FUMO BRANCO NA LUZ ?

A novela do novo treinador do Benfica está a chegar ao fim. Quique Flores, segundo as últimas notícias, está próximo de aceitar o convite de Rui Costa, e por 4,5 milhões de euros seguir para a Luz por três temporadas. Já não era sem tempo.
A contratação do espanhol é uma boa opção. Dentro do lote de técnicos ao alcance da carteira benfiquista, este parecia de facto o mais prometedor. Trata-se de um jovem extremamente ambicioso, metódico e disciplinador, já com alguma experiência de alto nível, designadamente no Valência.
Segundo se diz, as exigências quanto à equipa terão sido várias. Por mim ficar-me-ia pela manutenção de todos os titulares, e pela compra, para além de Jorge Ribeiro e Ruben Amorim, de um lateral direito, um central e um médio ofensivo- por exemplo João Pereira, Geromel e Dica. Nada mais.
Veremos se o Benfica dará mesmo o passo de que necessita rumo ao seu futuro, ou se este será apenas mais um capítulo da interminável história de fracasso em que vive desde há muito tempo. Para já fica apenas a certeza de que a próxima época dificilmente será pior que a que agora terminou.

LÁGRIMAS E SUSPIROS

A final de Moscovo não decepcionou. Duas grandes equipas mostraram que a qualquer uma delas assentaria bem o título europeu, oferecendo a cerca de 150 milhões de pessoas um magnífico espectáculo de futebol.
Quando assim é, e tendo uma delas que vencer, o resultado teria naturalmente de ser acompanhado pelo drama. Como qualquer grande final que se preze, à euforia de uns corresponderam as lágrimas amargas de outros. É isto o futebol.
Antes da decisão final por penáltis, o jogo foi repartido, e disputado sempre a alta velocidade e com grande intensidade competitiva. Na primeira parte o Manchester dominou claramente, criando várias ocasiões para fazer o 2-0 e encaminhar desde logo o destino da Taça, acabando o golo do empate por surgir contra a corrente do jogo e de forma um tanto fortuita. No segundo período inverteu-se a tendência, com o Chelsea aparentemente mais fresco a assumir a partida, a empurrar durante largos minutos os “Red Devils” para o seu meio-campo, e a construir as melhores oportunidades. No prolongamento o jogo foi mais dividido, mas foram do Chelsea, ainda assim, os melhores momentos.
Chegou-se ao desempate final, e daí ficarão para a história os falhanços de Ronaldo – que injusto seria ser ele o réu – e sobretudo de John Terry, quando a conversão da sua penalidade daria a taça aos “Blues”. A defesa de Van der Sar a remate de Anelka decidiu tudo. O Manchester conquistou o título.

Independentemente daquilo que se passasse durante este jogo, terá de se admitir que ao longo da época o Manchester United foi efectivamente a melhor equipa da Europa. Aliás, já na temporada anterior tinha deslumbrado – lembram-se dos 7-1 ao Roma ? -, acabando por cair aos pés de um soberbo Kaká numas meias-finais surpreendentes. Esta equipa de Alex Ferguson é talvez o melhor Manchester de todos os tempos, e seguramente uma das melhores equipas da Europa dos últimos anos. Das poucas que alia a beleza do futebol praticado a uma capacidade competitiva notável. Este título europeu é pois um título justíssimo.
No seio de qualquer grande equipa da história do futebol, existe sempre um grande jogador. A estrela deste Manchester, a grande estrela do futebol europeu e mundial é efectivamente Cristiano Ronaldo, melhor marcador da liga inglesa, melhor marcador da Europa, melhor marcador da Champions, e o mais que se verá até final de um ano que leva já, inquestionavelmente, a sua assinatura a letras de ouro.
No mundo globalizado do futebol, onde os grandes jogadores rapidamente se tornam produtos de consumo mediático, acabando por vezes por se afastar daquilo que realmente sabem fazer – Ronaldo Lima, Ronaldinho Gaúcho, David Beckham, entre outros, são excelentes exemplos -, temo que Cristiano Ronaldo, agora com 23 anos, acabe mais dia menos dia por entrar pelo mesmo caminho. O dinheiro é muito, as formas de o ganhar também, as tentações estão atrás de cada porta, e verdade seja dita, ninguém é de ferro.
Se assim não for, se Ronaldo mantiver os pés assentes no chão, se mantiver bem viva a sua enorme paixão pelo futebol e a sua forte ambição, estou em crer que dentro de dois ou três anos estejamos perante um dos melhores jogadores do mundo, não apenas da actualidade, mas de todos os tempos, rivalizando com Pele, Maradona ou Cruyff. Caso contrário, poderemos ter apenas mais um rico e famoso membro do jet-set internacional. Que Cristiano Ronaldo decida bem.

