FESTA NA LUZ

À semelhança do que aconteceu com a final do campeonato de Andebol, os leitores compreenderão que manifeste aqui a minha satisfação pela vitória benfiquista no campeonato de Futsal, desta vez de forma redobrada pois tive o prazer de assistir in loco à finalíssima, e viver na Luz uma bela tarde de festa e fervor benfiquista, num pavilhão completamente esgotado e bastante ruidoso. 4-2 foi o resultado, após um jogo emocionante com prolongamento e tudo. O Belenenses mostrou grande categoria, valorizando o triunfo encarnado.
Fica aqui também o quadro resumo dos vencedores das principais modalidades na temporada que agora termina:

ADENDA: Soube agora que Beto Aranha, técnico de Futsal do Benfica, não irá continuar na Luz. Tal como sucedeu com Alexander Donner do Andebol, o Benfica prepara-se para prescindir de mais um treinador campeão, naquilo que se vai tornando uma triste tradição no clube.
Qual será o objectivo ? Chegar a zero ?

CAMPEONES !

Em cima: Iker Casillas, Marchena, Sérgio Ramos, Capdevila, Marcos Senna e Fernando Torres.
Em baixo: David Silva, Iniesta, Xavi Hernandez (eleito o melhor jogador da competição), Cesc Fábregas e Puyol.

COM TODA A NATURALIDADE

Depois de um Europeu e de um Mundial em que, com a Grécia e com a Itália, a lógica do calculismo havia triunfado, a Espanha de Luís Aragonês resgatou ontem o futebol, devolvendo-o ao espectáculo, à beleza, à audácia, ao arrojo ofensivo e à alegria da posse de bola, dos passes de ruptura e da busca constante da baliza adversária.
É claro que tudo isto não se faz, hoje em dia, colocando cinco avançados em campo, nem desprezando o capítulo defensivo. Faz-se com um bloco compacto, onde todos atacam e todos defendem, onde as estrelas – e na selecção espanhola é o que não falta – se integram numa filosofia colectiva comum, fazendo sobressair justamente o que foi esta Espanha, e aquilo que naturalmente ganha jogos e títulos: uma grande equipa!
Uma Alemanha pragmática, pouco imaginativa, minimalista e espartana não teve hipóteses de êxito perante tão grande adversário, e apesar do resultado tangencial nunca se vislumbrou a possibilidade de o vencedor poder vir a ser outro. A Espanha foi a melhor selecção do Europeu, e o título assenta-lhe como uma luva, quer pelo que fez ontem – foi de uma superioridade óbvia -, quer pelo que fez nos restantes cinco jogos.
Com um dos melhores guarda-redes do mundo na baliza, a equipa do país vizinho contou em todo o torneio com um super-lateral direito (que jogador !), com uma dupla de centrais sólida e equilibrada (a generosidade de Puyol ligou muito bem com a sobriedade do ex-benfiquista Marchena), um lateral esquerdo seguro, um meio-campo fabuloso com quatro unidades em altíssima voltagem (Senna, Iniesta, Xavi e Silva foram quatro dos melhores jogadores de todo o campeonato), e uma dupla de ataque constituída pelo melhor marcador da prova (ontem ausente por lesão) e por aquele que é quanto a mim, repito, o melhor ponta-de-lança da actualidade, e que ontem resolveu a final. Ainda sobram Fabregas, Xabi Alonso, Guiza, Cazorla, e recorde-se que Raul ficou em Madrid.
Além da vitória espanhola, pode-se dizer em termos gerais que este foi um Europeu bastante bom. Equipas como a Holanda, a Rússia, a Turquia, a Croácia e, porque não dizê-lo, Portugal, deixaram um perfume de bom futebol espalhado pelos relvados da Suiça e da Áustria. Houve espectáculo do princípio ao fim, houve excelentes golos, emoção, revelações, surpresas e um campeão justo. Até as arbitragens ajudaram, pois embora com um erro aqui e outro ali, não influenciaram o curso natural dos acontecimentos.

OLÉ !

