IMPUNIDADE

Não confio na justiça.
Não necessariamente nos profissionais que a compõem, mas no sistema em si, que parece feito de encomenda para garantir impunidade à alta corrupção, e ao crime mais requintado.
Manobras dilatórias, incidentes processuais, recursos, contra-recursos, aclarações, nulidades, adiamentos, prescrições, e afins, constituem o labiríntico dicionário jurídico com que a verdade se confronta, ficando esta quase sempre a perder.
Não esperava, pois, que dos tribunais comuns resultasse nada de substantivo relativamente ao processo Apito Dourado, assim como não o espero de outros processos de grande dimensão e mediatismo – com as excepções que a regra normalmente concede.
Mas uma coisa é perceber, com maior ou menor resignação, que o ultra-garantismo do sistema judicial português promove a impunidade, outra, bem diferente, é dele inferir inocências que só por má fé, ou insulto, poderão ser alegadas. E é isso que tem sido feito, quer por agentes desportivos (nomeadamente os órgãos de justiça desportiva), quer por alguns comentadores, a propósito da absolvição de Pinto da Costa.
Todos sabem que só um mero artefacto, que considerou nulo o principal meio de prova, permitiu que o processo Apito Dourado tivesse um desfecho à revelia da verdade dos factos. Mas a justiça desportiva ignorou essa evidência, enveredando por um caminho de desresponsabilização e facilitismo, que, infelizmente, também não surpreende. Daí a lermos e ouvirmos comentários alarves, defendendo a candura do presidente do FC Porto, e pretendendo tomar-nos por idiotas, foi um pequeno passo.
Porém, as escutas existem. E tal como a Galileu, ninguém nos demoverá de as evocar, pelo menos enquanto muitos dos seus protagonistas continuarem por aí, a poluir o nosso futebol.
Já sofremos o suficiente com décadas de corrupção e falseamento de resultados desportivos pelas mais diversas vias. Não temos também de ficar condenados ao silêncio, perante uma verdade que foi ouvida, de viva voz, por quem a quis ouvir.

4 comentários:

  1. Anónimo8.10.14

    AA: Olhe, logo à... precisava logo à noite de jantarmos, queria que o amigo jantasse aqui por estas zonas, porque eu tinha aqui, tinha aqui uma obra para ser vista...E eu precisava, porque... vem o...


    AD: O engenheiro para ver isso?


    AA: Exactamente, não é?


    AD: Pois, mas é que eu logo à noite eu tenho curso de árbitros meu querido


    AA: Logo????


    AD: Logo, exactamente. Não tenho hipótese nenhuma...


    AA: E amanhã?


    AD: Amanhã joga o meu braguinha em casa com o Benfica... tem que se levar a mulher ao futebol, senão ela despede-me!


    AA: E então, mas é que o senhor engenheiro máximo... Faz questão de coisa...porque não sei quê, porque...e...


    AD: Como é que vamos fazer isso?


    AA: Não tem nada a ver, não tem nada a ver com... com o dois. É o número um, não é?


    AD: Pois, exactamente.


    AA: Que é o... que é o gerente da caixa, não é?


    AD: O gerente da caixa exactamente. Não sei como é que nós vamos fazer isso então, meu querido... É que eu logo não tenho hipótese nenhuma, porque tenho o curso de árbitros e agora estamos quase na fase de exames, de hoje a oito, não é??


    AA: Exacto...


    AD: Portanto não posso, não posso de maneira alguma... estar. Amanhã prometi à mulher que a levava à bola, portanto... como é que, estamos a ficar apertados...!


    AA: E o almoço?


    AD: O almoço é capaz de dar, mas o almoço não, não é assim muito para o clarão?


    AA: Não porque depois nós vamos ver uma casa


    AD: Ahh está bem! Está bem. Podemos então combinar isso... para o almoço?


    AA. Vamos ver a casa, vamos ver a casa, a ver se...


    AD: Ai vamos, aproveitamos e vemos a... também é mais de dia, consegue-se ver melhor


    AA: Pois exactamente, vamos lá ver a casa...


    AD: Tá bem. Podemos combinar isso para o almoço...


    AA: E eu agora, agora eu, eu não posso almoçar com um amigo?!


    AD: Ah então, pode e deve!!! Até, você tem, tem que almoçar comigo, que temos que ver aquele negócio, senão nunca mais resolvemos aquele problema!


    AA: Exactamente!


    AD: Olhe, eu estou a ficar é sem bateria. Se entrentanto for abaixo, liga-me para o outro, que eu estou no outro!


    AA: Exactamente! Então fica amrcado... Então eu amanhã, eu... a gente vai-se encontrar a quê? Meio-dia e meia hora, uma hora?


    AD: É isso, uma hora!


    AA: Ok amiguinho! Aqui, aqui nesta zona daqui. Eu falo, então. Está combinado.


    AD: Está bem. Está combinado, então...

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  2. Anónimo8.10.14

    Conversa entre António Araújo e Pinto da Costa


    16/4/2004


    AA: Olhe, o... o intendente tem, que... portanto, tem a responsabilidade de... lá da vida dele de curso


    PC: Serviço, sim.


    AA: E... portnato, ficou amanhã, ele vem, vem almoçar comigo e depois então a gente encontra-se.


    PC: Está bem. Está combinado.


    AA: Está certo para o senhor?


    PC: Está sim senhor.

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  3. Anónimo8.10.14

    Conversa entre António Araújo e Pinto da Costa


    16/4/2004



    AA: Ó senhor presidente! Dava para logo, dava... a pessoa, estive a falar com a pessoa novamente... ele ligou-me agora, e ele...


    PC: Sim, sim...


    AA: Já dava para logo à noite?


    PC: A que horas?


    AA: Portanto eu ás dez horas para, para as dez e meia. Eu estava lá, como ontem ficou combinado.


    PC: O senhor liga-me antes que é para... para eu estar lá.


    AA: Exactamente.


    PC: Está combinado.

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  4. Anónimo8.10.14

    Conversa entre António Araújo e Augusto Duarte



    16/4/2004





    AD: Estou?


    AA: Então, amiguinho?


    AD: Estou a chegar...


    AA: Portanto, você já está a chegar aqui na cidade, não é?


    AD: Exactamente


    AA: Pronto... E então, eu... daqui por um bocado já estou na, na cidade mesmo, tá bem?


    AD: Está bem, está


    AA: É o tempo de eu sair daqui e estar lá, não é?


    AD: Está bem, está. Até já então.



    Conversa entre António Araújo e Augusto Duarte



    16/4/2004



    AD: Sim...?


    AA:...


    AD: Estou?! Atrás da igreja!


    AA: Pronto! Exactamente...!

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