TODAS AS FINAIS

  • 2007/08 Moscow Manchester Utd (ENG) - Chelsea (ENG) ?-?
  • 2006/07 Athens AC Milan (ITA) - Liverpool FC (ENG) 2-1
  • 2005/06 Paris FC Barcelona (ESP) - Arsenal (ENG) 2-1
  • 2004/05 Istanbul Liverpool FC (ENG) - AC Milan (ITA) 3-3/3-2p
  • 2003/04 Gelsenkirchen FC Porto (POR) - Monaco (FRA) 3-0
  • 2002/03 Manchester AC Milan (ITA) - Juventus (ITA) 0-0/3-2p
  • 2001/02 Glasgow Real Madrid (ESP) - Leverkusen (GER) 2-1
  • 2000/01 Milan Bayern M.(GER) - Valencia CF (ESP) 1-1/5-4p
  • 1999/00 Paris Real Madrid (ESP) - Valencia CF (ESP) 3-0
  • 1998/99 Barcelona Manchester Utd (ENG) - Bayern M. (GER) 2-1
  • 1997/98 Amsterdam Real Madrid (ESP) - Juventus (ITA) 1-0
  • 1996/97 Munich B.Dortmund (GER) - Juventus (ITA) 3-1
  • 1995/96 Rome Juventus (ITA) - Ajax (NED) 1-1/4-2p
  • 1994/95 Vienna Ajax (NED) - AC Milan (ITA) 1-0
  • 1993/94 Athens AC Milan (ITA) - FC Barcelona (ESP) 4-0
  • 1992/93 Munich Ol.Marseille (FRA) - AC Milan (ITA) 1-0
  • 1991/92 London FC Barcelona (ESP) - Sampdoria (ITA) 1-0
  • 1990/91 Bari Red Star B. (SRB) - Ol.Marseille (FRA) 0-0/5-3p
  • 1989/90 Vienna AC Milan (ITA) - Benfica (POR) 1-0
  • 1988/89 Barcelona AC Milan (ITA) - Steaua (ROM) 4-0
  • 1987/88 Stuttgart PSV (NED) - Benfica (POR) 0-0/6-5p
  • 1986/87 Vienna FC Porto (POR) - Bayern M. (GER) 2-1
  • 1985/86 Seville Steaua (ROM) - FC Barcelona (ESP) 0-0/2-0p
  • 1984/85 Brussels Juventus (ITA) - Liverpool FC (ENG) 1-0
  • 1983/84 Rome Liverpool FC (ENG) - AS Roma (ITA) 1-1/4-2p
  • 1982/83 Athens Hamburg (GER) - Juventus (ITA) 1-0
  • 1981/82 Rotterdam Aston Villa (ENG) - Bayern M. (GER) 1-0
  • 1980/81 Paris Liverpool FC (ENG) - Real Madrid (ESP) 1-0
  • 1979/80 Madrid Nott.Forest (ENG) - Hamburg (GER) 1-0
  • 1978/79 Munich Nott.Forest (ENG) - Malmö (SWE) 1-0
  • 1977/78 London Liverpool FC (ENG) - Brugge (BEL) 1-0
  • 1976/77 Rome Liverpool FC (ENG) - B.M'gladbach (GER) 3-1
  • 1975/76 Glasgow Bayern M. GER) - St. Etienne (FRA) 1-0
  • 1974/75 Paris Bayern M. (GER) - Leeds Utd (ENG) 2-0
  • 1973/74 Brussels Bayern M. (GER) - At.Madrid (ESP) 4-0
  • 1972/73 Belgrade Ajax NED) - Juventus (ITA) 1-0
  • 1971/72 Rotterdam Ajax (NED) - Inter Milan (ITA) 2-0
  • 1970/71 London Ajax (NED) - Panathinaikos (GRE) 2-0
  • 1969/70 Milan Feyenoord (NED) - Celtic (SCO) 2-1
  • 1968/69 Madrid AC Milan (ITA) - Ajax (NED) 4-1
  • 1967/68 London Manchester Utd (ENG) - Benfica (POR) 4-1
  • 1966/67 Lisbon Celtic (SCO) - Inter Milan (ITA) 2-1
  • 1965/66 Brussels Real Madrid (ESP) - Partizan (SRB) 2-1
  • 1964/65 Milan InterMilan (ITA) - Benfica (POR) 1-0
  • 1963/64 Vienna Inter Milan (ITA) - Real Madrid (ESP) 3-1
  • 1962/63 London AC Milan (ITA) - Benfica (POR) 2-1
  • 1961/62 Amsterdam Benfica (POR) - Real Madrid (ESP) 5-3
  • 1960/61 Bern Benfica (POR) - FC Barcelona (ESP) 3-2
  • 1959/60 Glasgow Real Madrid (ESP) - Frankfurt (GER) 7-3
  • 1958/59 Stuttgart Real Madrid (ESP) - Reims (FRA) 2-0
  • 1957/58 Brussels Real Madrid (ESP) - AC Milan (ITA) 3-2
  • 1956/57 Madrid Real Madrid (ESP) - Fiorentina (ITA) 2-0
  • 1955/56 Paris Real Madrid (ESP) - Reims (FRA) 4-3