Uma super-Espanha deitou por terra aquela que já muitos consideravam a grande favorita ao título de campeã europeia (a Rússia de Hiddink), apurando-se com classe para a final, algo que há 24 anos que não conseguia.
Esperava-se um jogo vibrante, mas só a segunda parte da Espanha nos ofereceu verdadeira espectacularidade. Até lá, ainda que os comandados de Luís Aragonês dominassem quase sempre a bola e o jogo, imperou o calculismo e o pragmatismo, tendo escasseado as verdadeiras ocasiões de perigo.
A Rússia acabou por pagar caro o facto de não impor um ritmo mais alto à partida. Terá sido um erro estratégico? Terá sido incapacidade de o fazer ? Terá sido a Espanha a impedi-lo ? Esta é uma daquelas questões que um jogo de futebol sempre deixa em aberto, e sem as quais os analistas não teriam do que viver. Na minha perspectiva houve Espanha demais e não Rússia de menos – ainda que no plano individual fosse de esperar mais, por exemplo, de Arshavin. Foi a Espanha, a partir do seu fortíssimo meio-campo, que lançou os dados com que a partida se iria decidir. Foi a Espanha que empurrou a Rússia para terrenos e ritmos com os quais esta não se entendeu. Foi, em suma, a Espanha que ganhou – categoricamente - e não a Rússia que perdeu.
Desta partida fica a certeza de que a selecção comandada pelo experiente Luís Aragonês, com estrelas como Xavi, Iniesta, Torres, Senna, Villa, Ramos ou Silva, e um conjunto coeso e articulado, é uma das melhores Espanhas de que há memória. Curiosamente, os dois nomes que me faziam esperar muito desta equipa mesmo antes da competição se iniciar, são aqueles que por diferentes motivos menos se têm feito notar: Fabregas não tem sido titular (se bem que sempre que entra deixa marca), enquanto Fernando Torres, para mim o melhor ponta-de-lança da actualidade, tem passado discreto por entre a torrente de futebol, golos e vitórias que a selecção espanhola tem sido capaz de apresentar. Isto, entre outras coisas, leva-nos à conclusão de que as grandes vedetas da Premier League são provavelmente as que mais sofrem com o desgaste de toda uma época em que nem na semana do Natal se deixa de jogar futebol – os boxing-days e o futebol non-stop, são muito giros, rendem audiências, mas os resultados são o esgotamento dos jogadores, o que em anos de Europeu ou Mundial se torna evidente, e nalguns casos (Cristiano Ronaldo ?) fatal.
Este Europeu tem feito repetidamente cair, uma a uma, as equipas que mais perfume futebolístico lhe têm dado. Foi Portugal, foi a Croácia, foi a Holanda (três vencedores de grupo), e nas meias-finais acabam por cair as duas grandes revelações Rússia e Turquia – curiosamente os quatro semi-finalistas são justamente as selecções cujos jogadores actuam predominantemente nos campeonatos internos. É mau sinal para uma Espanha que dispõe agora da simpatia dos adeptos do bom futebol, e que enfrenta na final uma Alemanha com todas as características de uma verdadeira desmancha-prazeres.
Ao contrário do que sucedera há quatro anos, esta será uma final entre duas potências do futebol. Estaria a mentir se dissesse que seria de esperar um espectáculo aberto, recheado de golos e oportunidades, pois a Alemanha é o que é, e a Espanha já mostrou saber como lidar com essas mesmas armas. Será contudo um jogo intenso, e eventualmente emotivo. Talvez as decisões acabem, lá para o fim da noite, em Lehmann e Casillas.

...E NO FIM GANHARAM OS ALEMÃES

3-2 no marcador, Schweinsteiger (após cruzamento do lado esquerdo de Podolski ao primeiro poste) e Klose (de cabeça) a facturarem, emoção até ao último minuto, algumas baldas da defesa alemã, erros infantis do guarda-redes contrário, e no final, a equipa de Joachim Low a fazer a festa. Onde é que já ouvimos tudo isto ?
Num jogo deveras emocionante o destino sorriu uma vez mais aos alemães, que disputarão no domingo a sua sexta final em treze edições da prova, confirmando assim a sua hegemonia nesta competição. Nada que não se esperasse antes do início do desafio, mas depois dos noventa minutos de Basileia, olhando ao desempenho de ambos os conjuntos, há que dizer que ficou no ar um cheirinho a injustiça.
Entrando muito bem no jogo a remendada selecção turca mostrou classe, ambição e, sobretudo, muita vontade de vencer. Em toda a primeira parte poderia ter inclusivamente sentenciado a eliminatória. Marcou um golo, atirou uma bola à barra, dominou totalmente os acontecimentos. Só a frieza cínica e terrivelmente objectiva da equipa germânica permitiu, num lance de contra-ataque, igualar a partida e levar esse empate até ao intervalo.
Na segunda parte o jogo baixou de ritmo, mas os últimos dez minutos valeriam bem os outros trinta e cinco. Klose, num lance em que Rustu ficou muito mal na fotografia, fez o segundo golo para a Alemanha aos oitenta minutos, mas quando se pensava que tudo estaria resolvido eis que surgiu o homem dos milagres – Semih Semturk – que após lance de Sabri desviou a bola do alcance de Lehmann, repondo a justiça no placar.
Mas estava escrito, como em muitas outras ocasiões, que seria a Alemanha a vencer. No último minuto, após lesão de Kazim Kazim, Lahm aproveita o espaço e desfaz a igualdade, deitando por terra o sonho turco.
É inacreditável como esta equipa, sem grande brilho, sem mostrar argumentos de monta, evidenciando fragilidades óbvias, consegue estar na final do Campeonato da Europa, enquanto selecções como a nossa, a Holanda ou a Croácia já estão em casa diante da televisão. Esta Alemanha – ao contrário de outras suas antecessoras – não demonstra grande solidez defensiva, nem sequer ostenta qualquer tipo de superioridade física. É uma equipa com sorte e, sejamos justos, com uma força mental digna dos seus pergaminhos, e própria de um povo que deu ao mundo homens como Wagner, Goethe, Munch, Kant e muitos outros. Pode ser campeã da Europa (afinal de contas são alemães…), mas penso que o futebol teria a ganhar caso o vencedor deste Euro saísse do confronto de hoje. Em nome do espectáculo. Em nome dos adeptos.

AÍ ESTÃO AS MEIAS FINAIS

Depois de dois dias (uma eternidade...) sem qualquer jogo, eis que regressa o Euro 2008, com as grandes decisões das meias-finais. Hoje a Alemanha é claramente favorita diante de uma Turquia dizimada por nove ausências de vulto, entre castigos e lesões. Amanhã, entre duas das equipas que melhor futebol têm jogado, não haverá favoritismos. Mesmo sem Portugal, estes são sem dúvida dois jogos a não perder.
Basileia - Quarta, 19.45 (Sport Tv1 e TVI)
ALEMANHA: Lehmann, Friedrich, Metzelder, Mertesacker, Lahm, Frings, Hitzlsperger, Ballack, Schweinsteiger, Klose e Podolski
TURQUIA: Rustu, Sarioglu, Zan, Boral, Balta, Mehmet Aurélio, Topal, Altintop, Kazim, Karadeniz e Semturk

