31/05/10
28/05/10
OS MEUS PREÇOS
27/05/10
RESPEITO...MAS NÃO ENTENDO
A menos que exista qualquer problema extra-futebolístico que me escape, não percebo como se deita para o lixo aquele que ainda é, quanto a mim, o melhor guarda-redes português.25/05/10
UM CAMPEÃO, DEZ MATRAQUILHOS E UM IDIOTA
A campanha de preparação da selecção portuguesa para o Mundial começou como se esperava, ou seja, de forma decepcionante.
Não fosse a excelente prestação do campeão Fábio Coentrão (quão maior seria o dinamismo desta equipa com Ruben Amorim do outro lado?) a mediocridade teria sido absoluta, como, de resto, o próprio resultado expressa.
Cristiano Ronaldo passou, uma vez mais, ao lado do jogo, Liedson e Deco estão (definitivamente?) irreconhecíveis, Nani limitou-se a uns fogachos, Pedro Mendes e Miguel Veloso revelaram-se apostas furadas (e não deixa de ser curioso ver três sportinguistas no onze inicial, após a "espantosa" época conseguida pelo clube de Alvalade). Em suma, dez matraquilhos (mais os que se lhes juntaram depois) que pareciam pedir, a cada minuto que passava, que os deixassem em paz.
O que mais preocupa nesta equipa é a total ausência de uma ideia colectiva de jogo, dando a impressão que não treina. É claro que o trabalho numa selecção não tem a regularidade e a consistência que o dia a dia de um clube permite, mas as constantes invenções, e a irritante lógica experimentalista que este seleccionador implementou, em nada ajudam a contornar esse obstáculo. E quando olhamos para o banco e vemos Zé Castros, Dudas, Ricardos Costas, Danieis Fernandes, Betos, Rolandos e Dannys, percebemos que a estrada é demasiado estreita para nela podermos passar. Só falta mesmo recolocar Duda no lugar de Coentrão (apeteceu-me pedir-lhe para se vir embora), para termos uma verdadeira equipa à Queiroz.
Faltam mais dois testes até se iniciar a competição. Espero estar enganado, mas temo um fracasso total ao velho estilo de Saltillo e da Coreia. 24/05/10
REAL DESPERDÍCIO
SEM ESPINHAS
Não sou fã de Mourinho, mas não me custa a reconhecer a qualidade do seu trabalho.
A vitória de sábado foi justíssima, e o Inter já merecia viver este momento.
Destaque para a tremenda eficácia de Diego Milito, um dos jogadores que o Mundial poderá fazer destacar.
E já agora, quem será o próximo gigante europeu a regressar aos títulos?
21/05/10
18/05/10
UM ESBOÇO PARA 2010-2011

PEDRO, O INGRATO
MADEIRA NA...MADEIRA
Foi com um misto de mágoa e felicidade que tomei conhecimento da contratação de Márcio Madeira pelo Nacional. Para quem não saiba, trata-se da grande estrela do Juventude de Évora, clube da minha terra que subiu esta época à 2ªdivisão.
Tenho pena que saia, mas congratulo-me com a possibilidade que tem de voar mais alto. Não foi preciso vê-lo jogar muitas vezes para perceber que se tratava de jogador a mais para a 3ª divisão.
Irei acompanhar a sua carreira atentamente.
Que tenha muita sorte!TAÇA DERRAMADA
17/05/10
CHAMPIONS 2010-11


14/05/10
ACTUALIDADES
PARABÉNS !
12/05/10
11/05/10
NOTAS SOBRE UM TÍTULO
Quando, na sequência da sua retumbante vitória eleitoral, disse que este mandato seria dedicado à vertente desportiva, houve talvez quem não acreditasse.
O que é facto é que, mesmo sem Liga dos Campeões, mesmo sem venda de jogadores, o Benfica surgiu fortíssimo no mercado, conseguindo, fruto de uma gestão inovadora e corajosa, construir um plantel como há muito tempo não se via. Se foi um risco, há que dizer que resultou em petisco.
A escolha do treinador, da sua responsabilidade pessoal, foi o golpe certeiro que restava para que o Benfica dispusesse, enfim, de todas as condições para se tornar campeão.
Este título tem pois o seu dedo, e a sua marca. Se apenas faltavam sucessos desportivos para colorir a sua presidência, ora aí estão eles.
O OBREIRO:
O que mais impressiona em Jorge Jesus é a tremenda confiança que consegue transmitir a todos (equipa e adeptos). Exemplo disso foi a afirmação, categórica, de que iria ser campeão nacional, e que, com ele, os jogadores do Benfica renderiam o dobro. Disse-o na conferência de imprensa de apresentação, e não foi preciso esperar muito tempo para se perceber que falava a sério.