Hoje n'A Bola: "Laudrup ganha força"
Hoje no Record: "Águias abordam Zico"
Hoje n'O Jogo: "Rui Costa espera 48 horas por Quique"

CHOQUE DE TITÃS

Joga-se hoje em Moscovo a final da Liga dos Campeões, a mais apetecida prova de clubes da Europa, e também, porque não dizê-lo, de todo o mundo.
É um jogo que vem um pouco fora de tempo. Com os campeonatos já terminados – alguns há quase duas semanas -, com as festas dos vencedores já feitas, com grande parte das selecções em plena preparação para o Euro, a maioria dos adeptos estará decerto mais virada para aquilo que se pode passar na Suiça e na Áustria do que propriamente para esta final, que noutra data – há quinze dias atrás, por exemplo - faria parar o mundo do futebol. É certo que a Inglaterra não vai ao Euro, mas a Liga dos Campeões está longe de resumir o seu interesse aos países dos clubes em prova. Eis um aspecto a reconsiderar pela Uefa, sobretudo em anos de grandes competições internacionais.
O jogo em si colocará frente a frente, estou em crer, as duas melhores equipas da actualidade. De um lado o Manchester United de Cristiano Ronaldo, bi-campeão inglês, do outro o seu principal adversário nos últimos anos, o Chelsea de Drogba. Ambas as equipas são de luxo, e os seus plantéis verdadeiras paradas de estrelas.

É difícil definir favoritismos numa partida como esta, para mais entre duas equipas do mesmo país, com dinâmicas de rivalidade próprias e um profundo conhecimento mútuo. Teoricamente, como campeão inglês, o Manchester partiria com ligeira vantagem. Mas se nos recordarmos que o Chelsea joga em casa do seu proprietário, e que há anos suspira por este momento, as coisas equilibram-se. Para o nosso país trata-se de uma final gratificante, pois coloca em campo seis portugueses: Paulo Ferreira, Hilário e Ricardo Carvalho pelos “Blues”, e Cristiano Ronaldo, Nani e Carlos Queirós pelos “Red Devils. Bem vistas as coisas, uma variante do F.C.Porto-Sporting, com três ex-dragões de um lado, e três ex-leões do outro.

Apesar da sua força actual, estes dois emblemas não estão entre os principais triunfadores no passado da competição. Antes desta final, o Benfica tinha tantos títulos europeus como Manchester United, Chelsea e Arsenal todos juntos, o que não deixa de ser uma curiosidade. De facto, em Inglaterra, em termos históricos, só o Liverpool se destaca como grande da Europa.

Deseja-se um grande espectáculo, mas teme-se um confronto táctico e calculista. O momento é de grande decisão, as equipas conhecem-se, e a tendência poderá ser mais a de um jogo de xadrez do que uma partida de grande espectacularidade plástica. Acreditemos no entanto que as estrelas - particularmente o nosso Cristiano Ronaldo - sejam capazes de pintar o destino desta final a cores mais vivas.
Por falar em Ronaldo, é ele o motivo pelo qual a minha simpatia se cola mais ao Manchester (embora as camisolas também ajudem…). Nesta partida se jogará muito da possibilidade de, lá mais para Dezembro, o madeirense poder vir a ser escolhido como o “melhor do mundo”, algo que não deixaria de constituir um motivo de orgulho para todos os portugueses. Como curiosidade, refira-se que esta será a primeira final da história disputada em piso sintético.

NADA FÁCIL...