Viena - Quinta, 19.45 (Sport Tv1 e TVI)
RÚSSIA: Akinfeev, Anyukov, Ignashevich, Shirokov, Zhirkov, Semak, Semshov, Zyrianov, Saenko, Arshavin e Pavlyuchenko
ESPANHA: Casillas, Sérgio Ramos, Puyol, Marchena, Capdevilla, Marcos Senna, Xavi, Iniesta, David Silva, David Villa e Fernando Torres

PONTO DE SITUAÇÃO

Com a torrencial quantidade de notícias e contra-notícias acerca de possíveis contratações, torna-se difícil perceber o que será o plantel do Benfica para 2008-09. Ainda assim, sabendo da dificuldade do exercício, aqui vai um esboço:

GUARDA-REDES - Quim e Moreira
DEFESAS DIREITOS - Nélson e Maxi Pereira (?)
DEFESAS CENTRAIS - Luisão, David Luíz, Miguel Vítor (?) e (X)
DEFESAS ESQUERDOS - Léo e Jorge Ribeiro
MÉDIOS DEFENSIVOS - Petit, Ruben Amorim, Yebda e (XX)
MÉDIOS OFENSIVOS - Carlos Martins (?), Nuno Assis e (XXX)
AVANÇADOS - Cardozo, Nuno Gomes, Di Maria, Makukula (?), Mantorras e (XXXX)

(x) - É imperiosa a contratação de mais um central. Descartada a hipótese Caneira, já se falou de Ricardo Rocha, Zé Castro, Pellegrini, Euller, Thiago Silva, Geromel...Caso não seja o polivalente Ricardo Rocha o contratado, o lado direito da defesa carecerá também de mais uma opção, mesmo levando em conta o eventual deslocamento de Maxi. João Pereira foi falado, o romeno Golanski também.

(xx) - Dificilmente Katsouranis continuará na Luz. As alternativas são por agora Albelda (longe) e Balboa (menos longe).
(xxx) - Rui Costa parece querer apostar forte na posição que foi sua. A lista de alvos é extensa, e dela fazem parte Aimar (prioritário), Escudero, Dica, Thiago Neves, Renato Augusto, Valdivia, Hugo Viana, Wesley, Tiago Gomes, Tiago e Buenanotte. Pode até chegar mais que um.
(xxxx) - Um ponta de lança goleador também é alvo prioritário, e deve canalizar parte significativa do orçamento disponível. Sinama-Pongolle está cada vez mais longe, e a aposta parece ser agora Miccoli. Soldado também não foi ainda descartado, ao contrário de Djebbour. Mas pode ainda haver uma surpresa (Pauleta ?). Djalma do Marítimo diz-se estar também na lista, mas provavelmente para ser depois cedido.

Freddy Adu, Sepsi, Binya, Edcarlos, Fellipe Bastos, Fábio Coentrão entre outros, deverão acabar por ser emprestados. Zoro e Moretto estão à venda.
De nomes como Gera, Luís Garcia ou Reyes deixou de se ouvir falar, o que poderá significar uma menor aposta nas alas. Será que o losango está de regresso com Quique ?

O HISTORIAL DA TRAIÇÃO

VERÃO DE 1988 : Rui Águas recusa proposta de renovação do Benfica e assina pelo F.C.Porto

ÉPOCA 1988/89 : BENFICA CAMPEÃO !

VERÃO DE 1993 : Paulo Sousa rescinde unilateralmente o contrato com o Benfica e assina pelo Sporting
ÉPOCA 1993/94 : BENFICA CAMPEÃO !

VERÃO DE 2008 : Rodriguez recusa proposta do Benfica e assina pelo F.C.Porto
ÉPOCA 2008/09 : ?

