempate por grandes penalidades (Euro 2004 e Mundial 2006), depois de ter sido afastado pelo Brasil (de Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo) nos quartos-de-final do Mundial 2002. Em todos os momentos que acompanhei da sua carreira, prevaleceu um aspecto dominante: a excelente qualidade do futebol praticado pelas suas equipas, quase sempre num 4-4-2 muito ofensivo e espectacular.
Quando chegou a Portugal pela primeira vez, trazido pelo empresário Borje Lantz (o mesmo de Thern, Magnusson, Stromberg, Manniche, Schwartz etc), e como aposta pessoal do então presidente Fernando Martins, o sueco, então um quase anónimo jovem com pouco mais de 30 anos (já vencedor no entanto da Taça Uefa com o Goteborg), revolucionou o futebol benfiquista e mesmo o futebol nacional. Trouxe-lhe uma mentalidade audaz e ganhadora, responsabilizando os jogadores, exigindo-lhes uma atitude profissional imaculada, e dando-lhes, por outro lado, a liberdade para expressarem todo o seu talento dentro do campo. A equipa de 1982-83 foi eventualmente a melhor equipa do Benfica do pós-Eusébio, e é comum ouvirmos ou lermos muitos dos jogadores de então considerarem Eriksson como o técnico mais marcante das suas carreiras, um pouco à semelhança do que Mourinho, anos mais tarde, representou para o F.C.Porto. As qualificações da selecção nacional para o Europeu 84 e para o Mundial 86 muito lhe deveram, graças justamente à mentalidade ganhadora com que formatou muitos dos melhores futebolistas portugueses daquela década.
Para além da sua competência e capacidade de liderança, Eriksson marcou também pelo discurso. Era a personificação do gentleman, e terá sido das pessoas mais educadas que me lembro de ouvir falar desde sempre no mundo da bola.
Recordo com carinho uma conversa que com ele tive em 1983, na sequência de um pedido de autógrafo à saída da antiga Luz, durante a qual, na inocência dos meus 13 anos, pretendi saber e discutir a equipa que ia alinhar no jogo seguinte. Eriksson falou comigo amigavelmente, explicando de forma extremamente simpática que não podia satisfazer a minha curiosidade pois os adversários poderiam ouvir e ficar a saber, saindo o Benfica prejudicado. Tudo à porta do seu magnífico “Saab”, no qual apenas se sentou depois de se despedir de mim.

Como se percebe, não faltam motivos para, enquanto benfiquista, ficar agradado com esta escolha. Mas não se pense porém que a sua eventual contratação irá milagrosamente resolver todos os problemas em que o clube está mergulhado.
Como já aqui tive oportunidade de referir por diversas vezes, o problema do Benfica não é um problema técnico, mas sim político (e até cultural...). Desde há mais de uma década passaram grandes treinadores pelo clube e os resultados têm sido invariavelmente medíocres. Haveria um lote de três treinadores que talvez, por si só, pudessem resolver grande parte das debilidades do clube da Luz, se para tal tivessem um enquadramento apropriado e lhes fosse dada a autonomia devida. Esses homens seriam aqueles que considero os três melhores treinadores do mundo, Marcelo Lippi, Fábio Capello e José Mourinho, mas nenhum deles está, sobretudo por razões de ordem financeira, ao alcance do Benfica.
Qualquer outro técnico irá precisar de muito mais apoio, leia-se, condições de estabilidade e de plantel, apoio esse que terá necessariamente de partir da equipa directiva, o que, pelo passado recente da gestão desportiva no clube, não pode deixar de levantar as maiores reservas.
Eriksson, que eu englobaria numa segunda linha imediatamente após os três nomes referidos (juntamente com Ferguson, Wenger, Ancelloti etc), é um técnico capaz de fazer um excelente trabalho dispondo de condições para isso, não se sabendo contudo se será homem para criar ou impor, ele mesmo, essas condições. É assim uma boa escolha mas, per si, insuficiente para devolver o Benfica às vitórias, o que só será possível com uma gestão desportiva competente e capaz de permitir ao treinador centrar-se apenas naquilo de que de facto percebe.
Não existem santos milagrosos no futebol, e a contratação de Eriksson não poderá ser vista como um fim, mas sim como o princípio de uma nova era em que muita coisa terá de mudar. Caso contrário, Eriksson sairá do Benfica como sai agora do Manchester City, sem honra nem glória, acrescentando-se ao extenso conjunto de bons treinadores queimados na fogueira da Luz desde há quinze anos para cá.
Eis o palmarés do técnico sueco:

OS NÚMEROS DO 10

10 VERSOS

A ÚLTIMA VALSA(clique para aumentar)

10 FOTOS

UEFA 2008-09

O quadro de participantes da próxima Taça UEFA poderá contar, entre outras, com as seguintes equipas:
Benfica, V.Setúbal, Marítimo, Valencia, Sevilla, Racing Santander, Tottenham, Everton, Portsmouth, Fiorentina, Sampdoria, Udinese, Olympique Marseille, St.Etienne, Paris St.Germain, Hamburger S.V., Stuttgard, Borussia Dortmund, Feyenoord, NAC Breda, Groningen, Twente, CSKA Moscovo, F.C.Moscovo, Dinamo de Bucareste, Rapid de Bucareste, Unirea, Timissoara, Motherweel, Queen South, Metallist, Dniepre, F.C.Brugges, Cercle Brugges, Banik Ostrava, Brno, Besiktas, Sivasspor, AEK Atenas, Aris Salónica, Litex, Levski Sófia, Lokomotiv Sófia, Young Boys, F.C.Zurich, Grasshopper, Estrela Vermelha, Vojvodina, Borac, F.C.Salzburgo, Áustria Viena, Légia Varsóvia, Groclin, F.C.Copenhaga, Hajduk Split, Osjiek, Debrecen, Ujpest Dosza, Zilina, Nitra, Viking Stavenger, Lillestrom, Stabak, Middtiland, Apoel Limassol, Omonia Nicósia, Kalmar, Djurgarden, OB, Kiriat, Sakhnin e Maccabi Nethania.
A estas equipas haverá que acrescentar as sobras da Liga dos Campeões (pré-eliminatória e fase de grupos), para além de uma ou outra equipa de países com mais baixo ranking mas que possam ainda assim sobreviver às pré-eliminatórias.
Como é óbvio, decorrendo ainda muitos dos campeonatos, estes são dados meramente provisórios.

ISTO TAMBÉM QUER DIZER ALGUMA COISA...

PETIT: 5 Lesões - Jornadas 5, 6, 7, 8, 9 e 10 ; 14 ; 19 ; 21 e 22 ; 27 e 28

NUNO GOMES: 3 Lesões - Jornadas 8 ; 15 ; 19, 20, 21 e 22

LUISÃO: 2 Lesões - Jornadas 1, 2, 3, 4 e 5 ; 21, 22, 23, 24 e 25

ELEGIAS DO VERÃO PASSADO

Estádio da Luz, Agosto de 2007 - Preparação da época 2007-08
valores em milhares de euros
(clique sobre o quadro para o aumentar)
Como se pode ver por esta análise, com apenas três contratações (uma delas por empréstimo), mantendo e motivando (com fortes aumentos salariais) os titulares Karagounis, Miccoli, Anderson e Simão, evitando quinze precipitadas e desnecessárias compras, e libertando-se de alguns excedentes, o Benfica poderia ter construído um plantel muito mais forte e equilibrado, encaixando mesmo assim um valor líquido de cinco milhões de euros, que poderia servir para amortizar passivo.
Poderia não ter sido campeão. Mas certamente teria dado luta, e o segundo lugar, e os cinco milhões correspondentes, teriam sido facilmente conseguidos. É bem provável que este plantel ultrapassasse o Celtic na fase de grupos da Champions, e tivesse chegado pelo menos aos oitavos-de-final, com as consequentes receitas. O estádio teria enchido várias vezes, logo, mais dinheiro a entrar nos cofres. Os passes dos jogadores sairiam valorizados no final da época. Não se perderiam sócios e vender-se-iam mais lugares cativos.
Eis o exemplo prático de como uma gestão pode ser rigorosa, orientada por critérios desportivos, mas também, e consequentemente, económicos, baseada na estabilidade e na solidez.