Soube organizar rapidamente a equipa, dotá-la de um modelo de jogo, construir um onze-base (que depois se foi abrindo a mais dois ou três jogadores), e pô-la a praticar um futebol espectacular. Tudo o que Quique Flores não conseguira.
Recuperou jogadores caídos na apatia (Aimar, Carlos Martins), fez explodir jovens talentos (Di Maria, David Luíz), e até de nomes improváveis como Weldon conseguiu extrair futebol e golos.
Com uma pré-época impressionante (já nem me lembro da quantidade de troféus conquistados), este seu Benfica impôs-se com grande rapidez e autoridade, deixando antever, desde logo, grandes conquistas. O título acabou por ser o corolário natural de todo um processo quase perfeito.
A FIGURA:
A escolha é difícil. A época foi longa, e com distintos e variados protagonismos (Ramires nas primeiras jornadas, Saviola a meio do campeonato, David Luíz em muitas ocasiões, os golos de Cardozo etc).
Mas se atendermos à preponderância na equipa, à regularidade exibicional ao longo de todos estes meses, e aos momentos singulares de classe proporcionados, creio que não será errado considerar Di Maria como a figura cimeira deste Benfica e, consequentemente, do campeonato.
Em grande parte dos jogos foi um autêntico diabo à solta, que nenhuma defesa conseguia segurar.
Confesso que cheguei a duvidar da sua capacidade, mas esta época mostrou finalmente o nível que o seu talento anunciava. Infelizmente, é já jogador demais para o futebol português. Poderá em breve tornar-se num dos quatro ou cinco melhores do mundo.
O MOMENTO:
Uns referem o jogo com o Sp.Braga, outros a vitória sobre o FC Porto na primeira volta, Jorge Jesus falou também do difícil triunfo na Choupana. Todos esses foram naturalmente momentos chave da prova, até porque, nos dois primeiros casos, estávamos perante confrontos directos que poderiam ter alterado substancialmente o rumo dos acontecimentos.
Embora tenha acreditado neste Benfica desde os jogos da pré-temporada (e escrevi-o aqui na altura, chamando a atenção para a grande equipa que se estava a formar), houve contudo uma jornada a partir da qual passei a ter a convicção plena que este seria mesmo o ano da águia. Falo do fim-de-semana em que, vencendo em casa o Paços de Ferreira, os encarnados viram o Sp.Braga empatar no Bonfim, passando assim para uma distância de 3 pontos, e o FC Porto empatar em casa com o Olhanense, ficando a 11 pontos e praticamente fora da corrida pelo primeiro lugar.
Foi aí o meu clique do título. Até aí, ganhar o campeonato seria um sonho, a partir daí, perdê-lo seria uma tremenda desilusão. É TÃO BOM VÊ-LOS ASSIM...
UMA CONVOCATÓRIA À QUEIROZ
Não me apetece muito escrever sobre a selecção. O título conquistado pelo Benfica ainda me ocupa a mente e a alma, e só mais perto do Mundial me irei preocupar com a equipa de Queiroz.
No entanto, como a actualidade o impõe, faço desde já um comentário à convocatória. E esse comentário poderia resumir-se a uma simples palavra: patética.
Eu diria mesmo que esta foi uma convocatória à Queiroz, como tudo o que isso significa de mau, de hermético, de incompreensível, de experimentalista.
Vejamos ponto por ponto:
1) Começando pela baliza, e embora não goste do personagem, entendo e aceito a convocatória de Eduardo. O que de todo não se compreende é como Quim, titular indiscutível da equipa campeã nacional, é preterido em função do suplente do FC Porto (que, estranhamente, jogou os últimos jogos, o que faz supor que a decisão da sua chamada não tenha sido tomada apenas pelo seleccionador). Por outro lado, convocar Daniel Fernandes (que eu nem sei bem quem é) e deixar de fora Rui Patrício e Hilário é coisa que também só lembraria a este professor. Enfim, inacreditável.
2) Pelas minhas contas estão dez (!!) defesas na lista, e apenas dois pontas-de-lança. Se, por infelicidade, um deles se lesionar, o esquema táctico de Portugal ficará desde logo limitado a uma opção, salvo recorrendo a desnecessárias adaptações. Sempre pensei que entre Nuno Gomes, Edinho, Makukula ou Yannick, alguém mais fosse convocado para a frente de ataque. Queiroz acha que Liedson e Hugo Almeida, ambos longe da melhor forma, são suficientes. Oxalá o sejam.