Atlético de Madrid, Spartak de Moscovo, Dinamo de Kiev, Sparta de Praga, Galatasaray, Slávia de Praga, Partizan de Belgrado, Levski de Sófia, Wisla Cracóvia, Dinamo de Zagreb, Standard de Liege, Twente, Rapid de Viena, Artmédia Petrzalka, Aalborg e Brann Bergen. Seriam estes os possíveis adversários do Benfica na terceira pré-eliminatória da Champions League, caso o F.C.Porto fosse excluído da competição.
Nada fácil, como se percebe. Mais díficil ainda será a vida do Vitória de Guimarães, se for ele a disputar essa eliminatória. Não sendo cabeças-de-série, os minhotos podem apanhar Barcelona, Liverpool, Arsenal, Juventus entre outros tubarões do futebol europeu.
Resta acrescentar que se chegasse à fase de grupos, o Benfica integraria seguramente o pote 2 do sorteio.

CHAMPIONS SIM, CHAMPIONS NÃO

Não dei, de início, muito crédito às notícias sobre a possibilidade do F.C.Porto ficar afastado da próxima Liga dos Campeões por via do caso “Apito Dourado”. Nem sequer falei aqui do tema no primeiro momento em que o mesmo se colocou.
Pelo que li e ouvi desde então, pelo que procurei saber dos regulamentos, pelas opiniões de juristas, tenho-me todavia convencido de que essa é afinal uma hipótese bem real, para não dizer que talvez seja a mais provável, tomando em linha de conta que a Uefa não se costuma pautar pela impunidade das instâncias portuguesas e nestas questões é normalmente implacável. A alínea regulamentar criada após o “Calciocaos” é taxativa, e só a questão das datas relativas aos actos praticados pode levantar alguma controvérsia. Não tenho dúvidas que Pinto da Costa e a SAD portista estarão neste momento tremendamente arrependidos da opção de não recorrer da decisão da comissão disciplinar da Liga, e não devem andar a dormir muito bem nas últimas noites.
A ser excluído o F.C.Porto, avançaria o Vitória de Guimarães directamente para a fase de grupos, e o Benfica entraria na pré-eliminatória.
Sendo inegavelmente prejudicial para o F.C.Porto – que ficaria arredado de todas as provas europeias -, poder-se-á afirmar que tal quadro seja assim tão positivo para o Benfica ?
Sendo deveras importante sob o ponto de vista orçamental uma presença na Champions, tenho dúvidas porém que desportivamente os encarnados tivessem, na sua conjuntura actual, muito a ganhar com este eventual desfecho. Com uma equipa por construir, com um novo técnico ainda por apresentar, o Benfica precisa de alguma tranquilidade em seu redor, e um ano na mais modesta Taça Uefa – na qual o seu potencial actual se enquadra melhor, e onde até poderia garantir, com algumas vitórias, uma subida nos rankings europeus -, poderia permitir ao clube concentrar-se naquilo que tem de importante para fazer, e que passa por reconstruir uma equipa para ser campeã nacional em 2010 ou 2011. Para esse processo ser bem conseguido, o próximo campeonato não poderá ser uma repetição do que agora terminou, sendo necessário que o Benfica cresça como equipa, mostre algum futebol, lute mais pelos primeiros lugares, ainda que se lhe não possa, nem deva, exigir o título.
Precipitando o início da época com uma, a todos os níveis, condicionante pré-eliminatória, e tendo depois, em caso de sucesso, de se haver com as melhores equipas da Europa, o Benfica estaria mais exposto a uma confusão de prioridades, e poderia dar passos no sentido inverso àquele em que se precisa de situar. Por outro lado, nem quero imaginar o que seria o próximo campeonato nacional com o F.C.Porto livre de compromissos europeus, e Sporting e Benfica afogados em jogos exigentíssimos a meio de quase todas as semanas. Talvez o record de diferença de pontos viesse então a ser mesmo batido.