AINDA RODRIGUEZ

Quem visita habitualmente este espaço, sabe como a direcção do Benfica tem aqui sido objecto de frequentes e duras críticas nos últimos tempos, particularmente em aspectos relacionados com a gestão desportiva. Sinto-me pois à vontade para dizer que, ao contrário do que se passou com outros jogadores, no caso-Cristian Rodriguez o Benfica fez aquilo que tinha a fazer.
De Pinto da Costa nada surpreende - só não irá buscar Miccoli se não puder, mesmo que dele não precise, assim como talvez ainda pisque o olho a Katsouranis e Moreira, como no passado contratou Sokota, Panduru, Yuran, Kulkov, Jankauskas, Pedro Henriques, Kenedy, Sousa, Ovchinikov entre outros, quase sempre sem grande sucesso. Aliás, os únicos grandes jogadores que o F.C.Porto levou do Benfica, foram dois dispensados: Maniche e Deco, a quem outro dispensado da Luz (José Mourinho) moldou e tornou estrelas do futebol português e internacional.
De Cristian Rodriguez esperava-se outro comportamento. Qualquer pessoa é livre de procurar ganhar mais dinheiro, mas se tinha uma proposta melhor do F.C.Porto, escusava de ter encenado um jogo duplo com declarações desnecessárias e promessas não cumpridas. Mas enfim, cada um tem a dose de carácter que merece, e a continuar assim não lhe auguro nada de bom, ressalvando que frequentemente os jogadores, em particular os mais pobres de espírito, se tornam presas fáceis dos desígnios de empresários nada escrupulosos, como também parece o caso deste Paco Casal.
Seja como for, naquilo em que o tema me interessa, o Benfica fez muitíssimo bem em não ceder às pretensões do jogador, que exigia 180 mil euros mensais, rejeitou um contrato por objectivos que, ainda assim, lhe oferecia a possibilidade de chegar a esse valor - queria tudo garantido, sem ter de se esforçar muito - e cujo preço do passe ascendia já a 10 milhões de euros, a ser pagos através de uma off-shore. Rodriguez não é, de todo, jogador para 180 mil euros por mês, valor que faria dele, a grande distância, o mais bem pago do plantel encarnado. Cardozo, que marcou mais de 20 golos, alguns dos quais importantíssimos, ganha, ao que sei, menos de metade desse valor, tal como aliás Rui Costa, o melhor jogador da época passada. Recordo que o Benfica tem no seu plantel jogadores internacionais como Quim, Petit, Luisão, Léo ou Nuno Gomes, todos com muito mais tempo de clube, com muito mais provas dadas e a quem o Benfica deve muitíssimo mais. Nem mesmo Simão auferia tanto.
O Benfica não precisa de primas-donas, mas sim de jogadores capazes de integrar um projecto colectivo coeso, sólido e ganhador. Que vistam a camisola e a suem, não apenas quando tentam tirar a bola a um adversário, mas também a cada treino, a cada momento da sua carreira, e que possam garantir um rendimento regular ao longo de várias épocas. Rodriguez é talentoso, mas em termos de disciplina táctica deixa muito a desejar - não defende, raramente participa nas acções colectivas da equipa quando esta perde a bola -, e nos momentos cruciais da temporada o seu rendimento eclipsou-se. Nunca foi convenientemente explicado o motivo porque no Paris St.Germain muitas vezes nem no banco se sentava, algo que levanta algumas dúvidas sobre o seu perfil temperamental, de resto amplamente legitimadas por estas últimas atitudes. Não é jogador para, por si só, fazer a diferença, como por exemplo foi, durante anos, Simão – este sim a justificar um salário desse nível ou até maior.
O F.C.Porto vai pagar mais de sete milhões de euros por apenas 70% do passe do uruguaio (!!!). Juntando este valor ao salário de quatro temporadas, chegamos a um montante de quase 17 milhões de euros, fora comissões por baixo da mesa (!!!). Sai caro o capricho de Pinto da Costa, sai cara a vingança pelo caso-Champions… Mais preocupado do que com a saída de Rodriguez, ficaria eu caso o Benfica tivesse cedido a todas as suas megalómanas pretensões.

NOTAS DE EURO

TURQUIA – Como se apresentará diante da Alemanha ? Tem sete lesionados e quatro castigados (!!!!). Já se fala na hipótese do terceiro guarda-redes actuar como ponta-de-lança…
Ai se Portugal tivesse passado às meias-finais…
ESPANHA – Após um jogo enfadonho, lá conseguiu mandar a Itália para casa. Aleluia ! Como é belo o futebol sem italianos…
RÚSSIA – Qual bailado de Tchaikovski, a selecção russa vulgarizou a grande favorita Holanda com uma exibição de sonho, e apresenta-se neste momento como uma fortíssima candidata ao título. Quando na última edição da Taça Uefa vi o Zenit de São Petersburgo (do também técnico holandês Dirk Advocaat) esmagar sucessivamente Bayer Leverkusen e Bayern de Munique, chamei a atenção para a força do futebol russo da actualidade, e na altura expressei a minha curiosidade acerca do desempenho da selecção de Hiddink neste Euro. Após uma entrada em falso a Rússia tem brilhado intensamente, sendo provavelmente a equipa que melhor futebol pratica em toda a competição. Isso por vezes não chega, mas pelo menos a Europa já ficou a conhecer nomes como Arshavin, Pavlyuchenko, Zyryanov entre outros, e sobretudo a apreciar um colectivismo notável, que faz lembrar os melhores tempos da União Soviética.
ARBITRAGENS – Pobres, pobres, mas ainda assim bem melhores que nos últimos dois Mundiais. Não havendo juízes dos Barbados e da Guatemala, tudo se torna um pouco mais fácil.
O TAMANHO CONTA – Não há nas meias-finais nenhum país com menos de quarenta milhões de habitantes. Aliás, estão em prova os três maiores países da Europa em área e população, o que não deixa de ser um dado curioso.
A IDADE É UM POSTO – Chegados aos jogos a eliminar, nota-se uma clara tendência vitoriosa dos técnicos da velha guarda, com Terim, Aragonês e Hiddink ainda em prova, e os jovens Van Basten, Donadoni e Bilic eliminados. Só faltou Scolari vencer Joachim Low…

CRISTIAN RODRIGUEZ NO F.C.PORTO

Recorde-se o que ele disse na televisão a propósito do tema, e veja-se o quanto vale a sua palavra, neste e noutros casos. É altura de a comunicação social portuguesa, em particular a desportiva, deixar de branquear mentiras e crimes, confundindo máfia - é disso que se trata - com desporto. Num país civilizado sabe-se onde é o lugar dos gangsters. E em Portugal ? Até quando durará a bajulação de figuras desta estirpe ?

OBRIGADO FELIPÃO !