CLASSIFICAÇÃO "REAL" - Correcção

Conforme havia dito não vi o Paços de Ferreira-Sporting. Ontem contudo, através dos resumos televisivos, apercebi-me de que, para além de Polga ter sido poupado à expulsão, o golo do Sporting nasce de um livre inexistente. Deste modo há que corrigir a classificação, subtraindo dois pontos aos leões.
Nem quero imaginar o quanto falaria este país desportivo caso tal lance, ao invés de ter acontecido em Paços de Ferreira, tivesse antes originado uma vitória do Benfica na Amadora, e uma correspondente subida ao segundo lugar a uma jornada do fim...
Para que não restem dúvidas, ficam as imagens de um lance que valeu milhões:

A classificação actualizada fica pois com esta configuração:
F.C.PORTO 65
Benfica 56
Sporting 50

VEDETA DA JORNADA

FÁBIO COENTRÃO: Já no Mundial sub-20 havia mostrado tratar-se de um jogador acima da média. No Benfica terá sentido o peso da camisola, numa fase do clube em que a mesma parece queimar qualquer um.
Encontrando o seu espaço no Nacional, o jovem Fábio reencontrou-se com o seu talento, e no Estádio do Dragão teve a sua tarde de glória. Dois golos de antologia, para uma vitória histórica.

CLASSIFICAÇÃO "REAL"

Não me apercebi da existência de qualquer caso passível de alteração pontual nos jogos de F.C.Porto e Benfica (o de Paços não vi). Na Reboleira, Cardozo podia ter sido expulso, mas por outro lado houve dois foras-de-jogo mal assinalados ao ataque encarnado.
F.C.PORTO 65
Benfica 56
Sporting 52

PONTO FINAL

Muito embora em termos matemáticos ainda tudo seja possível, esta jornada terá provavelmente resolvido desde já a importante questão do apuramento para a Champions League.
Com todos os candidatos a jogar fora de sua casa, era esta a hora das grandes definições, a hora em que ninguém poderia falhar. Se do Sporting dificilmente seria de esperar uma escorregadela no estádio do penúltimo classificado, já quanto ao Vitória de Guimarães era bem possível, até mesmo provável, que pudesse perder pontos no Restelo - o que de resto veio a acontecer. Cabia pois ao Benfica não desperdiçar a ocasião, e enfrentar o jogo da Reboleira como uma final que o pudesse guindar, pelo menos, ao terceiro lugar que ocupou nas últimas duas temporadas. Até porque, ao contrário do que tem sido comum ouvir por aí, passar de quarto para terceiro é bem mais importante do que passar de terceiro para segundo.
Pois o Benfica falhou uma vez mais, e falhou de forma redonda e implacável. O empate cedido, e sobretudo a forma como o foi – com setenta minutos absolutamente medíocres -, é ultrajante para o clube, e deve envergonhar jogadores, técnicos e, sobretudo, quem os escolheu. Como é possível que, perante a hipótese de alcançar um lugar na mais importante competição internacional de clubes, na qual o Benfica tem o historial que todos conhecemos, a equipa tenha entrado em campo como se da digressão a Angola se tratasse ?
É de facto difícil encontrar palavras para descrever este Benfica. Esta equipa não merece nada senão os apupos de indignação que mais uma vez se ouviram no final do jogo. É um grupo de jogadores sem alma, sem vontade de jogar – quanto mais de vencer… -, sem espírito competitivo, sem disciplina, sem classe, sem nada.
Uns não podem, outros não sabem, outros não querem, poucos se salvam. Que a época acabe depressa, e que depressa alguém aprenda com os erros que levaram o clube a esta situação, da qual, diga-se, não será fácil nem linear conseguir sair.
Muito haverá por dizer nos próximos dias. Muitas responsabilidades haverá que apurar, à cabeça das quais as de quem, numa perspectiva tacanhamente economicista, desmantelou – prescindindo de Simão, Miccoli, Karagounis e Anderson entre outros - uma equipa que há um ano atrás discutia o título à entrada da última jornada.
Por agora centremo-nos numa questão ainda pouco falada, mas que constituiu mais um dos muitos erros crassos desta direcção. Por muito respeito que o seu passado como jogador nos mereça, Fernando Chalana manifestamente não tem, nunca teve e provavelmente nunca terá, perfil para comandar uma equipa com as ambições do Benfica. Se as suas conferências de imprensa são burlescas e alvo de chacota generalizada, dentro do campo não se nota que tenha acrescentado um milímetro àquilo que Camacho deixara. Nem outra coisa seria de esperar de um “técnico” cujo único clube que havia treinado era o Oriental. Os jogadores gostam dele – alguns até parecem mais gordos…-, mas se o critério fosse apenas esse, até poderia estar lá o roupeiro.
A comparação entre a classificação actual e a que o murciano - com todos os erros que tenha cometido – deixou, é dramática, como se pode ver no quadro. Olhando a questão sem os sentimentalismos que Chalana naturalmente desperta, a verdade é que o Benfica tem objectivamente jogado sem treinador e assim entregue, um por um, todos os objectivos que tinha para esta temporada, nalguns casos sem dar qualquer luta, sem mostrar qualquer vontade ou ambição, como foi ontem o caso.
A agravante de tudo isto é que estamos em Maio, não há treinador para a próxima época, as indefinições no plantel são muitas, e o mais provável é o Benfica ver uma vez mais o seu futuro adiado, no meio do circo que o seu presidente vai eternamente recriando e com o qual vai entretendo os sócios mais desatentos.