É preciso também desmistificar um pouco a questão da imprescindibilidade da presença na Champions, competição que aliás me fascina imenso, motivo pelo qual me sinto particularmente à vontade para falar dela.
Em termos financeiros a Champions League é um "maná", mas apenas e só em caso de prestação desportiva positiva. No caso um clube se ficar pela primeira fase, fazendo poucos pontos e não enchendo o estádio - o que aconteceu com o Benfica na época agora terminada -, as receitas não ultrapassarão cinco ou seis milhões de euros, montante facilmente realizável com a alienação do passe de um jogador de nível médio, e parcialmente compensável com uma presença razoavelmente ganhadora na Uefa.
Por outro lado, é importante referir que nunca nos últimos vinte e cinco anos Sporting ou Benfica conseguiram conciliar uma presença na Liga dos Campeões com um título nacional. À excepção do F.C.Porto, nenhum clube português logrou ser campeão após a triturante e desgastante participação na principal prova europeia, o que não deixa de ser sintomático do peso que ela tem no condicionamento de toda uma época.
Quer isto dizer que é preferível não participar ? Obviamente que não ! Em condições normais é fantástico disputar a Champions, faz crescer os jogadores, valoriza-os, dá prestígio. Um clube como o Benfica, com o palmarés que ainda detém, tem tudo a ganhar em frequentá-la com a maior assiduidade possível, sobretudo se for conseguindo, aqui e ali, um brilharete capaz de fazer recordar velhos tempos, como foi o caso de 2005-06. Simplesmente há momentos em que é conveniente parar para pensar. Em que é necessário dar um passo atrás que permita mais tarde dar dois em frente. O Benfica vive um desses momentos, e nesta época seria, a meu ver, aconselhável concentrar-se no campeonato, e até, porque não, procurar beneficiar do desgaste alheio para assim se poder aproximar da luta pelo título, congregando e mobilizando toda a família benfiquista, permitindo o impulso necessário para os êxitos futuros que se espera ser possível alcançar.
Apesar da ideia que acabo de expor, e independentemente dos interesses clubistas conjunturais, devo dizer contudo que espero e desejo que a Uefa faça alguma justiça – já que a Liga Portuguesa, ao contrário da ideia que se criou, não a fez -, e exclua quem tem de excluir. O resto se verá depois.

PORQUE NÃO ?

Está livre, é jovem, é ambicioso, é competente, é trabalhador, é honesto, tem preparação científica, é barato, é benfiquista, tem sede de vingança, tem experiência, é adepto de um futebol de ataque, conhece bem o futebol português, deixou o Panathinaikos na Champions League, levou o Sporting a uma final europeia, esteve a minutos do título e pôs a equipa a jogar um futebol espectacular, foi adjunto no Real Madrid, e antes tinha levado o Nacional da 2ª divisão B à Liga principal. Porque não ele?

UEFA DE LUXO

Com o final dos campeonatos começa-se a desenhar o quadro definitivo de participantes nas provas europeias do próximo ano.
Assim no imediato - uma análise mais aprofundada será feita oportunamente - ressalta à vista a competitividade que a próxima edição da Taça Uefa poderá apresentar. Estarão em prova nada mais nada menos que nove (!!) ex-campeões europeus, enquanto que na Liga dos Campeões participarão dez, contando com o F.C.Porto, cuja presença ainda não é garantida.
AC Milan (uma surpresa de última hora), Ajax, Benfica, Hamburgo, Aston Villa, Estrela Vermelha, Feyenoord, Steaua de Bucareste e Borussia Dortmund disputarão e abrilhantarão a Taça Uefa, abrindo antecipadamente uma nova era na competição à qual a reforma de Michel Platini irá devolver, a partir da próxima temporada, mais alguns colossos do futebol europeu.
Para além destes nomes, figurarão ainda nos quadros da Uefa 2008-09 equipas como Sevilha, Valencia, Tottenham, CSKA Moscovo, Everton, Udinese, Anderlecht, PSG, Sampdória ou Nápoles, entre outros.