O jogo de ontem com a Alemanha fecha um ciclo na selecção nacional. Scolari rumará a Londres, e haverá que encontrar um substituto para o brasileiro, o que, diga-se, não se afigura tarefa fácil.
Scolari foi inquestionavelmente o melhor seleccionador nacional de todos os tempos. Diga-se o que se disser, goste-se mais ou menos do estilo, ache-se o homem mais bem ou mal educado, os resultados obtidos nestes últimos quatro anos não deixam margem para quaisquer dúvidas – foram estes os melhores anos da equipa de todos nós, ao ponto de o grau de exigência dos adeptos se situar hoje a níveis absolutamente inverosímeis há uma ou duas décadas atrás.
Os méritos de Scolari são inúmeros. A blindagem com que protegeu o grupo, a resistência às pressões daqueles que estavam habituados a pôr e dispor da selecção nacional segundo os seus próprios interesses, a criação de um plantel coeso, disciplinado e fortemente motivado, a forma como soube popularizar a equipa nacional envolvendo todo um país atrás dela, a força mental e o espírito ganhador que soube incutir nos jogadores, fizeram dele uma referência para o futuro, um marco na história do futebol português. Maior ou menos perspicácia táctica não passam de uma nota de rodapé a todo um trabalho fantástico do ex-campeão do mundo, que pôs Portugal na rota da discussão dos principais títulos internacionais como nunca na história se havia visto, e deixa a quem lhe suceder uma extraordinária base de trabalho.
Não adianta argumentar que Scolari dispôs de grandes jogadores. Antes dele chegar a Portugal já Figo, Rui Costa, Fernando Couto, Nuno Gomes, Simão ou Pauleta jogavam na selecção havia anos. João Vieira Pinto, Vítor Baía, Paulo Sousa ou mais atrás Futre, Chalana, Jordão, Nené, Gomes, Oliveira, Humberto Coelho, Eusébio, Coluna, Peyroteo, Simões, Águas, Matateu e muitos outros fizeram história na equipa das quinas, sem que a mesma alguma vez – excepto em 1966 – produzisse os resultados alcançados nos últimos anos.
Acho uma certa piada àqueles que agora acusam Scolari de nada ter ganho. Só por má fé ou total ignorância se pode enveredar por esse caminho. Há bem poucos anos atrás Portugal era uma das muitas selecções que ficavam sistematicamente de fora das grandes competições, e o simples apuramento para uma fase final era extraordinariamente festejado. Há doze anos Portugal apenas tinha marcado presença num Campeonato da Europa (1984), onde de resto foi eliminado na primeira ronda após a fase de grupos - tal como agora. Portugal nunca foi visto como candidato a nenhum título salvo nestes últimos anos, pelo contrário, sempre foi um mero outsider do futebol internacional de selecções, com insuficiências crónicas – designadamente em termos de mentalidade competitiva - sistematicamente aproveitadas pelos mais variados adversários, quase sempre, desde logo, nas fases preliminares.
É preciso entender que existem mais de 200 selecções em todo o mundo, mais de 50 só na Europa, e só um pode ganhar. Portugal é um país pequeno, e ficar em segundo, terceiro, quarto ou mesmo nos oito primeiros é absolutamente fantástico. Há quem se esqueça disto. Há quem não conheça a história do futebol, e em particular a do futebol português, mas há também quem a queira mistificar. Não nos deixemos enganar.Tenho no entanto sérias dúvidas que Scolari tenha no Chelsea o sucesso que teve nas selecções do Brasil e de Portugal. Os principais méritos do brasileiro, acima referidos, assentam como uma luva numa equipa nacional, onde a capacidade de criar um grupo homogéneo pode fazer a diferença. Num clube, e principalmente num clube como o Chelsea, refém dos humores de um proprietário instável e impaciente – não gostaria nada de ver assim o meu clube…-, dificilmente Scolari poderá encontrar o enquadramento necessário para potenciar as suas capacidades. Duvido seriamente que a sua forte personalidade se revele compatível com Abramovitch, e que a relação entre ambos seja longa, por muito que um camião de libras possa ajudar. Se as coisas correrem mal, o mais que posso desejar é que volte depressa para Portugal – quem sabe após o Mundial 2010…
Para já é importante que a Federação decida bem. Gilberto Madaíl não inspira um mínimo de confiança, e tudo o que dele directamente depende tem sido, regra geral, desastroso. A única decisão positiva, que o salvou nestes últimos anos, foi a contratação de Scolari, atrás do qual Madaíl se escondeu, e sem o qual Madaíl há muito teria visto apontada a porta da saída. Quem abandona o futebol português das 2ª e 3ª divisões permitindo a sua condenação à morte, quem deixa as camadas jovens entregues ao destino, quem foi o responsável máximo pela vergonha da Coreia e nunca deu a cara por tal, quem deixa definhar a principal competição que tem a cargo (a Taça de Portugal), quem aproveita os jogos da selecção para encher estádios de amigos, comparsas e convidados ostracizando o público pagante, quem assobia para o lado sempre que surgem problemas ou dificuldades, não será obviamente a pessoa ideal para decidir sobre o futuro da selecção nacional. Esperemos que um momento de luz permita uma boa escolha, de forma à selecção nacional se poder manter na rota em que Scolari a colocou.
Reitero aqui a minha escolha, sabendo de antemão que não será a da FPF: Paulo Bento. Jovem, com experiência de clube grande e competições internacionais, ex-jogador da selecção com presenças em Europeus e Mundiais, personalidade forte e imune a pressões, capacidade de decisão e rigor disciplinar, talento para lidar com jovens, o técnico do Sporting afigura-se-me, dentro do panorama nacional, como a escolha mais equilibrada, isto claro, sabendo-se da impossibilidade Mourinho, e das óbvias dificuldades de contratação de um Marcelo Lippi.
Carlos Queiroz ou Humberto Coelho também não seriam más opções. Mas terminando como comecei, suceder a Scolari não vai ser um fardo leve de carregar. Como português, e sobretudo como fervoroso adepto da selecção nacional, apenas desejo que dentro de alguns meses não estejamos todos a chorar pelo técnico brasileiro, como suspeito e temo que venha a acontecer.