3) Ricardo Costa e Zé Castro (para já não falar de Duda) não têm categoria para representar a selecção portuguesa. É claro que, com Queiroz, já lá vimos Antunes, Eliseu, Gonçalo Brandão, Orlando Sá, e outros, pelo que nada mais nos pode surpreender. Brincar as selecções é um passatempo que nos vai sair caro.
4) Com ironia, quase seria capaz de estranhar a ausência de Miguel Lopes da lista. É que para Queiroz basta ser português e jogador do FC Porto para ter lugar assegurado nas convocatórias. Só lá não estão Varela e Ruben Micael porque se lesionaram, senão veríamos uma selecção à base da equipa que ficou em terceiro lugar no campeonato, e levou 5-0 do Arsenal. Se Rolando nunca percebi o que tinha feito para ser seleccionável (a não ser talvez umas exibições mais dóceis quando estava no Restelo e enfrentava a futura equipa), para convocar Beto as razões encontram-se provavelmente num célebre Leixões-FC Porto da época passada. Já agora, pois, porque não o Miguel Lopes, que até jogou mais minutos que o Paulo Ferreira? Ninguém lembrou isso ao professor?
5) A exclusão de João Moutinho é estapafúrdia sob o ponto de vista futebolístico (até porque também não está Maniche), mas é também mais um rude golpe na popularidade desta equipa. Depois de afrontar os adeptos do Benfica, deixando de fora Quim, Carlos Martins, Ruben Amorim e Nuno Gomes, Queiroz parece pretender fazer o mesmo aos do Sporting, não convocando o seu capitão. Pode argumentar-se que Scolari também chocou de frente com o FC Porto. Acontece que se tratava de uma minoria. Não sei que representatividade terá uma selecção sem o apoio de grande parte de benfiquistas e sportinguistas. E Fábio Coentrão ainda pode ser o excluído.
Em suma, este seleccionador conseguiu a extraordinária proeza de me fazer desinteressar quase por completo da campanha portuguesa no Mundial. Não do Mundial em si, que esse está bem gravado no mapa das minhas paixões (desde o Argentina 78, e do Espanha 82, curiosamente, ambos sem Portugal), mas da prestação de uma equipa pela qual não aposto um pau de fósforo queimado.
Não deixarei, obviamente, de desejar a vitória portuguesa, mas, pelo menos por agora, não sinto qualquer tipo de entusiasmo com esta pseudo-selecção (na qual, somando todos os jogadores, treinadores e dirigentes, apenas sete figuras me são minimamente simpáticas). 10/05/10
DIGAM 32!
Ninguém terá dificuldade em acreditar que, nos quatro anos que “Vedeta da Bola” leva de vida, este será provavelmente o post que mais prazer me dá a escrever. Paradoxalmente é também um dos mais difíceis de articular, pois as emoções são muitas e ainda estão à flor da pele, após uma noite mal dormida mas inesquecivelmente bela.
O Benfica é campeão. É um justíssimo campeão, a quem só o fanatismo mais radical poderá retirar mérito.
É campeão porque tem a melhor equipa, tem os melhores jogadores, tem o melhor treinador, jogou o melhor futebol, marcou mais golos, venceu mais jogos, fez mais pontos e até conseguiu vencer o duelo dos goleadores. Não há um único aspecto futebolístico neste campeonato em que o Benfica não se tenha superiorizado a todos os adversários. E fê-lo quase sempre de forma clara e inequívoca.
Só a surpreendente carreira do Sp.Braga evitou que esta competição cedo se tivesse tornado um passeio benfiquista. A qualidade do futebol e a consistência revelada pelo conjunto de Jesus (15 vitórias nos últimos 17 jogos) justificavam uma consagração menos sofrida, mas o futebol vive também das suas circunstâncias, e este fortíssimo Braga surgiu (para sua própria infelicidade) precisamente nesta época, e não numa das anteriores, nas quais, com os pontos agora obtidos, teria conquistado o título.
Temia este último jogo, e disse-o aqui. Surpreenderam-me portanto algumas manifestações de festa antecipada com que deparei à chegada ao estádio, onde percebi que a família benfiquista estava com a confiança em alta. Foram essas manifestações de confiança que contribuíram para aliviar a minha tensão. O golo de Cardozo logo aos dois minutos, seguido da expulsão de Wires, representaram o golpe quase definitivo na ansiedade – na minha e, seguramente, na dos jogadores.
Só na segunda parte, com o inesperado golo vilacondense, o nervosismo voltou. Contudo, novo golo de Cardozo, garantindo-lhe a “Bola de Prata”, devolveu de pronto a festa à Luz. O dia era mesmo do Benfica, que não precisou de uma grande exibição para escrever uma das mais belas páginas da sua história recente.