UMA TAÇA CHEIA DE MÉRITO

O Sporting foi um justo vencedor da Taça de Portugal.
Quer pelo que fez nos 120 minutos desta final, durante a maior parte dos quais se conseguiu superiorizar ao adversário, quer pelo facto de, ao contrário do que sucedera no ano anterior, ter conquistado o troféu depois de vencer categoricamente Benfica, F.C.Porto e mais duas equipas da divisão maior, os leões demonstraram ser, efectivamente, a melhor equipa desta prova, assentando-lhes muitíssimo bem o triunfo.
Se na época passada lembrei aqui que a vitória sportinguista na Taça tinha sido francamente facilitada pelo factor sorte – nomeadamente em relação aos adversários que teve de enfrentar -, será justo agora reconhecer o total mérito desta conquista, que de resto transforma a temporada leonina num êxito bastante razoável.
Nesta final o F.C.Porto pareceu desde o início uma equipa cansada e desmotivada. Campeã há várias semanas, a equipa portista não conseguiu evitar alguma descompressão face a esta partida, o que se lhe revelou fatal. Unidades como Lucho, Lisandro e Quaresma estiveram claramente abaixo daquilo que foram capazes de fazer nos melhores momentos da época, e as ausências no onze de Helton, Bosingwa e Tarik (para além da troca posicional de Fucile), acabaram também por desvirtuar um pouco daquilo que tinha sido a alma do Porto campeão, ou seja, a harmonia dos seus movimentos colectivos.
Apesar de algumas ocasiões falhadas, o F.C.Porto nunca dominou o jogo, e após a expulsão de João Paulo sentiu-se que, a menos que a indecisão se arrastasse até aos penáltis – malditos para este Sporting -, a taça poderia muito bem sorrir para o lado verde e branco.
A equipa de Paulo Bento encarou este jogo como a chave de toda a sua época. Vencê-lo significaria, como significou, pintar a temporada com cores garridas de felicidade. Perdê-lo seria, senão o fracasso total, pelo menos uma frustração passível de fazer recordar os piores momentos que a equipa viveu durante o último ano. Os jogadores interiorizaram a importância do momento, e estiveram generalizadamente ao seu melhor, vergando o F.C.Porto a mais uma derrota – a terceira (!) que lhe impuseram desde o início da época.
O elemento chave da partida acabou por ser uma espécie de herói acidental, que iniciando o jogo do banco veio, já no prolongamento, a marcar os dois golos que valeram a taça, o segundo deles através de um movimento espectacular. Rodrigo Tiuí, diga-se, já havia marcado o golo da vitória sobre o Boavista na última jornada da Liga, que valeu o passaporte para a Champions League. Depois de uma época em que, não fosse o nome esquisito, teria passado quase despercebido, eis que o brasileiro se transforma neste final de temporada numa das figuras dos leões, justamente quando, fruto da ausência de Liedson, o Sporting mais dele precisava.Um dado bastante curioso que fica desta partida é a constatação de que o fortíssimo F.C.Porto de Jesualdo não encontrou ainda o antídoto para se superiorizar ao Sporting de Paulo Bento. Nesta época, em quatro ocasiões, a única vez que levou a melhor foi fruto de um erro de arbitragem, e já na temporada passada os dois confrontos para o campeonato se saldaram por um empate e uma vitória sportinguista (golo de Tello). Em seis jogos de Jesualdo no F.C.Porto contra Paulo Bento no Sporting, quatro vitórias para os leões (duas delas em finais), um empate e uma vitória portista bastante polémica. Dados impressionantes, sobretudo se tivermos em conta que o F.C.Porto foi campeão nacional em ambas das temporadas, sendo considerado pela generalidade da crítica como a melhor equipa destes anos.
A explicação reside provavelmente no meio-campo, onde o trio dos dragões demonstra grandes dificuldades em carburar face ao quarteto leonino. Este Sporting sente-se bastante confortável em jogos nos quais se pode fechar e manter uma expectativa especulativa sobre o seu desfecho, temporizando sabiamente os seus momentos defensivos e ofensivos, trocando a bola, fechando espaços. O modelo de jogo do Porto de Jesualdo, assente em transições rápidas, em aproveitamento de espaços e de erros, esbarra nesta parede construída por Paulo Bento, e personalizada sobretudo na sua linha média, não conseguindo encontrar formas de libertar os seus homens da frente para criar perigo e marcar.
Outra curiosidade que fica é a confirmação de que a Taça de Portugal tem sido uma competição algo maldita (ou pouco estimulante?) para o F.C.Porto, sobretudo quando vê pela frente Sporting ou Benfica. Em treze finais contra os outros dois grandes, apenas três vitórias ! Ganhando dezoito campeonatos nos últimos trinta anos, o F.C.Porto venceu em igual período apenas nove taças, número exactamente igual ao do Benfica, o que evidencia que a hegemonia portista não se tem estendido com tanto fulgor nesta prova.
Resta falar da arbitragem de Benquerença, que esteve mal, mas prejudicou de igual modo as duas equipas: o Sporting ao invalidar um golo a Romagnoli num lance em que o argentino parece estar em linha com a defesa portista, e o F.C.Porto no tal lance entre Lisandro e Polga, no qual existe mesmo falta, eventualmente até dentro da área – recorde-se que as faltas se devem marcar onde terminam e não onde começam.
A expulsão de João Paulo é justíssima, e se para além do cartão vermelho existisse um cartão preto para mostrar, seria esse que o defesa portista deveria ter visto.