ERROS FATAIS, ADEUS CONSUMADO

Tinha dito aqui que este era um jogo em que não se poderiam cometer erros. Tinha pedido aqui uma grande exibição de Cristiano Ronaldo. Não aconteceu nem uma nem outra dessas coisas, e se a elas juntarmos um erro crasso do árbitro no terceiro golo alemão, chegamos facilmente às razões de uma derrota.
Acho uma certa graça às análises que tenho ouvido, a todas as teorias estratégicas e tácticas que, na penumbra das evidências, explicariam o motivo pelo qual Portugal não venceu a Alemanha. É um facto que a ausência forçada de Torsten Frings fez com que Joachim Low aproveitasse para alterar o seu sistema de jogo, e é também verdade que essa inesperada alteração, nos momentos iniciais, surpreendeu a equipa portuguesa. Mas se esse facto poderá explicar os primeiros dez minutos de maior predominância alemã na partida, de nada serve se tentarmos colá-lo ao que se passou daí em diante.
A diferença entre as duas equipas. A verdadeira e única diferença, que se revelou fatal, e que normalmente está associada a este tipo de jogos – a eliminar, em fases adiantadas de grandes competições, e entre equipas equilibradas -, foi que Portugal cometeu erros básicos na sua defensiva, e a Alemanha não. Por isso a Alemanha está nas meias-finais e Portugal volta para casa. É assim o futebol, é assim que se definem os grandes campeões, são assim os Europeus e os Mundiais, e foi também assim – no detalhe, no erro – que a equipa nacional fez a carreira que fez em 2004 e 2006.
No primeiro golo, Pepe – mal posicionado - e Bosingwa correram desde o meio campo ao lado de Podolski e deixaram-no cruzar tranquilamente para a área. Aí apareceu Schweinsteiger, que Paulo Ferreira num momento de desconcentração deixou fugir, voltando a bater Ricardo. Um golo em dois tempos evitável, num momento em que Portugal dava mostras de equilibrar o duelo táctico, e tinha acabado de construir, num lance de João Moutinho, a primeira ocasião de perigo.
O segundo e terceiro golos são quase iguais, e já nos jogos anteriores, nomeadamente com a República Checa, a equipa nacional tinha dado mostras de grandes fragilidades naquele tipo de lance. Pode-se discutir se a marcação nas bolas paradas deveria ser feita à zona ou homem-a-homem, mas na verdade o que se viu, ou melhor dizendo, o que se não viu, foi qualquer tipo de marcação criteriosa e coerente, parecendo cada jogador desconhecer a missão que tinha para cumprir. Pode-se lembrar aqui o facto de Ricardo Carvalho e Pepe terem feito, até ao Europeu, apenas dois jogos juntos, pode-se apontar o péssimo momento de forma de Paulo Ferreira e de Ricardo – mal em ambos os lances -, a baixa estatura dos homens do meio-campo, ou ainda lembrar Costinha e Jorge Andrade. No meio de tudo isto estará a verdade.
Todos nós adoramos as fintas de Ronaldo, as arrancadas de Simão, a magia de Deco, mas uma equipa que denota tamanha fragilidade em tão importante capítulo do jogo como os lances de bola parada, dificilmente poderá pretender ser campeã. Na primeira fase, algo ainda podia ser (e foi) disfarçado, a partir dos quartos-de-final, com adversários bem mais fortes, seria necessária outra consistência. Estas falhas acabaram por trair o bom jogo ofensivo de Portugal – marcou dois e criou mais algumas oportunidades -, a super-exibição de Deco, a alma generalizadamente evidenciada por todos os jogadores, que mostraram bem o quanto queriam vencer este jogo, diante de uma Alemanha forte, é certo, mas com alguma permeabilidades – por exemplo nas alas Portugal foi rei e senhor -que poderiam fazer dela um adversário ultrapassável.
Nos minutos finais, após o golo de Hélder Postiga, ainda acreditei num milagre de N. Srª do Caravaggio. Portugal dominava então o jogo em absoluto, a Alemanha dificilmente respirava, e a sensação que fica é a de que se a partida durasse mais dez minutos o empate iria acabar por aparecer. E num eventual prolongamento, os sete dias de recuperação poderiam vir a ditar leis.
O árbitro apitou, Portugal perdeu. É um absurdo falar de fracasso ou mesmo inêxito. A selecção nacional cumpriu neste Europeu a sua obrigação – que era passar a primeira fase – e caiu de pé frente a uma selecção tri-campeã mundial e tri-campeã europeia. Não teve a sorte de outras ocasiões, e no momento decisivo não conseguiu esconder as suas principais debilidades. Mas ficar entre os oito melhores da Europa não pode ser vergonha para ninguém, e só os “maus” hábitos criados pelos portugueses nos últimos anos, em que a presença em fases adiantadas de grandes competições se banalizou e fez esquecer toda a pobre e longa história das décadas anteriores, podem agora deixar-nos um amargo sabor a frustração. É bom sinal.