No fim foi o que se viu, mas sobretudo o que se sentiu. E isso, caros leitores, eu não consigo descrever. Mas muitos de vós sabem bem do que se trata.
A postura de Luís Filipe Vieira após o jogo mostra a elevação com que também se pode saber vencer (algo que, em Portugal, há algum tempo não se via). Não é um título ganho contra ninguém, disse. A mim, pessoalmente, custa-me bastante a esquecer tudo o que foi feito, e foi dito, para perturbar a caminhada benfiquista. Custa-me desde logo a esquecer o que se passou na semana passada (e a espaços repetido na noite de ontem), mas custa-me também a perdoar as infelizes declarações de Domingos Paciência, que desde a pré-temporada até à conferência de imprensa final, nunca perdeu uma ocasião para destilar veneno sobre o Benfica.
Mas, enfim, tudo está terminado, e terminado em bem. Deixemos para trás as menoridades. Pensemos no futuro.
O desafio para a próxima época é enorme. Para além presença na Liga dos Campeões, o Benfica tem pela frente a responsabilidade de alimentar o novo ciclo que acredito ter agora iniciado. Só ganhando mais campeonatos poderá cumprir o verdadeiro objectivo que persegue: recuperar a hegemonia no futebol português. Por isso, o próximo campeonato será ainda mais importante que este. Por isso, a gestão deste defeso terá de ser extremamente cuidadosa.
Para já, ainda é hora de continuar a festejar.
Viva o Benfica !
PS: O Benfica sagrar-se campeão nacional já seria motivo de sobra para um estado de euforia total. Juntar a isso a subida de divisão do Juventude de Évora, consumada no mesmo dia (vencendo o Farense no Estádio do Algarve), é algo de absolutamente extraordinário, e que dificilmente se irá repetir na minha vida.
Deixo uma foto da equipa eborense, em homenagem aos jogadores que materializaram este sucesso.
09/05/10
07/05/10
CARTA ABERTA AOS JOGADORES DO BENFICA
A todos vós, Vocês são uma grande equipa. Das melhores da história recente do futebol português. Aconteça o que acontecer, não deixarão de a ser. Aconteça o que acontecer, ninguém vos irá acusar de nada. Fizeram uma grande época, um excelente trabalho, que agora pode ter a sua consagração final. A consagração que só se alcança com a tranquilidade e a confiança própria dos grandes campeões, como vocês. Estão perante a hipótese de entrar para a imortalidade deste grande clube. Estão perante a hipótese de se tornarem os heróis de seis milhões de pessoas. Vale a pena aproveitá-la.
FRASE DA SEMANA
06/05/10
UM ÚLTIMO OBSTÁCULO

Vítor Pereira deixou cair a máscara justamente no momento da despedida. Se dúvidas haviam, estas nomeações provam, no mínimo, um desnorte completo. Quem não quer ser lobo não lhe veste a pele, e o presidente da Comissão de Arbitragem acaba de a enfiar até ao pescoço. Acontecerá uma de duas coisas: ou Jorge Sousa, antigo membro dos Super Dragões, é realmente desonesto (coisa que não posso afirmar com segurança, embora reserve opinião sobre o assunto), e tudo fará para complicar a vida aos encarnados; ou, pelo menos, vai entrar sob grande pressão nesta partida, tendo muito mais condições para errar do que, arrisco a dizer, qualquer outro árbitro do quadro principal. Tanto uma como outra hipótese são de susto. Como esquecer o golo anulado a Luisão em Braga? Ou o penálti de Evaldo no mesmo jogo? Como esquecer os penáltis por assinalar no Bonfim? Ou a impunidade de que gozou Bruno Alves na final da Taça da Liga? Como esquecer o histórico do Benfica com este senhor (3 vitórias em 14 jogos nas últimas três épocas, 9 penáltis por assinalar nesse período)? Como é possível vê-lo num jogo destes? Resta ao Benfica fazer o seu papel, e superiorizar-se a todas as contrariedades. Depois de se ver privado de três titulares, vai agora ter de enfrentar o adversário que mais pontos lhe retirou neste campeonato. Além das ausências, além do Rio Ave, eis agora este perigoso opositor, justamente aquele que os benfiquistas mais temiam. Domingos Paciência lá saberá porque ri. Se calhar ri de todos nós.