PS: No próximo domingo estarei na Luz por Rui Costa. Apenas por ele e em nome do seu brilhante passado de futebolista de eleição.
De resto, a época acabou. Venha daí um Euro 2008 capaz de resgatar a minha paixão pelo futebol, após uma época traumática como talvez nenhuma outra.

CLUBES COM MAIS PRESENÇAS EM FINAIS DA TAÇA/LIGA DOS CAMPEÕES

1º REAL MADRID (Espanha) 12
2º A.C.Milan (Itália) 11
Benfica (Portugal) 7
__Liverpool (Inglaterra) 7
__Bayern de Munique (Alemanha) 7
__Juventus Turim (Itália) 7

A GRANDE FINAL

Dia 21 de Maio 19.45 h, Moscovo (RTP1 e SportTv1)

...AND THE SKY BECAME BLUE

Quis o destino que fosse já sem José Mourinho que o Chelsea chegaria enfim à tão ansiada final da Champions League.
Depois de três meias-finais em quatro épocas, a equipa londrina conseguiu fintar a sua má sorte na prova, eliminando aquele que havia sido o seu carrasco em duas daquelas ocasiões.
Fez-se justiça em Stanford Bridge. O Chelsea é mais forte, tal como o tem provado na Premier League, e provavelmente até já o seria na época passada quando foi eliminado no desempate por penáltis. À quarta foi de vez, e será com Avram Grant no banco que Abramovich terá o gosto feito de ver o seu clube na mais importante final do futebol europeu de clubes.
O jogo foi, como seria de esperar, um grande espectáculo. Cinco golos, indecisão quase até final, um ritmo alucinante e um dramatismo extremo em todas as disputas de bola. Mas se o Chelsea teve razões de queixa da arbitragem numa das meias-finais perdidas (um golo fantasma), também se tem que dizer que desta vez houve um penálti claro sobre Sami Hyppia – mais evidente que o assinalado a favor dos “blues” - que Roberto Rosseti não viu, e que poderia ter dado outra tonalidade à parte final do prolongamento.
Destaque para a exibição de Didier Drogba, que ganhou aos pontos a Fernando Torres no duelo dos dois grandes pontas-de-lança desta meia-final, e eventualmente da actualidade do futebol internacional. O marfinense chega à parte final da temporada em grande forma, e foi absolutamente decisivo nesta caminhada para a final de Moscovo.Devo dizer que nutro uma ligeiríssima simpatia pelo Liverpool, desde que na infância aprendi com McDermott, Neal, Thompson e Dalglish o que era o futebol europeu. Por esse motivo, pelo magnetismo da sua massa adepta, pelas recordações de duelos com o Benfica, talvez preferisse ver os “reds” na final. Por outro lado reconheço que o momento actual das equipas faz do confronto entre Chelsea e Man United uma final mais apelativa - afinal de contas têm sido estas duas equipas a discutir os títulos ingleses das últimas quatro temporadas.
É também interessante que estejam nesta final nada menos que seis portugueses (Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Hilário, Cristiano Ronaldo, Nani e Carlos Queirós). Trata-se de um orgulho para o nosso país, mas em ano de Europeu, Scolari talvez não tenha ficado assim tão satisfeito. Recorde-se que a final da Champions será a apenas 16 dias do jogo com a Turquia.