No plano individual há que destacar a fabulosa exibição de Deco, que de todo não merecia ver-se fora do Europeu. O mágico, com a frescura de toda uma época a meio gás, apareceu em grande nesta prova, e particularmente no jogo de ontem espalhou pelo relvado toda a sua classe, realizando uma das melhores exibições que lhe vi nos últimos anos. Foi claramente o melhor jogador português no jogo e em todo o Europeu
Pena foi que Cristiano Ronaldo, de quem tanto se esperava, tenha desperdiçado a hipótese de se afirmar como um jogador aparte no panorama futebolístico mundial. Frente à Alemanha, quando seria necessário um grande Ronaldo, o Ronaldo das melhores tardes de Old Trafford, ele não apareceu, andando, por entre marcações cerradas, quase sempre escondido do jogo. Como aqui disse ontem, seria este o momento para Ronaldo se evidenciar como o “melhor do mundo”. Ainda é jovem e terá alguns Mundiais e Europeus para brilhar, mas é bom que ele próprio entenda que não é com golos ao Bolton ou a Reading que ficará na história do futebol. E todos sabemos que dispõe de todas as condições para ficar.
Nuno Gomes esteve muito bem, parecendo algo precipitada a sua saída. O avançado benfiquista mostrou que está vivo, e que dele ainda se pode esperar alguma coisa, assim mantenha os índices de motivação e empenho que patenteou nestes três jogos. Nani entrou muito bem, Simão esteve também em bom plano, e Postiga marcou. Não foi no ataque que Portugal perdeu o jogo.
Cá atrás o panorama foi bem diferente. Ricardo falhou clamorosamente no segundo e terceiro golo, confirmando um momento de forma bastante complicado – e agora sem Scolari, e com o regresso de Quim, deverá ter os dias contados na baliza da selecção -, Bosingwa esteve demasiado desconcentrado em momentos chave, Pepe foi uma sombra do grande jogador da primeira fase, Ricardo Carvalho perdeu-se na descrição das falhas colectivas, Paulo Ferreira mostrou-se, uma vez mais, um erro de casting nesta selecção, revelando-se o elo mais fraco da equipa – o lateral deixou a sua marca no primeiro e no terceiro golos alemães, embora com a atenuante de neste último ter sido claramente empurrado por Ballack.
Petit esteve em plano discreto, João Moutinho saiu lesionado quando prometia uma boa exibição, e Raul Meireles pouco trouxe ao jogo, sendo contudo de saudar a forma como tentou o golo de meia-distância.

Falta falar do árbitro. Ao contrário de outras ocasiões – Euro 2000, Mundial 2002 ou Mundial 2006 – em que todo o Portugal muito se queixou das arbitragens, responsabilizando-as, injustamente, pelo afastamento das respectivas competições, desta vez há mesmo reais razões de queixa. O golo de Ballack é precedido de falta, uma falta clara que o juiz sueco tinha obrigação de ter visto. Este lance foi determinante para o desenrolar da partida, até porque ocorreu num momento em que Portugal ameaçava fortemente alcançar o empate – e até foi obtido com o único ponta-de-lança alemão fora do relvado -, e daí em diante tudo poderia ser diferente. Foi um balde de gelo nas ambições lusas, e como tal bem se pode afirmar que a arbitragem de Fjortfeld influenciou clara o objectivamente o resultado. Se um lance daqueles resolvesse um jogo grande da nossa liga…

MOSTRA COMO É !

É nestas alturas que se define o curso da história, e que a divindade faz as suas escolhas. Foi em momentos como este que Maradona, Pelé, Platini ou Eusébio entraram para a eternidade do futebol. É num momento como este que Cristiano Ronaldo o pode agora fazer.
Força Cristiano ! Mostra hoje que és o melhor do mundo !

NOTAS DE EURO

ITÁLIA- Já vai sendo um hábito os italianos qualificarem-se in-extremis, mesmo sem jogarem praticamente nada. De agora em diante ninguém duvide que são grandes candidatos ao título. Mesmo sem Pirlo e Gattuso. Mesmo sem que Donadoni tenha ainda acertado num onze-base.
Não tive o gosto de os ver eliminados, que seja com a Espanha.
FRANÇA- Uma equipa totalmente fora de prazo, velha e cansada. Desde o primeiro jogo se percebeu que esta França joga ao ritmo dos 36 anos de Thuram e Makelele. Henry já não é o que era e, sobretudo, Zidane acabou. O fim de uma era. Adeus Domenech, até nunca mais !
ROMÉNIA- Estranha segunda parte, sem ambição, sem garra, sem alma, frente a uma Holanda de segunda. Queria mesmo qualificar-se ?
ESPANHA- Azar. Depois de um apuramento imaculado, tem pela frente a campeã do mundo. Terá de haver muita Espanha para vermos Fernando Torres, Iniesta, Villa e Xavi nas meias finais.
RÚSSIA- Se Ibrahimovic não me estragar as contas, aposto nos russos para as meias-finais. Com Pavlyuchenko em grande, e Arshavin de regresso, a equipa de Hiddink tem boas condições para seguir em frente.
QUALIDADE DO FUTEBOL- Muito boa. De uma forma geral os jogos têm sido entusiasmantes, e surpreendentemente intensos para final de época. Embora a média de golos seja inferior a 2004, a qualidade deste Euro não fica atrás do "nosso", e fica bem acima da que genericamente se viu no último Mundial.
PODOLSKI- Ou é bluff, ou a Alemanha terá uma grande baixa diante de Portugal. Além dele, Frings também está em dúvida. Regressa Schweinsteigger, talvez para a titularidade.