BALANÇO HISTÓRICO DA TAÇA

BENFICA 24 troféus
Sporting 14
F.C.Porto 13
Boavista 5
Belenenses 3
V.Setúbal 3
Sp.Braga 1
Académica 1
E.Amadora 1
Leixões 1
Beira Mar 1

NOTA: Não inclui os Campeonatos de Portugal

A FESTA DA TAÇA

A época futebolística nacional termina no próximo domingo com a realização da final da Taça de Portugal.
Trata-se de uma bonita competição, de um bonito momento e de um bonito palco - veremos se desta vez o jogo corresponde à expectativas. O F.C.Porto, como campeão nacional, é favorito, mas uma final é uma final. O Sporting é o detentor do troféu, e joga nesta partida a salvação de uma época, ainda assim, pobre.
O árbitro é mau, e a sua escolha reforça o favoritismo portista. Não entendo a protecção que a Liga e a Uefa dão a este juiz, que já demonstrou em diversas e importantes ocasiões não ter qualidade para apitar ao mais alto nível.
Nestes desafios, para além da inapagável memória de António Silva em "O Leão da Estrela", uma questão se coloca: por quem torce um benfiquista ?
Por mim falo: desde que a vitória derrota ou empate de um ou outro não beneficie nem prejudique, directa ou indirectamente, os encarnados (como é o caso), a minha preferência vai clara e inequivocamente para o Sporting.
Domingo, Jamor, 17.00 h, SIC:

BENFICA CAMPEÃO

Apesar deste espaço ser exclusivamente dedicado ao futebol, abro uma excepção para homenagear a equipa de andebol do Benfica que ontem se sagrou campeã nacional ao bater em casa o ABC por 35-34 no quarto jogo da final do play-off, dando assim uma grande alegria aos benfiquistas ávidos de vitórias.
Não pude infelizmente ir à Luz, mas fico com a grata recordação de ter acompanhado esta equipa diversas vezes - desde os tempos da Divisão de Elite - quando o pavilhão estava invariavelmente às moscas.
O que não entendo é a dispensa de Alexander Donner, um dos melhores treinadores de sempre do desporto em Portugal. Enfim, o Benfica no seu melhor e...no seu pior.

SERÁ DESTA ?

Após o fracasso das negociações com Eriksson, a SAD benfiquista (da qual Rui Costa é agora também administrador) parece ter-se voltado para o espanhol Quique Flores, ex-treinador do Valencia, escolhendo-o como próximo alvo de uma escolha que já começa a tardar em demasia. Trata-se de um técnico jovem, sem qualquer título conquistado, mas que apresenta um currículo bastante interessante nos poucos anos que leva de carreira.
Ex-jogador de Real Madrid e Valencia, com 15 chamadas à selecção espanhola, iniciou-se como treinador ao comando dos juniores do Real Madrid. Seguiu depois para o Getafe - na primeira temporada do clube no escalão maior - conseguindo alcançar a manutenção de forma tranquila. Foi então contratado pelo clube de Mestalla, onde em duas épocas conseguiu um terceiro e um quarto lugar, com o respectivo apuramento para a Liga dos Campeões. Nesta prova chegou aos quartos-de-final na temporada passada, sendo apenas eliminado pelo Chelsea com um golo de Essien no último minuto, depois de ter conseguido um promissor empate 1-1 em Stanford Bridge.
Acabou por ser estranhamente despedido já em 2007-08, após duas derrotas consecutivas – em Sevilha para a Liga, e em Trondheim com o Rosenborg para a Champions -, mas o futuro veio a demonstrar o quanto essa decisão terá sido errada. Deixou o Valencia em 3º lugar, e na discussão da passagem aos oitavos-de-final da liga milionária, e foi depois de ter saído (já com Ronald Koeman) que se deu o colapso total da equipa, com a eliminação europeia, e a queda para os últimos lugares da tabela. São aliás sintomáticos os dois resultados verificados imediatamente após o seu despedimento: derrotas em casa com o Real Madrid por 1-5 (!), e com o Rosenborg por 0-2.
Para os nostálgicos de um certo mourinhismo, para quem clama constantemente por técnicos jovens e ambiciosos, esta é porventura a melhor das soluções. Quem por outro lado preze o palmarés e a experiência, não pode deixar de olhar com alguma prudência para este madrileno de 43 anos que, apesar dos bons sinais que já deu, tem ainda toda uma carreira pela frente para mostrar o que realmente vale.