O MEU ONZE, A MINHA ESPERANÇA
Acredito que o Rio Ave vá apenas jogar futebol. Não tem nada a ganhar nem a perder, e posso estar enganado mas não me parece clube, nem equipa, para servir interesses de terceiros, sejam eles quem forem. Vai naturalmente fazer o seu jogo com dignidade, o que passa por tentar pontuar. Quanto ao árbitro, só espero que não se lembrem do Jorge Sousa, nem de ninguém da AF Porto. Tenho ainda de dizer que me enerva profundamente o sorriso ultra-confiante de Domingos Paciência, que parece sempre saber alguma coisa que mais ninguém sabe. O Boavista foi na sua altura apontado como um caso de sucesso. Sempre desconfiei. Mais tarde veio a verificar-se que se tratava afinal de um antro de corrupção e doping. Lamento, mas não acredito em milagres. E este Sp.Braga, mesmo que a sorte o venha a bafejar no domingo, não me convence. Em nada.
05/05/10
EU, BENFIQUISTA, ME CONFESSO
Basta um empatezinho, mesmo daqueles que normalmente nos deprimem, e satisfazem visitantes.
Desta vez chega um desses empatezinhos, como os daqueles dias em que nada bate certo, em que o raio da bola se recusa a entrar.
E, se tudo o resto falhar, se tudo desgraçadamente falhar, se até esse empatezinho nos quiser fugir, ainda sobra uma remota esperança situada lá pelo Atlântico.
Que diabo, seria preciso muito azar...Muito azar mesmo.
Mas...são onze de cada lado.
Onze profissionais de futebol, uma bola redonda, e duas balizas do mesmo tamanho. E se ela, a bola, entrar na baliza errada?
Temo uma dramática demonstração da Lei de Murphy, temo um “Maracanazzo” à portuguesa, temo os nervos a tolher as pernas dos jogadores. Temo as ausências do Fábio, do Di e do Javi, temo a lesão do Óscar. Temo a inspiração do guarda-redes adversário. Temo a arbitragem. Temo, sobretudo temo. Temo muito. Temo tudo. Aterrorizadamente.
Mas não, não pode ser.
Em catorze jogos em casa o Benfica empatou um e venceu os restantes. Foi sempre a melhor equipa. É a melhor equipa. Muito melhor que todas as outras. Quem é afinal o Rio Ave?
Não. Nada pode falhar. Nada vai falhar.
E os dias não passam.
É terrível a angústia do adepto no momento da incerteza. Sabendo apenas que, dentro de quatro dias e quatro noites, ou irá poder dançar sobre as doces nuvens do paraíso, ou cairá desamparado nos mais profundos alçapões do inferno, não havendo quaisquer terceiras vias por onde escapar.
Mas não. As coisas não podem correr mal.
O Rio Ave tem dois centrais lesionados, há oito jogos que não ganha, e nesses só marcou um golo. Há cinco partidas que não mete uma só bola dentro de qualquer baliza. Como poderá marcar a Quim, ao grande Quim? Como? Além disso nunca ganhou na Luz, e a história sempre tem algum peso nestas coisas. E os 65 mil? E os 6 milhões?
Não. Nada pode falhar.
O futebol não nos devia fazer passar por isto. Mas faz.
Aperta o coração, brinca com as nossas emoções, divertindo-se, ele, sarcasticamente, à custa do nosso sofrimento. Se os jogadores do Benfica entrarem em campo com metade desta terrível ansiedade de adepto, estaremos todos perdidos. Nós e eles, ou eles e nós, o que vem a dar no mesmo.
Mas confio naquela gente. Em todos eles. Nos que jogam sempre, mas também no Airton, no César, no Weldon, no Carlos, no Ruben, no Nuno, e até no Pedro se for preciso. Se foram capazes de coisas fantásticas, se foram intérpretes de tantas sonatas, não iriam cair do palco agora que o pano já desce e a apoteose os espera. São fortes, muito fortes, e não vão tremer. São campeões. Vão ser campeões. Vamos ser campeões.
Ainda faltam quatro noites e quatro dias.
Quatro noites e quatro dias de inquietação e agonia. E depois, mais noventa minutos de arrepiar a espinha. Como resistirei? Como resistiremos?
Tudo em noventa minutos. Uma vida em noventa minutos. Tinha razão o Shankly. Se calhar até mesmo a Florbela, quando escreveu:
“Minha alma de sonhar-te anda perdida,
Meus olhos andam cegos de te ver,
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida”
E a vida, essa vida, pode mesmo acabar alí. Ou não. Como numa roleta russa em que sabemos haver uma bala, mesmo que uma só bala, para nos liquidar.
Força Benfica! Que tenhas mais força do que eu para viver os dias que faltam até nos voltarmos a encontrar na tua casa. Na nossa casa.
E lá, que Deus nos ajude a agarrar aquilo que é nosso. Depois…depois não haverá amanhã que cale a nossa alegria.



