Lealdades
e
Conselhos

EI-LOS, OS ALEMÃES

A jornada de ontem confirmou a Alemanha como adversário de Portugal nos quartos-de-final do Euro 2008.
À partida, no plano teórico, seria o adversário a evitar de entre o lote de equipas que faziam parte do grupo B. Pela sua história, pela sua tradição, pela qualidade dos seus jogadores, a Manschaft é sempre uma equipa temível qualquer que seja a competição que dispute. Uma Áustria, mesmo jogando em casa, ou uma Polónia, mesmo tendo-nos vencido na fase de qualificação, seriam certamente mais apetecíveis, e permitiriam olhar para esta eliminatória com um optimismo, eu diria, mais exuberante.
Não creio todavia que esta Alemanha seja propriamente um papão. Embora se trate de uma equipa organizada, fisicamente dotada, e recheada de jogadores, senão brilhantes, pelo menos competentes, a selecção germânica não tem sido nestes últimos anos a equipa implacável que fez com que um dia o antigo avançado inglês Gary Lineker descrevesse o futebol como um jogo de onze contra onze em que no fim ganhavam os alemães. Desde 1996, ainda com Matthaus e Klinsmann entre outros, que a Alemanha não ganha qualquer competição, embora, é certo, tenha estado no pódio dos últimos dois mundiais. Mesmo a nível de clubes, o futebol alemão perdeu a força que tinha em finais do século passado, não apresentando hoje, à excepção do Bayern de Munique, mais qualquer clube verdadeiramente capaz de ombrear com os melhores do velho continente. Há seis anos que não vemos qualquer clube alemão numa final europeia, enquanto no mesmo período F.C.Porto por duas vezes, e Sporting por uma (além da selecção nacional), conseguiram lá chegar.A selecção alemã que temos visto neste Europeu é uma boa equipa, com processos de jogo bem assimilados, mas à qual falta alguma imaginação. Tem lacunas óbvias, a começar na dupla de centrais, e mesmo no plano atlético não parece ao nível das selecções que no passado impressionavam o mundo – lembremo-nos de Hrubesch, Briegel, Rumennigge entre outros, e perceberemos bem a diferença.
É um adversário de respeito, pode muito bem eliminar-nos, mas não é, de modo algum, inacessível, nem mesmo a uma selecção nacional com os problemas que Portugal também tem, nomeadamente na baliza, no lado esquerdo da defesa e no centro do ataque, como tem sido reiteradamente apontado pela generalidade dos observadores independentes, nem mesmo levando em conta que Low deverá proceder a alguns ajustamentos no onze inicial, dotando-o de maior equilíbrio e verticalidade - designadamente com a entrada de Hitzlsperger para o lado esquerdo do meio-campo, permitindo a Ballack maior liberdade ofensiva, e colocando Podolski (em muito boa forma) bem junto a Klose na frente de ataque.Não me parece que fosse mais fácil para Portugal desembaraçar-se da atrevida e estimulante Croácia que se viu nestes três jogos – até pela imprevisibilidade do se futebol -, do que desta Alemanha, que entusiasmou e assustou na primeira ronda diante da modesta Polónia, mas depois se cingiu a uma qualificação meramente burocrática, sem perfume nem encanto. Aliás, olhando à história das presenças portuguesas em fases finais de Europeus e Mundiais, verifica-se que a nossa selecção costuma dar-se bem com selecções da aristocracia do futebol mundial (venceu em fases finais Inglaterra, Holanda, Alemanha, Brasil e Espanha, algumas delas mais de uma vez), vacilando frequentemente diante de nomes menos sonantes e quando menos se espera (Coreia do Sul, Estados Unidos, Marrocos, Polónia, República Checa e…Grécia).
Por tudo isto, devo dizer que estou optimista para este confronto. Penso que Portugal não tem menos hipóteses com esta Alemanha do que tinha, por exemplo, com a Inglaterra em 2004 e 2006. Vai ser certamente um jogo sofrido, não existirão facilidades, mas acredito que a força mental dos jogadores portugueses os empurre para aquilo que necessitam de fazer, e que, mais do que brilhar, mais do que deslumbrar, se consubstancia em não cometer erros. É neste particular que se vai jogar a presença nas meias-finais: quem cometer menos erros vencerá.
A selecção portuguesa, desde que é orientada por Scolari, tem-nos dados provas sucessivas de estar preparada para enfrentar estes momentos de forma adequada. Depois de amanhã em Basileia, definir-se-á se este vai ou não ser um Europeu para marcar na história do futebol português, ao lado dos de 1984, 2000 e 2004, ou se pelo contrário irá deixar um sabor a desilusão, mesmo que relativa – a obrigação está cumprida, o que vier a mais é ganho.
Vamos acreditar, vamos confiar.
Força Portugal !!!

Equipas prováveis:
PORTUGAL- Ricardo, Bosingwa, Pepe, Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Petit, João Moutinho, Deco, Simão Sabrosa, Nuno Gomes e Cristiano Ronaldo
ALEMANHA- Lehmann, Friedrich, Metzelder, Mertesacker, Lahm, Frings, Fritz, Hitzlsperger, Ballack, Klose e Podolski

AS CONTAS DOS GRUPOS C e D

GRUPO C
HOLANDA: Apurada em primeiro lugar do grupo
ROMÉNIA: Apura-se se...
a) vencer
b) empatar e França e Itália também empatarem
c) perder por menos de três golos e França e Itália empatarem a zero
ITÁLIA: Apura-se se...
a) vencer e Roménia não vencer
b) empatar com golos e Roménia perder
c) empatar a zero e Roménia perder por três ou mais golos
FRANÇA: Apura-se se...
a) vencer e Roménia não vencer
GRUPO D
ESPANHA: Apurada em primeiro lugar do grupo
SUÉCIA: Apura-se se empatar ou vencer a Rússia
RÚSSIA: Apura-se se vencer a Suécia
GRÉCIA: Eliminada

A MINHA ESCOLHA PARA SELECCIONADOR

O ONZE IDEAL PROVISÓRIO "VEDETA DA BOLA"

GUARDA-REDES: Van der Sar (Holanda)
DEFESAS: Lahm (Alemanha), Pepe (Portugal, Goian (Roménia) e Pranjic (Croácia)
MÉDIOS: Sneijder (Holanda), Modric (Croácia), Deco (Portugal) e Turan (Turquia)
AVANÇADOS: Pavlyuchenko (Rússia) e Villa (Espanha)