LAGO DOS CISNES

Sem surpresa, o Zenit de São Petersburgo conquistou a Taça Uefa, primeiro troféu internacional na história do clube da bela cidade russa.
Diante de um Glasgow Rangers muito pouco audaz – à imagem e semelhança do que foi toda a sua carreira na prova – a equipa de Dirk Advocaat mostrou uma vez mais tratar-se de um caso sério no futebol europeu da actualidade. Mesmo com a sua principal estrela ausente – o goleador Pogrebnyak -, o Zenit foi sempre superior, dominou todo o jogo, chegando ao golo com toda a naturalidade por intermédio de Denisov, a um quarto de hora do fim. Na fase de desespero dos escoceses a equipa russa marcaria de novo, selando assim a sua conquista.
Vi pela televisão os jogos do campeão russo em Leverkusen (4-1), em casa com o Bayern de Munique (4-0), e agora esta final. Foi das equipas que mais me impressionou nesta temporada, quer pela sua organização em campo, quer sobretudo pela velocidade que imprime ao jogo assim que se vê com a bola em seu poder. À rigorosa disciplina que patenteia, junta também a classe individual de alguns jogadores, como Arshavin, Anyukov, Tymoschuk, Faizulin ou o já referido Pogrebnyak (melhor marcador da competição com 11 golos). Esta equipa é de momento a principal interprete do novo impulso que o futebol russo está a tomar, e que poderá em breve reflectir-se na discussão de outros títulos, designadamente na Champions League, competição onde estou curioso de ver actuar este Zenit na próxima temporada.
Muita atenção também à selecção russa no próximo europeu…

OLHA QUEM ELE É...

Pela foto talvez poucos se lembrem dele. Tem brilhado na Copa Libertadores, onde carimbou a passagem do San Lorenzo aos quartos-de-final, marcando dois excelentes golos num jogo épico em que, com apenas nove jogadores, a sua equipa conseguiu recuperar incrivelmente de uma desvantagem de 2-0 no estádio do poderoso River Plate.
Também nas competições domésticas tem sido um jogador em destaque, anotando golos com regularidade. No total, seis golos em apenas dois meses.
É um jovem de 23 anos, e chama-se…Gonzalo Bergessio !

A ESCOLHA DE SCOLARI

Em relação à aposta que aqui tinha deixado há dias, a convocatória de Scolari contempla duas alterações. Não estão Caneira e Maniche, surgem nos seus lugares Miguel e Jorge Ribeiro.
Estas duas diferenças reflectem no fundo os meus pontos de discordância face às opções do seleccionador. Não entendo muito bem a ausência de um defesa polivalente, regular, eficiente, disciplinado e com rotina de lateral esquerdo como Marco Caneira, enquanto me parece excessiva a chamada de três laterais direitos de raiz. Quanto a Maniche, sabendo-se que é um jogador talhado para as grandes competições, onde até tem por hábito marcar (bons) golos, talvez fosse aconselhado incluí-lo no grupo, até porque o meio-campo me parece algo deficitário - então se Petit não melhora rapidamente.... Julgo porém que a sua ausência se prenderá com critérios extra-desportivos, com os quais Scolari é, e muito bem, absolutamente intransigente.
A partir deste momento não farei mais qualquer comentário a esta convocatória. Estes são agora, e até ao fim do mês de Junho, os "meus" jogadores.

VERGONHA

O programa "Prós e Contras" sobre o chamado Apito Final mostrou cabalmente o tipo de gente a que o futebol português tem estado entregue.
Valentim Loureiro e Guilherme Aguiar não entendem o que significa a palavra ética. Para eles tudo funciona assim, o mundo é intrinsecamente corrupto, e então tudo o que se passou é justificável. A postura do Major é o retrato da impunidade, a do jurista o retrato do servilismo.
O secretário de estado é a personificação do político idiota, inútil e labioso. Sacode a água do capote quando há problemas, aparece de vez em quando para se colar a vitórias ou êxitos conseguidos por outros. Falou, falou, mas não disse...nada.
O representante da arbitragem fez pena. Pela total incapacidade de argumentação demonstrada, e pela visão sectária e corporativista que evidenciou.
Até o presidente do sindicato dos jogadores desiludiu, com uma postura ofensiva e mal educada.
Salvaram-se Dias Ferreira (aparentemente o único capaz de se colocar ao nível do Major) , Cunha Leal, sempre demasiado diplomata, e sobretudo Dias da Cunha, que deixa cada vez mais saudades aos adeptos de um futebol limpo.

PRESENÇAS NA TAÇA/LIGA DOS CAMPEÕES

BENFICA 27
F.C.Porto 22
Sporting 14
Boavista 2